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A garota dos Mafiosos

A garota dos Mafiosos

Autor:: BNLabaig
Gênero: Romance
A vida de Betina, uma garota simples e ingênua, muda drasticamente quando acidentalmente salva o líder da máfia, Drake. O encontro inesperado desencadeia uma paixão entre eles, mas Drake, preocupado com a segurança dela, a abandona. Determinada a ficar ao lado do homem que ama, Betina insiste em permanecer em sua vida e finalmente conquista o coração de Drake, levando-os a se comprometerem um com o outro. Contudo, a união com o líder da máfia coloca Betina no centro de uma perigosa teia de intrigas e inimigos. Gradualmente, ela deixa para trás sua inocência e se adapta ao ambiente implacável, tornando-se alvo constante por ser a mulher de um poderoso criminoso. Conforme o relacionamento deles começa a desmoronar, Betina encontra proteção e consolo nos braços de Leandro Moretti, braço direito de Drake, que se torna seu protetor dedicado, inclusive contra seu próprio chefe. A tensão entre Drake e Leandro aumenta, levando a uma explosiva disputa dentro da máfia, que resulta na expulsão de Leandro por parte do líder. Agora, Betina é confrontada com uma difícil escolha: permanecer ao lado do homem que ama, mesmo com o risco iminente, ou seguir uma nova trajetória ao lado de Leandro, longe do mundo sombrio da máfia.

Capítulo 1 O salvamento

- A polícia está aqui! - Grito com toda a força com uma sirene tocando em meu celular no máximo que consegui.

Era assustador o que estava acontecendo tão próximo da minha casa. Sempre me disseram que ali era um bairro tranquilo, com baixa criminalidade e perfeito para uma mulher sozinha morar.

Pelo que eu estava vendo, fui enganada pelo corretor de imóveis e pela vizinhança apática.

Ninguém mais estava vendo aquilo?

Era impossível que um homem estivesse sendo surrado por outros três brutamontes, emitisse sons de dor e lamúria e ninguém se compadecesse?

Estava alheia a tudo quando virei na esquina da minha casa e entendi o que estava acontecendo. Tive vontade de voltar correndo para o ônibus que acabava de me deixar no ponto. Lá pelo menos teriam outras pessoas que me ajudariam a fazer alguma coisa, mas ali, no final da tarde, não havia uma viva alma. Todas as janelas dos prédios estavam fechadas, as portas trancadas e a rua deserta. A única desavisada de toda essa situação fui eu.

Justo eu!

Odeio sangue, odeio violência, odeio injustiça e aquilo era uma junção dos três.

O homem estendido no chão não parecia um sem-teto. De longe eu podia ver que ele usava um terno caro, provavelmente ele foi assaltado e tentou reagir. Acabou que eu, a pessoa mais passiva do mundo, teria que ir ao seu socorro.

E sangue! Quanto sangue tinha a sua volta.

Me aproximei devagar com medo dos bandidos verem que era mentira a minha fala sobre a polícia. A sirene ainda tocava em meu celular, o que me dava uma falsa segurança e talvez fosse isso que tivesse mantido os vizinhos escondidos. Deveriam achar que realmente a polícia tinha chegado e não precisariam se importar com o que estava acontecendo.

Com o coração batendo na boca, as pernas tremendo e as mãos agarradas ao celular, me aproximei devagar.

"Ele pode estar morto, não pode? Ele teria morrido com a sucessão de socos e chutes que vi. Por sorte não havia armas, porque aí sim eu teria certeza de que ele estaria morto."

Me ajoelhei a sua frente tentando não desmaiar com a quantidade de sangue em sua face. O resto do corpo não parecia ter qualquer sinal de lesão, contudo por baixo da roupa, manchas pretas e roxas deveriam cobri-lo.

Olhei novamente para ele que permanecia desacordado.

- Moço? - cutuquei seu ombro devagar - Moço? - falei sussurrando com medo de incomodá-lo.

Seus gemidos me aliviaram de alguma forma, e peguei minha blusa dentro da bolsa para tentar tirar um pouco de sangue de seus olhos. Passei delicadamente por toda sua extensão e achei o local que estava minando a maior parte. Pressionei minha blusa em seu supercílio.

- SOCORRO! - gritei alto esperando que alguém viesse me ajudar - ALGUÉM ME AJUDA POR FAVOR! - uma dor arranhada desceu por minha garganta. - ELE PRECISA DE AJUDA! - meus olhos começaram a verter água enquanto eu continuava tentando chamar ajuda.

