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A garota que tentaram apagar

A garota que tentaram apagar

Autor:: Lady Ann
Gênero: Moderno
"Quando a filha biológica da família Morgan retornou, Maia, a filha adotiva, foi acusada falsamente por ela e mandada para a prisão. Quatro anos depois, Maia saiu das cadeias e se casou com Chris, um bastardo notório. Todos acreditavam que a garota teria uma vida miserável, mas logo descobriram que ela era na verdade uma joalheira famosa, hacker de elite, chef renomada, designer de jogos de ponta... Enquanto a família Morgan implorava por ajuda dela, Chris sorriu calmamente: ""Querida, vamos para casa."" Foi então que Maia percebeu que seu marido ""inútil"" era um magnata lendário que a amava desde o início."

Capítulo 1 Quatro anos atrás das grades

Na prisão de Wront, o calor do verão estava tão forte que era difícil respirar.

Deixando a manga do uniforme carcerário cair sobre a cicatriz evidente no braço, Maia Watson, antes conhecida como Maia Morgan, ouviu um agente penitenciário gritar: "Maia, as pessoas da família Morgan vieram te buscar!"

Nesse momento, a mão dela congelou no meio do movimento. Ouvir sobre a família Morgan novamente foi como sentir um gosto amargo e, ao mesmo tempo, familiar.

Ela já fora filha dessa família, mas tudo foi por água abaixo quatro anos atrás, quando a polícia bateu à sua porta informando que encontraram a filha biológica de Richard Morgan e Sandra Morgan: Rosanna Morgan.

Num piscar de olhos, a identidade de Maia lhe foi arrancada e ela foi considerada uma grande fraude.

Seus pais verdadeiros haviam morrido há muito tempo e, para manter as aparências, a família Morgan se fez de complacente para o público, dizendo ao mundo que ainda viam Maia como uma integrante da família. Mas qualquer um que tivesse os acompanhado de perto por dezessete anos saberia a realidade.

Com Richard e Sandra sempre se mostrando mais preocupados com empreendimentos comerciais, Maia era mais como uma hóspede na sua casa do que uma filha.

Desde o dia em que Rosanna voltou, o mundo deles passou a girar em torno dela.

Depois, ocorreu o incidente com a Joalheria Radiant, quando Rosanna roubou uma joia preciosa e colocou a culpa em Maia.

Embora fosse uma clara armação, a família Morgan pouco se importou, acreditando em Rosanna sem qualquer questionamento. Na verdade, eles até a ajudaram, acusando Maia publicamente com tanta desenvoltura e naturalidade que ela não teve a menor chance de se defender.

A Joalheria Radiant pertencia ao Grupo Cooper, e a família Cooper não era apenas poderosa, mas praticamente da realeza em Wront, então a família Morgan não podia correr o risco de ofendê-los, não por alguém que nem sequer era sua filha biológica.

Assim, eles apagaram o nome de Maia da família Morgan, dizendo ao público que ela havia sido adotada por uma família carente chamada Watson antes de mandá-la direto para a prisão.

Relembrando tudo o que aconteceu, Maia contraiu seus dedos até as unhas cravarem na pele. Por um crime que Rosanna cometeu, ela passou quatro anos atrás das grades. Mas agora, essa sentença havia se encerrado e ela finalmente iria sair.

...

Logo atrás dos portões da prisão, a multidão de repórteres fervilhava com uma energia frenética. O calor era intenso, e a impaciência estava estampada em cada rosto.

Por fim, os enormes portões se abriram com um rangido, e Maia saiu para a luz do sol, usando a mesma roupa simples que usava no dia em que foi encarcerada.

No momento em que Sandra a avistou, seu rosto se iluminou como se tivesse reencontrado sua filha há muito tempo perdida. Ela se aproximou correndo, cercada por uma enxurrada de repórteres que agitavam microfones e disparavam flashes.

Perante todo esse espetáculo, uma carranca se formou no rosto de Maia.

