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A arrumadeira e o Ceo

A arrumadeira e o Ceo

Autor:: Lis Veríssimo
Gênero: Aventura
Samantha é uma jovem órfã que foi expulsa de casa por sua madrasta. Sozinha no mundo ela vive sua vida com muita dificuldade. Em meio ao caos ela conhece Alice, uma jovem alegre que ajuda Samantha a viver a vida simples porém feliz. Samantha passa por dificuldades financeiras e precisa arrumar um emprego com urgência. Com a ajuda de Alice ela consegue um emprego em um Hotel de luxo como arrumadeira. O que Samantha não sabia é que se apaixonaria pelo CEO Enrico. Jovem, bonito e atraente, mas que esconde muitos segredos e é conhecido como a muralha de gelo . O que será que o futuro reserva para esse casal improvável?

Capítulo 1 Minha História: Samantha

Samantha

Me chamo Samanta, tenho 19 anos, sou órfã. Não era até meus 16 anos. Minha mãe morreu quando eu tinha 8 anos, vítima de um câncer, meu pai faleceu quando eu tinha 14 anos, em um acidente de carro. Quando meus pai morreu, fiquei com minha madrasta, a mulher que meu pai casou um pouco depois que minha mãe faleceu. A princípio, Margie era muito amável, gentil e eu gostava de passar o tempo com ela. Ela tinha uma filha 1 ano mais velha que eu. E enquanto meu pai administrava a empresa, nós três passávamos o tempo juntas. Margie, Penélope e eu.

Mas tudo isso mudou quando meu pai morreu em um trágico e questionável acidente de carro. Logo após a morte do meu pai, Margie apareceu com uma papelada que dizia que tudo que estava no nome do meu pai era dela. Que meu pai não deixou nada pra mim, que antes dele falecer , deixou um testamento onde todos os bens foram deixados para ela. Tentei questionar Margie e saber o porquê, mas ela não quis conversar, só me disse que essa era a vontade do meu pai e deveríamos respeitar.

Os dias seguintes foram de muito desprezo da parte de Margie, ela não se importava comigo. Penélope estava namorando um empresário e as conversas se resumiam em como ela tinha sorte!

Com o passar do tempo, Penélope noivou e tudo estava sendo preparado para o casamento dela. Eu estava terminando o ensino médio e estava pesquisando uma faculdade que tivesse um alojamento para eu sair daquela casa onde eu já não era bem vinda e elas deixavam isso bem claro todos os dias.

Eu já não sabia mais nada sobre elas, só que passavam o dia todo em lojas e mais lojas comprando e enxoval.

Terminei o ensino médio, e quando eu cheguei em casa na varanda estava todas as minhas coisas em caixas, sacolas de lixo e malas. Entrei gritando a Margie, e subi as escadas, chamando por ela, encontrei-a no meu quarto, com um homem que eu nunca tinha visto e Penélope. Elas estavam planejando uma reforma, reforma essa que não era para mim.

_ Posso saber o que está acontecendo aqui? Porque minhas coisas estão na varanda? Quem é esse homem? E porque estão planejando uma reforma no meu quarto?

_ Nossa, quanta pergunta! Assim você me deixa tonta! Mas vou tentar responder todas para que fique tudo muito claro, portanto preste muito atenção.

_ Mãe, vou deixar essa conversa com vocês, estou sem paciência com essa daí - Penélope disse, antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa. _ Vou levar o arquiteto para conhecer o restante da casa. Precisamos correr com essa reforma.

_ Pelo que eu entendi a reforma não vai ser só no meu quarto, mas porque só as minhas coisas estão na varanda?

_ Então minha querida Samantha, depois que seu pai morreu e deixou tudo para mim e minha filha, eu não podia colocar você na rua de imediato, pois fiz uma promessa idiota a ele, de que deixaria você ficar aqui até terminar seus estudos. Já cumpri minha promessa! Então a partir de hoje você não mora mais nessa casa, preciso do seu quarto para transformar em uma suíte master para Penélope e seu marido, já que eles vão morar aqui após se casarem. E você vai ser um enorme incômodo aqui. Portanto você está sendo convidada a se retirar.