Deixei a blusa em seu rosto e peguei meu celular do chão. Com as mãos cobertas de sangue acabei sujando a tela e não conseguia discar para a emergência. A esfreguei frustrada em minha calça e puxei de novo para tentar discar.

- Não! - o homem segurou forte meu pulso e me assustei soltando um grito de terror. - Não! - eu tremia.

Seus olhos me avaliaram curiosos e pude encaixar a parte que faltava em minha memória a moldura de seu rosto. Os olhos verdes combinavam com o cabelo loiro palha que não estava tão tingido de vermelho. Mesmo com todos os machucados, lábios inchados e manchas roxas, ele parecia ser um príncipe de conto de fadas.

- Eu preciso chamar ajuda - tentei fazer minha voz soar - Você foi assaltado, está muito machucado, perdeu sangue!

- Não - ele falou novamente sem me soltar. Acabei soltando o celular e levando minha mão de volta a blusa que tinha saído do lugar.

- O que eu faço então? - mas ele não precisou dizer nada. Um carro preto entrou na rua cantando pneus e parou onde nos encontrávamos. Fiquei ainda mais apavorada.

Quatro homens desceram e pararam a nossa volta.

- Eu disse que iria dar merda! - Um homem enorme com cara de mau falou, enquanto outro um pouco menor parou ao meu lado e me puxou pelos ombros me tirando de perto do homem de terno.

- O que vocês vão fazer? Ele precisa de um hospital. Precisa de ajuda! - falei assustada vendo os outros dois pegarem com cuidado o homem do chão e o levarem para o carro.

- Não se preocupe, sabemos o que fazer - o que estava ao meu lado sussurrou em meu ouvido me fazendo pular. Ele me soltou e se voltou para o carro.

- Obrigado - O maior disse sem ter certeza - Ainda não entendi como a bambina conseguiu fazer alguma coisa, mesmo assim - deu de ombros com uma cara de deboche e fechou a porta sem dizer mais nada, sumindo pela rua da mesma forma que entrou.

Me levantei pegando a blusa suja de sangue, meu celular e a bolsa jogada de qualquer jeito. Meus joelhos ainda tremiam com tudo que tinha presenciado.

Era assustador ver que assim como apareceram, eles sumiram, como em um passe de mágica. A única coisa que mostrava que aquilo era real, era as marcas do sangue no chão e em minhas roupas.

Corri para o apartamento para me livrar de tudo. Mal entrei e já fui direto para a lavanderia jogando tudo dentro do tanque e ficando apenas de calcinha e sutiã. Liguei a torneira e comecei a esfregar tudo tentando tirar aquelas manchas que já começavam a secar.

Quando pôr fim a água começou a ficar mais clara, joguei bastante sabão em pó e deixei de molho para depois colocar na máquina de lavar. Corri para o banheiro e me enfiei da forma que estava, embaixo do chuveiro tentando lavar todo aquele sangue do meu corpo e da minha mente.

Comecei a chorar após passar o choque de tudo o que tinha visto. Eu não sabia nada sobre os homens que o levaram, e se de alguma forma eles também fossem bandidos? E se eles matassem o homem de terno?

Eu deveria ter chamado a polícia, deveria ter interrogado aqueles homens. Eu tinha que ter sido mais esperta!

Mas infelizmente não fui. Fui estupida de achar que eram seus amigos e agora me corroía por não saber se fui responsável pela morte de um homem.

Capítulo 2 O encontro

Voltei para a sala e me sentei no sofá, ainda estava anestesiada, para todo lado que eu olhava só me lembrava dos olhos verdes hipnotizantes e de todos os ferimentos que o cobria. Se eu dormisse aquela noite, seria um milagre.

Ouvi meu celular tocar, mas ignorei, não estava com vontade de falar nem ver ninguém. Quem acreditaria em mim? Não tinha como provar o que eu tinha visto. Não sabia o nome, não anotei a placa. Não fiz nada. Só fiquei ali vendo aqueles homens levarem o homem de terno. Mas o que eu poderia fazer?

Irritada com minha falta de ação, fui até meu som e liguei uma das minhas músicas favoritas para tentar relaxar, somente isso me faria ter um pouco de paz naquela noite.

