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A babá grávida do Cowboy

A babá grávida do Cowboy

Autor:: Carla Cadete
Gênero: Romance
Jéssyca, uma jovem batalhadora, enfrenta uma reviravolta em sua vida quando denuncia um colega de trabalho por ameaças, resultando na perda de seu emprego. Em meio a um aviso prévio e a busca por uma nova oportunidade de trabalho, um desmaio a leva ao hospital, onde uma notícia surpreendente muda tudo: ela está grávida. Agora, sua vida se torna uma encruzilhada de incertezas, com a identidade do pai da criança sendo um enigma. Enquanto isso, Ruan, um fazendeiro de posses, vive atormentado por lembranças de uma noite prazerosa que compartilhou com Jéssyca. Incerto se essa experiência foi um sonho ou realidade, ele decide buscar a mulher que o assombra. Em meio a descobertas e um destino entrelaçado, suas vidas se aproximam de maneira inesperada, deixando-os diante de escolhas que podem mudar tudo. "Lembranças, segredos e o inesperado se entrelaçam nessa história de amor e superação, onde Jéssyca e Ruan enfrentarão desafios que os farão questionar suas escolhas e redefinir seus destinos."

Capítulo 1 Capitulo 1

Capítulo 1

Jéssyca conclui o atendimento do último cliente na padaria. Enquanto os funcionários fecham as portas, ela se apressa em direção ao vestiário, ciente da urgência, pois está atrasada para sua primeira aula na faculdade.

Ao entrar no vestiário, retira o uniforme com tamanha pressa que não percebe que alguém entrou e trancou a porta.

- Você é linda. Ganha tão pouco aqui. Poderia vender toda essa beleza e ganhar muito mais - diz Júnior, fazendo-a soltar um grito de susto.

- Saia daqui - diz, tentando cobrir o corpo com as mãos.

Ela olha para as roupas no banco e rapidamente as segura na frente do corpo para tentar se esconder do olhar nojento de Júnior.

- Não se esconda de mim. Posso te proporcionar prazer e dinheiro pelos seus serviços. Sei que é uma mulher solitária e...

- Cale-se! Você não sabe nada sobre a minha vida. Saia. SAIA!

Contudo, alguém ouve seus gritos e tenta abrir a porta. Como não consegue entrar no cômodo, bate na porta.

- Jéssyca, abra a porta! Quem está aí com você?

- Se me denunciar, terá problemas no futuro - diz, colocando as mãos no bolso com um meio sorriso de deboche nos lábios.

- Não tenho medo - diz, indo abrir a porta, mas antes de tocar a maçaneta, ele a segura com firmeza.

- Se abrir a porta, vai me denunciar. Estou avisando que, se eu tiver problemas, você sofrerá as consequências.

Ela puxa o braço e, com os dedos trêmulos, destranca a porta, saindo apenas com as roupas de baixo e os olhos úmidos. Claudio, um senhor de meia idade, olha para Júnior com desprezo.

- Saia daí, deixe-a se trocar. O que estava fazendo? O chefe não vai gostar de nada disso.

- Ela queria...

- Ah, o quê? Seu mentiroso!

- Entre no vestiário, Jéssyca. E você, venha comigo.

Uma hora depois, Jéssyca entra na faculdade às pressas, é seu último ano. Ela estudou com excelência por quatro anos, mas, neste último ano, está frequentemente ausente nas primeiras aulas. Tentou explicar a importância de seus estudos para os patrões, mas eles não se importaram, disseram que, se quisessem, poderiam pedir demissão e procurar outro emprego.

Ela abre a porta no meio da segunda aula, fazendo com que o professor pare de falar e todos olhem para ela enquanto vai até sua mesa e se senta, o rosto vermelho de vergonha pelo atraso. Em um determinado momento da aula, ela lembra do que aconteceu após se trocar: foi direto ao escritório do patrão e não pensou duas vezes antes de acusar o colega de ofendê-la e tentar abusar dela.

Recolocando seus pensamentos em ordem, ela volta a prestar atenção na aula. Ela escolheu administração de empresas e espera conseguir um emprego assim que se formar. Seu objetivo é mudar de vida, deixar sua pequena kitnet e morar em uma casa maior.

