Aquele dia tinha tudo para ser perfeito, assim que Ana percebeu a luz do sol perturbar seu sono abriu os olhos cor de mel e esfregou o rosto, não estava atrasada, porém também não tinha tempo sobrando, pulou da cama organizou tudo, engoliu uma xícara de café preto e saiu quase correndo da republica de estudantes para poder chegar a faculdade a tempo, ela teria uma prova muito importante no primeiro período, mas não estava preocupada pois conhecia o conteúdo, estudante do sétimo semestre de arquitetura agora faltava muito pouco para finalmente poder se formar, já sonhava com o dia, ela seria a
primeira em sua família a ter a chance de segurar um diploma de ensino superior nas mãos e isso era fantástico.
Assim que chegou a sala de aula naquele dia percebeu alguns olhares estranhos e algumas falações.
- Então você resolveu aparecer mesmo assim?
Perguntou Gabriela, uma garota rica que era sua colega e que vivia a importunando.
- Não estou entendendo, por que eu não compareceria?
Ela sorriu olhando para as outras duas que estava com ela.
- Não ficou sabendo então? A Neo Design cancelou as bolsas de estudo, Ana querida... Adeus faculdade.
- Isso não pode ser verdade, ninguém me informou de nada, você deve estar enganada, o reitor me avisaria se fosse real...
Nesse instante o professor adentrou na sala de aula e pediu que todos se sentassem.
- Sentem-se todos, vamos dar inicio a prova de hoje. - Ele porém parou e então olhou diretamente para Ana com o semblante triste. - Menos você Ana, você não fará a prova hoje, deve procurar o Reitor Gabriel.
O coração de Ana parou por alguns segundos, ela olhou para Gabriela que sorria, será que então era verdade? Não, não, não podia ser, eles não podiam terminar com o sonho dela assim, não agora, não depois dela ter se esforçado tanto para chegar onde tinha chegado, isso não era justo.
Ernesto Gabriel era reitor da faculdade do Oeste paulista a pelo menos quinze anos, respeitado e gentil era um homem reconhecido pelos seus feitos grandiosos, um homem impar pensava Ana, quem edera ela um dia ser tão grande como ele, ela respirou fundo ao andar pelo corredor ainda sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo e aproximou-se da porta dando três leves batidas, sua vontade era de sair correndo dali para bem longe, mas ela se manteve firme, pois precisava de respostas.
- Senhor reitor? Posso entrar?
A voz firme e gentil ecoou de dentro.
- Sim, Ana, entre.
Assim que ela entrou e se sentou em frente a ele, ele esfregou o rosto nervoso, aquilo foi o suficiente para ela compreender que Gabriela não tinha mentido.
- Acredite Ana, essa é a coisa mais difícil que farei em anos de instituição, nesses quinze anos a frente da universidade eu, eu nunca encontrei uma aluna tão celebre quanto você, suas notas altíssimas seu comportamento excelente, seus projetos magníficos ganharam minha admiração de uma forma que até eu desconhecia. - Ele fez uma pausa. - Mas recebi ordens do financeiro e eu não poderei manter sua bolsa, sinto muito.
- Por que não?
- Entenda Ana, não é algo que queiramos fazer, é algo que infelizmente nos foi imposto, todas as bolsas da Neo Design foram canceladas hoje mais cedo, não tem ideia de quantos alunos tristes, raivosos e desconsolados eu atendi hoje, é muito difícil.
- Mas por que elas foram canceladas?
- A empresa não justificou, apenas encerrou o patrocínio sem explicações, tentamos contato, porém, não foi possível, talvez seja essa grande crise nacional.
Aquela era a desculpa mais sem nexo que a empresa poderia usar, eles não estavam passado por nenhuma crise, muito se ouvia falar nas rádios, jornais e televisão, mas a Neo Design não conhecia o que a palavra crise poderia significar, eles eram grandiosos demais.
E a coisa não poderia ficar pior, assim que se retirou da faculdade ela também recebeu uma nota do comitê da republica de estudantes, ela teria que entregar o quarto, como não era mais uma estudante da faculdade ela também não poderia seguir morando lá, aquilo foi como um balde de água fria, o que ela faria? Para onde iria?
