ATENÇÃO: Essa história é recomendada para maiores de 18 anos. Contém temática lésbica, brigas, sexo explícito e uso de álcool. Mas isso não quer dizer que menores de idade não possam ler. Só estejam conscientes do conteúdo que iram consumir.
- Essa história não incentiva o uso de álcool, nem faz apologia ao relacionamento abusivo, controlador e assedioso.
- No decorrer da história irão encontrar muitas referências: como frases de livros, músicas, citações e etc...
Caso contrário, qualquer semelhança terá sido mera coincidência.
- Está é a minha segunda obra.
Se ainda não leu a primeira, pare aqui e vá ler a primeira parte de:
"A irmã do meu namorado."
- Diferente da primeira história que foi 100% autoral. Esta será um pouco diferente.
Para quem já leu " O Intercâmbio", pegará as referências facilmente. Para quem não leu, leiam, é um hino de fanfic.
- Não será uma adaptação. Por isso leiam
"O Intercâmbio - Camren". Ela é dividida em três temporadas.
- Se não concordar com os avisos acima, por favor não avance na leitura.
- Qualquer dúvida ou crítica (construtiva) sigam e perguntem no insta: @elas_girls_ Responderei todos com muito prazer.
- Tenham uma ótima leitura e obrigada por ler esses avisos importantes.
TENHAM UMA BOA LEITURA!!
Pelo menos três vezes por semana minha mãe vem me ver, hoje por exemplo é dia de visita. Confesso que ela está um pouco atrasa, talvez seja o trânsito ou por que ela parou para comprar bolo para mim. Ela sempre trás bolo de cenoura ou de morango, ela também me trouxe alguns livros e me pergunto a quanto tempo estou nesse lugar levando em conta a estante de livros que tenho a minha frente.
Eu sei que faz muito tempo. Só não consigo me recordar quanto tempo exatamente. Eles queriam que eu achasse que eram apenas dias, tentaram confundir minha cabeça me dando remédios diários. As vezes acho que funcionou, não lembro de muita coisa depois que me colocaram aqui, agora tudo não passa de memórias vagas, é como se toda minha vida não passasse de um sonho, um grande borrão em preto e branco.
A algum tempo tentei parar de tomar os remédios, quando a moça bonita os trazia para mim eu fingia tomar e depois os cuspia na privada. Alguns dias depois fui descoberto.
Como?
Bom, após alguns dias passei a não me sentir bem a maior parte do tempo e comecei a ter pesadelos, não sei se eram criação da minha cabeça ou se eram memorias a muito tempo esquecidas. Mas não gostei do que vi, sempre eram os mesmos sonhos: Eu segurava uma arma e a apontava para mais três ou quatro pessoas, elas não passavam de um borrão para mim, por isso não conseguia ver seus rostos com clareza. Mas uma delas... uma delas era tão familiar, ela parecia minha namorada.
Estava machucada e chorava muito, no momento que eu apertava o gatilho... acordei. Estava suado, ofegante e chorando, a moça bonita dos remédios estava ao meu lado tentando me acalmar. Eles me obrigaram a dizer a verdade, disseram que eu não deveria estar tento esses pesadelos. Então não menti, falei a verdade, não queria voltar a ver aquilo novamente. Desde então a moça me da a medicação e me manda abrir a boca para conferir se engoli tudo. Acho que ela não confia mais em mim.
No lugar dela, também não confiaria.
Agora estou deitado na minha cama lendo um livro que minha mãe me trouxe na semana passada. Por falar nela, não preciso nem olhar para saber que foi ela que acabou de entrar no quarto, o cheiro do bolo de cenoura inundou todo o ambiente.
Quando a olho ela sorri pra mim, embora pareça cansada, me pergunto se é devido ao trabalho. Por falar em trabalho, não me recordo de ter perguntado como vai as empresas do papai. Ela não ficou feliz da ultima vez que perguntei alguma coisa. Na verdade ela evita falar comigo sobre qualquer coisa lá de fora, segundo ela eu não tenho que me preocupar com nada além da minha saúde, mas me sinto muito bem, não me sinto doente. Seria bom ter noticias de outras coisas e pessoas, já que não recebo visitas de mais ninguém além dela. Até minha namorada foi proibia de me ver, por isso ela nunca veio.
