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A falsa namorada do CEO

A falsa namorada do CEO

Autor:: Laura Mahrins
Gênero: Romance
Kath é uma jovem garçonete que não tempo para o amor, e sequer pensa em relacionamentos. Todo seu tempo é dedicado ao trabalho e em conseguir dinheiro para custear o tratamento da mãe doente e cuidar do irmã pequena Jeff Sparting é CEO de uma das maiores empresas de arquitetura do país, workcalic assumido, dedicou todo o seu tempo e energia para fazer o nome da empresa da família decolar. Mas tudo isso custou o seu casamento com a mulher que ama. Ela precisa de dinheiro. Ele precisa reconquistar a mulher que ama.

Capítulo 1 Prólogo

Kath

Eu permanecia distraída enquanto nenhum cliente entrava na cafeteria, não estava ansiosa pela noite de hoje. Diferente de todas as outras garotas da minha sala, o baile de formatura era um grande evento, mas eu não conseguia me empolgar, sabia que depois dessa noite tudo seria diferente, muitos iriam embora daquele fim de mundo para fazer faculdade enquanto outros iriam viajar em um ano sabático.

Eu? Eu continuaria ali sendo a boa e gentil garçonete da única cafeteria da cidade. O sonho de cursar literatura e me tornar escritora ficaria para outra vida.

Eddie havia me enviado uma mensagem dizendo que me faria uma surpresa e eu já imaginava o que seria, no mínimo ele tinha reservado um quarto no único hotel da cidade para passarmos a noite juntos.

Eu e Eddie namorávamos desde quando eu tinha 16 anos e já havia alguns meses que ele tentava me levar para a cama. Sempre trocamos amassos quando saímos juntos, mas nunca me senti à vontade para irmos além daquilo. Tudo que eu sabia sobre sexo aprendi nos livros de romances e em algumas visitas em sites de conteúdo adulto.

Havia prometido para Eddie que iríamos transar na noite do baile de formatura.

Eddie não é nenhum jogador de futebol ou qualquer outro esporte clichê, ele tem uma banda de rock, que para falar a verdade manda muito mal, mas não sou eu que vai dizer isso para ele, acredito que ele logo vai desistir de tocar e ir para a tão sonhada faculdade de medicina que os pais deles fazem questão de esfregar na minha cara toda vez que os encontro, eles acham que sou uma distração para o filho deles.

O sino da porta toca me despertando dos meus devaneios e vejo Judith vindo em direção ao balcão com os cabelos enrolados em pequenos pedaços de plástico, provavelmente é algo que ela comprou em algum site da China, ela era linda com os cabelos loiros naturais e olhos azuis faiscantes, tem um corpo de parar o trânsito, era a típica patricinha de filme americano, nunca entendi como nos tornamos melhores amigas sendo que não temos quase nada em comum.

- Kath, você não vai acreditar! Acabei de encontrar a Giorgia saindo do salão e ela está horrível, se eu fosse ela, processava o Valentim - disse, jogando uma enorme sacola de papel em cima do balcão - Esse vestido vai ficar perfeito em você.

- Judith, eu disse que não precisava - disse, tirando a sacola do balcão antes que Tara visse e me desse mais um sermão.

- Você disse que não tinha nada para usar, então eu resolvi. Vai arrasar, Eddie vai ficar louco quando ver você.

- Com certeza - falo com o máximo de animação possível.

- Amiga, você vai para o baile de formatura, não em um enterro. Vai ser hoje? - perguntou, esfregando as mãos e mostrando toda sua empolgação com a minha primeira transa, empolgação que eu deveria ter.

- Oh Mortícia! Deixa de papo e vá repor os cookies! - A voz de áspera de fumante de Tara vem de dentro da cozinha.

- Não sei porque ela faz tantos cookies, ninguém compra e são horríveis - Judith disse, fazendo uma careta tão engraçada que tive que me segurar para não cair na gargalhada.

- Nos vemos mais tarde - assoprou um beijo enquanto ia em direção a saída.

Eu já não me lembrava a quanto tempo eu trabalhava na Café da Tara mais conhecido como o café da Tara. O que ganhava com os bicos de babá não estavam sendo mais o suficiente para os remédios de Maddie e de mamãe, andei por cada canto dessa cidade a procura de um emprego que pagasse um salário fixo que pudesse me dar um pouco mais de segurança, depois de várias negativas, Tara decidiu me dar uma oportunidade, mesmo eu sendo um desastre ambulante.

Na primeira semana quebrei no mínimo uma dúzia de copos, não ganhava muito, mas podia levar algumas sobras de Donuts e tortas para casa, o que deixava Maddie muito feliz, a pequena é uma formiguinha. Minha mãe tem Esclerose lateral amiotrófica, o que a impede de trabalhar, o seguro saúde que ela recebe mal dá para os seus remédios. Mesmo com a doença, ela cuida muito bem de Maddie, minha irmãzinha de apenas sete anos havia sido diagnosticada com leucemia.

Moramos em uma cidade minúscula no interior do Texas e que não tem recurso algum para o tratamento das duas, tenho guardado algum dinheiro para poder levá-las para longe daqui e poder cuidar de sua saúde, guardo cada gorjeta e há muito tempo não sei o quê é comprar algo para mim, mas isso não é importante, acredito que logo terei o suficiente para o tratamento de Maddie em Nova Iorque.

- Mamãe, cheguei - grito, deixando o meu casaco sobre o sofá.

- Filha, você precisa se arrumar - diz mamãe ao sair da cozinha escondendo a mão para que eu não veja que ela se cortou mais uma vez enquanto preparava algo.

- Você se cortou de novo? - pego sua mão e vejo o machucado coberto por um curativo improvisado.

- Não foi nada, estava preparando o jantar e acabei confundido a cenoura com meu dedo, aí já viu né - deu uma gargalhada. Mesmo com tantos problemas, minha mãe buscava manter sempre o bom humor.

- Mamãe, na minha folga vou deixar todos os legumes picados, não quero saber da senhora usando nada afiado - repreendi.

- Está tudo bem, Kath. Agora vá se arrumar, já está tarde, anda - disse, me dando uma leve palmada na bunda.

- Maddie está no quarto?

- Sim, ela está um pouco chateada, viu pela janela da sala algumas crianças voltando da escola e você sabe como ela se sente. Logo vou subir e falar com ela, vá se arrumar.