Na saída, ela consegue uma carona com uma de suas colegas, e só de pensar que não precisa andar por quase uma hora, ela agradece, pois está exausta.

- Você está tão quieta hoje. O que houve? - perguntou Marta.

- Tive problemas com um abusador no trabalho.

- Nossa, que situação difícil.

- Ele saiu algemado da padaria. O que mais me preocupa é que ele disse que se vingaria.

- Então, fique atenta, amiga. Esse cara provavelmente vai sair sob fiança, você vai ver. Espero que ele não venha atrás de você. Desculpe, não quero te preocupar mais. Amanhã é sexta-feira, que tal sairmos para a "Night"?

- Fala sério, sou caseira, não gosto desses lugares. As músicas são ensurdecedoras, e os garotos só querem transar. Estou fora, nem pensar.

- Você até poderia transar com alguém e esquecer um pouco essa tristeza. Deve estar sem sexo há décadas.

- Não exagera. - Ela para de falar e olha para a colega um pouco envergonhada. - Tem um tempo, uns dois anos. Foi com meu último namorado, infelizmente não deu certo.

Marta escuta o que a colega diz e toma a decisão por ela.

- Você vai e não se fala mais nisso. E se aparecer um gostosão, agarre ele e seja feliz.

Jéssyca sorri com o comentário, fica calada, mesmo achando graça. Ela está certa, precisa sair um pouco e espairecer. Tem apenas um vestido adequado para essas ocasiões, e sabe que usar o mesmo vestido sempre pode ficar repetitivo, mas não tem dinheiro para comprar roupas que não sejam para o dia a dia.

Assim que desce do carro, agradece a Marta. Olhando para os lados, ela abre o cadeado do portão. Ela se sente aliviada por não precisar passar pela porta dos vizinhos; seu quarto é o primeiro assim que entra no corredor, o que a permite sair e voltar sem ser vista por ninguém. Alguns vizinhos são bem intrometidos, faz de tudo para evitar ser o próximo alvo de seus comentários, mas de vez em quando, ela ainda ouve burburinhos.

No dia seguinte, ela entra para trabalhar. Antes de ocupar seu lugar, é chamada até a sala do patrão, onde recebe uma notícia bombástica.

- Aqui está seu aviso prévio. Pode assinar e escolher se quer sair uns dias antes ou trabalhar os trinta dias saindo mais cedo.

Ela observa o patrão como se ele fosse uma cobra prestes a atacá-la, virando a cabeça de um lado para o outro indignada.

- Não acredito que estão me dispensando por causa do que aconteceu ontem à noite. É como se eu fosse a culpada pelo que aconteceu.

- Não foi por isso. Estamos cortando custos, e você é uma das funcionárias mais novas. Não queremos dispensar os mais antigos de casa.

Ela não acredita nessa desculpa esfarrapada. Não deixaram nem a poeira baixar antes de inventarem essa explicação. Não há outra justificativa; com certeza foi pelo incidente com o Júnior, fato mais do que evidente. Bando de canalhas!

Sem vontade de trabalhar, ela vai para o vestiário e libera toda a sua tristeza em lágrimas. Não é fácil encontrar outro emprego, e ela não tem economias. Trabalha na padaria há apenas dois anos, então não receberá muito. Seu receio é que o dinheiro não seja suficiente para pagar o aluguel, a faculdade e sua alimentação.

- Droga!

Horas depois, ela chega à faculdade. Como optou por sair mais cedo, teve tempo de passar em casa e fazer uma refeição.

Deixou o vestido estendido na cama e o par de saltos altos no chão, ambos pretos e brilhantes. O vestido sempre lhe caía muito bem, realçando todos os seus atributos. No entanto, ela sabia que, se ganhasse peso, por ser justo, não serviria mais, e também não teria dinheiro para comprar outro tão cedo.

- Terra chamando, Jéssyca - diz Marta. - Você vai, certo?

- Se você me der uma carona, eu vou.

- Ótimo, sua carona está garantida.

Após as aulas, ela guarda o material, bocejando várias vezes, pois o cansaço da semana toda é extremo, especialmente por ser sexta-feira.

- Espero que você não durma enquanto estiver dançando - diz Marta, sorrindo.

- Pode acontecer - responde, também sorrindo.

