Numa distante ilha situada ao norte do Oceano Agosby...
"Sejam bem-vindos ao Campo de Treinamento de Agentes Plevale, uma instalação reconhecida por treinar os melhores agentes do mundo. Meu nome é Jennifer Bennett, mas muitos me chamam de Rose. Estarei no comando do treinamento especial que vocês passarão neste mês. Hoje é o início da sua jornada. Quero que prestem atenção às minhas regras. Primeiro, não aceito questionamentos sobre minhas ordens. Vocês devem cumpri-las imediatamente. Segundo, esqueçam seus nomes reais. Este lugar não segue leis ou autoridades externas e vocês serão conhecidos apenas pelos seus codinomes."
Sob o calor intenso do sol, uma mulher jovem, trajando um uniforme preto de treino, estava de pé no vasto campo de treinamento. Uma máscara escura cobria seu rosto, revelando apenas os olhos frios que analisavam com firmeza os homens alinhados à sua frente.
Após o discurso inicial de Jennifer, um assistente começou a distribuir etiquetas numeradas para cada participante.
"Senhora!" Uma voz alta interrompeu a atividade.
Jennifer se virou e viu um homem loiro, cujos olhos exibiam uma mistura de raiva e desafio.
Com um sorriso irônico, ela respondeu: "Diga."
"Eu me recuso a aceitar o número 13. Quero outra etiqueta."
Ainda com o sorriso de escárnio, Jennifer fez um sinal para que ele se aproximasse. "Venha cá."
O homem, segurando a etiqueta rejeitada, caminhou até ela. "No meu país, o número 13 é considerado um mau presságio. Eu não posso aceitá-lo. Preciso..."
Antes que ele pudesse terminar, um movimento rápido interrompeu suas palavras.
Jennifer, sem hesitar, ergueu a perna num chute direto à têmpora dele. Apesar de sua altura e do alcance limitado, o golpe foi incrivelmente preciso, num ângulo de 180 graus.
O homem, que claramente tinha experiência em combate, levantou os braços para bloquear.
O impacto da bota no braço dele foi forte o suficiente para fazê-lo recuar alguns passos.
Jennifer mantinha a expressão séria enquanto apontava para ele. "Se quer trocar o número, terá que me vencer primeiro."
"É isso que a senhora propõe?"
Sem esperar outra palavra, o homem avançou.
Seu punho disparou num golpe rápido, mirando a cabeça de Jennifer.
Como um boxeador renomado, famoso por sua força devastadora, capaz de derrubar até animais enormes com um único soco, ele duvidava que Jennifer conseguisse escapar do ataque.
Porém, Jennifer permanecia imóvel, bloqueando o ataque com uma precisão surpreendente no último instante.
"Droga!" Um murmúrio de choque percorreu os presentes.
A surpresa tomou o lugar da ira nos olhos do homem loiro.
Como ela foi capaz disso?
Antes que ele pudesse se recompor, Jennifer segurou firmemente o pulso dele, se impulsionou com agilidade e desferiu um chute poderoso em suas costas. O impacto o derrubou, fazendo-o cair de rosto no chão. Em seguida, ela torceu o braço dele de forma abrupta, o som seco de um osso se partindo ecoando pelo campo.
"Ahhh!" Ele soltou um grito de dor, enquanto gotas de suor escorriam pelo seu rosto, agora pressionado contra a terra.
Jennifer pousou a bota no rosto dele, pressionando com firmeza. "Mais alguém quer trocar o número que recebeu?"
O homem loiro permanecia em silêncio, mas a humilhação brilhava em seus olhos. Sua mandíbula estava tensa, revelando a luta interna para conter a raiva e o orgulho ferido.
A cena fez Jennifer soltar uma risada baixa e gelada. Ela aumentou a pressão de seu pé, provocando uma pontada ainda mais aguda de dor.
"Não... Eu fico com o número. Não vou trocar mais!", ele balbuciou rapidamente, gemendo enquanto sentia uma dor lancinante atravessar sua têmpora.
"De volta à fila!", ordenou Jennifer, sua voz gotejando desprezo.
Embora soubesse que estava lidando com soldados de elite e especialistas altamente treinados, Jennifer estava ciente de que todos ali tentavam medir o quanto poderiam desafiá-la.
