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A loba que odiava alfas

A loba que odiava alfas

Autor:: mirasan
Gênero: Lobisomem
Aviso: Contém ataques físicos e s*xuais de abuso e ansiedade. Você já viveu no inferno e pensou que nunca iria deixá-lo? Se você tivesse uma nova oportunidade, você aceitaria? Esta foi a vida de Sera, alguém que perdeu sua fala devido ao trauma e descobre no colégio WolfPaws uma nova vida. No entanto, o que seria uma nova vida, traz a ela novos traumas e mistérios. O passado escondido de sua mãe, segredos de sua linhagem e um alfa ridículo chamado Karim, que é seu inimigo e quem ela deveria odiar, mas de quem Sera não consegue se afastar. Sera enfrentará seus demônios? E como ela e o relacionamento de Karim se conectam com os misteriosos segredos do colégio? Descubra em a loba que odiava alfas.

Capítulo 1 Intrusos

Havia lobos correndo contra ela, apenas uma criança assustada diante de animais três vezes maiores que ela. Uma bandeira vermelha de um lobo cinzento estava fixada bem à sua frente.

"Sera!" - Uma voz feminina gritou.

A criança sentiu seu corpo ser abraçado fortemente. A última demonstração de afeto que ela sentiria até agora.

Olhos castanhos e um sorriso gentil foram direcionados a ela. Sua mãe acariciou seu rosto levemente, tirou um cachecol vermelho de seu próprio pescoço e enrolou no dela.

"Está frio, Sera. Vista isso sempre que quiser se sentir segura. Eu estarei com você nesse momento."

E com um último sorriso, só havia sangue.

A menina tentou falar algo, porém só havia lágrimas.

Sera acordou com um grito preso na garganta. Há muito tempo não ouvia sua própria voz. Ela não se lembrava mais de como soava. Seria fina? Melancólica? Arrastada?

Não havia mais memórias em sua mente. Mesmo em seus sonhos, ela não poderia ouvir algo que já não existia há 10 anos.

Seu lar não era uma casa de contos de fadas, ou uma casa como qualquer jovem da sua idade. Era apenas uma cabana na floresta, sem nada de especial. Um lugar perfeito para ninguém encontrar.

Sera prendeu seus cabelos negros em um coque, imaginando que nunca se acostumaria com o silêncio. Fazia dois dias que ela não ouvia som algum. Não havia passos pesados ou gritos. Nem nada sendo quebrado ou o som do seu corpo sendo empurrado contra a parede.

Mesmo assim, ela ainda não acreditava que seu tormento havia terminado. Enquanto preparava seu almoço, a faca caiu.

Sera se assustou, por alguns segundos seu corpo paralisou. A jovem esperou uma punição. Porém, nada aconteceu. Seu corpo tremeu, ainda esperando uma reação pelo seu erro. Mas novamente, nada aconteceu.

Sera se apoiou na mesa e suspirou de alívio. Não havia mais perigo para ela. Não mais.

Ela bebeu sua sopa de legumes em paz, sem saber o que fazer agora. De repente, algo lhe tirou a atenção. Algo tão comum para outros, mas tão precioso para ela...

Chuva. Uma simples chuva.

A jovem correu descalça para fora da cabana, seu cachecol se molhou, mas ela não se importou. Sara dançou abaixo das gotas, sorrindo. Era algo que nunca seria permitido que fizesse, além de apenas observar do lado de dentro.

Agora, ela se sentia livre. Porém, a liberdade também podia apavorar. Logo, sua mente a levou a um pensamento de insegurança, como se estivesse cometendo algum erro, afinal, isso era algo que não poderia fazer antes.

O que seria dela agora? Quem Sera seria além da pessoa que obedecia ordens e era usada como um objeto? Como ela poderia pensar que seria livre se a sua mente não era?

Sera começou a entrar em pânico, ela se pôs de joelhos no chão e sentiu seu coração acelerar e a respiração ficar mais rápida e acelerada. O ar parecia lhe faltar e as lembranças dolorosas lhe vieram à mente.

O medo se apoderou dela. O que ela deveria fazer? Não havia ninguém ali para ajudá-la. Bem, nunca esteve, sempre havia sido apenas Sera como seu próprio apoio.

Até finalmente seu cachecol cair levemente em seu ombro e a lembrança de sua mãe lhe vier à mente. E, desse modo, Sera se acalmou, fazendo respirações profundas, retomando seu controle.

