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A esposa que o Ceo jurou destruir

A esposa que o Ceo jurou destruir

Autor: DANYNHAYE07
Gênero: Romance
Ele voltou dos mortos para se vingar da mulher que nunca deixou de amar. Athos aprendeu desde cedo que nada na vida vem de graça. Filho de uma família numerosa de imigrantes gregos, cresceu trabalhando duro para ajudar aqueles que amava, determinado a conquistar um futuro melhor por meio dos estudos. Bolsista de ciências da computação, ele aceitava qualquer serviço honesto para realizar seus sonhos. Até que um trabalho aparentemente comum mudou seu destino para sempre. Foi na mansão dos Campbell, a família mais poderosa de Los Angeles, que ele conheceu Savannah, a filha do homem que todos respeitavam - e temiam. Ela pertencia a um mundo que jamais seria o dele. Ele era apenas um rapaz pobre, com grandes sonhos e um futuro incerto. Mas, quando seus olhares se cruzaram, a atração foi impossível de ignorar. O que começou como uma conexão inesperada transformou-se em um amor intenso, secreto e proibido, capaz de desafiar todas as diferenças entre eles. Até que alguém destruiu tudo. Separados de maneira cruel, Athos e Savannah tiveram seus destinos marcados por mentiras e sofrimento. Ela ficou para trás, acreditando que o homem que amava estava morto. Ele desapareceu, levando consigo as lembranças de um amor que acreditava ter sido uma grande traição. Três anos depois, Athos está de volta. O jovem trabalhador e sonhador ficou no passado. Em seu lugar, surgiu um bilionário implacável, dono de um império no mundo da tecnologia e acostumado a conseguir tudo o que deseja. Agora, ele tem poder, dinheiro e um único objetivo: fazer Savannah pagar pelo que acredita que ela lhe fez. Mas o reencontro que deveria alimentar sua vingança ameaça despertar sentimentos que ele passou três anos tentando enterrar. Savannah nunca deixou de amar Athos. E, enquanto luta para provar que jamais o traiu, precisa enfrentar o homem que um dia lhe entregou o coração - e que agora parece determinado a destruí-la. Entre verdades escondidas, feridas que nunca cicatrizaram e um amor que se recusa a morrer, os dois terão de descobrir quem realmente os separou. Porque algumas mentiras podem destruir uma vida inteira. E algumas verdades podem mudar tudo. Mas será que o amor que os uniu será suficiente para sobreviver à sede de vingança do homem que Athos se tornou?
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Capítulo 1 Athos Galanes, um

Athos Galanis

O despertador toca pela terceira vez, e minha primeira vontade é jogá-lo contra a parede.

Estou exausto.

Trabalhar a noite inteira como vigia e ainda ter que acordar cedo para ir à faculdade está acabando comigo. Meus olhos ardem, meu corpo implora por mais algumas horas de sono, mas não tenho o luxo de ignorar minhas responsabilidades.

Desligo o despertador e me sento na cama, passando as mãos pelo rosto.

Íris - Filho, levanta! Você vai se atrasar para a faculdade!

Athos - Já estou levantando, mãe!

Respondo mais alto para que ela me escute do outro lado da porta.

Minha mãe aparece no quarto pouco depois, com aquela expressão preocupada que conheço tão bem.

Íris - Você não pode continuar assim, Athos. Está trabalhando demais e dormindo de menos.

Athos - Eu sei, mãe. Mas pode ficar tranquila. Ontem foi meu último dia como vigia.

Ela ergue as sobrancelhas, surpresa.

Íris - Como assim? Você pediu demissão?

Athos - Não exatamente. O tio Leônidas conseguiu um serviço de limpeza de piscina na casa de uns ricaços. A vaga era para o Andreas, mas ele não quis. Como eu estava procurando outro emprego, aceitei. Começo hoje.

Íris - Graças a Deus! Pelo menos você vai conseguir dormir à noite. Mas esse seu primo... Não sei o que ele quer da vida. Já vai fazer vinte e três anos e não quer saber de trabalhar.

Athos - Deixa ele, mãe. Isso é o tio Leônidas e a tia Kássia que têm que resolver.

Íris - Você tem razão, mas me revolta ver todo mundo se matando de trabalhar enquanto ele passa o dia inteiro vadiando.

Não respondo de imediato. Sei que ela tem seus motivos para se irritar, mas discutir sobre Andreas não vai mudar nada.

Athos - Falando em trabalho, a senhora já pensou melhor sobre a minha proposta?

Ela estreita os olhos, desconfiada.

Íris - Que proposta?

Athos - Arrumarmos um lugar só para nós dois morarmos.

Íris - Athos, já conversamos sobre isso!

Athos - E vamos continuar conversando até a senhora entender que não precisa morar debaixo do mesmo teto que a tia Kássia para continuar sendo irmã dela.

Íris - Não quero me separar da minha irmã. Família tem que permanecer unida.

Athos - E vai permanecer. Morar em casas separadas não significa abandonar ninguém. Continuaremos nos visitando, ajudando uns aos outros e fazendo tudo o que fazemos hoje. A diferença é que teremos nosso próprio espaço.

Minha mãe cruza os braços, deixando claro que não está convencida.

Íris - Não! Esse assunto está encerrado.

Athos - Tudo bem, mãe. Não está mais aqui quem falou.

Levanto-me antes que ela resolva prolongar a discussão.

Athos - Vou tomar um banho rápido. Ah, e hoje, quando sair da faculdade, vou direto para o novo emprego. Só volto à noite.

