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A ex esposa maluca do ceo

A ex esposa maluca do ceo

Autor:: Dayane Castro
Gênero: Romance
Após uma armação bem planejada, Matteo e Liana se separam, mas o destino lhes reserva uma dose extra de ironia: eles são sócios na mesma empresa, uma herança de seus pais. Enquanto Matteo foge da esposa após a traição, Liana embarca em uma missão para limpar seu nome e provar sua inocência, tudo enquanto tenta convencer o marido de que ele cometeu um engano terrível. Com amor, raiva e uma pitada de comédia, o casal embarca em uma jornada de autoconhecimento. Será que Liana conseguirá todas as provas necessárias para reconquistar o perdão de Matteo? E ele, será capaz de perdoar sua esposa, ou o orgulho falará mais alto?

Capítulo 1 Descobrindo a traição

Matteo,

Ao voltar para casa, percebi que tudo estava exatamente como eu havia deixado. Mas havia uma sensação estranha, algo diferente no ar. Uma curiosidade enorme me envolvia, como se algo me chamasse para fora, impedindo-me de ver o que se escondia em nosso quarto de casal.

Mas a minha insistência, me levou até lá, e mesmo com a sensação pior a cada passo que eu dava, eu resolvi arriscar. Ao abrir a porta do quarto, meu mundo desmoronou, lá estava a minha esposa com o meu melhor amigo. Ambos na minha cama, embaixo dos meus lençóis, dormindo, exausto depois de passar o dia todo fodendo. Tudo que eu mais queria, era ter um revólver em mãos para matar os dois ali mesmo.

Ela assim que desperta, olha pra os lados e faz uma cara de surpresa, como se não soubesse que eu ia chegar naquele momento em casa, mas esse é o horário que eu sempre chego, então, ela fez já de caso marcado, porque ela queria que eu visse ela trepando com ele na minha cama.

Ao me deparar com aquela cena devastadora, meu coração pareceu parar por um momento. As palavras fugiram da minha boca, deixando apenas um silêncio pesado no ar. Sem reação, olhei para eles, minha esposa e meu melhor amigo, e soltei um sarcástico "bom divertimento", e fechei a porta, a batendo com força.

Caminhei em direção ao meu carro, sentindo o peso da traição e da decepção sobre os meus ombros. Cada passo era como se eu estivesse carregando um fardo insuportável. Entrei no carro e liguei o motor, deixando o som dele abafar os pensamentos tumultuados que enchiam minha mente.

Enquanto dirigia pelas ruas, minha mente voltou no tempo, relembrando os detalhes do nosso casamento arranjado. Liana e eu nunca nos casamos por amor. Foi uma união planejada pelos nossos pais desde que éramos adolescentes. O casamento foi marcado assim que ela completou dezoito anos, sem que tivéssemos qualquer escolha ou voz ativa na decisão.

Agora, diante dessa traição, todas as dúvidas e inseguranças que eu havia sentido desde o início do nosso relacionamento vieram à tona. Era como se todas as peças do quebra-cabeça se encaixassem, revelando a verdade que eu havia ignorado por tanto tempo.

Em meio a essa avalanche de emoções, decidi ficar em um hotel. Era o primeiro que apareceu à minha frente, e eu não me importei com o preço ou a qualidade. Eu só precisava de um lugar para me afastar da dor e da traição que me consumiam.

Dez anos depois, vivemos até que bem, mas não tínhamos aquela paixão, éramos mais como conhecidos do que marido e mulher. Claro, tínhamos relação sexual, e isso era o único momento em que sentíamos que éramos ligados um ao outro. Mas no dia a dia, éramos dois conhecidos, vivendo na mesma casa, e trabalhando na mesma empresa.

Só não podia imaginar, que ela seria capaz de me trair na nossa casa. Mesmo não tento amor por ela, eu nunca a traí, e olha até o recompensa que ela me deu. Meu celular não para de tocar, e quando eu olho na tela é o número dela. Taco ele com força na parede, não quer saber qual a desculpa dela para fazer o que fez.

Peço para o hotel me trazer uma garrafa de uísque e alguns gelos, vou esquecer esse momento com a bebida, pelo menos pel tempo que eu estiver alcoolizado. Mas que nada, a bebida só fez eu e chegar mais ainda. No dia que eu apresentei os dois, o olhar dele para ela, e o sorriso dela ao vê-lo, tudo começou ali mesmo, com um simples olhar.

