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A fabulosa ex-esposa do CEO

A fabulosa ex-esposa do CEO

Autor:: Lucia Love
Gênero: Moderno
Quando Zora estava doente nos primeiros dias da gravidez, Ezrah estava com sua primeira paixão, Piper. Quando Zora sofreu um acidente e ligou para Ezrah, ele disse que estava ocupado, mas na verdade estava fazendo compras com Piper. Zora perdeu o bebê por causa do acidente e, durante seus dias no hospital, Ezrah nunca apareceu. Isso foi a gota d'água. Quando Ezrah finalmente chegou em casa, não encontrou mais a mulher que sempre o recebia com um sorriso. Zora estava no topo da escada e gritou com uma expressão gelada: "Boa notícia, Ezrah! Nosso bebê morreu em um acidente de carro. Não há mais nada entre nós, então vamos nos divorciar." Ao ouvir isso, o homem, que sempre afirmava não ter sentimentos por Zora e havia pedido o divórcio duas vezes, entrou imediatamente em pânico.

Capítulo 1 Nada que envolva Zora é urgente

"Senhor, a senhora não está se sentindo bem", informou o mordomo da mansão Gannon pelo celular.

"Então leve-a ao hospital. Não sou médico", respondeu o homem com total indiferença do outro lado da linha e, assim que terminou a frase, encerrou a ligação.

O mordomo empalideceu tanto que pequenas gotas de suor brotaram em sua testa.

Zora se recostou no sofá, enfraquecida pelas dores abdominais. Tentando disfarçar o desconforto, perguntou com esperança: "O que ele disse?"

O mordomo se virou para ela com um sorriso sereno. "Senhora, o senhor disse que nos encontrará no hospital."

Ao ouvi-lo, os olhos de Zora se iluminaram. "Tudo bem. Vamos."

Ezrah não aparecia em casa havia quase três dias, e ela sentia profundamente sua falta. Aquele mal-estar parecia ser seu pequeno amuleto da sorte, trazendo-o de volta para perto.

O coração de Zora se aqueceu ao imaginar que Ezrah ao menos se preocupava com o filho que ela carregava. Os dois haviam se envolvido em um escândalo dois anos antes, e o casamento acabou sendo a única solução possível.

A postura de Ezrah, no entanto, sempre fora explícita: "Quando tudo se acalmar, vamos nos divorciar."

Apesar disso, Zora ainda acreditava que conseguiria amolecer o coração frio dele e conquistar seu amor - esperança que se tornava cada vez mais frágil. Mesmo trabalhando juntos na mesma empresa e dividindo o mesmo quarto, ela sentia o marido se afastar um pouco mais a cada dia.

Dois meses atrás, Ezrah retornou apenas para pedir o divórcio, mas foi surpreendido pelo resultado do teste de gravidez.

Com o semblante carregado, declarou: "Vamos adiar o divórcio até o nascimento da criança, mas não pense que continuará como a senhora Gannon. Esse título pertence a outra pessoa, e definitivamente não a você."

Depois disso, o casamento virou um tormento. Ezrah quase não dava as caras em casa e a intimidade entre eles se tornou inexistente. A única razão pela qual ela ainda carregava o sobrenome Gannon era o bebê em seu ventre.

Zora preferia acreditar que o afastamento dele se devia ao trabalho, já que ele era o CEO do Grupo Gannon, uma gigante multibilionária onde ela atuava como gerente assistente.

Sem que Ezrah soubesse, Zora o amava havia cinco anos, mas, naquela noite em que bebeu demais na festa de aniversário de sua melhor amiga, Coco, acabou despertando na cama dele.

Quando a mídia divulgou a notícia, ela decidiu guardar tudo como um segredo e uma lembrança íntima. Ezrah, preocupado com sua reputação impecável, anunciou que os dois estavam em um relacionamento secreto e que se casariam em breve.

Apaixonada como era, Zora ficou radiante com a ideia de se casar com ele.

Ela acreditou que, com o tempo, o coração dele se abriria, mas isso nunca aconteceu - mesmo grávida, ele mal passava uma noite em casa.

No caminho para o hospital, o celular de Zora vibrou e, ao ver o conteúdo, seu coração se despedaçou.

Ezrah segurava a mão delicada de uma mulher belíssima, exibindo um sorriso orgulhoso. A legenda dizia: "Ezrah Gannon revela ter reatado seu romance com a ex-namorada, Piper Henshaw."

