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A aposta - Dois ceos e uma virgem

A aposta - Dois ceos e uma virgem

Autor:: Diene Médicci
Gênero: Romance
Durante uma reunião inesperadamente interrompida por dançarinas encapuzadas que defendem uma academia de dança prestes a fechar as portas, uma aposta surge entre os dois ceos: quem conquistar primeiro a enigmática Marjorie decidirá o destino da academia. Marjorie é forte, determinada e movida pela paixão pela dança. Embora sonhe em viver desse talento, ela se desdobra para salvar a academia que ama, enfrentando dificuldades financeiras e desafios pessoais. Humilde e generosa, ela participa de projetos solidários e sonha com um amor verdadeiro. Virgem, deseja se entregar a um único homem, mas vive sem que ninguém suspeite de sua castidade. Agora, presa no jogo de sedução entre Vincenti e Gab, Marjorie precisa proteger seus valores enquanto luta para manter vivo seu sonho. O destino de todos se entrelaça em uma trama intensa de paixão, desafios e descobertas, onde só sentimentos verdadeiros podem mudar tudo.

Capítulo 1 1

Era um sábado ensolarado, e o calor já se fazia sentir desde o amanhecer. Como de costume, aos sábados à tarde, as crianças carentes da vizinhança se dirigiam à academia "Dançarte" para participar de aulas de dança e gincanas. Marjorie, uma das dedicadas voluntárias e talentosa professora de dança, acordou pensando nelas.

Às seis e meia da manhã, levantou-se e foi preparar um bolo de fubá com goiabada e uma torta cremosa de frango com requeijão. Distraída com vídeos de dança enquanto cozinhava, perdeu a noção do tempo e se atrasou. Apressadamente, tomou um banho, vestiu o uniforme da clínica e saiu com os cabelos molhados e os tênis desamarrados. Correu para o trabalho, carregando uma mochila volumosa e uma sacola de pano igualmente cheia. No ônibus, aproveitou as sacudidas para fazer uma maquiagem leve, evitando derrubar os potes de comida, e improvisou um coque displicente. Com os fones no volume máximo, embalada por funk e pagode, atravessou a cidade em dois ônibus. Ao chegar sorridente ao trabalho, foi recebida pela chefe, Danna, que estava absorta em um jogo no celular.

- Mah, querida, mais um pouquinho e você chega só para fechar! Seu paciente está esperando há trinta minutos. Ou será que ele já desistiu? Ah, passei de fase! Irruuuu, agora vou encarar o chefão!

Apressada, Marjorie riu sem graça e respondeu, escondendo a mochila sob a mesa.

- Eu sei, eu sei, mas trouxe bolo, e ele vai me perdoar, espero. Como ele está hoje? De zero a dez?

Danna arqueou as sobrancelhas e falou com um misto de desânimo e excitação.

- Quatro. Ele veio com o tio, e a mãe vai buscá-lo. Boa sorte!

O paciente era Leleu, um garoto que havia sofrido múltiplas fraturas ao cair do telhado enquanto empinava pipa. Ele acreditava que nunca mais andaria, e suas mudanças de humor eram frequentes e intensas. Esse padrão comportamental difícil era comum em pacientes com estresse pós-traumático, assustando muitos profissionais da saúde. Marjorie havia conseguido uma bolsa para a faculdade, mas pensou em desistir no meio do curso. A morte da mãe e a falta de recursos dos avós a fizeram continuar. Após a formatura, começou a trabalhar na clínica particular de Danna, inicialmente como faz-tudo, evoluindo para a área de fisioterapia com o tempo, geralmente atendendo os pacientes mais desafiadores, que ninguém mais queria. Leleu era um deles. Em seis meses, passou por diversas cirurgias e três fisioterapeutas renomados, sem sucesso. Há algum tempo, estava sendo atendido por Marjorie, a quem carinhosamente chamava de Mah. Antes de entrar na sala, Marjorie bateu e mostrou apenas um pedaço do bolo para ele, falando com voz infantil, escondida atrás da porta.

- Pedido de desculpas pelo atraso, senhor Leleu?