"Maia, minha filha querida, vim te levar para casa", disse Sandra com a voz embargada, as lágrimas cintilando seus olhos.

Diante da cena emocionante, até alguns dos repórteres por perto não puderam deixar de comentar palavras de simpatia.

"Você deve estar enganada, senhora Morgan. Não sou sua filha", disse Maia friamente, a encarando com um ar indiferente.

Ao ouvir isso, Sandra congelou no lugar, mas logo se recompôs, a tristeza se esboçando no seu rosto. "Como pode dizer uma coisa dessas, Maia? Fui eu que te criei. Você passou mais de dez anos debaixo do meu teto. Nunca deixei de te considerar minha filha."

Os lábios de Maia se curvaram num sorriso frio. "Ah, é isso mesmo? Não se lembra de que, quatro anos atrás, vocês me incriminaram, me expulsaram de casa, e ainda deixaram bem claro que eu era uma Watson? Vocês decidiram me colocar na prisão sem pensar duas vezes. Deixei de ser sua filha no dia em que me excluíram da sua família."

Ela foi incriminada? E, para completar, disseram que ela não era uma Morgan, e sim uma Watson?

Essas poucas palavras de Maia caíram como uma bomba. Os repórteres trocaram olhares atônitos por um momento, e então o caos se instalou enquanto eles avançavam apressadamente, aproximando seus microfones, ansiosos para gravar cada palavra.

Com câmeras de todos os lados apontadas para ela, Sandra não pôde se mostrar enfurecida. Seu rosto se contorcia cada vez mais, mas ela tinha que reprimir a raiva que latejava dentro de si.

Nesse momento, uma voz rompeu o tumulto. "Maia! Que mentiras são essas que você está contando para todos? A joia da Joalheria Radiant foi encontrada na sua bolsa. Você foi pega em flagrante! Como ousa alegar que foi incriminada? Você passou quatro anos atrás das grades, e mesmo assim enfrentamos esse calor para vir te buscar. É assim que nos agradece? Pelo visto, você está cuspindo no prato que comeu!"

Jarrod Morgan era quem estava falando, o filho mais velho de Sandra e Richard.

Maia sempre o considerara um irmão, mas quando a verdade foi distorcida contra ela, ele se revoltou sem hesitar para defender Rosanna, chegando até a empurrá-la no chão.

Naquele dia, Maia caiu fortemente, e seu braço bateu na quina de uma mesa, cortando sua pele e deixando uma cicatriz que nunca desapareceria.

E quanto àquela famigerada joia? Rosanna a colocou na bolsa de Maia enquanto ela ia ao banheiro lavar as mãos.

Na época, Maia acreditava que Rosanna era uma boa pessoa, já que ela sempre se mostrava simpática, honesta e disposta a manter uma amizade.

Foi por isso que, quando Rosanna se ofereceu para ficar com sua bolsa para que ela fosse ao banheiro, ela a entregou sem hesitar.

A ideia de que alguém tão meiga e gentil pudesse guardar tamanha crueldade nunca passara pela sua cabeça, e a razão por trás disso era que Rosanna a considerava uma ameaça. Com medo de que ela se tornasse a queridinha da família Morgan, Rosanna decidiu se livrar da sua rival dessa forma.

Foi naquele dia que os olhos de Maia se abriram para a realidade sobre a família Morgan e, desde então, seu coração virou uma pedra de gelo pela traição.

"Ela ainda deve estar chateada comigo, por isso está distorcendo toda situação...", disse Rosanna enquanto se abraçava a Jarrod, sua voz embargada e os cílios trêmulos em meio aos seus olhos marejados. "Maia, juro que não voltei para roubar seu lugar na família. Por favor, não me odeie por isso."

Lágrimas escorriam pelo seu rosto, à medida que seu corpo magro tremia.

Não suportando vê-la chorar, Jarrod a puxou para perto. "Isso não é culpa sua, Rosanna. Foi Maia quem passou dezessete anos roubando uma vida que era sua por direito. Foi ela quem errou nessa história. Se ela não é capaz de admitir, então pode ser que mais tempo atrás das grades a ensine a reconhecer os próprios erros."

