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A namorada de mentirinha do CEO arrogante

A namorada de mentirinha do CEO arrogante

Autor:: Danny veloso
Gênero: Bilionários
Uma mulher traída. Um chefe arrogante. Uma mentira perigosa. Você já se imaginou em um dia dos infernos? Eu tive um dia assim. Primeiro, me adiantei e cheguei no trabalho duas horas mais cedo, fui demitida e quando cheguei em casa, descobrir que meu namorado estava me traindo com a minha amiga. Eu não era de acreditar em azar ou que as pessoas nascessem com esse mal, no entanto, eu era uma dessas pessoas. Tive que recomeçar do zero, sem lugar para morar e nem um trabalho, e quando finalmente achei que as coisas tinham melhorado, descobrir que o meu novo chefe, além de ser lindo de morrer, como um modelo de capa de revista, também era arrogante, irritante e provocativo. O pior era que eu tinha três meses para provar que era realmente boa no trabalho, caso contrário, seria demitida de novo. Eu só não esperava que uma mentira iria mudar tudo. Eu teria que fingir ser a namorada dele. Teria que dizer que o amava e o pior de tudo, beija-lo. Henrique podia ser o pior dos chefes, mas não sabia se resistiria a ele.

Capítulo 1 Elisabete

Elisabete

Eu não era de acreditar em superstições e mau agouro, porém hoje estava sendo um daqueles dias em que tudo dava errado.

A sorte nem sempre estava a meu favor, no início pensava que era coisa da minha cabeça, que tinha que me esforçar mais para conseguir as coisas, mas com o tempo, tive que admitir que havia algo errado.

Mesmo que ainda negasse que alguém podia carregar esse mal, alguns fatos ainda me faziam ficar em dúvida.

Hoje era um desses dias.

Não sei o porquê, mas meu celular alarmou muito cedo.

Muito adiantado!

Duas horas adiantado!

Quando olhei no aparelho, achei que estava atrasada, pois as horas marcavam duas horas a mais do que eu esperava. Quando olhei no espelho, meu rosto parecia ter sido amassado por um trator e o pior de tudo era que eu achava que não tinha tempo para tomar café.

Eu era uma pessoa simpática e bem-humorada, mas de barriga vazia as coisas mudavam, pois uma substituta mal-humorada possuía o meu corpo e me dava dor de cabeça.

Como o dia estava só começando, os ônibus estavam lotados. Não como eu já estava habituada, mas de forma anormal. As pessoas se amontoavam como em uma lata de sardinha, e o cheiro não era dos melhores.

Eu não sabia como alguém poderia sair de casa de manhã sem tomar um banho.

Quando cheguei à empresa, não havia ninguém além do vigia.

Para falar a verdade, eu deveria ter notado as pistas durante o trajeto.

Primeiro, estava mais frio que o normal para as oito da manhã. Até o ônibus. Tudo estava lá, porém, como não havia tomado café e havia acordado duas horas mais cedo, o que dificultava o meu raciocínio, não percebi o meu erro.

Trabalhava na empresa Duarte investimentos há três anos e não era na minha área de formação.

Depois que sai da faculdade, você pensa que será tudo um mar de rosas, mas tristemente descobri que o mundo era cruel e existem milhares de pessoas tão boas quanto eu.

Tive que fazer uma escolha: continuava tentando buscar o meu sonho ou pagava o aluguel e o supermercado.

Confesso que passei três anos com os pés no chão, deprimida por não ter conseguido.

- Bom dia, senhor Antônio. - Falei me aproximando do homem de quarenta anos com o sorriso simpático. - O senhor sabe por que está tudo tão... vazio?

O homem me olhou com o cenho franzido, parecendo que eu tinha feito a pergunta mais burra que ele havia ouvido, mas continuei firme, o olhando com um sorriso amarelo.

- São seis da manhã, sabe que as coisas só começam a funcionar aqui a partir das sete. - Ele disse.