_ Margie, você só pode estar brincando!!! Como vou sair daqui? Eu não tenho pra onde ir? Ainda não saíram os resultados para a faculdade, como posso ir embora se eu não tenho para onde ir.

_ Sua voz me causa enxaqueca!

Posso terminar? Então, como sou uma pessoa bem generosa, eu já arrumei um lugarzinho para você, comprei um apartamento para você, mais não precisa se animar muito, ele é bem sua cara.

As chaves estão no balcão da cozinha, junto com o endereço. O carro que contratei para pegar sua mudança já deve estar chegando, por isso se apresse. Agora me dá licença que vou encontrar

Penélope para terminar um projeto. Vai com Deus Samantha e esquece que nós existimos e a propósito, não espere um convite para estar no casamento, pois isso não vai acontecer.

Ouvi o barulho da buzina ao fundo e alguém gritar meu nome, desci as escadas com tanta raiva que não consegui derramar uma lágrima. Passei na cozinha e apanhei as chaves e o endereço e sai, e logo bati a porta com tanta força que a parede chegou a tremer e prometi a mim mesmo que nunca mais eu ia querer ver ou saber daquelas duas!

Depois de colocar minhas coisas naquele carro, entreguei o endereço para o senhor muito simpático e gentil, e partimos para o endereço que o papel informava. Percebi que o endereço ficava em um bairro não muito calmo, eram pessoas bem humildes, porém bem alegres. Muita música que eu não conseguia identificar o que estava sendo cantado. Barraquinhas vendendo comida e muito movimentado. De alguma forma eu fiquei receosa, mas me senti bem de estar ali.

O carro parou e fui informada que havia chegado. E quando desci do carro, vi um prédio de 5 andares, com a pintura velha, as janelas com muita roupas penduradas, criança correndo, gente gritando e confesso que me assustei um pouco, mas encarei minha realidade. Não podia fracassar agora! Entrei com a cara e a coragem e fui à procura do meu apartamento!

_ 201...203...204. Encontrei!! 205!!

Procurei as chaves no bolso, encontrei e abri a porta, que fez um barulho bem esquisito. Olhei em volta e enquanto eu olhava, não acreditava no que estava vendo. O apartamento tinha 4 cômodos, todos bem pequenos, uma geladeira velha na cozinha, um fogão do mesmo estado da geladeira.

Bom, era isso que eu tinha agora, esse era me lar e eu precisava aceitar minha realidade e tentar mudá- la .

Desci todas minhas coisas do carro, agradeci aquele senhor e o vi ir embora dali. Com o coração apertado e um nó na garganta, engoli a seco a saliva e encarei meu sofrimento.

Enquanto eu me preparava para começar a subir com minhas coisas, notei que saia do prédio uma moça. Ela era magra, cabelos loiros ( não era natural) de short e croped , aparentava ter a minha idade ou era da mesma faixa etária que eu. Ela me viu, e soltou logo um sorriso.

_ Você deve ser a nova moradora do 205, acertei? Sr Armando disse que você chegaria hoje. Prazer, me chamo Alice e você?

_ Me chamo Samantha. Sim, sou a nova moradora do 205.Prazer Alice! Mas quem é Armando?

_ Ele é o zelador desse prédio caótico..rs

_Deixa eu te ajudar com isso, assim vamos nos apresentando pelo caminho.

_ Obrigada Alice.

Enquanto subíamos com as minhas coisas que não eram muitas, eu e Alice conversamos muito e ela ,e contou muito sobre sua vida e eu, sobre a minha. Alice me ajudou a limpar o apartamento e a deixá-lo com aparência de lar.