Com voz apática, ele respondeu:

- Mah, eu não sou tão fácil assim. Acha que um bolo qualquer vai me comprar?

Ela revirou os olhos, entrou na sala e disse com um tom divertido:

- Bobo? Uau, você não sabe o que está perdendo! Tem goiabada caseira, feita por mim mesma. Enquanto isso, preparei uma playlist novinha, especial para nós dois.

Entrando na brincadeira, ele perguntou se ela estava usando as meias "da sorte". Marjorie colocou a música, tirou os tênis e respondeu com ironia:

- Que meias? Eu uso qualquer uma, especialmente aos sábados. Vou abrir a janela e... um, dois, três!

Ela começou a dançar, fazendo-o rir e comer o bolo. Um pouco mais animado, ele realizou todos os exercícios enquanto ela dançava várias coreografias que precisava memorizar. Quando a mãe dele chegou, sentou-se na recepção e perguntou a Danna:

- Competição? De novo?

Danna largou o celular e respondeu:

- Não, audição para um programa de TV. Eu o ouvi rindo daqui, estamos progredindo, isso é ótimo! Vou avisar aos dois que você chegou!

A mãe de Leleu concordou, dizendo que era maravilhoso e que Mah estava sendo sensacional, com um carinho e paciência que nenhum outro fisioterapeuta havia demonstrado. Logo a clínica fechou, e Marjorie pegou carona com Danna até metade do caminho. Ao descer do ônibus, já perto da academia, atravessou a rua distraída com o celular e quase foi atropelada por uma moto de alta cilindrada que passou muito perto, cortando giro em sinal de repreensão. O susto foi tão grande que o celular caiu e a tela trincou. A sacola de pano também foi ao chão, e o pote de bolo se espatifou. Furiosa, Marjorie xingou o motoqueiro e mostrou o dedo médio, continuando a resmungar sozinha até a academia. Ao chegar, foi cercada pelas crianças que comiam antes das aulas, ouvindo música e fazendo algazarra. Gaia, a dona da academia, chamou Marjorie para informar que a vigilância sanitária estava no local para uma inspeção de rotina. Juntas, acompanharam os fiscais e souberam que haviam recebido várias denúncias anônimas sobre o fundo do quintal, alegando um matagal com infestação de ratos, baratas e escorpiões, além de um pouco de entulho. No entanto, aquilo não era verdade. A vigilância sanitária aconselhou que fechassem o local para realizar reparos, pintura, limpeza e dedetização, a fim de não perderem o alvará. Tiveram que dispensar todas as crianças, gerando grande revolta. Ao saírem para a calçada, viram o vizinho, dono do restaurante ao lado e dos imóveis da rua, rindo da situação. Ele queria que elas fossem embora, pois sua intenção era vender tudo para uma grande rede de restaurantes de luxo e, segundo ele, as crianças incomodavam seus clientes todos os finais de semana, causando brigas. Ele as chamava de marginais e pedintes, o que não era verdade.

Marjorie e Gaia perderam a paciência e discutiram acaloradamente na rua, enquanto o vizinho debochava, dizendo que estava tudo certo e que em breve se livraria delas. Revoltada, Mah entrou para arrumar o quintal, pedindo ajuda aos amigos. As duas retiraram todo o entulho e passaram o resto do sábado fazendo uma pequena reforma na academia. Ao anoitecer, notaram a chegada de carros luxuosos ao restaurante. Gaia comentou que estava havendo uma reunião dos interessados na compra e que, por isso, o vizinho havia dado um jeito de afastar as crianças, para que nada atrapalhasse sua exibição aos ricos. Enquanto espiavam pela janela, Gaia disse que era melhor desistirem, pois não teriam dinheiro para se manter por mais meses com o aumento do aluguel e as denúncias. Marjorie, com um sorriso malicioso, falou:

- E se a reunião for um desastre? A exibição for uma vergonha? Se a gente ferrar com o bairro e o restaurante, talvez eles desistam. Né?

Capítulo 2 2

Preocupada, Gaia disse que não ia pedir nada ao sobrinho, que era garçom no restaurante. Marjorie, dançando e rebolando com graça até o chão, falou:

- Amiga, eu vou botar pra quebrar esse jantar e você só vai precisar me ajudar a sair ilesa. Tá ficando com aquele cara ainda? O policial?

