Assim como no dia em que tudo começou, está muito frio. Tão intensamente que me pergunto se o mundo não está prestes a acabar em gelo.
Mas que grande bobagem, Alexia! O mundo iria se acabar em gelo?
Acho que Deus seria mais criativo. Aposto em chuva de canivetes.
Misericórdia!
É o sono, certamente é o sono, penso ao me levantar e me sentar na cama. Os meus pés tocam o chão gelado do quarto, e um arrepio sobe pelo meu corpo. Gelo dos pés até a raiz dos cabelos, e não são só os da cabeça.
Deveria pensar melhor e ficar no quarto? Deveria! Mas não consigo aguentar, então, de maneira discreta, saio do quarto. Os únicos quartos ocupados na casa grande são o meu e o que fica na frente dele. Se não fosse tão perto, eu não cairia na tentação de fazer besteira.
A porta não está nem mesmo entreaberta, mas eu, sendo tomada pela inconsequência, depois de dias sentindo que estou à beira de um colapso provocado pelo desejo por algo que nunca experimentei, mas que sei que é bom, giro a fechadura da porta e passo para dentro do cômodo.
O meu coração está batendo forte, mas o que pulsa entre as minhas pernas é mais urgente. Ele não pode me provocar e depois correr sem pensar em mim, ou em como tudo o que faz com o meu corpo afeta o meu psicológico.
A cena dele deitado de costas com uma bebê linda ao lado é linda, e faria o estômago da maioria das mulheres coçar, mas, no momento, o meu foco é o pai, não a filha de quem tanto gosto.
Sem pensar que os meus atos podem me fazer não só perder o emprego, como também ficar sem um lugar para morar, subo com cuidado na cama e me acomodo com o corpo sobre o seu.
As suas pernas estão levemente abertas, e como ele é muito maior do que os meus um metro e sessenta de altura, e cinquenta e cinco quilos, me encaixo com perfeição entre elas.
Mexo-me com cuidado, bem devagarinho... subindo o meu corpo, até que a minha boceta molhada fique diretamente em contato com o seu pau que, tirando por base as outras vezes que o senti, é enorme e faria um estrago na minha menina. Mesmo que ainda esteja dormindo, o seu pênis, aos poucos, começa a ganhar vida, e eu fico mais melada quando o membro fica meia-bomba.
Os biquinhos dos meus peitos ficam duros enquanto o meu corpo ondula no seu. Não sei o que estou fazendo direito, mas é bom. A minha boca enche-se d'água enquanto imagino os meus lábios em torno do mastro robusto, tal qual nos filmes que assistia escondida da minha mãe quando era adolescente.
- O que.... - Ele levanta a cabeça e seus os olhos estão assustados. Por instinto, olha para o lado e vê que a filha dorme tranquilamente. Volta-se novamente para mim e um sorriso safado se abre no seu rosto moreno. - Você tem certeza de que quer isso, menina?
As suas mãos grandes estão segurando com firmeza a minha cintura. Eu me sinto bem, muito bem. E quero essas mãos em outros lugares. Não sei o que esperar, mas quero, porque sinto que será bom. Vai ser o melhor momento da minha vida até aqui.
- Sim, eu tenho certeza. E você também me quer, Rafael Martelli - digo e rebolo. Sei que faço certo porque ele está duro embaixo de mim. - Me beijou, me fez gozar com os dedos e fez promessas sujas. Chegou o meu momento de te dar o presente que nunca dei para homem nenhum.
O homem mais velho balança a cabeça, como se estivesse decidindo se sou real ou uma miragem. Deve estar confuso, depois da forma como agi mais cedo. Por um breve instante, tenho medo, muito medo do que pode acontecer com a minha vida e com nossa relação de trabalho depois do sexo, mas a névoa de desejo, que vem sendo alimentado dia após dia, torna impossível para mim considerar algo que não seja nós dois fazendo sexo finalmente.
- Se eu te pegar agora, garota, vou ter dar mais do que está pedindo com essa carinha de anjo, mas que esconde a safada que pode se tornar. Vou acabar com você nessa cama, mas depois você virá aqui em busca de mais, como se fosse a minha putinha particular, feita para satisfazer os meus desejos perversos - diz.
Os seus dedos estão na frente da minha calcinha, manipulando por cima do tecido a minha boceta molhada e que dói de vontade.
Ele não quer de fato me dar uma escolha. Nós já fomos longe demais alimentando a atração que existe entre a gente, um desejo que eu nunca confundi com outra coisa. Sempre foi desejo, a sensação boa de saber que alguém me quer, mesmo que seja apenas fisicamente.
- E então, Alexia, é isso que quer? Deseja ser a puta de um homem que tem idade para ser o seu pai? - indaga.
Será que ele pensa que o fato de ser um Daddy gostoso vai me fazer recuar? Rafael não sabe, mas o fato de ele ser mais velho só o torna mais desejável para mim.