As lágrimas encheram os olhos de Zora. Apesar disso, ela se recusava a aceitar aquilo, pensando que talvez fosse montagem.

Ezrah nunca fora visto com outras mulheres antes da gravidez. Ele sempre manteve distância da mídia e era extremamente reservado.

Além disso, Rudolph havia dito que Ezrah prometera encontrá-los no hospital - certamente a imprensa estava apenas inventando manchetes sensacionalistas.

Mesmo assim, a inquietação a corroía e ela discou o número dele imediatamente.

Embora Ezrah tivesse ordenado que ela se comunicasse com ele apenas através do mordomo, Zora decidiu enfrentá-lo dessa vez.

A ligação completou, mas ninguém atendeu. Antes, ela teria desistido, mas agora, com o coração apertado, ela continuou tentando.

No quarto toque, uma mulher atendeu com uma voz suave e melodiosa que fez Zora se sentir inferior. "Ezrah está no banho."

As mãos de Zora tremeram e, o coração, antes apenas apertado, agora se rompeu por dentro. Uma dor lancinante atravessou seu peito, ainda pior que a dor abdominal.

Ezrah jamais deixava que ela sequer tocasse em seu celular - mas aquela mulher o atendeu com naturalidade. Será que ele estava mesmo no banho?

"Quem é você?", Zora perguntou, quase sem voz.

A mulher respondeu, despreocupada: "Piper, noiva dele. E você é?"

"Como quer que ele tenha salvo meu nome", devolveu Zora com calma. A notícia era mais dolorosa do que ela podia suportar.

Ela sabia que Ezrah nunca a amara, mas acreditava que poderiam, ao menos, conviver em paz pelo bem do bebê. Contudo, ele não estava disposto a permitir nem isso.

Do outro lado, a mulher afastou o celular para conferir o identificador de chamadas.

"Ah, Zora. Se for algo urgente, posso dar o recado quando ele sair."

As noites em que Zora acreditava que Ezrah estava atolado de trabalho ganharam um novo significado - ele estava com a mulher que amava, enquanto ela sofria grávida, sozinha.

Estando ainda no primeiro trimestre, fragilizada por enjoos e outros sintomas, Zora havia se afastado do trabalho para se recuperar.

Sua mente se embaralhou, e cada resposta que Rudolph dera nos últimos dias quando ela pedira para entrar em contato com Ezrah começou a soar duvidosa.

"Só diga a ele para me ligar", pediu Zora antes de encerrar a ligação.

Enquanto isso, no quarto do hotel, Ezrah havia acabado de retornar da reunião na sala de conferências. Ele nunca permitia que ninguém atendesse suas ligações durante os compromissos de trabalho, então deixara o celular na suíte presidencial.

"O que está fazendo com o meu celular?", ele questionou assim que entrou no quarto. Antes mesmo que Piper respondesse, ele continuou: "Eu deixei claro que você deveria me esperar no saguão. Como conseguiu entrar aqui?"

O biquinho que Piper fez a deixou ainda mais adorável enquanto fingia aborrecimento. "Foi errado eu vir? Nós já estaríamos casados se Zora não tivesse aparecido."

Ezrah sempre foi um homem reservado no que dizia respeito à vida amorosa. Seu relacionamento com Piper era secreto e à distância.

Na noite em que combinaram de se encontrar na festa de aniversário da irmã de um dos parceiros de negócios dele, Piper teve uma emergência e não pôde ir como planejado.

Naquela mesma noite, ele acabou misteriosamente na cama com Zora - um incidente que deveria ter sido enterrado para sempre, até que a mídia o expôs.

Para não manchar sua reputação impecável, Ezrah concordou em casar com Zora, prometendo a Piper que pediria o divórcio em segredo depois de dois anos, quando tudo se acalmasse.

Mas tudo saiu do controle quando, prestes a cumprir a promessa, ele encontrou o resultado do teste de gravidez.

"Já disse que estou resolvendo isso. Você deveria evitar a imprensa. Não podemos ser vistos juntos", afirmou Ezrah num tom severo. Para ele, o trabalho vinha antes de tudo, e a presença de Piper só ameaçava a imagem que lutara para construir.

Piper empalideceu diante do aviso. Forçando um sorriso, ela disse: "Eu poderia ser sua secretária particular. Por favor, Ezrah, não quero mais ficar longe de você."