Marta a deixa em casa, prometendo voltar em uma hora. Após esse tempo, ela entra no carro da colega e fica surpresa quando param em uma danceteria Country.

- Como você disse que curtia algo mais suave, te trouxe para conhecer o cowboy dos seus sonhos.

- Até parece que vou encontrar o homem da minha vida nesse lugar; é mais fácil encontrar o pesadelo da minha vida.

- Não seja pessimista.

- Não sou, mas também não serei ingênua.

- Você é uma garota de pouca fé, devo dizer - diz a colega.

Marta para de falar, observando um burburinho perto delas.

- Aquelas garotas estão bem animadas; deve ser um tremendo gostosão sentado no bar. Vamos lá ver.

- Acho melhor ficarmos aqui...

- Você vem comigo - diz, puxando a mão dela. - Ah, Deus. É um coroa, que delícia. Vai lá, amiga. Esse aí vai fazer você se molhar fácil.

- Está louca?

- Vai logo, aqui a única que está há muito tempo sem sexo é você.

- Não faço sexo casual.

- Hoje vai fazer - diz, empurrando-a para o bar e seguindo para a pista para dançar com um grupo de caras.

Jéssyca engole em seco, não tinha reparado no homem e está com medo de tomar uma decisão que possa se arrepender depois. Se ele é um coroa, poderá pensar várias coisas erradas sobre ela. Talvez uma caçadora de tesouros, mas, por ele estar nesse tipo de lugar, provavelmente não tem muito dinheiro.

Enquanto pensa se vai até o balcão ou não, Marta volta e a empurra, fazendo-a dar alguns passos para frente e esbarrar no cowboy. Pede desculpas, olhando para baixo, com o rosto avermelhado de vergonha.

Ela olha para o barman, ele aguarda pacientemente que fale. Como ela não diz nada, o barman a incentiva.

- O que gostaria de beber?

Do outro lado, algumas mulheres a olham com cara de poucos amigos. Ela se vira novamente para o barman.

- Vou querer uma Piña Colada, por favor.

- Excelente escolha, senhorita.

Enquanto o barman prepara a bebida, ela observa sua agilidade. Está muito envergonhada para olhar o tal coroa, por isso não desvia o olhar do barman por nenhum momento.

Ruan achou muito engraçado o nome da bebida que a moça ao seu lado escolheu. Com a mão no queixo, ele olha para o lado e observa a bela jovem.

Sentindo-se observada pelo homem, ela começa a ficar um pouco desconfortável, pois não tem coragem de olhar para ele.

- Aqui está, espero que esteja do seu agrado, senhorita.

Ela prova um pouco pelo canudo e fecha os olhos, sentindo prazer com o sabor.

- Hum! Está ótimo, simplesmente perfeito.

O barman sorri satisfeito e agradece. Ao lado dela, os olhos de Ruan brilham ao ver lábios tão lindos e carnudos sugando a bebida pelo canudo.

- Também quero uma bebida dessas.

Jéssyca fica surpresa e acaba olhando o homem ao seu lado.

- Sim, senhor - diz o barman, indo preparar a bebida.

Ainda observando-a, Ruan é o primeiro a falar:

- Você tem lindos olhos verdes, são como duas grandes esmeraldas. Chamo-me Ruan, e você, moça bonita?

- Jéssyca... - respondeu, sentindo toda sua pele se arrepiar com o timbre da voz dele.

- Muito prazer, Jéssyca.

Ele estende a mão, ela faz o mesmo. Seus dedos se entrelaçam em um aperto firme, e um calor intenso se espalha entre eles. Ruan inclina-se delicadamente e, com uma provocação sutil, deposita um beijo na palma da mão de Jéssyca, passando a língua de leve sobre a pele sensível. Seus olhos permanecem fixos nos dela, uma troca silenciosa de desejo. Jéssyca dá um salto, sentindo um formigamento elétrico percorrer todo o seu corpo, um arrepio de excitação que a envolve por completo. A química entre eles era palpável, e o jogo sedutor estava apenas começando.

Capítulo 2 Capitulo 2

Capítulo 2

Ela removeu a mão rapidamente, sua pele arrepiada. Não queria que ele percebesse o efeito que a causasse, mas talvez pudesse usar essa situação a seu favor para seduzi-lo.