- Desejo ser o que você quiser. Me come, Rafael Martelli - curvando-me sobre o seu corpo, sussurro no seu ouvido.
RAFAEL A loira de peitos enormes, a bunda nem tanto, está de quatro no meio de uma cama com lençóis brancos. O ambiente é todo em tons neutros, o que torna a cena mais sedutora e puxa todo o foco de quem vê e vai se excitar para o casal. Nada além do casal. O homem negro tem mais de dois metros de altura e um pau monstro. Sim, o meu trabalho engloba manjar a pica de outros. Já fiz tanto isso que não é algo que me deixa particularmente sensível.
Ele se posiciona de joelhos atrás da mulher, que não é tão bonita, assim como a maioria na indústria não é, e começa a passar a cabeça da rola entre as dobras gordas da boceta que não fodi porque não quis. Amber Picoli, assim como as outras do cast, tentou com afinco uma noite comigo, mas eu, seletivo até na hora de escolher as transas de uma noite, tenho a máxima de que onde se ganha o pão não se come a carne. É claro que já comi e fui contra as minhas próprias regras, mas, hoje em dia, aos quarenta e dois anos, procuro bocetas que não me fazem questionar se os gemidos não são encenação. Algo supervalorizado para conseguir o passe para uma segunda noite. Simon Arturo, nome artístico, porque todos eles usam, como a direção pede, soca seus vários centímetros na boceta da loira, que geme alto demais e empina a bunda mais para trás. Do lado de fora do estúdio, através do vidro, observo a cena com o olhar crítico de um diretor, que hoje não exerce a função. - Assim, gostoso, soca esse pauzão todinho na minha boceta - Amber fala com uma voz safada e gemida. A cena está perfeita, eu olho para o meu colo e nada. O meu membro está mortinho. Abro um sorriso de canto, dando-me conta mais uma vez de que estou curado do tesão juvenil. Lembro-me de como no início era difícil não sentir tesão, não ficar duro vendo casais e trios fodendo de todas as formas possíveis. - Eu vou gozar, porra! Vou gozar! - A loira grita no final da cena, cuja maior parte aconteceu enquanto eu estava perdido em devaneios. Eu não sou de agir assim, mas hoje o dia está estranho. Não sei definir em que, mas está. Saio de onde estou e me aproximo do set de filmagens, cujos cenários mudam constantemente, e me aproximo da equipe com câmeras gigantes, que há pouco estavam quase entrando nos órgãos genitais do casal. - Como ficou? - pergunto para Bruno, um dos diretores da SexHard, a minha produtora de filmes eróticos. - Vamos precisar regravar alguma parte? Eu sempre penso que essa deve ser a pior parte. Os atores sabem que precisam de certa preparação para entrarem no clima para foder, principalmente os homens, que não podem gravar as cenas com o pau mole, e apesar de as reclamações não chegarem aos meus ouvidos, sei que não ficam satisfeitos quando têm que fingir algo que não sentem. - Ficou ótimo. Agora, o material vai para a edição - ele diz, mas não olha para mim. Está com os olhos compridos na atriz que veste um roupão de seda azul por cima do seu corpo nu. Diferente de mim, Bruno ainda tenta trepar com atrizes da produtora, e louco do jeito que é, não duvido que tente com atores também. - Que bom - falo com alívio ao olhar para o relógio. - As pautas das cenas que serão ensaiadas amanhã e gravadas na quinta estão na sala da Ivone. Dê uma passada por lá, pegue o material e dê uma lida para se familiarizar. - Eu preciso que você me fale sobre como fazer o meu dever de casa? - pergunta com uma sobrancelha arqueada, pois temos essa liberdade um com o outro. - É claro que precisa - rebato, e viro-lhe as costas. - Não quer esticar a noite tomando cerveja em um bar qualquer? Posso chamar algumas garotas - propõe. Não é estranho que ele se sinta à vontade para fazer esse tipo de convite, sabendo que fiquei viúvo há apenas cinco meses? Essa é fácil de responder. Não, não é estranho. Não para quem conhece a minha história e o meu casamento como ele. O motivo da recusa está longe de ser o luto e a tristeza por não ter mais uma esposa. - Eu não posso, a Lia está na casa dos meus pais, e os velhos já devem estar uma fera por causa do meu atraso. Eles acreditam que estou distante demais da minha bebê - comento. Os meus olhos passeiam pelo ambiente, enquanto homens e mulheres caminham de um canto a outro guardando todo o equipamento e desmontando o cenário usado na gravação. Simon e Amber, que não estão usando mais do que roupões finos por cima dos corpos nus, se beijam sem a voracidade vista em cena agora há pouco. Estou certo de que vão para algum lugar mais discretos e sem câmeras. Eles querem foder sem serem filmados de todos os ângulos. Não é tão difícil de acontecer. Às vezes é só trabalho, em outras, como é o caso