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A lei do crime

A lei do crime

Autor:: Autora SK
Gênero: Romance
Analu sempre sonhou em ser policial, assim como seu pai que era supostamente um bom policial, mas na realidade pelas costas dela e era um policial corrupto com aliança com os traficantes. Ao crescer ela consegue com muito esforço realizar seu sonho, mas com pouco tempo nas ruas a ocorrência na comunidade muda sua rotina, quando é chamada para salvar uma criança que estava correndo risco de vida, ela acaba por ficar presa em uma troca de tiros aonde o tempo todo ela tenta proteger a criança. Mas em meio a todo aquele caos ela acaba por ficar numa situação ainda pior, ao conhecer o temido dono do morro, aonde ela fica literalmente entre a vida e a morte, afinal apesar de está a paisana ele poderia descobrir que ela era uma policial e a matar. Insta da autora: @autorashelbykirby

Capítulo 1 Um

Analu

Acho que muitos poderiam esperar que meu dia começasse de um jeito melhor, talvez com meu cabelo perfeito espalhado pelo travesseiro, meus lindos olhos azuis se abrindo e fitando o teto. Mas eu estaria mentindo se falasse isso, afinal eu tenho belos olhos castanhos e não azuis, e nesse exato momento meu cabelo está parecendo um ninho, talvez eu não desperte de forma tão glamourosa. Ainda sim me arrasto vagarosamente até o banheiro no corredor, sempre me perguntei como morava numa casa tão grande e bonita, se o salário de um policial como o meu pai não parece tão atrativo, mas ele sempre me diz que sabendo investir o pouco dinheiro que você ganha o resto vem com o tempo.

Eu prefiro acreditar que meu pai é um bom investidor, mesmo minha mãe insinuando coisas, eu sei que ele é um bom homem. Termino de escovar os dentes e lavar meu rosto, agora era vez de usar uma escova para desembaraçar o meu cabelo, ele é ondulado e grosso o acho bem bonito até, mas da um certo trabalho todas as manhãs. Voltando o foco na minha querida família, minha mãe e meu pai não estão mais casados e já tem um bom tempo, afinal ela engravidou aos dezesseis e num momento de pura pressão foram morar juntos, porque meus avós não aceitaram ela grávida na casa deles. Quando eu tinha uns cinco anos eles largaram de mão, só estavam juntos por mim e resolveram colocar um fim nisso, então passaram a dormir em quartos separados na mesma casa.

Meu pai é mais velho que minha mãe e já estava começado a pagar essa casa, na época em que eles estavam ficando e ela engravidou, então digamos que sempre vivi de forma confortável graças a ele. Meu pai teve mais um filho com sua atual namorada, ele tem dez anos e vive aqui, a mãe dele e o pai vivem de idas e vindas. Já eu sou uma garota focada nos estudos, nunca cheguei a namorar sério porém fiquei com alguns rapazes poucas vezes, talvez eu não seja a pessoa mais sociável desse lugar. Pego uma calça jeans e uma camiseta no armário, me olho no espelho e me sinto confortável com o look, eu não era uma garota padrão tinha minhas gordurinhas e tals, coisa normal que a maioria das mulheres tem e está tudo bem, na infância me sentia insegura por não ser magra porém hoje me sinto ótima comigo mesma.

- Nossa que cheiro bom de café - digo pegando a manteiga na geladeira.

- Eu fiz para a minha princesa - diz o meu pai dando um beijo em minha cabeça.

- Estou tão ansiosa para trabalhar hoje, ainda sinto como me senti no primeiro dia.

- Eu tenho tanto orgulho de você, minha única filha seguindo a mesma profissão que a minha.

- É uma pena eu ter que trabalhar em outra delegacia e não na mesma que a sua - passo passa a manteiga no pão quentinho.

- Mas pense que você não vai ser obrigada a ver a minha cara todos os dias.

...