Subi as escadas e fui em direção ao quarto de Maddie, abri a porta lentamente a vi que ela estava sentada no tapete segurando o porta retrato com a foto de nosso pai, ele morreu quando ela tinha três anos em um acidente de carro enquanto voltava do trabalho. Sinto um bolo em meu estômago ao recordar do momento em que o policial bateu em nossa porta dizendo que ele tinha nos deixado para sempre.

- Kath?

- Oi ursinha, vim te dar um beijo antes de me arrumar - dou um beijo em sua testa.

- É hoje o seu baile?

- Sim. ursinha. Aliás, estou atrasada - digo caminhando em direção a porta.

- Kath?

- O que foi?

- Quando eu for grande, vou poder ir em um baile? - pergunta se levantando e sentando na cama ainda segurando o porta-retrato.

Aquela pergunta é como um soco no meu estômago, tudo que eu mais desejo é dar a ela uma vida normal, uma escola, amigos e tudo o que ela sonha.

- Sim, ursinha. Você vai ser a garota mais linda do baile, eu prometo - falo fechando a porta atrás de mim e sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto enquanto respiro profundamente, prometendo a mim mesma que irei cumprir cada promessa feita para ela.

Me olhei mais uma vez no espelho e não me senti nem um pouco confortável, o vestido que Judith me emprestou era o oposto de como eu costumava me vestir, o decote generoso deixava metade dos meus seios à mostra e o rosa bebê não era a cor que eu mais gostava, não que esteja reclamando, estou feliz em poder ir ao baile com Eddie, e se ela não tivesse me emprestado o vestido, eu não teria nada para usar.

A maquiagem discreta tirou um pouco da minha palidez mórbida, pode-se dizer que não estou parecendo um cadáver, daria tudo ver a cara de dona Tara me vendo vestida assim.

- Maldita sandália - Me abaixo arrancado as únicas sandálias de salto que tenho dos pés, tenho certeza que não nasci para usar salto, nos poucos passos que dei dentro do quarto quase cai duas vezes - Que se dane - agarro meu surrado All Star e o coloco nós pés, o vestido é longo e ninguém vai notar, e se eu for de salto é bem provável que eu destrua tudo por onde passar. Coordenação motora nunca foi o meu forte, acho que se dona Tara descontar cada coisa que já quebrei na cafeteria, eu ficaria um ano sem salário.

- Querida, Eddie chegou - ouço minha mãe gritar. Não sinto o frio na barriga que minha diz que sentiu quando meu pai foi buscá-la na noite do baile de formatura.

Tento ser o mais discreta possível ao chegar à sala para que minha mãe não perceba que estou usando tênis, ela me daria um belo sermão.

- Uau - Eddie diz após assoviar.

- Kath, você está linda - Maddie bate palmas empolgada ao me ver.

- Você está muito gata - Me deu um selinho.

- Obrigado, Eddie. Você não está nada mal - Ele era um cara bonito, uma mistura de Ian Somerhalder magrelo com Harry Potter por causa dos óculos de leitura, ele chamava muita atenção no colégio e com certeza namorou meia dúzia de garotas antes de mim, nunca fui do tipo ciumenta, porém, sempre busquei marcar território. Para falar a verdade, não sei o que ele viu em mim, temos um namoro normal e acho que somos um casal feliz, pelo menos eu consigo fazê-lo rir.

- Queria poder ter feito seu vestido, filha, mas esse está lindo - Antes de ficar doente, mamãe era uma ótima costureira, trabalhava na pequena confecção de uniformes que havia na cidade - Queria que seu pai estivesse aqui - veio em minha direção secando algumas lágrimas e me dando um abraço apertado, tudo que eu queria era que papai estivesse aqui hoje.

- Tudo bem, mamãe. Vamos? - tentei ignorar a onda de tristeza que pairava sobre a sala.

Eddie assentiu e saímos em direção ao SUV de seus pais. Durante o percurso ele falava animado sobre a faculdade, eu não tive coragem de contar que não havia me escrito em nenhuma, achei melhor poupar a nossa noite de qualquer desconforto.

Judith nos esperava na entrada da festa usando um vestido preto brilhante que marcava cada uma de suas curvas, no rosto usava uma maquiagem impecável, como era de se esperar.

- Vocês demoraram - Me deu um abraço apertado - Uau, parece que esse vestido foi feito para você - pegou a minha mão e me fez dar uma volta.

- Vou pegar uma bebida e ver se encontro Thomas.

- Tudo bem - assenti enquanto Eddie se afastava sem ao menos esperar minha resposta

- Você está animada? Vai ser hoje amiga, você se depilou?

- JUDITH! - tento repreendê-la para ela seja mais discreta - Você quer que todo mundo saiba que vou transar hoje?

- Claro, você é a última virgem da terra, Katherine - Havia me acostumado tanto com todos me chamarem de Kath que as vezes me assustava quando era chamada de Katherine, meu pai havia escolhido meu nome em homenagem a rainha da Inglaterra e confesso que achava um pouco grande, Kath era simples e prático.

- Não exagera, só não tinha achado o momento certo - Talvez esse nem seja o momento, pensei.

- Baby, desde quando se tem momento certo para romper o lacre? Você sabe que eu perdi minha virgindade na garagem da casa do Steve - disse em alto e bom som.

Às vezes eu achava que não era muito normal, então passava alguns minutos na presença de Judith e descobria que minha sanidade estava intacta. Mesmo parecendo uma patricinha intocável, Judith tinha um grande senso de humor e talvez um parafuso a menos, acho que por esse motivo nos tornamos melhores amigas.

- Vem, vamos dançar - Me puxou para a pista. Enquanto eu tentava dançar em meio a pista cheia, procurei Eddie com os olhos e vi que ele estava com seus amigos da banda bebendo algo em um cantil, imaginei que fosse whisky ou qualquer outra bebida alcoólica que eles levaram escondido do diretor, mesmo sendo maior de idade eu nunca havia experimentado álcool e não tinha vontade alguma.

Eu estava com o corpo suado após tentar fazer inúmeras coreografias na pista de dança, quando começou a tocar Perfect de Ed Sheeran, a pista começou a ficar vazia e logo o astro do time de futebol que havia levado Judith veio buscá-la para dançarem juntos, eu fiquei parada por um ou dois minutos na pista enquanto os casais dançavam ao meu redor, foi quando vi Eddie vindo na minha direção com um sorriso no rosto.