Na hora eu ainda estava refletindo sobre a palavra sete, e estava cética sobre o horário. Abri a bolsa abruptamente e peguei o aparelho que estava no fundo, escondido.

- Senhor, são nove horas. - Falei não querendo acreditar no que o homem estava falando.

O homem tirou do seu bolso o celular que não era um dos mais novos da sua linha, e o estendeu para mim, mostrando o horário correto.

Olhei para o objeto, ainda sem acreditar, aos poucos tudo veio à minha mente e desejei morrer.

Nenhum palavrão era o mais adequado para se designar a mim naquele momento. Eu só continuei olhando para o nada, esperando que algum tipo de explicação óbvia viesse a mente, mas nada aconteceu.

Eu poderia ter feito a maior cena na frente do homem, pois sempre que algo assim acontecia, sendo tão cedo, meus olhos se enchiam de lágrimas.

Eu não era assim tão frágil, porém, se meu estômago estivesse vazio e o sono ainda estivesse pairando sobre a minha mente, corroborava para esse fim.

No entanto, optei por me conter e arranjar uma alternativa.

Primeiro, eu teria que comer algo, pois se não houvesse comida no meu estômago, não trabalhava nesse ambiente estressante, e minha chefe era como o próprio diabo.

Se eu ficasse dessa forma até o almoço, com certeza ficaria sem emprego, já que diversas vezes tive que me conter para não a xingar.

A sorte era que o prédio ficava perto de várias lanchonetes, onde eu poderia comer e passar o tempo. Retirei o aparelho diabólico da bolsa e acertei as horas para que não houvesse mais problemas.

***

Depois daquele contratempo inicial, eu finalmente estava melhor. Voltei e comecei o dia com uma pilha de documentos para reorganizar. Carolina estava tensa quando chegou e mal falou comigo, o que era estranho, pois a mulher adorava me importunar logo quando chegava.

Fiquei bastante cansada após organizar tudo. Graças ao sono que me consumia, tive que tomar café a mais, só para não dormir em cima do computador.

No almoço, a chefe saiu mais cedo, ela ainda estava estranha, mas não me importei e dei graças a Deus por ela não ter me incomodado, pelo menos ainda.

Saí com algumas colegas para comer e na volta fiquei envergonhada ao encontrar o porteiro, que era o único que sabia do meu desastre do início de dia.

Antes de ir embora, fui chamada na sala de Carolina e senti a tensão no ar. Eu sentia um mau pressentimento de que iria ser demitida.

Assim que entrei e sentei-me, vi a expressão de preocupação da mulher. Ela estava estranha o dia todo, e agora estava me olhando como se fosse dizer que alguém morreu.

- Alguma coisa aconteceu? - Perguntei cautelosa.

- Sim, infelizmente. - Disse deixando os ombros caírem e se encostou à cadeira. - Falimos.

Ouvir isso fez meu coração pular. Era o nosso fim e a minha demissão. Já havia ouvido rumores sobre as condutas indevidas do chefão. Ele estava roubando e jogava tudo em pôquer.

- O que farão agora? - Perguntei triste.

- Todos vocês serão pagos e o que sobrar será para pagar as dívidas. - Respondeu.

Depois dessa breve conversa, foi acertado o dia que deveríamos voltar e receber. Todos que saíam estavam como eu: tristes e para baixo. Uns piores que outros.

Passei todo o caminho pensando no que fazer. Gastei três anos da minha vida em um emprego que não me valorizava, e nem era do meu ramo. Agora estava sem nada e acreditava que seria difícil arranjar outro agora.

A situação do país não era a melhor e perder o emprego agora seria um grande problema. Mas talvez seja essa a oportunidade que eu esperava para finalmente trabalhar em paisagismo, que era a área que me formei. Eu tinha uma casa, e meu namorado tinha um bom trabalho. Mesmo que demorasse um pouco, talvez conseguisse algo.