Estava dentro da viatura com um colega que dirigia, estávamos fazendo a patrulha pelo bairro, aquele lugar era diferente do bairro aonde eu vivia aonde as casas em grandes e bonitas, aqui tudo era muito mais simples e as ruas pouco cuidadas, mas as crianças pareciam tão felizes brincando na rua. Eu realmente sentia um grande aperto no coração, toda vez que lembrava das ocorrências aonde pessoas inocentes eram atingidas por balas perdidas, principalmente quando se tratava de alguma criança tão flagil. Em meio aos meus devaneios permaneço atenta a tudo a minha volta, parecia não ter nada demais acontecendo naquele momento, até que vejo uma mulher gritando e correndo na nossa direção.

- Um homem levou meu celular, ele foi naquela direção - ela diz desesperada.

- Como esse homem é? Precisamos de alguma característica - diz o meu parceiro.

- Ele usava uma blusa azul de capuz, óculos de sol e era magro e não muito alto.

Ele acelera rumo a direção que ela tinha apontado, poucos minutos depois avistamos alguém que batia com a descrição, ele estava subindo numa moto e carregava consigo uma mochila provavelmente com os objetos roubados. Seguimos na cola da moto que acelera ao nos notar, seguimos os suspeitos com a sirene ligada o tempo todo, passando por faróis fechados e por curvas difíceis, aquele lugar parecia um labirinto e os bandidos se aproveitavam disso. Seguimos no encalço dos suspeitos que tentam nos despistar o tempo todo, até que a moto cai com os dois, eles se levantam e correm então cada um de nós segue a pé atrás deles. Sigo o suspeito que estava com a mochila e ele tenta atirar contra mim, me escondo atrás de alguns carros enquanto permaneço o seguindo de perto, ele tropeça em alguns entulhos e eu avanço sobre ele o imobilozando rapidamente. O faço soltar a arma e o algemo.

- Eu tinha que ser pego logo por uma vadia - reclama o folgado parecendo não ter medo de desacatar uma polícial.

- Além de ser preso por roubo vai ser por desacato também - o conduzo até a viatura.

- Isso não vai ficar assim não. Tá ligado? Eu vou tá na rua hoje mesmo.

- Vamos ver se vai ser assim mesmo - continuo seguindo até a viatura aonde encontro meu parceiro com o outro suspeito.

...

- O dia hoje foi bem corrido - diz Silvia vestindo seu casaco.

- Eu sinceramente me sinto ótima trabalhando, mas tirar a farda e ir para casa descansar também é muito bom.

- Eu ainda tenho que fazer a janta e lavar roupa - ela escreve algo no celular e depois o guarda na bolsa.

- Normalmente meu pai pede comida, minha mãe não gosta de cozinhar e eu e ele trabalhamos, então o jantar é sempre marmita ou pizza - caminho ao lado dela já que metade do caminho até a a casa dela era o mesmo que o meu.

- Bem que eu queria só que o salário não me permite fazer isso todos os dias, tá tudo tão caro que eu acabo fazendo o básico do básico.

- É... Realmente não ganhamos muito e essa é a realidade da maioria dos brasileiros - acabo ficando em silêncio pensativa sobre o nosso padrão de vida ser bem melhor que o dos meus colegas.

- E eu ainda estou pagando as parcelas do carro junto com o meu marido, então o jeito é da uma segurada e só comer coisa diferente no fim de semana.

Nos despedimos no meio do caminho e eu pego o transporte público, desço num ponto próximo a minha casa e ando cerca de cinco minutos a pé. Eu não costumava dirigir para ir e voltar do trabalho, normalmente só pegava o carro nos meus dias de folga. Chego em casa e encontro meu irmão jogando vídeo game, beijo a cabeça dele e sigo até o segundo andar aonde ficava meu quarto. Jogo a bolsa num canto e procuro pelo meu pijama, em casa costumava usar sempre algum pijama. Como não tinha passado maquiagem só precisei tomar um bom banho e me vestir. A essa hora meu pai já estava na cozinha pedindo comida, desço e o encontro pedindo marmita de macarronada e frango assado.

- Meu prato favorito - eu e meu irmão dizemos em unissono.

- Eu sei que vocês dois amam comer isso - ele faz cócegas no meu irmão.

- Principalmente com um refrigerante, né pai? - ele tenta convencer o pai.

- Você sabe que só no fim de semana, durante a semana só suco e água - ele bagunça o cabelo do menino.