Ezrah não respondeu. Sendo o mais novo dos três filhos, não havia sido simples para ele conquistar o cargo de CEO do lendário Grupo Gannon, por isso, sempre calculava cuidadosamente cada passo.

Qualquer deslize poderia dar aos irmãos mais velhos o motivo perfeito para disputarem o poder. "Alguém ligou?"

Enquanto verificava o celular, viu o nome de Zora.

"Sim, Zora. Ela pediu para você retornar a ligação", respondeu Piper, sorrindo enquanto seus dedos deslizavam pelas coxas expostas e ela se estendia sedutoramente na cama king-size.

"O que você disse a ela?" Ezrah franziu levemente a testa, querendo manter Piper escondida até que o divórcio fosse concluído.

"Fingi que não sabia quem era." Piper se sentou e, com a longa fenda do vestido, suas coxas fartas ficaram à mostra - embora a atenção de Ezrah estivesse completamente voltada para o celular.

"Faça-me o favor de não atender mais minhas ligações", ele disse, a voz desprovida de qualquer calor.

Piper fingiu arrependimento. "Desculpe. Pensei que fosse algo urgente."

Finalmente, Ezrah a encarou e afirmou com frieza: "Nada que envolva Zora é urgente."

Capítulo 2 Ótimas notícias, Ezrah!

Piper ficou radiante com o comentário de Ezrah, embora soubesse que Zora ainda carregava o título de senhora Gannon - um status que ela desejava há muito tempo.

Como ela desejava que aquela noite jamais tivesse acontecido. Se aquele homem inútil não tivesse surgido bem quando ela estava prestes a ir para o aeroporto pegar o jato particular, ela teria sido a mulher a acordar na cama de Ezrah.

A simples lembrança queimava por dentro. Por que justamente a insignificante Zora?

"Ezrah, você tem certeza de que vai se divorciar dela?", Piper questionou.

Ezrah detestava que duvidassem de sua palavra, então respondeu seco: "Você não acredita em mim? Só estou com ela porque está esperando um filho meu. Assim que nascer, eu me divorcio."

Satisfeita, Piper abriu um sorriso e, como já havia salvo o contato de Zora quando atendeu a ligação, enviou para ela a gravação da conversa.

Lembrando-se de que o mordomo havia ligado avisando que Zora estava doente, ela apagou o áudio do próprio celular e perguntou a Ezrah: "Você pode ir às compras comigo? Não trouxe roupas suficientes."

Mesmo que Zora mostrasse o áudio para Ezrah, Piper negaria tudo - ele não conhecia o número que ela usara para enviá-lo.

"Tenho outra reunião em duas horas. Então você tem uma hora e meia para resolver o que precisa", respondeu Ezrah, num tom mais leve.

Ao ouvir o áudio, o coração de Zora se apertou.

O mordomo, que dirigia o carro, sentiu-se impotente e também decepcionado com o chefe.

Zora então perguntou, do banco traseiro do luxuoso veículo: "Ele realmente disse que nos encontraria no hospital?"

A garganta do mordomo secou. Ele sempre conseguia criar desculpas para aliviar a situação para seu chefe, mas dessa vez tudo desmoronou - o áudio dizia a verdade.

"Sinto muito, senhora. Eu... só não queria que ficasse triste."

O coração de Zora se contraiu e um sorriso amargo surgiu em seus lábios quando lágrimas começaram a se acumular. Para Ezrah, ela não significava absolutamente nada. Aqueles pequenos gestos que pareciam demonstrar cuidado eram apenas encenações criadas pelo mordomo.

Ela se sentia ridícula, mas não teve tempo de se recompor antes que uma força brutal atingiu o carro pela lateral, lançando-o para fora da pista.

O veículo capotou três vezes e o mordomo desmaiou na hora. Zora experimentou uma dor lancinante, enquanto sangue escorria de sua boca, nariz e, logo depois, entre suas pernas.

Nada podia descrever a agonia de sentir a vida se esvair, com uma dor avassaladora tomando seu abdômen.

Mesmo assim, ela conseguiu alcançar o celular caído no chão e discou o número do marido.

Sem conseguir erguer o aparelho até a orelha, ela ativou o viva-voz.

"Zora, estou ocupado."

Foi a primeira coisa que Ezrah disse ao atender, sem sequer esperar que ela falasse. Para ele, nada relacionado a Zora era importante.