Mas para ela, nenhum desses estagiários havia demonstrado dignidade ou competência suficientes para ganhar seu respeito ainda.
Com um movimento firme, ela afastou o homem loiro, que cambaleou de volta para a formação sem olhar para trás.
O restante do grupo observava em silêncio, completamente dominado pelo medo e pela tensão.
Jennifer cruzou os braços, prestes a retomar sua instrução, quando uma voz agitada irrompeu em seu fone de ouvido: "Senhorita Bennett, temos um problema! O prédio da sede foi invadido."
Antes que ela pudesse reagir, um som estridente e contínuo cortou o ar: o alarme da ilha.
Jennifer imediatamente fechou a expressão em seriedade. Na sede, estavam armazenados documentos de importância crítica para a segurança internacional, e qualquer violação poderia desencadear uma crise de proporções inimagináveis.
Ela se virou para o instrutor auxiliar ao seu lado e, com um tom autoritário, ordenou: "Assuma o controle aqui."
Sem perder tempo, Jennifer partiu em direção ao prédio central. Ao se aproximar, seus olhos captaram a silhueta de uma figura ágil e sombria saltando de uma janela no quarto andar.
O movimento era impecável, e o intruso aterrissou sem dificuldades após uma queda de quase quinze metros.
Jennifer começou a persegui-lo imediatamente, seus sentidos aguçados analisando cada movimento do intruso. Ele era alto e se deslocava com uma velocidade e precisão que ela raramente encontrava.
Tiros ecoaram atrás do intruso enquanto ele se esquivava e revidava com uma precisão assustadora.
Ao observar os corpos dos guardas caídos próximos ao edifício, Jennifer sentiu uma onda de fúria gelada.
Aquele intruso não era como os outros, e foi o primeiro que conseguiu escapar da sede ileso.
"Senhorita Bennett! Graças a Deus que a senhorita chegou!"
Guardas que ainda estavam de pé correram em sua direção, aliviados pela presença dela.
"Posicionem um atirador na torre de vigia imediatamente. Quero que neutralizem ele!"
Jennifer se virou rapidamente e seguiu o rastro do homem em direção à torre de vigia costeira.
Ao chegar, ela o avistou se movendo pelo penhasco, seus passos precisos e ágeis como os de um predador selvagem. Ele desviava dos tiros do atirador com uma facilidade que parecia quase provocativa.
Percebendo que o homem estava prestes a sair do alcance, Jennifer gritou: "Seu idiota, passe a arma!"
O atirador, sem hesitar, entregou o rifle.
Com a arma em mãos, Jennifer ajustou a mira, focando na figura que se distanciava.
Como se sentisse o perigo iminente, o homem se virou para encará-la.
Sem perder tempo, Jennifer disparou, e o projétil cortou o ar, atingindo o ombro do homem.
Na mira, Jennifer viu o sangue voar no impacto, mas percebeu, irritada, que o tiro não havia acertado o coração, como pretendera.
Mesmo ferido, o homem conseguiu se manter de pé, cambaleando.
Jennifer, sem perder tempo, começou a recarregar a arma, se preparando para outro disparo.
De repente, um lampejo de metal chamou a atenção dela.
O homem havia levantado a arma, apontando diretamente para Jennifer. Através da mira, ela pôde ver o brilho ameaçador do cano, e num reflexo rápido, inclinou a cabeça para o lado.
Ela sentiu uma dor aguda na bochecha, seguida pela sensação quente do sangue escorrendo.
Erguendo os olhos novamente, Jennifer viu o homem se afastar até a beira do penhasco.
Antes que ela pudesse reagir, ele deu um aceno provocador e pulou, desaparecendo na queda.
Ao testemunhar a cena, Jennifer desceu correndo de sua posição e subiu até o penhasco sozinha.
A rocha onde o homem havia estado era de um preto profundo. Ela se ajoelhou, passou os dedos pelo local e viu uma mancha de sangue na ponta deles.
"Senhorita Bennett."
Um soldado que a seguia rapidamente lhe ofereceu um lenço.
Jennifer limpou os dedos vigorosamente com o lenço e o devolveu ao soldado. "Leve isso para análise e busque uma correspondência no banco de dados global de DNA."
"Sim, senhorita."
Olhando para o horizonte escuro do oceano, ela declarou com frieza: "Eu quero que ele seja encontrado, vivo ou morto."