- Eu odeio essas regras de refrigerante e doce só fim de semana - ele bufa.

- Se fosse por você ninguém nessa casa tinha sequer saúde - ele brinca.

- Não sei se quero ser saudável, principalmente se tiver que comer salada.

- Para de reclamar e vai com a sua irmã fazer a salada e o suco.

Todas as tarefas em casa eram divididas, meu irmão e eu normalmente fazíamos coisas como preparar os acompanhamentos do jantar, e tirar o lixo enquanto minha mãe era responsável pela louça, e normalmente meu pai era quem secava e guardava a louça. Uma diarista vinha três vezes na semana limpar, e nós só mantinhamos tudo organizado nos outros quatro dias. Minha mãe desce as escadas com o celular na mão, ela era uma mulher jovem que trabalhava como cabeleireira, e normalmente só ficava em casa até a hora do jantar depois ia viver a vida dela, mas o jantar em família era algo que ninguém aqui abria mão.

- Eu tenho um encontro com um boy daqui a pouco, então logo depois do jantar eu vou ter que sair - ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Marcela era uma mulher jovem com seu quarenta anos, cabelos cacheados e longos, olhos verdes levemente puxados e uma pele de cor quente. Ela tinha um corpo muito bonito cheio de curvas e usava roupas que o valorizavam muito, não tinha como achar aquela mulher feia, ela era realmente muito atraente e sabia como se arrumar. Eu tinha puxado um pouco mais ao meu pai que era calcasiano, de cabelos lisos e olhos castanhos, mas eu também tinha um pouco da minha mãe inclusive meu cabelo era a mistura do cabelo dos dois.

Insta: @autorashelbykirby

Capítulo 2 Dois

Mistério

Dez anos antes...

- Eu já falei que não quero você envolvido com as amizades do teu irmão - diz a mulher com a pele maltratada pela vida, e os cabelos curtos pouco cuidados.

- Ele é o único que me da alguma coisa, ele me leva nos role daqui da comunidade, me da dinheiro para o lanche.

- Dinheiro sujo, Junior - Diz a mais velha jogando o pano de prato na pia - O teu irmão tá envolvido com tráfico e eu não quero você metido nisso.

- E o que a senhora ganhou sendo honesta? Trabalha que nem uma mula para ser humilhada por aquelas madames - ele recebe um tapa como resposta.

- Você quer acabar morto jogado num buraco qualquer? Eu não vou chorar por mais um filho, já me basta o que aconteceu com o Wellington.

- O Wellington foi burro de ter enfretado aquele cara, ele era o irmão do meio, se foi e agora o meu irmão mais velho quer tirar a gente dessa miséria.

- Você quer se iludir com o teu irmão então vá, mas eu não vou mais chorar por filho nenhum - Ela leva a mão ao peito - Eu... Eu não tenho mais saúde para isso.

- Mãe? Por favor, não faz isso comigo - ele a ajuda a se sentar no sofá.

- Se eu morrer agora eu quero tu me prometa que vai deixar essa vida - ela fala com dificuldade.

A ambulância leva a mulher para o hospital, o menino que ainda não tinha nem dezoito anos, vai junto com a mãe ainda lembrando da discussão. Ele queria ter prometido que não seguiria os passos do irmão, mas ao ver a vida que sua mãe levava ele não conseguia, ela era uma mulher jovem que parecia ser mais velha, totalmente desgastada pela falta de qualidade de vida. Infelizmente ela não resiste e acaba falecendo poucas horas depois, ela era mãe solteira e o rapaz não tinha mais ninguém além do seu irmão, que logo o acolhe e lhe apresenta mais da realidade que ele vivia, logo Júnior não consegue mais usar seu próprio nome, e na realidade ninguém sabia seu primeiro nome e logo o segundo foi esquecido dando lugar ao apelido Mistério.