Antes que a inconsciência a tomasse, Zora ouviu uma risada feminina e a voz suave dizendo: "Ezrah, quero esses sapatos."

"Experimente. Se servirem, pode ficar com eles."

"Então... ir às compras com outra mulher é o que você chama de estar ocupado..." Esse foi o último pensamento de Zora antes de desmaiar.

Após horas de cirurgia, Zora finalmente acordou no hospital. Seu rosto estava tão pálido quanto o de um fantasma, e sua aparência era deplorável.

O mordomo, Rudolph, estava sentado ao lado com um sorriso aliviado. Ele havia se machucado, mas os ferimentos não eram graves, e já tinha recebido alta.

"Senhora, graças a Deus você acordou."

Zora se alegrou ao ver que havia apenas alguns hematomas leves no rosto dele.

Rapidamente, Rudolph correu para chamar um médico.

"Senhora Gannon, como está se sentindo?", perguntou o médico enquanto a examinava e anotava algumas observações.

Mas Zora só tinha uma preocupação em mente e perguntou: "Como está o meu bebê?"

O olhar do médico escureceu. "Sinto muito... seu bebê não resistiu ao impacto."

Lágrimas brotaram, mas ela as segurou. Ela havia perdido tudo - abandonou a empresa do pai para trabalhar para Ezrah, lidou com a família arrogante dele e suportou humilhações.

Aos 23 anos, ela não tinha absolutamente nada em retorno do homem que amara em segredo por cinco longos anos. "Está tudo bem. De qualquer forma... ele só iria sofrer mesmo."

Seu coração congelou pela dor da perda do bebê.

"Como disse?" O médico arregalou os olhos, pois esperava que Zora desabasse como qualquer mãe, mas ela guardava toda a dor para si.

Ela suportou a indiferença de Ezrah por anos, mas nunca o perdoaria pela morte de seu bebê.

De repente, a imagem daquela mulher surgiu em sua mente - e logo depois o acidente. O caso precisava ser investigado, mas Ezrah... ele não tinha mais lugar em seu coração.

"Desculpe, eu... não falei para você", Zora respondeu, sua voz desprovida de qualquer calor.

O médico apenas encerrou o exame e saiu.

Quando ela olhou para a porta, Rudolph estava ali parado.

Ela queria chorar, mas não podia e apenas se culpava por ter sido fraca por tempo demais - e isso custou a vida de seu filho. Se tivesse ido embora quando Ezrah pediu o divórcio pela primeira vez, nada disso teria acontecido.

Na época, ela implorou para que ele não a deixasse. No entanto, no dia em que descobriu a gravidez, decidiu aceitar o divórcio e partir, já que pelo menos teria o filho dele como lembrança.

Infelizmente, o teste caiu da bolsa dela, e Ezrah viu. Mesmo decidindo esperar o parto, ele jamais mudou seu modo cruel de tratá-la.

"Onde Ezrah está?", perguntou Zora.

A frieza na voz dela fez um arrepio atravessar a espinha de Rudolph.

"Senhora... o homem que nos atingiu estava bêbado e morreu no local. A polícia não conseguiu localizar sua família", relatou o mordomo, desviando do assunto.

Zora não acreditou.

E, no instante em que percebeu que até ele estava mentindo para ela, sua confiança se quebrou e ela decidiu que investigaria tudo sozinha.

"Essa não foi a minha pergunta."

"O chefe saiu daqui há alguns minutos", respondeu Rudolph por fim.

Dessa vez, a fúria de Zora despertou. Não era apenas Ezrah - até Rudolph, o mordomo que deveria protegê-la, estava a tratando como uma tola.

"Não minta na minha cara de novo", disse ela, a voz firme e carregada de desprezo.

Rudolph contraiu os lábios e baixou a cabeça. "O chefe disse e cito: 'É lamentável. Deixe os médicos cuidarem dela. Estou muito ocupado no momento.'"

Zora sabia exatamente com o que ele estava ocupado: a mulher cuja voz ouvira no áudio. Ela acreditou que conseguiria se manter firme, mas uma lágrima escapou antes que pudesse contê-la.

Envergonhada por demonstrar fraqueza diante de Rudolph, ela o dispensou: "Obrigada por tudo, agora, gostaria de ficar sozinha, por favor."

Rudolph não deveria deixá-la sozinha, então hesitou. "Senho..."

