Mathews
Ansiedade para noite de núpcias me toma, quem imaginaria que o patinho feio se casaria com a bela Vanessa Casteli, claro que quando meus pais chegaram com a proposta de nos unir em um casamento eu aceitei na hora, sempre fui apaixonado por Vanessa, ela, por outro lado sempre me ignorou, mas é claro a rainha da escola não se mistura com o nerd, mas o destino interferiu e nossos pais decidiram unir a fortuna ao invés de separá-los.
- Matthews tem certeza disso filho? - Minha mãe fala arrumando minha gravata.
- A nossa união será benéfica para todos.
- Para eles, não para nós temos 60% das ações se eles aceitassem vender a parte deles não estaríamos passando por isso.
- Sr° Casteli vende os outros 40% para a concorrência, mas não vende para nós.
- Mas é claro ele quer colocar a filha dele em nossa casa para poder ter direito aos 50% não sei porque seu pai acredita que essa menina não pedirá o divórcio assim que o prazo de dez anos acabar.
- Dez anos é muito tempo até lá já teremos um ou dois filhos e de qualquer maneira teremos os 100% no nome dos Belmonte.
- Seu pai entrou em sua cabeça. - Minha mãe fala chorosa, para ela minha pouca idade me faz ser um estupido, o que ela não sabe é que desde dos meus doze anos quando coloquei meus olhos na figura pequena de longos cabelos loiros eu soube que me casaria com ela. Para mim esse é o jeito mais fácil de chegar ao meu objetivo.
- Vanessa é uma boa escolha e uma hora eu teria que me casar, e como a senhora bem disse uma vez, nós os herdeiros não temos o luxo de nos casar por amor, o que podemos fazer é aprender amar quem nos dá alguma vantagem politicamente ou economicamente.
- Eu estava aconselhando uma amiga, não devia ter ouvido por trás da porta. - Ela fala mal-humorada. - Até porque não vejo onde essa garotinha irá nos ser útil, se seu pai não fosse tão apegado a essa empresa eu mesmo venderia tudo.
- Foi a primeira empresa que ele tomou posse, por isso ele se sente tão apegado. - Minha mãe revira os olhos.
- Quero deixar bem claro minha desaprovação, depois não venha reclamar de sua esposa para mim.
- Combinado mamãe.
Vanessa estava linda, seus cabelos loiros estavam presos e uma linda coroa pairava em sua cabeça, seu vestido estava esvoaçante e cheio, ela parecia uma fada adentrando na igreja, seus olhos azuis como oceanos estavam chorosos imagino que a emoção a tomou.
Vanessa
O medo me toma, como eu poderia simplesmente me casar com Matthews? O garoto é simplesmente o ser mais feio do universo, seus cabelos cacheados sempre despenteados não era nada comparado com seu rosto cheio de espinhas, ele sempre foi a piada da escola, e agora eu sou obrigada a me casar com esse garoto.
- Precisa parar de chorar Vanessa, por mais que maquiagem seja à prova d'água, tudo tem limites. - Minha mãe fala já impaciente.
- Ainda podemos desistir, por favor mamãe não me obrigue a me casar com aquele ogro.
- Sem esse casamento estaremos em ruína, os Belmonte ainda não sabem que o imprestável do seu pai deixou a empresa depenada e foi embora deixando nós na ruína.
- Mais podemos vender os 40%....
- Quando eles descobrirem o arrombo que seu pai deu, vão fazer a conta e ver que nem 40% temos mais.
- Mamãe eu o odeio, não quero me casar.
- Pense assim, ele é bobo vai conseguir o que quiser dele e não irá precisar trocar seu padrão de vida, pelo contrário irá elevá-lo Belmonte são bilionários.
- Dinheiro no mundo vale ficar presa a ele por dez anos. - Falei colocando por fim a coroa
- Um dia irá me agradecer por ter lhe dado essa oportunidade. - Minha mãe fala jogando seus cabelos trançados para trás. - Mas lembre-se precisa está grávida antes do natal, eles não irão expulsá-la da família se estiver esperando um neto deles.
E com essas palavras ela se vira, minha mãe é como meu pai, o dinheiro importa mais do que qualquer coisa. Sr° Belmonte me segurava pelos braços, ocupando a posição que é do meu pai, claro algo também pensando por minha mãe, acha que o homem se sentirá feliz em levar a nora no altar. Mas o pior de todo esse circo é olhar para Matthews e seu sorriso falso, ele deve ta odiando isso tanto quanto eu, mas ao invés de se negar e dizer aos seus pais em como isso é um absurdo, ele fica com essa cara de paisagem e deixando eles tomarem conta de nossas vidas. O que não entendo é o que levou ele a concordar com isso, ao contrário da minha vida a dele estava garantida por pelo menos mais dez gerações.