Íris - Já vai começar assim? Nem conhece o lugar direito e já está pensando em passar o dia inteiro trabalhando.

Athos - Mãe, eu preciso do dinheiro. E, se tudo der certo, esse emprego vai ser melhor do que o anterior.

Ela suspira, resignada.

Íris - Só não se esqueça de cuidar de você também.

Athos - Pode deixar.

Dou um beijo em sua testa antes de entrar no banheiro.

Enquanto tomo banho, penso na nova oportunidade. O serviço não é exatamente o emprego dos meus sonhos, mas paga minhas contas e me permite continuar estudando. Por enquanto, é disso que preciso.

Além disso, ouvi dizer que a mansão tem uma praia nos fundos. Se os funcionários tiverem permissão para frequentá-la depois do expediente, talvez eu consiga aproveitar algumas ondas nos dias em que não estiver tão cansado.

Surfar é uma das poucas coisas que me ajudam a esquecer os problemas, nem que seja por alguns minutos.

Quando saio do banheiro, minha mãe já está se preparando para trabalhar. Ela é costureira e divide a pequena loja com minha tia Kássia. As duas são bastante conhecidas na região e fazem ajustes até para as mulheres da parte rica da cidade.

A loja existe há vinte e um anos, desde que nasci.

Naquela época, minha mãe, minha tia e o marido dela, tio Leônidas, tinham acabado de chegar da Grécia em busca de uma vida melhor.

Meu primo Andreas já havia nascido e tinha dois anos. A tia Kássia estava grávida dos gêmeos, Hector e Gaia, que, assim como eu, nasceram em solo americano.

Com as economias que trouxe da Grécia, meu tio abriu um pequeno mercado na vizinhança. Hoje, Hector trabalha lá, enquanto Gaia cuida das tarefas domésticas.

Todos contribuem de alguma maneira para o sustento da família.

Todos, menos Andreas.

Minha tia insiste em defendê-lo, dizendo que ele está apenas esperando uma oportunidade melhor. O problema é que oportunidades não costumam bater à porta de quem passa os dias inteiro sem fazer nada para encontrá-las.

Mas essa é uma discussão que não me pertence.

O que realmente me importa é que, apesar das dificuldades, somos uma família que permanece unida. E pretendo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que continue assim.

Quando me formar e conseguir um bom emprego, vou ajudar Hector e Gaia a realizarem seus sonhos.

Hector é mais do que meu primo. É meu melhor amigo, meu parceiro para quase tudo e uma das poucas pessoas em quem confio de olhos fechados.

Gaia, por sua vez, é uma garota doce, inteligente e atenciosa. Sonha em fazer faculdade, mas não conseguiu uma bolsa integral como a minha. A família não tem condições de pagar o restante das mensalidades, então ela precisou adiar esse sonho.

Eu não pretendo deixá-la desistir.

Minha bolsa cobre cem por cento dos meus estudos. Segundo o reitor, tenho uma facilidade incomum para aprender, algo que ele costuma atribuir à minha inteligência.

Não sei se sou tudo isso. Só sei que, quando tenho uma oportunidade, faço o possível para aproveitá-la.

E pretendo continuar fazendo isso até conseguir dar à minha mãe a vida que ela merece.

Depois de me vestir, passo rapidamente pela cozinha. Todos estão tomando café da manhã, e o cheiro da comida quase me faz reconsiderar a ideia de sair sem comer.

Quase.

Athos - Bom dia!

Minha família responde em coro.

Kássia - Não vai tomar café, querido?

Athos - Hoje não, tia. Estou atrasado. Pego alguma coisa no caminho.

Gaia - Leva pelo menos um sanduíche para comer no intervalo.

Andreas - Nem pensar! Só tem um, e eu vou comer.

Gaia - Mas você já comeu dois!

Athos - Não tem problema, Gaia. Uma maçã já está bom para mim.

Pego a fruta que está sobre a mesa e dou um beijo na testa da minha prima.

Ela sorri timidamente, mas o sorriso desaparece quando Andreas resolve abrir a boca outra vez.

Andreas - Você sabe que ele não está a fim, não é, Gaia?

Leônidas - Andreas! Respeite sua irmã e...

Não espero para ouvir o restante.

Saio da cozinha antes que perca a paciência e acabe fazendo algo de que me arrependa. Hector vem logo atrás de mim.

Hector - Um dia você ainda vai perder a cabeça e quebrar a cara dele.

Athos - Não me provoque. Ainda estou considerando a possibilidade.

Meu primo ri, e seguimos em direção ao ponto de ônibus.

Hector - E então, vai à festa do Mason hoje?

Athos - Não.

Hector - Nem perguntou quem vai estar lá!

Athos - Não preciso. Você sabe que aqueles playboys vão aparecer em peso. Quero distância daquele povo.

Hector - Para alguém que está batalhando tanto para mudar de vida, você tem uma aversão enorme a ricos.

Athos - Não tenho aversão a ricos. Sou amigo do Mason desde criança, lembra? O que não suporto é gente esnobe que pensa ser melhor do que os outros só porque tem dinheiro.

Hector - Sei. E aquelas gatinhas da faculdade que você pega? São todas humildes, imagino.

Athos - Ah, para! Elas não são esnobes. Se fossem, nem olhariam para mim. Todo mundo sabe que sou bolsista.

Hector - Sua aparência ajuda bastante, convenhamos. Além disso, vocês só estão transando. Não é como se fossem se casar.