dos dois, que todos sabem que têm um caso, o tesão da cena tem a necessidade de ser satisfeito fora das câmeras. - E o que você acha? - Sobre o quê? - devolvo, voltando a minha atenção para a conversa. - Sobre o seu tempo com a Lia. - Não acho nada. Os meus pais estão irritados e com razão. Eles não têm idade para cuidar de um bebê, e eu preciso parar e procurar uma babá para a minha filha - digo. Mas sei que o meu problema não é só falta de tempo, por me dedicar demais à empresa. Eu tento compensá-la de alguma forma, deixando que conviva com os avós. A pobrezinha não tem culpa de ter perdido a mãe um mês depois de ter vindo ao mundo, e nem pelo pai relapso que a vida lhe deu. Não sou o tipo de homem cego que não enxerga os próprios erros, mas ainda não sei como agir diferente. - Então procure - ele fala como se fosse fácil, e talvez seja mesmo. - Eu... - O meu celular toca, eu olho o visor e atendo. - Mamãe, sei que estou atrasado para pegar a Lia, mas já estou a caminho. Sim, tudo bem, não vou esquecer de comprar mais fraldas. Depois que desligo, olho para o Bruno, que está sorrindo discretamente. - Segure as pontas? - E não é isso que eu sempre faço? - ele rebate. - O que justifica o seu salário exorbitante. - Dou dois tapinhas no seu ombro e saio para o estacionamento. Enquanto dirijo, começo a pensar em como a minha vida mudou. Quando a minha esposa engravidou, mas porque ela queria do que por um grande desejo meu, me convenci de que seria fácil criar um filho. Talvez eu estivesse errado e não fosse fácil de maneira nenhuma, mas não seria tão desafiador se não tivesse ficado viúvo. Eu, que nunca fui particularmente familiarizado com bebês, tenho que ser o pai e a mãe de uma, além de ser o dono e o diretor de uma grande produtora de filmes para o entretenimento adulto. O meu casamento com a Nora não era convencional em nenhum aspecto. Nos conhecemos em uma premiação, como o Oscar dos filmes pornôs, e sentimos uma atração louca um pelo outro. Hoje, eu acredito que não deveríamos ter seguido em frente só porque passamos um mês trepando como dois coelhos no cio. Mas ambos estávamos com trinta e cinco anos de idade, estávamos vendo as pessoas à nossa volta se aquietando e decidimos que queríamos brincar de casinha. O milionário da indústria pornográfica e a filha mimada de um figurão do ramo automobilístico se casaram meses depois do início do namoro. As pessoas não falavam nada, mas eu via que todos acreditavam que não daria certo. E não deu, não muito. Ou, talvez, tenha dado certo do nosso jeito torto de ser por um tempo. Logo nos primeiros meses de casados, senti desejo por outra mulher, e não pude disfarçar esse fato. Como gostava de enxergar tudo como uma espécie de jogo, a minha bela esposa não conseguia tirar os olhos de mim e sabia o que estava rolando naquele evento. Eu achei que ela estava jogando quando apareceu com a morena que eu queria ao lado e a colocou nas minhas mãos. Disse que eu poderia ficar com a gata, desde que ela também pudesse. E foi a nossa primeira transa à três. Nora não tinha o menor problema de tocar em mulheres. Era ela quem chupava peitos enquanto eu metia no cu, ou na boceta das minhas fodas. Era ela quem passava a língua habilidosa nas vaginas, enquanto eu era chupado. E quando eu invertia as coisas e começava a comê-las, a minha esposa se permitia ser chupada em todos os lugares. Lembro-me de como ia ao delírio quando era chupado por duas bocas, duas mulheres alternando, me levando deliciosamente no fundo da garganta até se engasgarem. Recordo-me de gozar em cima de peitos grandes. De vozes suplicando por mais. E quando paro no sinal vermelho, a todo o momento checando o relógio no visor do celular, lembro-me de como foi estranho depois da primeira vez que a minha esposa e eu perdemos o controle. Aquilo poderia ter acabado com o nosso casamento recente. Mas não foi o que aconteceu. Logo que deixou de ser estranho, foi minha vez de fazer um agrado para ela. Teve a ocasião em que fomos jantar em um restaurante perto da nossa casa, grande e extravagante demais para um casal, e assim que tomamos o lugar que eu havia reservado, o garçom apareceu com o cardápio. Eu vi a forma como Nora olhou para o jovem, que era muito mais jovem do que ela. Notei como o desejou naquele instante. Poderia ter me sentido enciumado, mas, surpreendentemente, não me senti. "O que está havendo, querida? Está a fim de dar para o garçom?" Foi a pergunta direta que fiz quando o garoto virou as costas. Ela não se deu ao trabalho de fingir que havia ficado constrangida. "Não precisa ficar constrangida. Se quiser, depois do jantar eu te deixo com o carro. Dessa forma, poderá tentar terminar a noite fodendo com o seu garçom" É