Algumas horas depois
Fugindo o máximo que pude de Mathews, ele teve a decência de me dar um beijo casto na testa no momento "beije a noiva", mas duvido que irá se comportar tão bem assim quando estivermos a sós. Não trocamos muitas palavras, até porque as pessoas sempre estavam à nossa volta, mas ele parecia mais confortável do que eu com esse casamento. Mas é claro, a única maneira dele ter alguém como eu com ele é sendo comprada pelos seus pais e dada de presentes para ele, e ele sabe disso sabe que nunca teria a minha atenção.
Quando finalmente consegui tirar o vestido vi que minha mãe tinha deixado apenas uma camisola em uma bolsa para mim e uma calcinha escandalosa até para uma prostituta. Respirei fundo, tomei meu banho, ele ainda não tinha subido, estava entretido com os convidados e quando chegasse eu estaria dormindo e eu conseguiria me livrar de suas garras essa noite.
- Posso entrar. - Ele deu três batidinhas nas portas, corri para cama para me cobrir e fingir estar dormindo, mas ele abriu a porta assim que me deitei. - Já irá dormir?
- Sim, estou muito cansada. - Falei cobrindo minha boca com a mão. - E você onde irá dormir?
- Onde irei dormir? - Ele sorriu. - Aqui, óbvio, somos casados agora.
- Pensei que hoje não seria um bom dia. - Ele se aproximou tirando o smoke e senti meu corpo estremecer e quando dei por mim eu estava chorando. - Por favor não me toque!
- Está com medo? - Ele se afasta. - Tem medo de mim?
- Eu não te amo Matthews, nossos pais armaram isso, sabe que amo Bento, ele era meu nomorado antes disso tudo....
- Então, porque aceitou isso?-Ele perguntou confuso.
- Porque esse casamento é a única coisa que pode salvar minha família da falência. - Ele parece então entender o que digo.
- Acha que um dia poderá me amar Vanessa? - Balancei minha cabeça em uma negativa, o simples fato de pensar nele me tocando me apavora.
- Mas precisa manter o casamento, porque precisa do dinheiro? - Ele pergunta de maneira calma.
- Me desculpa, amo Bento, isso foi um grande erro.
- Um erro. - Ele repete, e então ele ajeita o smoke em seu corpo. - Não se preocupe, pode continuar com sua farsa, prometo que não irei tocá-la ao menos que me peça.
- Não pedirá o divorcio pedirá! - Falo enquanto ele abre a porta para ir embora.
- Não, se preocupe com isso.
E assim ele se foi me deixando aliviada por conseguir me livrar da noite de núpcias.
9 anos e sete meses depois.
Porque Matthews precisava se esconder nesse fim de mundo eu não sei, mas após ignorar todos os meus advogados, eu decidi que eu mesma conseguirei aquela assinatura. A placar bem-vindo a Cordonelia estava cheia de lama, imagino que o prefeito nem se dá ao trabalho de melhorar a aparência do lugar para os turistas. Meus advogados me informaram que Matthews é sócio de uma empresa de construção aqui, é apenas isso o segura aqui, mas para um bilionário uma empresa de construção é troco de bala, não faz sentido Matthews a esconder aqui, ao menos que tenha mulher no meio.
Parei meu carro de frente ao rancho onde dizem que Matthews mora, vejo de longe uma casa grande e muito moderna para a região, havia apenas uma porteira, mas não havia ninguém para abri-la, olhei para os meus pés e o scarpin da gucci não merece ter esse tratamento. Mas minha outra opção é descer descalço, ou esperar alguém ver meu carro e abrir, mas isso pode demorar horas, e pretendo sair dessa cidade o mais rápido possível, preciso apenas da assinatura de Matthews, com os papéis em mãos eu nunca mais precisarei vê-lo. E sacrificar um gucci por isso é necessário, puxei o ar e abri a porta, mas recolhi meus pés, o fim daquele ícone é um sacrifício doloroso demais, fechei os olhos e decidi que era insuportável demais para mim, o chão estava lamacento, imagino que devido à chuva de ontem, então decidir que prefiro ficar com os pés cheios de lama a estragar essa obra de artes que está em meus pés e se não fosse tão raro de se encontrar esse modelo eu abriria mão dele com mais facilidade.