"Já chega!" Sandra lançou um olhar incisivo para o filho, e depois o direcionou para a imprensa por perto.

Com tantas câmeras em volta, ela não podia se descontrolar, então apenas abriu um sorriso diplomático antes de declarar: "Maia viveu quatro anos sem ver a gente e é nítido que ela ainda está se adaptando. Posso compreender o que ela sente. Se ela reconhecer seus erros e demonstrar que pode mudar, nunca deixará de fazer parte da minha família."

Parte da sua família?

Ouvindo isso, Maia soltou uma risada que estava longe de ser divertida. Com uma sobrancelha arqueada, ela olhou fixamente nos olhos da mulher. "Senhora Morgan, não foi você que assinou o contrato para cortar todos os vínculos entre nós? E agora vem com essa, dizendo que quer que eu volte para sua família?"

Capítulo 2 Tirando a certidão de casamento

Diante dessas palavras, o rosto de Sandra se obscureceu instantaneamente.

Naquela época, para cortar todos os vínculos com Maia, a família Morgan a obrigou a assinar um documento de rompimento com um representante do Grupo Cooper como testemunha, para livrar seus nomes de qualquer acusação futura. Esse foi um ato de desprezo, não de dignidade.

Uma enxurrada de repórteres se aproximou, empurrando microfones em direção a Sandra. "Isso é verdade, senhora Morgan? Mas você já disse uma vez que não abandonaria Maia e ela não deixaria de ser sua filha mesmo após reencontrar sua filha biológica."

Tentando manter a compostura, Sandra esboçou um sorriso que mal se sustentava. "Isso... não é verdade. Claro que não."

Notando a falsidade da mulher, Maia abriu um sorriso astuto. "Então você estaria disposta a chamar alguém do Grupo Cooper para descobrirmos se esse documento de rompimento existe ou não?"

"Maia, você está passando dos limites! Os funcionários do Grupo Cooper estão com muitas responsabilidades para serem convocados quando bem entender!", Jarrod gritou, sua raiva prestes a explodir.

Ouvindo isso, Maia lhe lançou um olhar presunçoso. "Então está admitindo que não ousa chamá-los..."

Sem saber como argumentar, o homem ficou sem palavras.

Como a imagem que eles haviam se esforçado tanto para manter estava começando a desmoronar, Sandra tentou apelar para a compaixão. Seu corpo começou a estremecer, com uma tosse repentina, alta e dramática.

Assim que viu isso, Rosanna correu para perto da mãe, esfregando suas costas para tentar amenizar a crise. "Mãe, o que você tem? Está bem?"

Em seguida, os olhos da jovem se desviaram para Maia, marcados por um remorso exagerada. "Desde que você foi presa, a mamãe tem ficado muito preocupada, chorando todas as noites, Maia. O médico nos disse que a saúde dela está piorando. Se você ainda se importa pelo menos um pouco com tudo o que ela fez por você quando era criança, não complique as coisas e volte para casa com a gente."

Maia ficou enojada com as palavras fingidas de Rosanna.

Voltar para casa com eles? Essas palavras a confortariam antes, mas agora não significavam mais nada.

A última coisa que ela queria era se envolver com eles novamente, e a convicção disso estava gravada no seu rosto. "Aquela garota que vocês conheciam morreu há quatro anos, e foi a família Morgan que a enterrou."

Após dizer o que queria, Maia passou pela multidão e foi embora sem olhar para trás.

Ao vê-la sair, Sandra caiu no chão, dando um show de lágrimas como se seu coração estivesse se despedaçando. Com um suspiro dramático, de repente ela desmaiou.

No instante seguinte, o pânico se instalou e o lugar foi tomado por gritos de comoção.

Sem perder tempo, Jarrod carregou a mãe nos braços, enquanto Rosanna ia atrás.