No começo tudo parecia ter melhorado apesar da dor da perda, ainda sim ele tinha uma vida melhor ao lado do irmão dono do morro, Mistério gostava da atenção e das regalias que o irmão lhe dava. Logo ele começou a acompanhar o irmão em quase tudo, virando uma espécie de aprendiz e se tornando seu braço direito, todos tinham respeito por ele, e o jovem que logo se tornou um homem gostava de tudo isso. Cinco anos mais tarde o irmão de Mistério acabou morto, dessa vez ele não teve tempo para o luto, precisava tomar rapidamente o lugar do irmão caso contrário algum rival poderia se aproveitar e tomar o morro.

Dias atuais...

- Tá tudo certo com a mercadoria, os moleques já fizeram tudo do jeito que você pediu.

- Olha lá em, eu não quero problema pro meu lado logo hoje, você sabe muito bem que nós tem um prazo - coloco mais cerveja no meu copo.

- Pode deixar, seloco acha que eu vou da mancada contigo, se tu falou tá falado os bagulho vão sair hoje.

- Então tá tudo certo, e eu quero que você vá confirmar os bagulho do baile, não quero que falte bebida e também não quero os homens aqui metendo o nariz aonde não é chamado - bebo um gole da cerveja.

- Pode deixar que eu vou pessoalmente conferir tudo, tá tudo no esquema e vai ser o melhor baile que essa comunidade já fez.

- Tem que ser como os que o meu irmão fazia, tem que fazer jus a memória dele.

- Tá certo... O teu irmão teria um baita orgulho do que tu fez aqui, ninguém imaginava que aquele guri viraria o grande Mistério.

- Acho que minha mãe não teria tanto orgulho quanto ele - deixo o copo de lado e tento afastar aquelas lembranças que deveriam ter sido enterradas junto com a minha mãe e meu irmão.

...

- O Toco me disse que você queria que subisse até aqui - diz a mulher de fios loiros cacheados.

- Você sabe que eu gosto de ter minha loira por perto, e não estou falando da loira gelada - ele bate na própria coxa indicando para ela se sentar ali.

- Eu sei que você diz isso para todas, Mistério - ela se senta no colo dele.

- E qual é o problema? Tu tá aqui comigo curtindo um pagode, com cerveja avontade e eu aqui todinho para você. Você acha que realmente tem algo melhor que isso, mulher?

- Você se aproveita do fato de eu gostar de você, não é? - ela beija o pescoço dele.

- Não tem como não gostar de quem lhe proporciona do bom e do melhor, Marileide.

- Nossa....você não é nada romântico também - ela se faz de ofendida.

- Aqui o papo é reto Marileide, tu vem aqui ser minha mulher nós curte um pouco, eu te dou o que tu quer e tá tudo certo.

- E nenhuma mulher foi capaz de passar disso? Duvido que tu nunca se apegou numa mulher.

- Menos papo e mais beijo, eu não estou aqui para ter uma consulta com aqueles médicos de rico.

- Primeiro que não é médico de rico, e até te faria bem ter uma consulta.

- Tá louca? Você veio aqui não foi para me da lição de moral não.

- Acho que melhor irmos ao que interessa então - ela o beija até que ele retribui e o beijo vai ficando cada vez mais quente.

- Continua aí tocando o pagode, e vocês podem curtir aí por minha conta - ele leva a loira pela mão até a casa.

Mistério fecha a porta atrás de si e encosta Marileide nela, ele a beija com intensidade, a loira arfa ao sentir seus lábios descerem do pescoço dela até o colo. Ele retira a blusa que ela usava sem delicadeza alguma, logo suas mãos estavam passeando pelos seios fartos da loira, ela geme ao sentir ele trabalhar neles, ele a ergue em seus braços e a carrega até o quarto aonde a joga na cama. Mistério fica por cima dela e logo se livra do short minúsculo que ela usava, suas passeiam pelo corpo dela, enquanto sua boca estava ocupada a beijando.

Capítulo 3 Três

Analu

Tem horas que eu simplesmente odeio ter um útero, principalmente hoje que eu estou com uma cólica insuportável, e nem mesmo remédio resolve. Nesse momento eu estou deitada sem condições de viver, só quem passa por isso sabe o quanto é chato, se eu pudesse nunca mais sentiria cólica nenhuma. Pego meu celular e começo a olhar as mensagens, minha mãe tinha perguntado se eu estava bem, respondo que na medida que meu útero permite. O pior é que normalmente durava umas quatro horas essa cólica forte, depois ficava menos pior e dava para viver um pouco, porém eu andava com o remédio na bolsa.

