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A nerd e o CEO

A nerd e o CEO

Autor:: Stefania
Gênero: Romance
Violeta e Felipe trabalham na mesma empresa há cinco meses, já se encontraram pessoalmente, mas o CEO que causava medo em seus funcionários nunca reparou realmente na jovem garota da TI, até o fatídico incêndio na cafeteria preferida de Violeta, que não apenas fez Felipe reparar na loirinha, mas descobrir uma aliada em seus planos para descobrir o verdadeiro culpado pelos desvios em sua empresa. Um incêndio, uma investigação e uma criança fofa e super inteligente, vão unir essas duas pessoas tão diferentes, mas que juntas conseguem transformar um dia desastroso em algo memorável.

Capítulo 1 Prólogo

Minha vida era estranha, muitas coisas mudaram desde um certo incêndio, me envolvi em investigações, discussões com funcionários suspeitos e subi muitas vezes até o último andar da empresa onde trabalho, mas esta não é exatamente a melhor parte dos meus últimos meses. Até mesmo um pequeno garoto de cinco anos de idade era capaz de me conquistar e querer enchê-lo de brinquedos e quebra-cabeças. Mas quer saber o melhor de tudo, além dos meus frequentes consumos de cafeína? O pai da criança.

Bom, se há dois meses atrás me perguntassem se era possível eu estar dando para o meu chefe, na sala dele lá no último andar do prédio, a resposta seria não. Se me perguntassem hoje, ela ainda seria não, já que não gosto de usar esse tipo de linguagem. Agora, se estamos transando sempre que possível - escondidos para que ninguém da empresa descubra e as dores de cabeça com indiretas comecem -, então preciso admitir que sim. Nada na minha vida parece acontecer de forma tranquila e unicamente boa, nem mesmo sexo.

Ah, mas que falta de educação a minha, nem me apresentei ainda. Eu me chamo Violeta Ramos, tenho 25 anos e trabalho como TI em uma empresa que fabrica materiais esportivos, dos mais diversos tipos que a gente consegue imaginar. Sempre me orgulhei de meus esforços para chegar onde estou, até mesmo com respeito dos meus colegas de profissão, mas talvez eu esteja colocando tudo em risco ao transar com meu próprio chefe, mesmo não ganhando vantagem alguma com isso. Só havia o coração e o corpo gostoso dele, claro, e essas são as únicas coisas que eu quero dele.

Eu até mesmo tenho uma família amorosa, com meus pais ainda casados e felizes e um irmão enorme que é bombeiro, mas super fofo com aqueles que ama, então apesar dos esforços na área profissional, nunca tive qualquer problema ou desilusão na questão pessoal e familiar. O que isto quer dizer exatamente? Que eu poderia muito bem ter me concentrado apenas no meu trabalho, resistido àquele belo homem que vestia ternos como ninguém, e seguido minha vida como se nada mais estivesse acontecendo, mas parece que não podemos mandar em tudo. Meu coração, e outras partes do meu corpo, não são computadores, eu não posso apenas programá-los de novo, por isso eu deixei Felipe entrar na minha vida, na vida Violeta pessoa e não programadora. Eu deixei que ele passasse a se tornar cada vez mais parte da minha vida, da minha casa, dos meus pensamentos, e talvez do meu coração também, embora este detalhe eu provavelmente deixe bem escondido por muito tempo.

...

Trabalhar em uma empresa como essa não é fácil, não só pela grande lista de coisas que precisam ser feitas e mantidas por diversos setores dentro desse prédio, como pelas pessoas que precisam conviver em harmonia, para que nada saia do seu lugar devido e chegue ao consumidor com defeitos, assim como para que todos não precisem sair do prédio direto para um bar. Mas estou sendo básico nessa descrição, afinal, no meu caso, com a minha empresa, ainda existe um fator a mais para preocupação, apesar de ser um problema que me trouxe até aqui, que me fez reviver emoções que pensei serem impossíveis, que me fez voltar a acreditar em amor e a colocar os olhos em uma loirinha baixinha, de olhos azuis hipnotizantes e superinteligente.