Andei poucos metros até a casa que tínhamos alugado. Não era muito grande, mas servia. Vivíamos trabalhando, e era Miguel que passava a maior parte do tempo em casa. Pelo menos até agora.

Entrei já tirando o sapato e jogando a minha bolsa no sofá. As luzes estavam acesas, mas nada do homem. Um barulho vindo do quarto, chamou minha atenção.

Não chamei seu nome, porém, a curiosidade era maior e caminhei até o quarto, devagar. A porta estava entreaberta e quando vi duas pessoas trepando em cima da minha cama, quase caí.

Miguel e Ângela transavam como dois coelhos enquanto eu assistia chocada. Uma raiva tomou conta do meu corpo, e abri a porta com uma batida forte.

- QUE PORRA É ESSA?

Parecia que alguém havia me jogado o pior feitiço do mundo. Primeiro perdi o emprego, agora descubro que sou corna.

Capítulo 2 Henrique

Henrique

Eu gostava de trabalhar. Mantinha minha mente focada e funcionando. Sentimentos são complicados, por isso sempre tentei a todo custo me manter distante.

Foi por isso que minha noiva me deixou. Não que eu não gostasse dela, mas Anastácia era uma mulher muito sentimental e pegajosa.

Eu adorava a sua classe e inteligência, porém, tinha as minhas manias e preferia ficar só.

Muitos diziam que eu era frio e arrogante e, na verdade, sou. Acredito que vários fatores ocorreram na minha vida para que eu tivesse me tornado isso.

No passado eu era mais aberto e compreensivo, mas tudo mudou quando a mulher que eu amava jogou na minha cara que não era isso que ela queria.

Depois de uma tragédia em minha família, pensei que era melhor mudar de atitude e me preservar mais.

Foquei-me mais no trabalho e esqueci o resto. Quando pedi a mão de Anastásia em casamento, não queria amor, queria uma esposa e filhos.

Entretanto, acredito que não deixei isso bem claro e a mulher começou a exigir coisas. Se ela não tivesse terminado, quem teria feito isso seria eu.

Não desejava viver a minha vida, muito corrida, ao lado de alguém que me exigisse tanto.

Isso poderia me tornar alguém frio e solitário, mas não queria viver de mentiras.

Eu não sabia se algum dia algo me faria mudar, mas pretendo achar alguém que me dê um herdeiro. Não sou filho único, mas meu irmão não gosta de arquitetura como eu. Sentia a necessidade de fazer o melhor por essa empresa, e criar meu substituto era uma dessas coisas.

Voltando ao trabalho, eu ainda tinha que me preocupar com a nossa nova contratação. A empresa precisava de uma paisagista, e essa pessoa seria uma assistente para mim, trabalhando em meus projetos.

Gosto de saber e controlar tudo ao meu redor, às vezes, as pessoas consideram isso como arrogância minha. Para se ter sucesso, tudo tem que estar organizado e tranquilo. Se o local de trabalho não for assim, não trará benefício algum.

- Quem será responsável pelas entrevistas? - Perguntei a mulher de cabelos curtos assustada que estava a minha frente, segurando uma pilha de papel.

Ela pensou por alguns minutos antes de responder. Essa era a coisa que mais odiava na Judi, minha secretária. Quando eu fazia uma pergunta, gostava de ser respondido logo, tempo era muito precioso para mim.

- Serena. - Finalmente respondeu.

- Ok. - Falei voltando a prestar atenção nos documentos a minha frente. - Diga a Serena que quero a melhor e a mais responsável de todas.

***

Assim que cheguei em casa, coloquei um pouco de bebida no copo e tomei. Como sempre, cheguei bem tarde.

Minha família sempre reclamava sobre a minha rotina de trabalho, porém, fazia o que gostava e isso não me incomodava nem me cansava.

Tenho poucos amigos e os conheço desde a infância, no entanto, não saímos muito, confesso que era minha culpa, pois sempre afastei todos de perto de mim.

Eles vivem reclamando sobre esse meu comportamento, mas não me incomodo com isso.

