Na véspera do meu casamento, um dia que deveria ser de pura alegria, eu estava no closet admirando meu vestido de noiva deslumbrante.
Foi então que meu celular vibrou, exibindo uma única mensagem de um número desconhecido: uma foto do meu noivo, Pedro, nu na cama, abraçado à minha melhor amiga, Sofia, grávida. Abaixo dela, uma frase destruidora: "Estou grávida. O filho é dele."
O choque foi avassalador, a traição me paralisou. Quando Pedro chegou, animado, ele viu a imagem e empalideceu. Ele tentou se justificar, mas a ligação de Sofia para o celular dele, com o nome dela piscando na tela, selou meu destino.
Ele admitiu tudo sem remorso, propondo-me uma vida a três para proteger nossos "negócios" e aparências. Ver a calma glacial com que ele me ofereceu um plano de negócios para esconder a amante grávida, em vez de um pedido de perdão, transformou minha dor em fúria. Ele nunca me amou, apenas o que eu representava.
Eu sabia que precisava mais do que fugir. Eu precisava de vingança. Minha mente traiçoeira me deu uma ideia: eu daria a Pedro o casamento que ele tanto queria, mas não seria o dele. Com a mão trêmula, mas a voz firme, liguei para Gabriel, seu maior rival nos negócios, e fiz a pergunta que mudaria tudo: "Eu preciso me casar amanhã. Você quer ser o noivo?"
Na véspera do casamento, Laura estava no closet, admirando o vestido de noiva pendurado, uma peça deslumbrante que ela mesma ajudou a desenhar. O celular dela vibrou sobre a penteadeira, mostrando uma mensagem de um número desconhecido. Ela franziu a testa, mas abriu a mensagem mesmo assim. A tela mostrou uma foto.
Na foto, seu noivo, Pedro, estava na cama, nu. Ao lado dele, também nua e sorrindo para a câmera, estava Sofia, sua melhor amiga. Abaixo da foto, uma única linha de texto: "Estou grávida. O filho é dele."
O ar pareceu ser sugado dos pulmões de Laura. O celular escorregou de seus dedos e caiu no tapete macio. Ela encarou o vestido, mas a imagem em sua mente era a da traição. A sala começou a girar. Cada detalhe do quarto, cada objeto que Pedro havia lhe dado, de repente parecia sujo, contaminado.
Ela ouviu a porta da frente se abrir e fechar. Passos subindo a escada. A voz de Pedro, animada.
"Laura, querida? Trouxe o champanhe que você gosta, para comemorarmos nossa última noite como solteiros."
Ele entrou no closet, sorrindo. O sorriso dele morreu quando viu o rosto pálido de Laura. Ele seguiu o olhar dela até o celular no chão. Ele se abaixou, pegou o aparelho e viu a foto. A cor sumiu de seu rosto.
"Laura, eu posso explicar," ele começou, a voz um sussurro desesperado.
Laura não disse nada. Apenas o encarou, o coração batendo forte de raiva e dor.
"Isso... isso não é o que parece. Foi um erro, uma única vez. Eu estava bêbado," ele continuou, as palavras tropeçando umas nas outras.
Nesse momento, o celular dele tocou. O nome na tela era "Sofia". Pedro empalideceu ainda mais e recusou a chamada apressadamente. Tarde demais. Laura viu.
Ela soltou uma risada, um som seco e sem alegria que a assustou.
"Um erro? Uma única vez?" ela repetiu, a voz tremendo. "Ela me mandou uma mensagem, Pedro. Disse que está grávida."
Pedro passou as mãos pelo cabelo, parecendo encurralado. Ele abandonou a mentira.
"Sim, ela está," ele admitiu, a voz baixa. "Laura, isso não muda nada entre nós. Eu amo você. Nós vamos nos casar amanhã. A Sofia... a Sofia e o bebê, eu vou cuidar deles. Vou dar dinheiro, resolver tudo. Ninguém precisa saber. Isso não vai afetar nosso casamento."
A calma com que ele disse aquilo foi mais chocante do que a própria traição. Ele não estava pedindo perdão, estava apresentando um plano de negócios. Ele queria manter a noiva herdeira e a amante grávida.