Mas tanto eu, quanto ela, sabemos que nosso status de funcionária e chefe não teria mudado apenas porque nos envolvemos em uma investigação estranha e muito pessoal para mim mesmo, mas porque um incêndio aconteceu. Foi o melhor dia da minha vida, embora não tão bom assim para a cafeteria. Pena para eles.

Meu filho, também concordaria comigo se estivesse disposto a falar, mas aquela criança pode ser muito parecida com Violeta quando quer, nem parece que é meu filho. A criança é um gênio, adora brinquedos que o fazem pensar, principalmente os que ganhou de uma certa mulher loira, e sempre consegue o que quer de mim... assim como ela. Minha vida, fora daquela maldita empresa, era incrível.

O fato é: ser o CEO da empresa que está a gerações na minha família, e que eu a fiz chegar ao patamar que está hoje, costumava ser um desafio e tanto, mas depois dos últimos acontecimentos na minha vida pessoal, que se misturou com a profissional - que envolviam transar com uma subordinada, responsável pela área de TI da empresa e que eu ainda não tinha reparado, antes do grande incidente na cafeteria -, percebi que era a parte mais fácil do meu dia.

Tudo que mais fazia era imaginar Violeta sentada em frente a tela de seu computador, concentrada e sexy com aqueles óculos de armação vermelha, fazendo a minha concentração ir para o espaço. Isso me fez lembrar que eu sequer me apresentei ainda. Violeta com certeza iria rir da minha cara se soubesse disso. Nunca tinha visto uma mulher capaz de fazer tantas coisas ao mesmo tempo como ela.

Bom, eu me chamo Felipe Vasconcellos, tenho 34 anos, CEO e, como me foi dito recentemente, perdidamente rico e gostoso. Estou proibido de falar o nome da autora deste elogio, mas saibam que ela tem os mais lindos olhos azuis que já vi e uma bunda realmente espetacular. Não podia deixar de dizer isso, é importante.

Sou pai, tenho uma família formada praticamente por mulheres, com duas irmãs mais novas e uma mãe amorosa - sim, eu tive um pai e de certa forma tenho um irmão mais velho, mas estes são homens que nunca fizeram realmente parte da minha vida, de toda ela, apenas serviam para me trazer desgosto e muita raiva, desde que eu mesmo era uma criança.

Nada disso é fácil, mas a presença de Violeta mudou tudo e me fez ter esperança de que mais coisas boas estão por vir, se finalmente desvendarmos esse maldito mistério e grande problema da minha empresa. Já precisei evitar que Violeta ameaçasse uma secretária na área de finanças, por muito pouco inclusive, então não havia muito mais tempo, antes que boatos começassem a se espalhar.

E, o mais importante de tudo, inclusive do problema que estamos tentando resolver na empresa, se não fosse um acidente na cafeteria, nunca teria olhado para a mulher da minha vida e essa história precisa ser contada.

Capítulo 2 Pegando Fogo

Violeta

O mês de maio havia começado bem empolgante no meu trabalho, cheio de problemas para serem resolvidos e sem tempo para que pudesse ser incomodada por meus colegas de empresa. Não, eu não estou sendo sarcástica, eu sequer sei fazer isso direito, mas a questão é que não sou uma pessoa muito social, tenho um grupo de amigos que estão na minha vida desde a infância, com a exceção de Victor, que aprendeu muito rápido o quanto aprecio meus momentos silenciosos - minha mente já faz barulho suficiente sem precisar jogar conversa fora -, e ele se tornou então minha companhia favorita durante a faculdade. Foram quatro anos complicados, que se tornaram um pouco mais leves com meu novo melhor amigo do meu lado.

