Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > A preferida do ceo
A preferida do ceo

A preferida do ceo

Autor:: Diene Médicci
Gênero: Romance
Daisy mantém um relacionamento virtual com Justin, que parece ter saído do multiverso da Netflix, um empresário de meia idade, muito educado e carismático, um homem que já sofreu o bastante em relacionamentos e decidiu inovar sua vida amorosa. São meses de muitas conversas longas por ligações, mensagens, uma amizade sincera que nasceu de uma pequena sementinha e acabou prendendo dois corações solitários, os unindo cegamente, pois nunca se viram, nem por foto. Começou como uma brincadeira tola e depois se tornou uma coisa séria, o acordo era apenas se verem pessoalmente. Os planos do casal foram interrompidos por um acidente que deixou Daisy em coma, em estado grave. Olívia decidiu encontrar Justin e dar as más notícias, desolada se surpreendeu ao vê-lo, era muito bonito e rico, rapidamente tudo muda de rumo, Daisy precisa de ajuda financeira e sua amiga começa mentir para conseguir.

Capítulo 1 O começo...

Autora Diene Médicci

Capítulo 1

Tudo começou com um comentário sem a menor pretensão de chamar atenção, era a publicação de um meme sobre cachorros brincalhões, Daisy sempre amou cães e sua melhor amiga de intercâmbio Olívia nem tanto, sempre teve medo.

Duas jovens distintas como sangue e água, ou como Olí preferia dizer, os opostos que se atraiam e completavam.

Justiniano conhecido como Justin pelos amigos e familiares, nasceu em berço de ouro, filho de um fazendeiro que soube investir em terras, e multiplicar sua fortuna. Ele é um homem de poucos amigos, um tanto quanto reservado, não gosta de expor sua vida em redes sociais, nem de ficar ostentando, é muito educado e divertido, é o CEO de uma vinícola muito importante no ramo de bebidas.

Era só mais um dia comum, estressante com pilhas de papéis para ler e resolver as pendências no escritório, Justin apaixonado por animais e natureza, estava rindo dos comentários sobre um cachorrinho que destruiu o sapato novo de sua dona, encontrou o comentário de Daisy em um perfil de cursos, dizendo que não brigaria com o pet, porque diferente dos humanos, o doguinho caramelo, iria sempre a acompanhar, ser seu companheiro, mesmo que descalça e sem nada a lhe oferecer.

Compartilhando da mesma idéia, ele curtiu e comentou

" Por isso adoro os animais, são puros e sinceros. "

Ela curtiu e não deu importância, entediado ele abriu o perfil que era sobre cursos de inglês e se deparou com vários vídeos, coisas divertidas, sobre animais, a adicionou e foi curtindo comentando tudo.

Daisy sempre foi abitolada do tipo porra doida mesmo, filha de faxineira cresceu usando coisas usadas e seu jeito determinada de ser, a fez querer evoluir e batalhar por uma vida melhor, aproveitando as oportunidades que a " filha da empregada " tinha, foi estudando e conseguiu uma bolsa de estudos fora do Brasil, sempre se vestiu muito bem e gostava ostentar, quando podia, sua beleza e confiança a faziam uma mulher forte.

Infelizmente perdeu sua mãe antes de poder realizar esse sonho, de se formar e dar uma vida melhor a sua rainha, que sempre a tratou com muito zelo e amor.

Sozinha no mundo a jovem não desistiu e foi atrás dos seus sonhos, no primeiro dia de curso, conheceu Olívia, que diferente dela, era uma menina mais recatada um pouco tímida, a jovem nunca namorou e nem tinha esse tipo de pensamento, filha de um casal mais velho, foi criada a moda antiga, só viajou porque estavam nos planos logo voltar e atuar na área como professora de inglês, morando perto dos pais. Olí sempre foi esforçada e o orgulho da família, nunca fumou ou bebeu, mesmo que longe de casa, com sua amiga insistindo sempre em te levar para a curtição, ela se manteve focada.

Também de classe média baixa, Olí sempre fez vários trabalhos temporários para se manter no intercâmbio, cuidando de crianças, até garçonete ela foi, já Daisy até chegou a ser dançarina de pole dance, no momento mais crítico das dificuldades por lá. Também passeava com cães e fazia faxinas.

Daisy notou a quantidade de curtidas e foi olhar o perfil de Justin, lá só tinha uma única foto dele sentado de costas em uma praia, com um grande cachorro da raça fila ao lado. Ela o adicionou também, começaram conversar a noite sobre castração e uma nova lei de sacrificar animais de rua, durante os dias seguintes a conversa foi rendendo, ela estava curiosa para vê-lo, achando que ele era um homem mais velho, talvez casado com perfil falso a paquerando.