Ela disse que sim, com ele e outros. Marjorie falou animada:

- Então hoje você vai ficar com ele, a gente precisa de uma prova de que não estamos envolvidas na sabotagem. Manda mensagem e fala que vai dançar pole dance, sei lá, inventa algo e traz ele pra cá. Eu vou invadir o restaurante, denegrir a imagem do bairro todoooo, e então o seu barriga vai ter problemas com os sócios. Eles não vão querer expandir, pra ter criança ramelenta batendo no vidro das naves deles pedindo dinheiro! Vamos fazer o que sabemos de melhor com o nosso glow.

Com medo, Gaia disse que não estava achando fácil, falou que podiam ser reconhecidas. Mah mandou um áudio para as amigas delas, que também dançavam:

- Meninas, eu preciso de ajuda, show particular e ilegal, só cola quem não tem medo. Vou botar pra quebrar na mer.d.a do restaurante aqui do lado da Dançarte, esse velho babão tá ferrando com a gente e vamos mostrar o nosso glow. Já é? Quem tá dentro?

As meninas começaram a responder perguntando o que iriam fazer e marcaram de se encontrar o mais rápido possível na academia. Começaram a falar com a figurinista e decidiram colocar uma burca, cobrindo o rosto e o cabelo. Algumas meninas eram menores de idade e não se importaram com os riscos, eram as mais animadas até. Marjorie pensou em tudo nos mínimos detalhes e chamou algumas das crianças para bancarem os pedintes. Ela ia fingir estar estudando na academia para o policial ver e iria sair e voltar escondida, enquanto ele se divertia com a Gaia. As meninas dançavam de tudo: funk, pagode, samba de gafieira, ballet e muito reggaeton, que estava em alta. Todas foram com roupas agarradas, curtas, tops, micro shorts, com seus corpos à mostra e curvas ressaltadas. Marjorie colocou um macacão de onça que parecia segunda pele, semelhante a uma meia calça, agarrado ao corpo todo, longo, com transparência leve e a lingerie destacada vestida por cima dele, um conjunto de calcinha e sutiã preto liso. Ela destacou os olhos com maquiagem forte, cílios postiços e colocou a burca cobrindo tudo. O plano era entrarem pouco a pouco, com minutos de diferença. Um dos meninos foi primeiro de roupa social, como um espião, pediu uma bebida e ficou em pé no balcão observando tudo. Uma das meninas entrou pelos fundos, se fazendo de cliente bêbada, chamou a atenção dos funcionários derrubando uma bandeja de talheres. Assim que foram até ela, as outras colocaram na porta uma caixa de som que parecia mochila, no volume máximo tocando reggaeton. Tudo foi muito rápido. Marjorie foi até o balcão, subiu com a burca só cobrindo o rosto e o cabelo, tirou o resto ficando com o corpo à mostra e começou a dançar rebolando até embaixo, ao som de "Caramelo - Música Latina". As demais meninas estavam perto dos clientes fazendo algazarra, comendo e bebendo da mesa deles, e o senhor Bariloche desesperado, sem entender aquele show, gritava com os funcionários. Os clientes começaram a achar que era algo atrativo do restaurante. Quando Marjorie viu ele dando explicações a uma mesa específica, que parecia mais importante, só com três homens, ela desceu do balcão e foi até lá. Ao som de "Botadinha Saliente - MC Rogerinho", aproximou-se do único homem que estava mais afastado da mesa, virado de lado olhando tudo, puxou a cadeira dele e, ao ver que ele não ameaçou levantar, começou a dançar de costas, sem encostar e quase fazendo um lap dance. Foram poucos minutos de bagunça e saíram todas correndo ao mesmo tempo. Tudo foi filmado e os clientes aplaudiram achando divertido. Lá fora tinham crianças que apareceram na porta pedindo comida, doces e moedas. Os funcionários estavam recebendo ordens de tirarem elas de lá e aquilo gerou um tumulto grande. Alguns clientes foram contra a grosseria e começaram a discutir com o gerente e o dono. A grande noite foi arruinada. Os executivos estavam falando do acontecido. Um deles falou rindo:

- Eu acho que isso é uma retaliação, fomos atacados pelas dançarinas ali do outro lado da rua, com suas bundas incríveis. O que vem depois? Os açougueiros com as facas? Padeiros com os sacos de farinha?

