Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > A história de nós dois - Com amor, Ella.
A história de nós dois - Com amor, Ella.

A história de nós dois - Com amor, Ella.

Autor:: Ana Beatriz Henrique
Gênero: Romance
Ella só quer encontrar alguém para amá-la. Edward só precisa de coragem para se declarar para a sua melhor amiga. O último ano do colegial reserva grandes surpresas para esses dois amigos. Mudanças Uma aposta Brigas Revelações... O início de um romance ou o fim de uma amizade?

Capítulo 1 De friends à lovers

A história de nós dois

Capítulo 1 – De friends à lovers

Ella Williams

Às vezes eu paro para pensar sobre o jeito que conheci meu marido e acabo rindo do jeito em que a vida o trouxe para mim. Foi simples, sem alarmes, sem aviso prévio. Não houve nada de mágico, como os filmes e os livros nos iludem. Foi em um dia chuvoso, eu não esbarrei enquanto corria para pegar o ônibus, muito menos ele derramou café sobre mim, ou os nossos olhares se cruzaram magicamente enquanto ele cantava em seu show. Eu não era popular, nem ele o nerd que se arrastava aos meus pés.

Era para ser apenas mais um dia normal de aula, mas Edward entrou na minha sala. Quieto, com seus olhos verdes quase cinzas de tanta vergonha e com sua voz rouca que carregava um forte sotaque do interior da Inglaterra, sim, eu reparei nisso, mas precisei de muita atenção à sua voz, pois ela soava baixa demais por causa da timidez e nervosismo que quase o consumiam por inteiro. Edward chegou de mansinho, pouco falava, mal olhava passa as pessoas em sua volta, parecia ter medo de tudo e de todos, mas ele se abriu para mim, pouco a pouco, mas se abriu. A garota que vivia na biblioteca e que sabia muito bem contar piadas bobas que só tinha graça para ele. Ah, eu também não posso esquecer de contar que era fácil deixá-lo com as bochechas vermelhas de vergonha ao elogiar seu sotaque.

Sotaques, eu sempre tive um fraco por eles. Irlandeses, Nova-iorquinos, italianos, franceses... Sotaques sempre me chamaram atenção. Em especial, o do garoto do interior que em menos de duas semanas se tornou meu melhor amigo. Não sei como explicar, talvez seja o jeito como ele era doce em suas palavras, ou como não havia malícia alguma em nenhuma atitude dele. Edward era alguém especial, alguém tão puro como um anjo e tão doce que dava vontade de guardá-lo em algum lugar para protegê-lo da maldade do mundo.

Por anos, foi nós contra o mundo, ou melhor, contra o colegial, já que o nosso mundo se resumia a isso. Eu lembro perfeitamente de desejar não ir para a escola quando Ed precisava faltar aulas para ajudar os pais na padaria. Nada tinha graça sem ele. Também consigo lembrar perfeitamente o jeito como gostávamos de matar aulas na biblioteca, ou até mesmo, na casinha de árvore do fundo da casa dos pais dele. As horas passavam como míseros segundos, e olha que muitas vezes, os nossos dias se resumiam a conversas. Longas conversas sobre assuntos aleatórios inesgotáveis. Sem celular, televisão, ou videogames. Apenas ele e eu, isso era o bastante, não havia espaço para mais nada. E, quando anoitecia, e mamãe me ligava, meu melhor amigo fazia questão de levar-me de carona em sua bicicleta até a minha casa que não ficava muito perto da sua. Eram quase vinte minutos pedalando, mas ele não me deixava ir para casa sozinha nunca.

Edward nunca poupou esforços para cuidar de mim, na verdade, para ele, nunca foi um esforço. Ele fazia com prazer. Por anos, eu me questionei sobre isso, porém, aos poucos eu fui entendendo o seu cuidado. Nas entrelinhas de cada gesto dele para comigo, estava descrito descaradamente, o amor que ele sempre nutriu por mim. Todos enxergavam isso. Mamãe até hoje diz que o olhar dele para mim gritava ''EU TE AMO'' todas as vezes em que ele me acenava um simples ''tchau'' antes de subir em sua bicicleta e pedalar de volta para a sua casa.

Eu não precisava ter procurado por amor nenhum, tão pouco precisava chamar atenção das pessoas para mim, pois o cara a quem o destino me reservou, sempre esteve ao meu lado. Sempre foi ele... o meu melhor amigo.