No momento em que as portas do carro se fecharam e as câmeras ficaram para trás, os olhos de Sandra se abriram e ela se endireitou num movimento rápido.

Se ela não tivesse fingido esse desmaio, tudo teria desandado sem qualquer possibilidade de reparação.

Na sua mente, toda essa confusão se devia a uma pessoa: Maia.

Eles foram à prisão, demonstrando a todos seu interesse em recebê-la de volta com toda a generosidade. E como ela reagiu? Arrastando o nome de toda a família para a lama diante de uma multidão de repórteres.

Isso só indicava que não havia um pingo de gratidão nessa garota.

"Ela é revoltante! Demos tudo a ela para agora ficar contra nós assim!", Jarrod exclamou furiosamente, segurando o volante com força.

Nesse momento, o nervosismo desapareceu do rosto de Sandra, substituído por uma gelidez repentina.

Com uma risada mordaz escapando dos seus lábios, ela declarou: "Sem dinheiro e com uma ficha criminal que ela carregará nas costas para sempre... a reputação dela virou pó. Sem nós, ela está acabada. Com certeza ela voltará, e quando isso acontecer, já terei várias formas de lidar com ela!"

...

No fim da tarde, Maia estava em frente ao cartório de Wront, com alguns documentos necessários para o registro de casamento na sua bolsa.

Ainda havia tempo antes do horário marcado, então ela se recostou numa árvore, seus olhos baixos e a mente distante.

Há quatro anos, quando ela entrou na prisão, o tormento que sentia era incessante, marcado na sua memória profundamente.

Uma noite, quando ela estava sendo espancada a ponto de quase perder a vida, alguém apareceu para salvá-la.

Não era um guarda, mas uma detenta que tinha mais influência do que qualquer um naquele lugar. Sua cela parecia mais uma suíte particular, e até os agentes penitenciários mantinham distância, assim como a maioria das detentas, temendo ficar no seu caminho.

Por alguma razão, ela demonstrou interesse por Maia e decidiu protegê-la, mas com uma condição. Se Maia quisesse essa segurança, teria que aceitar um acordo de casamento e cumprir uma tarefa quando saísse.

Naquela época, presa num pesadelo sem fim, Maia não tinha como recusar, sabendo que sobreviver exigia sacrifício.

Sendo assim, ela concordou sem hesitar, jurando lealdade à mulher que a salvara.

Agora que ela estava livre, cumprir essa promessa era sua prioridade. Ou seja, iniciar o processo matrimonial que ela havia aceitado na prisão.

Não muito longe dali, um Rolls-Royce Phantom estava estacionado entre os arbustos.

"Essa é a mulher que sua tia escolheu para você se casar, senhor?", perguntou Brad Curtis, assistente de Chris Cooper.

A visão pela janela do carro revelava uma mulher cabisbaixa de corpo esbelto.

Usando uma blusa branca e jeans de cintura baixa, ela se movia com naturalidade. Quando se espreguiçou, sua cintura fina apareceu.

Em meio ao seu silêncio, uma ousadia se insinuava, com uma sutil rebeldia de quem não precisava de aprovação.

Por mais bonita que fosse, seu passado carregava uma ficha criminal que não podia ser ignorada.

Brad não conseguia entender por que Zoey Cooper insistira nesse casamento. O que ela viu numa mulher que havia cumprido pena? Mais intrigante ainda era o fato de Chris não ter se oposto a isso.

Sentado no banco de trás, Chris recostou o braço na janela com confiança, a manga da sua camisa enrolada mostrando seus músculos tonificados.

Seus olhos, ligeiramente estreitos, se fixaram na cintura exposta da mulher, e um brilho de diversão ilustrou seu rosto.

Sem dizer uma palavra, ele abriu a porta do carro e saiu.

"Você é a senhorita Maia Watson?", perguntou ele enquanto se aproximava.

Ao ouvi-lo, Maia se virou, paralisando por um instante em completa surpresa.

Um homem usando uma camisa preta justa estava diante dela, alto o suficiente para bloquear o sol do seu rosto.