Mas, desviei do assunto. Faço isso com mais frequência do que gostaria. Estava contando que não sei ser sarcástica. Eu realmente amo dias como o que me esperava quando chegasse na empresa e ligasse a tela do meu computador. Quando me candidatei para a vaga, não imaginava que precisaria resolver tanto pepino e a confusão que o antigo responsável pela área tinha deixado, mas realmente não me vejo reclamando disso. Eu amo o que faço e me adaptei melhor do que imaginava ao meu emprego.

Só que antes de começar de fato o meu dia, eu precisava de uma boa dose de cafeína. Nada melhor do que um copo grande de café preto com muito açúcar às sete da manhã da minha cafeteria preferida para acordar de verdade. Ela fica do outro lado da rua da empresa onde trabalho e se tornou meu ponto de parada de toda manhã e foi onde meu dia perfeito que mal tinha começado, entrou em colapso.

Eram só sete da manhã, eu estava na fila para pedir meu café habitual, atrás de um dos homens mais lindos que eu já coloquei meus olhos. Quase dois metros de pura gostosura, ele tem ombros largos, músculos que se destacam no terno feito sob medida, mas não de forma exagerada - eu não sou uma grande fã de caras com músculos demais -, além de cabelos castanhos claros e hipnotizantes olhos castanhos como avelã.

Como eu sei disso se ele estava de costas para mim? Isso é porque o homem se chama Felipe Vasconcellos e é o meu chefe, ou melhor, o grande CEO da empresa onde trabalho que arranca suspiros e xingamentos sempre que passa pelos corredores. Apesar da beleza, nunca o vi conseguir ou entregar um sorriso sequer de seus funcionários. Pelo que percebi nesses cinco meses desde que entrei para o grupo de funcionários, ele era o tipo de chefe que acreditava que o melhor era sempre manter distância de relações amigáveis com seus subordinados.

E como se tivesse sentido a secada que eu estive dando em sua bunda, que ficava linda naquela calça social, ele se virou, me prendendo em seu olhar intenso. Sem demonstrar ter me reconhecido, em segundos voltou a atenção para o que estava a sua frente. Eu faria o mesmo se tivesse um café sendo entregue a mim... a menos que a outra vista fosse dele, confesso.

Minha concentração na bunda do meu chefe, no entanto, foi cortada assim que ouvimos um grito vindo de trás do balcão. Saltei pelo susto ao mesmo tempo que ele deu um passo para trás, virando o café em si mesmo no processo.

- Merda! - xingou, mas até mesmo ele paralisou ao ver as chamas que surgiram do nada.

Nem mesmo os funcionários pensaram em impedir o fogo, apenas correram para a saída. Na pressa de todos, pela primeira vez na vida, fiquei aturdida com a situação e me vi tropeçando em meus próprios pés, ao mesmo tempo em que desviava das pessoas que passavam correndo na direção da saída.

Senti mãos grandes me segurando e impedindo que mais uma pessoa trombasse comigo, se colocando ao meu lado. Ao erguer o olhar para agradecer a ajuda, encontrei os familiares olhos castanhos de Felipe, que me estendeu a mão que esteve firme no meu braço.

- Ei! Segura minha mão. Vou nos tirar daqui. - disse ele, embora tenha parecido mais uma ordem do que um pedido.

Assenti, sem conseguir encontrar minha própria voz e segurei a mão dele, que pareceu engolir a minha. Apressado, Felipe seguiu as poucas pessoas que restavam para a saída, me puxando junto com ele. Só paramos ao atravessar a rua e deixar a intensa movimentação de pessoas para trás.

- Obrigada! - disse, quando paramos na calçada do outro lado da rua, assistindo os bombeiros chegando e seguindo para apagar o fogo.

Senti os olhos de Felipe no meu rosto, mas permaneci focada na cafeteria, enquanto retomava a respiração e me acalmava.

- Está melhor? - perguntou ele, parecendo preocupado.

- Estou bem. Foi só um susto. - respondi e por alguma razão, ele não parecia acreditar em mim.

- Tem...