- Me concede a honra, senhorita? - Se inclinou como se estivéssemos em um baile de época, são esses pequenos detalhes que fizeram com que eu ficasse com ele a primeira vez.

- É claro, cavalheiro - sorri, lhe estendendo a mão e permitindo que ele depositasse um beijo sobre ela.

- Lembra que te falei que tinha uma surpresa? - Eddie falou em meu ouvido enquanto dançávamos no ritmo da música

- Sim, o que é? - perguntei já sabendo a resposta.

- Reservei a suíte presidencial no Argos para nós dois - Me deu um selinho - Não vejo a hora de ficarmos a sós - Ao ouvir aquela frase, a única reação que tive foi recostar minha cabeça sobre o seu ombro e imaginar que estava em filme de romance dos anos 90.

Eddie ficou inquieto durante o trajeto até o hotel, era o melhor que tinha na cidade, até porque não tinha muitos outros para que ele pudesse competir, haviam apenas três hotéis em Fredricksburg.

- Chegamos - falou afoito ao abrir a porta do carro.

Eddie abriu a porta do quarto e me puxou para dentro, depositando beijos rápidos em meu rosto e pescoço enquanto tentava se livrar do blazer, eu sabia qual era o nosso objetivo ali, mas eu esperava que fosse diferente.

- Que carinha é essa, gatinha? - perguntou, parando de abrir a camisa.

- Eu estou um pouco nervosa - tentei sorrir, talvez tenha parecido mais uma careta.

- Fica tranquila, meu amor. Nós dois queremos isso, não é? - assenti positivamente com a cabeça.

Ela se aproximou e depositou vários beijinhos no meu rosto e pescoço. Eu deveria sentir algo além de receio?

- Você pode tirar o seu vestido? Estou louco para ver esses peitos - senti meu rosto arder ao ouvir suas palavras.

Busquei o zíper do meu vestido e o abri, tirando a peça lentamente, deixando os meus seios expostos e ficando a apenas com a minha calcinha branca de algodão.

Diferente do que eu imaginava, lia e via nos filmes, não ouve aquele rompante em que o casal se agarra e arrancam a roupa um do outro, Eddie me olhou de uma maneira devassa enquanto abria a sua calça, quando vi o seu membro em evidência embaixo da cueca senti um leve receio, mas não dava mais para desistir, eu o escolhi, havia me preparado para aquele dia.

Assim que ele abaixou a cueca, seu membro ereto saltou para fora e eu tive um vislumbre do seu tamanho, não era grande como os que tinha visto nos vídeos, mas não era pequeno tão pequeno.

- Você é muito gostosa, Kath - Se aproximou apertando o meu seio direito com força me fazendo sentir dor, tomou minha boca em um beijo agressivo e me deitou sobre a cama - Eu preciso entrar em você - rosnou enquanto pegava o pacote de camisinha.

Eu fiquei encarando o lustre no teto enquanto ele se preparava e me lembrei das coisas que Judith me dizia sobre sexo e o quanto era bom, em como as pessoas dos vídeos pareciam felizes fazendo isso, mas eu não conseguia sentir nada daquilo nesse momento.

- Gatinha, abra as pernas - pediu ficando em cima de mim - Vai doer só no começo, tá bom? - provavelmente não era a primeira vez que ele tirava a virgindade de alguém.

Assenti com a cabeça e em seguida senti meu corpo sendo invadido, eu tentava sentir algo relativamente bom, entretanto, tudo que estava sentindo era desconforto a cada movimento que Eddie fazia, numa fração de segundos eu senti meu corpo ser rasgado, uma ardência muito grande invadiu o interior da minha vagina e não consegui conter o grito.

- Está tudo bem, dói só no começo - Ele estava ofegando.

A cada movimento que ele fazia, mais dor eu sentia, estava tão forte que eu sentia vontade de vomitar.

- Eddie, está doendo - falo na tentativa de pará-lo, mas ao invés disso, ele intensificou os movimentos, e após dar um gemido ensurdecedor, caiu com corpo sobre o meu.

Aqueles minutos debaixo do corpo de Eddie pareceram horas intermináveis, tudo que eu conseguia pensar naquele momento era no quanto eu havia sido idiota por criar expectativas por um momento como aquele.

Enquanto fechava o zíper do vestido, meu telefone tocou. Passei por Eddie que estava se vestindo e fui em direção a minha bolsa para pegá-lo, assim que vi o nome da minha mãe na tela, um arrepio subiu pela minha espinha.

- Mamãe!

- Filha, me perdoe por estragar sua noite, mas Maddie... - Ela não conseguiu terminar a frase tomada completamente pelo choro.

- Mamãe, o que houve com Maddie? Mamãe! - gritei em meio ao desespero.

- Kath - reconheci a voz de nossa vizinha, era Susan.

- Susan, o que aconteceu com a Maddie? Onde está a minha mãe? - perguntei enquanto colocava o tênis rapidamente.

- Maddie desmaiou e nós a trouxemos para o hospital. Ela está sedada e sua mãe está bem, só está nervosa. Tem como você vir?

- Claro, Susan. Já estou a caminho - olhei para Eddie, que permanecia sentado na cama me observando.

- O que houve? - perguntou enquanto abotoava a camisa.

- Maddie passou mal. Podemos ir para o hospital? Eu preciso vê-la.

- Sinto muito, gatinha. Prometi que devolveria o carro para os meus pais a meia-noite e estou atrasado.

- Eddie, não custa nada você me deixar no hospital - falei alto sem acreditar do que acabei de ouvir.

- O hospital fica do outro lado da cidade. Não vai rolar.

Aquilo era demais para digerir naquele momento, tudo que consegui fazer foi pegar a minha bolsa e sair correndo daquele quarto. Aquela droga de cidade não tinha sequer um serviço de Uber e o vestido longo me impedia de caminhar mais rápido, pensei em ligar para Judith, mas não era justo estragar a noite dela.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto, a decepção, a angústia e o medo controlavam minha mente. Cheguei no hospital e avistei minha mãe, senti uma partícula de alívio surgir em meu peito, ela parecia mais tranquila enquanto caminhava rapidamente em minha direção.

- Filha! - Me deu um abraço forte.

- Não foi nada, mamãe. Eu estou bem, e Maddie? Onde ela está? - saio dos braços de minha mãe indo em direção ao corredor e tudo escurece logo em seguida.