De repente, pareceu ouvir algo dentre as árvores. Sera olhou por todos os cantos e não havia nada. Deveria ser apenas impressão mesmo.

Talvez ficar perto daquele lugar não a fizesse bem. Estava tendo alucinações e também entrando em pânico por algo que deveria ter sido a sua salvação.

Pegando a capa vermelha que era de sua mãe, Sera andou pela floresta, sua única companhia desde que se mudará para lá. No entanto, havia algo diferente dessa vez.

Um barulho foi ouvido novamente, e dessa vez, Sera possuía certeza de que ele existia.

Ela se escondeu dentre as árvores e tampou a boca em um ato automático. Havia vários homens e mulheres e jovens vestidos de cinza com o símbolo do lobo cinzento em suas jaquetas.

Sera tentou conter a surpresa. O que essas pessoas estavam fazendo em um lugar tão isolado como aquele? Estariam atrás dela? A última de seu clã?

Sua mente trabalhou rapidamente, tentando escapar dali da melhor maneira. Ela deveria se esgueirar? Correr? Cumprimentar? O que fariam com alguém como ela? Sem voz?

Em um pensamento rápido, ela ouviu uma voz masculina dizer:

"Vamos embora, voltamos amanhã." - Ela ouviu um homem alto e musculoso dizer, provavelmente o alfa do bando.

Sera não saberia reconhecer, havia perdido sua loba há muito tempo quando forçaram que ela fosse retirada dela. Isso a tornou uma humana comum, muito inferior a todos os lobos.

Quando a movimentação dos estranhos começou, ela aproveitou para fugir, sem notar que um fio de seu cachecol ficou preso em um galho de uma árvore.

Ela correu como nunca, entrando na cabana, o único lugar em que poderia haver alguma segurança, mesmo sabendo que qualquer lobo poderia atacar a local com facilidade.

Sera se sentou no chão, tremendo de medo. As lágrimas escorreram pelo seu rosto. Até quando ela seria tão fraca dessa maneira? Ela odiava quem a havia feito se sentir dessa maneira.

Suas mãos tremiam, ela não conseguia fazer nada. Não podia acreditar que aqueles que assassinaram a sua mãe poderiam fazer o mesmo com ela.

O sorriso de sua mãe lhe veio à mente e Sera apertou o cachecol, ganhando um pouco de coragem. Deveria haver algo ali que poderia ajudá-la. Pela primeira vez, ela deveria fazer algo por si mesma.

Correndo até um quarto que a fez tossir e espirrar por alguns segundos devido ao tempo que não era tocado, a jovem procurou arquivos que a sua mãe havia deixado para ela. Aquele homem nunca permitiu que Sera encostasse nos mesmos.

Seus olhos castanhos percorreram por todos os papéis até ver um folheto escrito: Colégio Interno WolfPaws, o melhor para seu jovem lobisomem em ascensão.

Aquele era o colégio onde sua mãe havia estudado. Porém, Sera não era uma loba como ela. Não uma que pudesse lutar.

No entanto, era a sua única chance de mudar de vida. E quando um papel com letras douradas caiu no chão,Sera sabia que havia uma chance para ela.

Depois de tanto sofrimento, poderia haver esperança.

Capítulo 2 Decisões

As letras douradas estavam escritas em uma caligrafia impecável:

"Querida Ada, vos falo do colégio WolfPaws para garantir a admissão de sua filha, Sera Cohen em minha instituição quando ela completar 18 anos.

Como você foi nossa aluna destaque e contribuiu em demasia com nosso colégio, Sera terá lugar seguro no WolfPaws para aprender e se tornar uma jovem de talento e formação excepcional.

Grata.

Diretora Cordélia Dawood"

Sera releu a certa diversas vezes. Ela não acreditava que tinha um lugar seguro para si. Um sorriso preencheu seus lábios até duas questões virem à sua mente:

A primeira, não havia mais nenhum sinal de sua loba em seu interior, e; com certeza não era a garotinha que Cordélia imaginava. A diretora aceitaria alguém em condições especiais?

Sera se sentou no chão frio da cabana e pensou sobre o que deveria fazer. Com as mãos no joelho, a moça logo percebeu que não havia muitas opções.

Seus inimigos logo voltariam e poderiam encontrá-la facilmente. Já, sair de uma floresta para ir até um lugar desconhecido não era igualmente mais simples.

"Tenho que decidir." - Pensou mordiscando os dedos de ansiedade.

