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A Vinha Do Destino

A Vinha Do Destino

Autor:: kan james
Gênero: Romance
Após anos de uma vida repleta de sucessos profissionais em Londres, Ji-Hye, uma renomada sommelier de 38 anos, vê-se obrigada a confrontar as ruínas de seu casamento desfeito. Deixando para trás a cidade que moldou sua carreira, ela retorna à serenidade da Borgonha, ao lar de sua infância. Lá, entre os vinhedos que sussurram segredos de um tempo mais simples, Ji-Hye encontra Ha-Jun, um jovem enólogo cuja paixão pelo vinho só é superada pelo encanto que sente por ela. A diferença de idade de onze anos entre eles tece uma barreira de dúvidas e medos em Ji-Hye, que hesita diante dos murmúrios julgadores da sociedade. Enquanto luta para aceitar a possibilidade de um novo amor, ela também enfrenta o desafio de revelar a verdade sobre seu divórcio ao pai, que ainda nutre grande admiração pelo ex-marido de Ji-Hye.

Capítulo 1 Capitulo 1

Ji-Hye caminhava pelas vinhas douradas da Borgonha, o aroma doce das uvas maduras misturando-se com a nostalgia do lar. Ela havia deixado para trás uma vida de glamour e sucesso, onde seu nome era sussurrado com reverência nos círculos de sommeliers. Mas agora, Ji-Hye estava de volta, não como a filha pródiga, mas como uma mulher em busca de refúgio.

Seu pai, um homem de poucas palavras e muitas expectativas, acreditava que a visita era apenas um interlúdio em sua vida agitada. Ele não sabia da separação, não sabia que o casamento de Ji-Hye com Marcel, um empresário que parecia ter saído diretamente de um conto de fadas moderno, havia desmoronado.

A cada dia que passava, Ji-Hye percorria os mesmos caminhos que seu bisavô havia trilhado décadas atrás. Ele havia sido um pioneiro, deixando a Coreia para plantar suas raízes na França, e agora ela se perguntava se também poderia fazer história, mas de uma forma diferente. Enquanto cortava cachos de uvas sob o sol de outono, Ji-Hye refletia sobre sua vida, sobre as escolhas que fizera e as que ainda estavam por vir.

Ela sabia que não poderia manter a verdade escondida para sempre. Cedo ou tarde, teria que enfrentar seu pai e contar-lhe sobre o fim de seu casamento. Mas até lá, Ji-Hye se permitiria ser apenas uma sommelier entre as videiras, encontrando paz na simplicidade da terra e na esperança de um novo começo.

Após o jantar, o aroma do charuto do pai de Ji-Hye se entrelaçava com o silêncio cômodo da sala. Ele, sentado em sua poltrona favorita, olhava para Ji-Hye com um olhar que misturava curiosidade e preocupação.

- E então, Ji-Hye, como estão os negócios do Marcel? - perguntou ele, a fumaça desenhando arabescos no ar.

Ji-Hye hesitou por um instante, mas sua resposta veio rápida e firme.

- Está tudo bem, Appa. Ele teve que viajar a negócios, e eu decidi aproveitar a oportunidade para descansar um pouco aqui com vocês - disse ela, esboçando um sorriso que esperava ser convincente.

O pai assentiu, mas o leve franzir de sua testa entregava sua desconfiança. Ele nunca fora homem de pressionar com perguntas; preferia observar e esperar. Ji-Hye sabia que ele tinha seus palpites, mas agradecia internamente por ele respeitar seu espaço.

- Bom, é sempre bom ter você aqui, minha filha. Os vinhedos parecem mais vivos com sua presença - ele comentou, voltando sua atenção para o charuto entre seus dedos.

Ji-Hye sentiu uma pontada de gratidão e tristeza. Ela queria contar tudo, mas ainda não era o momento. Por enquanto, ela se contentaria com a companhia silenciosa do pai e o conforto da casa que sempre seria seu porto seguro.

O quarto de Ji-Hye era um santuário de tranquilidade, com paredes pintadas em tons suaves de creme e azul pastel. A penteadeira de madeira escura, herança de sua avó, estava meticulosamente organizada com frascos de perfume e pincéis de maquiagem. O espelho antigo refletia a luz suave do abajur, criando um halo dourado ao redor de sua figura.

Sentada diante do espelho, Ji-Hye deslizava a escova pelos cabelos negros e sedosos, que caíam graciosamente até os ombros. Sua pele branca contrastava com a escuridão de suas madeixas, e seus olhos, normalmente cheios de determinação, agora pareciam distantes, perdidos em reflexões sombrias.