- Esta gostando do livro, filho?. - Pergunta ela se aproximando da minha cama. Apenas aceno positivamente com a cabeça, preciso terminar esse capitulo. Afinal de contas livros não são tão chatos como pensei, pelo contrario, se tornaram grandes amigos depois que fiquei sozinho. - Como etá se sentido? Voltou a ter pesadelos?. - Ela se senta ao meu lado.
- Não. Tenho tomado os remédios nos horários certos. Não quero ver aquilo novamente, a Emilly não vai gostar de saber que tive esse tipo de sonho com ela.
Continuo minha leitura, mas percebo minha mãe me olhar, depois que me pareceu uns dois minutos de silêncio ela voltou a falar e eu não pude acreditar nas palavras que saiam da sua boca.
- Hoje você vai embora daqui.
Fecho o meu livro com mais rapidez que o necessário. Por um segundo achei a piada engraçada, mas ao olhar para minha mãe vejo que ela não esta brincando, ela não esta rindo, vejo preocupação no seu olhar.
- É serio? vou poder sair daqui? Ir embora para nossa casa?
Ela balança a cabeça afirmando que sim. Finalmente poderei sair daqui. Então isso quer dizer que não estou mais doente, estou curado, seja lá do que for. Poderei voltar a minha vida normal, poderei ver meu pai, minha irmã, meus amigos e a... Emilly. Essa será a primeira coisa que irei fazer, estou louco para ver ela novamente, parece que faz anos que não nos vemos. Como se lesse minha mente minha mãe me arranca dos meus pensamentos ao falar:
- Mas para que você possa ir embora comigo, você primeiro terá que me prometer uma coisa filho. Me prometa que não ira ver ou procurar a Emilly. - Achei que dessa vez ela estivesse realmente brincando, mas ela continuava com a mesma expressão seria de antes. - Filho eu preciso que você me prometa isso, eu não posso tirar você daqui antes disso.
Olho para a janela fechada, dali eu tinha uma vista muito bonita dos jardins. Algumas pessoas passeavam la fora, outras conversavam, outros até praticavam exercícios, alguns como eu apenas olhavam para o nada. O céu esta nublado hoje, acho que vai chover, com a aproximação do inverno já era para ter caído algumas chuvas. As palavras da minha mãe ainda martelavam minha cabeça. Por que não posso ver a Emilly? Será que ela esta chateada comigo?
Eu sei que passei muito tempo aqui e não pude ver ela, mas a culpa não é minha. Escrevi varias e varias cartas explicando isso para ela, mas nunca tive nenhuma resposta. Minha mãe fala que ela anda muito ocupada e talvez por isso não me escreveu de volta.
Deve ter alguma explicação para minha mãe estar me pedindo isso. Mas como não quero mais ficar aqui e quero ir para casa, falo o que ela quer ouvir, mesmo que isso não me agrade nenhum pouco.
- Prometo mãe. - Ela assente parecendo satisfeita.
Enquanto ela assina os papeis para que eu vá embora, eu arrumo todas as minhas coisas em caixas que a moça dos remédios me trouxe. O seu nome é Nathalia, e ela é muito bonita e jovem, desde que cheguei aqui foi ela quem cuidou de mim. Quando acabo de arrumar minhas ultimas coisas na mochila a coloco encima da cama junto com o livro que estou lendo e vou tomar banho. Quando volto meu quarto esta vazio, todas as caixas foram levadas embora.
Após uma ultima passada no consultório do Doutor Aurélio e algumas recomendações incluindo que terei de ir ao psiquiatra pelo menos quatro vezes por mês, finalmente sou liberado. Ao sairmos ninguém vem ao nosso encontro, então pergunto por papai, minha mãe fala que ele não pode vir por que estava no trabalho. Isso me deixa um pouco triste e sei que ela percebe por que se apressa a dizer que a noite ele estará em casa e jantaremos juntos.
Agora estamos em seu carro indo para casa.
Minha casa.
Pela janela aberta vejo que muita coisa mudou, as fachadas de lugares que costumava frequentar não são mais as mesmas. Mas isso não foi a unica coisa que mudou, o carro da minha mãe por exemplo foi uma das coisas que mudaram.