Acordei sentindo uma mão acariciando o meu rosto, abri os olhos e vi minha mãe ao lado da cama com o semblante preocupado, tudo que ela não precisava naquele momento era de outra filha doente.

- Estou bem - Me sento - Onde está Maddie?

- Filha, não faça esforço. Você teve uma queda de pressão. Por que veio a pé da escola até aqui? Onde está Eddie? Por que ele não te trouxe? - Eu não iria dizer para minha mãe onde estava, ela não merecia saber que Eddie havia indiretamente me dispensado depois de termos transado.

- Ele teve que ir para casa. Maddie está bem?

- Ela está bem - reconheci a voz de Sarah, a médica que sempre atendia Maddie - Mas não tenho boas notícias - Aquela frase me deixou sem reação.

- Fale doutora - Mamãe falou com a voz embargada.

- O estado de Maddie está se agravando e não temos meios de tratar o problema dela aqui. Como eu havia dito antes, em Nova Iorque existe um centro especializado para o tratamento de crianças no estado de Maddie, não podemos permitir que o câncer avance, sinto muito em ter que dizer isso.

A cada palavra dita por Sarah, eu sentia um bolo gigantesco se formar em meu estômago, tudo que queria agora era gritar para ver se toda essa dor que me sufocava ia embora. Mamãe soluçava enquanto era consolada por Susan e eu sabia exatamente o que fazer, não iria perder minha irmãzinha.

- Mamãe, nós iremos para Nova York - forcei o meu melhor sorriso, esquecendo o quanto o meu coração estava dilacerado, elas eram tudo que eu tinha e eu era tudo que elas tinham.

Capítulo 2 Um ano depois

Kath

Um ano depois

O cheiro de mofo invadia o meu nariz toda vez que eu entrava pela porta, sabia que aquilo era um veneno para a saúde de mamãe e Maddie, tudo que eu queria era conseguir um emprego que pagasse mais para que pudesse alugar um lugar melhor.

Vendemos tudo que tínhamos e viemos para Nova York, e assim que chegamos, descobrimos que o dinheiro que tínhamos mal dava para pagar três meses do tratamento de Maddie.

Conseguimos alugar um pequeno apartamento no Bronx, o lugar é horrível, mas é o único que conseguimos pagar, estamos a um ano no mesmo lugar, consegui um emprego de garçonete em uma cafeteria do outro lado da cidade e graças as gorjetas e o trabalho como garçonete em eventos nos finais de semana, eu estava conseguindo comprar os remédios de mamãe e de Maddie, ainda conseguia guardar um pouco para continuar o tratamento que tivemos que parar pela falta de dinheiro.

- Kath, mamãe fez bolo de carne - Maddie gritou ao ver que eu havia chegado, ela estava com oito anos e continuava com a aparência de sete, seu corpinho era magro e frágil, e tudo que eu desejava ela era vê-la curada e podendo ter uma vida diferente.

- Oi linda, onde está mamãe?

- Está no banho, ela se queimou de novo - cochichou.

Os sintomas da doença de minha mãe estavam se agravando. Com o dinheiro do trabalho eu conseguia comprar os remédios, porém, sabia que ela precisava de um acompanhamento com especialistas, algo que era fora do nosso orçamento.

Antes da doença ela era uma excelente costureira, trabalhava na única confecção que havia na cidade, ela era a melhor no que fazia, tanto boa que havia começado atender alguns clientes na nossa antiga casa, mas com a doença de Maddie cada vez se agravando, ela não viu outra solução a não ser vender todas as suas máquinas de costura deixando apenas a que herdará de minha avó. Logo após isso, quando a empresa descobriu sobre a sua doença, a demitiram imediatamente.

- Oi querida, que bom que chegou mais cedo - Ela veio pelo corredor secando os cabelos ainda molhados, logo notei a vermelhidão em seu pulso devido a queimadura.

- Mamãe, se queimou de novo?

- Não, claro que não - tenta esconder a mão.

- Nasci ontem, Silvya. Me deixe ver isso - pego a sua mão. Vejo que havia sido um corte superficial e fico aliviada

- Não foi nada mais.

- Você gritou, mamãe - Maddie deu de ombros.

- Quieta, Maddie! - repreendeu a pequena.

- Vou ver se consigo algo na minha folga e vou fazer algumas horas extras, então vamos conseguir ir no médico - acaricio sua mão.

- Filha, peguei alguns uniformes do marido da nossa vizinha Marieta para costurar, vai render algum dinheiro.

- Não quero que se esforce.

- Não é esforço, filha. Meu coração fica em pedaços vendo você ter que trabalhar tanto assim.

- Mamãe, não vou discutir sobre esse assunto. Estou morrendo de fome.

Sempre que terminava o jantar, corria para o banho e me jogava na cama, o cansaço dominava o meu corpo e minha mente. O som do meu celular tocando o despertador era uma tortura, tinha que acordar antes mesmo do sol nascer para conseguir pegar um ônibus e um metrô até o outro lado da cidade.

Durante o percurso, eu ficava olhando aquela cidade que sempre fez parte dos meus maiores sonhos. Na minha mente imatura, morar em Nova Iorque faria com que todos os meus problemas desaparecessem e estava muito enganada, eles aumentaram para minha sorte inexistente.

Não odiava o meu trabalho, o lugar era bacana e eu havia construído uma certa amizade com todos que trabalhavam ali. Mesmo sendo uma desastrada de marca maior, estava conseguindo me manter atenta e tomando o máximo de cuidado para não quebrar nada e ter a surpresa de não receber nada no dia do pagamento.

Naquela manhã eu havia sido uma das primeiras a chegar. Lissa, uma das garçonetes que era primeira pessoa que conheci quando cheguei na cidade, sempre chegava atrasada para o turno, eu já havia me acostumado a cobri-la, os últimos dias haviam sido péssimos e eu não havia conseguido praticamente nada gorjeta.

Sentia uma pontinha de desespero me tomar, pois o aluguel estava vencido a um mês e já seguia para mais um, precisava quitá-lo antes que o dono do prédio nos despejasse e ainda tinha os remédios de Maddie que estavam no fim.

- E essa bundinha? - ouvi após sentir um tapa, me fazendo pular de susto enquanto subia o zíper do meu uniforme.

- Lissa! - dei um pulo assustada - Você quer me matar de susto?

- Não consegui resistir - piscou.