Athos - E quem disse que muitas delas não querem algo a mais? Eu é que não quero compromisso com ninguém.

Hector - Então é oficial: você é do tipo que pega e não se apega.

Athos - Não tem nada de oficial. Só não quero começar um relacionamento sem ter condições de oferecer alguma coisa à pessoa. Minha vida já é complicada o suficiente.

Hector - Quero ver se vai continuar pensando assim quando se apaixonar de verdade.

Solto uma risada debochada.

Athos - Isso nunca vai acontecer.

Hector - Nunca diga nunca. É o que a tia Íris vive falando. Olha para mim, por exemplo. Estou caidinho pela Penélope, e ela não me dá a menor bola.

Ele olha na direção da garota que se aproxima do ponto de ônibus.

Athos - Você sabe que ela está procurando um desses ricaços. Foi por isso que conseguiu uma bolsa de estudos na escola particular mais tradicional da cidade.

Hector - Eu sei. O problema é que meu coração não está nem aí para isso.

Athos - Ah, para de bobeira! Aposto que você continua aproveitando as festas do Mason para ficar com outras garotas.

Dou um leve safanão na cabeça dele.

Hector - Se ela não me quer, tem quem queira. Não vou ficar chorando na cama por causa de uma mulher.

A ironia é que ele mal termina de falar quando Penélope para ao nosso lado.

Hector - E aí, gatinha? Topa ir a uma festinha comigo hoje?

Penélope nem se dá ao trabalho de olhar para ele.

Penélope - Já disse para você só falar comigo quando tiver um cartão sem limites. De pobre, basta eu.

Hector - Nossa! E vai me dizer que está namorando um daqueles filhinhos de papai?

Penélope - Não, mas estou quase.

Athos - Cuidado para não acabar virando o segredinho sujo de um deles. Esses caras podem até se divertir com garotas de outras classes sociais, mas, quando chega a hora de assumir um relacionamento diante da família e da sociedade, geralmente escolhem alguém do mesmo círculo.

Penélope finalmente me olha.

Penélope - Isso é o que veremos. E, graças a Deus, meu ônibus está chegando.

Ela sobe assim que as portas se abrem, deixando Hector para trás.

Athos - Até mais, primo. Te vejo à noite!

Hector - Até mais! E vê se não se apaixona por nenhuma ricaça no seu novo emprego!

Reviro os olhos e entro no ônibus, deixando-o para trás enquanto ele segue para abrir a mercearia.

Trinta minutos depois, chego à faculdade e vou direto para a primeira aula.

Assim que o professor de Algoritmos e Programação entra na sala, percebo que há algo diferente. Ele está sorrindo de um jeito que costuma anunciar alguma novidade importante.

Professor - Bom dia, pessoal! Hoje tenho uma notícia que pode mudar o futuro de alguns de vocês.

A conversa na sala diminui imediatamente.

Professor - Uma das maiores empresas de tecnologia do país está procurando um software inovador e, para encontrá-lo, lançou um concurso nacional voltado aos alunos do último ano dos cursos da área de tecnologia. Vocês poderão participar individualmente ou em equipes.

Alguns colegas começam a cochichar, claramente interessados.

Professor - O vencedor terá seu software comprado e comercializado pela empresa. Além de um prêmio milionário, receberá uma porcentagem significativa das vendas. E, dependendo do potencial do projeto, as condições da negociação poderão ser ainda melhores.

Sinto meu corpo despertar de repente.

Um prêmio milionário.

A possibilidade de criar algo meu, algo que possa ser reconhecido e me dê condições de mudar minha vida.

Pela primeira vez naquela manhã, meu cansaço parece desaparecer.

Aluno - Professor, como fazemos para participar?

Professor - É simples. Vocês precisam desenvolver o software e preparar uma apresentação gravada, explicando a ideia, os recursos e o funcionamento do projeto. Eu e os outros professores analisaremos os trabalhos e selecionaremos os melhores para representar nossas faculdades no concurso.

Athos - E qual é o prazo para a entrega?

Professor - Dois meses.

Dois meses.

O tempo parece curto, mas não impossível.

Ao meu redor, os alunos começam a discutir ideias, formar equipes e especular sobre as chances de vitória. Alguns já parecem desistir antes mesmo de tentar.

Eu não.

Minha mente já está trabalhando, conectando possibilidades e imaginando o que posso desenvolver.

Penso na minha mãe, que passou a vida trabalhando para garantir que eu tivesse oportunidades que ela nunca teve. Penso em Gaia, que precisou adiar o sonho de estudar. Penso em Hector, que merece a chance de construir um futuro diferente.

E penso em mim.

Em todas as noites mal dormidas, em cada vez que precisei escolher entre descansar e continuar lutando, em todos os planos que guardo para quando finalmente tiver condições de realizá-los.

Talvez eu ainda não tenha dinheiro, contatos ou um sobrenome importante.

Mas tenho conhecimento, determinação e dois meses para provar do que sou capaz.

Não preciso que ninguém acredite em mim.

Só preciso de uma oportunidade.

E, dessa vez, pretendo fazer de tudo para não desperdiçá-la.

Capítulo 2 Athos Galanis, dois

Athos Galanis

Depois da faculdade, sigo direto para o meu novo trabalho. Minha função é basicamente limpar a piscina e manter o jardim em ordem.

Estaria mentindo se dissesse que não sei a quem pertence essa mansão. Os Campbell são bastante conhecidos na região. Na verdade, eu diria que são a família mais rica e influente da cidade.