Laura o encarou, a incredulidade se transformando em um nojo profundo. Toda a dor, todo o choque, de repente se cristalizaram em uma fúria fria. O amor que ela sentia por ele se desintegrou, virando cinzas.
"Você quer que eu finja que nada aconteceu?" ela perguntou, a voz perigosamente calma. "Quer que eu me case com você amanhã, sabendo que minha melhor amiga está carregando seu filho?"
"É a melhor solução para todos," ele disse, tentando se aproximar dela. "Pense na nossa família, nos negócios. Um escândalo agora seria um desastre. Nós podemos superar isso."
Laura recuou, como se o toque dele pudesse queimá-la. Ela olhou para o rosto dele, o rosto que ela amou por três anos, e não viu nada além de um estranho ambicioso e manipulador.
Ela riu de novo, desta vez mais alto, uma risada que beirava a histeria. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas não de tristeza. Eram lágrimas de raiva.
"Superar isso?" ela repetiu, a voz subindo. "Não há nada para superar, Pedro. Acabou."
Ele a agarrou pelo braço. "Não seja tola, Laura. Não jogue tudo fora por causa de um deslize."
"Me solta," ela disse, a voz cortante. Ela se livrou do aperto dele.
Uma ideia louca, nascida do desespero e do desejo de vingança, tomou forma em sua mente. Se ele queria tanto um casamento para manter as aparências e solidificar sua posição, ela lhe daria um casamento. Mas não seria o dele.
Ela se virou, pegou o celular do chão e ignorou as dezenas de mensagens que chegavam de Sofia. Abriu sua lista de contatos e rolou até encontrar um nome.
Gabriel.
Um empresário do ramo imobiliário que ela conhecia de eventos do setor. Ele sempre a olhava com uma admiração silenciosa que ela, na sua ingenuidade apaixonada, nunca havia entendido de verdade. Ele era discreto, poderoso e, acima de tudo, o maior rival de Pedro nos negócios.
Ela apertou o botão de ligar. Pedro a observava, confuso.
"O que você está fazendo?"
Laura o ignorou. O telefone tocou uma, duas vezes. Uma voz masculina e calma atendeu.
"Alô?"
"Gabriel? É a Laura," ela disse, a voz firme, apesar do caos dentro dela. "Eu tenho uma proposta para você. Preciso de um favor. Você está ocupado amanhã de manhã?"
Houve uma pausa do outro lado da linha.
"Laura? Aconteceu alguma coisa? Amanhã não é o seu casamento?"
"Meus planos mudaram," ela disse, olhando diretamente para Pedro, que agora a encarava com uma mistura de choque e medo. "Eu preciso me casar amanhã. Você quer ser o noivo?"
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Do outro lado da linha, o silêncio de Gabriel foi longo. Laura podia quase ouvi-lo processar a informação.
"Laura, você bebeu?" a voz dele finalmente soou, com um tom de preocupação misturado com incredulidade. "Isso é algum tipo de brincadeira?"
"Não, eu não bebi. E não, não é uma brincadeira," ela respondeu, sua voz soando mais estável do que ela se sentia. "Eu estou completamente sóbria e falando muito sério. Eu preciso de um marido até amanhã. O noivo original está... indisponível."
Ela ouviu Gabriel suspirar.
"Você sabe que são quase dez da noite, certo? E que para casar amanhã, precisamos de uma licença especial ou de um juiz de paz muito compreensivo e provavelmente subornado?" ele reclamou, mas o tom dele não era de recusa. Era mais como se ele estivesse resolvendo um problema de logística. "Isso é loucura."
"Eu sei. Mas você é Gabriel. Você consegue coisas," Laura disse, uma pontada de culpa a atingindo. Ela estava usando a reputação dele, a admiração que ele tinha por ela, para sua própria vingança. Era egoísta e impulsivo, mas a dor era tão avassaladora que a racionalidade tinha desaparecido.
"Isso não é um negócio imobiliário, Laura. É um casamento," ele disse, a voz um pouco mais suave agora. "O que aconteceu? O Pedro..."