"Entendido."
Pouco depois, já no escritório, Jennifer retirou a máscara, revelando seu rosto marcado pelo ferimento recente.
Ela se aproximou do espelho e limpou a bochecha ferida com álcool, resistindo à dor sem emitir nenhum som.
Com o ferimento tratado, ela se dirigiu ao capitão da segurança, que parecia tenso. "Agora, me diga, o que foi roubado?"
"Era... o Arquivo HJ001."
Ao ouvir isso, Jennifer permanecia em silêncio por alguns segundos. O Arquivo HJ001 era um documento ultrassecreto, codificado pelo programa de treinamento deles.
"Hicaerith, Jalster?"
A organização designava nomes de cidades e países para seus arquivos. O "H" representava Hicaerith, um país, o "J" indicava Jalster, uma cidade dentro dele, e o número "001" destacava a importância máxima do documento.
Esse arquivo específico continha detalhes do infame caso de sequestro internacional conhecido como 711.
O caso havia resultado na morte de agentes de elite, forças especiais e mercenários de várias nações, tornando-o um dos mais sensíveis já registrados.
Jennifer sabia que precisava agir rapidamente para recuperar o arquivo antes que sua criptografia fosse quebrada.
Perdida em seus pensamentos, ela foi interrompida pelo som da porta se abrindo abruptamente. Um homem em uniforme camuflado entrou apressado no escritório e se aproximou dela.
Sem hesitar, Jennifer foi direta: "O homem, vocês o trouxeram vivo ou morto?"
"Desculpe, não conseguimos capturá-lo."
Diante do olhar frio de Jennifer, ele hesitou por um momento e continuou: "Ele tinha aliados escondidos no mar. No entanto, conseguimos rastrear sua rota marítima. Está indo em direção a Jalster, em Hicaerith."
O telefone na mesa tocou de repente, quebrando o silêncio. Jennifer o atendeu rapidamente ao reconhecer o número.
"Leah?"
Enquanto isso, numa mansão em Urywood, uma mulher usando um vestido branco estava ao telefone. Rindo de maneira suave, ela disse: "Jennifer, então alguém conseguiu roubar o Arquivo HJ001 de você?"
O rosto de Jennifer endureceu. Sua voz era fria quando respondeu: "Não se preocupe. Vou recuperar o arquivo antes que alguém consiga decifrá-lo."
Então, havia um documento ultrassecreto que precisava ser recuperado.
"Você vai para Hicaerith?"
Jennifer olhou para baixo, pensativa, apertando o telefone com mais força.
Leah Dale esperava silenciosamente do outro lado da linha.
Após uma pausa, Jennifer respondeu calmamente: "Sim, eu mesma vou a Hicaerith para recuperar o arquivo."
"Já que você vai voltar, por que não fica com a família Bennett por um tempo?"
"Leah, você..."
"Jennifer, se lembre de que eles ainda são sua família. Pode ser uma boa oportunidade para se reconectar. Não se preocupe com os preparativos, pois eu cuidarei de tudo. Você voltará como estudante de intercâmbio e se matriculará na Universidade de Jalster. Se ficar com a família Bennett for demais, você pode optar por morar no campus."
"Voltarei para Hicaerith hoje à noite."
Com isso, Jennifer encerrou a ligação.
No Aeroporto Internacional de Jalster...
"Quanto tempo mais vamos ter que esperar, Carson? Jennifer está voltando. Não poderíamos simplesmente ter enviado um motorista? Por que nós dois precisamos estar aqui? Ela se acha tão importante assim? Você tem uma lista enorme de coisas para resolver na empresa, e eu também preciso manter minha agenda. Nós..."
"Lá está ela", interrompeu Carson Bennett, com um tom impassível.
Imediatamente, Edmund Bennett, que usava óculos escuros, desviou sua atenção para a saída do aeroporto.
Carson reconheceu Jennifer no instante em que a viu, enquanto ela caminhava pela multidão.
Sob o calor sufocante, Carson, em seu terno preto, parecia deslocado. Edmund, um astro pop, também estava completamente coberto, o que os tornava figuras inconfundíveis naquele dia escaldante de agosto.
Jennifer passou por eles sem sequer lançar um olhar em sua direção.