Sera sabia que ele era "fraca", não dava conta de lutar contra lobos, muito menos quando estavam transformados. Se fosse pega, seria morta ou pior, voltaria a sua antiga vida de terror.

Uma pequena ansiedade se apoderou dela e sentiu seu corpo se arrepiar em meio à náusea, ao se lembrar de como era maltratada e tratada injustamente.

Por um instante ela pensou em colocar a lâmina da faca em seu próprio pescoço. Mas, uma pequena faísca veio em sua mente e lágrimas caíram de seus olhos. Por que ela não merecia ser feliz como as outras pessoas? Ela não merecia uma chance?

E com isso em mente, Sera já havia tomado a sua decisão.

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A noite estava fria naquele dia. A lua brilhava alta no céu e, mesmo com tantos acontecimentos maléficos em sua vida, Sera ainda acreditava que a mãe dos lobos estava com ela. E era sua voz que ouvia para aguentar firme quando marcas de medo e ódio eram feitas em seu corpo.

E foi a voz da Mãe que provavelmente falou com Sera para que ela não desistisse nesse momento.

A moça respirou fundo e entrou no quarto, uma sensação de repulsa lhe atingiu ao observar a cama que já fora palco de tanto sofrimento.

Sua visão foi finalmente direcionada para o guarda-roupa, onde não havia nada além de roupas masculinas e uma única feminina.

A mão de Sera tremeu ao tocar no tecido vermelho. Nunca havia lhe sido permitido encostar na peça. Nem quando queria lhe lembrar de sua mãe com umas das poucas que lhe restaram dela. Afinal, coisinhas sujas não deveriam encostar em algo tão puro e belo.

Removendo o vestido do cabide e o colocando sobre a cama, ela removeu o seu próprio. O pano feito de trapos brancos e sujos foi jogado em direção ao chão, e ela cobriu seu corpo cheio de cicatrizes das quais Sera não gostava de se lembrar, com o vestido vermelho de bancas bufantes. O decote em V não cobria a sua maior vergonha e por isso, teria que ser consertado.

Sera observou brevemente o cachecol que havia deixado na cama e sabia que ficaria ridículo colocá-lo com uma peça tão bela, mas nada a faria deixar de lado seu porto seguro. Com um suspiro, Sera voltou às suas roupas antigas e começou a trabalhar. Uma gola curta que cobriria suas cicatrizes já estava de bom tamanho.

Quando estava quase caindo no sono, ela ouviu um leve barulho que a despertou. Observou os arredores e não havia nada. Sera engoliu em seco, seu medo provavelmente estava falando por ela. Se fossem, os lobos de sangue já teriam invadido o local.

Ela suspirou de alívio e tomou coragem para o que fazer, o que seria o passo decisivo na sua vida.

Começou a se preparar para sair. Bebeu a sopa que havia tomado de manhã cedo e começou seu novo trabalho.

Colocou mapas, cadernos e lápis em uma mochila antiga e colocou seu capuz e cachecol acima do vestido vermelho novamente.

"Vamos! Coragem, Sera! Você já passou por coisas piores. Uma mudança de vida não é nada..."

Pensou consigo mesma, mas, pensar era mais fácil do que fazer. Suas mãos tremiam, ela apertava os dedos marcando a pele e podia sentir o suor molhar levemente seus cabelos.

O primeiro passo era difícil. Sair na chuva para voltar para a casa era algo, mas sair dali para talvez um lugar pior, era outra coisa.

Sera sabia que era a única opção. Porém, ainda sentia aquela insegurança no peito.

Ela suspirou fundo e disse mentalmente: "Coragem, Coragem, Coragem."

E, desse modo, deu finalmente o primeiro passo.

A mãe Lua ainda iluminava o céu, e o vento fresco da Floresta afagou os cabelos de Sera, a fazendo sorrir.

A floresta era um lugar familiar para ela, um lugar onde estaria longe de casa e segura entre as árvores. Porém, alfas sempre a encontrariam, mesmo que a natureza pudesse ajudá-la a adiar um pouco o seu sofrimento.

E esse era um dos motivos por que Sera odiava e temia alfas acima de todos os outros lobos. Porque sempre se achavam e eram superiores aos outros.

Seu pai era um alfa, aquele que abusou dela por anos era um alfa. Alguém que deveria proteger sua matilha e seus filhotes. Mas, nunca havia sido assim, não com ela. Por isso, alfas não eram confiáveis.