"Eu disse que quero ficar sozinha, Rudolph", disse ela, o tom de voz aumentando.

"Está bem", respondeu ele.

Assim que ele saiu do quarto, Zora discou um número.

"Zora..."

"Pai, me desculpe. Eu cometi um erro... e agora perdi tudo."

As lágrimas caíram livremente enquanto ela falava com o pai. Ele sempre fora contra o casamento, desde que percebeu que Ezrah não correspondia ao sentimentos da filha - mas ela, cheia de esperança, acreditou que um dia ele mudaria.

Ela esperava um sermão do pai, um "eu te avisei".

Porém, a voz dele era suave ao perguntar: "O que aconteceu, Zora?"

"Sofri um acidente... e perdi o bebê. Decidi voltar para casa."

Diante do silêncio pesado do outro lado, Zora sabia que a perda do neto o entristecia profundamente.

Quando ela já estava prestes a desligar, ele disse subitamente: "Oh, Zora... Estou indo te buscar. Apenas me envie sua localização."

Zora recusou, porque não poderia partir antes de se separar legalmente de Ezrah. "Não, pai. Ainda tenho algumas coisas para resolver."

"O que é? Me deixe ajudar", respondeu ele, ansioso.

No entanto, ela não queria sobrecarregá-lo e não dependeria de mais ninguém.

A dor que carregava havia acelerado seu amadurecimento - a vida lhe dera um golpe que arrancou dela a inocência.

"Não se preocupe. Não é nada que eu não consiga lidar."

"Está bem. Vamos preparar sua festa de boas-vindas. Vou avisar a sua mãe."

Zora sorriu, aceitando o carinho do pai.

Três dias depois, recebeu alta do hospital. Enquanto aguardava Ezrah, ela mesma providenciou os papéis do divórcio.

Na terceira noite, tarde da madrugada, Ezrah finalmente chegou - cansado, mas ainda exibindo sua beleza fria e impecável.

Ao ouvir o carro, Zora, que havia passado noites em claro esperando por ele, se levantou e correu, mas parou no topo da escada quando viu Ezrah entrar pela porta da sala.

Em vez de ser a esposa que sempre o recebia com um sorriso, ela permanecia imóvel no alto da escada, e sua voz cortante ecoou pela casa: "Ótimas notícias, Ezrah! Nosso bebê morreu num acidente de carro. Não há mais nada entre nós - então vamos nos divorciar."

Ao ouvir isso, o homem que sempre lhe fora indiferente congelou completamente, tomado por um pânico súbito, incapaz de reagir por alguns segundos.

Capítulo 3 Só assine os malditos papéis

Ezrah ficou atônito com a notícia. Ele já havia pedido o divórcio duas vezes antes e se lembrava perfeitamente de como Zora sempre se tornava sombria quando o assunto surgia.

Embora fosse exatamente o que ele queria, a confusão tomou conta de Ezrah, que não conseguiu ignorar o desconforto que apertou seu peito. Seria porque agora era Zora quem pedia? Ou ela estaria tentando manchar sua reputação após a perda do filho?

Zora desceu as escadas e se dirigiu à mesa de jantar.

Sem dizer se aceitava ou não o pedido de divórcio, Ezrah subiu, retornando cerca de dez minutos depois vestindo roupas de ficar em casa.

Parecia que ele não pretendia sair - ou talvez ainda estivesse abalado pela notícia. Ao ver a mesa posta com diversas iguarias, uma expectativa involuntária aqueceu seu coração enquanto ele se sentava.

Se ela realmente quisesse o divórcio, não teria preparado o jantar. Mesmo sem saber a que horas ele chegaria, ela havia garantido que tudo estivesse pronto.

Por um breve instante, Piper foi esquecida. Ezrah evitou encarar Zora, já que aquela frieza era algo inédito, mas quando ele retirou a tampa de um dos pratos, seus olhos se tornaram sombrios.

Não havia comida ali, mas sim os papéis frios do divórcio, acompanhados de uma caneta, aguardando assinatura.

"O que é isso?", Ezrah explodiu, irritado e faminto por não ter tido tempo de comer.

Em outras circunstâncias, Zora teria se preocupado e tentado acalmá-lo, mas aquela Zora havia desaparecido com o aborto espontâneo.

Depois de dias chorando até não restarem lágrimas, ela esperou o momento certo para entregar aqueles documentos.