A pergunta é: à quanto tempo os dois estão saindo? A quanto tempo eles estão me traído na minha casa? Viro a dose de uísque tentando queimar essa dor no peito. E eu nem sei porque estou sentindo isso, já que eu não a amo. Ou amava e não sabia?

Droga, que merda eu vou fazer da minha vida agora? Trabalhamos na mesma empresa, nos veremos todos os dias, como vou esquecer o que ela fez desse jeito. O Thales eu posso mandar sumir da empresa, não é nada ali dentro de Téo importante, mas ela é sócia, nossos pais tinha 50% cada um, construíram a empresa juntos, então eu e ela como herdeiros, temos metade da empresa cada.

Mas vou ser forte, amanhã mesmo vou ligar para o meu advogado, e dar entrada no divórcio, e conversar com ela sobre a empresa. Ou ela me vende a parte dela, ou compra a minha parte, juntos não podemos ficar, nem mesmo no profissionalismo.

Depois de acabar com a garrafa de uísque, me deito na cama e apago. Acordo com o telefone do hotel tocado. Nem abro os meus olhos, apenas o pego, e digo alô.

- Desculpe incomodar, senhor, mas a sua esposa está aqui, e ela perguntou se pode subir.

- Não, manda ela descer para o inferno, quero essa mulher nem longe de mim. Se você deixar ela subir, eu vou processar esse hotel, você entendeu?

- Sim, senhor, mais uma vez me... - Desligo o telefone na cara dela. Que ousadia dessa mulher de vir aqui me perturbar.

Ligo novamente na recepção, e mando eles chamarem a polícia para tirarem ela daqui, pois eu vou embora daqui a pouco, e não quero dar de cara com ela agora. Ela concorda, e eu desligo o telefone. Me levanto e faço a minha higiene, esperando ela me ligar para avisar que ela foi embora.

Com a demora dela, resolvo ligar novamente, mas ela diz que Lia só saio do hotel, mas está acampada do lado de fora. Além de me traí, ainda vai ser uma stalker? Vai ficar me seguindo e impedindo eu de viver a minha vida?

Não sou nenhum bandido, pego a minha bolsa e desço até a recepção. Pago a estadia e saio indo direto para o meu carro. Ela começa a me chamar, mas eu finjo não ouvir, e antes que eu entre no veículo, ela me empurra fazendo eu fechar a porta.

- Eu não estava te traído, você tem que acreditar em mim, Matteo.

- Eu não tenho que acreditar em você, eu vi com os meus olhos, ou vai me dizer que eles mentiram para mim?

- Você me viu deitada na cama dormindo, eu não sei como aconteceu...

- Quer que eu te explique como um homem e uma mulher transam? Quer que eu explique a sua traição? Você é uma vagabunda, levou o meu melhor amigo para foder na nossa cama. Como você pode fazer isso comigo, Liana?

- Eu não fiz, você tem eu acreditar em mim.

Sorrio com a mentira dela, ela parece está desesperada, mas seu desespero vem porque foi descoberta. Ela acha que eu vou cair nesse papinho de foi sem querer, foi um acidente. Eu não sou trouxa.

- Vou pedir o divórcio para o meu advogado, e espero que você não lute contra, pois não vai adiantar nada.

- Não vou lutar contra. Já vi que você está decidido a acreditar nessa mentira. Pode pedir o divórcio, eu o darei. Mas vou deixar uma coisa bem clara. Vou provar a minha inocência, e você vai se arrepender de está me humilhando desse jeito. Boa sorte senhor Lewis, que seu julgamento não pese na sua consciência.

Ela vira as costas e vai até o seu carro. Antes de entrar, ela ainda me joga um olhar de raiva, e entra. Quero ver ela provar o contrário do que eu vi. Essa pago para ver.

Capítulo 2 Armação

Liana

Eu deveria ter imaginado que a Lia ia colocar algo na minha bebida. Deveria imaginar que ela ia me trair desse jeito. Somos irmãs, as únicas da família. Nossos pais morreram, e como eu sou a mais velha, ele deixou a empresa nas minhas mãos. Mas, como o pai do Matteo era sócio dele, ficou a empresa com metade para cada um.

Lia sempre foi muito ambiciosa e gastadeira. Depois que eu coloquei um limite, ela começou a soltar o seu veneno em cima de mim. Sempre tentando me derrubar, ou querendo me humilhar se passando de vítima. Mas eu nunca imaginaria que ela faria algo tão baixo, ao ponto de me separar do meu marido.

