Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A garota digna de muito mais
A garota digna de muito mais

A garota digna de muito mais

Autor:: Cherry
Gênero: Moderno
Stella já testemunhou a devoção de Marc, mas também sua crueldade disfarçada. Enquanto ela queimava o retrato de casamento à sua frente, ele enviava mensagens de flerte para a amante, sem notar o que estava acontecendo. Desolada, Stella lhe deu um tapa forte, apagou sua identidade e desapareceu, deixando para ele um "grande presente". Em pouco tempo, o império empresarial de Marc ruiu e, desesperado, ele tentou encontrar Stella, apenas para receber a certidão de óbito dela. Quando se reencontraram, Marc implorou por perdão, mas Stella segurou o braço de um magnata e disse com um sorriso irônico: "Você não me merece, querido."

Capítulo 1 Essa promessa jamais se concretizaria

O celular de Stella Russell sinalizou o recebimento de uma mensagem, cujo conteúdo era um punhado de fotografias. Nas imagens, roupas espalhadas displicentemente, dois corpos entrelaçados, lençóis bagunçados e um reflexo nebuloso em um espelho embaçado...

Isso não era nenhuma novidade para ela, porque não era a primeira vez que recebeu algo assim.

Bastou um olhar para a mão firme segurando o pulso da mulher, e ela soube que era de Marc Walsh, seu marido, o mesmo homem com quem ela estava casada por quatro anos.

Os seus olhos então captaram a data nas fotos e ela sentiu um nó no estômago. Era o mesmo dia do aniversário de casamento deles.

Marc havia prometido que eles passariam a noite juntos, mas desaparecera misteriosamente por três dias. Tudo o que ela recebeu fora uma mensagem enviada pelo seu assistente, alegando que ele tinha algum assunto urgente para tratar.

"Urgente, hein?", Stella disse com uma risada sarcástica. Dava para ver muito bem o teor da urgência - na cama de outra mulher. Fechando a mensagem, ela ligou para alguém da sua lista de contatos.

A pessoa atendeu quase imediatamente, a voz soando do outro lado: "Stella."

"Já tomei uma decisão sobre o projeto de pesquisa confidencial", Stella disse calmamente.

"Quem é o seu candidato?", a pessoa perguntou.

"Eu."

Um pesado silêncio se estendeu do outro lado da linha antes que a resposta viesse em um tom firme e incisivo. "Nem brinque, Stella. Você sabe muito bem o que isso significa! Uma vez que você entrar nesse projeto confidencial, não poderá voltar atrás. Nada de contato com o mundo exterior, sem qualquer vínculo pessoal. Você será oficialmente declarada como desaparecida e absolutamente tudo sobre o seu passado será apagado. Uma nova identidade será criada para você. Pergunte a si mesma - você está realmente pronta para se afastar definitivamente da sua família? De Marc?"

Os olhos de Stella recaíram sobre a foto do casamento deles, emoldurada e pendurada ali perto.

Os sorrisos na imagem um dia haviam aquecido o seu coração, mas agora apenas provocavam dor.

Até mesmo as promessas de Marc, que costumavam soar doces aos seus ouvidos, agora pareciam frias e vazias.

"Estou decidida", Stella respondeu em voz baixa. "Amanhã me apresentarei para preencher os formulários."

Antes que a pessoa do outro lado pudesse dizer mais alguma coisa, ela encerrou a ligação. A sua decisão já estava tomada e ela não queria ouvir mais.

Nesse exato momento, um carro estacionou do lado de fora. Segundos depois, Marc entrou em casa, sua figura alta afrouxando a gravata preta enquanto seguia diretamente para o banheiro.

Seu paletó, jogado preguiçosamente no gancho, ainda carregava a fragrância sugestiva de FIRE2, o mais recente perfume feminino da marca Vlexoot, ousado e ardente - tudo o que ela mesma aparentemente não era mais.