Os dias foram se passando, e a amizade com a Alice foi ficando cada vez mais intensa. Alice conhecia muita gente pois ela trabalhava como manicure em um salão bem elegante que ficava dentro de um hotel luxuoso em um bairro muito nobre da cidade. O Grand Palace Sant'doro.

Consegui entrar para a faculdade de Administração que fica no centro da cidade. Porém minhas reservas financeiras já estavam acabando e eu precisava de um emprego urgente para poder sobreviver e terminar minha faculdade.

Os dias que seguiram foram de muito perrengue, pois acordava cedo para entregar currículos, comia um lanche bem baratinho no centro da cidade, fazia hora na praça que tinha próximo a faculdade e a noite eu entrava para assistir às aulas. Quando chegava em casa, muito cansada, mal trocava umas palavras com Alice, mas todas as vezes ela deixava um prato de comida na mesa para que eu pudesse dormir de barriga cheia.

Duas semanas se passaram e quando cheguei em casa naquele dia fui surpreendida com Alice entrando no meu apartamento muito eufórica.

_ CONSEGUI!! CONSEGUI AMIGA!!

_ Meu Deus Alice, que gritaria é essa???? O que você conseguiu, que você está nessa euforia toda?

_ Uma entrevista!! Uma entrevista para você no hotel onde trabalho!! É amanhã às 7hs, você não pode se atrasar. Foi muito difícil conseguir essa entrevista. Então não se atrase e arrase!

Fiquei em completo estado de euforia!! Comecei a gritar, pular e abraçar Alice e estava começando a acreditar que minha sorte estava mudando.

No dia seguinte acordei bem cedo, tomei um café preto forte, me arrumei, peguei todas as informações de onde seria a entrevista e quem eu precisava procurar, peguei meus documentos, fiz uma pequena oração e saí.

Já no local da entrevista, havia apenas 5 candidatas. Todas pareciam ter mais experiência, todas muito formal e com o semblante bem tenso. Dava para perceber que era uma entrevista bastante seletiva.

Passei por todas as etapas e no final de tudo pediram para aguardar em casa pois a resposta sairia no mesmo dia às 20h. Iríamos receber uma mensagem de texto com o resultado da entrevista.

Naquele dia não fui à faculdade, estava muito cansada e exausta das provas realizada na entrevista, a vaga era para arrumadeira, mas eram muito exigentes com os requisitos necessários. Era um bom salário e daria para me manter até eu concluir a faculdade.

Cheguei em casa, tomei um banho bem demorado, lavei os cabelos e coloquei uma blusa de malha comprida e uma short soltinho, deitei olhando para o teto, aguardando o resultado da entrevista, olhei relógio e marcava 18:53h. Pensei em levantar para fazer um café, mas fui tomada pelo cansaço e acabei adormecendo.

Abri os olhos e olhei para o relógio, marcava 20:34hs.

_ Meu Deus! Eu dormi demais!! O resultado, eu preciso ver o resultado

Procurei o meu celular e estava descarregado. Procurei o carregador, coloquei na tomada e liguei. Enquanto o celular ligava, fui na cozinha e bebi um copo de leite. Voltei, peguei o celular e notei uma notificação de SMS.

Desbloqueei a tela e abri a mensagem que dizia:

" Senhorita Samantha, agradecemos sua presença no processo seletivo do Hotel Grand Palace Sant'doro para a vaga de ARRUMADEIRA. Informamos que a senhorita foi APROVADA para a vaga e ficamos felizes em tê-la em nosso quadro de funcionários. Compareça no endereço da entrevista munida de todos os documentos para admissão. Agradecemos e Seja bem vinda."

E assim minha sorte estava mudando!