Sempre que estou a fim de sair com algumas pessoas para beber ou jantar, era eu que os convidava, porém, eram raros esses momentos.

Meu celular tocou em cima do sofá e já ao longe vi que era a minha mãe. Desde que Anastácia e eu terminamos, a mulher vivia me importunando.

Catarina Vilella sempre desejou que eu me casasse com uma mulher fina, linda e delicada. Sempre que tinha a oportunidade, ela arrumava maneiras de jogar algumas das filhas de suas amigas para cima de mim. Foi assim com Anastácia Alencar, entretanto, não tomarei decisões erradas novamente.

- Mãe. - Falei ao atender o telefone.

Eu já estava cansado e conversar com a minha mãe iria acabar com o resto da minha paciência do dia.

- Querido, como você está? - Perguntou começando a buscar pistas sobre meu humor.

Se eu não a conhecesse, diria que essa era uma reação normal de uma mãe para com o seu filho, no entanto, sei que Catarina estava aprontando algo.

- Bem... por enquanto. - Respondi bebendo o último gole e passando a mão pela minha têmpora. - O que deseja desta vez, mãe?

- Ah, Henrique, até parece que não posso ligar para saber como está meu filho. - Reclamou fingindo estar ofendida. - Mas também queria lhe informar sobre um jantar beneficente.

Eu já adivinhava que poderia haver algo que ela iria me propor.

Jantares beneficentes serviam para dois propósitos: o primeiro, era para esbanjar dinheiro e dizer que os ricos eram benevolentes. O segundo motivo, era para que homens como eu, fossem apresentados a mulheres em busca de maridos.

- Sinto muito, mãe, mas estarei ocupado. - Falei rápido antes que ela continuasse.

- Henrique você tem...

- Quem sabe na próxima. - A cortei. - Amo você, boa noite.

Desliguei o celular antes que ela tentasse me convencer de mais coisas.

Não gosto de ser rude com ela. Sei que a mulher vivia muito deprimida devido ao meu pai, mas não suportava quando minha mãe tentava arranjar uma mulher para mim.

Já cometi esse erro e não pretendo repetir. Sei que já tenho 35 anos e que deveria me casar logo, porém, não queria que essa fosse a função da minha mãe.

Se pretendia arranjar alguém que ficaria ao meu lado para sempre e ser a mãe dos meus filhos, farei isso sozinho, pois sei exatamente o que quero.

***

Quando cheguei à empresa, todos estavam concentrados em seu trabalho e afazeres. Sei que só faziam isso quando estava por perto.

- Que bom que chegou, amigo, temos a reunião com o grupo que está planejando a revitalização dos hotéis no litoral. - Falou Roberto, me acompanhando até a sala de reuniões.

Nos conhecemos no colegial. Ele sempre foi um bom companheiro e muito inteligente. Durante o meu período mais difícil, foi ele que esteva ao meu lado.

Hoje trabalhamos juntos e fico feliz por isso, pois meu amigo era um dos mais criativos.

- Ótimo. - Falei procurando a minha secretária. - Judi! - A chamei em voz alta e todos se assustaram. - Venha!

A mulher minúscula correu em minha direção segurando o seu bloquinho de anotações.

Pedi um café e entramos na sala de reunião onde já estavam à nossa espera.

Uma loira alta com vestido branco que se ajustava ao seu corpo, sorriu ao me ver. Ela era responsável pelos hotéis que seriam reformados.

Assim que começamos, todos se animaram. Eleonor nos contou o que seu chefe desejava para a reforma. Além disso, seriam construídas novas áreas e depois disso, também teríamos que dar uma repaginada, transformando tudo em um local moderno e confortável.

Os hotéis não ficavam muito longe da capital e tinha o privilégio de ficar a poucos metros da praia, onde muitos turistas se hospedariam para a temporada de verão.