Esses pensamentos de ódio, a fizeram se esquecer um pouco de onde ela estava e de seu propósito.

Ao ouvir um pio de um pássaro, Sera se recompôs e continuou a andar para a saída da Floresta. Aquele havia sido seu lar por anos, o único lugar onde "deveria" estar.

Os sons da Floresta noturna a assustavam quando se movimentava, mas não podia arriscar ser pega pelos lobos de sangue. Seus passos eram precisos para que não escorregasse em um tronco ou algo do tipo, não que já não tivesse acontecido.

Se passaram minutos ou horas? Sera não sabia dizer. Ela estava cansada, suas pernas doíam e agora uma lanterna velha estava em suas mãos, iluminando o caminho.

Em poucos passos, ela viu uma iluminação diferente, o fim da Floresta e o início de uma antiga civilização.

Segurando o mapa com força, ela se preparou para encontrar o colégio WolfPaws , sem perceber que olhos amarelos a observavam.

Capítulo 3 O quarto Clã

Sera apertou o cachecol contra o pescoço, o tempo havia esfriado repentinamente. O vilarejo do lado de fora da Floresta estava vazio, não havia uma viva alma no lugar além de Sera.

Não havia nada há fazer além de andar. Havia jornais velhos presos nas paredes que falavam sobre um massacre. Porém, estavam desbotados e a luz da lanterna não era forte o suficiente para iluminar ao ponto de Sera continuar lendo.

Ela continuou a caminhar, mesmo que barulhos estranhos a fizessem tremer de medo. Porém, ao olhar ao redor, não havia ninguém.

Já haviam se passado algumas horas, quantas ela não sabia, porém, o sol já estava nascendo e Sera estava bem longe de casa, o que era um alívio.

Com o dia chegando, Sera finalmente pôde ver um local mais amistoso à frente. Parecia uma cidade após uma grande ponte que ligava o vilarejo abandonado à mesma.

Já no fim da ponte, Sera chegou à cidade. Não era um local grande, porém era movimentado.

Havia carros de um lado para o outro, o que fez a moça tampar os ouvidos pela falta de costume com o barulho.

Também, havia diversas lojas iluminadas com luzes coloridas que vendiam diversas coisas, desde alimentos até roupas e bugigangas.

No entanto, algo chamou a atenção de Sera. Uma pequena cafeteira chamada Café Místico, um local que parecia aconchegante e fofo com uma fachada azul escura com estrelas douradas.

Sera se sentou na poltrona azul confortável e pela primeira vez pegou em um cardápio. Ela apontou para um cappuccino simples e pagou um valor que não sabia dizer se era justo ou não. O dinheiro que o velho guardava havia sido útil, afinal.

Enquanto saboreava sua bebida, Sera aproveitou para pedir informações, anotando no papel onde ficava a escola Wolf Paws e como chegar lá.

A atendente respondeu com um sorriso de pena ao perceber que Sera realmente não podia falar.

A jovem loba não se sentiu confortável com a expressão da moça, todas a olharam da mesma forma ao saber de sua condição?

Ela agradeceu com um sorriso e seguiu em direção ao trem como havia sido informado pela atendente.

A estação não era longe. Sera caminhou apressada e animada por finalmente parecer que a vida tomaria um rumo diferente. Até tudo desmoronar em poucos segundos, tudo não, apenas ela e mais alguém.

"Eii! Não olha por onde anda, esquisita? Quem usa um cachecol nesse calor?"

Sera se apressou em escrever no seu caderno:

"Me desculpe. Eu não te vi."

Olhos amarelos e arrogantes a olharam com raiva. O jovem se levantou sem ajudá-la, limpando a calça azul escura do uniforme. Uma força estranha fazia com que a atenção de Sera permanecesse fixa nele.

"Ei, vocês estão bem? Foi uma queda feia."

Um homem de corpo esguio veio até Sera com um sorriso galanteador, estendendo a mão. Ela pôde ver o símbolo do lobo com uma pata azul ao fundo em seu paletó azul-escuro que cobria a camisa branca, quando apertou a mão dele.

"Não preciso de sua ajuda, Aurelius." - Disse o menino que esbarrou nela com voz irritada.

"Estou perguntando para a bela moça, Ramesses. Óbvio que não estava falando com um pirralho como você." - Aurelius respondeu.

"A menina parece não querer conversar. Ela parece uma novata e tem que entrar no trem. E, além disso, pelo que sei, Joshua, você já tem seus próprios deveres inacabados."