Capítulo 2 Minha história: Enrico

Enrico

Me chamo Enrico Antonnini Sant'doro, tenho 32 anos, sou CEO de uma rede hoteleira. Com hotéis espalhados por todo mundo. Somos uma família de 5 pessoas. Meu pai Armando Sant'doro , minha mãe Caterina Antonnini, minha irmã caçula Antonella, meu irmão do meio

Lorenzo e eu, o mais velho e responsável por todo o grupo Sant'doro. Sou conhecido com a " montanha de gelo" ou o " lobo financeiro" por ser implacável nós negócios. Fui criado cercado de muita união e minha família sempre virá em primeiro lugar. Estudei nas melhores escolas italianas , me formei em Harvard. Sempre fui um aluno espetacular. E assim que terminou os estudos , meu pai me passou todos os negócios da família para administrar. Com a ajuda dos meus irmãos somos implacáveis no meio empresarial.

Minha vida pessoal é completamente particular. Sou conhecido por ser frio e calculista, dificilmente me abro para alguém. Mas nem sempre fui assim. Quando retornei para casa após os estudos, estava noivo de Micaella Bianchi, uma mulher linda, inteligente e que me amava. Uma noite eu acabei o trabalho mais cedo e decidi ir para casa, cansado de analisar tantos papéis, a única coisa que importava naquele momento era cair nos braços de Micaella. Ao entrar em casa, estava toda escura, porém um barulho um tanto perturbador vinha do quarto. Percebi que roupas estavam espalhadas pelo chão, taças de vinho largadas por cima da bancada da cozinha e duas vozes que se fundiam e pareciam sussurros intercalados com gemidos, vinham do quarto. Ou melhor, do nosso quarto. A princípio demorei para assimilar o que estava acontecendo, mas então os sinais não negavam. Micaella estava com outro homem!

Abri a porta do quarto com muito cuidado e pude ver, Micaella deitada sobre nossa cama, completamente nua, é sobre ela a pessoa que eu menos esperava, a pessoa que eu admirava e fui criado junto com ele, a pessoa que eu chamava de "irmão" . Sim, Micaella estava me traindo com meu irmão.

Depois desse ocorrido, nunca mais confiei em ninguém, trabalhamos com o único objetivo, tornar a rede hoteleira Sant'doro na maior e melhor rede de todos país.

Moro em um condomínio que foi construído para minha família. Temos tudo que precisamos lá, porém só me junto a eles quando é extremamente necessário.

Fui convocado para uma reunião de família na casa de meu pai e o mesmo me intimou a ir, pois ele estava discutir sobre algumas mudanças na administração dos hotéis. Cheguei às 20hs.

_ Pontual meu filho, como sempre!

Fui recebido com um abraço e um beijo quente e confortante de minha mãe.

_ Oi mãe, boa noite! Onde estão todos?

_ No escritório. Mas já aviso que o Lorenzo está com o seu pai, portanto se comportem, não quero meus filhos brigando como dois loucos sem educação nessa casa.

Dei um beijo na testa da minha mãe e disse para ela não se preocupar. Sai caminhando em direção ao escritório, respirei fundo e bati na porta já abrindo

_ Enrico, chegou na hora certa!

_ Boa noite papa, boa noite Lorenzo.

_ Boa noite irmão! Como tem passado?

_ Bem.

Não quiz manter uma conversa com Lorenzo, afinal eu só me permitia falar com ele somente assuntos de negócios, nada mais.

Meu pai interrompeu o silêncio e o clima que ficou no ambiente.

_ Enrico, preciso que você mande uma visita na filial dos Jardins, pois recebi uma denuncia de que o administrador financeiro Rodolfo está desviando recursos para si e denúncias de que os funcionários estão sendo obrigados a trabalhar em condições não aceitáveis para o nosso grupo.

_ Rodolfo? Aquela ratazana que não tem nenhuma ética profissional. Pode ficar tranquilo papa, pois eu já estava desconfiado de que tinha algo de errado na filial, e coloquei uma equipe para fazer uma auditoria.

Lorenzo, que ouvia a conversa com um semblante intimidador, xingou dando um soco na mesa de madeira do escritório.