óbvio que minha mulher concordou. Eu fui para casa de táxi, ela só voltou na manhã seguinte. Contou para mim tudo o que havia feito com o rapaz na cama, eu me excitei com os relatos e a comi no banho, antes de sair de casa para trabalhar. Dias depois, eu cobrei o favor e transei com uma atriz novata e gostosa que havia acabado de ser contratada. E não foi só uma transa. Mas a minha mulher sabia de todas elas, assim como eu soube de todas as suas aventuras. O nosso casamento era aberto. Transamos com outras pessoas, e levamos pessoas para a nossa cama para o sexo à três mais vezes do que posso contar. Eu me julgava um homem feliz, afinal, atendi aos anseios de uma sociedade hipócrita e me casei. O que ninguém sabia é que por trás do casal perfeito e polêmico, porque é difícil explicar que o meu ganha pão vem através do sexo, havia muita diversão e liberdade. O casamento não me tirou nada, e foi uma boa surpresa. Pelo contrário, ganhei uma parceira para a vida. Alguém com quem conversar antes de dormir, com quem fazer planos futuros, e o sexo matinal ao acordar sempre com tesão. Os anos me fizeram ver que a minha vida não era tão perfeita como parecia. A minha linda esposa gostava de beber e fumar uma erva. Eu também gostava, mas não como ela. Não eram fatos que eu via como iminentes problemas, mas, no fim, acabaram se tornando. Ela já tinha quarenta e um anos, e existia certa pressão para que tivéssemos um filho. Todos os casais felizes precisavam de filhos para completarem a felicidade, certo? Errado! As conversas sobre uma futura gravidez me deixavam tenso, porque eu sabia que a nossa vida teria que mudar. Nada de sexo louco entre a gente e outras pessoas, nada de ervas e balada de gosto duvidoso. Antes mesmo de acontecer, eu já não me sentia bem sobre o futuro próximo. Não sei se amava a minha esposa, mas o que sabia sobre o amor? Era inegável que gostava dela pra caralho, e queria atender ao seu desejo, que eu tinha esperança de que poderia se tornar o meu desejo também. Nora e eu éramos loucos, mas eu ainda tinha um senso de dever e responsabilidade que ela não tinha, e ficou mais evidente depois que conseguiu ficar grávida. Mesmo depois das nossas conversas sobre coisas das quais teríamos que abrir mão, ela precisava ser vigiada para não beber durante a gestação. Eu sei que ela fez isso algumas vezes, já que não podia ficar vigiando-a vinte e quatro horas por dia. Parecia que ela não havia calculado o tamanho das mudanças que sua vida sofreria antes de querer ser mãe e se assustou quando se deparou com uma realidade mais difícil. O nosso relacionamento acabou esfriando durante os nove meses de gravidez, embora eu tenha tentado passar segurança e me aproximar da Nora. O desejo intenso e a forma como nos entendíamos com o olhar desapareceu. Eu fazia esforço para não brigarmos, mas ela tornava a situação difícil. A sua gestação inteira foi tumultuada e eu dei graças a Deus quando chegou o dia marcado para o parto. A Lia nasceu e, quando a segurei em meus braços, veio o amor que não consegui sentir durante os nove meses em que esteve no ventre da mãe. Naquele momento, eu soube que seria capaz de dar a minha vida para protegê-la. Nora, por outro lado, estava ansiosa para voltar a vida de antes, embora estivesse claro que nada seria como antes. Eu tive paciência e deixei passar alguns após a vinda da nossa filha ao mundo. Tive esperanças de que fosse voltar a agir como uma mulher com mais de quarenta, mas não aconteceu. Um mês se passou, e depois de uma discussão em que Nora acabou dizendo que gostaria de nunca ter engravidado, ela saiu de casa de carro sem me falar para onde ia. Eu poderia ter ido atrás, mas não podia deixar a bebê sozinha. O seu celular estava desligado, e a próxima ligação que recebi foi da polícia avisando sobre o acidente que ela havia sofrido. Foi comprovado que Nora estava embriagada. Ela entrou na contramão de uma via e bateu de frente com um carro maior. Ela foi submetida a cirurgias, mas acabou não resistindo aos ferimentos e faleceu, deixando-me com a nossa filha de apenas um mês de vida. Depois de cinco meses, o que sinto é mais do que tristeza, muito mais. É uma raiva que me impediu de me afundar quando me vi sozinho depois de anos, e com uma bebê para cuidar. Eu sinto raiva da Nora por ter feito o que fez com ela mesma, e nem mesmo a morte a tornou uma santa aos meus olhos. A minha vida mudou muito, porque tenho um ser indefeso nela, e não posso jamais me esquecer desse fato, não como a mãe dela fez quando só pensou em si mesma, mesmo durante a gestação ao se lamentar de uma escolha que tinha sido dela. - Porra! - Bato no volante quando tenho que parar em mais um sinal vermelho. Estou tão