O que foi literalmente alvo, respondeu irritado:

- Quero ir embora, que porca.ri.a de lugar. Sabia que seria um erro sair de casa!

Seu amigo falou com deboche:

- Vai dizer que não gostou, Vih? Eu vi de longe e achei bem atrativo, satisfatório, acho até que podemos incluir na programação das inaugurações.

Irritado, Vih disse que não, porque eram restaurantes de respeito e não qualquer coisa chula. Todos estavam falando daquilo e começaram a se preparar para irem embora. Sem saber onde enfiar a cara, o dono do restaurante se desculpou muito, disse que ia acabar com elas e, logo, os executivos foram embora. O senhor Bariloche chamou a polícia, foi na porta da academia e, quando chegaram lá, Marjorie estava com outra roupa, quietinha, debochou dele e provocou. O ficante de Gaia garantiu que os três estavam juntos o tempo todo, nada aconteceu com elas, mas ele ameaçou se vingar, jurou não deixar quieto.

A notícia se espalhou na internet e as pessoas estavam comentando, adorando, inventando nomes para o grupo misterioso. No caminho para casa, os executivos e melhores amigos estavam conversando sobre o investimento que pretendiam fazer. Apesar de sócios, os planos eram diferentes e estavam discutindo há meses sobre aqueles terrenos. Be disse que descobriu pelas redes sociais quem eram pelo menos duas das dançarinas e que a da bun.d.a maior parecia ser "caliente" demais. Mostrou um vídeo de Marjorie dançando e ficou assistindo vários. Incomodado com o barulho do celular, Vih falou:

- Meu amigo, de bom nesse tipo de mulher é só a bun.d.a, isso se ela quiser dar. Porque a xox.o.t.a não deve valer de nada! E o cérebro deve ser do tamanho de uma ervilha. Você tem quinze anos? Desliga essa perturb.a.ç.ão, estou com do.r de cabeça, preciso decidir se vamos ou não fechar negócio. Derrubando tudo, o gasto é maior, mas a qualidade também, esses prédios não estão bons o suficiente para o projeto.

Be disse, ainda assistindo:

- Você é muito insistente e egocêntrico. Vamos fazer uma aposta, eu sei que você gostou da professora. Quem a levar para a cama primeiro ganha: um acordo de cavalheiros. Eu só vou concordar com as suas ideias, seja lá o que for. Isso se eu não ganhar!

Vih falou irritado:

- Como se isso fosse possível de acontecer, esse seu otimismo me deixa muito irritado.

Be respondeu:

- Mas você não vai ficar assim para sempre, eu só quero te ver bem. Vamos, vai, voltar aos velhos tempos! Se você dormir com ela, faz o que quiser com os terrenos, derruba tudo e se diverte. E se eu dormir, a academia fica, você sabe que eu simpatizo com a dança e, se não fosse meu pai, talvez eu estaria lá militando com aquele grupo. Também, se abrir algo que venda comida popular barata, os alunos de lá vão virar nossos clientes e isso é bom.

Frustrado, Vih disse que ia apostar, para o fazer ficar quieto de uma vez e que gastaria todo o dinheiro do projeto pagando a professora para tran.s.a.r com ele se preciso fosse. Be falou animado:

- Ae sim, esse é meu amigo feroz, letal, caçador! Então está feito. Vamos enrolar o Bariloche e, enquanto isso, investir na rainha do rebolado. Deixa eu te mostrar só um vídeo, só um, por favor, vai. Essa mulher me faria levantar do caixão, é sério, o volume na minha cueca cresceu vendo ela dançando. Ahhhhh, eu vou homenageá-la antes de dormir! E você? Tem feito isso? É sério, pode falar comigo, sou seu irmão. Só não vou bater uma pra você, mas eu acho que é preciso se esforçar, isso não é permanente. Você precisa voltar a ser o Vih de sempre!