The Pianos Guys eram uma releitura da música clássica com a moderna, adorava como a junção me fazia respirar melhor em momentos de tensão como aquele. Ergui no máximo que pude, deixando que os vizinhos me interfonassem irritados. Naquele momento eu precisava me envolver com os acordes e instrumentos.

Os violinos, violoncelos e pianos sempre me transportavam para outro lugar.

Adormeci ouvindo a música, e acordei com ela e o som de vizinhos gritando de todos os lados. Desliguei e resolvi me importar com os problemas que causei somente amanhã. Eles não me ajudaram quando precisei, não iria querer ouvir suas reclamações agora.

Estava exausta e apaguei assim que encostei na cama, contra todas as probabilidades.

Acordei com o celular tocando e me lembrei de tudo. Por mais assustada que eu estivesse, o sono foi realmente tranquilo, porém meu corpo não estava descansado. Parecia que tinha corrido uma meia maratona. Me espreguicei e voltei ao banheiro vendo as manchas pretas sob meus olhos.

- Não vou poder esquecer de escondê-las hoje - escovei meus dentes e já puxei a maleta de maquiagens que eu pouco usava. Meus olhos azuis não brilhavam tanto e meu rosto parecia um pouco mais pálido que o normal. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo que ficou um pouco espetado pelo comprimento. Peguei o corretivo e cobri as olheiras com leves batidas passando um pó em seguida para tirar o brilho.

Uma máscara de cílios daria um pouco mais de cor para minha íris e pronto.

Voltei para o quarto colocando uma calça jeans e uma blusa meia estação branca. Peguei minhas partituras que estavam dentro da pasta e sai pela porta. Não queria ter que encarar o síndico tão cedo pelo ocorrido de ontem.

Abri a primeira porta do prédio indo em direção ao portão. Mal o abri e paralisei, analisando a porta do carro preto se abrir lentamente e dois homens virem em minha direção. Agora era a minha vez de ser morta!

- Bambina - o grandalhão falou e abriu a porta de trás para mim.

- Para onde vão me levar? - falei em um fiapo de voz.

- Para onde quiser - O outro falou se aproximando.

- O que isso significa? - chacoalhei a cabeça não entendendo o que eles diziam. Dei um passo para trás e ouvi um pigarrear.

- Que bonito dona Betina. Sabe a quantidade de reclamações que eu tive que aturar por sua causa ontem à noite? - fechei os olhos ouvindo a voz do síndico. - Estou realmente muito irritado com você. Achei que era uma menina consciente de seus atos. - bufei abrindo os olhos e me deparando com os dois homens de preto a minha frente bem mais perto do que antes. Um deles passou por mim e encarou o síndico.

Me virei para ver sua reação.

- Qual o problema? - ele falou sério.

- O...o probl...problema é que ela escutou música alta até tarde da noite. Inco...incomodando a todos. - o homem gaguejava com a presença do grandão. - Essa é a notificação e a expulsão dela do prédio.

- O QUE?! - derrubei minha pasta. - Você só pode estar brincando.

- Ele está, bambina. Não se preocupe - o outro homem falou ao meu lado e encarou o síndico. - Não é? - o homem olhou de um para o outro e depois para mim.

- Se me prometer que não fará de novo - concordei com a cabeça. Ele olhou de novo para os homens e entrou correndo para o prédio.

Minha pasta já estava na mão de um dos homens e a peguei rapidamente.

-Obrigada, não precisavam se incomodar, eu conseguiria resolver - falei sem confiança.

- Claro, então vamos? - eles voltaram para o carro e me vi com medo. - Para onde tem que ir agora?

- Para a faculdade, estudo na Belas Artes. - não sei por que falei isso. Mais um motivo para eles virem atrás de mim.

- Então entre que vamos levá-la até lá.

- Não precisam se preocupar, eu vou de ônibus.

- Ainda estou pedindo, bambina - meu sangue gelou e resolvi entrar sem dizer mais nada.

O carro era muito luxuoso, mas meus olhos só conseguiam se focar nos dois homens a minha frente. Disquei em meu celular o número da polícia e bloqueei a tela, se acaso eu precisasse de algum tipo de ajuda.

Vinte minutos depois eles estacionaram no campus e abriram a porta para eu descer.

- Obrigada - falei sem saber o que fazer - Mas não precisam se incomodar mais, posso vir de ônibus sem problema algum. - eles não responderam e trancaram o carro.

Comecei a andar e percebi que ambos me seguiam.

- O que estão fazendo?

- Seguindo ordens.