Sei que ele não me ama, mas eu o amo, desde o primeiro dia que o vi, desde quando nossos pais falaram que íamos nos casar para juntar as famílias. A partir dali, eu só tinha olhos para ele. E mesmo tentando não demonstrar, pois ele não me amava e eu não seria a única boba apaixonada, eu fazia de tudo por ele.

Bom, voltando ao assunto da Lia, depois de tanto ela tentar me prejudicar e não conseguir, ela veio na minha casa e chorou, falando que estava endividada, que precisava pagar a faculdade dela, que foi um erro ela ter gastado, mas que ela estava arrependida.

Prometi que ia pagar a faculdade dela, que não ia mais dar o dinheiro na mão dela para ela pagar. Eu mesmo faria isso. Ela aceitou e me chamou para tomar uma taça de vinho. Como o vinho era da minha casa mesmo, não vi maldade e me ferrei. Só não sei como o Thales foi parar na minha cama. Mas acredito que estava de carta marcada com ela. Pois ele é grande, não teria como ela carregar ele até aqui.

Matteo nos pegou na cama, mas não quis me ouvir. Preferiu acreditar no que viu e apenas foi embora. Mas a ameaça dele com o divórcio foi o fim da linha para mim. Ele nem se quer quis me ouvir. Isso prova o quanto ele confia em mim, pois se fosse ao contrário, ficaria com raiva, mas se ele viesse e falasse que foi armação, eu ia estar junto com ele para encontrar as provas, e não mandar ele pro inferno.

Mas deixa, vou provar a minha inocência para ele. Mando a minha querida irmã para o inferno com o Thales junto. Pego o meu celular e ligo para ela. Caixa postal, claro, ela vai fugir por um tempo. Volto para casa, e as taças ainda estão em cima da mesinha. Ela não se deu ao trabalho nem de tirar. Pego o meu copo e coloco em um saquinho. Vou levar até um laboratório, já é uma prova de que eu fui drogada por aquela maldita.

Procuro nos lixos o pote da droga, mas não encontro. Ela deve ter levado com ela. Que vontade de matar a Lia! Se ela aparecer aqui agora, sou capaz de apertar o pescoço dela até os olhos saírem para fora. Mulherzinha baixa. Por falar nisso, ligo para o banco e mando cancelar os cartões dela... Melhor, mando cancelar a conta dela. Se ela quer ver o meu mal, vai ter que se virar para se bancar.

Afinal, a empresa eu herdei. Em nenhum momento meu pai colocou o nome dela no documento. Ela já tem 22 anos, já pode arrumar um trabalho e se virar na vida. Subo para o meu quarto, pego os lençóis, fronhas, edredom, retiro tudo da cama, jogando para bem longe.

Minha vontade é de botar fogo no colchão, mas não adiantaria nada agora, afinal, eu não fiz nada com o Thales. Tenho certeza, pois nós mulheres sabemos quando nosso corpo é violado, e o meu corpo está intacto.

Mas, também não quero ficar aqui sozinha. A casa já era grande demais para nós dois. E só para mim, vai ser solidão pura. Como não tenho empregada morando comigo, elas só vêm para fazer a limpeza e vão embora. Fecho as portas e alugo um apartamento só para mim.

Mando mensagem para a agência que contrato e passo o novo endereço para mandar as meninas para cá amanhã. Tomo um banho e me deito na cama. Depois do dia de hoje, não quero saber de comer nada. Estou tão nervosa, com tanta raiva, que a comida até me faria mal se eu inventasse de comer alguma coisa.

Logo caio no sono, mesmo com o dia turbulento. Minha mente está cansada. Acordo com o celular despertando. Tomo um banho e coloco minha roupa social. Mesmo que ele não me queira na empresa, tenho certeza disso, eu trabalho lá, e vou continuar. Ele que me engula ou surte de vez.

Pego a minha bolsa e sigo para o meu carro. Antes de ir para a empresa, passo no laboratório e deixo a taça, e peço para encontrarem as substâncias que contém nela. Pago e sigo para a empresa. Assim que chego, pensando que seria barrada pelos seguranças, nada aconteceu. Então, segui para a minha sala e me sentei em minha cadeira, com uma dor de cabeça enorme.

Minha secretária bate na porta, e eu mando ela entrar. Ela traz com ela uma pasta azul, e pela sua cara, já posso imaginar o que seja.

- Senhora Lewis, o senhor mandou te entregar esse documento. Pediu para a senhora ler, assinar e me entregar para eu levar para ele.