Lissa era muito divertida, nunca teve um dia que não estivesse com um sorriso no rosto, ela era bissexual e sempre brincava dizendo que se eu quisesse experimentar "algo novo", ela estava à disposição. Mesmo sendo uma ruiva linda, eu não conseguia sentir atração por mulheres e depois do que havia acontecido com Eddie, nem por homens. Uma vez ou outra achava um cara bonito, mas nunca aquela coisa de pernas bambas e calcinhas molhadas.

- Você chegou cedo hoje - falei enquanto prendia o cabelo num rabo de cavalo.

- Não trabalhei ontem à noite. Me empresta um batom? - começou a mexer na sua bolsa enorme - Não sei onde enfiei minha bolsinha de maquiagem.

- Só tenho esse - levantei o batom rosa chiclete que Judith havia me dado quando nos despedimos, ela havia ido para Oxford e eu não sabia se em algum momento voltaria a vê-la pessoalmente, uma vez ou outra falávamos por chamada de vídeo e sempre que me lembrava dela, sentia um aperto no peito de saudade.

- Caramba, é lindo. Devia usá-lo, esse gloss que você usa é sem graça. Pelo menos hoje você fez uma maquiagem elaborada nos olhos, gostei bastante, devia fazer mais vezes - falou me entregando o batom.

Me olhei no espelho e vi que o delineado azul tinha realçado os meus olhos e deixado a minha aparência divertida, pois combinava com a mecha azul que havia pintado na parte de trás do cabelo, mas já estava praticamente saindo.

- Só espero conseguir mais gorjetas hoje. Ontem não consegui praticamente nada - falei fechando o armário e ajeitando o uniforme amarelo e azul que dava para ser visto de longe por causa das cores vivas.

- Ontem também não consegui nada - bufou irritada - Ainda bem que no outro consigo mais, e sinceramente? Estou quase pedindo demissão daqui.

Lissa começou a trabalhar a noite em outro lugar, ela nunca aprofundava sobre o assunto do trabalho, as vezes me perguntava se o que ela estava fazendo era algo ilícito e me preocupava, ainda assim não me metia, mesmo ela sendo a pessoa mais extrovertida que já havia conhecido, era também a mais esquentada e cabeça dura. Se em algum momento ela achar que eu devo saber sobre o que ela está fazendo no seu novo trabalho, ela me dirá.

No final do dia, tudo que eu conseguia sentir era o peso das minhas pernas ao contar minhas gorjetas, percebi que havia conseguido menos que o dia anterior e não pude conter a angústia que surgiu em meu peito.

- Dia ruim, gata? - Lissa surgiu tirando o avental.

- Consegui menos que ontem.

- Fica com isso, você precisa mais que eu - Lissa colocou todo dinheiro que recebeu de gorjeta sobre o balcão.

- Ficou maluca, Lissa? Não posso aceitar! - Não era justo que eu aceitasse o dinheiro que ela conseguiu com seu trabalho.

- Gata, eu consigo cinco vezes mais que isso hoje à noite.

- Eu prometo que vou te pagar.

- Não precisa... - colocou um chiclete na boca - Pensei em coisa, mas deixa para lá.

- O que é? - pergunto desesperada - Me diz, por favor.

- Não sei, acho que você poderia ganhar uma boa grande trabalhando onde eu trabalho - Me olhou de cima a baixo.

- O que eu teria que fazer? - pergunto desconfiada.

- Então, gatinha, é uma boate. Você só precisa vestir uma roupa sexy e dançar. Os caras vão a loucura e quanto mais loucos eles ficam, mais gorjetas ganhamos - estava perplexa com a informação - Ei, não me olha com essa cara.

- Me desculpe, não estou te julgando, é que eu não conseguiria fazer isso - tento expor meu ponto de vista.

- Você só precisa dançar, vai ficar uma semana treinando antes de começar.

- Se tem uma coisa que não sei fazer é dançar. Você sabe o quanto sou desajeitada e eu nunca conseguiria dançar com pessoas me olhando, ainda mais com uma "roupa sexy" - fiz aspas com os dedos.

- Você que sabe. Mas se mudar de ideia, posso te apresentar ao dono.

Assim que cheguei em casa vi que algo estava errado. Corri em direção ao quarto que dividia com Maddie.

- Filha, tente puxar o ar devagar - Minha mãe dizia para Maddie, que estava pálida e deitada sobre a cama

- Maddie! O que está acontecendo?

- Eu... e...u... não consigo res...pirar.

- Mamãe, por que você não me ligou? Precisamos ir para o hospital

- Ela começou a ter falta de ar faz uns cinco minutos. Pensei que logo passaria.

- Vou chamar um táxi - peguei meu celular na bolsa.

Os momentos que se sucederam foram torturantes, Maddie agonizava e eu não podia fazer nada, sentia meu corpo tremer ao olhar em sua direção, o seu corpo frágil e magro tentava lutar conta aquilo que a sufocava.

Assim que o táxi parou em frente ao Hopital Lenox, peguei Maddie no colo e corri em direção a emergência, após tanto esforço ela desmaiou no caminho.

- Um médico, por favor! - Gritou minha mãe ao perceber que eu não conseguiria pronunciar nenhuma palavra.

Em alguns segundos surgiram algumas enfermeiras empurrando uma maca na qual eu depositei o seu corpinho. Minhas mãos tremiam enquanto eu via Maddie ser medicada, sequer percebia o desespero de minha mãe ao meu lado, tudo que importava era Maddie, eu não podia perder minha irmãzinha. Uma médica surgiu e começou a examiná-la, após alguns segundos os olhinhos da minha pequena se abriram.

- Maddie! - Eu e minha mãe falamos juntas.

- Fiquem calmas, sou a doutora Samantha e essa pequena vai ficar bem - A médica falou com delicadeza enquanto colocava o estetoscópio sobre o pescoço.

- Kath? Mamãe? Onde estou?

- Oi princesa. Você passou mal e te trouxeram para o hospital - respondeu a médica se aproximando da cama

- O que aconteceu com ela? Minha irmã vai ficar bem? - beijei a testinha de Maddie.

- Gostaria de falar com vocês em particular - Meu coração acelerou com as palavras da médica.

- Eu tô com medo - Maddie tentava segurar o choro.

- Não precisa ter medo, filha. Logo iremos para casa - Mamãe tentou tranquilizá-la.

