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A esposa por contrato

A esposa por contrato

Autor: Petite_Fleur
Gênero: Romance
O dia do casamento sempre foi o mais idealizado por uma menina. Imaginar sua entrada mágica na igreja, o vestido de princesa e os enfeites que a adornam para que a deixe ainda mais bela naquele percurso até o grande amor de sua vida, sempre consumiu boa parte de seus dias. Um sonho tão real que era quase possível escutar a marcha nupcial, que deixava ainda mais intensa a conexão de olhar estabelecido com o seu amor. Isabelle sempre desejou isso. Uma brasileira de alma bondosa e amorosa, cresceu rodeada de sorrisos e amor, mesmo com todas as dificuldades que sua família enfrentava. Foi para os Estados Unidos ainda jovem na esperança de realizar seus sonhos, entre eles o maior de todos, mudar a vida de toda a sua família. Ela terá o vestido espetacular de noiva que sempre sonhou, em uma cerimônia e festa digna de seus sonhos. Uma música linda irá embalar o momento de sua entrada, mas diferente de tudo que poderia prever, o olhar que a aguardava do outro lado era frio, assim como aquele casamento por contrato, como seu futuro marido; Owen Brown. Um homem frio e calculista, que diferente dela cresceu em uma casa onde o silêncio e a distância entre seus habitantes predominava. Assim como todo o luxo que só a realeza do petróleo, como são chamados, poderia ter. Ele é frio; Ela é amorosa; Ele é inverno: Ela é verão.
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Capítulo 1 PRIMEIRO CAPÍTULO

ISABELLE NOGUEIRA

Ao sair do banho, seco meu corpo delicadamente com a toalha, passo meu hidratante e só então coloco minhas roupas debaixo. Visto a segunda pele, depois uma calça preta com um tecido que imita couro, uma blusa branca de alcinha e um casaco preto bem grosso por cima.

Antes que Meg, minha melhor amiga e quem divide o apartamento comigo, bata na porta do banheiro, eu deixo o ambiente livre para ela e corro para o meu quarto, preciso terminar de me arrumar.

Paro de frente ao espelho, vendo o quanto a roupa me valorizou. A calça acentuou minha cintura fina, quadril largos e a bunda consideravelmente grande. Posso estar nos Estados Unidos, mas minha maravilhosa genética brasileira jamais permitirá que eu pareça uma americana. Não tenho os cabelos loiros e escorridos, muito menos os olhos azuis como a maioria. Muito pelo contrário, minhas íris são castanhas, as mechas longas, onduladas e escuras feito a noite, contracenando perfeitamente com a minha pele morena.

Pego as minhas coisas de maquiagem, passo um corretivo, um blush, rímel e um protetor labial em meus lábios volumosos. Não estou indo para nenhuma ocasião especial, então o básico da maquiagem já é o suficiente. Calço meu tênis branco, passo meu perfume, confirmo se na pequena bolsa de mão está tudo que preciso e saio do meu quarto.

Deixo a bolsa no braço do sofá e vou direto para a cozinha. Faço um café na máquina e coloco um waffle no forno. Amo quando fazemos na hora, mas é sempre bom comprar esses pré prontos no mercado, facilita no dia a dia. Quando tudo fica pronto, sento-me na bancada que divide a minha cozinha da sala.

Meu coração gela ao ver a carta do consulado exatamente onde a deixei na noite anterior. Ela é um lembrete cruel do motivo de eu ter passado boa parte da madrugada em claro: preciso renovar meu visto e, no momento, não existe um único motivo que faça o governo americano querer me manter aqui.

O apartamento é pequeno, mas aconchegante. Moro em uma cidade vizinha à grande Nova York, então os aluguéis aqui não são tão baratos para ficar escolhendo.

_ Good morning, princess.- Passa por mim, indo em direção a cozinha.

Bom dia, princesa.

_ Dormiu bem?- Tomo um gole do meu café, a acompanhando com o olhar.

Nós nos conhecemos há oito anos atrás, quando fizemos o último ano do ensino médio juntas. Fomos fazer um trabalho em dupla e desde então nunca mais nos separamos. A família dela se tornou a minha aqui nessa terra tão distante da minha. Logicamente já tivemos algumas brigas, mas nada forte o suficiente para nos separar.