Os pais de Ana moravam no interior do paraná, eram dois velhos idosos que tinham tido a filha já com uma idade avançada, a mãe de Ana engravidou dela aos 50 anos, depois de outras seis gestações de meninos, ela a única menina também era a única que tinha conseguido entrar para uma faculdade, não que seus irmãos não fossem capazes, porém nenhum deles demonstrou interesse ao longo da vida pelos estudos, os pais que eram agricultores viviam do pouco que tiravam da terra, e não podiam ajudar Ana financeiramente, por isso ela morava em uma republica, seria inviável pagar um aluguel em São Paulo.
Ela estava perdida, o que faria? Precisava encontrar outro emprego mais rentável para custear os estudos e precisava disso para logo, quanto mais tempo sua bolsa ficava trancada, mais ela demoraria para terminar sua faculdade e poder dar uma vida melhor aos pais.
Sem ter para onde ir ela resolveu buscar ajuda da única amiga que tinha em São Paulo, Franciele tinha se formado na faculdade no ano anterior, porém ainda estava tentando encontrar emprego na sua área, apesar de direito ser uma faculdade com amplas oportunidades não estava fácil para ninguém e cada dia que passava se tornava mais difícil de conseguir um bom emprego.
- Como assim eles cancelaram a sua bolsa? Eles não podem fazer isso! - Mostrou indignação ao ouvir a história de Ana.
- Sim eles podem, a empresa que patrocinava a minha bolsa cancelou o patrocínio, estou na rua Fran, não sei o que fazer...
- Você não está na rua, você tem a mim, pode ficar no meu apartamento pelo tempo que precisar...
Ana sorriu.
- Obrigada amiga, mas o seu aluguel é bem caro e você ainda está desempregada...
- Minha mãe está pagando o aluguel, ela me manda dinheiro todo mês...
- Ainda assim me sentirei em divida com você, o dinheiro do meu trabalho terá que ir todinho nas mensalidades da faculdade e ainda terei que conseguir uns "bicos" no fim de semana para pagar o transporte, então não vou poder ajudar...
- Não fica assim, a Juli também me ajuda financeiramente, ela está pensando em vir morar aqui.
- Sério? Então é compromisso mesmo?
Ela sorriu animada.
- É sim, nunca achei alguém que me completasse que nem ela amiga, estou muito apaixonada.
Franciele e Juliana estavam juntas desde o último carnaval e de fato pareciam um casal perfeito saído dos filmes, porém Franciele ainda não tinha assumido o relacionamento para os pais.
- Sabe que vai ter que contar para sua mãe uma hora.
- Eu sei, a Juli tem me cobrado isso e eu juro que quero, porém sabe como eles são antigos, e se não aceitarem ela?
- Ela ama você e você ama ela, é impossível que eles não vejam esse amor lindo de vocês, eles te amam Fran, vão aceitar sim.
- Assim espero amiga, assim espero.
Ana tomou um banho deixando a água do chuveiro lavar toda a tensão do dia, ela precisava encontrar uma solução para sua vida, ela precisava arrumar um emprego que pagasse sua faculdade para assim poder voltar a republica e parar de dar trabalho para Franciele.
Assim que saiu do banheiro Franciele a olhou com os olhos brilhando.
- Sabe a empresa que cancelou a sua bolsa?
- A Neo Design?
- Isso.
- Ela vai patrocinar um jantar e uma palestra no Dimonds Hotel.
Dimonds era um hotel de luxo de São Paulo, Ana conhecia só de ouvir falar, não era para qualquer um bancar uma diária naquele lugar.
- E daí?
- E daí que o CEO deles vai estar lá, é sua oportunidade menina, sua chance de encontra esse cara e confrontar ele sobre sua bolsa de estudos! Já pensou você desmascarar ele na frente de todos aqueles magnatas e repórteres? Ele vai ficar sem chão!
- Seu plano parece incrível, mas agora me responde como eu vou fazer para ser convidada em um evento desses?