- Entre, Omma - disse Ji-Hye suavemente, ao ouvir a batida na porta.

A mãe entrou, uma presença reconfortante em meio à tempestade de emoções de Ji-Hye. Ela se posicionou atrás da filha, pousando as mãos sobre os ombros tensos de Ji-Hye, transmitindo-lhe um silêncio apoio.

- Ji-Hye-ya, talvez seja melhor esperar um pouco mais para contar ao seu pai sobre o divórcio - sussurrou a mãe, com uma voz que carregava tanto a sabedoria dos anos quanto o peso do amor materno. - Eu quero prepará-lo primeiro, para que ele possa receber a notícia da melhor maneira possível.

Ji-Hye encontrou o olhar da mãe no espelho e assentiu. Ela sabia que sua mãe tinha razão; a notícia precisava ser dada com cuidado, para não despedaçar o coração já frágil do pai.

- Eu confio em você, Omma - respondeu Ji-Hye, permitindo-se, por um momento, ser a filha que precisava do consolo da mãe, e não a sommelier renomada que o mundo conhecia.

A luz da manhã banhava os vinhedos com uma suavidade que só a região de Borgonha poderia ostentar. Ji-Hye, com passos leves, percorria a propriedade que se estendia diante dela como um tapete verdejante e meticulosamente cuidado. Ela não pôde deixar de sentir um orgulho imenso pelo trabalho de seu pai, que mantinha a tradição e a excelência dos vinhedos da família.

Ao meio-dia, o aroma de comida caseira preenchia o ar e chamava Ji-Hye para a mesa de almoço. Foi então que seus olhos capturaram a presença de um jovem à mesa. Ele era a personificação da juventude e do vigor, com cabelos tão negros quanto os dela e uma pele que lembrava a porcelana. Seu rosto tinha uma inocência quase celestial, mas seu corpo revelava a força de alguém acostumado ao trabalho árduo.

Por um momento, Ji-Hye se permitiu observá-lo, mas quando seus olhares se cruzaram, ela desviou rapidamente, uma onda de calor subindo por seu rosto.

- Ji-Hye, deixe-me apresentar Sang Ha-Jun - disse seu pai, interrompendo o silêncio. - Ele é o enólogo da nossa propriedade. Graças a ele, nossos vinhos têm florescido.

Ha-Jun se levantou e estendeu a mão, um sorriso gentil em seus lábios.

- É um prazer conhecê-la, Ji-Hye-ssi - disse ele, com uma voz que carregava a confiança de alguém que conhecia bem seu ofício.

Quando Ji-Hye tocou sua mão, sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo, um choque de realidade que a fez questionar o que realmente estava buscando nesse retorno às origens. Seria apenas o conforto da família ou a chance de redescobrir a si mesma?

A mesa de almoço estava posta com a mesma meticulosidade e carinho que marcavam a vinícola. Toalhas de linho branco cobriam a longa mesa de madeira, e sobre elas, pratos de porcelana fina exibiam uma variedade de iguarias locais. Taças de cristal cintilavam à luz do dia, refletindo o verde dos vinhedos que se vislumbravam pela janela aberta.

Ji-Hye observava a cena com um misto de alegria e melancolia. Seu pai, ao lado do jovem enólogo, parecia revigorado, seus olhos brilhando com um entusiasmo que ela não via há anos. A conversa entre eles era leve e cheia de risadas, pontuada pelo tilintar das taças e o som suave da música clássica ao fundo.

- Ha-Jun, você tem feito um trabalho excepcional - disse o pai, servindo-lhe uma taça do vinho que era o orgulho da propriedade. - É um talento raro, e estamos honrados em tê-lo conosco.

- Muito obrigado, senhor. É uma honra aprender com o melhor - respondeu Ha-Jun, com um respeito genuíno na voz.

Ji-Hye sentia-se como uma espectadora, testemunhando a relação quase paternal que se formava diante de seus olhos. Talvez seu pai realmente visse em Ha-Jun o filho que nunca teve, alguém para continuar seu legado. Ela sorriu discretamente, reconhecendo que, apesar de tudo, aquele jovem trazia uma nova esperança para a família e para os vinhedos que contavam a história de várias gerações.