Me mudei quando tinha apenas quinze anos. Fiz uma prova e consegui uma bolsa de estudos na cidade que nunca dorme, em uma escola comum, mas com alojamento. Minha família, que sempre me apoiou, se reuniu para fazer esse sonho acontecer. Meu irmão mais velho vendeu sua moto, assim conseguimos comprar a minha passagem. Mamãe comprou algumas roupas e parcelou em doze vezes. Eu também fiz a minha parte, assim que soube que havia passado, trabalhei que nem doida para conseguir juntar um dinheiro. Não foi muito, mas ajudou bastante assim que cheguei.

Sempre fui boa em aprender novos idiomas, acho que tenho facilidade. Então ficar ouvindo muita coisa em inglês me fez ter uma noção gigantesca do idioma, quando cheguei, a própria escola me deu aulas sobre a língua e assim, dentro de pouco tempo, já sabia me comunicar e escrever perfeitamente no meu segundo idioma. Morar aqui fez toda diferença, afinal eu era obrigada a aprender, senão não conseguiria sobreviver aqui.

_ Que nem um anjo, quase que nem acordava hoje.- Suspira.

Mag pega uma xícara de café e se senta na minha frente. Ela é a típica menina loira que vemos nos filmes, só não é rica. Está vestida socialmente, pronta para encarar mais um dia andando para todos os lados, mostrando casas para pessoas que querem comprar ou alugar. Ela trabalha em uma imobiliária.

_ Não sei como você consegue pular o café da manhã.

_ Eu estou tomando café.- Argumenta.

_ Mas não está comendo nada, pode acabar passando mal.

_ Você sempre fala isso e eu nunca passo.- Revira os olhos.- Além do mais, odeio essa refeição, para mim é a que menos faz sentido.

Eu sou uma pessoa que o meu dia só começa após o meu lanche da manhã, já ela pula ele com toda a facilidade do mundo. Isso simplesmente não faz sentido nenhum na minha cabeça.

Dou de ombros, permitindo que o assunto morra. Iniciar uma nova discussão sobre isso não vai nos levar a nada.

_ E aí, preparada?

_ Não.- Deixo os meus ombros caírem em sinal de desânimo.- Se eu pudesse, voltaria para a minha cama e me esconderia debaixo do meu cobertor quentinho.

_ Vai dar certo, amiga.- Segura minha mão em cima da mesa e deixa seu sorriso mais confiante desenhar o seu rosto.

_ As minhas chances são poucas.- Solto um suspiro pesado.

Não sou uma pessoa pessimista, muito pelo contrário. Mas neste momento não me resta outra opção a não ser encarar a realidade.

Meu visto venceu este ano. Na época eu consegui um de estudantes, o que me deu dez anos aqui sem precisar me preocupar com isso. Bem, não era uma preocupação até um mês atrás, quando eu ainda trabalhava na cafeteria e conseguia pagar a mensalidade da faculdade. Mas tudo virou de cabeça para baixo, quando eu fui mandada embora e tive que trancar os estudos.

Estou fazendo a unha de algumas conhecidas e ganhando por isso, o mínimo para conseguir pagar a minha parte das despesas, não cobre a mensalidade.

Depois que tudo isso aconteceu, perdi qualquer motivo para estar aqui. Eu poderia até conseguir o de turista e ter mais três meses para tentar, mas com o novo presidente que é totalmente contra os imigrantes, minhas chances se reduzem drasticamente.

_ Vai sim.- Sorrio de volta, tentando me agarrar a isso com todas as minhas forças.

Capítulo 2 SEGUNDO CAPÍTULO

ISABELLE NOGUEIRA

Com o intuito de me distrair, minha amiga começa a tagarelar sobre o almoço que fomos na casa de seus pais no último final de semana. Bem, ela conseguiu. Rapidamente tomamos o nosso desjejum, escovamos o dente e pegamos o caminho do metrô, que pela graça de Deus é bem pertinho de casa. Ela desceu primeiro e eu em duas estações depois.