perto de casa... Esqueci das fraldas, mas tenho certeza de que ainda tem algumas no último pacote, e que dá para esperar até amanhã. O plano é tomar um banho rápido e correr, literalmente, para o apartamento dos meus pais, que deixaram a casa que viviam para ficar perto de mim. Eles têm me ajudado tanto que nem em um milhão de anos poderia agradecer o suficiente. - Como ela está, papai? - com o fone no ouvido, falo ao celular com o meu velho, enquanto o carro está parado. - Está dormindo? - Ela está bem acordada e chorando. Deve sentir falta do pai - ouço. - Sem dramas, senhor Martelli. São sete e meia da noite, portanto, trinta minutos além do horário que ela costuma me ver. E não é como se uma bebê de seis meses entendesse alguma coisa - falo, de olho no painel do carro, mas algo à esquerda chama a minha atenção. O meu pai começa a falar alguma coisa, mas não ouço. Hoje a noite está fria, muito fria. Não tem ninguém andando na rua, exceto uma garota sentada no meio-fio, abraçando os joelhos e com a cabeça apoiada neles. Ela não veste um casaco sequer, e não se importa de estar mostrando não só as pernas alvas, mas também a calcinha por vestir uma saia tão curta. Tudo na cena está errado. Eu deveria ignorá-la e seguir o meu caminho, pois tenho problemas demais, e essa garota não precisa ser um deles. Você pode me perguntar como sei que é uma garota, e a resposta é bem óbvia: enquanto chora compulsivamente, os cabelos são espalhados pelo vento. - Papai, em breve estarei em casa. Segure as pontas, por favor - peço, e termino a ligação. Um carro buzina para mim, eu olho para cima e percebo que o sinal abriu. Sigo o meu caminho, ainda incerto do que fazer, mas, no fim, acabo dando a volta e parando com o veículo perto de onde a garota está. Sou um babaca que poderia apenas ir embora, mas, mesmo que pouco, ainda tenho algum senso de decência. Aproximo-me com cuidado, mas acredito que não me perceberia perto dela nem se eu fosse um elefante. - Ei, menina, não acha que está frio demais para você estar na rua? - falo da melhor maneira que posso, recebo o silêncio em troca. - Você não tem casa? É uma mendiga? - Assim que pergunto, concluo que não. Ela parece ser linda, está razoavelmente arrumada, e cheira bem demais. Como insiste em não se mexer, me agacho na sua frente e, com calma, levanto o seu queixo. Quando o seu rosto banhado por lágrimas me encara, sinto como se tivesse levado um soco na cara, pois, diante de mim, estão os olhos mais lindos que já vi. - Você sabe falar? - A menina, sim, é quase uma criança, continua muda. - Está muito frio e isso pode te matar. Quer vir comigo? O que eu estou fazendo, porra?! Não posso levar uma desconhecida para dentro da minha casa. E ela não pode aceitar isso. Eu poderia ser um aproveitador com a intenção de fazer coisas muito ruins. Mas eu não recuo. E ela também não, pois não faz nada quando pego sua mão, ajudo-a a se levantar e levo para o meu carro. As suas mãos e braços estão tão gelados que me causam arrepios. Eu não havia dito que o dia estava estranho?
RAFAEL
Antes de me casar há sete anos, eu estava acostumado a levar estranhas para o meu apartamento. Antes de sair da casa dos meus pais, eu entrava escondido com garotas no meu quarto. Uma garota que peguei na rua, sem qualquer intenção de transar com ela, é uma novidade.
Ela veio o caminho todo em silêncio. Abraçando o próprio corpo, enquanto olhava pela janela. Agora que estamos entrando em casa, a garota está bem. Alguns minutos com o aquecedor do carro ligado fizeram maravilhas e descongelaram os seus ossos.
Muda, ela anda devagar, olhando para tudo, mas não demonstra qualquer emoção que não seja a tristeza e o abatimento que já estava sentindo antes de a pegar e trazê-la comigo.
O que vou fazer com essa menina? Não faço a menor ideia. Posso ter me metido em problemas, mas não posso voltar atrás e chutá-la daqui neste momento. Para onde iria?
Não deveria ser da minha conta, mas, estranhamente, sinto que é.
- Sente-se, por favor - indico o sofá e a menina obedece. - Vou pegar algo para você.
Antes de sumir pelo corredor, olho para trás, para a figura que não se move, apesar de os olhos inchados estarem secos. Não deixo de notar que ela não tem nada consigo. Não existe uma bolsa, um aparelho celular com um número para alguém que possa ligar.
Ao retornar, aproximo-me do sofá e coloco a coberta que uso todas as noites para me cobrir em cima dos seus ombros. Pelo menos ela se move para envolver o tecido quente no seu corpo.
- Por que você fez isso? - pergunta. O tom baixo de sua voz é bonito e me atinge de uma forma estranha, que prefiro não analisar no momento.
- Isso o quê? - rebato ao me sentar ao seu lado, mas não muito perto.