Após ficar um bom tempo na cama esperando a dor passar, me levanto para me arrumar e ir trabalhar, aquele dia pedia uma roupa confortável então visto um moletom e calço tênis de corrida. Meu cabelo estava sujo então o prendo num coque alto, e coloco brincos pequenos e discretos. Eu sinceramente não estava afim de maquiagem, porém eu estava horrível então passo um corretivo, base e um batom rosado bem leve e natural. Pego minha mochila e coloco meus pertences, inclusive remédio e uma vasilha com torta de maçã, era uma torta sem açúcar porque açúcar fritura e açúcar só pioravam as cólicas. Coloco a mochila nas costas e pego o bilhete, o ônibus demora muito e eu estava sentindo a cólica voltar.

- O meu filho, alguém chama a polícia, eu preciso de ajuda - diz uma mulher desesperada.

- Calma....a senhora pode me dizer o que está acontecendo? Eu posso te ajudar se me explicar.

- Eu estou andando pelas ruas pedindo ajuda, o meu ex marido está com o meu filho, e ele pode matar ele - a mulher tremia enquanto falava em tom desesperador.

- Então me leva até o local aonde eles estão, eu vou te ajudar com isso.

- Eu não moro lá só que ele está vivendo por lá e levou meu filho - ela segue andando enquanto mostra o caminho.

Sinto um frio na espinha ao notar que o homem morava na comunidade, aquele lugar era totalmente comandado pelo tráfico, e eu como policial corria um grande risco porém não poderia deixar aquela mulher na mão. Era meu dever zelar pela população, e não era agora que eu iria da para trás, então sigo ela pelas ruas estreitas até chegar numa casa toda fechada. Ela diz que ali estavam seu ex marido e filho, o homem assim como muitos não aceitava o fim do relacionamento, além de ter sido um péssimo marido também estava sendo um péssimo pai expondo o filho. Tendo negociar com o homem que estava extremamente alterado, e não queria deixar o menino ir até a mulher dizer que ficaria com ele, e entrasse na casa provavelmente para ele fazer algo contra ela.

- Eu tenho muito medo do que ele vai fazer pro meu filho, quando éramos casados e ele abusava de eu, me agredia e deixava meu filho passar fome. Todo o dinheiro ia para a amante, e eu ficava lá com meu filho, com o bucho vazio e ele só voltava para fazer maldade com eu e meu filho.

Aquilo faz meu sangue ferver de uma forma, que eu bato na porta com força e o homem aparece na janela, ele não estava segurando o menino então penso em reagir, porém começo a escutar barulho de tiro. Logo agora uma troca de tiros tinha se iniciado, faço a mulher se abaixar e entro na casa, o homem corre desesperado com medo dos tiros. Então pego a criança nos braços e sigo com a mãe para longe da linha de fogo, coloco a criança nos braços dela e a ajudo a entrar numa rua aonde não tinha tiros, eu estava desarmada e não tinha como defender nem eles e nem a mim. A mulher corre desesperada me deixando para trás, então tendo encontrar abrigo para não levar um tiro, olho para os lados e não vejo nenhuma saída.

Me abaixo tentando não levar um tiro, até sentir alguém tapar minha boca e me puxar, me debato porém sinto que seja quem fosse tinha uma arma na cintura. Sou levada até uma casa e empurrada para dentro, quase perco o equilíbrio porém não chego a cair, olho em direção a porta e vejo que ela tinha sido trancada, eu estava sozinha naquela casa vazia que mais parecia um cativeiro. Olho em volta e noto que as janelas estavam com tábuas, tinham apenas uma lâmpada fraca no centro daquele cômodo, naquele momento meu coração bate forte e eu sinto que posso ter sido raptada por ser policial, e que acabaria torturada e morta.

...

- Tu deu muita sorte que o Mistério foi com a tua cara - um rapaz surge com saco bege e um copo na mão.

- Vocês vão me matar? - indago um tanto nervosa com a situação nada agradável.