Capítulo 2 Capitulo 2

O sol da tarde banhava a propriedade com uma luz dourada, realçando o verde vibrante dos vinhedos e o marrom suave dos caminhos de terra. Ha-Jun conduziu os cavalos para fora do estábulo, suas crinas brilhando sob o céu claro. Ji-Hye observava, admirando a forma como ele se movia com confiança e facilidade.

- Vou ajudá-la a montar - disse Ha-Jun, estendendo a mão para Ji-Hye.

Ela aceitou a ajuda, sentindo a firmeza do aperto de Ha-Jun enquanto subia no cavalo. Uma vez acomodada, ela puxou as rédeas suavemente, e eles partiram para o passeio.

- Fizemos algumas mudanças nas técnicas de plantio este ano - começou Ha-Jun, apontando para as fileiras de videiras. - Estamos experimentando com novos padrões de poda para melhorar a qualidade das uvas.

- Parece promissor - respondeu Ji-Hye, impressionada com o conhecimento dele.

Eles continuaram a conversar, Ha-Jun compartilhando detalhes sobre os funcionários e as inovações na vinícola, enquanto Ji-Hye ouvia, aprendendo mais sobre a vida que pulsava naquelas terras.

- E você, Ji-Hye-ssi? Como é a vida de uma sommelier renomada? - perguntou Ha-Jun, lançando-lhe um olhar curioso.

- É uma vida de constante aprendizado e paixão pelo vinho - ela disse, sorrindo. - Mas também é bom estar de volta, sentir a terra sob meus pés novamente.

O passeio continuou, com os cavalos trotando lado a lado, e Ji-Hye sentiu uma paz que há muito não experimentava.

A casa dos pais de Ha-Jun emergia como um relicário de tempos mais simples, aninhada entre as montanhas que guardavam a vinícola. Era uma construção típica da Borgonha, com paredes de pedra rústica e telhado de telhas vermelhas que pareciam ter absorvido o calor do sol ao longo dos anos. O jardim era um mosaico de flores silvestres e ervas aromáticas, e uma pequena horta se estendia ao lado da casa, onde vegetais e verduras cresciam sob o cuidado atento de mãos experientes.

- Meus pais sempre viveram aqui - disse Ha-Jun, com um brilho de orgulho nos olhos. - Eles trabalham duro nos vinhedos, e graças ao seu pai, eu pude estudar e me tornar quem sou hoje.

Ji-Hye sentiu uma onda de respeito e admiração pelo jovem enólogo. Ele falava de sua família com tanto carinho e gratidão que era impossível não ser tocada por sua maturidade.

- É uma bela casa, Ha-Jun. Você tem muita sorte - comentou Ji-Hye, seu olhar percorrendo a paisagem que parecia saída de um cartão-postal.

- Sim, eu sou grato todos os dias - respondeu ele, com um sorriso sincero. - E espero que um dia eu possa contribuir tanto para esta terra quanto ela me deu.

Enquanto os cavalos pastavam tranquilamente, Ji-Hye refletia sobre as voltas que a vida dava. Ali, diante daquela casa simples e cheia de amor, ali sim era um lar, no passado ela sonhava em viver assim só que a vida tinha outros planos para ela.

A luz do entardecer dava um tom âmbar ao vinho que Ha-Jun servia com orgulho. Ji-Hye observava, fascinada, enquanto o líquido rubi preenchia a taça, liberando aromas de frutas maduras e terra molhada.

- Este é um dos nossos melhores vinhos da próxima estação - disse Ha-Jun, entregando-lhe a taça com um gesto elegante. - Espero que goste.

Ji-Hye levou a taça aos lábios, e o sabor era uma revelação. Era um vinho equilibrado, com notas de cereja e um toque sutil de carvalho, que dançavam na língua antes de se despedirem com um final longo e agradável.

- É incrível - murmurou ela, ainda saboreando a última gota. - Como vocês conseguiram essa qualidade?

Ha-Jun sorriu, claramente satisfeito com a reação dela.

- É o resultado de muita dedicação e inovação. Selecionamos cuidadosamente as uvas, ajustamos os tempos de fermentação e experimentamos com diferentes barris de envelhecimento. Tudo para garantir que cada garrafa conte a história de nossa terra.

Ji-Hye assentiu, impressionada. O vinho não era apenas uma bebida; era a expressão líquida da paixão e do conhecimento de Ha-Jun, uma homenagem à tradição e à inovação que definiam a vinícola de sua família.