Antes que a garota tenha tempo para falar algo, o meu celular vibra em cima da mesa de centro, onde o deixei antes de ir para o quarto. Não preciso olhar o visor antes para ter certeza de que se trata de um dos meus pais.
Eles não se importam de ficar com a neta, não na maior parte do tempo. Toda a insistência é porque querem me dar uma lição para que eu seja um pai melhor. Acreditam que isso vai acontecer se eu passar todo o tempo possível com a minha boneca.
No fim de semana, ela fica comigo em tempo integral e eles não dão as caras por aqui. Nem mesmo para saberem se estamos bem.
- Eu preciso ir ao apartamento do andar de baixo... - digo incerto ao me levantar. - Tenho que buscar a minha bebê na casa dos meus pais.
Eu deveria estar dando informações da minha vida para uma estranha que peguei na rua?
Não! Mas errado por errado, eu nem deveria tê-la trazido para casa. E não posso nem culpar a cabeça do meu pau, que já me colocou em confusões gigantes, considerando que não tive nem a oportunidade de olhar direito para ela. Não que fosse mudar algo, porque é só uma criança magrela.
- Você não tem medo de eu furtar coisas do seu apartamento e fugir? - A voz é um sussurro.
- Está pensando em fazer isso?
- Não - responde sem me encarar.
- Então, vou confiar em você. Depois que eu voltar, a gente pode conversar, e vou deixar você ir embora - afirmo, e não espero por resposta antes de sair.
Não posso mais esperar, senão é capaz de os meus velhos virem até o meu apartamento, e eu não saberia como explicar a presença da garota.
A minha esposa morreu não tem nem seis meses, nem eles, que me conhecem melhor do que ninguém, esperam que eu tenha outra mulher tão cedo.
Ninguém precisa saber que transei há duas semanas, em uma noite que o meu dia de trabalho havia sido muito ruim. Peguei a mulher em um bar e não me lembrei que precisava guardar luto enquanto metia no seu cu. Naquela noite, eu não queria saber de bocetas. Precisava de algo mais apertado e pervertido, como o cuzinho de uma mulher gostosa.
- Que bom que deu o ar da graça, filho - Dona Santana começa assim que abre a porta.
Eu entro, olho para o sofá e me deparo com o meu velho André com o pacotinho pequeno em cima do seu peito. Ele ama mimar a neta, que está ficando manhosa e sempre chora quando não está nos braços de alguém.
- Houve um atraso no trabalho - minto, mas sei que não teriam coragem de perguntar de que tipo de atraso eu estou falando.
Os meus pais são como quaisquer outros. Eles já eram um casal de classe média quando eu nasci. Tinham casa própria, carro e uma vida razoavelmente boa. O meu pai era um excelente corretor de imóveis. Quando eu me formei no colegial e tive que fazer escolhas, optei pelo curso de cinema, que o senhor André financiou grande parte com prazer.
Além de ter nascido com os bons genes da beleza, sempre fui um garoto extrovertido e comunicativo. De maneira natural, só pensei no futuro cheio do dinheiro, e rodeado de mulheres, que eu poderia ter ao cursar cinema e me tornar um bom ator, ou diretor.
Ah, os pensamentos de um jovem idiota e cheio de hormônios de dezenove anos...
- Você não pode esquecer da sua filha. Ela precisa do pai, mesmo que tenha o amor dos avós - Santana vem atrás de mim, enquanto pego a minha bebê nos braços.
- Hoje não, mãe. Eu estou com pressa...
- Pressa para quê?
Porra!
- Querida, dê um tempo para o nosso filho. Ele acabou de ficar viúvo, você está o pressionando demais.
Obrigada, pai!
- Tudo bem, já entendi que os homens se uniram contra mim - dramática, a senhora de sessenta e um anos, ainda jovem para a idade, joga as mãos para o alto e se encaminha para a cozinha.
- Eu tenho que ir, seu André, antes que a mamãe volte e recomece - falo brincando, e pego a Lia em meus braços.
- Filho, não é porque te dei uma colher de chá que não concordo com as coisas que a sua mãe falou.
- Eu vou melhorar, prometo - falo ao pegar a bolsa da Lia, e não saio antes de dar um beijo na sua cabeça. - Estou indo, mamãe - falo alto para que me escute da cozinha. - Amanhã cedo eu trago a neta de vocês de volta - sigo na direção da porta, preocupado de chegar em casa logo para lidar com a criança que deixei lá.
- Arrume logo uma babá - papai fala, antes que eu feche a porta.
- Prometo que, em breve, eu e essa boneca aqui vamos dar um pouco de descanso e paz para vocês - assevero e fecho a porta atrás de mim.
- E você, menininha? Sentiu saudade do papai? - faço uma voz ridícula dentro do elevador, que sobe para o sexto andar. - Eu senti a sua falta, porque embora o pai não fique tanto tempo com você, ele te ama muito - declaro. - Você é o grande amor da minha vida - sussurro, apesar de não saber o porquê, já que estamos sozinhos.