Ele parecia ter saído de um sonho, tão bonito que a deixava sem reação. Cada traço era impecável, como se tivesse sido esculpido pelos deuses.

Esse era o filho ilegítimo da família Cooper que Zoey mencionou, que tinha uma má reputação e era assombrado por uma série de rumores inconsequentes?

Com esse pensamento, um aperto desconfortável atingiu o peito de Maia.

"Você é... senhor Chris Cooper?", ela perguntou, totalmente perplexa.

Em resposta, ele deu um leve aceno de cabeça.

Maia fixou os olhos no rapaz, observando cada detalhe. As roupas dele eram simples, mas um aspecto refinado predominava e um sorriso discreto ilustrava seus lábios, exibindo um mistério que atiçava a curiosidade dela.

"Está me encarando há um bom tempo, senhorita Watson", disse Chris, soltando uma risadinha.

Ao sair do transe, ela virou a cabeça rapidamente, percebendo o quão explícita fora.

"Erro meu... Vamos entrar?", ela perguntou, tentando se recuperar do baque.

Sem mais nenhuma palavra, eles entraram no cartório, saindo alguns momentos depois, com Chris segurando um envelope com a certidão de casamento.

"Senhor Cooper, cumprirei minha parte do acordo. Assim que eu fizer o que Zoey pediu, me afastarei imediatamente e solicitarei o divórcio", Maia declarou.

O sentimento genuíno não fazia parte do acordo, e ela não iria se iludir com uma relação movida por interesses, bem ciente de que a maioria dos homens não aceitaria viver com alguém que tivesse ficha criminal.

Chris inclinou a cabeça, lançando um olhar para a mulher à sua frente. Os cabelos escuros dela balançavam com a brisa e, além do rosto marcante, havia uma transparência e franqueza no seu olhar.

Em vez de responder às palavras dela, ele perguntou: "Como minha tia está?"

Desconcertada pela mudança de assunto abrupta, Maia respondeu apressadamente: "Ela está bem. Não aconteceu nada de mal com ela."

Após uma breve pausa, ela comprimiu os lábios em reflexão.

Sendo sincera, Zoey não só estava sobrevivendo na prisão, mas prosperando, praticamente na sua zona de conforto.

"Fico feliz em saber disso", disse Chris, sem prosseguir com o assunto.

Levando a mão ao bolso, ele retirou um cartão de crédito e o entregou a ela. "Aqui, uma lembrancinha de boas-vindas."

Maia balançou a cabeça, suas mãos erguidas em protesto. "Não precisa. Tenho meu próprio dinheiro."

Eles estavam casados legalmente, mas essa era a primeira vez que se encontravam. Pelo que Zoey havia contado, Chris podia possuir o sobrenome Cooper, mas era tratado como um estranho. Seu papel na família e no Grupo Cooper era praticamente inexistente.

Maia também soube que ele não tinha um cargo de responsabilidade e passava a maior parte dos dias vagando sem rumo pela cidade, então imaginou que ele não devia ter muito dinheiro.

A ideia de aceitar algo de Chris a deixava desconfortável, mas ele não hesitou em pegar sua mão, colocar o cartão firmemente e depois fechá-la.

Seus olhos a fitavam profundamente - frios, enigmáticos e impossíveis de ser interpretados.

"Acabamos de tirar nossa certidão de casamento, o que tecnicamente me torna seu marido. Isso te dá todo o direito de usar meu dinheiro. Ou será que está recusando porque não está pronta para expor nosso matrimônio?"

Ouvir a palavra "marido" provocou um leve rubor no rosto normalmente composto de Maia.

"Não é isso que quis dizer...", ela começou, tentando se explicar, mas sua voz se esvaiu antes que pudesse encontrar as palavras certas.

Optando pelo silêncio, ela pegou o cartão e agradeceu a ele educadamente.

Vendo-a ceder, Chris exibiu um sorriso de satisfação. "Então, para onde vai? Posso te dar uma carona."