"Precisa que eu te dê um óculos?" Sua voz soou provocadora enquanto ela observava o choque estampado no rosto dele, seus olhos perigosamente vermelhos, secos de tanto chorar.

Ele provavelmente achou que fosse uma brincadeira, mas os documentos deixavam tudo claro.

"O que foi? Achou que eu cozinharia sem saber quando você voltaria para casa?"

A expressão de Ezrah era vazia. Ela poderia ter pedido às empregadas que fizessem aquilo.

Zora se irritou por não conseguir ler as emoções dele, mas já não se importava. "Por favor, apenas assine os papéis. Se achar as letras pequenas demais, comprei até uma lupa para você."

Ezrah não era irracional e, quando pedira o divórcio antes, garantira que nada fosse usado pela mídia. Mas agora, logo após perderem um filho? O que as pessoas pensariam? Além disso, seus pais gostavam de Zora, e só os dois irmãos mais velhos sempre a viram como uma ameaça.

O aborto tornou tudo ainda mais delicado. Ezrah jamais imaginou que Zora usaria aquilo para pedir o divórcio, já que sempre dizia amá-lo, mesmo quando ele se mostrava frio.

"Vamos falar disso depois", disse ele por fim, precisando de tempo para pensar.

Como queria o divórcio naquele instante, Zora reproduziu um áudio no celular.

A mulher diante de Ezrah era completamente diferente daquela que o recebia todas as noites. Antes, ela usava roupas provocantes e maquiagem discreta para seduzi-lo - às vezes funcionava, mas depois de satisfeito, ele voltava à apatia habitual.

Hoje, Zora não usava maquiagem e o cabelo nem sequer estava penteado. Ela vestia apenas um pijama, e seus longos fios escuros pareciam sem vida, em contraste com Ezrah, que continuava atraente.

Ele tinha o rosto e o corpo pelos quais Zora teria feito qualquer coisa no passado - mas não mais. Agora, tudo o que ela sentia era ressentimento e já não se importava com aparência ou inteligência. De que adiantava ser incrivelmente bonito e um gênio nos negócios sem empatia ou consciência?

Zora finalmente enxergava o homem pelo qual fora obcecada: um monstro egoísta, preocupado apenas com sua imagem, dinheiro e prazeres. O véu que cegava seus olhos foi arrancado no momento em que acordou naquela cama de hospital.

O áudio era cristalino. Uma voz feminina e outra masculina - a masculina era de Ezrah.

"Desculpe. Pensei que fosse algo urgente."

"Nada que envolva Zora é urgente."

"Ezrah, você tem certeza de que vai se divorciar dela?"

"Você não acredita em mim? Só estou com ela porque está esperando um filho meu. Assim que nascer, eu me divorcio."

Zora percebeu um traço de culpa no rosto dele, mas nenhum arrependimento.

A voz de Ezrah endureceu ao exigir: "Onde você conseguiu isso?"

Piper não poderia ter feito aquilo... ou poderia? Afinal, ela não tinha contato de Zora.

Mas havia apenas os dois na sala. Será que poderia ter câmeras escondidas?

Confuso, ele voltou à frieza habitual e ameaçou: "Você precisa excluir esse áudio antes que eu assine esses papéis."

Zora não sabia como conseguiu manter a compostura. Até aquele momento, ele nem ao menos se deu ao trabalho de pedir desculpas por ter exposto suas informações pessoais a quem quer que fosse a mulher ao seu lado.

Como ela pôde se apaixonar por alguém assim? Ele não era mais o homem que a salvara da piscina quando ela foi humilhada por amigas invejosas.

Ezrah nem se lembrava daquele dia, mas foi ali que Zora se apaixonou. Calmamente, ela lhe mostrou outra manchete no celular. "Ezrah Gannon revela ter reatado seu romance com a ex-namorada, Piper Henshaw."

Dessa vez, Ezrah empalideceu e pegou o celular, seus olhos sombrios. Embora não conseguisse descobrir quem tirara as fotos nem como se tornaram virais, precisou agir rápido para removê-las, depois poderia rastrear a fonte das informações.

Zora já não sentia mais dor após ouvir o áudio e ler a manchete repetidas vezes. Ezrah já havia dito aquilo antes - não deveria doer.

"Não importa. O obstáculo já foi removido e você já tem uma mulher esperando por você. Só assine os malditos papéis."

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