Antes que Felipe tentasse de novo, foi interrompido pela presença enorme de um homem com a farda do corpo de bombeiros. Precisei de alguns segundos para reconhecê-lo e imaginei que meu chefe não estava tão errado assim em duvidar do meu estado. Se eu não reconheci meu próprio irmão, eu não estava bem. Tirando seus cabelos pretos, quando estávamos juntos era como se olhar no espelho.

- Violeta! Você está bem? Quando reconheci a cafeteria, fiquei preocupado. - gritou Jonas, por cima das vozes alteradas do outro lado da rua.

- Foi um susto e tanto, mas estou bem. Vá apagar o fogo, não posso ficar sem minha cafeteria preferida. - mandei, arrancando um sorriso do bombeiro enorme na minha frente.

Apesar do meu irmão ser um grande pedaço de mal caminho, tão bonito quanto eu mesma, quem nos via na rua, jamais chegaria perto, já que Jonas sempre andava de cara fechada por aí, parecendo ainda mais assustador com os músculos e o tamanho. Tínhamos os mesmos olhos azuis do nosso pai, mas enquanto eu havia herdado os cabelos loiros dele, Jonas tinha ficado com os cabelos pretos da nossa mãe. Todos os filhos do seu João e da dona Vitória, nossos pais, tinham os olhos azuis.

- Já está controlado. Por sorte, eles só vão precisar dar um jeito na cozinha. Chegamos a tempo para impedir de algo pior acontecer. - A voz do meu irmão me trouxe de volta e assenti rapidamente, mostrando que tinha ouvido.

- Se cuide. - pedi, como sempre fazia.

- Digo o mesmo irmãzinha.

Após me dar um beijo rápido no rosto, ele correu de volta para o seu posto no caminhão de bombeiros e eu estava pronta para ir trabalhar. Ao me virar, no entanto, dei de cara com Felipe, parecendo concentrado em mim.

- Eu a conheço de algum lugar? - perguntou ele, de repente, me fazendo rir e esquecer da confusão em que estávamos minutos atrás.

- Bom, foi você que fez minha entrevista de emprego, então acredito que sim. - respondi depois de ganhar um olhar assustado.

- Trabalha na minha empresa?!

Fechei a cara na hora, sentindo o pouco do bom humor que tinha restado ir embora ao vê-lo tão chocado com a notícia.

- Se me der licença chefinho, preciso ir para o trabalho antes que me descontem por chegar atrasada.

Ajeitei minha bolsa no ombro e lhe dei as costas, mas não devo ter dado mais que cinco passos antes de sentir, de novo, aquela mão em meu braço.

- Ei! Desculpe, eu não tinha prestado atenção. Devia ter reconhecido você. - ele falou rapidamente assim que o encarei.

Chocada com o pedido de desculpas apenas assenti, mas ele não parecia satisfeito.

- Que tal eu lhe pagar um café? Como um pedido de desculpas, seu chefe não vai se importar se chegar alguns minutos atrasada, prometo. - continuou o homem, me fazendo sorrir, embora estivesse ainda mais surpresa por vê-lo brincar.

- Não sei se notou, mas a cafeteria pegou fogo. - respondi, apontando para o lugar que finalmente começava a ter apenas os bombeiros e os funcionários na frente. Os curiosos já estavam indo embora.

- Tem uma outra bem no final da rua. Já sei que não é a sua preferida, mas acho que serve para um pedido de desculpas.

- Eu não sei...

- Por favor?!

Soltei um suspiro. Aqueles olhos me fariam dizer sim para o que ele quisesse. Infelizmente café era a única coisa que eu poderia ganhar daquele homem, então não faria mal aceitar.

- Está bem, mas fique sabendo que se meu chefe brigar comigo, vou colocar a culpa em você.

Seguimos juntos ao som da risada de Felipe. Quanto a reação do meu corpo aquele som, preferi ignorar. Um incêndio era suficiente para uma vida toda.