- Isso mesmo, ainda hoje você irá para casa. Vocês podem vir comigo?

- Eu não quero ficar sozinha, mamãe.

- Pode ir, Katherine. Ficarei com Maddie.

Acompanhei a médica, que diferente dos outros que havia encontrado nas nossas idas hospitais públicos, era bem simpática e parecia realmente gostar da sua profissão.

- Sente-se - apontou para a cadeira assim que entramos em seu consultório.

- Estou bem assim. O que minha irmã tem? - perguntei sem rodeios

- Maddie teve um quadro de crise asmática, provavelmente desenvolvida pelo contato com poeira ou mofo, infelizmente o problema no coração também contribuiu - A palavra mofo fez meu sangue congelar, o nosso apartamento estava repleto dele. Fui tomada por um sentimento de impotência e tive que fazer um grande esforço para não chorar, eu havia chegado a Nova York sonhando com uma vida melhor, mas tudo se tornou um pesadelo.

- Ela poderá ir para casa hoje, vou passar alguns medicamentos e uma bombinha que ela deve carregar sempre e usar ao perceber que uma crise irá se iniciar - Ela fazia anotações enquanto falava - Devido ao histórico médico de Maddie, o cuidado deverá ser dobrado

- Entendo - assenti, pegando o papel.

- Vou liberá-la para que vocês possam ir para casa.

Eu olhava a lista de medicamentos enquanto esperava Maddie ficar pronta para irmos embora. Não conseguiria pagar o aluguel mais uma vez e o desespero tomou conta do meu coração fazendo com que o ar sumisse e minha cabeça ficasse zonza.

- Kath - Maddie caminhou em minha direção me abraçando em seguida.

- Você está bem? Que susto me deu, mocinha - fiz carinho em sua cabeça.

- Vai ficar tudo bem, filha. Vamos para casa - disse mamãe se juntando a nós no abraço.

Não conseguia dormir, velei o sono de Maddie a noite toda enquanto tentava pensar em uma maneira de conseguir algum dinheiro para que pudesse pagar o aluguel. Tudo que eu havia economizado foi para os remédios de Maddie e com isso as palavras de Lissa não saiam da minha mente.

- Talvez não seja tão ruim assim - falei baixinho.

Lissa parecia muito feliz com o novo trabalho e se eu realmente ganhasse o que ela disse que ganhava, poderia pagar o aluguel e todos os remédios, talvez até juntar dinheiro para conseguir continuar o tratamento de Maddie e levar mamãe à um especialista. Mesmo sendo desajeitada e não levando jeito algum para dança, eu iria arriscar, não me faria mal tentar.

Estava ansiosa pela chegada de Lissa, que hoje se atrasou mais que o normal. Eu servia os cafés sem tirar os olhos do relógio, queria que chegasse logo para que pudesse falar com ela.

- Gatinha, bom dia - Lissa passou me dando um beijo na bochecha.

- Lissa! Mais um atraso e vou ter que demiti-la! - David, nosso gerente, gritou sendo ignorado por Lissa.

Fiquei aliviada ao vê-la, não via a hora do nosso intervalo chegar para que pudéssemos conversar.

Logo que David nos liberou para o intervalo, corri na direção de Lissa antes que ela saísse para fumar.

- Lissa... espere - segurei seu ombro.

- Fala, gatinha. Que olheiras são essas? Parece que teve uma noite agitada - pegou um cigarro na bolsa.

- Minha irmãzinha passou mal, passei quase a noite toda no hospital.

- Meu Deus, sinto muito! O que ela tem? Eu posso ajudar?

- Ela teve uma crise de asma causada pelo mofo daquele apartamento - tentei segurar o choro, pensar sobre tudo aquilo não era fácil.

- Eu sinto muito, Kath. De verdade - Me abraçou.

- Tudo bem - Me soltei do abraço secando as lágrimas teimosas que escorriam pelo meu rosto - É sobre o seu trabalho, acho que eu poderia tentar.

- Você tem certeza? - levantou a sobrancelha - Digo, você iria arrasar, ainda mais com esse corpo - assoviou.

- Eu que tentar. Você vai comigo?

- Claro. Você não vai se arrepender - falou me abraçando. Eu estava disposta a qualquer coisa para mudar a vida das pessoas que mais amava no mundo.

Capítulo 3 O CEO

Jeff

Eu não podia acreditar no que os meus olhos estavam vendo. Sentado na minha cadeira na sala da diretoria da Sparting Società di Costruzioni, afrouxei minha gravata na esperança de respirar melhor, a minha mão suada segurava o maldito convite de Bervely Willians e Edgard Smith convidando para o seu jantar de noivado, eu não consegui ler mais uma palavra depois daquilo. Bervely iria se casar com maldito e eu não queria acreditar que os oito anos que vivemos juntos não significou nada para ela.

Tudo que consegui foi amassar aquele maldito papel. Tomado pela fúria que me dominava, peguei um objeto de decoração sobre a mesa e arremessei contra a parede com força, o barulho dos cacos ecoaram por toda sala.

- Esse casamento não vai acontecer. Nunca. Eu não vou permitir! - falei para mim mesmo enquanto tentava me acalmar.

Antes que pudesse raciocinar, peguei o meu celular e disquei o número de Bervely, não iria ficar parado vendo ela ser de outro homem. Ela atendeu ao terceiro toque, ela nunca recusava minhas ligações, assim como eu as dela, sabia que ela ainda me amava, só precisava enxergar isso.

Após o divórcio ainda nos encontrávamos, e na maioria das vezes, os encontros terminavam em meu apartamento ou no dela fazendo amor, até o dia que ela me disse que não podíamos mais nos encontrar porque havia se apaixonado por outro homem.

- Jeff . Que bom que ligou, recebeu meu convite? - parecia empolgada e fechei meu punho tentando conter a raiva que sentia.

- É por isso que liguei. Podemos almoçar?

- Sinto muito, Jeff . Irei almoçar com a mãe de Edgard hoje, temos que resolver alguns detalhes do casamento - respondeu, fazendo meu estômago embrulhar.

- Jantar então?

- Não sei, Jeff .

- Não me diga que Edgard ficará com ciúmes?

- Pode ser o jantar. Te encontro as oito no Le Bernardin.

- Estarei lá. Beijos, querida.

- Até, Jeff .