- Obrigada, Sara. Vou ler. - Ela concorda e sai da minha sala. Abro a pasta, e onde eu pensei que seria o divórcio, me enganei. Ao abrir, me deparo com dois documentos. Um que ele vende a parte dele para mim, e o outro que eu vendo a minha parte para ele. - Ele está louco?

Me levanto da minha cadeira, furiosa. Saio da minha sala e vou até a sala dele. Mas antes que eu entre, a secretária e um segurança barram a minha entrada.

- Saiam da minha frente. Eu ainda sou a chefe de vocês aqui dentro.

- Desculpa, senhora, mas o senhor Lewis pediu para não deixar a senhora entrar.

- Ah, desculpa. Então faça um favor para mim? - Ela balança a cabeça, e retiro os documentos da pasta, coloco a pasta no chão e rasgo todos eles, deixando em picadinho. Jogo tudo dentro da pasta de novo e dou para ela. - Entrega esse documento para o seu patrão babaca. Se ele quiser sair da empresa porque não suporta olhar para minha cara, ele que saia, mas não vou dar nenhum dólar para ele, e também não vendo a minha parte.

- Sim, senhora. - Ela espera eu sair, e quando eu me viro para voltar à minha sala, vejo ela entrando na sala dele. Tenho que arrumar um jeito de colocar uma câmera na sala do Matteo para que eu possa ver e ouvir o que ele planeja contra mim.

Mas se ele acha que vai ser fácil se livrar de mim, ele vai cair do cavalo. Pois se tem uma coisa que sou, é ser persistente. Ninguém me abala, ninguém me derruba, e ninguém me deixa, a não ser que eu queira ser deixada. Agora ele vai sentir o que é ter uma ex-esposa maluca na vida dele.

Capítulo 3 Ciúmes, será

Matteo,

Assim que chego na empresa, eu não proíbo a entrada dela no prédio. Seria até errado fazer isso, já que ela ainda é dona também. Porém, na minha sala, eu deixo a entrada dela extremamente proibida. Chamo um dos seguranças para ficar na porta e aviso a minha secretária.

Meu advogado já deixou os papéis da venda prontos e entregou para a minha secretária. Então, eu só vejo como ficou e mando a minha secretária entregar para a dela e mandar ela assinar o que mais lhe convém.

Espero um pouco, e escuto ela arrumando barraco na porta da minha sala, mas não consegue entrar. Logo em seguida, a minha secretária entra e me entrega a pasta. E assim que eu abro, a grande surpresa.

- Sinto muito, senhor. Eu não podia fazer nada. Ela rasgou tudo muito rápido. - Minha secretária se lamenta, vendo a minha cara de decepção.

- Não tem problema. O meu advogado consegue outro. Ela continua proibida de entrar, e depois do que ouvi aí na porta, chame outro segurança, só para ficar mais seguro.

- Sim, senhor. - Ela fala, saindo da sala, e eu jogo a pasta no lixo, com raiva dessa mulherzinha desprezível.

Me traí, e ainda se acha a dona do pedaço, mas eu vou mostrar para ela que comigo não se brinca. Ligo para os técnicos e mando instalar uma câmera na sala dela hoje à noite. Quero ver com quem ela fala, o que ela faz, e vou usar tudo como prova no dia do divórcio. Quanto mais prova eu tiver, menos ela recebe do acordo.

Pergunto para minha secretária se ela ainda está na sala dela, e ela diz que sim. Peço para dar um jeito de segurar ela lá dentro, pois vou sair e não quero dar de cara com ela. Ela diz que vai fazer, e eu saio. Me direciono direto para o elevador e saio da empresa.

Vou até o escritório do meu advogado. Além de pedir para ele imprimir outros documentos, pois quero vários para caso ela rasgue de novo, eu tenha mais, e já ver sobre o pedido do divórcio.

- Está tudo encaminhado para o juiz. Assim que ele liberar, já te entrego o pedido.

- Ótimo, não quero mais meu nome naquela traidora. Posso ganhar a mais no acordo, já que ela me traiu, não posso?

- Infelizmente, traição não é crime, mas podemos sim tentar umas coisinhas. Mas você tem provas da traição dela? Tipo, sua casa tem câmeras?

- Não tem. Ela até queria colocar, mas eu disse que isso tirava a nossa privacidade, então não deixei que colocasse as câmeras. Me arrependo tanto agora por isso.

- Seria bom, mas como você não tem provas, será sua palavra contra a dela, e não sei se o juiz aceitará. Já é um contra contra você.