Até aquele momento, ninguém havia feito sentir-se assim com um simples toque. Seus olhos se arregalaram, pois mesmo sem tocá-la, ele continuava provocando sensações estranhas nela. Seu olhar penetrante a hipnotizava; ela não conseguiu desviar o olhar do dele.

Ele soltou um leve sorriso de canto e voltou para sua bebida. Ela fez o mesmo, segurando o copo com dedos trêmulos. Ele viu e convidou, achando graça do efeito que a confundiu. Podia até ter bebido bastante, mas não a ponto de não perceber a bela jovem à sua frente que mexia com seus hormônios.

- Aqui está, senhor - disse o barman, entregando a bebida e retirando o copo vazio.

Ele deu um gole na bebida e foi aprovado com um gesto.

- Muito bom.

- Obrigado, senhor - disse o barman, se afastando.

Ruan não desistiu de Jéssyca.

- Dança comigo, olhos de esmeralda.

Ela não respondeu, ficando calada enquanto tomava sua bebida. Ruan terminou a dele e, sem esperar por uma resposta, segura-a pela mão, levando-a até a pista de dança. As outras mulheres que observavam com olhares desaprovadores agora lançavam olhares assassinos.

Seus movimentos eram lentos e sensuais, e Jéssyca começou a se perguntar como seria se envolver com esse cowboy, estava tão azarada que talvez Ruan fosse apenas uma breve passagem em sua vida. Um breve romance de uma única noite.

Absorta em seus pensamentos e frustrações, Jéssyca se entregou à dança com o belo cowboy. Pouco tempo depois, os lábios dele passaram a percorrer seu pescoço, e uma sensação doce e excitante percorreu todo o seu corpo, fazendo-a fechar os olhos e estremecer.

- Doce - diz extasiado. - Sua pele tem o sabor do mais doce morango...

Lábios exigentes tomaram os seus com fervor, invadindo sua boca e tomando toda a sua doçura para si. Era impossível resistir ao beijo dele; suas bocas estavam perfeitamente unidas, como se fossem feitas uma para a outra.

- Leve-me com você. Seja minha nesta noite - disse Ruan, com a voz rouca de emoção.

A atmosfera estava transmitida de desejo e promessas naquela noite.

Jéssyca sentiu-se tentada a se entregar a ele. Ruan voltou a beijá-la, suas mãos deslizando sensualmente por suas costas.

- Vai ser minha? - ele disse, entre os beijos ardentes.

- Vou sim - ela respondeu, sua voz embargada pelo calor do momento.

Seu corpo queimava de desejo por ele.

- Vem comigo, temos um incêndio para apagar - ele disse, com um sorriso de lado, puxando-a em direção ao bar. Ele pagou a conta, segurou novamente a mão dela e a conduziu até a saída.

Ela entrou no carro dele, mas o medo começou a se instalar. Não o conhecia, e a coragem que a fizera entrar no carro de um estranho agora a fazia questionar sua decisão. Engoliu em seco e agarrou a maçaneta, pensando em sair, mas ele segurou suavemente seu joelho.

- Não quer mais? - ele perguntou.

- Quero... - ela respondeu, sua voz cheia de dúvidas e receio.

- Onde mora?

Ela suspirou profundamente, sentindo o medo diminuir um pouco, e acabou explicando onde morava. Em questão de minutos, estavam na frente de sua casa, mas o medo voltou a tomar conta dela.

- O que foi? Venha, vamos descer e entrar em sua casa. - Ele a incentivou a sair do carro.

- Está bem.

Ele deu a volta no carro e a ajudou a sair.

- Se você não quiser mais, eu vou entender. - ele disse com preocupação.

- Eu quero...

Ela abriu o cadeado, olhou ao redor, lembrando-se dos vizinhos fofoqueiros. Rapidamente, abriu a porta e sorriu para ele ao entrar.

Ruan olhou ao redor, mas sua visão estava turva pelo efeito da bebida. Ele não tinha certeza de como conseguiu chegar ali.

- Bonito aqui, mas parece que você vai se mudar - ele disse, olhando ao redor enquanto abraçava Jéssyca pela cintura.

- Vou sim... - ela começou a dizer, mas ele a calou com um beijo. Suas bocas se encontraram novamente, e qualquer pensamento ou preocupação desapareceu no calor do momento.