_ Calma Lorenzo, nós vamos resolver isso.

_ Papa, não admito que tratam os funcionários como qualquer um. Temos uma política na empresa, temos uma relação sólida e afetiva com os funcionários.

Lorenzo era responsável pelo setor administrativo da rede. Tudo referente aos funcionários de todas as filiais passavam por ele .

_ Vou ter a resposta da auditoria amanhã cedo, assim que o resultado estiver nas minhas mãos, eu vou pessoalmente fazer uma visita a Rodolfo.

Conversamos sobre mais algumas coisas referente a empresa, minha mãe nos serviu o jantar e logo após fui para casa, estava muito cansado.

Cheguei em casa e senti o peso do vazio que aquele lugar emanava. Era uma casa muito grande, com tudo dentro, uma decoração bem singular e assim como eu, a casa era fria , não tinha vida nela. Porém eu já estava acostumado com essa solidão que eu escolhi para minha vida. Mantendo qualquer ameaça de relacionamento bem distante.

Fui direto para o banheiro, tomei um banho quente bem relaxante, coloquei uma calça de moletom bem confortável cinza e uma camiseta branca. Desci até a cozinha, tomei um calmante com um copo de whisky e essa combinação era a única coisa que me fazia apagar.

Subi novamente para o quarto, olhei alguns papéis, e só me lembro de ter deitado.

Acordei com o bip do despertador. Suspirei fundo e levantei, tomei outro banho, coloquei uma roupa de corrida, e meu fone e parti para minha corrida matinal pelo condomínio. 40 minutos correndo, voltei para casa, outro banho , Maria já havia chegado e preparado meu café.

_ Bom dia Sr Enrico! Como passou a noite?

_ Bom dia María, passei bem, obrigado.

_ Que bom Sr! Hoje é dia de ir ao mercado, gostaria de algo especial?

_ Não Maria, só o de sempre. A propósito, não precisa servir meu almoço, hoje não vou almoçar em casa. Deixe somente algo pronto para eu jantar e está ótimo.

_ Sim senhor.

Terminei de ler as informações sobre a bolsa de valores e peguei minhas coisas e desci para a garagem, entrei no carro e fui em direção ao Jardins. Afinal hoje o dia vai ser bem longo.

Capítulo 3 Grand Hotel Palace Sant'doro

Samantha

Hoje é o meu primeiro dia no Hotel, estou extremamente ansiosa, pois não sei muito o que fazer, mas vou me esforçar o bastante para conseguir me manter por muito tempo aqui. Meu objetivo é ficar até eu me formar e conseguir atuar na área que eu escolhi. Vou trabalhar duro para que eu consiga.

Passei pela portaria e segui todas as instruções do segurança. Ao chegar nas dependências para funcionário, procurei a Senhora Olga. Ela era a responsável pelas arrumadeiras, dizem que ela é muito exigente, mas que é bastante justa e tem o coração bom. Ela é a governanta.

Fiquei em uma pequena sala junto com mais 3 candidatas que passaram no processo, porém não me lembrava delas no dia em que eu fiz minha entrevista. Não demorou muito entrou uma senhora, alta, cabelos pretos preso em um coque, vestida com um uniforme marsala com o logotipo do hotel em dourado. Meias calça preta e sapato pretos de salto.

_ Bom dia meninas, me chamo Olga Montovani, podem me chamar de Sra Montovani. Sou a governanta de vocês, tudo que vocês precisarem em relação ao serviço de vocês podem procurar a mim ao a gerente do setor. Cada andar é considerado um setor, portanto cada andar tem uma gerente que estará identificada no quadro de avisos na entrada do vestiário de vocês. Me acompanhem, vou apresentar o Hotel. A partir de hoje, a segunda casa de vocês.

Passamos por um corredor comprido, com algumas portas e no final desse corredor havia um enorme salão, muito movimentado, com uma tv , mesas, cadeiras, uma janela bem grande .