Minutos depois, Marc saiu de um rápido banho, vestindo um roupão cinza que pendia solto, revelando o peito e o abdômen. Os cabelos úmidos e revoltos caíam ao redor do seu rosto, o vapor apenas o fazendo parecer mais frio, mais afiado.

Sendo o herdeiro da poderosa família Walsh, Marc possuía tudo - uma bela aparência, status e muito dinheiro.

Houve um tempo em que tudo isso a atraía, mas agora, apenas servia para fazê-la se sentir mal.

"Por que está me olhando desse jeito?", Marc perguntou com a voz baixa e provocante, rindo baixinho enquanto a envolvia pela cintura. "Sentiu saudades de mim, querida?"

Sua mão deslizou pela lateral do corpo de Stella, o toque fazendo a pele dela arrepiar.

Quase instintivamente, ela se afastou.

Marc ficou com a mão parada no ar, as sobrancelhas se unindo. "O que foi? Está zangada comigo?"

Stella respirou profundamente, fazendo um esforço para se acalmar, pois não queria desperdiçar energia em outra briga.

Colocando de lado a dor que afligia o coração, ela pegou da gaveta uma caixa com o fecho trancado e a entregou para ele. "Tome. Um presente para você."

O que havia dentro da caixa? Os papéis do divórcio já assinados por ela - seu último presente para ele.

"Você vai ter que adivinhar a senha para abrir a caixa", ela disse sem qualquer traço de emoção.

Marc olhou preguiçosamente para a caixa, imaginando se tratar de mais um dos joguinhos estranhos dela, então a colocou displicentemente sobre a mesa. No momento seguinte, ele a puxou novamente para perto e apoiou o queixo no ombro dela. "Você é o único presente que eu preciso agora."

O corpo de Stella se enrijeceu involuntariamente. Marc notou e soltou uma risadinha.

"Você continua chateada por eu ter perdido o nosso aniversário? Acontece que o meu trabalho está uma verdadeira loucura", ele disse enquanto beijava a sua bochecha.

Então a soltou, tirou uma pequena caixa do bolso do casaco e a entregou para ela. "Você gostou?"

Dentro da caixa havia uma requintada presilha para cabelo - delicada e banhada a ouro, claramente personalizada com minucioso cuidado nos detalhes.

"Mandei fazer especialmente para te presentear. Você sempre gosta de itens assim, não é mesmo? Vamos, experimente." A voz dele tinha esse misto familiar de controle e afeto.

Houve um tempo em que isso conseguia derreter toda a resistência dela.

Em Choria, todos acreditavam invariavelmente que Marc costumava mimar a sua esposa.

Até mesmo Stella compartilhava essa crença.

Se não fossem pelas fotos salvas no seu celular, ela poderia realmente ter ficado tocada pelo presente.

A garota nas imagens estava na casa dos vinte anos, bonita e confiante - tinha olhos sedutores e cabelos longos e ondulados presos com uma presilha idêntica à que agora estava diante de Stella. O penteado preso frouxamente revelava o seu pescoço suave, marcado por chupões.

"Só há uma peça como essa no mundo. Você gostou, não é verdade?" Marc ergueu gentilmente o cabelo de Stella, os dedos ásperos roçando a sua pele de uma forma que era ao mesmo tempo familiar e íntima demais.

A paciência de Stella estava se esgotando rapidamente - se ela realmente seguisse o ímpeto do momento, teria cravado o maldito objeto diretamente no peito dele.

Reprimindo suas emoções, ela o encarou fixamente, os olhos mais frios do que de costume. "A única no mundo, hein?"

Marc notou que havia algo estranho com Stella e sentiu um nó no estômago. Mas quando ela sorriu e aquela suavidade tão familiar para ele retornou, a sua dúvida desapareceu.

"Bem, se é verdadeiramente única, então adorei", ela disse, fechando calmamente a caixa. "Tenho trabalho a fazer esta noite. Vá dormir."