**
Ao entrar no apartamento, a garota ainda está no mesmo lugar em que a deixei, mas dorme como um anjo encolhida no sofá, toda enrolada no cobertor que entreguei antes de ir buscar a minha filha.
Agradeço que esteja assim, pois posso tomar um banho e parar para respirar um pouco, antes de lidar com ela.
- Vamos, meu amor. O pai vai fazer a sua mamadeira e depois você irá dormir, está bem? - falo baixo e posso jurar que estou vendo um sorriso.
Nos próximos minutos, depois de colocá-la na cadeirinha de bebê perto de mim, preparo o seu leite, deixo esfriar e por fim alimento-a. Antes mesmo de terminar o leite, Lia fecha os olhinhos e dorme.
Como a menina doce que é, provavelmente irá dormir a noite inteira e vai acordar bem cedinho para tomar mais uma mamadeira. Não preciso mais de despertador, pois não tem outro igual a minha menina, que chega a ser pontual na hora de me despertar.
Depois que a deito no berço que foi montado ao lado da minha cama, apesar de deixar que durma ao meu lado na cama quase todas as noites, assim tenho a sensação de que mais perto posso protegê-la melhor, livro-me das minhas roupas e parto para o banho.
A água e o sabonete escorrendo pelo meu corpo me dão a sensação de que além de estar levando para o ralo o suor de um dia inteiro, também leva embora o cansaço.
Não posso impedir que os meus pensamentos corram para o sofá da sala e, de repente, começo a me sentir ansioso com a presença da garota na minha casa. Quero ouvi-la e entender o que a levou àquele estado em que a encontrei.
Passa das oito da noite quando volto para a sala com a intenção de resolver a situação com a menina, mas o meu corpo tem outros planos. O meu estômago ronca, lembrando-me que a última refeição que fiz foi na hora do almoço.
Na cozinha, faço comida suficiente para duas pessoas, imaginando que a moça irá acordar cheia de fome e não quero que vá embora daqui me deixando com a consciência pesada, imaginando que foi para sabe Deus onde com fome. Se fizesse isso, não conseguiria dormir.
É isso, ela vai comer e depois ir embora. Não pode ficar aqui como um animalzinho abandonado que peguei na rua.
O prato é macarrão à bolonhesa com salada, e o fato de ter preparado uma receita mais "pesada" não foi um acaso. Ela vai precisar de "sustança".
Aí você pode se questionar se no fundo não tenho uma alma boa, um bom samaritano, mas não se engane, porque não sou nada disso.
É só que... Eu não deveria pensar assim, não deveria!
Apesar de não ser um animalzinho abandonado, ela parece com um. E que pessoa vira as costas para algo assim? Nem eu faria isso.
Após desligar o fogo e preparar os pratos em cima da bancada americana, volto a dedicar minha atenção para a moça. Primeiro a observo em pé por um tempo, depois me sento no espaço do sofá verde musgo onde está dormindo.
E por mais que eu saiba o que devo fazer, sinto pena de acordá-la agora, então decido esperar mais um pouco sem, no entanto, dar espaço para ela. Fico onde estou. Os meus olhos passeiam pelo seu corpo, que não posso ver muito, porque está coberto com o lençol.
Ela é magra demais, pequena demais e... linda demais.
Não vá por esse lado, seu fodido!
Recrimino a mim mesmo. Não que estejam passando ideias erradas pela minha cabeça, mas só o fato de a achar linda já é problemático,
Eu sou um viúvo de quarenta e dois anos e ela deve estar na fase no primeiro namoradinho. Só de olhar para ela assim, fica claro que, independente da idade exata que tem, poderia ser a minha filha.
Ao jogar a cabeça para trás no encosto do sofá, sinto o movimento ao meu lado e viro a cabeça tão rápido que sinto uma leve vertigem. Ajeito a minha postura e a desconhecida está se sentando enquanto coça os olhos sonolentos. Assim que termina, vejo o seu corpo, antes relaxado, ficando tenso.
Os olhos ainda são lindos como me lembrava, e estão assustados agora.
- Apenas respire profundamente e tente se lembrar de onde está. - Ela balança a cabeça lentamente, respondendo a mim mais do que fez antes com o simples gesto.
Mas o meu pedido não deixa de ser meio estranho, afinal, ela não sabe onde está. Lembrar do fato pode assustá-la ainda mais.
A sua expressão deixa de ser de medo, então presumo que a névoa do sono esteja passando. O medo é rapidamente substituído pela tristeza.
- Eu não pretendo ser mau com você.
A menos que me peça, uma voz sacana sussurra no meu ouvido e faz os meus olhos caírem no seu colo, um pouco acima dos peitos.
O cobertor escorregou pelos seus ombros, e agora que estou mais calmo, não deixo de notar que ela tem peitos. Peitos pequenos, mas que parecem firmes e suculentos por baixo da blusa preta que veste.