Desliguei o telefone sentindo certo alívio, eu precisava vê-la, precisava dizer para ela não cometer a loucura de se casar com outro homem ainda me amando, e por mais que ela negasse, eu sabia que ela ainda era louca por mim, assim como era por ela.

Eu esperava ansioso pela chegada de Bervely, ainda não sabia o que dizer a ela, porém, só o fato de saber que ia vê-la já me deixava nervoso. Pedi uma dose de whisky ao garçom para ver se me acalmava. Logo que ele a trouxe, meus olhos foram em direção a entrada do restaurante e lá estava ela, mais linda do que nunca usando um vestido preto colado ao corpo que evidenciava cada curva, podia sentir minhas mãos arderem devido ao tamanho do meu desejo em tocá-la.

- Jeff . Como vai? - Se aproximou, fazendo com que me levantasse e fosse ao seu encontro.

- Uau, você está linda - Não pude me conter em elogiar enquanto puxava a cadeira para que ela se sentasse.

- Não seja exagerado, Jeff - disse e se sentou.

Logo o garçom reSmithou com o cardápio e Bervely pediu uma salada, em todo o tempo que estávamos casados raramente à via comer algo diferente, ela sempre usava a desculpa de que tudo aquilo era para manter a forma, mas eu à achava perfeita de qualquer jeito.

- Você irá ao meu jantar de noivado? Estou contado com a sua presença. - Estava empolgada e fazendo questão de me mostrar o diamante em seu dedo.

- Bervely, você tem certeza disso?

- Por que está me perguntando isso?

- Bervely, nada mudou nesses dois anos, eu ainda te amo, não venha me dizer que não sente mais nada - falei enquanto sentia meu coração acelerar.

- Jeff , você precisa entender que não somos bons juntos.

- Você não pode dizer isso. E o que aconteceu a alguns meses? Não me diga que esqueceu - disse irado me referindo a todas as vezes que transamos após o divórcio

- Jeff , aquilo foi apenas sexo, estávamos carentes, é complicado. Eu me apaixonei por Edgard. Me entenda, por favor - Havia pesar em suas palavras.

- É isso que você quer? - questionei, já sabendo a resposta

- Sim, tenho certeza disso. Jeff , você deveria conhecer alguém, seguir sua vida com uma mulher que ame você.

Aquelas palavras eram como lâminas me cortando em pedaços, não poderia desistir dela. Eu a amava. Me amaldiçoava todos os por ter colocado a droga do trabalho em primeiro lugar.

- Preciso ir, Jeff . Obrigado pelo jantar. Por favor, me entenda - disse após olhar para o celular

- Eu entendo, Bervely - menti.

- Espero você no jantar, eu e mamãe ficaremos chateadas se você não for - Se levantou.

- Estarei lá - Sim, estaria com a esperança de que ela me vendo ali, desistiria daquele maldito noivado.

Observei-a caminhar graciosamente até a saída, olhei para o meu relógio, vi que não era nem duas da tarde e tudo que eu precisava naquele momento era um whisky forte na esperança que a bebida amenizasse o vazio que sentia.

Não voltei para empresa, não estava em condições, o que era para ser apenas dose acabou se Smithando uma garrafa inteira, me dei conta do meu estado quando percebi que anoiteceu, não estava sóbrio o suficiente para dirigir, mas aquilo era última coisa que me importava.

Acordei com o barulho estridente da campainha e os gritos de Rick que eram como agulhas enfiando no meu cérebro, tamanha era a dor. Percebi que ainda usava a roupa da noite anterior e me esforcei para lembrar como eu havia chegado em casa. Rick era meu primo e melhor amigo desde que usávamos fraldas, não havia segredos entre nós e ele me conhecia melhor que ninguém.

- Abre a porra da porta, Jeff . Eu sei que está aí!!! - gritou me deixando irritado e fazendo o zumbido na minha cabeça aumentar.

Antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa, Rick entrou como um foguete dentro do meu apartamento e seguiu em direção ao meu quarto voltando de lá com expressão decepcionada.

- Não acredito que passou a noite sozinho - disse se jogando no sofá

- E quem disse que passei? - retruquei.

- Como se eu não te conhecesse... Você está um lixo - torceu o nariz.

- Acho que bebi um pouco demais ontem - falei, já esperando o sermão.

- Você recebeu o convite? - perguntou, ele sabia a resposta - Jeff , Jeff ... - balançou a cabeça em negação.

- Ela vai se casar com aquele imbecil, Rick - senti um nó se formar na minha garganta.

- Porra, você recebe o convite para o noivado da sua ex-namorada e ao invés de transar com uma gostosa para superar, você bebe como se não houvesse amanhã - falou se levantando e me analisando - Vai tomar um banho, cara. Estou sentindo o cheiro de álcool daqui.

- Que horas são? - questionei ao ver que o relógio não estava no meu pulso.

- São quase três da tarde. Mexa esse traseiro e vai tomar banho, tenho que ligar para tia Rose e avisar que você está bem, porque ela quase voltou de Paris antes da hora porque o bonitão aí não atendeu o telefone - pegou o celular para ligar para minha mãe, que com certeza estava preocupada

- Fiquei sem bateria - disse sendo ignorado por Rick enquanto ia em direção ao meu quarto.

Assim que voltei para a sala, Rick estava espalhado no sofá com uma de minhas cervejas na mão.

- Cara sua geladeira está um horror, quem come só legumes? - fez cara de nojo.

- Estou tentando ter uma alimentação mais saudável, Bervely sempre insistiu com isso - argumentei.

- Meu Deus! O jeito que você se tortura é incrível!

- Você devia estar na sua casa com Alice - fui até a cozinha, peguei uma cerveja e encarei a minha geladeira, eu odiava comida vegana, contudo, estava fazendo um esforço na esperança de que quando Bervely caísse na real e voltasse para mim, ela me encontrasse diferente.

- Alice e o bebê estão bem, acabei de falar com ela - respondeu.

- Rick, eu gostaria de ficar sozinho, ainda não digeri tudo que está acontecendo - me sentei no sofá.

- É simples cara, sua ex-namorada chata vai se casar com outro, você precisa superar e seguir em frente, mostrar para ela que você está bem.

- Você sabe que eu ainda a amo - dei um gole na minha cerveja.

- E você acha que correr atrás dela feito um cachorrinho vai resolver? - questionou levantando a sobrancelhas

- Não - concordei.

- Está na hora de você conhecer alguém, nem que seja só para transar.