Demorou muito até eu perceber o que eu sentia pelo meu melhor amigo, contudo, ele sempre teve certeza do que sentia por mim. O amor para ele sempre foi claro. Tínhamos tudo para ser um simples clichê friends to lovers, mas quis a vida que fossemos um pouco mais complicados que os casais dos romances best-sellers.

Apaixonar-me pelo meu melhor amigo, amá-lo, e viver esse amor não foi tão simples como parece. Nossa história não é perfeita, ou até mesmo, simples como nos contos de fadas. Até chegarmos aqui, como estamos hoje, casados e vivendo nossa melhor fase com nossa família, vivemos altos e baixos entre risos e lágrimas. Porém, o amor nos sustentou.

É isso, o amor que nos sustenta. Não é sobre a força vir de mim ou de Edward, é sobre o que sentimos um pelo outro ser tão verdadeiro, que não nos deixa desistir. A força não está em nós, está no amor que nos une e sustenta. Não é e nunca foi sobre Ella, ou sobre Edward, é sobre o amor que transforma dois indivíduos em apenas um.

Teve dias em que tínhamos a certeza de que queríamos dividir uma vida inteira juntos, no entanto, eu lembro que também teve dias em que sentávamos e perguntávamos um para o outro ''É isso mesmo que queremos?'' ou até mesmo ''Você não acha que vai ser melhor se continuarmos apenas amigos?''. A incerteza do futuro é agoniante, aterrorizante o bastante. A verdade é que o caminho somos nós que fazemos, mas para trilharmos, não podemos ter medo. Se gostamos de alguém, devemos lutar por essa pessoa até o fim, pois a luta pode ser difícil, árdua, cansativa, mas no final, a recompensa é compartilhar a vida com essa pessoa e, não há nada na vida melhor que isso.

Em toda essa trajetória, Edward lutou por mim quando eu não tive forças para aceitar o ''nós''. Mas houve também um momento em que eu precisei lutar por ele. E o mais importante, houve uma época em que nós dois precisamos lutar pelo nosso relacionamento. E sim, isso é amor.

Capítulo 2 Cuida da sua vida

A história de nós dois

Capítulo 2 – Cuida da sua vida

Ella Williams

- O que você achou, mãe? - Desço as escadas de casa apressada e empolgada pelo dia de hoje.

- Linda, filha, mas admito que preferia os cachinhos. - Mamãe passa a mão pelos meus cabelos, agora lisos. - Mas você continua linda, meu amor. - Sorri docemente para mim.

- Novo ano, novo visual, nova Ella. - Pisco Para minha mãe e olho para o meu pai que vem em minha direção com a chave do meu novo carro em mãos.

- Eu posso apostar que Ed não vai gostar de te ver assim. - Robin, meu pai, brinca comigo antes de apertar minhas bochechas. - Grave a reação dele, por favor.

- Papai, é o último ano. Eu precisava me despedir da Ella adolescente, ok? Chega daquela mesma carinha de quinze, Sr. Williams. - Pisco para o mais velho.

- Pode parando de esfregar na nossa cara que daqui a pouco a nossa menininha vai para a universidade? - Mamãe desliza suas mãos pelo meu cabelo e me faz revirar os olhos. - Parece até que foi ontem que você engatinhava por essa casa.

- Eu mandei mensagem pro Ed. Será que os senhores podem me deixar ir pegar o meu melhor amigo, ou vocês vão me segurar aqui pra continuar com todo esse drama familiar?

- Fiz panquecas para o café da manhã, filha. Senta e come. - Minha mãe anda até a sala de jantar com o meu pai ao seu lado.

Eu os sigo, mas não os acompanho sentando-me à mesa. Pego apenas uma maçã na fruteira e aceno para os dois antes de sair correndo enquanto escuto os protestos de dona Rosie.

Sem chuva, com o céu limpo e pássaros a cantar, saio de dentro de casa e dou de cara com o meu carro na calçada. Um Mini Countryman branco, foi a escolha dos meus pais para mim. Na verdade, era o carro da minha mãe, mas não vejo problema nenhum em ficar com ele, já que sempre adorei esse carro. Agora ele é meu. Entro no meu bebê, gosto de chamá-lo de Tom, conecto meu celular e não preciso esperar muito até que Taylor Swift toque bem alto. Ligo o carro e, pouco a pouco, o veículo vai ganhando velocidade para chegar à casa de Edward.