O que foi? Eu sou um homem cheio de virilidade. E até que tenha certeza, prefiro pensar que não é uma adolescente, apesar de jovem.
- Eu sei que não - murmura baixo sem jeito, e olha dentro dos meus olhos de um jeito que não fez antes.
Também a olho e, por milésimos segundos, rola uma tensão e um clima estranho entre a gente.
- Está com fome? Pensei em te convidar para jantar comigo antes que vá embora - convido, ao mesmo tempo em que deixo claro que a quero fora da minha casa o mais rápido possível.
O seu olhar escurece quando falo sobre a sua partida, mas a menina não diz nada. Mas o que ela esperava, porra?!
Eu a peguei na rua e nós não nos conhecemos. É um risco que a tenha trazido para o mesmo ambiente que a minha filha. Mas ela foi o último dos meus pensamentos quando me comovi com a cena da gatinha abandonada no frio.
- Venha para a bancada. O nosso jantar já deve estar esfriando - digo. Aponto o caminho e deixo que vá na minha frente.
Os meus olhos desobedientes descem mais do que deveriam para a parte sul do seu corpo. Além de impressionantes olhos azuis, rosto de menina inocente e cabelos escuros e longos, a porra da garota tem uma bundinha que parece ser linda e empinada sob a saia jeans.
Enquanto o meu pau lembra que tem vida e tenta dar boas-vindas para a visita, todos os motivos que fazem dessa uma péssima ideia somem. Não lembro que não sei nem mesmo o seu nome. Que é jovem demais e que deve ter passado por algo muito ruim para não ter se importado de ficar ao relento na noite gelada.
A cabeça que pensa agora é a do meu pau, e ele não me impede de imaginar cenas sujas que não deveriam estar aqui.
Inferno!
No mesmo instante, ela me olha por cima do ombro. Será que pensei alto demais?
Tudo bem, hora de alimentar a gost... a menina e mandá-la embora em seguida. Não me importa para onde vai, afinal, não sou o seu pai, ou algo do tipo.
Nos sentamos lado a lado, e pela forma como devora o prato que fiz para ela, está há horas sem comer. A curiosidade é imensa, mas não pergunto nada até sentir que comeu o bastante. Eu estou engolindo a massa sem sentir o gosto, mais ocupado em ficar de olho na moça.
- Pode me falar o seu nome? - Finalmente pergunto.
- Alexia Luna - diz.
- Luna é um sobrenome?
- É, sim. - Ela nem imagina o que uma resposta simples como essa pode significar para um homem como eu.
- Você é daqui de São Paulo mesmo? - Vou mais a fundo nos questionamentos e, dessa vez, a menina não abre a boca. - Quer mais? - A sua resposta é um aceno positivo com a cabeça.
Em questão de cinco minutos, acaba de devorar o segundo prato de macarrão. Ela é um dragãozinho, mas só no que se refere ao apetite, pois no resto não poderia ser mais linda.
Eu me pergunto o que pode ter abalado dessa forma uma garota jovem e bela como ela.
- Por que estava na rua no frio que está fazendo hoje? Você correu perigo.
Mais uma pergunta não sendo respondida. Essa brincadeira está começando a me irritar. Porra de garota estranha!
- Eu te trouxe para a minha casa sem nunca ter te visto, mesmo que devesse ter passado e te deixado lá, como muitos fizeram antes de mim, mas fui idiota o suficiente e arrisquei. Não acha que no mínimo me deve uma resposta? - falo de maneira direta, fazendo a última tentativa.
Depois disso, posso pedir para que parta, sabendo que fui um bom homem, e que tenho uma vaga garantida no andar de cima.
- Eu não... - ela estava de cabeça baixa, e quando a levanta e me encara, os seus olhos estão cheios de lágrimas.
Merda!
Isso é como um tapa na minha cara. Uma voz grita nos meus ouvidos que essa menina não deveria chorar. Nunca.
- Está tudo bem. Se não quer falar nada, se isso te faz sofrer, não fale. Mas preciso que você saia da minha casa.
Se antes estava quase chorando, agora as lágrimas estão rolando de verdade. Pior ainda, ela sai do lugar e me abraça pelo pescoço.
Fico dividido sobre o que pensar e sentir neste momento totalmente sem sentido, que nem em um milhão sonharia viver.
A minha mente grita: Ela surtou!
O meu corpo responde: Ela tem um corpo quente, cheiroso e gostoso para ser abraçado. Os meus braços estão soltos porque não sei o que fazer com eles.
O meu coração está saltando, prefiro acreditar que é pelo susto, mas o seu também está.
Quando se afasta minimamente para me olhar de perto, acaba dizendo mais do que duas palavras.
- Deixe-me ficar aqui hoje. Só hoje? Eu não tenho para onde ir.
Mas essa menina perdeu completamente a noção da realidade!
Ou será que essa é a sua tentativa de me manipular com um corpinho gostoso e rosto perfeito?