Connor Campbell estuda na mesma faculdade que eu. Se não me engano, cursa Administração, provavelmente para assumir os negócios da família no futuro. O cara é um idiota esnobe, daqueles que acreditam que o sobrenome e a conta bancária os tornam superiores ao restante da humanidade.

Está sempre cercado por um bando de puxa-sacos que riem de qualquer coisa que ele diz, como se o sujeito fosse a pessoa mais interessante do mundo.

Sinceramente, espero não cruzar muito com ele por aqui.

Já tenho problemas suficientes na minha vida para precisar lidar com um playboy mimado durante o expediente.

Assim que chego à mansão, identifico-me como o novo contratado para cuidar da piscina e do jardim. Os seguranças conferem minhas informações e me deixam entrar.

Sou recebido por um homem na faixa dos quarenta e poucos anos, que se apresenta como Sawyer Dixon, o mordomo da propriedade.

Sawyer - O trabalho é simples e bem remunerado. Se fizer seu serviço direito, não terá problemas. Já limpou piscinas antes?

Athos - Sim. Já ajudei muito meu tio quando fazia alguns bicos nos fins de semana.

Sawyer - Ótimo! Basicamente, você ficará responsável pela piscina e, nas horas vagas, cuidará do jardim. Seu horário será das treze às dezoito horas. Está bom para você?

Athos - Está ótimo. Posso vir direto da faculdade.

Sawyer - Ah, você estuda? Isso é bom. Devemos sempre procurar evoluir.

Athos - Sim. Não quero passar o resto da vida limpando as piscinas dos outros.

Sawyer solta uma risada bem-humorada.

Sawyer - É isso aí, rapaz! Estude bastante. Um dia, outra pessoa estará limpando a sua piscina.

Athos - Esse é o plano.

Respondo com um sorriso discreto.

Não sei se algum dia terei dinheiro suficiente para possuir uma mansão com piscina, mas pretendo conquistar uma vida em que não precise me preocupar com cada conta que chega. Para mim, isso já seria uma vitória e tanto.

Sawyer - Continuando, a senhorita Savannah deve chegar do intercâmbio em Paris na sexta-feira. O senhor Campbell foi buscá-la.

Athos - Entendi.

Sawyer - Quando está aqui, ela usa bastante a piscina, por isso precisarei que você a mantenha sempre limpa. Quanto ao jardim, basta regar as plantas e arrancar as ervas daninhas. A poda fica por conta de uma empresa especializada.

Athos - Tudo bem. Se me mostrar onde fica cada coisa, posso começar agora mesmo.

Sawyer - Venha comigo. Vou levá-lo ao depósito onde guardamos os utensílios de manutenção da casa.

Ele segue em direção aos fundos da propriedade, e eu o acompanho.

Passamos a próxima hora percorrendo os espaços que ficarão sob minha responsabilidade. Sawyer me mostra os equipamentos, explica como funciona a rotina de manutenção e me orienta sobre os cuidados que devo ter com a piscina.

Além de prestativo, ele é bastante comunicativo. Nesse pouco tempo, conta várias curiosidades sobre a família Campbell, e algumas delas me surpreendem.

A primeira é descobrir que Sebastian Campbell tem uma filha chamada Savannah. Eu sempre achei que Connor fosse filho único, mas, pelo que Sawyer explica, o pai dele se casou novamente dois anos depois de ficar viúvo da primeira esposa.

A segunda esposa era muito jovem. Tinha apenas dezenove anos quando se casou com Sebastian, que, na época, estava na casa dos quarenta.

Uma diferença de idade considerável, mas, aparentemente, isso não foi um problema para nenhum dos dois.

Segundo Sawyer, Sebastian ficou tão encantado pela beleza da jovem que ela acabou se tornando uma espécie de obsessão para ele.

O que ninguém poderia imaginar era que, pouco mais de um ano depois, ela sofreria uma depressão pós-parto tão grave que acabaria tirando a própria vida, deixando a filha recém-nascida sem mãe.

A informação me deixa pensativo por alguns instantes.

É triste imaginar uma mulher tão jovem chegando a esse ponto, especialmente depois de dar à luz uma criança. Não conheço os detalhes do que aconteceu, e não seria justo tirar conclusões sobre uma situação tão delicada. Só consigo pensar na menina que cresceu sem a mãe e na família que precisou lidar com uma perda tão dolorosa.

Pelo que Sawyer me conta, Savannah tem dezessete anos e é uma garota linda e meiga.

Diferente do irmão.

Confesso que tenho dificuldade para acreditar nessa descrição tão gentil quando se trata de alguém daquela família. Os Campbell são conhecidos por seu comportamento arrogante e pela maneira como tratam as pessoas que consideram socialmente inferiores.

Talvez Savannah seja realmente diferente. Afinal, não conheço a garota e seria injusto julgá-la apenas pelo sobrenome que carrega.

Mas também não pretendo criar expectativas.

Estou aqui para trabalhar, receber meu salário e cuidar da minha própria vida. Quanto menos me envolver com os problemas dos ricos, melhor.

Resumindo, meu primeiro dia na mansão Campbell consiste em limpar uma piscina e receber uma verdadeira aula sobre a vida dos proprietários.

Não que eu esteja particularmente interessado em saber quem se casou com quem ou quantos filhos alguém tem. Apenas escuto porque Sawyer parece gostar de conversar, e não vejo motivo para ser mal-educado com o homem que, até agora, tem sido bastante gentil comigo.