Desanimado, ele falou que era fácil falar e não viver um castigo tão grande, mas que ele estava sendo punido e sem motivo, porque nunca fez m.a.l a ninguém para merecer tanto sofrimento. Os dois voltaram a falar de trabalho e, ao se despedirem, Be ressaltou que a aposta era para valer, coisa séria, perguntou se o "insaciável" estava realmente dentro. Ele respondeu irônico:

- Para não perder para você, sou capaz de fazer qualquer coisa.

Capítulo 3 3

Animado, Be disse que não ia jogar sujo e que ia dar uma vantagem, só para ele se recuperar da última aposta, que lhe rendeu um noivado frustrado.

No dia seguinte, Marjorie foi à casa de seus avós, fez faxina e o almoço. Enquanto tomava banho, não viu uma ligação de número restrito e ficou curiosa para saber quem era. Estava calor e ela foi se trocar para sair, colocou um top curto que parecia sutiã verde neon, shorts saia de malha preto e tênis verde com branco. Ao mandar uma foto para seu noivo Tulio, que morava fora do Brasil, se sentiu trist.e, disse que não estava se aguentando de saudades. Ele sempre demorava para responder e isso a chat.e.a.v.a, era difícil estar longe e sempre solitária. Ela morava em uma casinha de fundos pequena em um bairro de periferia, se sustentava sozinha e ajudava os avós financeiramente também. Era domingo, estava um lindo dia e ia ter um evento no parque botânico. O pessoal da academia ia participar de uma aula de zumba aberta a todos, também tinham grupos de capoeira, dança de rua, muitas crianças e famílias passeando. Mah chegou logo depois do almoço, com uma colega, e foram conversar com o pessoal da capoeira. Ela postou várias coisas nas redes sociais e divulgou o evento, chamando a galera para ir. Estavam na roda cantando, ela foi tocar berimbau, postou foto, se divertindo ainda dançou reggaeton com um colega e, às pressas, atravessou o parque correndo para ir fazer a zumba. No caminho, trombou com um rapaz e ele se molhou, derrubou cerveja nos dois. Toda acelerada, ela falou querendo rir:

- Moço, me desculpa. Molhou muito? Eu compro outra para você.

Muito simpático, ele falou rindo:

- Não, eu estava distraído, não vi você vindo como um foguete na minha direção. Tudo bem? Se molhou também! Nossa.

Ela disse andando, o chamando:

- Vem, vamos ali, eu pago outra, só vamos rapidinho, estou atrasada. Aí dro.g.a, vão começar sem mim! Não, não, não. Moço, eu não vou fugir sem devolver a cerveja.

Ele estava rindo do desespero dela, falou que também não ia fugir, que ia ficar muito tempo lá ainda, a segurou pelo braço e falou:

- Qual seu nome? Para eu te cobrar depois.

Ela disse rindo:

- Mah, e o seu?

Ele falou que era Gab, ela deu risada e saiu correndo, foi se lavar com a água da garrafinha. De não muito longe, ele ficou olhando, tomando outra cerveja. Os olhares se cruzaram, ela deu tchau, ele levantou a mão mostrou a lata, ela disse rindo para uma amiga que estava perto:

- Eu derrubei cerveja no moço e caiu em mim. Sou um liquidificador sem tampa mesmo!

A amiga respondeu:

- Que gatinho, hein? Uau, corpo sarado! Mah, ele tá te olhando ainda. Por que para mim não aparece um gato desses para eu trombar meus peit.o.s na cara dele? Aff.

Com deboche, ela respondeu indo no palco:

- Porque você é solteira e Deus não dá asas a cobra bobinha. Vamos logo!

Foram dançar e demorou para acabar. As meninas da academia estavam vendendo rifas e doces, oferecendo a quem participou e a quem estava perto. Mah estava com uma tigela cheia de brigadeiros. Um menino se aproximou, perguntou quanto era e contou as moedas com dificuldade, ele tinha menos de um real e o brigadeiro era três reais. Ele falou triste:

- Moça, esse dinheiro é pouco, né? Se eu não tivesse comido o dogão, ia ter para comprar o brigadeiro.