Respiro fundo, encarando o prédio alto e imponente. A saliva desceu arranhando a minha garganta e as batidas do meu coração se tornam frenéticas, parece até que vou passar mal.

Ignoro todos esses sinais que me mandam correr para o mais longe daqui, seguro firme na alça da bolsa e adentro o prédio. Dou o meu nome na recepção, entrego a carta que enviaram para o meu endereço, pedindo que eu me apresentasse na data de hoje. Vamos ignorar o fato que me ameaçaram com deportação direta caso eu não viesse.

_ Senhorita Isabelle Nogueira.- Chamam por mim.

Um homem que tem por volta dos seus quarenta anos, um americano comum com a sua barriguinha de chopp, me espera na porta da sala. Fico de pé e no mesmo momento seus olhos, sem nenhum tipo de descrição, viajam pelo meu corpo, avaliando-me como se eu fosse uma mercadoria que ele está prestes a adquirir.

Preciso engolir a seco minha enorme ânsia de vômito que sobe pela minha garganta, junto com a vontade de sair correndo que se instalou no meu coração. Ainda assim, sigo até ele, entro na sala com a certeza de que ele está avaliando as minhas nádegas. Ignoro a horrorosa sensação e me sento na cadeira, ele fecha a porta, dá a volta na mesa e se senta na cadeira à minha frente.

_ Senhorita, aqui está escrito que o seu visto irá vencer daqui a três semanas. Gostaria de saber se têm alguma pretensão de renovar o seu visto ou voltar para o seu país, o Brasil.

Um fato interessante, os americanos amam o Brasil. Apesar de não saberem qual o nosso idioma e nem em qual local do mapa estamos, possuem uma certa admiração pelo nosso país, a felicidade com a qual vivemos e, acima de tudo, os brasileiros. Posso estar sentada em uma mesa com mais cinco mulheres latinas, elas vão falar de suas nacionalidades e isso será rapidamente esquecido quando eu falar a minha.

_ Gostaria de renovar o visto.

_ De trabalho ou estudante?

Essa é a hora que tanto temi... que Deus me defenda.

_ Visitante.

O visto possui uma duração curta de apenas seis meses, mas é o suficiente para conseguir um emprego ou outro motivo que me ajude a continuar morando aqui. Ainda não estou pronta para ir embora.

_ Então não tem nenhum vínculo que possa mantê-la aqui?

_ Ainda não, mas estou participando de um processo seletivo em uma empresa e minha contratação é quase certa.

Minto um pouquinho, na expectativa de tentar melhorar um pouco a minha situação.

_ Isso não é garantia de nada, pode ocorrer algo de errado, quase certo cair por terra.- Mexo as minhas mãos no meu colo, sentindo a ansiedade tomando conta de mim.- Já o visto de visitante, a senhorita precisa retornar ao seu país e tentar conseguir por lá.

_ O que isso significa?

A voz treme ao sair da minha boca, o medo que sinto da resposta é muito grande.

_ A senhorita será deportada daqui a um mês.- Meu coração errou uma batida.- Mas dependendo da nossa relação, algumas dificuldades costumam desaparecer.

Um gosto amargo sobe pela minha boca e preciso de muita determinação para impedir que ele saia. Sinto-me tão indefesa, como se estivesse em uma cova de leões que não comiam há dias e eu sou um pedaço de carne fresca e muito suculenta.

Uma sensação muito parecida com a que senti quando cheguei aqui. Desamparo, tristeza, solidão. Mas tantos anos aqui, me fizeram entender que se eu me demonstrar vulnerável, aí que eles realmente sentem desejo. Por mais que eu esteja com medo, não posso transparecer isso de jeito nenhum, porque senão será aí que as coisas irão piorar para mim.

_ Eu não vou sair como você e antes que pergunte, muito menos para a cama.

_ Por que não? Será muito bom para você duas vezes.

_ Duas?

_ Vai ficar no país que tanto deseja e terá uma noite inesquecível. Garanto que irá gostar, tanto que vai desejar repetir.

_ Eu prefiro voltar para o meu país a ter que me sujeitar ir para cama com alguém como você.