Jéssyca e Ruan fizeram amor apaixonadamente até ficarem exaustos, e os dois dormiram juntos. No meio da noite, Ruan acordou com uma terrível dor de cabeça. A dor era tão intensa que quase o cegava. Ele olhou para o corpo da jovem que compartilhou momentos intensos de prazer e carinho.

Beijando delicadamente o quadril de Jéssyca, Ruan sussurrou:

- Já volto...

Sua intenção era ir até a farmácia mais próxima, comprar um remédio para a forte dor de cabeça que o atormentava e voltar para a cama da bela de olhos verdes. Com esse pensamento, ele vestiu-se e saiu da casa.

Ruan estacionou o carro na frente da farmácia, comprou a medicação e a tomou ali mesmo. No entanto, o sono que sentia era tão forte que ele acabou tomando outro rumo involuntariamente. Quando finalmente parou o carro, estava em frente à casa de seu filho, e ele adormeceu no volante.

Horas depois, Ruan acordou com o rosto apoiado no volante, seu filho Nikolas, chamando por ele.

- Pai... Acorde...

Ruan se ergueu rapidamente como se tivesse levado um susto, levando alguns segundos para entender onde estava. Abriu a porta do carro e desceu, sua cabeça latejava de dor.

- Onde esteve a noite toda? - perguntou Nikolas, visivelmente preocupado.

- Não sei, fui beber e acordei aqui - respondeu Ruan, ainda atordoado, tentando entender como havia parado na frente da casa do filho.

- Nossa, pai, eu estava quase chamando a polícia de tão preocupado. E seu celular?

Ruan colocou a mão no bolso, procurando o celular, mas não o encontrou. Fechou os olhos por causa da dor de cabeça.

- Fala mais baixo, minha cabeça está explodindo.

- Bebeu demais, não foi, pai?

Ruan procurou o celular no assoalho do veículo, encontrando-o sem bateria.

- É, exagerei. Onde está meu neto?

- Dormindo. Ele ficou esperando comigo na sala por um longo tempo, até que não aguentou mais e dormiu de exaustão.

Capítulo 3 Capitulo 3

Capítulo 3

No dia seguinte pela manhã, Jéssyca acorda sozinha em sua cama. A noite anterior foi intensa e repleta de paixão, mas agora ela se vê sozinha e perdida em seus próprios pensamentos.

Ela olha em volta, tentando lembrar dos momentos compartilhados com Ruan. O calor do corpo dele, os beijos apaixonados, a sensação de entrega completa. Tudo isso pareceu tão certo naquele momento, mas agora a realidade começa a pesar sobre ela.

Jéssyca se levanta da cama e se veste lentamente, deixando seu vestido preto brilhante de lado. A luz do dia invade sua janela, iluminando a bagunça que sua vida se tornou após acusar seus colegas de trabalho por abuso.

Enquanto se arruma, sua mente começa a se encher de preocupações. Ela mal conhece Ruan, e a noite anterior foi impulsiva e repleta de desejo, mas agora o que resta é uma sensação de vazio e incerteza.

Ela sai do quarto e vai até a cozinha onde faz dois ambientes, e se depara com a foto de seus pais sorridentes em cima da estante. As lágrimas começam a escorrer por seu rosto enquanto ela pensa em como sua vida mudou desde a morte de seus pais. A dor da perda ainda está fresca em seu coração, e agora ela se encontra envolvida em uma situação ainda mais complicada.

O barulho do seu celular tocando a faz pular. Ela atende, do outro lado, é Marta, sua colega da faculdade.

- Jéssyca, liguei para saber como foi sua noite com o bonitão.

Jéssyca hesitou por um momento, pensando em como explicar sua situação para ela.

- Ele me fez esquecer tudo por um tempo, mas agora estou confusa e não sei o que fazer.

Marta ficou em silêncio por um momento, e então sua voz soa preocupada do outro lado da linha.

- Quer conversar sobre isso?

- Sim, Marta, eu adoraria conversar. Preciso de conselhos, estou perdida sem saber o que fazer.

As duas passam a manhã conversando. Marta oferece apoio e orientação a Jéssyca, lembrando-a de que, apesar das incertezas, ela é forte e capaz de enfrentar os desafios que a vida lhe apresenta.