A presença do pai trouxe uma nova onda de realidade para Ji-Hye, que até então se deixava levar pela tranquilidade dos vinhedos e pela companhia de Ha-Jun. A menção de Londres, uma cidade que agora carregava as sombras de seu passado, fez seu coração acelerar.

- Ji-Hye, no próximo mês, Ha-Jun irá a Londres para finalizar um contrato importante - disse o pai, com um tom de voz que indicava que não era apenas uma sugestão. - Seria bom se você o acompanhasse, já que conhece bem a cidade.

Ji-Hye sentiu um nó se formar em sua garganta. Londres era o palco de suas conquistas profissionais, mas também das memórias de um casamento desfeito e fracassado.

- Eu... eu não sei, Appa - gaguejou ela, tentando esconder sua hesitação. - Não fazia parte dos meus planos retornar tão cedo.

O pai a olhou com compreensão, mas havia uma firmeza em seu olhar que dizia que ele não aceitaria um não como resposta.

- Ji-Hye, você precisa cuidar do seu marido. E Ha-Jun se beneficiará muito da sua experiência.

Ha-Jun observava a troca silenciosa entre pai e filha, percebendo a tensão que crescia.

- Ji-Hye-ssi, eu realmente apreciaria sua ajuda - interveio ele, com gentileza. - Mas só se você se sentir confortável com isso.

Ji-Hye sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que enfrentar a situação m. Talvez essa fosse a chance de fechar um capítulo e começar outro, com novas esperanças e, quem sabe, novas alianças.

- Nesse meio tempo estudem o contrato, para mim está tudo em ordem, quero sua opinião Ji-Hye - Disse o senhor Kim já encerrando o assunto.

A atmosfera ao redor de Ji-Hye tornou-se densa com o peso de pensamentos não ditos. Ha-Jun, percebendo a mudança sutil em sua postura, escolheu não abordar o desconforto evidente, oferecendo-lhe um silêncio solidário. Ji-Hye, por sua vez, mergulhou em um mar de silêncio pelo resto da conversa, cada palavra não dita formando uma barreira entre ela e a possibilidade de retornar a Londres.

Ela carregava consigo segredos que sua família desconhecia, e a ideia de confrontar Marcel, seu ex-marido, drenava dela qualquer vestígio de força. Em sua mente, a simples menção de Londres evocava uma tempestade de emoções, cada uma batendo contra ela com a força de ondas em fúria. Era um confronto que ela não se sentia pronta para enfrentar, uma batalha interna que a deixava paralisada pela incerteza e pelo medo.

Ji-Hye deixou-se perder nos caminhos sinuosos da propriedade, ela precisava por a cabeça no lugar, a cada passo um eco de risadas e corridas de uma infância despreocupada. Os campos de uva se estendiam como um mar verdejante, onde ela outrora brincava de esconde-esconde entre os barris de carvalho, seu riso se misturando com o sussurro das folhas.

A Borgonha, com suas colinas suaves e céu que parecia pintado em tons de azul e laranja ao entardecer, era um quadro vivo da beleza rústica. As cachoeiras, escondidas como joias entre as dobras das montanhas, eram o refúgio secreto de Ji-Hye durante sua adolescência rebelde, apesar dos olhares reprovadores de sua mãe.

Era ali, naquela terra de vinhedos famosos e tradições ancestrais, que Ji-Hye encontrava conforto nas memórias de um tempo mais simples, um tempo de alegria pura e descobertas. A Borgonha não era apenas o lugar onde ela cresceu; era uma parte indelével de quem ela era, tecida em sua alma como as vinhas nas colinas.

Capítulo 3 Capitulo 3

A preocupação marcava o rosto de Ji-Hye enquanto ela observava o pai, o Sr. Kim, queixar-se de um mal-estar súbito. A robustez que sempre caracterizara o patriarca da família parecia ter cedido lugar a uma fragilidade inesperada, e isso enchia o coração de Ji-Hye de temor.

- Appa, você está bem? - perguntou ela, sua voz trêmula traía a ansiedade que sentia.

O Sr. Kim tentou sorrir, um gesto para tranquilizá-la, mas a palidez de seu rosto só intensificava a preocupação de Ji-Hye.

- Estou bem, minha filha. Só preciso descansar um pouco - respondeu ele, tentando minimizar a situação.

Quando o médico chegou, após um exame cuidadoso, confirmou a necessidade de repouso.

- Sr. Kim, você precisa de descanso e deve evitar qualquer esforço por um tempo - aconselhou o médico, com uma seriedade que fez Ji-Hye engolir em seco.