Com essas palavras, ela se desvencilhou dos braços dele e saiu sem lhe dirigir um único olhar, a caixa apertada entre os dedos.

Marc sentiu uma corrente fria entrar pelo seu roupão aberto e, por alguma razão, isso o fez se sentir estranhamente vazio.

Essa noite, ela parecia mais fria do que de costume.

Os olhos dele pousaram sobre a caixa trancada sobre a mesa e uma estranha calma o invadiu.

Afinal, ninguém era capaz de entender os sentimentos de Stella melhor do que ele. Ela o amava profundamente... tão profundamente que, independentemente do que ele fizesse, ela jamais se afastaria realmente. Nem agora, nem nunca.

Sentindo o celular vibrar repetidamente dentro do bolso do roupão, ele o tirou e verificou. Mensagens ousadas e sedutoras iluminaram a tela, fazendo a sua garganta se apertar.

Ele deu uma resposta curta, deletou tudo e jogou o celular de lado antes de se afundar na cama.

O cheiro suave e familiar que permanecia nos lençóis acalmou os seus nervos de imediato, e logo ele estava mergulhado em um sono profundo.

Enquanto isso, no escritório, Stella tirou discretamente uma foto da presilha e a enviou para uma boutique de revenda de objetos de luxo. "Venda isso o mais rápido possível."

Em seguida, ela enviou os dados de uma conta bancária. "Envie o dinheiro para esta conta."

Era a conta oficial do instituto em que ela trabalhava.

Mesmo um item maculado como esse ainda poderia servir para uma boa finalidade.

...

Quando Marc abriu os olhos pela manhã, Stella já estava vestida.

Ele se apoiou nos cotovelos e fez sinal para ela se aproximar, a voz soando suave e rouca pelo sono. "Venha aqui e me dê um abraço."

Os dedos de Stella pausaram nos botões da blusa. Respirando fundo, ela pousou o olhar claro e composto nele. "Surgiu um imprevisto no instituto e preciso sair agora. Não tive tempo de preparar o café da manhã - você vai ter que se virar sozinho hoje."

Ela então pegou a bolsa e saiu, assim como na noite anterior - sem lançar um olhar sequer, sem qualquer traço de hesitação.

As mãos de Marc congelaram no meio do movimento, a sensação de vazio voltando ao seu peito. Ele esfregou lentamente as sobrancelhas, tentando afastar a sensação.

Antes, independentemente do quanto a sua agenda estivesse cheia, Stella nunca perdia uma manhã com ele e sempre se certificava de que o café da manhã estivesse pronto na hora certa. Então ela o acordava gentilmente, pedia um abraço e lhe oferecia um terno beijo de bom dia com o seu sorriso doce.

Mas não hoje.

"Stella."

No momento em que abriu a porta, Stella ouviu a voz dele às suas costas e se virou lentamente, sentindo como se algo rasgasse o seu peito - algo agudo e profundo.

"Sim?" Ela parecia a mesma de sempre, seu olhar calmo.

Marc a encarou por um longo momento, pensando que talvez fosse apenas coisa da sua cabeça. "Não deixe de comer, mesmo que esteja ocupada demais. E procure não ficar acordada até tão tarde. Houve um contratempo envolvendo o negócio com o Horizonte de Marina, então devo trabalhar até tarde esta semana. Por isso, não me espere."

"Tudo bem", Stella respondeu com um sorriso.

Com os raios de sol incidindo no rosto dela, o sorriso caloroso e os olhos brilhantes o lembraram da garota que outrora tirava o seu fôlego.

Marc sentiu o coração disparar e a sua voz se tornou ainda mais suave. "Quando as coisas acalmarem no trabalho, vamos para a Ilha de Midstream. Será uma compensação pela lua de mel que perdemos."

O coração de Stella, já dolorido, parecia estar se despedaçando novamente.