Ela morria de ciúmes do antigo, não era velho, digamos que era apenas fora de moda, não combinava muito com a mulher de negócios que ela era. Mas ela o amava pelo simples fato que foi o papai que lhe deu de presente de aniversário de casamento - Só não lembro de quantos anos de casados - Agora ela está com um modelo novo, mais moderno, mais sofisticado e bem mais bonito e confortável. Lembro das brigas que ela teve com a Brenda por causa daquele carro, a Brenda também não era fã dele, mas não queria aceitar um carro do nosso pai, por isso sempre sequestrava o da nossa mãe.
Sinto alguma coisa no estomago ao lembrar dela, alguma coisa me incomoda, é como se eu estivesse me esquecendo de alguma coisa sobre ela. Tudo bem que não eramos melhores amigos, mas eu amo minha irmã e estou com saudades de encrencar com ela. Não tenho motivos para me sentir assim, ela é minha irmã e sempre vai ser independente de qualquer coisa.
O carro para, ao olhar para os lados vejo que estamos em uma grande farmácia na avenida principal, provavelmente minha mãe vai comprar os remédios que o Dr.Aurélio mandou. Nunca tinha visto essa farmácia aqui, na verdade ela nunca esteve aqui antes, conheço bem esse lugar. Quando mamãe sai da farmácia trazendo uma sacola de remédios e entra no carro não consigo frear a pergunta que me atormenta a muito tempo:
- Quanto tempo, mãe? - Olho para ela, ela parece congelar no lugar com a mão na ignição. - Quando tempo passou? - Ela me olha e vejo medo em seus olhos. Mas medo de que? de mim? - Por favor me fala a verdade, eu sei que foi muito tempo, só não sei quanto exatamente. - Quando ela fala sua voz falha, e é preciso ela falar novamente para que eu entenda.
- cinco... cinco anos, filho.
CINCO ANOS DEPOIS.
Essa noite tive mais um pesadelo, eles se tornaram mais frequentes depois que... Enfim isso não importa mais. Mas isso me deixa extremamente cansada; depois que acordo não consigo mais dormir. Não consigo por medo, medo de ter um novo pesadelo e ser obrigada a reviver tudo novamente. Já deveria ter me acostumado, ter aprendido a conviver com isso, ou já ter esquecido e superado. Afinal já se passaram cinco anos. Mas todas as noites revivo cada momento como se estivesse acontecendo tudo naquele mesmo dia.
Olhando para o computador a minha frente suspiro percebendo que não vou conseguir fazer nada de útil com essa tela embaçada, não que ela esteja suja, mas minha visão não me deixa ver uma linha que esteja a minha frente. Só queria ir para casa e passar o resto do dia na cama, mas isso não é possível agora, tenho trabalho a fazer e não é nem meio dia ainda.
Continuo olhando para o computador decidindo o que farei primeiro, então opto por responder alguns emails pendentes. Eles se tornaram mais frequentes esse mês depois que a clinica teve uma matéria especial na TV. Todo mundo está muito eufórico com isso, é a realização de um sonho. Nosso sonho.
Estou tão concentrada que quase caio da cadeira quando a porta da minha sala é aberta e invadida por alguém.
- Preciso falar com você. - Antes que eu possa falar qualquer coisa ou contestar a repentina invasão ela continua. - Tenho só uma palavra para você: Férias.
Beatriz está parada a minha frente de braços cruzados, em uma posição autoritária que indica que ela está muito zangada com alguma coisa, mas eu logo vou descobrir o que.
- Tá bom. Se você quer férias, por mim tudo bem, acho que você merece mesmo um descanso.
Me volto mais uma vez para o computador agora abrindo um novo e-mail.
- Não me venha com gracinhas, doutora Emilly. - Me recosto na cadeira olhando-a com mais atenção.
Beatriz não mudou muita coisa nesses últimos anos, continua igualzinha, ainda com os mesmos cabelos cacheados, muito ranzinza e engraçada, sempre moleca e aprontando com todo mundo e é minha melhor amiga e companheira em tudo. Exceto que agora é noiva e tomou rumo na vida com Jhonatas.
Quem diria não é mesmo?
- Odeio quando me trata assim, Doutora Beatriz. - A encaro desafiadora por cima do meu óculos de grau. Ela bufa sentando na cadeira a minha frente.