Nesse momento, Maia sentiu seu coração pesar.

Seu plano era voltar para casa da família Morgan. Não para permanecer lá, mas para pegar sua pulseira, o último presente da sua avó, Vicki Morgan.

Enquanto Richard e Sandra a tratavam com descaso, Vicki era sua única companhia inseparável. Ela sempre lhe ensinava tudo, desde etiqueta a como se portar diante de muita gente.

Embora não houvesse laços consanguíneos entre elas, o amor da idosa era tão genuíno quanto o de qualquer avó.

Maia tinha total certeza de que, se Vicki ainda estivesse viva, teria a defendido com unhas e dentes.

Esse pensamento trouxe uma dor silenciosa que ela mantinha implícita.

Afastando essas reflexões, ela abriu um sorriso sereno para Chris e informou: "Há algo que preciso resolver, senhor Cooper. Ficarei bem sozinha."

"Sem problema. Ligue se precisar de algo."

Então, ele lhe passou seu número, imóvel no lugar enquanto a observava se afastar.

Quando a silhueta dela desapareceu na esquina, ele olhou para a certião de casamento ainda na sua mão, um sorriso cúmplice curvando seus lábios.

Divórcio? Isso não vai acontecer.

Ninguém seria capaz de imaginar quanto tempo ele tinha esperado por este momento.

Capítulo 3 Voltando à casa da família Morgan

Na Vilas Vista, Maia pressionou a campainha da propriedade da família Morgan.

Ela foi minuciosa ao escolher esse horário para ir até lá, ciente de que o período da tarde geralmente era mais tranquilo, já que os integrantes da família estavam ocupados com seus afazeres cotidianos fora da casa.

Quando a porta se abriu, lá estava Tricia Scott, governanta de longa data.

Quando viu Maia, os olhos dela se arregalaram. "É você mesmo, senhorita Morgan? Eu... não acredito que você está aqui!"

No instante seguinte, Tricia cobriu a boca com a mão, se arrependendo instantaneamente do que acabara de dizer. Afinal, agora o título de senhorita Morgan pertencia somente a Rosanna.

Maia não existia mais para a família Morgan, e se Rosanna ouvisse como a governanta se dirigiu a ela, as consequências seriam severas.

"Vim só para pegar algumas coisas minhas", Maia explicou num tom calmo e comedido, entrando na casa como se nunca tivesse partido.

Assim como ela esperava, o lugar estava completamente vazio, sem vozes ou movimentação.

Enquanto ela caminhava em direção às escadas, Tricia ia atrás apressadamente, a tensão a dominando. "Senhorita... ahh, Maia, o que está procurando exatamente? Posso te ajudar com isso."

"Não precisa, Tricia. O que preciso deve estar no meu quarto. Serei rápida com isso."

Mas antes que ela pudesse dar outro passo, Tricia bloqueou o caminho, seu olhar se desviando para todos os lugares, menos para o rosto dela. "Bem, hum... acho que isso..."

Diante da hesitação da mulher, uma carranca se formou no rosto de Maia, certa de que havia algo errado.

"Tricia, o que aconteceu?", ela indagou, a compostura se esvaindo da sua voz.

Com os ombros caídos, Tricia soltou um suspiro fatigado antes de admitir: "A senhorita Morgan retirou todos os móveis e itens depois que você foi presa. E seu antigo quarto... não é mais seu. Virou despensa."

Ao ouvir isso, Maia congelou. Seus olhos se arregalaram, a descrença transparecendo. "Todos?"

Então o bracelete que Vicki lhe dera também tinha sido jogado fora?

Um aceno lento e pesaroso de Tricia confirmou o que ela mais temia, essa dura realidade a atingindo com uma força brutal e repentina.

Rosanna não teria coragem de jogar suas coisas fora, a menos que Richard e Sandra também estivessem envolvidos.

Com seu corpo trêmulo da cabeça aos pés, Maia cerrou os punhos fortemente.