- Eu entendo, doutor. Vou cuidar dele - disse Ji-Hye, segurando a mão do pai com firmeza, como se pudesse transferir para ele parte de sua própria força.

Enquanto o médico partia, Ji-Hye sentia uma mistura de alívio e inquietação. O alívio por não ser nada grave, mas a inquietação pelo que isso significava para a viagem a Londres. Ela sabia que a saúde do pai vinha em primeiro lugar, mas também sabia que as responsabilidades não esperam. Em seu peito, o conflito de emoções formava um nó apertado, e Ji-Hye se perguntava como equilibrar o cuidado com o pai e as exigências da vida que continuava a girar fora das paredes daquela casa.

A noite havia se instalado suavemente sobre a vinícola quando o Sr. Kim convocou Ha-Jun para uma conversa urgente. Ji-Hye, observando de longe, sentiu uma pontada de curiosidade e preocupação. Ela foi chamada logo em seguida, e seu pai, com uma expressão séria, compartilhou as notícias.

- Ha-Jun, Ji-Hye, tenho uma tarefa importante para vocês - começou o Sr. Kim, sua voz carregada de uma mistura de autoridade e pesar. - Como sabem, eu deveria ir à Itália para a feira do vinho, mas o médico insistiu que eu fique e descanse.

Ji-Hye sentiu o coração apertar ao ver o pai naquele estado, mas sabia que a responsabilidade da vinícola agora recaía sobre seus ombros.

- Appa, não se preocupe. Nós cuidaremos de tudo - disse ela, tentando transmitir confiança.

- Ha-Jun , você conhece nossos vinhos tão bem quanto eu. E Ji-Hye, sua experiência será crucial lá - continuou o Sr. Kim, olhando alternadamente para os dois. - Vocês dois representarão a vinícola e apresentarão nossos novos produtos. É uma grande responsabilidade.

Ha-Jun acenou com a cabeça, aceitando o encargo com um respeito reverente.

- Faremos o nosso melhor, Sr. Kim - afirmou ele.

Ji-Hye, embora ainda abalada pela saúde do pai e pela perspectiva de estar tão perto de Londres, sabia que aquela viagem era uma oportunidade de honrar o legado da família e talvez, encontrar um novo caminho para si mesma.

Ji-Hye acompanhou Ha-Jun até a saída. A brisa noturna acariciava suavemente a varanda onde Ji-Hye e Ha-Jun se encontravam, o céu estrelado acima deles servindo como um manto de tranquilidade. Ji-Hye, com uma expressão de incerteza, voltou-se para Ha-Jun, buscando em seus olhos algum sinal de orientação.

- Ha-Jun-ssi, eu... estive fora por tanto tempo. Sinto que perdi o contato com os detalhes da vinícola - confessou ela, entrelaçando os dedos com nervosismo. - Você poderia me ajudar a entender melhor a situação atual? Não sabia nem mesmo dessa feira de vinhos.

Ha-Jun, percebendo a hesitação dela, aproximou-se e apoiou-se no corrimão da varanda, oferecendo um sorriso encorajador.

- Claro, Ji-Hye-ssi. Não se preocupe, eu estou aqui para ajudar - disse ele, com uma voz calma e firme. - Vamos começar pelo básico e avançar a partir daí. A feira é uma excelente oportunidade para expandirmos nossa presença no mercado internacional.

Ji-Hye assentiu, sentindo uma onda de gratidão pela disposição de Ha-Jun em auxiliá-la. Ela se aproximou, olhando para os vinhedos que se perdiam na escuridão, e então para Ha-Jun, pronta para aprender tudo o que fosse necessário para honrar o legado de sua família.

O jardim da propriedade era um refúgio de serenidade, onde as flores noturnas começavam a exalar seu perfume suave, misturando-se ao aroma das ervas aromáticas plantadas ali. Ji-Hye e Ha-Jun caminhavam lado a lado, os cascalhos sob seus pés sussurrando a cada passo que davam. As sombras das árvores dançavam ao sabor da brisa, e o céu acima deles estava salpicado de estrelas, cada uma brilhando como um farol de esperança.

- Ha-Jun-ssi, meu pai... ele já havia se sentido mal antes? - perguntou Ji-Hye, sua voz baixa carregada de preocupação.

Ha-Jun parou por um momento, olhando para o céu antes de responder.