- Se você vai ficar vai ter que se acalmar, olha, eu sou o Toco e trouxe umas parada aqui para a madame - ele entrega o pacote e o copo.

- O que é isso... Toco, né? Por qual motivo me trouxeram até esse quarto?

- Eu te trouxe esse pão com manteiga no capricho, um copo de guaraná geladinho, e você vem com essa? Só relaxa e come, mais tarde o Mistério vem tirar uma ideia contigo, morena.

- Obrigada então, vou comer já que você trouxe com tanta boa vontade.

- Tá me tirando não, né? Eu sei que tu é toda princesinha, deve morar nessas casonas chiques, e veio aqui com essa roupa que vocês usam para ir fazer aquelas caminhadas lá que os ricos fazem nas novelas, mas eu vejo que você tem cara de quem tem isso aqui - ele faz sinal de dinheiro com a mão.

- Eu? Se vocês estão me mantendo aqui por dinheiro, saibam que eu sou assalariada e não estou rolando no dinheiro.

- Isso quem vai decidir é o Mistério - ele me olha de cima a baixo e da um sorriso de canto antes de sair e trancar a porta.

Estava trancada ali já fazia um bom tempo, e ele tinha levado a minha bolsa com o celular, um alívio me bateu ao lembrar que não estava com meu distintivo, havia o deixado na delagacia e pela primeira vez fiquei feliz por ser esquecida, e também por não está de uniforme. Abro o pacote e começo a comer o pão que estava realmente bom, e tomo o guaraná apesar de que nem deveria está tomando refrigerante especialmente nesse período horrível, mas um copo apenas não faria tanto estrago assim. Após terminar de comer amasso o pacote e deixo num canto com o copo, agora era esperar o tal de Mistério chegar, enquanto isso ficava pensando que tipo de pessoa tinha um nome assim.

Acabo pegando no sono sentada no chão e encostada numa parede, não sei quanto tempo se passou porém quando acordei, encontrei uma marmita e uma garrafa de suco na minha frente. Eu ficava pensando que tipo de pessoa prendia alguém naquele lugar, e simplesmente não dava nem as caras para dizer o que queria, se o intuito era me matar porque tanta enrolação assim, talvez aquilo fosse uma espécie de tortura. Abro a marmita e era feijão com arroz, batata assada e filé de frango frito, acho que essa pessoa queria me engordar antes de acabar comigo. Começo a comer porque eu estava com muita fome, e aquela comida parecia realmente muito boa e eu não sou o tipo de pessoa que diz não a comida.

Deixo a marmita vazia com a garrafa num canto, meu medo era algum rato entrar ali e me atacar, tenho pavor de rato tenho vontade de sumir quando vejo um. Minha bexiga estava pedindo socorro e eu iria acabar fazendo nas calças, precisava ir ao banheiro e não tinha barulho lá fora, pego a garrafa e encosto na porta para o caso de alguém chegar, eu não queria ser pega com a calcinha arriada ainda mais por algum traficante. Desço a calça e a calcinha, posiciono bem a garrafa para o xixi não escorrer pelas pernas, após alguns segundos finalmente começo a me aliviar, me visto novamente e fecho a garrafa a deixando novamente com a marmita vazia.

- Hum... Então a patricinha comeu até o último grão de arroz - Ele ri e pega a marmita - O que é isso aqui?

- Como aqui não tem banheiro tive que me aliviar de alguma forma - dou de ombros.

- Tu tá me tirando? Não acredito que tu fez xixi nesse bagulho - ele me encara indignado.

- Você queria que eu ficasse toda mijada? Teu chefe não tem amor a bixiga alheia não?

- Da próxima vez tu bate aí na porta que um dos homens me chama, mas não faz essas paradas não que isso não fica bem pra uma moça da tua classe.

- Eu já disse que não sou rica - Eu bufo - E quando o tal Mistério vem decidir o que vai acontecer comigo?

- Você tem sorte porque ele te achou gostosinha... Mas ele ainda quer saber o que tu veio fazer aqui e nada de mentir.

- Agora virei um pedaço de bife - digo indignada quando ele fecha a porta.

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