_ Por favor, você não me engana. Sei que só o fato de você ter chegado aqui significa que, anos atrás, aceitou alguma proposta parecida.

_ Você me julgou muito errado.- Fico de pé.

Antes que ele fale mais alguma coisa, saiu pisando duro na sala sem nem sequer olhar para trás. Acabo indo até a estação e pegando o trem no automático, provavelmente por já ter feito isso muitas vezes que meu corpo meio que se auto programou para fazer isso. Sentei na cadeira, apoiei a cabeça na janela e só então as lágrimas começaram a descer pelo meu rosto.

Se eu chegar no Brasil agora, eu vou ter uma certa vantagem no mercado de trabalho por falar inglês de forma tão fluente e ter feito o ensino médio aqui. Mas toda a minha dedicação ao longo desses anos na faculdade não vai ter valido de nada, vai ser como se eu estivesse jogando tudo isso fora. Sem contar do sonho daquela menina tão sonhadora que já fui um dia.

Quando cheguei em casa, tirei o meu tênis e deixei largado no meio do corredor. Normalmente não faço isso, mas nada importa agora. Ligo o aquecedor, tiro o casaco grosso, ficando só de sutiã, pego um pote de sorvete e me jogo debaixo da coberta, me acabando de chorar.

Estou me sentindo humilhada pela proposta nojenta, pelas coisas que fui obrigada a ouvir. Tudo bem que eu já estava ciente que as minhas chances não eram das melhores, mas, de forma alguma, imaginei que algo assim fosse acontecer. Saí de lá humilhada e com um sonho meu destruído.

É isso, o meu sonho acabou!

Capítulo 3 TERCEIRO CAPÍTULO

OWEN BROWN

_Você vai ao jantar hoje?- Minha irmã, Sophia, pergunta do outro lado da linha.

_ Não tenho outra escolha, preciso agradar ao nosso pai.- Reviro os olhos.

Meu querido pai, Jackson, cismou em juntar a família em uma noite de terça feira. Por favor, preste muita atenção na ironia que carrega a palavra querido.

Quem olha de fora até pensa que ele foi um homem carinhoso e que sempre priorizou a sua família. Uma ilusão, nada além. Ele sempre preferiu passar seus dias no trabalho e a noite com as amantes. Nem mesmo quando eu ou minha irmã ficávamos doentes ele dava as caras... nem a nossa mãe. A única vez que pareciamos uma família de verdade era em frente a câmera ou em um algum evento importante da grande sociedade.

_ Tio Mase e família vão?- Soph questiona.

_ Infelizmente.

O irmão mais novo do meu pai, Mase, é um perfeito bajulador. É visível que ele não gosta do irmão de verdade, mas não saí do lado dele, esperando ansiosamente por uma oportunidade, por menor que seja, para tomar o lugar dele na empresa. Quando meu avô morreu, deixou todas as suas ações e a empresa de petróleo e gás para o meu pai, com a condição que ele desse um cargo ao outro filho. O filho mais velho está sempre herdando tudo.

_ Será que ele irá realizar o anúncio hoje?

Meu pai, após trabalhar incansavelmente por longos quarenta anos, decidiu se aposentar. Diz ele que quer descansar, mas eu bem sei que é uma oportunidade para tirar longas férias com as suas amantes. Ele ainda não anunciou quem terá a honra de se sentar na sua cadeira de presidente e receberá uma parte de suas ações, a totalidade apenas quando ele morrer. Ficará com o suficiente para que continue recebendo parte de nossos lucros e dê pequenas opiniões, mas o controle mesmo passará para aquele que ele escolher.

_ Não sei.- Dou de ombros.- É lógico que eu serei o sucessor, sou o primogênito, é meu por direito.

_ Depois vamos a uma balada para comemorar. Agora preciso ir, maninho, até mais tarde.

_ Juízo, te amo.

_ Te vejo daqui a pouquinho, irmão.

Escuto o som de um beijo sendo mandado pelo outro lado da linha, até que ela fica muda. Solto um sorriso, a única pessoa que sou verdadeiramente capaz de amar é a minha irmãzinha, sempre fomos nós dois contra tudo.