Quando eles estavam planejando o casamento, ela enumerara cuidadosamente os lugares para onde viajariam juntos - um para cada aniversário como uma nova lua de mel. Naquela época, ela acreditava que eles permaneceriam apaixonados para sempre.

Mas Marc havia levado outra mulher para esse mesmo lugar esse ano. As fotografias deles juntos ainda estavam no celular dela.

Baixando os olhos, Stella respondeu em voz baixa: "Claro... assim que as coisas se acalmarem."

Com isso, ela girou nos calcanhares e saiu, sem qualquer traço de calor nos seus olhos.

Infelizmente para Marc, essa promessa jamais se concretizaria.

Capítulo 2 Pego em flagrante

Stella conduziu o seu modesto Volkswagen preto diretamente pelos portões do Instituto de Pesquisa Hookwood.

No momento em que ela entrou no prédio principal, Lainey Lewis, sua colega sênior, se aproximou e segurou seu pulso. "Você realmente veio aqui para fazer a sua inscrição? O que está acontecendo, Stella? Você não respondeu às minhas mensagens. Uma decisão como essa não pode ser tomada por impulso. Este projeto não é apenas um experimento, e você ao menos deveria ter discutido isso com Marc."

Sentindo uma dor aguda oprimindo o seu peito, Stella, sem dizer nada, desbloqueou o seu celular, abriu uma conversa no WhatsApp e entregou o dispositivo para ela.

Dezenas de mensagens provocativas e imagens sugestivas apontavam na tela - enviadas mais de uma vez. Uma foto em particular nem sequer deixava espaço para a imaginação.

Após ver a tela, Lainey imediatamente passou o celular de volta para as mãos de Stella, os olhos incandescendo. "Aquele desgraçado! Se não fosse pelas suas patentes naquela época, a empresa dele não teria avançado além do lançamento. E agora ele tem a coragem de te trair? Venha, vamos voltar para sua casa. Vou fazer com que ele se humilhe e implore pelo seu perdão!"

Stella rapidamente agarrou o braço dela. "Não. Isso não será necessário."

"Não será necessário? Depois de tudo que ele te fez? Você vai simplesmente aceitar e deixar que ele escape ileso?" As palavras de Lainey saíram com a voz trêmula.

"Deixar que ele escape ileso? Jamais", Stella respondeu, sua voz fria e firme, e deslizou o celular de volta para o bolso do casaco. "Seria muito fácil enfrentar Marc de frente. Quero que ele sofra... que realmente se arrependa de tudo."

Lainey conhecia Stella e sabia que tipo de pessoa ela era - brilhante no laboratório, honesta até o último fio de cabelo. Se alguém a pressionasse além dos seus limites, ela nunca deixaria passar passivamente. Quando menos esperasse, ela revidaria, com precisão e força.

Elas caminharam juntas para o escritório administrativo, e a entrega do formulário de inscrição ocorreu sem problemas. Alguns passos, alguns carimbos, e tudo estava praticamente finalizado - apenas aguardando a revisão final.

Antes de partir, Stella se ofereceu para participar de um seminário acadêmico no Hotel Grace em nome do instituto e reunir os materiais necessários.

O evento terminou às três e meia da tarde. Quando Stella, segurando uma pasta contra o peito, saiu do saguão e foi em direção ao estacionamento, uma risada familiar e preguiçosa alcançou os seus ouvidos.

"Vamos lá, seja boazinha."

No momento em que ela ouviu essa voz, o seu corpo se enrijeceu e ela se virou lentamente. Um profundo sentimento de traição a invadiu, como se o chão sob os seus pés tivesse desaparecido.

Marc estava a uma curta distância, o braço enlaçando uma mulher de cabelos longos e cintura fina, guiando-a pela entrada do hotel.

A mulher ronronou as palavras, a voz melosa e íntima: "Sinto a sua falta... morro de saudade."

Ela se inclinou mais para Marc, os lábios deslizando do lóbulo da orelha até o pescoço dele, o seu batom vermelho borrando ao longo da pele.