Coloquei meus pés no chão lamacento, o toque gelado e nojento me fez querer correr de volta pro carro, mas não o fiz, respirei fundo, não era o caminho é curto, e por sorte escolhi vir de vestido na medida do joelho, imagino o estrago que essa lama não faria. Retirar o pino da porteira, direi a Mathews que ele deve ao menos contratar alguém para isso, onde já se viu as visitas ter que fazer esse tipo de trabalho? E não é como se ele estivesse indo à falência, pelo que fiquei sabendo ele construiu sua própria fortuna e acredito que isso que mais enfureceu seu pai, Matthews se negou a aceitar o dinheiro da sua família, deixando claro que seus rendimentos devem vir direto para mim, algo que devo admitir foi muito bem-vindo já que meu pai nos deixou na miséria e devendo a todos.
Olhei para os meus pés, a lama estava até meus tornozelos, voltar a ver Matthews dessa maneira é no mínimo humilhante. Mas nada vai me atrapalhar, eu vou voltar com assinatura dele e por fim vou me livrar dos Belmontes de uma vez por todas, ao menos das comemorações anuais, porque Matthews me largou com família louca e controladora dele, e minha mãe simplesmente tinha dificuldade de dizer não aos convites.
" Você é o mais próximo de uma filha que eles têm, seu marido não dá as caras anos, e o melhor é que agrade seus sogros"
A mesma ladainha todos os anos, e eu preferia ir do que ouvir minha mãe reclamando no meu ouvido.
" Eles que te bancam Vanessa se não fosse o dinheiro deles onde você estaria?"
Há eu estaria em paz, porque carregar o sobrenome deles era um peso enorme, o dinheiro tem suas responsabilidades, e quando Matthews se foi todas as deles caíram sobre mim, fora ter virado a chacota da sociedade após saberem que fui abandonada na noite de núpcias.
"O casamento foi consumado?"
Foi a primeira pergunta que precisei responder quando seus pais perceberam que o filho não voltaria, e eu confirmei com a cabeça, a mentira se mantém até hoje, eles esperam ansiosos por minha menstruação, a esperança de um herdeiro era algo que os mantinham esperançosos como se eu fosse uma viúva. Não sei ao certo porque eles mesmo não foram atrás de Matthews, nunca entendi o que mantinha os Belmontes tão calmos, eles agiam como se Matthews estivesse morto, e eu não fiz questão de revivê-lo até um ano atrás. O contrato diz dez anos e se em dez anos não tivemos filhos a empresa será dividida igualmente para ambos, e com 50% da maior empresa de cosmético do país, a minha vida está feita e eu não vou precisar casar com nenhum velho rico para manter o meu padrão de vida, e não terei mais o peso do sobrenome dos Belmontes.
Dirigir até a entrada da casa, alguns dos peões apareceram, um senhor baixinho e já de idade avançada se aproxima do meu carro, ele tira o chapéu quando se aproxima.
- Boa tarde moça! - Ele fala de maneira cordial. - Essa propriedade é dos (Oliveiras), a senhorita deve ter errado a porteira.
- Oliveiras? - Algum advogado falou esse sobrenome tão comum.
- Sim, a não ser que seja amiga da menina Leila, essas que ela fez em Paris....
Ele sorriu, parecendo que entendeu tudo e então deu de ombros.
- É amiga de Leila?
- Na verdade, eu busco por Matthews. - O homem abre um sorriso.
- Há sim, o menino Mathews está lá dentro, venha comigo, a família toda está reunida hoje. - O homem fala de bom humor, achei sua abordagem calorosa e pouco profissional, já que ele estava me levando para casa sem nem ao menos perguntar meu nome, então olha para os meus pés. - Mil perdões, eu que fico na porteira, mas como não esperávamos visitas, decidimos almoçar cedo, estava com fome sabe, e o menino que troca comigo, está doente.
- Não tem problemas, se tiver um lugar para ....
E ele já estava batendo na porta.
- Alguém irá atendê-la, eu vou cuidar das minhas coisas. - Ele estende sua mão suja para mim, me senti constrangida de não pegar e então estendi a minha rezando que tenha algum lugar para poder lavar a mão depressa.
A porta se abriu e uma mulher exuberante abriu, ela parece que saiu de alguma capa de revista, ela sorrir, seus cabelos negros caem sobre seu ombro, seus olhos são de um verde vivo.
- Como posso ajudá-la? - Olhei para meus pés, eu não poderia aparecer assim, não quando Matthews está com uma mulher dessa, me senti constrangida, mas também não posso sair dali sem sua assinatura.