"Jennifer, espere!", Edmund chamou, claramente frustrado com o desprezo dela.
No entanto, Jennifer acelerou o passo, ignorando completamente a presença dos dois.
Quando ela já estava quase fora de vista, Carson correu rapidamente para a frente dela.
"Chega de joguinhos, Jennifer."
Seu tom era firme, e a expressão em seu rosto deixava claro que o reencontro com a irmã mais nova, após quatro anos, não lhe trazia nenhuma alegria.
Quatro anos atrás, palavras como essas poderiam ter ferido Jennifer. Agora, pareciam meros ecos sem importância.
"Pessoas inteligentes não bloqueiam o caminho dos outros. Saia."
"Você perdeu o juízo, Jennifer? Cuidado com o tom!", retrucou Edmund, indignado.
"Talvez você devesse resolver os seus próprios problemas antes de apontar os dos outros."
"Sua..."
"Edmund!", Carson interveio, interrompendo antes que a discussão escalasse.
Jennifer apenas observou, seus lábios se curvando num sorriso de escárnio, enquanto Carson segurava Edmund para evitar uma explosão de raiva.
Respirando fundo, Carson olhou novamente para Jennifer. "Entre no carro. A vovó pediu que viéssemos te buscar porque sabia que você estaria de volta."
Ao ouvir isso, a frieza nos olhos de Jennifer diminuiu ligeiramente.
Após uma breve pausa, ela se dirigiu ao Maybach estacionado nas proximidades e entrou no veículo.
No banco do passageiro da frente, Edmund, incapaz de se conter, começou a falar: "Jennifer, vou te avisar só uma vez. Se você ousar maltratar Leyla novamente, eu... Ai!"
Jennifer, que havia acabado de fechar os olhos, foi rápida em interrompê-lo. Ela abriu os olhos, se inclinou para frente e deu um tapa na cabeça de Edmund.
"Diga mais uma palavra e te dou uma surra. Quer testar?", ela sibilou, agarrando o cabelo dele com firmeza.
Edmund sentiu a cabeça girar com o impacto. Embora quisesse revidar, tudo o que pôde fazer foi cerrar os dentes enquanto reprimia os insultos que quase escaparam.
"Hum!"
Jennifer soltou o cabelo dele com um bufo de desdém, se recostando novamente.
Carson, ao volante, lançou um olhar pelo retrovisor, mas foi recebido com um aviso gelado vindo do banco de trás: "Se continuar olhando, vai se arrepender também."
Então, ele permanecia em silêncio.
Edmund, por outro lado, experimentou uma estranha sensação de satisfação ao observar Jennifer repreendendo Carson também. "Ignore, Carson. Ela é..."
Ele queria dizer que ela era louca, mas parou ao se lembrar da última lição que havia aprendido.
O silêncio tomou conta do carro até o momento em que ele parou.
Jennifer abriu os olhos, percebeu que os irmãos já haviam descido, abriu a porta e saiu.
Levantando o olhar para a imponente vila à sua frente, Jennifer, que não esperava voltar, sentiu uma onda de emoções cruzarem seu rosto.
Na primeira vez em que visitou este lugar, ela tinha apenas 16 anos.
Na época, já era a principal agente de Plevale, e rastrear sua família havia sido uma tarefa fácil. Ela ainda era jovem e guardava uma faísca de esperança nos laços familiares, acreditando no que chamavam de "família". No entanto, a família Bennett deixara claro que não precisava da suposta filha biológica deles, pois outra pessoa já havia assumido seu lugar.
"Carson, Edmund, vocês chegaram!"
Quando Jennifer deu o primeiro passo, uma jovem de vestido rosa surgiu correndo da vila e se lançou nos braços de Edmund.
Ele a abraçou com um sorriso radiante, enquanto Carson observava a cena com um olhar mais sereno.
Leyla Bennett se agarrou a Edmund e Carson, sorrindo com alegria. Mas, assim que viu Jennifer, o sorriso dela se desfez.
Ela se recompôs rapidamente, se virou para Jennifer e, com um sorriso ensaiado, disse: "Bem-vinda de volta, Jennifer."
"Lá vamos nós novamente... tão falsa quanto antes."
Ouvindo essas palavras e vendo o sorriso brilhante de Jennifer, o rosto de Leyla empalideceu imediatamente.