Marc deu uma risada baixa e afetuosa, puxando-a mais para si, a palma da mão repousando firmemente na cintura dela.

Stella sentiu um aperto no peito e a sua visão ficou turva por um segundo.

Então era esse o local onde eles se encontravam, e eles nem ao menos podiam esperar até o cair da noite.

Subitamente, os olhos de Marc se encontraram com os de Stella através do vidro da porta giratória na entrada.

O olhar de Marc estava escuro e repleto de desejo, enquanto os de Stella eram calmos e distantes, levemente zombeteiros.

O ar entre eles subitamente ficou pesado.

A mulher imediatamente notou a presença de Stella também. Mas em vez de parecer desconcertada, ela simplesmente esboçou um sorriso presunçoso, então se virou e beijou Marc novamente - dessa vez mais profundamente, mais deliberadamente, como se estivesse marcando o seu território.

Um gosto amargo subiu à garganta de Stella e o seu estômago revirou de náusea. Ela girou nos calcanhares, se recusando a testemunhar o espetáculo por mais tempo.

Com passos rápidos, ela alcançou a porta do carro, mas antes que pudesse entrar, uma mão firme a deteve por trás. Era Marc, um pouco ofegante depois de ter corrido atrás dela, ainda com o perfume intenso daquela mulher agarrado a ele - forte o bastante para deixá-la enjoada.

"Me solte!", Stella ordenou, tentando se desvencilhar, mas não conseguiu.

Sem dizer nada, Marc apenas segurou a cintura dela, a empurrou para o banco de trás e entrou logo em seguida. Seus traços angulosos pareciam tensos e seus olhos piscavam com um estranho misto de ansiedade e impaciência. "Me deixe explicar, Stella, por favor."

Encurralada, Stella se afastou um pouco e disse em um tom gélido: "Limpe esse batom da sua boca antes de começar a falar."

Marc ficou desconcertado. A sua mão voou impulsivamente para a própria boca, um lampejo de pânico cruzando o seu olhar. "O acordo com Horizonte de Marina está por um fio. Ando muito preocupado com o financiamento, então entrei em contato com a Nova Holdings. Haley Smith é a filha de um dos membros do conselho da Nova Holdings. Ela não fala a nossa língua muito bem e acabou bebendo além da conta. Eu só estava garantindo que ela voltasse para o hotel em segurança."

Ele se inclinou da maneira que sempre fazia quando queria persuadi-la com o seu charme. "Ela é de Achury. As pessoas do país dela são conhecidas por serem mais liberais, e você sabe disso. Juro que vou ser mais cuidadoso daqui para a frente. Não fique chateada, está bem? Prometo te compensar por isso."

Encarando-o com os olhos frios e afiados, Stella falou com uma calma assustadora, composta demais para alguém que estava com raiva: "Ah... então é assim que você garante os investimentos? Se tornando bem próximo das filhas deles?"

Não houve gritos e tampouco lágrimas.

As suas palavras tranquilas arrancaram todas as desculpas da boca de Marc, tornando-as sem sentido.

Uma vez mais, ele sentiu o peso opressivo daquele mesmo vazio de antes e, frustrado, afrouxou a gravata em busca de ar. "Ah, vamos lá, Stella. É apenas pelo trabalho. Você poderia não fazer disso uma tempestade em copo d'água?"

Stella precisou se segurar para não rir.

Tempestade em copo d'água? Ela nem mesmo havia erguido a voz. Ele queria que ela jogasse as fotos na sua cara para que contasse como um drama de verdade?

O amor que ela vinha nutrindo por ele ao longo de todos esses anos agora ardia no seu peito como uma ferida aberta.

"Se você se cansou de mim, basta que seja sincero, Marc. Não vou ficar te segurando - vou te dar o divórcio que você tanto deseja."

Por que ele tinha que ficar fazendo esses joguinhos com ela? Por que tinha que mentir descaradamente?