- De quem? - falei olhando feio para eles. - Do homem de terno? Ele é seu chefe? Como ele está? - tive essa curiosidade desde que os vi, mas ainda não tinha certeza se eles me responderiam. Agora era diferente.

- Vai melhorar - o homem com barba respondeu.

Eles eram monossilábicos e por mais que eu tentasse persuadi-los, não consegui fazer com que se afastassem de mim.

Por onde ia eles iam como sombras. Dentro da sala ficaram no fundo apenas acompanhando meus passos.

Meus professores estavam irritados, alguns alunos sussurrando sobre mim, tudo que eu nunca tinha imaginado acontecer. Com certeza a faculdade também irá querer me expulsar.

Se eu soubesse que socorrer um homem faria minha vida virar de cabeça para baixo, eu não teria feito isso.

Mentira!

- Podem me dizer pelo menos os nomes de vocês já que pelo visto serão meus guardas costas?

- Mau - falou o cara grande.

- O nome dele é Maurício, mas todos o chamam de Mau.

- Entendo o porquê - o homem de barba era mais sociável.

- E eu sou o Leandro, mas pode me chamar de Mor. - concordei com a cabeça.

- Vão ficar assim, me seguindo até quando?

- Até que suspendam as ordens. - ergui as sobrancelhas.

O dia praticamente se arrastou, eles não me deixaram sozinha nem naquele dia nem nos seguintes. No meu prédio ninguém mais se atreveu a falar qualquer coisa comigo. Na faculdade os professores e alunos preferiam evitar qualquer contato. Eu já estava farta de tudo aquilo.

Fui até o banheiro e tentei achar uma forma de escapar dos meus seguranças. Uma pequena janelinha dava acesso ao outro lado do pátio e escalei no vaso sanitário e pulei por ela.

Corri o mais rápido que pude para o ponto de ônibus que por sorte estava encostando e entrei sorrindo. Tinha conseguido minha liberdade. Por quanto tempo eu ainda não tinha certeza, mas era melhor do que nada.

O ônibus avançou pelos bairros de São Paulo parando a cada ponto. Uma rotina que eu odiava antes e que agora me fazia tanta falta.

Dois carros pretos passaram rápido pelas laterais do ônibus e pararam a sua frente atravessando a rua e impedindo a sua passagem.

Eu sabia exatamente quem eram e bufei de desgosto.

O motorista começou a xingar e tentei me esconder entre os bancos olhando para a porta da frente.

Mau subiu com sua cara ainda mais fechada e o motorista ficou em silêncio. Ele me localizou bem rápido e acabei me levantando para dar fim a mais esse vexame em minha vida.

Capítulo 3 Rotina

Betina

Depois de me "sequestrar" do ônibus e me dizer que eu era muito ingrata e irresponsável por fugir de seus cuidados, ele me levou até um restaurante caro, onde comi lagosta pela primeira vez.

- O que vai fazer amanhã noite? - ele me questionou assim que paramos na frente do meu prédio.

- Marquei um jantar com minhas amigas - Elas queriam saber o que estava acontecendo em minha vida. Já que agora eu tinha seguranças particulares. - Preciso tentar explicar tudo isso - girei meu dedo e ele sorriu.

- Uma pena - o sorriso de Drake era sedutor.

Tudo que eu não imaginei foi vê-lo novamente, esperava qualquer coisa. Uma carta de agradecimento, uma caixa de bombons, um espumante. Mas não o próprio homem tentando fazer meus gostos. E que nome era aquele?

Drake!

Ele me explicou que era apenas um apelido para Diogo, já que quem lhe dera o nome foi a mãe e ele não tinha boas recordações dela.

- Podemos marcar outro dia - fiquei envergonhada por querer vê-lo de novo.

- O que sugere? -ele se recostou no banco.

Como poderia sugerir algo? Era uma simples musicista no começo de carreira que se sustentava dando aulas de piano. Não poderia levá-lo a locais chiques como ele fez comigo.

- Não sei, meus padrões são um pouco menores que os seus - ele riu e se virou para mim novamente.

- Não me importo com nada disso, desde que possa te ver de novo. Fiquei tempo demais afastado por conta dos ferimentos. - ele piscou e me senti derreter.

- Escolha algo para nós então. Não sou boa em escolher coisas. Sou uma menina que gosta de ficar em casa e ler livros enquanto coloca uma música clássica para tocar.

- Beethoven? - seus olhos brilharam com a revelação.