- Ligar para Ed. Davies. - Falo alto o suficiente para ser compreendida pelo meu celular.

A música é pausada e, em poucos segundos, meu melhor amigo me atende.

- Ella, você está atrasada.

- Bom dia, Davies. Eu também estava com saudades, ok?

- Já está chegando?

- Dois minutinhos, amigo. Quero que você conheça o Tom.

- Tom? - O tom de voz de Edward muda, e eu tenho certeza que se estivéssemos juntos, eu o veria franzindo o cenho em dúvida.

- Sim. Já fica do lado de fora, estou virando aqui na sua rua.

Desligo a ligação antes de ser contestada por ele e, em segundos, estou parada em frente à simples casa dos Davies. Ed logo aparece acompanhado por sua bicicleta, mas para de caminhar assim que me vê sair do carro.

- Bora dá uma volta, gatinho? - Buzino e faço Ed ri. - Deixe a Cherry de lado, baby, hoje nós vamos para o colégio com o Tom!

- Já volto, Ella! - E ele some do meu campo de visão. Pelo visto, vai até a varanda onde guarda sua bicicleta, mas não demora muito para que meu melhor amigo corra em minha direção correndo e com sua mochila nas costas.

Os cachos quase dourados de Edward estão bem mais volumosos do que quando nos vimos pela última vez em quase um mês. Seus braços me envolvem e ele consegue tirar o meu corpo do chão ao me abraçar e girar.

- Sentiu minha falta, foi? - Pergunto quando ele me devolve ao chão e me encara sorridente.

- Sempre. - Suas covinhas dão um charme ao seu sorriso composto por seus finos lábios rosados. Os seus olhos verdes tornam tudo ainda mais bonito.

- Eu também. - E, com pouco esforço, consigo levar os meus lábios à sua bochecha onde eu deixo um beijo casto. - A da vovó não foi a mesma sem você para fugir comigo pela fazenda à noite. - Empurro seu ombro fazendo-o rir.

- E a padaria não foi a mesma sem você de avental fingindo saber confeitar donuts. - Aperta o meu nariz e me faz rir.

- Hey, você sempre diz que fica bom! - Empurro seu ombro.

- Mentir às vezes é necessário.

- Enfim... - Vou até a porta do carona e abro-a para que ele entre. - Tom, Edward, Edward, Tom. - Apresento-os. - Entre, Sr. Precisamos ir à escola...

- Espera... - Ed me analisa da cabeça aos pés antes de entrar no carro. - O que fez com o seu cabelo? E por que a saia do uniforme está mais curta?

- Alisei. Não gostou? - Olho para o meu amigo que apenas me analisa em silêncio. - E a saia... Ela é a mesma. - Dou de ombros. - Devo ter crescido mais um pouco, sei lá... - Minto, eu realmente deixei-a mais curta.

- Você está diferente. Eu apenas... sei lá, estranhei.

- Mudar é bom, Ed. - Digo quando o vejo entrar no carro e bato a sua porta.

- Você é perfeita do jeito que é, Ella. - Ele declara com a mochila em seus braços, assim que eu entro no carro e coloco meu cinto de segurança. - Ainda é sobre aquilo que conversamos antes de você ir para a casa da sua avó?

Antes das férias, uma conversa descontraída com Edward virou uma das nossas piores brigas, que nos deixou mais de quinze dias sem trocarmos uma simples palavra. Na conversa, eu apenas expressei para ele a minha vontade de ter curtido mais o ensino médio, de ser mais como as outras meninas e disse que faria o máximo para fazer diferente nesse último ano. Sem mais Ella, a nerd que vive na biblioteca com o melhor amigo, sem essa de Ella que não beija ninguém, ou até mesmo, sem a Ella que não sabe o que é uma simples festa.

- Por que se for, eu acho que... - Edward começa a falar, mas eu o interrompo.

- Eu te amo, mas não concordo com você. - Corto-o. - Então, continuamos amigos, mas eu não vou continuar sendo a nerd que vive nas sombras. Eu quero aproveitar antes de ir pra universidade e ter que viver com a cara nos livros.

- Aproveitar a vida, não ser uma vadia como as outras garotas, Ella.

- Eu não sou uma vadia! Não quero ser uma vadia! Você precisa parar de pensar isso das outras meninas que não são como eu, Edward!

- E eu não penso de todas, mas pelo que você fala, você quer isso. - Edward fala pior que o meu pai.