Programamos uma visita ao local, onde a mulher disse que o próprio proprietário dos hotéis iria nos receber e nos contar todos os detalhes sobre o que ele desejava. Eu esperava que até lá eu já tivesse a minha assistente, pois segundo Serena, achar a pessoa perfeita para o cargo seria difícil.

Capítulo 3 Elisabete

Elisabete

Foi realmente decepcionante descobrir que meu namorado e minha amiga estavam me traindo. Por incrível que pareça, não me importei em perder o Miguel, pois penso que lá no fundo eu só gostava dele e não o amava. Porém, descobrir que foi traída era algo horrível, agora estava difícil seguir sem saber em quem confiar.

Naquela noite que os peguei juntos, fiz questão de colocar tudo para fora. Disse o que se passava pela minha cabeça e não me arrependia de nada.

Na verdade, estava arrependida por não ter cortado o pau dele fora e feito a vadia o comer.

Conheci Ângela na faculdade e a achei muito legal na época. Eu mal sabia que seria apunhalada pelas costas e ter que arrumar um lugar para morar.

Tenho sorte por ter uma irmã maravilhosa, pois quando liguei para ela, rapidamente Mariana veio ao meu socorro. Eu ficaria com ela até achar um novo emprego, já que não bastava o meu dia ter sido conturbado, ainda descobri que fui traída e não tinha onde morar.

Seu apartamento não era muito grande, mas cabíamos nele. Como minha irmã trabalha como guia turística e vive viajando, seria perfeito para nós.

Eu achava que tudo que aconteceu naquele dia tinha sido um aviso do Destino de que algo estava muito errado. Ainda não sabia o quê, mas esperava que essa maré de azar não permanecesse ao meu lado.

- Não se preocupe, Elisa, você pode ficar o quanto quiser na minha casa. Eu mal fico aqui mesmo e quando estiver será divertido passar o dia com a minha irmã mais velha.

Mariana era um amor de pessoa. Todos a amavam e ela sempre foi a mais popular na nossa casa. Ela era minha irmã mais nova, porém, depois da faculdade a garota seguiu na sua área de atuação, muito diferente de mim que não tive tanta sorte e optei por trabalhar para me sustentar e deixei um pouco de lado o meu sonho. Entretanto, a minha demissão e essa nova situação em que me encontrava, me deu oportunidade de finalmente procurar o que desejava.

- Obrigada, irmã, você é meu anjo. - Falei a abraçando forte. - Vou arranjar um emprego em minha área, você vai ver, não vai demorar muito.

- Eu espero que sim. Você merece fazer o que gosta, é muito criativa e inteligente, aposto que essas empresas estão perdendo a oportunidade de ter alguém tão inteligente como você. - Disse indo para a cozinha. - Mas agora vamos assistir a um filme muito divertido. Já faz um tempo que nós não temos essa oportunidade.

Ela tinha razão, no meu antigo trabalho eu não tinha oportunidade de sair e me divertir muito. Era trabalho e mais trabalho, sem tempo para folga. Mariana vivia no emprego dos sonhos, ela viajava para o litoral com os turistas nas praias mais lindas de Pernambuco. Outras vezes, ela trabalhava em sítios arqueológicos.

Enquanto ela fazia a pipoca, liguei a televisão e procurei algo decente para assistirmos. Querendo ou não, a minha cabeça ainda questionava muitas coisas sobre Miguel e a traiçoeira que eu chamava de amiga.

- Acha que eles estavam juntos há muito tempo e só eu que era idiota nessa história? - A perguntei.

Eu queria parar de pensar nessa situação, no entanto, talvez a raiva estivesse trazendo tudo à tona em minha cabeça e comecei a questionar vários momentos da nossa vida.

- Eu não sei, mas nunca gostei daquela mulher. Na verdade, nunca pensei que o Miguel faria tal coisa com você, achei que ele te amava. - Disse em um tom triste.

- É, eu também, entretanto, eu não gostava mesmo muito dele, talvez fosse apenas comodismo. - Pensei em voz alta. - Quer saber, é melhor esquecermos isso. O Miguel não vale um minuto dos meus pensamentos mais.