Franciele soltou o notebook e caminhou sensualmente até ela.
- Sendo uma grã-fina esnobe formada em arquitetura e mundialmente famosa!
Ana soltou uma gargalhada tão alta que ecoou por dentro do quarto.
- Ficou maluca? Acha que não tem uma lista de convidados? Eu jamais vou conseguir passar pelos seguranças.
Franciele, porém pareciam muito animada para desistir.
- Acontece que eu tenho um amigo que trabalha na recepção do hotel, ele pode me ajudar a te colocar lá dentro, depois que você estiver lá, é só se misturar e dar um jeito de ficar sozinha com o bonitão!
- Bonitão?
O olhar de Ana era de incredulidade para Franciele.
- Para vai, vai dizer que você ainda não conhece ele? Caramba Ana, ele é o solteiro mais cobiçado do país, lindo, inteligente, milionário e dizem as más línguas que um perfeito cafajeste na cama.
- Não estou interessada em dormir com ele, só quero a minha bolsa de estudos de volta, e você falando desse jeito faz parecer que não está tão certa sobre a Juli.
- Estou certíssima sobre a Juli, mas não esqueça que eu já provei outros sabores, não que eu sinta saudades é claro, mas foi um bom aprendizado.
Ana começou a rir sem parar.
- Minha nossa Fran, você não toma jeito, certo, mas vamos dizer que eu aceite participar desse seu plano maluco, quem é esse seu amigo e como ele vai me colocar lá dentro?
Fran começou a desenrolar um plano mirabolante, extremamente empolgada, o plano em si parecia simples na realidade, Ana entraria pela cozinha como se fosse trabalhar no bife, porém assim que estivesse lá dentro mudaria de roupas e se transformaria em uma grande arquiteta renomada, essa era a parte que Ana não estava muito confiante, ela teria que usar o nome de outra pessoa, ela teria que ser outra pessoa, isso não poderia dar certo nunca!
Apesar de todo o incentivo de Franciele para que Ana aceitasse sua ideia, Ana não estava tão confiante, para ajudar com os custos da casa e da faculdade ela tinha conseguido um emprego em uma cafeteria ali perto.
Ana e Franciele estão sentadas numa mesa, com chávenas de café à frente delas. Franciele parece empolgada, enquanto Ana demonstra hesitação.
- Ana, é agora ou nunca! Esta é a nossa oportunidade de entrar naquela palestra incrível. O meu amigo, o Tiago, já conseguiu os cartões de acesso. É só aparecer, sorrir e fingir que pertencemos naquele lugar!
- Franciele, isso parece uma ideia péssima. Você sabe como sou uma má mentirosa. E se alguém perguntar alguma coisa? Não vou conseguir responder!
- Ana, relaxa! Não é como se fosse fazer um interrogatório com você. Só precisa parecer confiante. O Tiago disse que está tudo tratado. Os cartões têm nomes e tudo, é apenas manter o ar descontraído.
- Nomes? E se alguém considerar que não sou quem diz no cartão? Você parece uma louca!
- Ana, as chances disso acontecer são mínimas. É um hotel enorme, a sala vai estar cheia de gente. Ninguém vai reparar. Basta fazer um ar sério, cumprimentar as pessoas com um "olá" simpático e fingir que está lá para ouvir a palestra, como todo mundo.
- Ainda não me convenceu... E se isso for errado? Não quero acabar a ser expulso ou, pior, detida!
- Amiga, confie em mim. O Tiago conhece as pessoas que organizam o evento. Ele já fez isso antes, acredita! E olha, se realmente está errado – o que não vai acontecer – só dizemos que foi um mal-entendido. Mas não se preocupe, ninguém vai perceber.
- Ok, ok... Mas só porque confio em ti e porque essa palestra pode ser meu portal de acesso ao retorno da faculdade. Espero que você saiba o que está fazendo.
- Sabes que sim! E, além disso, vai ser uma história para contarmos mais tarde. Agora, vamos tratar do seu pôr-do-sol confiante. Repete comigo: "Eu pertenço aqui".