Droga. Ela ainda vai sair livre dessa. Eu não posso acreditar. Pego os documentos e vou embora. Nem vou para a empresa, já que não tenho nada de importante para fazer lá, e assim evito de dar de cara com ela. Vou até uma imobiliária e busco um apartamento para comprar. Quero apartamento, que assim posso proibir a entrada dela.

Consigo um a dois quarteirões da empresa. Fico com ele, pelo menos até arrumar um melhor para morar sozinho. Ligo na agência de limpeza e peço algumas meninas para cuidar da arrumação de lá, já que eu nunca como em casa.

Liana e eu sempre comemos fora, pois a empresa demanda muito do nosso tempo, e não dava para ir para casa, comer e depois voltar. Então, combinamos no restaurante que tem de frente a empresa.

Como chegou a hora do almoço, eu dirijo até lá e vou almoçar. Me sento na mesa de sempre, que tem a vista completa da cidade. Faço o meu pedido e aguardo. Assim que o garçom me serve, vejo ela entrando na porta com um homem. Agora ela vai sair com todo mundo. Ela não devia fazer isso em público, não até o nosso divórcio ser anunciado.

Ela me olha também, mas desvia o olhar para o homem, sorrindo, e se sentam em outra mesa, que fica praticamente de frente para a minha. Ela se senta na cadeira que dá acesso para que ela olhe para mim, e eu para ela. Abusada.

Tento desviar os meus olhos para a paisagem ao meu lado enquanto eu como, mas acabo sempre olhando para os dois. Ela fala com ele com graciosidade, como se fosse uma dama. De dama não tem nada, a não ser a de uma viúva negra. Que pega seus parceiros e acaba com eles depois.

Já prevejo que esse será outro besta na mão dela. O coitado nem imagina que será o próximo a levar chifre. Coço a minha cabeça só de lembrar dela e o Thales na cama. Isso faz um ódio consumir o meu corpo todo. Me levanto para pagar a conta. Passo bem perto dela, mas parece que nem passei. Ela nem se quer olhou para mim. Pago a conta e me aproximo da mesa deles.

- Deveria esperar o divórcio sair primeiro. Uma coisa é na nossa cama, outra bem diferente é na frente de todo mundo.

- Senhor, eu... - Ele começa a falar, mas ela o interrompe.

- Não é da sua conta o que eu faço ou deixo de fazer. Já preparou os papéis do divórcio? Ótimo. Assim que estiver pronto, manda pra minha sala igual você fez, que eu assino.

- Vai assinar mesmo, ou vai rasgar?

- Vai depender do meu humor, querido. Agora, dá licença, que você está atrapalhando, não percebeu?

Atrapalhando? Como ela é ousada. Não conhecia esse lado dela. Com raiva, e só de pirraça, me sento na cadeira do lado dela e a observo. Ela solta um sorriso carregado de ironia e olha para o homem à sua frente.

- Desculpe por isso, querido. Meu ex-marido não tem noção do que é ser impertinente.

Querido? Ex-marido? Impertinente? Essa mulher do pode está de brincadeira comigo. Olho para ela com os olhos serrados, e ela limpa o canto da boca e devolve o meu olhar com deboche. Odeio pessoas que me olham assim, e ela sabe bem disso.

- Deixa de ser atrevido, Matteo. Pode ir embora e nos dar privacidade? - Ela fala cheia de gracinha.

- Não! - Falo seco, olhando bem nos olhos dela.

Ela sorri e chama o garçom para trazer a conta. O cara, sendo um cavalheiro, pega a conta e paga. Ele pede licença e se levanta, falando que vai ao banheiro, deixando nós dois na mesa, um olhando para o outro. Tenho tanto ódio dessa mulher, que se ela soubesse, sairia correndo.

- O que diabos você quer, Matteo?

- Quero que você pare de me trair. Quero que você respeite o fim do nosso casamento, até o divórcio sair, para poder sair com outro. Não bastou foder com o meu amigo, agora vai fazer isso em público?

- Como vamos nos divorciar, estou conhecendo as novas oportunidades. Não sou uma mulher de ficar sozinha, e se você não quer mais, tenho que arrumar quem queira.

Puxo o cabelo dela para trás, e ela, em vez de fazer zero escândalo, sorri e ainda passa a língua nos lábios, só para me provocar.

- Você não me provoque. Espere o divórcio sair primeiro.

- E se eu não quiser? - Ela fala toda provocante, e isso sempre me deixou louco com ela.

- Vou fazer você se arrepender para o resto da sua vida, ex-esposinha.

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