- Eu poderia falar com Matthews Belmonte ? - A mulher me olha pensativa e então sorri.
- Então esse é sobrenome daquele cretino, pode entrar talvez possa nos dizer alguma verdade sobre esse mentiroso. - Ela abre mais a porta e quando caminho um pouco pelo corredor me deparei com uma sala cheia de gente, puxei o ar e arrumei minha postura, não é uma lama nos pés que vai me fazer perder a classe.
- Vanessa?! - Matthews pergunta confuso, posso sentir o choque em seus olhos.
- Mudei tanto assim? - Ele tinha mudado muito, agora estava com músculos e seus cabelos que antes eram rebeldes, estavam devidamente penteados, Matthews agora é um homem, e está longe da aparência do moleque que me abandonou a nove anos atrás.. - Me perdoem por interromper essa reunião de família, mas soube que meu marido estava aqui.
Matthews
Hoje teremos o almoço em família do domingo, o que gosto da Família Oliveira são essas coisas, eles arrumam desculpas para se verem, não existe qualquer necessidade de todos se reunirem aos domingos, mas todos sempre estão aqui, e como eu os adotei como família sempre sou bem-vindo, mas a verdade é que praticamente mora aqui, gosto de ser mimado por dona Suzane e por seu Aurélio, os dois ficaram com a síndrome do ninho vazio quando os garotos seguiram seus caminhos e eu fiquei aqui recebendo todo o amor e carinho que eles tem para dá, bem que agora com a chegada dos netos eles têm sido uns pais um tanto descuidados, mas os perdoou porque Marquinho e Maya são duas crianças maravilhosas, e Marquinho é meu afilhado. Eu aprendi a amar essa família desde que Marcos me trouxe aqui, eles não se importam em perguntar nada, simplesmente me aceitaram como amigo de Marcos e se ele confiava em mim, eles confiavam, algo que nunca aconteceria em minha família, temos que duvidar de todos e de qualquer um, quando se tem tanto dinheiro as pessoas são falsas e ambiciosas, e capazes de tudo para tirar um pedaço do que você tem.
Eu percebi o quanto isso era real quando vi o que os pais de Vanessa foram capaz de fazer, e tudo apenas por dinheiro, o olhar amedrontado dela, naquela noite, o medo evidente de ter que se deitar com alguém que ela não amava, me fez ver o quanto podre pode ser a sociedade. Eles a embrulham e me deram sua filha apenas para não perder o status, mas acredito que a pior parte de tudo foi depois perceber que Vanessa era como eles, ela permaneceu em seu status de esposa abandonada, utilizando meu nome é meu status para se sobressair.
Olhei para a escrivaninha o pedido de divórcio de seu advogado e junto a ele um bilhete. Em nove anos foi como se eu nunca tivesse insistido para ela, mas perto de acabar o contrato rapidamente ela achou o caminho até mim. É para ri, se ela acha que vai se livrar de mim tão fácil assim e ficar com o dinheiro e com a possibilidade de ser casar com qualquer idiota rico que ela achar, está muito enganada, ela quis meu nome não foi? Pois, bem, vai ficar com ele até quando eu quiser, pegue o bilhete novamente.
" Não entendo o que tá acontecendo? Apesar do seu abandono eu tenho sido uma boa esposa, sempre mantive seu nome intacto, mas agora que peço que me liberte desse casamento que ambos sabemos não ter fundamento se nega?
Sejamos sinceros, esse arranjo foi apenas uma transição de negócios e agora que temos a possibilidade de nos libertar você se nega, me diga o que quer?
Estou aberta a negociações, ambos sabemos que o fim desse casamento é bom para os dois, espero uma resposta até o final de fevereiro."
Estamos agora no começo de março, e obviamente outra carta deve está chegando, e devo admitir que tenho me divertido com as inúmeras propostas que seus advogados tem me feito, mas o que me intriga ainda mais é a ausência da interferência da minha família. Como Vanessa os convenceu que isso é uma boa ideia? Ainda mais que com o divórcio ela abocanha metade da empresa, meu pai prefere morrer a deixar metade da empresa para filha do infeliz que quase deixou a empresa na miséria. Então a única opção é que eles não saibam e ela esteja fazendo tudo por debaixo dos panos, com toda a certeza isso, ela é uma mulher ardilosa.
Por anos a vida dela me fascinou, nunca mais a encontrei, mas já vi muitas vezes de longe a vi se tornando uma mulher espetacular, meu pai deixou ela trabalhar na empresa e aos poucos ela foi ganhando força e imagino que não foi fácil tendo a fama do pai como sombra.