Ana começou a rir e então olhou a amiga com ceticismo.
- A sério?
- Sério! Vamos lá, tente!
Ana ainda nada confiante.
- Eu pertenço aqui...
Franciele bateu palmas baixinho com entusiasmo.
- Certo! Agora vamos que ainda temos que encontrar o vestido perfeito para o evento no restaurante, você precisa estar deslumbrante!
Aquela sem sombra de dúvidas não era a loja que um dia Ana pensou em entrar, só a fachada dela assustava.
- Não temos dinheiro para comprar aí!
- Não seja boba, vou usar o cartão do meu pai...
- E o que vai dizer a ele se ele perguntar?
- Que eu tive um evento importante com celebres advogados e precisei me vestir a altura, vamos Ana, deixe de ser tão medrosa!
Ana esfregou o rosto nervosa, isso estava cada vez mais se encaminhando para dar muito errado, como faria para pagar toda essa boa vontade de Franciele?
Aquela era uma loja de roupas sofisticadas localizada no centro da cidade. Ana e Franciele estão rodeadas por araras de vestidos deslumbrantes. Franciele segura um vestido longo, de cor vinho, enquanto Ana observa desconfiada.
- Isso é perfeito! Elegante, moderno, e vai fazer o CEO babar quando te ver.
Ana corando e rindo nervosamente.
- Franciele, não estou a tentar impressionar ninguém, muito menos um CEO. Só quero passar despercebida, lembra?
Franciele arqueia a sobrancelha.
- Passar despercebida? Ana, esta noite é a tua chance de brilhar! E se vai fingir ser uma mulher poderosa e confiante, tens de parecer o papel. Um vestido como este vai dizer: "Eu sei quem sou e o que eu quero".
Ana olhou mais uma vez para o vestido nas mãos dela.
- Parece muito justo, vai ficar desconfortável!
- Nada disso! Conforto é importante, sim, mas confiança é tudo. Experimente isto e depois conversamos.
Ana decide experimentar o vestido no provador para poder contentar Franciele, enquanto isso Fran vasculha do lado de fora mais opções.
- E Ana não se esqueça, postura é tudo! Ombros para trás e queixo erguido, ok? O resto é teatro!
- Teatro? Ótimo, porque já me sinto uma atriz numa peça maluca...
- Não te preocupes, vais arrasar. Confie em mim.
Alguns minutos depois, Ana sai do provador usando o vestido. É longo, com um corte elegante e justo no busto, abrindo-se suavemente na saia. Franciele coloca as mãos na boca, encantada.
- Meu Deus, Ana! Quem é essa mulher segura e fatal à minha frente? Estou apaixonado!
- Achas mesmo que está bem? Não parece muito provocante?
- Está perfeito. Olha para você! Este vestido diz "eu pertenço aqui" antes mesmo de abrir a boca. E o que é mais importante: realça quem você é – linda, elegante e confiante.
Ana se olha no espelho ainda sem acreditar no que vê.
- Não sei se consigo... Mas admito que gosto de como me sinto nele.
Franciele se aproxima da amiga e a abraça.
- É disso que estou a falar! Agora só precisamos de uns saltos incríveis e uns brincos discretos, mas elegantes. Nada muito chamativo – só o suficiente para dizer "sou uma mulher de negócios séria, mas sei impressionar".
Ana começou a rir sem parar.
- Você deve ser minha estilista oficial. Ou minha treinadora de confiança.
Fran pisca para ela de canto.
- Posso fazer os dois papéis, agora vamos que essa noite promete ser inesquecível!
Após pintar-se com esmero Ana volta a se olhar no espelho antes de ter certeza se deve ou não sair do quarto, ela ouve Fran bater na porta.
- Vamos Ana, apronte-se logo! Vais acabar se atrasando!
- Não sei amiga, acho que não vai dar certo, acho que deveríamos desistir!
Nessa hora Fran abre ao porta do quarto em um rompante.