- Você sabe do que estou falando Milly, a três anos você não sabe o que é descansar. Passa o dia e se deixarmos a noite trancada nessa clínica. Você também precisa descansar.
A mais ou menos três anos resolvemos abrir nossa clínica. Estávamos formadas e tínhamos um projeto e em pouco tempo colocamos ele em prática. No início foi bem difícil e quase desistimos, mas aqui estamos nós, tendo reconhecimento nacional. Todo nosso esforço valeu a pena quando começamos a ver vidas sendo salvas através do nosso trabalho.
Beatriz e eu fizemos psicologia clínica juntas, ao abrirmos a clínica tínhamos como objetivo ajudar os nossos jovens que lutam todos os dias contra depressão, ansiedade, transtornos bipolares, transtornos alimentares e entre tantos outros. Mas a gente viu que queríamos mais, então entramos em contato com nossos colegas de faculdade e recrutamos mais pessoas, mais médicos de diferentes áreas para nossa luta.
Mas o que faz um psicólogo clínico? Bom, diferente do que a maioria das pessoas acham, um psicólogo é bem mais do que sentar, ouvir e dar alguns conselhos. Psicologia clínica é a área da psicologia dedicada ao estudo dos distúrbios mentais, seus sintomas, causas, tratamentos e intervenções psíquicas. É exatamente isso que temos feito todos os dias, escutamos cada um de nossos paciente, ouvimos suas histórias e a partir daí estabelecemos um diagnóstico, só então os orientamos em como buscar alívio emocional, em como eles podem se conhecer melhor e consequentemente, como eles podem lidar com seus anseios e sentimentos de forma mais tranquila e saudável.
Voltei minha atenção para Beatriz que me olhava com uma sobrancelha arqueada.
- Eu sei. Porém não posso tirar férias agora. Temos alguns compromissos marcados, tenho meus pacientes. Não posso simplesmente largar tudo e viajar.
- Essa é a questão. Você tem vívido para o trabalho. Olha só para você, está com uma cara péssima, parece não dorme direito a dias. - A desgraçada sabe me analisar bem. - Tem tido pesadelos, não é?. - Me limito a assentir, minha cabeça não parava de latejar. - Viu? Você precisa de descanso, e não é como se a clinica fosse ficar entregue as moscas. Eu estou aqui, temos uma equipe incrível e preparada que pode dar conta de tudo enquanto você estiver descansando.
Relaxo meu corpo na cadeira suspirando. Eu sei que ela tem rasão, mas não sei se é o momento para me afastar de tudo. Me sinto um pouco sobrecarregada, o trabalho tem sido minha válvula de escape, quando estou aqui esqueço de tudo. Esse lugar me faz bem, aqui eu posso ajudar pessoas. Sem falar da equipe que se tornou uma família para mim. Mas um descanso seria bem vindo, não lembro qual foi a última vez que dormi uma noite inteira. Olho para Beah que me encara com olhar avaliativo, tenho certeza que ela está tentando imaginar o que se passa por minha cabeça.
- Ta bom. Vou pensar sobre isso. - Me dou por vencida fazendo ela soltar todo ar dos pulmões.
- Já é um bom começo. Então vá pensar em casa, você está com uma cara horrível. - Abro a boca para protestar, mas ela é mais rápida já sabendo o que eu iria dizer. - Nada de mais, pode deixar que eu cuido dos seus pacientes de hoje. Tente dormir um pouco.
Não vai adiantar discutir com ela, nem tenho argumentos para isso. Beatriz levanta vindo ate mim para me abraçar. Retribuo seu abraço apertado. Ela não deixou de ser a minha irmã protetora mesmo após esses anos, pelo contrario, seus cuidados redobraram. Sempre que pode esta me dando uns puxões de orelha.
- Eu só quero seu bem, te ver feliz novamente. - Suspiro já prevendo suas próximas palavras. - Você precisa sair mais para se divertir, conhecer pessoas. Não me lembro qual foi a última vez que te vi com alguém legal. – Fecho meus olhos por breves segundos. Ela pega minha mão me fazendo encara-la. – Já se passou bastante tempo Emilly, eu sei o que tem feito. Tem feito desse lugar seu escape. Mas eu não vou mais deixar que isso aconteça, já está na hora de você começar a viver novamente.