- Não tenho tempo para isso.

- Mas tem tempo de correr atrás de Bervely. Você é uma piada!

- O que eu faço então? Transo com a primeira que me der mole? Nós não estamos mais na faculdade Rick.

- Sei lá devia sair com alguém para mostrar para ela que você superou - falou e foi até a cozinha - Alguém que não seja chata e não me dê sermão quando eu fizer churrasco - gritou. Ele nunca tinha se dado bem com Bervely, a tolerava para o bem do nosso relacionamento e quando lhe contei que ela havia pedido o divórcio, só faltou ele estourar um champanhe em comemoração.

Rick podia estar certo, ela precisava me ver com outra pessoa para saber como eu me sinto.

- Não estou afim de me envolver com ninguém - falei assim que ele voltou com a sua cerveja.

- Sei lá, contrata uma prostituta ou uma sugar baby gostosa e esfrega naquela cara pálida da Bervely, só cuidado para não fazer que nem o Franklin, que contratou uma sugar baby, se apaixonou e vai se casar com ela - começou a rir.

- Que ideia mais idiota, cara. Nunca faria algo assim - disse incrédulo.

- Contratar uma mulher para esfregar na cara chatonilda ou se apaixonar por uma sugar baby? - perguntou. Deu um tapinha nas minhas costas e uma risada debochada em seguida.

Havia passado um mês desde meu último encontro com Bervely e cada dia eu ficava mais desesperado, no próximo final de semana seria a oficialização do seu noivado com aquele imbecil do Edgard e minhas mãos estavam atadas, não queria agir como um pobre coitado e implorar que ela não se casasse.

Franklin, um dos meus melhores amigos se casaria no dia seguinte e Rick havia inventado uma despedida de solteiro, mesmo com Frank insistindo que não queria nada do tipo.

Rick fez com que eu pegasse um Uber pois na sua cabeça, iria beber demais para voltar para casa dirigindo, porém, a última coisa que precisava era de uma ressaca no dia seguinte. Desci do Uber e dei uma olhada na fachada do lugar com luzes em néon, não pude conter o riso ao imaginar a cara de Frank ao ter visto o lugar que teria sua última noite de solteiro.

Entrei e vi que a iluminação do ambiente não era das melhores, haviam algumas garotas com corpos esculturais e roupas sugestivas dançado no pole dance ao som de uma música que não soube definir, elas estavam rodeadas por vários homens que admiravam o show.

Notei que havia uma garota mais magra que as outras usando um peruca azul que parecia um pouco desconfortável com a proximidade de alguns homens, com toda certeza era a mais jovem que havia ali, por um instante nossos olhares se cruzaram, mas ela desviou rapidamente fazendo um movimento que a deixou de cabeça para baixo. Ela tinha algo diferente, talvez fosse inocente demais para estar em um lugar como aquele exposta como um pedaço de carne.

Balancei a cabeça negativamente, eu não tinha nada a ver com isso, mal consigo colocar a minha vida nos eixos. Procurei por meus amigos e os encontrei rapidamente, pois eram os mais animados do lugar e estavam mais preocupados em encher a cara do que prestar atenção em alguma das mulheres que dançavam.

- Até que enfim cara! - Rick deu um tapa forte nas minhas costas.

- JEFF ! - gritou Frank, que estava um pouco alterado e agarrado a uma garrafa de vodca, só consegui pensar no tamanho da sua ressaca na manhã seguinte.

- Louise sabe que você trouxe o Frank para um lugar como esse? - questionei Rick que tentava acender o seu cigarro.

- É claro que não - Mason respondeu e me entrou uma cerveja - Vê se bebe e fica menos chato.

- Concordo com o Mason você está se Smithando um velho ranzinza.

- Assumi o cargo de Frank, alguém precisa controlar vocês - dei um gole na minha cerveja, Frank sempre foi o mais sério do quarteto, nunca foi de se relacionar, era o único solteiro do grupo até conhecer Sarah, que por incrível que parece era uma sugar baby no seu primeiro dia de trabalho, ele ficou apaixonado pela garota e depois de muitos altos e baixos a pediu em casamento, algo que todos nós jurávamos que nunca aconteceria.

- Jeff , você precisa relaxar. A propósito, você é único de nós que pode apreciar o lugar - Mason jogou o braço sobre seu ombro e apontou na direção das garotas que dançavam sensualmente.

- Isso mesmo Jeff , você é o único solteiro do quarteto fantástico - Frank falou caindo na gargalhada e fazendo com me lembrasse do meu martírio.

- Cara, dá uma olhadinha, é uma mais gostosa que a outra. Só uma transa, irmão - Rick insistiu, fazendo que eu olhasse na direção que as garotas dançavam, por algum motivo meus olhos buscaram a garota de peruca azul, mas ela não estava mais no palco.

- Eu não me envolvo com esse tipo de mulher - Me afastei de Rick e me sentei ao lado de Frank, a insistência dele para que me envolvesse com alguém estava insuportável

- Está certo, você prefere ficar correndo atrás da chata da Bervely como um cachorrinho abandonado - Aquelas palavras me atingiram como um soco, fazendo com que eu me levantasse, fosse na direção de Rick e o segurasse pela gola da camisa.

- Repita o que disse, seu imbecil! - falei alterado e senti as mãos de Mason e Frank me segurando.

- Calma, cara. Não quis te ofender, nós somos amigos porra! - pegou a garrafa de vodca que havia sobre a mesa e levou a boca bebendo no gargalo sem cerimônia.

- Jeff , relaxa - Frank me deu um tapinha no ombro.

- Você é como um irmão para mim e me dói ver você correndo atrás daquela mulher, você merece mais - Rick fez uma careta engraçada após depositar a garrafa sobre a mesa

- Eu sei o que mereço - bufei.

- Tudo bem por aqui? - Um cara alto e forte com traços orientais que imaginei ser um dos seguranças do local perguntou ao se aproximar.

- Está tudo bem - Frank e Maddie falaram juntos.

O cara torceu o nariz nos olhando dos pés à cabeça e saiu.

- Jeff , viemos aqui para nos divertir, não vamos estragar a noite - Frank disse com pesar, ele realmente parecia chateado e não era justo que eu estragasse a noite dele.

- É isso aí - Rick gritou e começou uma dança esquisita.

- Eu vou casar amanhã porra! - Frank levantou a garrafa de cerveja para um brinde.

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