- O que estás a dizer? – Pergunta incrédula, mas suas palavras morrem assim que vê a amiga deslumbrante no vestido cor de vinho, a fenda lateral dá uma bela visão das pernas longas e firmes, o leve tom bronzeado de sua pele se destaca, a maquiagem de tons leves abre ainda mais o tom mel da cor dos olhos, enquanto o decote do vestido desenha o contorno dos seios redondos. – Minha nossa, não é você, espera, é você sim!
- Não, Fran não sou eu, essa aqui não é a Ana e nunca será, não se esqueça que é teatro, para todos os efeitos hoje sou Marina Barbosa, arquiteta renomada e reconhecida mundialmente.
Fran bate palmas animada.
- Isso aí! Assim que se fala, agora pare de ver problema e vamos em frente, a Juli já está te esperando lá em baixo.
Ana dá um último abraço em Franciele.
- Muito obrigada por isso amiga, não sei o que eu faria sem você, eu jamais iria tão longe assim.
- Não seja boba, estou achando isso fantástico, vou esperar acordada para saber de tudo!
Elas se despediram animadas e Ana seguiu para o carro onde Juli já a esperava.
O salão principal do hotel de luxo é uma obra-prima da arquitetura moderna, com lustres de cristal imponentes pendentes do teto alto, refletindo a luz em um brilho dourado que banha o ambiente. As paredes são decoradas com painéis de mármore e detalhes dourados, enquanto as mesas redondas estão cobertas com toalhas de seda branca e arranjos florais sofisticados. Os convidados, vestidos impecavelmente em trajes de gala, conversam em grupos, segurando flautas de champanhe.
Ana entra pela grande porta de madeira ornamentada. Seu vestido vinho brilha sob as luzes do salão, e sua postura reflete a confiança que Franciele insistiu que ela adotasse. Embora seu coração esteja acelerado, ela mantém o queixo erguido e um leve sorriso no rosto.
Ana começa a divagar em pensamentos... "Certo, Ana é agora. Confiança. Eles não sabem quem tu és, mas também não sabem quem não és".
Ela desliza pelo salão, fingindo naturalidade. O som de risadas refinadas e conversas abafadas ecoa ao seu redor. O aroma de pratos requintados e do champanhe preenche o ar. Ela sente os olhares de alguns convidados sobre si, mas escolhe ignorar.
No canto oposto do salão, Ana finalmente avista Fabrício. Ele está cercado por um pequeno grupo de pessoas, rindo com uma taça de vinho na mão. Alto e carismático, veste um esmoquin impecável que parece feito sob medida, e seu sorriso exala confiança e poder.
Novamente Ana se perde em pensamentos. "Aí está você, o homem que destruiu meus sonhos, mas hoje querido, hoje a conversa será outra".
Ela caminha em direção ao grupo, tentando parecer como se pertencesse àquele ambiente. Antes de chegar perto o suficiente para ser notada, ela dá uma última olhada ao redor para ajustar sua estratégia. Ao lado de Fabrício, ela percebe uma mulher elegantemente vestida, provavelmente uma executiva, e um homem mais velho, claramente um investidor ou parceiro de negócios.
Ana se aproxima tomando um ar de confiança na voz, lembrando-se exatamente de como Franciele tinha lhe ensinado.
- Boa noite. Espero não estar a interromper. Fabrício, certo?
Fabrício desvia o olhar da conversa, surpreso com a interrupção. Ele a analisa por um momento antes de sorrir educadamente.
- Sim, sou eu. E a senhorita é...?
- Marina Barbosa. Sou uma grande admiradora do seu trabalho e queria aproveitar esta oportunidade para trocar algumas ideias consigo. Afinal, nem sempre temos a chance de conversar com alguém tão influente.
Fabrício sorri claramente lisonjeado, enquanto os outros no grupo olham curiosos para Ana. Ela sente a tensão nos ombros diminuir levemente – o primeiro passo foi dado.
- Bom, Marina, parece ter conseguido prender minha atenção, então sobre o que gostaria de falar?
Ana ergue o queixo e sorri com elegância, pronta para impressioná-lo e virar o jogo a seu favor.