- Só lembra que não sou a sua filha. - Digo entrando no estacionamento do colégio.

- Eu só quero o seu bem. - Ed coloca sua mão sobre o meu ombro, mas eu me esquivo do seu toque.

- Então me deixa viver a minha vida e não se meta. Cuida da sua vida, Edward, que da minha eu consigo cuidar muito bem.

Capítulo 3 Eu te amo, amigo!

A história de nós dois

Capítulo 3 – Eu te amo, amigo.

Ella Williams

Depois de bater forte a porta do meu carro, não vi mais Edward. Ele simplesmente correu para longe do meu campo de visão, me deixou sozinha e eu não consigo dizer se isso foi bom ou ruim. Eu amo o meu melhor amigo, amo o jeito como nos conhecemos bem, mas às vezes pensamos tão diferente que eu me sinto mal.

Edward é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço, mas o jeito como ele me protege às vezes me irrita. Ed me vê como uma criança e isso me incomoda o suficiente para querer dar um murro nele. Todas as vezes que brigamos, é por isso. Por ele me achar tão inocente e incapaz de me cuidar sozinha.

- Olá, menina Williams! - Chad, um colega de turma, me surpreende quando aparece à minha frente depois de eu fechar meu armário.

Chad Spencer nunca direcionou seu olhar para mim. Me surpreende ele saber meu sobrenome. Seus cabelos ruivos, olhos verdes, sardas e lábios carnudos compõem a perfeição que é o rosto do jogador.

- Olá, Spencer. - Sorrio tímida e fecho o meu casaco me sentindo incomodada por perceber seu olhar sobre meu busto.

- Então... - Ele tenta disfarçar seu olhar e busca por palavras sorrindo. - As férias foram boas pra você, né? - Ri coçando a nuca.

- Sim sim. - Digo.

- Então, eu gostaria de saber se você, sei lá...

- Chad, tudo bem? - Ele parece nervoso, tão nervoso que chega a ser cômico.

- Sim, eu só quero falar pra você dar um pulinho na casa da Lily. Hoje a noite a gente vai pra lá jogar uma conversa fora e, como não te vimos com aquele seu amigo nerd, achamos que você gostaria de...

- Eu vou sim. - Pisco pra ele antes que ele gagueje um pouco mais para concluir a frase. - Que horas?

- Às nove. Pode ser?

O problema vai ser meus pais...

- Com certeza. - Respondo sorrindo e fingindo costume até que Chad se aproxima e me abraça deixando um beijo sobre o meu pescoço logo em seguida.

Depois do abraço, super estranho por sinal, Chad se vai sem aviso prévio, ou até mesmo um simples tchau. O que me deixa desconfortável, não é o seu último gesto, tão íntimo para mim, mas o fato de ver meu melhor amigo do outro lado do corredor, com seu olhar de reprovação. Ao vê-lo revirar os olhos para mim, sigo o meu caminho e vou para a aula que eu já devo estar atrasada. Literatura parece uma boa saída para esquecer-me que briguei com ele.

Ao chegar na sala, mais olhares recaem sobre mim. Olhares, cochichos e mais atenção do que eu desejava. Por segundos, eu penso em retroceder minha caminhada, mas o professor me desperta dos meus pensamentos ao me chamar a atenção.

- Não vamos atrasar mais a aula né, Ella? Faça dupla com o Chad, hoje vamos começar os nossos trabalhos de produção textual. - Professor Tony me entrega uma folha e, no final da sala, consigo ver Chad Spencer tirar a mochila da cadeira ao lado para que eu ocupe o lugar.

- Oi de novo, Williams. - Ele sussurra pra mim.

- Me chama de Ella, por favor. É irritante demais esse costume de chamar as pessoas pelo sobrenome.

- Ok, estressadinha. - Ele ergue as mãos em rendição e me faz rir.

- Espero que seja boa em produzir textos, pois se depender de mim...

- Se não fizer o trabalho, não coloco seu nome. - Resumo encarando-o séria. - Eu não sou idiota, Chad.

- Ok...

...

O dia sem Ed não é o mesmo.

Meu plano deu sim certo. No intervalo, além de conversar com Chad e ter a oportunidade de perceber que ele não é um completo idiota, como pareceu ser nos nossos primeiros minutos próximos, alguns amigos dele foram bem simpáticos comigo. Até conheci melhor Emily, a menina da casa que Chad me chamou para jogar conversa hoje. Chad e seus amigos são legais e não tão idiotas como Ed sempre enfatizou os populares. Meu melhor amigo possui um sério problema de julgar antes de conhecer.