A abraço novamente sentindo minha garganta doer. Aquela maldita vontade de chorar me invadiu denunciando o quão frágil ando nos últimos tempos.
– Eu amo você, Emilly. Não vou deixar que você viva mais dessa forma.
– Eu também te amo. – Saio dos seus braços para olhar em seus olhos.
– Então se organize. Vou lhe ajudar, daqui duas semanas você sai de férias.
E sem deixar que eu fala nada ela sai me deixando sozinha naquela sala.
E se ela tiver rasão? E se eu realmente precisar conhecer outras pessoas? Não que eu não tenha tentando, pois eu tentei, mas não deu muito certo. Porém está na hora de recomeçar de novo.
Apos algum tempo perdida em meus pensamentos, arrumei minha sala para ir embora, tudo que mais preciso é de um banho e minha cama. Vou ser um novo ser humano depois de dormir algumas horas. Saio da minha sala começando a andar pelo amplo corredor do segundo andar da clinica, algumas pessoas sorri para mim ou me cumprimentam. É inacreditável todo trabalho que conseguimos fazer nesses três anos. Olho para algumas salas onde algumas crianças brincam enquanto enfermeiros e voluntários fantasiados de personagens procuram anima-las. É bom ver que ainda existem pessoas dispostas a fazer o bem sem querer nada em troca.
Quando meus saltos tocam o piso do primeiro andar a primeira pessoa que vejo é o Tiago que conversa com uma das enfermeiras, ele tem uma prancheta em mãos e aponta para ela como se passasse instruções a moça. Um sorriso se expande em seus lábios assim que seus olhos repousam em mim. Ele dá suas ultimas instruções a enfermeira antes de vir até a mim.
- Boa tarde, meu bem. - Me cumprimenta gentilmente enquanto me abraça com força.
- Boa tarde, Tih. - Tento retribuir seu sorriso e seu abraço a mesma altura.
Tiago virou meu braço esquerdo na clinica, obvio que a Beah é o meu direito. Mas foi ele que agarrou a causa junto a nós desde o inicio, nos apoiou e nos ajudou em tudo. Beah e eu estávamos atrás de parceria, eles dois já se conheciam na faculdade ate que ela nos apresentou. Foi paixão a primeira vista. Ele cursava oncologia pediátrica e ficou encantado com nosso projeto e idéias, nem pensou duas vezes para se juntar a nós. Hoje ele é responsável por toda a Ala pediátrica que temos. Sou suspeita para dizer, mas ele faz um trabalho lindo com as crianças.
- Esta tudo bem? - Ele me pergunta ao me soltar. Apenas confirmo com um sorriso fraco. -Tem certeza? Esta com uma carinha tão cansada.
Tiago me olha atentamente. O moço a minha frente é dono de uma beleza invejável, sua pele bronzeada contrasta perfeitamente com seus olhos castanhos escuros e seus cabelos pretos revoltos lisos. Quem olha aquela cara de mal, nem imagina o coração enorme que ele tem. Mas digamos que seus cabelos desgrenhados e sua barba por fazer, não ajuda muito para que tenha uma aparência de bom moço, exceto quando está sorrindo, o que é difícil dele não fazer. Onde quer que seja ele sempre está com um sorriso no rosto. Seu sorriso é contagiante, um dos mais lindo que já vi. Na verdade tudo nele emanava alegria e pureza e as vezes sensualidade.
- Realmente estou muito cansada. Preciso dormir, por isso a Beah me mandou... quer dizer, me expulsou daqui. - Suspiro mais que derrotada recebendo uma risada da pessoa a minha frente. - Por isso estou indo embora para casa.
-Ela esta certa, você realmente precisa descansar um pouco. Tem trabalhado de mais. - Será que todo mundo resolveu ficar contra mim hoje? - Quer fazer alguma coisa mais tarde? Seria bom você se distrair um pouco.
- Acho melhor não, realmente preciso dormir. Podemos deixar para outro dia?
- Claro que sim. Vá descansar. - Ele pega em minhas mãos fazendo com que eu o encare
- Você sabe que estarei aqui para o que for, não é? - Assinto sorrindo. - Então muito bem, qualquer coisa me ligue.
- Obrigada. - O abraço recebendo um afago nos meus cabelos. Me afasto um pouco recebendo carinhosamente um beijo em minha testa.