- Sim, o Sr. Kim tem enfrentado alguns problemas de saúde ultimamente. Por isso, ele me confiou mais responsabilidades na vinícola - disse ele, com um tom de respeito. - Mas não se preocupe, Ji-Hye-ssi, ele é forte. Ele vai se recuperar.

Ji-Hye sentiu uma pontada de culpa, lamentando o tempo que passou longe de casa, longe do pai que agora precisava dela.

- Eu deveria ter estado aqui - murmurou ela, mais para si mesma do que para Ha-Jun, enquanto acariciava as pétalas de uma rosa que desabrochava, sua cor pálida um reflexo de seus próprios sentimentos.

Ha-Jun se aproximou, colocando uma mão reconfortante sobre o ombro dela.

- Você está aqui agora, Ji-Hye-ssi. E isso é o que importa - disse ele, oferecendo um sorriso gentil que buscava aliviar o peso que ela carregava no coração.

O calor suave da lareira envolvia Ji-Hye enquanto ela se aconchegava com sua xícara de chá de laranja, o aroma cítrico misturando-se ao cheiro reconfortante da madeira queimando. Sua mãe se juntou a ela, trazendo consigo uma quietude que preenchia o espaço entre elas.

- Omma, por que vocês não me contaram sobre a saúde do Appa? - Ji-Hye finalmente perguntou, a preocupação clara em sua voz.

A mãe suspirou, um som carregado de amor e proteção.

- Nós não queríamos que você se preocupasse, Ji-Hye-ya. Você já tinha suas próprias coisas para lidar - respondeu ela, com uma voz suave, mas firme.

Ji-Hye sentiu uma mistura de alívio e frustração. Ela estava grata pela intenção de sua mãe de protegê-la, mas também se sentia culpada por não estar presente quando talvez fosse mais necessária.

- Eu entendo, Omma, mas eu queria ter estado aqui. Queria ter ajudado - disse Ji-Hye, olhando para as chamas que dançavam à sua frente, refletindo sobre o tempo perdido e as responsabilidades que agora recaíam sobre seus ombros.

Ji-Hye estava diante de sua mala aberta, o quarto iluminado pela luz suave da tarde que se infiltrava pelas cortinas. Peças de roupa estavam espalhadas pela cama, cada uma escolhida com cuidado para a viagem à Itália. Ela dobrava cada item meticulosamente, pensando nas reuniões e nos eventos que a aguardavam.

Ela selecionou vestidos elegantes para os dias de feira, blusas confortáveis para as longas caminhadas pelos vinhedos, e não esqueceu um casaco mais pesado para as noites frescas da Toscana. Ao lado da mala, um par de sapatos confortáveis para o dia e outro de salto para as ocasiões formais já estavam alinhados.

Enquanto organizava sua mala, Ji-Hye refletia sobre as responsabilidades que a viagem implicava. Ela sentia uma mistura de excitação e nervosismo, consciente da importância de representar bem a vinícola da família. Com cada peça de roupa que colocava na mala, ela também empacotava um pouco da esperança e determinação que carregava consigo.

Na sala de estar da casa, onde as memórias da família Kim se entrelaçavam com cada móvel, o Sr. Kim convocou Ji-Hye e Ha-Jun para uma reunião pré-viagem. Ji-Hye sentou-se, absorvendo cada palavra do pai, enquanto Ha-Jun acenava em concordância, já familiarizado com os detalhes.

- Ji-Hye, esta feira é crucial para nós - começou o Sr. Kim, passando-lhe uma pasta repleta de documentos. - Aqui estão todas as informações que você precisa saber. Ha-Jun irá ajudá-la com qualquer dúvida.

Ji-Hye folheou os papéis, sentindo o peso da responsabilidade crescer.

- Eu vou me familiarizar com tudo, Appa - disse ela, determinada.

O Sr. Kim então voltou-se para Ha-Jun, com um olhar de confiança e um pedido paternal.

- Ha-Jun, confio em você para cuidar de Ji-Hye como se fosse sua própria irmã. Vocês dois são o futuro desta vinícola.

Ha-Jun assentiu, um gesto solene de aceitação.

- Pode contar comigo, Sr. Kim. Ji-Hye-ssi estará segura comigo - prometeu ele, olhando brevemente para Ji-Hye, que lhe ofereceu um sorriso agradecido.

Enquanto a reunião se encerrava, Ji-Hye sentia uma mistura de apreensão e gratidão. Ela estava prestes a embarcar em uma jornada que definiria não apenas o futuro da vinícola, mas também o seu próprio.

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