Quando termino minhas tarefas, lembro-me de algo que queria perguntar desde que cheguei.

Athos - Sawyer, tem algum problema se eu surfar depois do expediente?

Ele me olha com curiosidade.

Sawyer - Surfar?

Athos - Sim. Sei que esse trecho da praia pertence à mansão, mas percebi que quase ninguém vai até lá. Pensei em aproveitar algumas ondas depois do trabalho, se não houver problema.

Sawyer - Ah, claro! Pode usar, sim. O senhor Connor não costuma frequentar aquele lado da praia. Prefere lugares mais badalados e, para falar a verdade, não é muito chegado a surfar. Já a senhorita Savannah gosta de caminhar por lá.

Athos - Mas ela não vai se incomodar com a minha presença?

Sawyer sorri, e sua expressão se suaviza.

Sawyer - Não. Minha menina é muito tranquila. Não precisa se preocupar com isso.

A maneira carinhosa como ele fala de Savannah chama minha atenção. É evidente que tem um carinho especial pela garota.

Athos - Nesse caso, amanhã trarei minha prancha. Pode ficar tranquilo, vou deixá-la em algum lugar discreto da praia para não atrapalhar ninguém.

Sawyer - Está certo. Por hoje, é só. Pode ir. Vejo você amanhã, no mesmo horário.

Athos - Até amanhã, Sawyer. Obrigado!

Despede-se de mim com um aceno, e sigo para casa.

No caminho, minha cabeça já está ocupada com outra coisa.

O concurso anunciado pelo professor.

Tenho apenas dois meses para desenvolver meu software e preparar a apresentação, mas não estou preocupado com o prazo. Na verdade, venho trabalhando em algumas ideias há bastante tempo. Já tenho protótipos que considero promissores e só estava esperando uma oportunidade para aperfeiçoá-los e apresentar meu trabalho ao mundo.

Dessa vez, pretendo apostar em mim mesmo.

Decidi trabalhar sozinho porque minha rotina não me permite perder tempo tentando conciliar horários com uma equipe. Além disso, conheço minhas ideias melhor do que ninguém e quero ter liberdade para desenvolvê-las da maneira que considero mais eficiente.

Não estou dizendo que será fácil. Sei que existem estudantes tão inteligentes quanto eu, talvez até mais experientes em algumas áreas. Mas também sei o quanto me dediquei para chegar até aqui.

E não pretendo desperdiçar essa chance.

Quando chego em casa, tomo um banho rápido e vou para o quarto que divido com Hector e Andreas.

Encontro Hector se arrumando diante do espelho, ajeitando a gola da camisa com um sorriso que denuncia suas intenções.

Athos - Não vai mesmo, cara? - ele pergunta, percebendo minha chegada.

Hector - Não. Tenho trabalho a fazer. Mas divirta-se.

Hector - Você é quem sabe.

Meu primo pega o celular, confere a própria aparência mais uma vez e sai animado, provavelmente imaginando as garotas que encontrará na festa de Mason.

Balanço a cabeça, divertido.

Hector pode reclamar que Penélope não lhe dá atenção, mas isso não o impede de aproveitar a vida enquanto espera que ela mude de ideia.

Eu, por outro lado, tenho coisas mais importantes para fazer.

Sento-me diante do computador, abro meus arquivos e começo a revisar um dos protótipos. Em poucos minutos, estou tão concentrado que o restante da casa parece desaparecer.

É assim que gosto de trabalhar. Sem interrupções, sem conversas paralelas e sem precisar explicar minhas ideias a ninguém.

Estou ajustando uma parte do código quando minha mãe bate à porta.

Íris - Filho, o jantar está pronto!

Athos - Já vou, mãe!

Levanto-me a contragosto. Se depender de mim, passo a noite inteira trabalhando, mas sei que preciso comer alguma coisa.

Vou até a cozinha, preparo um prato e volto para o quarto. Prefiro jantar enquanto continuo trabalhando, aproveitando o tempo que tenho.

Não demora para Gaia aparecer à porta.

Gaia - O que você está fazendo que não pode nem jantar à mesa?

Athos - Um projeto para a faculdade. Se tudo der certo, nossas vidas podem mudar.

Ela se aproxima, curiosa, tentando espiar a tela do computador.

Gaia - Uau! Deve ser importante.

Athos - E é.

Respondo sem desviar os olhos do que estou fazendo.

Não quero parecer indiferente à minha prima, mas, quando finalmente consigo me concentrar em uma ideia, tenho dificuldade para interromper o raciocínio. Às vezes, uma pequena distração é suficiente para me fazer perder o fio de algo que levei horas para desenvolver.

Gaia - Bom, vou deixar você estudar. Quer que eu leve seu prato?

Olho para a comida e percebo que já terminei.

Athos - Quero, sim. Se não for muito trabalho.

Gaia - Claro que não.

Ela pega o prato e fica parada por mais alguns segundos.

Gaia - Você sabe onde o Hector foi?

Athos - Foi a uma festa na casa do Mason.

O semblante dela muda discretamente.

Gaia - Ele nunca me leva junto.

Finalmente, tiro os olhos do computador.

Athos - Essas festas não são para você, Gaia. Só tem aqueles riquinhos idiotas por lá.

Gaia - Hum... Está com ciúmes?

Athos - É só cuidado de irmão.

Respondo, voltando a atenção para a tela.

Não quero que minha prima se envolva com gente que possa fazê-la se sentir inferior por não ter o mesmo dinheiro que eles. Sei como alguns desses playboys tratam quem não pertence ao círculo social deles, e não gostaria de vê-la passando por uma situação desagradável.