Mariana volta com a pipoca e resolvemos assistir uma comédia para rir muito e esquecermos os problemas. Tinha que focar agora em achar um emprego e ter o meu próprio lugar. Não deveria mais deixar que ninguém me atrapalhasse, esse era o meu futuro e não podia deixá-lo para trás por causa de momentos ruins ou pessoas que não valiam a pena.

***

Não fiquei parada em casa lamentando pela vida medíocre que tive durante esses três anos. Saí e entreguei os currículos nas empresas que eram do meu ramo.

Minha irmã saiu para trabalhar, me deixando sozinha. Como não tinha muitos amigos, fui obrigada a esperar em casa, entediada.

Rezei para todos os santos e deuses existentes no mundo para que eu tivesse uma resposta rápida, pois não queria continuar parada, não suportava ficar em casa sem fazer nada o dia inteiro.

Quem me olhasse diria que eu estava em um romance com o meu celular, pois passei o dia inteiro ao seu lado esperando que ele tocasse.

Quando vim para recife, foquei tanto em estudar e arrumar um emprego que não tive a oportunidade de sair e conhecer tudo o que deveria, por isso não tinha tantos amigos, e justo a que arrumei, me traiu. Claro que isso trouxe um pouquinho de desconfiança, e seria difícil acreditar em mais alguém no futuro.

Meus pais moram no interior, bem distante. Eles vivem de forma humilde e nos criaram com poucas coisas, mas nem por isso nos deixaram negligenciadas, nos ensinaram que não precisamos de muito para sermos felizes, apenas de pessoas que valham a pena.

Quando a minha irmã também veio para cá, eu já não precisava ficar mais só. Ela estudava e morava comigo, e podíamos sair para nos divertir.

Conheci o Miguel quando trabalhava em uma lanchonete, ele também estudava na mesma faculdade que eu, no curso de física. Gostei dele, pois era inteligente e muito bonito. Mas pensando bem, agora, Mariana tinha razão, ele foi sempre meio esnobe e se achava melhor que todo mundo. Sempre que eu falava sobre o meu sonho quando estávamos juntos, ele fazia questão de me colocar para baixo, dizendo que isso seria impossível para mim.

Antes de vir para cá, passei muito tempo sem ninguém, as pessoas sempre pensavam que eu tinha algum problema, porém, só queria focar no meu objetivo. No entanto, se você não seguir conforme a dança, as pessoas começam a falar e isso sempre foi um problema para minha mãe.

Mas que se dane!

Ninguém deveria viver baseado no que as pessoas vão achar ou não. Era a nossa vida, e somos nós que escolhemos o que queremos ser ou não, caso contrário sempre iremos viver infelizes, pois nem sempre o que as pessoas desejam para nós, era o que realmente nos faria feliz.

Agora mesmo, tinha que me concentrar no que eu queria, e ao ouvir o celular tocar, quase tive um ataque de pânico.

Olhei na tela e era um número desconhecido. Poderia ser qualquer um, mas mantive o meu pensamento positivo.

- Alô. - Disse ao atender.

Eu estava tentando disfarçar a minha ansiedade, porém, estava ficando difícil.

- Alô, Elisabete? - Perguntou a voz feminina do outro lado.

- Sim, sou eu. - Respondo ainda eufórica. Tentei a todo custo me acalmar, mas era a primeira vez em muito tempo que uma empresa me respondia.

- Eu sou a Judi, trabalho para a empresa ART Vilella e gostaria de saber se você ainda está à procura da vaga?

Assim que ela havia acabado de falar, afastei um pouco o telefone do ouvido, para que a mulher não ouvisse a minha histeria. Já fazia um tempo que eu desejava fazer uma entrevista nessa empresa, mas as vagas eram muito disputadas.

- Claro que sim. - Respondi ainda me abanando.