Capítulo 3 Mocaccino

Felipe

Eu tinha certeza de que meu dia seria um grande desastre. Uma pilha de papéis para assinar me esperavam na minha mesa, que eu havia feito questão de ignorar no dia anterior e já me arrependia amargamente. Não bastasse isso, ainda fui impedido de tomar um muito bem-vindo café, por algum funcionário incompetente da cafeteria que deixou alguma coisa pegar fogo, o que comprovava minha teoria de que o dia seria um inferno. Mas, quando me vi seguindo para uma segunda cafeteria, na esquina da empresa, ignorando a mancha de café que tinha em minha camisa antes impecável, ao lado de uma linda mulher, com os olhos azuis mais incríveis que eu já tinha visto, para mais uma vez buscar um café, as coisas começaram a mudar.

Não estava brincando quando disse que não sabia que ela trabalhava para mim, mas agora me arrependia de não ter prestado mais atenção nela antes. Depois de minha crise de riso, que não acontecia a muito tempo, com ninguém além do meu filho, chegamos ao tópico seguro que era o trabalho. Descobri que ela fazia parte da TI - o que explicava o fato de eu não ter reparado nela naqueles cinco meses que Violeta trabalhava na empresa, já que eu passava longe dos nerds da informática -, e era realmente inteligente, mas não de um jeito que fizesse eu me sentir um idiota. Já havia acontecido vezes o suficiente para mim.

Abri a porta da cafeteria, deixando que entrasse primeiro e não consegui frear meus olhos de analisar cada curva daquele corpo pequeno perto do meu, mas que parecia perfeito para mim. O cabelo loiro caía em ondas as suas costas, era grande o suficiente para puxar e parecia tão macio que minha mão pareceu coçar para conseguir passar os dedos nele.

- O que tu vai pedir? - perguntou Violeta, me fazendo subir o olhar para seu rosto, alheio a secada que eu havia acabado de dar em seu corpo.

- Um mocaccino, mas eu posso pedir para nós. - respondi, confuso com a surpresa que apareceu, de novo, em seu olhar.

- Interessante.

- O que?

- Nada. Vou querer ele puro. Vou esperar ali.

Ela apontou para uma mesa do canto e quase correu para lá. Sentindo a ansiedade para me juntar à mulher, fiz nossos pedidos e aguardei, freando a vontade de bater o pé, impaciente como uma criança, como realmente me sentia. Espiei onde estava sentada e Violeta estava concentrada em seu celular, digitando rapidamente, desta vez usando óculos de armação vermelha. Ali, finalmente consegui me lembrar de sua entrevista, dos olhos que ficaram baixos a maior parte do tempo, escondidos pelos óculos, ou eu achei que estavam escondidos. Não tinha reparado em seus olhos azuis e muito menos em suas feições suaves, que me deixavam com uma vontade terrível de ficar encarando.

- Felipe! - A voz da atendente me despertou das lembranças e peguei os copos, agradecendo rapidamente, antes de seguir para Violeta.

Ela levantou o olhar assim que coloquei o copo à sua frente.

- Aqui. Espero que consiga beber este. - disse, tentando sorrir ao me sentar de frente para ela.

- Obrigada. - respondeu, embora parecesse absorta em pensamentos naquele momento enquanto sorria.

O silêncio então surgiu e o sorriso se apagou enquanto via Violeta levar o copo aos lábios vermelhos. Combinava com os óculos, pensei, assim como o que mais ela podia fazer com eles, embora não devesse levar meus pensamentos para o lado sexual. Ela era minha funcionária e eu precisava respeitá-la antes de qualquer coisa.

Sabendo disso, sabia também que precisava me distrair urgentemente e decidi fugir para o tópico trabalho novamente.

- Como está sendo trabalhar na empresa? Está gostando? - perguntei, quebrando aquele silêncio estranho.

- Não é ruim. É difícil algumas vezes, você deve saber que esta é uma área dominada por homens, mas... encontrei alguns aliados também.