Escuto uma batida na porta e uma vozinha doce do outro lado me chamar.
"Padrinho abre para mim, por favor"
Abrir a porta para olhar Marquinho, o pequeno entra rápido para o meu quarto.
" Vou me esconder aqui"
Ele fala indo para debaixo da cama, e não demorou muito para Liz vim andando pelo corredor, ela sorrir quando me ver de pé na porta.
- A culpa é sua, ele acha que pode andar por aí se escondendo, já disse para ele que tem momentos que a brincadeira perde a graça. - Liz fala entrando no quarto, eu até tentaria ajudá-lo, mas ele precisa melhorar a performance dele e se continuar assim nunca será tão bom quanto eu.
- Não seja má Liz, irá desmotiva-lo assim. - Ela revirou os olhos.
- Então fica você o dia inteiro procurando por uma criança e depois venha falar comigo. - Ela se abaixa para procurá-lo debaixo da cama.
- Não vale mamãe, não me deixou me esconder direito. - Ele fala saindo obviamente chateado, o pequeno não chega a ter sequer um metro de altura, mas fala tão bem e é tão esperto que se duvida ter apenas dois anos e sete meses.
- Porque não cuida do seu afilhado por um final de semana em? - Liz pergunta obviamente cansada.
- Eu cuido ou você acha que quando ele vem ficar com os avôs eu não estou junto.
- Assim não vale. - Liz fala pegando o menino pelos braços. - Seu tio está trazendo a Maya, você disse que está com saudade dela....
- Vou junto com vocês. - Falei, estou faminto e o cheiro da comida de Leonor tem me torturado amanhã toda.
Desci as escadas e família toda estava reunida, havia uma paz estranha em saber que eles estavam bem, não é como se eu não amasse a família que Deus me deu, mas os (Oliveiras) são tão de verdade, Marquinho correu para perto de Bianca louco para ver a priminha, Marcos estava sentado em uma poltrona tomando uísque, enquanto Luan estava parado admirando sua esposa, Leila logo veio em minha direção.
- Se ficar ouvindo música alta até tarde da noite irei soca-lo. - Ela é a irmã mais nova dos garotos temos apenas cinco anos de diferença, dona Leonor é louca que eu e Leila nos relacionamos e eu me torne membro da família oficialmente, porém Marcos já ameaçou minha vida mais vezes do que posso contar.
- E o que fazia acordada até as 3h da manhã Leila? - Perguntei já sorrindo, ela me olhou irritada.
- Você sabe que te odeio não sabe. - Ela não me odeia, Leila me adotou como irmão assim que eu cheguei e eu adotei como irmã também, algo que deixa sua mãe muito chateada, mas meu coração já estava ocupado quando conheci Leila e o dela também, ambos rejeitados e jogados fora. Mas combinamos nos casar se com quarenta anos não conseguimos ninguém melhor.
- Tem que parar de ser obcecada por mim Leila, já disse que entre nós nada pode acontecer, nada, Marcos me mataria.- Falei rindo e ela me pisa no meu pé com tudo.
- Acha mesmo que quero ficar ouvindo suas músicas de gosto duvidoso? - Ela fala se afastando, Leila é uma mulher de muita personalidade além de linda, um pequeno espetáculo de mulher devo admitir. Seus cabelos cacheados e negros são cheios e ao contrário dos irmãos seus cabelos são negros como de Suzane e tem olhos verdes como uma esmeralda, uma pena ela não conseguir se enxergar.
A campainha tocou e vi Bianca indo atender, caminhei para em direção de Maya ela tem apenas dois meses, não tive coragem de pegá-la no colo ainda, mas Marquinho é um homem bem melhor que eu e estava sentado em um sofá assegurando, Maya quase não cabia em seu colo, Liz precisava segurá-la junto com ele, mas ele sorria para ela. Percebi que alguém entrou com Bianca e virei para ver quem era para a minha completa surpresa é ela.
- Vanessa?! - Ela continua sendo a mulher mais linda que tive o azar de conhecer, seus cabelos loiros estavam soltos, ela usa um vestido vermelho tipo tubinho colado em seu corpo. Mas algo não combinava em nada com ela, estava com os pés sujos de lama.
- Mudei tanto assim? - Ela pergunta sorrindo, ela sabia que não o tempo foi bom e generoso com Vanessa, seus olhos azuis feitos diamantes brilham, havia uma maldade ali tão evidente e tão fascinante, como explicar que ainda sou maluco por essa mulher?- Me perdoem por interromper essa reunião de família, mas soube que meu marido estava aqui.