Gaia - Sei...

Ela parece pouco convencida.

Gaia - Bom, boa noite para você.

Athos - Boa noite, Gaia.

Ela sai, mas percebo que está um pouco aborrecida.

Não entendo o motivo. Talvez quisesse que eu insistisse para que ficasse conversando comigo, mas estou realmente ocupado. Além disso, nunca fui muito bom em entender certas indiretas.

Volto ao trabalho e perco a noção do tempo.

Quando olho para o relógio novamente, já passa da uma da manhã.

Estou prestes a salvar as últimas alterações quando a porta se abre de repente.

Hector entra com uma expressão tão tensa que me levanto imediatamente.

Athos - O que aconteceu?

Hector - Cara, preciso da sua ajuda!

Athos - Com o quê?

Ele passa a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos.

Hector - É o Andreas. Ele estava na festa e...

Athos - Deixa eu adivinhar: arrumou briga com algum playboy?

Hector - Mais ou menos isso.

Meu primo respira fundo antes de continuar.

Hector - Ele estava ficando com uma garota, e Connor Campbell não gostou. Começou a dizer que os mortos de fome estavam se achando no direito de pegar as garotas do lado rico da cidade. Andreas ficou furioso e partiu para cima dele.

Fecho os olhos por um instante.

Claro que tinha que ser Connor Campbell.

Athos - E depois?

Hector - O problema é que Connor estava com a turma inteira dele. Quando Andreas partiu para cima, todos se juntaram para bater nele. Mason e eu entramos no meio para separar, junto com os seguranças. Se não fosse por isso, acho que teriam espancado Andreas até a morte.

A raiva começa a subir pelo meu peito, misturada à preocupação.

Posso não gostar das atitudes do meu primo, mas isso não significa que aceitaria vê-lo ser massacrado por um bando de playboys que se acham donos do mundo.

Athos - Onde ele está agora?

Hector - No hospital. Está consciente e o médico disse que ele está estável, mas parece que quebrou uma costela. Não sei como contar isso aos nossos pais.

Passo a mão pelo rosto, tentando pensar com clareza.

Meus tios já trabalham de sol a sol para sustentar a família. Minha mãe também se mata de trabalhar. A última coisa de que precisam é passar a madrugada desesperados porque Andreas resolveu arrumar confusão em uma festa.

Athos - Não conte nada por enquanto. Eles não merecem mais essa preocupação.

Hector - E como vamos esconder isso deles?

Athos - Vamos ao hospital. Primeiro, precisamos ver como ele está. Depois converso com Mason. A família dele vive viajando, então talvez Andreas possa ficar na casa dele por alguns dias, até se recuperar.

Hector - Você acha que ele vai aceitar?

Athos - Mason é gente boa. Tenho certeza de que vai entender a situação.

Hector parece um pouco mais tranquilo.

Hector - E o que vamos dizer ao pessoal aqui de casa?

Athos - Que Andreas viajou com alguns amigos e pediu para você avisar. Não seria a primeira vez que ele faz isso.

Hector - É... Acho que pode funcionar.

Pego minha carteira, o celular e as chaves. Antes de sair, salvo o trabalho que estava fazendo e desligo o computador.

Dois meses para desenvolver um software, um novo emprego e agora um primo hospitalizado.

Minha vida realmente não me dá descanso.

Mesmo assim, não hesito em acompanhar Hector. Andreas pode ser irresponsável, mas continua sendo meu primo. E, por mais que me irrite com ele, não vou abandoná-lo quando precisa de ajuda.

Seguimos para o hospital, e o estado do rosto de Andreas me choca assim que entro no quarto.

Ele está deitado na cama, com hematomas espalhados pelo rosto e um corte próximo à sobrancelha. Mesmo que o médico tenha dito que está estável, é impossível não sentir raiva ao vê-lo daquele jeito.

Andreas - O que esse merdinha está fazendo aqui?

A primeira coisa que meu primo faz ao me ver é abrir a boca para provocar.

Respiro fundo, lembrando a mim mesmo que não vale a pena perder a cabeça.

Athos - Esse merdinha veio ajudar você. Ou prefere que o tio Leônidas e a tia Kássia descubram o que aconteceu?

A expressão dele muda imediatamente.

Andreas - Claro que não!

Athos - Foi o que pensei.

Aproximo-me da cama e cruzo os braços.

Athos - Já conversei com Mason. Você vai ficar na casa dele até se recuperar. Hector vai avisar aos seus pais que você viajou com alguns amigos.

Andreas - Acho uma boa ideia.

Athos - Imagino. Assim, você poupa meus tios de mais uma das suas merdas.

Ele revira os olhos, mas não responde de imediato.

Andreas - A culpa não foi minha! Aquele filho da puta do Connor é um idiota. Ficou putinho porque eu estava pegando a garota que ele queria.

Solto uma risada sem humor.

Athos - Isso não me surpreende. Connor Campbell parece acreditar que o mundo inteiro gira ao redor dele. Mas eu já avisei você e Hector para evitarem aquelas festas. Mason é gente boa, mas nem todos os caras que andam com ele são iguais.

Andreas dá de ombros, como se a conversa não lhe interessasse.

É exatamente esse tipo de atitude que me tira do sério. Ele se mete em confusão, acaba ferido e ainda parece incapaz de reconhecer que suas próprias escolhas têm consequências.

Quero dizer muito mais, mas me contenho.