Tão logo as palavras saíram da boca de Stella, Marc agarrou o ombro dela com força, seus olhos parecendo geleiras agora. "Nunca mais diga isso. Nós fizemos uma promessa - independentemente do que acontecesse, resolveríamos. Divórcio está fora de cogitação. Nem mesmo mencione algo assim."

Resolver?

Ele já tinha ido para a cama com outra mulher. O que havia para ser resolvido agora?

Stella se sentia como se estivesse presa em uma teia de espinhos, cada respiração, cada movimento a dilacerando mais profundamente.

Subitamente, o celular de Marc tocou. Ele verificou e franziu o cenho, recusando a chamada.

Ainda assim, Stella conseguiu ver o nome na tela. "Queridinha Selvagem."

Antes que Marc pudesse guardar o celular, a tela voltou a acender - dessa vez, mensagens do WhatsApp aparecendo. O nome do remetente? "Bebê Chique."

"Bebê, estou em dor."

"Preciso de você ao meu lado. Venha agora."

"Estou sangrando... será que vou morrer?"

Três textos, todos em Achure, idioma de Achury, enviados um após o outro.

Capítulo 3 Apenas uma amiga

Marc parecia achar que Stella não era capaz de ler Achure de forma alguma, por isso nem sequer se preocupou em esconder a tela, digitando rapidamente "Estou a caminho" antes de desligar o celular sem pestanejar.

"Tenho um assunto urgente para resolver agora, Stella. Se você não puder ajudar, pelo menos não atrapalhe. Seja boazinha, está bem?", ele disse suavemente, acariciando o cabelo de Stella como se ela fosse uma criança, depois, foi embora sem olhar para trás.

Ela apenas ficou sentada, sem esboçar qualquer reação para impedi-lo.

Algo dentro dela parecia ter sido despedaçado - era dor demais para reagir de qualquer forma.

Após deixar os materiais da conferência no instituto para que fossem arquivados, Stella voltou para casa.

Marc não apareceu em casa nos três dias que se seguiram, e ela não ligou para ele uma única vez. Não havia mais nada a ser dito.

Enquanto esperava pela aprovação final da sua inscrição, ela se mantinha ocupada organizando as suas coisas - qualquer distração que pudesse impedir a sua mente de desmoronar.

A sala que servia como depósito era um verdadeiro memorial dos anos que eles haviam passado juntos - bilhetes escritos à mão das primeiras declarações de amor, a cerâmica torta que fizeram no seu primeiro encontro, uma pequena pedra em forma de coração de uma noite sob o céu da montanha, fileiras de fotos agrupadas por anos... Até mesmo as câmeras Polaroid estavam organizadas de forma ordenada, da mais antiga à mais nova.

Sentimental, Stella sempre guardava esses objetos, esperando que um dia ela e Marc se sentassem juntos como almas velhas, rindo do passado.

Mas agora, tudo isso parecia uma piada perversa. Sem hesitação, ela lançou as lembranças no fogo e as observou queimar.

Quanto aos presentes caros - diamantes, relógios de luxo, colares refinados e até mesmo o anel de casamento - ela os alinhou cuidadosamente, tirou fotos e enviou uma mensagem para o seu contato na boutique de revenda, instruindo que se livrasse de tudo.

Quando ela viu a caixa de joias vazia, a ficha finalmente caiu - o amor, por mais resplandecente que fosse, não tinha qualquer valor uma vez manchado pela traição.

Passados mais dois dias, ela recebeu a notícia de que a sua inscrição para participar do projeto de pesquisa confidencial havia sido aprovada. A partir de agora, teria dez dias tranquilos antes que o projeto começasse.

Querendo abastecer-se de itens essenciais, ela trocou de roupa e foi ao shopping. No entanto, quando estava descendo a escada rolante com as suas sacolas de compras, avistou uma cena que a paralisou.