- Ótimo, estou agendando sua entrevista para amanhã, ok? - Falou a mulher que mais parecia um anjo.

- Ok, estarei aí. - Respondi.

Antes de desligar, Judi me passou os detalhes sobre a entrevista. Eu sabia que não seria a única a ir até lá, mas eu faria de tudo para ser a melhor de todas.

Assim que a ligação foi encerrada, eu praticamente saltitei de tanta alegria.

***

Ao chegar na frente do prédio alto e moderno, fiquei impressionada com a sua beleza. Era realmente luxuoso. Eu nem sabia que existia edifícios tão modernos em Olinda, pois a cidade era conhecida pelas casas e prédios antigos.

Sem perder tempo, adentrei o lugar. A ART Vilella ocupava os três últimos andares, e ao chegar perto do elevador, três mulheres já o esperavam. Não sabia se elas já trabalhavam aqui ou não, mas dava para ver que não vieram para brincadeira, elas estavam lindas.

Se elas fossem minhas concorrentes e essa fosse uma disputa de moda, eu estaria ferrada. Saí de casa com um traje formal. Uma saia lápis e uma blusa de manga longa, solta.

Assim que saímos no andar onde seria a entrevista, tive a confirmação de que essas mulheres eram realmente minhas concorrentes. Mas não me preocupei, já que eu era muito bem qualificada, apesar de ainda não ter trabalhado fixamente no ramo.

Judi, que era a secretária do todo-poderoso, apareceu para nos indicar onde seria a entrevista.

Eu estava bem nervosa e precisava de um pouco de água para que me acalmasse.

Pedi informação a ela, que me indicou uma sala que servia de copa para alguns funcionários comer e beber água.

Fui até a sala e bebi um pouco de água. O lugar não era muito pequeno e tinha muitas coisas para os funcionários. Respirei fundo ao sair da sala, mas meu corpo se chocou contra uma parede de músculos que fez com que eu recuasse um pouco e quase caí.

- Meu deus, desculpa, eu não...

Meus olhos procuraram a vítima da minha desatenção e senti que meus pulmões quase pararam de funcionar. Ele era alto, tinha ombros largos, olhos verdes intensos e uma barba rala que me fez arrepiar. Suas mãos seguravam minha cintura para que eu não fosse ao chão.

Mantive minhas mãos em seu peitoral largo, ainda boba pela sua imagem perfeita.

- Você deveria olhar para onde anda. - Ele disse com sua voz grossa e arrogante.

A magia acabou no mesmo instante que seu olhar se tornou frio. Pisquei duas vezes raciocinando sobre todo o ocorrido.

- Desculpe-me, mas o senhor também teve culpa. - Falei me defendendo.

- Como posso ter culpa nisso se foi você quem esbarrou em mim? - Me questionou cerrando os olhos.

Era inegável que esse homem era lindo e charmoso, mas tudo isso não ofuscava a ignorância e a rispidez que destruía a bela obra de Deus.

O olhando atentamente, o bonitão de olhos verdes parecia um modelo de capas de revista chique. Podia apostar que esse babaca era um arquiteto ou engenheiro. Mesmo tendo muita gente legal, essas áreas eram cheias de homens e mulheres egocêntricos.

- Foi você que apareceu de repente. - Falei convicta. - Quer saber, não posso ficar aqui, tenho o que fazer. Tenha um bom dia.

Afastei-me dele e comecei a caminhar para longe, no entanto, seus longos dedos impediram que eu me afastasse bastante.

O simples toque de suas mãos fazia com que meu corpo perdesse a compostura. Olhei novamente para seus olhos e pude ver um brilho que não vi antes.

- Como se chama? - Perguntou curioso, franzindo o cenho.

- Isso não interessa a você. - Respondi ainda chateada.

Sem dar espaço para mais questionamentos, saí. Na verdade, eu estava fugindo. Ficar poucos minutos ao lado desse homem me fez sentir coisas que nunca senti com Miguel, e isso era estranho.

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