_ Aqui é o espaço de "descompressão" . Nos intervalos os funcionários vêm aqui para descansar um pouco, distrair.

Continuamos andando e no final desse salão havia outro com várias mesas bem compridas com bancos .. deduzi que fosse o refeitório e estava certa, Sra Montovani nos apresentou logo em seguida.

Ela nos apresentou todas as dependências dos funcionários, nos levou a uma sala que parecia uma sala de aula, onde havia uma outra mulher nos aguardando, cujo o nome era Patrícia, ela era responsável por nós ensinar como era feito nosso serviço, como deveríamos nos comportar nas dependências do hotel, como deveríamos tratar os hóspedes, entre outras afazeres. Foi um minicurso com duração de uma semana. Ao final desse curso, passamos por uma prova prática e só após nós seríamos contratados.

A semana foi passando e me desdobrava entre o hotel, a faculdade. Cheguei em casa tarde da noite e mal consegui ver Alice.

Chegou o dia que seria a prova prática do hotel, como de costume, levantei cedo, fiz minha higiene pessoal, me troquei, tomei um café rápido e saí com destino ao hotel.

Ao chegar no hotel, notei que as pessoas estavam bem tensas, Sra Montovani, mal nos comprimentou e deixou uma outra pessoa responsável para aplicar a prova. A movimentação estava diferente naquele dia e ninguém estava respirando praticamente, todos pareciam estar em uma grande correria.

Fomos encaminhada para área que seria a prova, um quarto modelo, acredito que todo treinamento de funcionários era feito nesse quarto. A prova começou, cada uma de uma vez. E cada coisa que fazíamos era verificado em uma planilha que estava com Sheila, a mulher que estava aplicando a prova.

Ao final da prova, nos deixaram aguardando no quarto, enquanto a planilha era verificada pela Sra Montovani, que logo após alguns minutos entrou no quarto com o resultado. Fomos todas aprovadas e parabenizadas. Fomos orientadas a passar no RH para pegar uniforme completo, crachá de acesso às dependências do hotel e assinatura de alguns documentos de admissão.

Fomos apresentadas a equipe que estaríamos atuando. O hotel estava bastante movimentado, era início de um feriado prolongado e estava tendo algum tipo de visita inesperada da diretoria. Assim Vanessa me contou.

Vanessa é uma das moças que também é arrumadeira. Trabalha no hotel há cinco anos, tem dois filhos, divorciada mas tem um namorado. Fui designada para estar no mesmo andar que ela. Peguei meu carrinho de limpeza, peguei a lista dos quartos que precisa organizar e fui caminhando junto com Vanessa e mais 4 meninas. No andar em que estávamos tinha 24 quartos, no sétimo andar, e nós dirigimos para lá.

Começamos nosso trabalho, Vanessa estava me ajudando muito e conversamos bastante , ela era uma pessoa bem falante e alegre, tinha uma risada muito engraçada. Quando eu estava terminando um dos quartos, Vanessa me pediu para partir para o próximo, que ela terminava ali, assim iríamos para o almoço mais cedo. Assim eu fiz, quarto 706, bati na porta antes de entrar, esse era o procedimento. Bater 3 vezes e informar que era a arrumadeira. Não tive nenhuma resposta e entrei, comecei tirando os lençóis da cama, coloquei no carrinho, separei meu kit limpeza e fui em direção ao banheiro. Entrei e me assustei com o que estava vendo. Um homem em pé na frente da pia, sem camisa, ou melhor, lavando uma ponta da camisa na pia, mas não pude deixar de reparar na beleza dele. Mesmo que fosse tão rápido.

_ Oh! Me desculpa, achei que não estivesse ninguém, me desculpe senhor, bati três vezes, me identifiquei, mas não obtive resposta e por isso entrei. Me perdoa senhor.