Quem falou a última frase, era uma mulher elegante, de cabelo crespo e com uma voz calma que poderia acalmar até o animal mais feroz:

" Não se assuste com meninos tolos, novata. Me chamo Nayssa Obiyoe, sou do 2 ano da faculdade de magia lupina. Posso te ajudar se precisar." - Disse estendendo a mão ossuda para Sera.

"Co-Com licença." - Uma voz suave disse. A última pessoa era uma garota de sorriso gentil e fofo, com sardas em suas bochechas levemente cheias e rosadas.

Ela se aproximou deles com uma expressão envergonhada. Sera notou como seu busto cheio deixava a camisa levemente aberta, quando ela andava desajeitadamente.

"Preciso recepcionar Sera Abrams e levá-la para o trem."

"Quem?" Ela pensou por um momento. Estava acontecendo muita coisa ao mesmo tempo. Até perceber que era ela mesma, só que com o sobrenome da sua mãe.

Sera levantou a mão e a menina de sorriso gentil se aproximou.

"Prazer, sou Kyria Waish, monitora do colégio Wolf Paws. Seja bem-vinda ao colégio, eu irei ser sua guia até lá."

"Obrigada, Kyria. Sou Sera, prazer em te conhecer." - Ela escreveu.

Sera olhou para os novos conhecidos que entravam, enquanto se sentava no primeiro vagão disponível com Kyria.

"Eles chamam atenção, não é?" - Kyria disse. "São os primogênitos dos grandes clãs, por isso ninguém se importa muito com o que fazem."

Curiosa, Sera perguntou, escrevendo em seu caderno:

"Quais clãs?"

"Temos 3 clãs principais que comandam o mundo, havia um 4°, mas ele foi dizimado"

Ao ouvir isso, Sera sentiu os pelos de seus braços se arrepiarem.

"Os clãs são: Aurelius, os guerreiros. Prezam pela força e habilidades militares acima de tudo. Seu primogênito é Joshua Aurelius, alguém que é galanteador. É o primeiro ano dele no WolfPaws, dizem que possuía uma treta com a segunda família."

"Uma desavença? De que tipo?" - Sera escreveu, querendo saber mais.

Kyria parou por alguns segundos, tentando se lembrar dos detalhes.

"Uma briga de algo que ele fez há alguns anos para os Obiyoe, não sei o que foi." - Sua voz tremeu ao dizer a última parte. "Mas, sei que não se gostam."

Ao notar a atenção de Sera em suas plantas, ela continuou:

"Os Obiyoe são artesões, responsáveis por armas e instrumentos mágicos, inclusive medicinais. São muito ricos e reconhecidos. A filha mais velha, Nayssa é chamada de a Donzela solitária, por não ter um ômega ainda. Ela rejeitou todos os casamentos até o momento."

Sera se lembrou vagamente sobre hierarquia de lobos. Havia os alfas, os líderes e futuros líderes de cada matilha. Alguns já nasciam com a benção da Mãe de ser alfa, outros se tornavam.

Haviam também os ômegas, os parceiros dos alfas e escassos, poucos possuíam essa bênção. Eram os mais aptos a se casarem com alfas nobres.

E claro, betas que costumavam ser os mais comuns e menos requisitado.

"Todos os primogênitos dos clãs são alfas?" - Sera perguntou.

Kyria confirmou.

"Isso. Por isso são tão requisitados."

"O Ramesses também é um alfa?"

Logo após perguntar, ela se arrependeu. Claro que sim, ela podia sentir apenas pela energia que ele emanava.

"Karim? Sim, ele é um alfa. O mais ranzinza possível."

Sera riu daquele comentário e prestou atenção na próxima fala de Kyria.

"Ele é da última família, os Ramesses. São os espiões e soldados de elite mais fortes que os Aurelius. São eles que fazem o" trabalho sujo", por assim dizer."

Nesse momento, Kyria se aproximou do ouvido de Sera para cochichar algo.

"Dizem que foram eles que dizimaram o último clã."

Sera a olhou com uma expressão de incógnita, querendo saber mais.

" Cohen." - Ao ouvir esse nome, Sera tremeu.

" Os Cohen foram dizimados por traição pelos Ramesses"

Aquele sobrenome era o de seu pai, ou seja, o seu. Ela se lembrou da expressão arrogante de Karim Ramesses. Sera pensou que estava livre do seu passado. Mas, agora ele estava cada vez mais próximo e perigoso.

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