- Com certeza! - ele segurou minha mão - Bach, Mozar e tudo mais. - suspirei.

- Vou te levar a um concerto, tenho certeza que irá adorar - me empolguei ainda mais e apertei seus dedos.

- Promete? - parecia uma criança falando.

- Prometo, Betina - sorri de orelha a orelha. Eu queria abraçá-lo e agradecê-lo.

- Obrigada! - fiz menção de abrir a porta, mas Mor a fez por mim. - Eles são muito prestativos. - dei risada.

Sai do carro e Drake fez o mesmo parando ao meu lado na calçada.

- Aqui não parece um local muito seguro - ele olhou em volta e olhou para os seus homens.

- Foi o que pensei depois do que aconteceu com você, mas é tudo que posso me dar ao luxo de pagar - dei de ombros e seu olhar ficou um pouco mais sério - Mas obrigada pela carona e pelo jantar. - ele não se moveu e os três ficaram na calçada até que eu entrasse em meu prédio.

Parecia um sonho o que eu estava vivendo. Como dizia minha mãe, após a tempestade sempre vem a calmaria. Se é que podemos chamar Drake de calmaria.

Meu celular apitou e uma mensagem desconhecida chegou em meu celular.

"Não esqueça de trancar a porta, qualquer coisa me ligue! Drake"

Arregalei os olhos. Como ele tinha conseguido o número do meu celular?

Respondi a sua mensagem e adicionei seu número, mas nenhuma foto apareceu em seu contato. Não tinha tido coragem de perguntar o que ele fazia, para mim ele continuava com cara de grande empresário. Com seus carros pretos e seguranças, porém também tinha cara de mafioso.

Seus seguranças sempre me chamavam de bambina, o que me dava a entender que eles tinham um pezinho na Itália, mesmo que o português fosse perfeito.

Algo ainda não estava se encaixando e eu queria descobrir tudo sobre ele, mesmo que o tempo que ficássemos "juntos" fosse pouco.

Arrumei meu apartamento tentando não deixar nada para fazer no dia seguinte. Marquei com as meninas as 7 da noite para voltar cedo. Domingo eu teria que ir para a casa dos meus pais e não queria dormir muito.

O sono desta noite foi bem mais conturbado, mais do que o primeiro dia em que vi Drake sendo surrado. Desta vez eu estava lá e era ameaçada pelos mesmos homens. Eu podia sentir a dor e a agonia que afligia meu corpo e o desespero tomando tudo a minha volta. O gosto metálico tomava conta de minha boca e não via saída.

Drake apareceu como um herói, com os olhos em chamas e me salvou daquela agonia. Ele me protegeu quando mais ninguém me viu e cuidou de cada ferida com calma e delicadeza.

Acordei assustada com o impacto daquele sonho.

"O que estava acontecendo comigo?"

Terminei de me arrumar e já corri para a primeira aula que eu dava naquela manhã.

Meus sábados eram repletos de criancinhas fofas que estudavam em uma escola no bairro e que eu me voluntariava para ensinar. Na parte da manhã era a turma dos mais velhos e na parte da tarde dos mais novos. Eu adorava isso. Aprendi a tocar piano desta forma e resolvi que assim como fui ensinada por uma voluntária, eu passaria meus conhecimentos para frente.

Me despedi de todos 5horas da tarde e corri para casa, para me arrumar, já estava um pouco atrasada, já que o restaurante que Ana tinha sugerido era bem longe da minha casa e o horário de pico me faria o desserviço de aumentar o atraso.

Coloquei um vestido preto simples, porém colado que eu adorava, saltos blocos pretos e soltei os cabelos loiros.

Voltei para o quarto e peguei a pequena bolsa que repousava em cima da cama e peguei o celular sobre a mesa, pedindo um carro pelo aplicativo.

Esperei dois minutos até que um confirmou e abri para ver qual era o carro que estava vindo. Desci as escadas e esperei na entrada do prédio.

Era estanho não ver Mor e Mau ali me esperando. Mas é claro que agora que Drake estava de volta eles o acompanhariam em tudo. E era isso que eu queria desde o começo, não era? Queria minha liberdade de volta. Queria meu espaço.

O carro chegou e entrei.

-Boa noite - o homem falou assim que coloquei o sinto.

- Boa noite - respondi não dando muita atenção.

Ele começou a dirigir e respondi as meninas que eu já estava saindo de casa.

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