Disse essas palavras de cabeça baixa e com o rosto queimando de tanta vergonha, e com muito medo de perder meu emprego.

De repente, uma voz forte, marcante e rouca se dirigiu a mim

_ Está tudo bem, o erro foi meu, pode continuar com seu trabalho.

_ Desculpa, novamente senhor, mas talvez eu possa ajudar, isso é uma mancha de café?

_ Sim ...é

_ Água morna com um pouquinho de detergente pode ajudar a remover.

Enquanto eu falava, fui abrindo umas das torneiras com água quente que tinha no banheiro, molhei uma das toalhas limpas que tinha no carrinho e coloquei um pouquinho de detergente.

_ Posso?

Ele esticou o braço com a camisa nas mãos e me entregou.

Fui passando delicadamente a toalha sobre o tecido da camisa, até a manhã ficar imperceptível. Sequei com o ferro a vapor portátil que tinha no carrinho . E ele ficou imóvel, só observando o que eu estava fazendo.

_ Pronto, terminei! Não ficou perfeito, mas acredito que dê para o senhor usar até o final do dia, mas se preferir, aqui no hotel tem uma lavanderia, eu poderia levar para o senhor se preferir.

_ Qual o seu nome, senhorita?

_ Samantha. Meu nome é Samantha é mais uma vez peço desculpas pelo transtorno.

_ Obrigado Samantha.

E assim ele vestiu a blusa e saiu do quarto sem dizer mais nada e quando ele passava pela porta do quarto, esbarrou em Vanessa que desviou nem na hora, se desculpando e ao mesmo tempo se assustando quando viu quem era.

_ O que aconteceu aqui? O que o "todo poderoso" estava fazendo aqui? Ou melhor, o que você estava fazendo aqui com ele?

Vanessa me encheu de perguntas, que eu mal conseguia assimilar. Tentei responder todas ou quase todas.

_ Eu vim para o quarto como você me pediu, para adiantar o serviço, bati três vezes, me identifiquei em todas elas e ninguém respondeu nada, então entrei.

_ E ai? Como ele foi parar aí dentro como você?

_ Na verdade, eu que vim parar aqui dentro com ele. Eu entrei, tirei os lençóis e peguei meu kit limpeza para limpar o banheiro e quando eu entrei, ele estava lá, em pé, tentando limpar uma blusa suja de café. Ajudei ele a limpar a blusa e pronto. Foi somente isso.

_ Você está maluca é? Tá doente? Só pode! Porque não se desculpou e saiu, esse é o procedimento, não podemos ser notadas, lembra? Qualquer coisa que o hóspede precisar ele liga para a recepção. Não somos autorizadas a interagir com o hóspede. Seu primeiro e último dia de trabalho!

Vanessa disse essas palavras tão rápido mas que foi como um peso no meu coração.

_ Meu Deus Vanessa, e agora? O que vou fazer?? Sra Montovani vai me demitir!

Essas palavras saíram em completa agonia.

_ Vamos terminar os quartos, e depois lhe damos com isso.

_ Vanessa, porque você chamou ele de "todo poderoso" ? É algum político?

_ Ah sim, é verdade, você não conhece, ele é nada mais e nada menos que Enrico Antonnini Sant'doro. O dono desse hotel!

Fiquei em estado de choque e naquele momento eu sabia que sim, esse era o meu último dia naquele lugar.

Terminamos a limpeza daquele andar junto com as outras meninas e fomos para nossa hora de almoço. Ao chegar no refeitório, os boatos eram que toda a diretoria estava no hotel, que estavam em reunião pois havia uma denúncia de corrupção e desvio na área financeira. Todos da administração do Hotel estavam tensos e em um uma grande correria, deixando outras pessoas responsáveis pelos funcionários. O incidente com o "todo poderoso" não tinha sido comentado por ninguém e eu não fui chamada na gerência, o que era um bom sinal. Tenho esperança de que não perca meu emprego.

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