Não adianta dar sermão em alguém que não está disposto a ouvir.

Pouco depois, o médico aparece para liberar Andreas, desde que siga as orientações de repouso e os cuidados necessários durante a recuperação. Com a ajuda de Hector, organizamos tudo e o levamos para a casa de Mason.

Só quando tenho certeza de que ele ficará bem é que consigo respirar com um pouco mais de tranquilidade.

Quando finalmente voltamos para casa, são cinco da manhã.

Hector e eu mal temos tempo de nos deitar. Às sete, precisamos estar de pé novamente para encarar mais um dia de responsabilidades.

Caio na cama exausto, sentindo o peso das últimas horas nos ombros. Meu corpo implora por descanso, mas minha cabeça continua trabalhando.

Penso no novo emprego, no concurso e no software que preciso desenvolver. Penso também em Connor Campbell e na facilidade com que aquele idiota parece acreditar que pode humilhar qualquer pessoa que considere inferior.

O pior é saber que, a partir de agora, posso encontrá-lo não apenas na faculdade, mas também na mansão onde trabalho.

E, se ele resolver me provocar, terei que engolir minha raiva.

Não posso me dar ao luxo de perder esse emprego. Ele me oferece um horário que permite conciliar a faculdade com o trabalho no meu projeto, e preciso aproveitar essa oportunidade.

Fecho os olhos, tentando afastar os pensamentos.

Amanhã será outro dia.

Só espero que Connor Campbell não resolva transformar minha vida em um inferno, porque uma coisa é certa: não tenho dinheiro, sobrenome importante ou influência para enfrentar a família dele.

Mas isso não significa que eu tenha medo daquele imbecil.

Significa apenas que, pela primeira vez, preciso escolher minhas batalhas.

Capítulo 3 Savannah Campbell, três

Savannah Campbell

Savannah - Finalmente, papai! Estava tão ansiosa para voltar aos Estados Unidos. A comida francesa não me agradou nem um pouco.

Sebastian - Nunca entendi essa sua insistência em fazer intercâmbio em Paris, minha filha. Aqui temos ótimas escolas, não havia motivo para sair do país.

Savannah - Eu sei, mas agora estou fluente em francês.

Sebastian - Não vejo em que isso possa ser útil.

Savannah - Como meu padrinho sempre diz, conhecimento nunca é demais.

Sebastian - Sawyer diz muitas coisas inúteis. Se isso fosse verdade, ele não seria um mero mordomo.

Savannah - Papai, não seja rude com o meu padrinho. Você sabe o quanto gosto dele.

Sebastian - Jamais concordei com a sua mãe quando ela decidiu convidar um empregado para ser seu padrinho. Ela aproveitou que eu estava viajando e batizou você escondida. Eu nunca teria permitido que um absurdo desses acontecesse.

Savannah - Pois, para mim, ela não poderia ter feito escolha melhor, porque eu o amo muito.

Sebastian - E é só por isso que ainda não o expulsei da nossa casa.

Savannah - Sabe muito bem que, se fizer isso, eu nunca o perdoarei!

Esse era um dos motivos pelos quais eu havia partido para um longo intercâmbio. Meu pai era extremamente soberbo e frio. Tratava todas as pessoas ao seu redor com desdém, especialmente os funcionários, como se fossem inferiores a ele. Na sua cabeça, o dinheiro que possuía o colocava acima de todo mundo.

E esse comportamento havia passado para o meu irmão, Connor, que parecia sentir prazer em humilhar qualquer pessoa que, segundo ele, não estivesse à nossa altura.

Eu, é claro, não concordava com esse tipo de coisa. Às vezes, sentia-me como um pássaro fora do ninho. Nem parecia que eu tinha o mesmo sangue que eles.

Mas havia outro motivo para eu ter partido.

As festas que meu pai costumava realizar em nossa casa para os amigos e sócios eram praticamente orgias, ou sei lá como aquilo funcionava. Ele sempre me mandava ficar no meu quarto e não sair até a manhã seguinte, quando tudo já havia terminado.

Uma vez, movida pela curiosidade, resolvi espiar uma dessas festas. Na minha inocência infantil, jamais imaginei que veria algo tão pervertido. A cena foi assustadora. Havia homens e mulheres nus por toda parte, fazendo sexo uns diante dos outros. Entre aquelas pessoas estavam meu pai e meu irmão.

Connor tinha apenas dezessete anos naquela época. Ainda era um adolescente, mas meu pai não parecia se importar com isso. Afinal, estava ocupado demais com a própria diversão.

Foi naquela noite que conheci Grayson Reynold.

E minha vida virou um pesadelo.

Eu estava voltando correndo para o meu quarto quando esbarrei nele. Já estava apavorada com o que tinha acabado de ver, mas, quando percebi a maneira sinistra e maliciosa como ele me olhava, senti um arrepio percorrer meu corpo inteiro.

Desvencilhei-me dele e corri o mais rápido que pude até o meu quarto, certificando-me de trancar bem a porta.

Depois daquela noite, nunca mais bisbilhotei as festas imorais do meu pai. Infelizmente, porém, acabei ganhando um problema muito maior.

O senhor Reynold passou a frequentar nossa casa mesmo quando não havia festas, e eu sabia que era por minha causa. Ele sempre me olhava da mesma maneira, e eu ficava apavorada só de perceber sua presença.