Meu rosto deve ter se fechado com aquela informação, já que ela tentou amenizar, balançando a mão como se não fosse nada demais. Mas, ser cercado por mulheres na família me fez crescer com a consciência do quanto era difícil para elas estarem no mercado de trabalho, entre outros tantos obstáculos. Então se tinha uma coisa que não admitia, e tinham muitas outras coisas, era o preconceito dentro da minha empresa.

- Apesar de eu ter sido um cretino por não lembrar de você, quero que saiba que pode me contar sobre qualquer incidente em seu setor. Não me importa de quem seja. Não admito nenhum tipo de preconceito na minha empresa. - disse, sério e encarando aqueles olhos hipnotizantes, mostrando que eu não estava brincando e ao vê-la assentir, também séria, torci para que tivesse acreditado em mim.

- Então... como é ser o CEO? Devem surgir muitos problemas para resolver, não é? - perguntou de volta, bebendo e fazendo caretas, o que me fez segurar o sorriso ao perceber aquilo. Ela realmente preferia o café da outra cafeteria.

- Sempre tem ao menos um problema para resolver, mas faz parte de ocupar o lugar que sempre sonhei.

A minha intenção não era relevar mais do que o necessário para responder a pergunta daquela bela mulher, mas seu olhar era tão receptivo que soltei um pouco mais do que devia. Ela me olhava com algo próximo ao entendimento e me recompensou pela honestidade com algo que eu não esperava.

- Você já... teve problemas envolvendo, sabe, erros de produção, desvios financeiros e coisas do tipo? - perguntou.

- O que?!

Confuso, a vi apertando as mãos no colo, o copo vazio à sua frente, obviamente temendo algo. Agradeci mentalmente o fato de, ao que parecia, ter salvado uma funcionária que obviamente achava que tinha algo errado com o setor financeiro da empresa, da mesma forma que eu mesmo desconfiava a algum tempo. A nossa diferença era que Violeta era da área de TI, aumentando minhas chances de conseguir provas para resolver aquela situação de uma vez por todas.

- Violeta, você encontrou alguma falha no setor financeiro, não encontrou? - perguntei o que realmente precisava saber, conseguindo atrair seu olhar de volta para mim. Ela era tão transparente quanto eu e mostrou que tinha entendido que estava tudo bem conversar sobre aquilo comigo.

- Sim, eu fiz. Não estava exatamente procurando, mas vi que tinha algumas informações que não batiam e alguém... - ela se inclinou sobre a mesa, me fazendo imitar sua postura para escutar seu tom mais baixo -, acessou as planilhas de um computador diferente. Acredito que não possam fazer isso de outro lugar que não de dentro da empresa, não é? Eu não perguntei isso para o supervisor, porque não queria me colocar como suspeita de nada.

Meus lábios se esticaram por conta própria, em um sorriso que devia demonstrar o que eu sentia, que era a satisfação de encontrar Violeta.

- Senhorita Ramos... você pode ser a minha salvação!

- Posso?

Assenti, mas antes que pudesse explicar meu celular começou a tocar. O nome da minha secretária surgiu na tela ao tirá-lo do bolso e suspirei, lembrando da reunião daquela manhã. Eu estava atrasado.

- Preciso ir, mas quero conversar com você mais tarde, se for possível. É importante, preciso da sua ajuda.

Violeta assentiu, sorrindo e fazendo sinal para que eu fosse logo.

- Vá, eu também preciso ir. Algo me diz que o supervisor não vai ser tão receptivo quanto o CEO.

- Bem, então vamos juntos, vou lhe acompanhar. Alguns minutos a mais não farão diferença. Eles não podem começar sem mim.

Rindo, ela levantou para me seguir e fomos juntos para mais um dia de trabalho que nos aguardava. Diferente de como havia chegado mais cedo, desta vez eu estava confiante e animado para um dia que previa enfim as pistas que precisava para começar investigar aqueles que estavam contra mim e dispostos a ajudar meu irmão a tomar a empresa de mim.

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