Enquanto isso, Ruan, depois de ter saído da casa de Jéssyca naquela manhã, fica com a mente turva e confusa. As lembranças da noite anterior o atormentam, e ele se pergunta se aquilo tudo foi uma oportunidade única ou um sonho delicioso, do qual não gostaria de ter acordado.

No mesmo dia, à tarde, Ruan retorna à sua fazenda, seu semblante está visivelmente perturbado e isso não passa despercebido por um funcionário.

Pedro, seu capataz de confiança, nota imediatamente que algo está incomodando Ruan. Com a expressão cabisbaixa e um semblante preocupado, ele se aproxima do patrão e pergunta com curiosidade óbvia:

- Ruan, está tudo bem? Notei que você está meio pensativo. Algo aconteceu?

Ruan olha para Pedro, seu rosto ainda carregando uma expressão pensativa. Ele suspira antes de responder, compartilhando com ele uma parte do que aconteceu.

- Pedro, ontem à noite, algo inesperado aconteceu. Conheci uma mulher, Jéssyca. Foi uma noite intensa, mas... Não sei o que pensar, eu tinha bebido muito, não tenho certeza se foi real ou um sonho.

Pedro arqueia uma sobrancelha, intrigado com a história do patrão.

- E o que você pretende fazer agora? Encontrá-la de novo? Se não foi real, ficará desapontado.

Ruan assente, está determinado a descobrir o que realmente aconteceu.

- Sim, preciso descobrir se foi real e encontrá-la de novo. Estou confuso, Pedro, muito confuso.

O capataz concorda compreensivo.

- Se precisar de alguma ajuda para encontrá-la, estarei aqui, patrão.

Ele agradece com um aceno de cabeça e caminha na direção do casarão. Não sabe quais atitudes tomar de imediato, mas tem certeza que chegará numa conclusão o mais rápido possível.

Ruan entra no casarão e vai direto para seu quarto, sentindo a necessidade de uma ducha para clarear sua mente. A água fria caiu sobre seu corpo, para aplacar a intensidade do desejo que volta a consumir seu corpo.

Ele não é o tipo de homem que sai com várias mulheres; geralmente, é tranquilo e ponderado em seus relacionamentos.

Enquanto a água corria pelo seu corpo, Ruan se questionava se Jéssyca era real ou se tudo não passava de uma criação de sua imaginação, confundida com o efeito do álcool. No entanto, as sensações e emoções que experimentou naquela noite eram reais demais para serem apenas uma doce ilusão.

Após sair do banho, Ruan vestiu-se e foi até a área gourmet da fazenda. O sol já havia se posto, e os funcionários estavam reunidos para o jantar. Cumprimentou a todos, serviu-se com uma porção mínima de comida, pois a fome era o último de seus sentimentos no momento, e escolheu um lugar afastado dos demais.

Queria espaço para continuar com seus próprios pensamentos.

- Patrão, está tudo bem? - perguntou Pedro, preocupado.

- Estou bem, obrigado.

- Caso precise, é só chamar.

Ruan deu um leve sorriso e acenou afirmativamente com a cabeça. Observou Pedro se afastar e, em seguida, voltou sua atenção para o prato diante de si.

Tentou comer um pouco, mas seus pensamentos ainda estavam voltados para Jéssyca. Era difícil para ele acreditar que uma única noite pudesse abalar suas estruturas daquela maneira.

Mesmo após um ano de término de seu último relacionamento, nenhuma outra mulher conseguiu despertar nele a intensidade de emoções que Jéssyca conseguiu em tão pouco tempo.

Era como se ela tivesse acendido uma chama dentro dele, uma chama que ele pensava estar apagada há muito tempo.

Após o jantar, se recolhe mais cedo. Normalmente, os funcionários da fazenda costumam se divertir antes de dormir, fazendo brincadeiras, cantando ou contando histórias ao redor da fogueira. No entanto, naquela noite, ele preferiu o silêncio do seu quarto.

Entrando no quarto, tira as roupas e deita em sua cama. Antes que ele possa pensar em qualquer outra coisa, seus olhos se fecham e cai em um sono profundo. A exaustão física e mental o leva rapidamente para o mundo dos sonhos, onde as imagens da noite anterior com Jéssyca começam a se misturar com seus pensamentos e desejos.

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