Meu pai era muito amigo dele e não parecia notar suas intenções, mas eu notava. Por isso, tentava ficar o máximo possível longe do seu caminho. Às vezes, entretanto, era difícil, porque aquele homem sempre encontrava uma maneira de aparecer onde eu estava. Até mesmo na porta da minha escola ele surgiu algumas vezes.

Mas a gota d'água foi na noite em que meu pai realizou mais uma de suas festas.

Distraída como sempre fui, acabei deixando a porta do meu quarto destrancada. Acordei no meio da noite sentindo alguém tocar meu corpo de maneira íntima.

Quando abri os olhos, era ele.

Apavorada, gritei o mais alto que pude. Para minha sorte, meu padrinho apareceu, seguido pelo meu pai e por Connor.

Eles tinham muitos defeitos, mas sempre foram protetores comigo, às vezes até demais para o meu gosto.

O velho asqueroso desconversou quando meu pai perguntou o que estava fazendo ali. Alegou que havia se confundido e entrado no quarto errado.

Aos prantos, tentei explicar que aquilo era mentira, que eu havia acordado com ele tocando meu corpo.

Connor avançou contra o homem, furioso, mas papai se colocou entre os dois.

- Acredito na versão do senhor Reynold - declarou, dizendo que eu era apenas uma criança e que aquilo devia ter sido um pesadelo.

Fiquei arrasada.

Meu pai, o homem que deveria me proteger, simplesmente escolheu acreditar nele.

Os três saíram do quarto, mas meu padrinho ficou.

Sawyer acreditou em mim.

Ele passou aquela noite no sofá do meu quarto, cuidando para que nada mais acontecesse. No dia seguinte, quando disse que precisava sair de casa por um tempo, foi ele quem me apoiou. Eu estava apavorada com a possibilidade de o senhor Reynold conseguir outra oportunidade de se aproximar de mim.

Não foi fácil convencer papai e Connor, mas, no fim, eles concordaram, desde que eu ficasse no apartamento da família, onde poderiam me visitar sempre que quisessem.

Aceitei imediatamente.

E assim se passaram quase três anos.

Só depois que meu padrinho me contou que meu pai havia rompido a sociedade com Grayson Reynold comecei a considerar a possibilidade de voltar para casa.

Quando conversei com papai sobre isso, ele ficou animado. Mesmo quando deixei claro que só voltaria se ele mudasse o local das festas, não discutiu comigo. Disse que aquilo não seria problema.

Acho que estava desesperado para me ter de volta em casa, o que me deixou feliz, porque eu também sentia muita saudade do meu país, do meu padrinho e de Penélope, minha melhor e única amiga.

Conheci Penélope quando ainda éramos crianças. A mãe dela trabalhava em nossa casa e, como não tinha com quem deixar a filha, costumava levá-la consigo. Nós duas nos tornamos amigas inseparáveis quase imediatamente.

Um dia, porém, ela e a mãe simplesmente desapareceram da nossa casa.

Sem entender o que havia acontecido, procurei meu padrinho, que me aconselhou a conversar com meu pai.

Quando questionei papai, ele respondeu que havia demitido a mãe de Penélope porque não aprovava minha amizade com aquele tipo de gente.

Lembro-me de ter ficado arrasada. Passei dias evitando meu pai, magoada com sua atitude.

Felizmente, Penélope e eu não ficamos separadas por muito tempo. Um ano depois, ela apareceu na escola onde eu estudava. Fiquei tão feliz quando me contou que havia conseguido uma bolsa e que agora estudaríamos juntas!

Como meu pai nunca dava uma segunda olhada nas pessoas que considerava insignificantes, Penélope voltou a frequentar nossa casa como minha amiga da escola, e ele não a reconheceu.

Sebastian - Chegamos.

Papai anunciou enquanto estacionava o carro na garagem.

Assim que desci e vi meu padrinho, corri para abraçá-lo.

Savannah - Padrinho! Que saudade!

Sawyer - Minha menina! Eu também estava morrendo de saudade. Como você cresceu! Está uma moça muito linda.

Ele me abraçou de volta, apertando-me com carinho.

Connor - Maninha, já que está abraçando os empregados, acho que seu irmão também merece um abraço, não acha?

Fiquei um pouco receosa. Da última vez que Connor havia ido a Paris, nós tínhamos brigado. Ele não gostou da minha amizade com Louis e chegou a dar um soco no garoto, pensando que ele era meu namorado. Só parou quando gritei que Louis era gay.

Mesmo assim, o amor de irmãos falou mais alto, e me aproximei para abraçá-lo.

Connor - Você continua brava comigo?

Ele perguntou, mantendo-me entre os braços.

Savannah - Estava um pouco, mas já passou.

Respondi com um sorriso.

Sebastian - Sawyer, pegue as malas da Savannah e leve para o quarto dela. Vamos tomar um belo café da manhã em família.

Connor - Eu adoraria ficar, mas tenho que ir para a faculdade. À tarde, vou para a empresa. Hoje é dia de estágio, então só estarei em casa à noite.

Savannah - Sério? Mas acabei de chegar!

Não consegui esconder minha decepção.

Connor - Olha só, amanhã é sábado. Podemos passar o dia juntos, se você quiser.

Savannah - Promete?

Connor - Prometo.

Ele beijou minha testa, despediu-se de papai e entrou em seu carro.

Mal podia acreditar que estava de volta à minha casa.

Depois de quase três anos longe, finalmente teria a oportunidade de recuperar um pouco do tempo perdido com as pessoas que amava.

Eu só esperava que, dessa vez, tudo fosse diferente.

Sem dúvida, aquele seria um ano maravilhoso.

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