Meu segurança bate na porta e eu o permito entrar, ele avisa que o helicóptero está pronto e caminhamos até o heliporto da empresa. Eu trabalho na filial de Nova York, mas a Matriz mesmo fica em Washington DC. Faz sentido que a cidade que respira política americana, seja a mesma que fica a sede principal da maior empresa de petróleo e gás do país, uma das mais influentes do mundo. Política e as grandes empresas andam lado a lado, afinal.

Sento no banco, coloco o fone e fico resolvendo algumas coisas da empresa pelo celular, o que fez com que quase 1h30min de voos passasse em um piscar de olhos. Quando chegamos, participei de uma reunião importante e fui direto para a minha cobertura na cidade, preciso me arrumar para o grande encontro- tortura- familiar que me aguarda.

Coloco duas pedras de gelo e derramo meu maravilhoso Whisky Chivas Regal de 25 anos. Um evento estressante requer uma dose de uma bebida forte e maravilhosa. Seguro o copo e trilho o caminho até a minha suite, tomando o líquido aos poucos. Quando termino, deixo o copo na mesa, vou até o closet e pego uma camisa gola polo preta, uma calça social da mesma cor.

Tomo um delicioso banho de água quente, saindo apenas quando os meus dedos estão enrugados. Coloco as roupas que separei, visto um tênis do mesmo tom e pego o meu relógio favorito, o Louis moinet meteoris. Pego meu celular, coloco no bolso e saio da cobertura, indo direto para a garagem. Adentro a Mc' Laren e saio pelas ruas de Washington, aproveitando para admirar a cidade que tanto amo. Esse lugar respira poder e política, é deslumbrante e intimidante.

Moro em Nova York, mas tenho a minha casa aqui porque minha irmã não quis abandonar a cidade, então já tenho um lugar para ficar quando a visitar ou tiver que encarar essas cenas de família. Sem contar que em breve terei que me mudar, então vai facilitar bastante esse processo.

As ruas de Washington também são um pequeno caos, mas nada que se compare a Nova york. A neve dava os seus primeiros sinais, nos alertando oficialmente da chegada do inverno. E é assim, embalado pela chuva branca que dirijo pelas ruas tão familiar, com um quantidade de seguranças tão significativas que facilmente passaria como um político que acabara de sair de uma reunião importante na casa branca.

Bem, não sou político, mas a influência da minha família já me permitiu entrar algumas vezes na tão sonhada Sala Oval. Nunca me interessei por eleições. Quem realmente decide os rumos do país raramente aparece nas urnas. Presidentes mudam. Partidos se alternam no poder. Empresas como a minha permanecem, financiando campanhas, movendo a economia e influenciando decisões muito antes que qualquer decreto seja assinado. No fim das contas, dinheiro sempre fala mais alto do que discursos.

Dentro de poucos minutos estou parado de frente para uma enorme mansão antiga que está na minha família há séculos. Meu pai, um tanto conservador, a ama. Acho que mais do que amou sua família um dia. Diz ele que sua arquitetura é digna de um rei, o deixando ainda mais imponente e poderoso. Para mim são apenas paredes brancas que por muito tempo formaram a minha tão luxuosa prisão.

Deixo o carro na frente dos degraus de entrada, com a chave do lado de dentro. Assim que me afasto o suficiente do veículo, o motorista assume o volante, estacionando no lugar certo. Subo os três primeiros degraus e a porta é aberta por uma de nossas funcionárias, que no mesmo momento pegou o meu sobretudo e o guardou no porta casacos escondido no grandioso hall de entrada.

_ Aonde estão todos?

_ Na sala de estar, senhor.- Responde com a cabeça curvada, evitando olhar nos meus olhos.

Giro sobre o calcanhar, pegando o corredor à esquerda, caminhando apenas um pouco antes de escutar o som suave do piano e finalmente adentrar a sala. É um espaço oval, decorado em tons claros e neutros, uma harmonia perfeita com duas obras de artes que enfeitam o ambiente e certamente valem milhões. Dois sofás bege, um de frente para o outro, estão no centro da sala, com uma mesa de vidro no meio. No canto esquerdo, um mini bar. Alguns aparatos e decorações tentam aquecer um pouco a sala tão fria.

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