Lá estava Jazlyn Walsh, sua sogra sempre crítica, sorrindo calorosamente e agarrada ao braço daquela mulher, Haley, como se fossem velhas amigas.

Ao lado delas estava Marc, o mesmo homem que havia desaparecido por dias, colocando cuidadosamente uma reluzente pulseira de diamantes no pulso de Haley com toda a ternura que costumava reservar para ela no passado.

Nesse momento, eles pareciam completos - como uma família perfeita, uma que definitivamente não a incluía.

Quando Haley acenou com a cabeça com um ar de deleite, Jazlyn elogiou o gosto dela com um brilho nos olhos e casualmente entregou para a vendedora um cartão preto para o pagamento.

Para Stella, o momento estava impregnado com uma amarga ironia.

Aquele cartão preto pertencia a ela - era o seu dinheiro sendo gasto.

Ela havia conquistado esses privilégios... grandes descontos, primeiras escolhas das novas coleções, tudo por causa da sua amizade próxima com o diretor da marca.

O que era para ser um gesto atencioso seu para aproximá-la de Jazlyn estava sendo usado agora para bajular a amante de Marc.

Sem pensar duas vezes, Stella avançou decidida até o balcão, arrancou o cartão da mão da vendedora atônita e disse calmamente: "Desculpe. Este cartão não é mais válido."

A vendedora piscou os olhos, completamente confusa. "Senhora, este é um cartão premium. Ele não expira e não pode ser cancelado..."

"Ah, é mesmo?", Stella disse em um tom desafiador, quebrando o cartão ao meio e o jogando na lixeira próxima sem pestanejar. "Pronto, agora está cancelado."

A fúria de Jazlyn explodiu como um vulcão entrando em erupção. Ela deu um tapa forte no rosto de Stella e sibilou: "O que deu em você? Tem ideia do quanto o seu comportamento é constrangedor?"

A família Walsh carregava uma reputação impecável, e Marc sempre era elogiado como um verdadeiro prodígio nas finanças.

Desde o início, quando Stella e Marc começaram a namorar, Jazlyn a tratava com frieza. Depois que eles se casaram, essa frieza apenas aumentava.

Por mais que Stella se esforçasse para ganhar a aprovação de Jazlyn, jamais recebia sequer um sorriso caloroso.

Apesar de tudo, ela sempre ficava quieta, não querendo colocar Marc em uma situação difícil.

Mas essa paciência, construída sobre o alicerce do amor, finalmente se esgotou.

Ela não tinha mais qualquer razão para tolerar esse tipo de coisa a partir de agora.

Com isso, dois sonoros tapas ecoaram subitamente, acertando em cheio o rosto de Marc.

O ruído silenciou a todos ao redor.

Marc Walsh, o homem celebrado nos círculos financeiros como uma verdadeira lenda viva, agora estava ali, com o rosto vermelho, esbofeteado à luz do dia.

"Stella!", Jazlyn gritou furiosa, já arregaçando as mangas como se estivesse pronta para avançar e retaliar.

No entanto, Stella se mantinha firme, os pés plantados no lugar, o queixo erguido altivamente. "Se você encostar a mão em mim de novo, vou bater nele duas vezes mais forte. Quer experimentar?"

"Sua..." Jazlyn protestou, tão furiosa que precisou levar a mão ao peito para recuperar o ar. "Marc! Veja o que ela está fazendo! Como pode permitir que ela aja como uma bruxa?"

Stella se virou para Marc com um sorriso gelado no rosto. "Diga para mim, Marc - eu tinha ou não tinha todos os motivos para te esbofetear?"

A expressão de Marc endureceu instantaneamente, o maxilar se contraindo. Dando um passo à frente, ele agarrou o pulso de Stella e murmurou entre os dentes cerrados: "Já chega, Stella. Se acalme agora. Olhe a confusão que está criando."