Mas, mesmo assim, mesmo com tudo isso, eu senti falta dele. Poucas são nossas disciplinas juntos esse semestre, então, eu quase não o encontrei hoje e, quando o encontrei, foi fugindo de mim.

Quando termino de almoçar e tomar um banho em casa, entro novamente no carro e dirijo em direção à padaria dos pais de Ed. Ela também fica aqui em Londres, mas em um local pouco movimentado e Ed ajuda os pais todos os dias quando sai do colégio. Não demoro muito a chegar, na verdade, a padaria é bem mais perto da minha casa, do que da casa dele. Estaciono o carro com cuidado ao lado do comércio e segundos depois, adentro-a aspirando o delicioso cheiro dos assados.

- Claire, Claire, como eu amo esse cheiro! - Digo ao atravessar a porta.

- Minha menina, que saudade! - A doce Claire corre até mim e me abraça com força. - Nossa, como você está linda! - Exclama olhando-me nos olhos. - Parece até mais madura com esse cabelo liso, sabe? Linda demais!

- Obrigada, Claire. - Sorrio para a moça. - E o teimoso do meu melhor amigo?

- Brigaram novamente, foi? - Pergunta e parece já saber da resposta, pois suspira contendo um sorriso. - Por isso ele chegou emburrado e está com aquele bico lá na cozinha. Já estragou uma fornada inteira de pães, acredita?

- Posso ir falar com ele?

- Touca nesses cabelos longos e lisos, por favor. - Diz e me dá as costas voltando-se para o caixa onde mexia com algumas moedas.

Atravesso o grande balcão de madeira, pego um avental e coloco uma touca na cabeça antes de entrar na parte da cozinha. Pela janela de vidro, já consigo ver Ed sentado e batendo alguma massa com tanta concentração e força que eu desconfio nem ter me notado aqui.

- Descontando a raiva de mim? - Pergunto entrando na cozinha.

- Achei que era pra eu tomar conta da minha vida e você da sua. - Seu olhar não desgruda da massa a ser socada sobre a mesa.

- Você sabe que eu não consigo. - Puxo uma banqueta e sento-me sobre ela para assistir ele.

Não consigo contar nos dedos os dias que já passei tardes e mais tardes aqui com Edward simplesmente o assistindo trabalhar, ou até mesmo ajudando-o aqui na cozinha ou com sua mãe e irmã no caixa e no salão.

- Não vai mesmo falar comigo? - pergunto depois de não receber respostas. - Vamos lá, para de ser infantil, Davies.

- Eu não ajo como o seu dono. - Ele finalmente para de socar a massa e me encara enquanto respira ofegante. - Eu só me preocupo com você.

- Eu agradeço pela preocupação, mas você não precisa ter o trabalho. O que acha guardar ele para o dia em que sua irmã for mais velha? Daisy vai precisar...

- Você não entende, Ella... Nunca vai entender! - Ele ri enquanto nega com a cabeça.

- Sim, Edward, você é tão complicado que eu nunca te entendo. - Vou até ele e abraço-o por trás. - Mas os dias são chatos sem você. - Apoio minha cabeça em suas costas. - Você parece meu avô de tão ranzinza, mas ainda é o meu melhor amigo e a minha pessoa preferida no mundo, sabia?

- Ella... - Ele deixa a massa de lado e, limpando a sua mão, vira-se para me olhar. - Você também é a minha pessoa favorita no mundo. - Depois de limpar a sua mão, deixa o pano de prato de lado e segura o meu rosto com ambas as mãos. - Não precisou se desfazer dos cachinhos, muito menos encurtar a saia e usar novos sutiãs para isso. - Toca meu nariz com seu dedo indicador depois de me fazer rir. - A sua beleza, Isabella Williams, está na doçura dos seus olhos azuis cintilantes como o mar do Caribe, e no coração grande que adora ser voluntária naquele orfanato. Você é linda mesmo quando conta uma piada super idiota que só funciona para mim, pois só eu consigo rir de tamanha idiotice. - Ed solta uma risada sem graça. - Eu só queria que você se visse com os meus olhos, Ella.

- Você é incrível, Ed. - Abraço sua cintura e abrigo minha cabeça em seu peito. - Eu te amo, amigo.

- Eu te amo, Ella.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022