Ela piscou, fez charme, deu um brigadeiro e pegou as moedas. Atrás dela, bem perto, Gab falou com deboche:

- Eu ia trocar a cerveja pelo doce do menino.

Sem graça, ela disse se virando para ele:

- Imagina, vamos lá, ou quer os brigadeiros? Em troca?

Ele disse que ia querer a cerveja, se ela também fosse tomar uma junto. Ela gritou com uma colega, o interrompendo:

- Aleeeee, vamos trocar!

Ele ficou quieto, ela falou:

- Desculpa, a gente tem que vender as rifas logo. Quer comprar um brigadeiro? Eu não bebo!

Ele foi pegando a carteira, perguntou quanto custava, pegou quatro e deixou o troco de cortesia. Ale se aproximou falando irrita.d.a:

- Você não vai acreditar, estão inventando que não tem dinheiro vivo, só porque a gente não aceita transferência. Sacanage.m na moral!

Tem uma cartela inteira ainda aqui, Mah falou otimista:

- Calma, vamos conseguir. Falta oferecer do outro lado da ponte! Vamos lá, vou com você. Gab, eu realmente preciso ir, daqui a pouco o povo some e a gente fica de mãos abanando. Quer a cerveja?

Ele pediu a rifa, falou olhando os nomes:

- Não precisa pagar cerveja nenhuma, não. Posso ajudar vocês? Sou bom de lábia, eu vendi até uma casa pegando fogo uma vez. Sério! E eu aceito transferência, aí dou em dinheiro para vocês, pode ser?

Mah disse que toda ajuda era bem-vinda. Ele se afastou, foi falar com um grupo de senhoras, conversou bastante rindo, apontou na direção de Mah até. Ele só ofereceu para mulheres e elas marcaram todos os nomes na rifa. Nem demorou muito, ele voltou e entregou completa. Ale falou animada:

- Você foi um sucesso, uauuuu! Vamos oferecer o resto dos doces? Você é meu novo sócio!

Ele deu risada, falou mexendo nos bolsos:

- Só tem um probleminha. Não tenho o dinheiro em mãos, não todo. E eu quero comer um dogão! Com o dinheiro que eu tenho, mais o de vocês que não iam usar hoje, ou iam?

Ficaram apreensivas com medo de terem perdido tudo. Ale falou que precisavam entregar tudo junto. Ele respondeu irônico:

- Então guarda a rifa, ué, até amanhã. Quer meu RG? CPF? Eu vou sacar e levo para vocês, a gente pode se encontrar, Mah. Amanhã!

Ela estava distraída mexendo no celular, falou que morava longe. Ele falou a encarando com deboche:

- Longe de quê? Eu nem falei onde queria te encontrar.

Sem graça, notando que ele estava com maldad.e, ela falou séria:

- Longe de tudo, meu bairro é onde o gato de botas perdeu as botas. Vamos ver com as outras, Ale, quanto falta.

Ele se justificou também mais sério:

- Desculpa, eu não pensei dessa forma, pode ficar com o que eu tenho, como garantia, e amanhã eu vou te levar o resto, em qualquer lugar. Eu prometo! Não vou sumir com as transferências de vocês.

O clima ficou estranho. Mah pegou o dinheiro das mãos dele, deu para a outra e falou, quando a menina se afastou:

- Posso te pagar um lanche? Desculpa por isso, é que o negócio da rifa é sério, a gente tá tentando levantar a academia e gastamos o que não podíamos no fiado ontem. É uma longa história! Você foi super legal em ajudar. Eu nem te contei tudo direito!

Muito simpático, ele disse que aceitava o lanche e ela podia contar a história por trás das rifas. Ela foi pegar a mochila, ele fez piada sobre o tamanho, ela respondeu:

- É quase isso, uma mala. Eu tô sempre indo de um lugar para outro, como moro longe e trabalho mais longe ainda, eu sou precavida. Mas e você? Veio sozinho para cá? Gosta de zumba? Capoeira?

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