Subitamente, Haley correu para os braços de Marc, arrastando a mão dele para a sua cintura e choramingando em Achure sobre o comportamento ultrajante de Stella.

Ela se agarrava a ele como hera e o chamava repetidamente de querido, como se quisesse se dissolver na sua pele.

Marc murmurou suaves garantias em Achure, falando gentilmente com ela.

A visão deles, tão íntimos e aconchegados, arrancou uma risada incrédula de Stella, que finalmente falou - o seu Achure fluente, o tom afiado.

"Se você é atrevida o bastante para ser a amante de alguém, pelo menos tenha a decência de não se fazer de inocente. Você está indo para a cama com o marido de outra mulher - nem pense em negar. Se Achure não está funcionando para você, podemos mudar de língua. Eu falo dezesseis idiomas. Basta escolher um, e eu te acompanho. Se eu perder a discussão, admito a minha derrota."

O rosto de Haley ficou vermelho escarlate.

Ela jamais havia imaginado que Stella pudesse falar Achure tão perfeitamente. Marc não tinha dito que sua esposa era apenas uma funcionária comum?

O rosto de Marc se tornou sombrio e ele disse em um tom severo: "Stella... quando foi que você aprendeu Achure?"

O momento atingiu Stella como um punhal sendo torcido mais fundo em um ferimento aberto.

Seus lábios se curvaram em um sorriso amargo.

"Ah, Marc, você realmente deve me amar, não é mesmo?", ela disse, a voz afiada e cortante, repleta de sarcasmo. "Bem, vá em frente e aproveite a sua pequena farra de compras agora. Não vou atrapalhar."

Com essas palavras, ela girou nos calcanhares e foi embora.

No impulso de segui-la, Marc se moveu rapidamente, mas foi impedido por Jazlyn e Haley, cada uma agarrada a um dos seus braços.

"Você precisa se divorciar logo dessa mulher desavergonhada, Marc! Como ela se atreve a bater em você?", Jazlyn disparou.

Ela já tinha dito essas exatas palavras incontáveis vezes antes, mas Marc simplesmente a ignorava. No entanto, dessa vez, por alguma razão, elas soaram diferentes para ele e o deixaram irritado.

"Isso é entre mim e ela", ele murmurou, se soltando delas com um safanão e foi apressadamente atrás de Stella.

No exato momento em que ela chegou ao carro, ele conseguiu alcançá-la. "Stella."

Quando os dedos de Marc tocaram o pulso de Stella, uma onda de náusea a atingiu, e ela o afastou, enojada. "O que foi, senhor Walsh? Terminou de brincar de casinha com a sua queridinha selvagem?"

O rosto de Marc se contorceu de frustração. "Haley é apenas uma amiga. Por que você está sendo tão ciumenta? Será que não pode ser madura ao menos uma vez? Precisa me humilhar publicamente?"

Incrédula, Stella soltou uma risada seca.

De alguma forma, a culpa sempre recaía sobre ela no final. Bastante conveniente!

"Então, deixe eu ver se entendi direito", ela disparou. "Mesmo que eu pegue você na cama com a sua amante, devo sorrir, fechar as cortinas e ficar parada do lado de fora para proteger o nome da família?"

Ele apertou o pulso dela com mais força, os olhos faiscando. "Quantas vezes vou ter que repetir? Ela é apenas uma amiga!"

"Uma amiga, é?", Stella retrucou, o tom destilando ironia enquanto o media de cima a baixo.

Então, o seu olhar se tornou zombeteiro, entrelaçado com algo mais afiado como um toque de sedução ou talvez de vingança.

"Tudo bem então, eu também vou encontrar um amigo para mim e vou garantir que façamos tudo que você e Haley têm feito juntos - cada coisinha."

Fazendo uma pausa, ela se inclinou ligeiramente mais para ele, a voz caindo para um sussurro mergulhado em veneno. "E você, querido marido... não fique com ciúmes. Acho que seria justo, você não acha?"

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022