Aquela pulseira era o último presente que Vicki lhe deu, um gesto de carinho numa casa onde ela nunca encontrou amor.

A raiva a consumia cada vez mais, feroz e incontrolável. Ela tentara se afastar da família Morgan e deixar o passado enterrado, mas agora toda a raiva que sentia voltou com uma força avassaladora.

Atrás dela, uma voz que ela não sentia falta alguma ecoou pela sala. "Eu sabia que em algum momento você daria as caras, Maia!"

Ao se virar, Maia encontrou Jarrod parado a uma curta distância, seu sorriso arrogante de sempre estampado no rosto.

Logo atrás, Rosanna estava ao lado de Sandra, segurando seu braço enquanto bancava a filha exemplar.

Percebendo o clima de tensão, Tricia se retirou sem dizer mais nada.

Jarrod diminuiu o espaço entre eles, se elevando ligeiramente sobre Maia com seu olhar de desprezo.

"Você foi bem ousada na porta da prisão hoje de manhã. Qual é o seu plano agora? Por que entrou na nossa casa como se ainda morasse aqui? Bom, me deixe adivinhar... com uma ficha como a sua, ninguém queria te dar um emprego, então você voltou como um cão arrependido. Somos os únicos que ainda pode te dar algumas migalhas, né?"

Com uma sobrancelha arqueada e uma voz carregada de sarcasmo, ele continuou: "Aqui vai uma ideia - se confessar. Faça um pedido público de desculpas à família Morgan, talvez assim ficaremos com pena e te deixaremos ficar. É justo para você?"

Depois do que aconteceu essa manhã, Jarrod estava fervendo de raiva. A façanha que Maia fez com a imprensa havia manchado o nome da família Morgan e, embora ele não tivesse sido hostil naquele momento, já estava cansado de se controlar agora.

Ela havia entrado na casa deles sem qualquer pudor, e agora ele queria dar um fim à rebeldia que ela trouxe da prisão.

Colocá-la no seu devido lugar era algo que já deveria ter sido feito há muito tempo e, já que ela havia voltado para a casa, Jarrod achava que tinha todo o direito de repreendê-la.

Um pedido de desculpas, uma transformação na postura e uma distância de Rosanna eram tudo o que ele precisava para deixar Maia voltar para a família.

A despesa de mantê-la por lá pouco afetava as finanças da família. Para eles, alimentá-la e dar abrigo não era diferente de jogar fora uns trocados.

Até os parasitas tinham o bom senso de ser educados, mas Maia agia como se o mundo estivesse em dívida com ela, e essa atitude tirou o homem totalmente do sério.

Quando Maia se adiantou, Jarrod arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços, esperando que ela pedisse perdão. Porém, ela passou por ele sem sequer olhá-lo e foi em direção a Rosanna.

A presunção dele desapareceu por um instante ao ver isso.

Mas então ele entendeu - foi Rosanna quem Maia havia insultou na frente de todos. Talvez ela tivesse resolvido lhe pedir perdão primeiro.

No entanto, o que saiu da boca de Maia em seguida destruiu essa suposição por completo. "Onde estão minhas coisas, Rosanna?"

Rosanna se enrijeceu, um lampejo de choque iluminando seus olhos antes de ela assumir um olhar de pura inocência. "Que coisas? Não faço ideia do que você está falando."

Nesse momento, uma gelidez mordaz se acendeu nos olhos de Maia. Seus olhos se fixaram na garota à sua frente como uma lâmina, e sua voz ecoou num tom seco. "Esta é a última vez que vou perguntar. Onde você colocou as coisas que estavam no meu quarto?"

Instantaneamente, o rosto de Rosanna se contraiu numa expressão de piedade, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Não tive nenhuma má intenção com isso, Maia. Eu só... achei que as coisas estragariam se as deixasse lá por tanto tempo. Pensei que você as substituiria quando voltasse, então..."

Antes que ela pudesse terminar de falar, um som de tapa ecoou no ambiente, atravessando a atmosfera como um relâmpago.

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