"O Pedro não importa mais," ela o cortou. "Escuta, Gabriel, eu não vou mentir para você. Isso não é sobre amor eterno. É sobre necessidade. É sobre... sobrevivência, de certa forma. Se você não puder, eu entendo. Eu vou ligar para outra pessoa." Era uma mentira. Não havia outra pessoa.
Houve outra pausa. Laura prendeu a respiração.
"Não ligue para outra pessoa," ele disse, e a firmeza em sua voz a surpreendeu. "Você tem certeza disso? Casar comigo? Um casamento de verdade, no papel?"
"Tenho," ela respondeu, sem hesitar.
"Tudo bem," ele disse, e o som de fundo mudou. Ela o ouviu andando, talvez pegando as chaves do carro. "Me mande seu endereço. E os documentos que você tiver aí. Identidade, certidão de nascimento. O que for. Vou dar um jeito."
Laura sentiu uma onda de alívio tão forte que suas pernas fraquejaram. Ela se apoiou na penteadeira.
"Obrigada, Gabriel."
"Não me agradeça ainda. Você pode se arrepender disso amanhã," ele disse, com um tom seco. "Mas eu não vou. Eu venho esperando por uma chance com você há anos, Laura. Mesmo que não seja do jeito que eu imaginei."
A confissão dele a pegou de surpresa. Ela sempre soube que ele a admirava, mas nunca percebeu a profundidade disso. A culpa voltou, mais forte. Ela estava arrastando um homem decente para o seu drama.
"Gabriel, eu..."
"Não diga nada," ele a interrompeu. "Apenas me mande as informações. O cartório abre às nove. Esteja pronta. Vou buscar você às oito. E Laura?"
"Sim?"
"Jogue o champanhe do Pedro fora. Eu levo um melhor."
Ele desligou. Laura ficou olhando para o telefone por um momento, um turbilhão de emoções dentro dela. Ela mandou uma foto de seus documentos e seu endereço para ele. Depois, caminhou para fora do closet, passando por Pedro, que ainda estava parado ali, paralisado.
Ela foi até a sala, pegou a garrafa de champanhe que ele trouxera, foi até a cozinha e despejou todo o conteúdo na pia. O som do líquido borbulhando pelo ralo foi estranhamente satisfatório.
Ela voltou para o quarto, pegou uma mala e começou a jogar suas roupas dentro, de forma aleatória. Ela não ia passar mais um segundo naquela casa.
Pedro finalmente pareceu sair do transe.
"Você não pode estar falando sério," ele disse, seguindo-a. "Casar com o Gabriel? Você o odeia! Ele é meu maior concorrente!"
"Eu não o odeio. Eu mal o conheço," Laura corrigiu, sem olhar para ele. "E a partir de amanhã, ele será meu marido. Então talvez seja bom você se acostumar com a ideia."
Ela fechou a mala. Pegou sua bolsa. No caminho para a porta, ela parou e se virou para ele.
"O casamento era amanhã, às dez, na igreja matriz. Não se atrase. Você e a Sofia podem pegar meu lugar. Tenho certeza que ela vai adorar. É uma pena que o vestido não vá servir nela."
Com isso, ela se virou e saiu, fechando a porta atrás de si, deixando Pedro sozinho no meio do que deveria ser o apartamento deles.
Laura entrou no elevador, e só então se permitiu tremer. Ela apertou o botão do térreo e, enquanto descia, fez uma última coisa. Abriu o aplicativo do banco e transferiu metade do saldo da conta conjunta que tinha com Pedro para sua conta pessoal. Era o dinheiro que ela havia investido para mobiliar o apartamento. Ela não ia deixar isso para ele também.
Quando as portas do elevador se abriram no saguão, ela respirou fundo. A mulher que entrou naquele elevador não era a mesma que sairia dele. A noiva ingênua e apaixonada estava morta. Em seu lugar, havia uma mulher com o coração partido, mas com uma determinação de aço. Ela ia sobreviver a isso. E ela ia fazer Pedro e Sofia se arrependerem do dia em que a traíram.
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