Ele garantiu ser solteiro e brincou

" Não precisamos nos ver, os padrões impostos pela sociedade, atrapalham nossas relações "

" Aceitaria uma amizade a cegas ? "

Ela era segura de si, se achava linda, sensual e realmente era, inclusive não ficava sem pretendentes e seus casos superficiais, regados a muito sexo e grandes prazeres.

Depois de uma semana, tiveram a primeira ligação, para falar sobre uma palestra que ambos assistiram online, ela não gostava de comentar sobre vida pessoal, tinha vergonha de sua realidade, apenas comentou que morava com sua melhor amiga de intercâmbio.

Muito egocêntrico e cansado dos relacionamentos frustrados, Justin quis inovar, era típico dele ter gostos peculiares.

Passaram a conversar sobre o dia a dia, ele comentou que tinha acabado de terminar um relacionamento difícil, regado a brigas e comportamentos tóxicos, confessou que estava escondendo da família o fim do namoro a meses e que iria contar no natal, dali alguns meses.

A amizade começou com a troca de afeto de duas pessoas carentes, a distância de países, tornou tudo mais divertido, doidinha Daisy tomou gosto em conversar com ele, como se o conhecesse, e Olí foi logo contra, dizendo que era muito estranho conversar tanto com um estranho, que poderia estar mentindo sobre tudo o que dizia, eles se chamavam por apelidos, ela usava o nome de Flor e ele apenas Ju.

Eles tinham muitas coisas em comum, amantes da natureza, gostavam de nadar, fazer trilha, acampar, saltar de bung jump, paraquedas, também não tinham medo de bichos e até curtiam a pegada de aventura. As conversas eram tantas e fluíam tão naturalmente, que ele tocou no assunto sobre se encontrarem pessoalmente, em momento algum ele deu a entender que tinha boas condições, de propósito deixou isso escondido, em tom de brincadeira começaram namorar virtualmente e com o trato de só verem a aparência pessoalmente, estavam se apaixonando e as probabilidades eram ótimas de realmente irem adiante futuramente. Ela não tinha condições para estar viajando à toa e nem família para visitar no Brasil, só para vê-lo decidiu ir para casa de Olí com ela, pra passar as festas no fim de ano, juntando dinheiro ambas começaram fazer mais trabalhos temporários, sem jeito algum com cachorros, Olí passava em todo passeio uma vergonha diferente, enquanto Daisy estava aprendendo a adestrar os cães.

Era uma tarde chuvosa e Daisy estava atrasada para entrar trabalhar como babá, correndo na chuva, sofreu um atropelamento, apenas duas semanas antes da viagem. Ela ficou em coma, em estado grave, irreconhecível e teve fraturas no rosto e corpo. Olí era a única pessoa próxima e se desesperou, sem condições para pagar os médicos e internação, foi gastando a reserva da viagem, dias depois quando Daisy se estabilizou, Olí foi pra casa com os pertences da amiga e ligou seu celular, que tinham muitas chamadas e mensagens de Justin, que ansiosamente esperava por sua paixão no Brasil, e desistiu. Assim indo até o país dela de surpresa, como todas as mensagens chegaram juntas, Olí não teve tempo nem cabeça para pensar em muita coisa. Começou ler tudo e logo o celular tocou, com a tela toda trincada, ela atendeu apreensiva

- Alô?

Ele nem acreditou que foi atendido depois de tanto tempo sem respostas

- Flor? Sou eu, Justin . Está tudo bem? Eu venho tentando falar com você, fazem dias. Achei que íamos nos encontrar.

Ela começou chorar, aos prantos disse que não, ele ficou preocupado ouvindo

- O que aconteceu? Eu fiquei confuso, mas decidi viajar para te encontrar. Estou aqui. Querida, eu estou ficando assustado. Podemos nos encontrar?

Ela disse que sim, ele mesmo sugeriu que fosse no café onde ela gostava de ir e vivia postando, Olí mandou o endereço por mensagem confirmando, nem chegaram conversar porque o celular desligou, desolada para contar a tragédia que aconteceu, Olí foi lendo todas as últimas mensagens da amiga, foi ao café no final do dia com o coração partido, estava muito frio. Ela foi usando botas de cano alto, vestido quentinho vermelho e verde, meias calças grossas, dois casacos, cachecol, luvas e touca, como um casulo chegou no café tremendo de frio, toda rechonchuda, Olí era mais gordinha e isso sempre a manteve fora das pistas de azaração, insegura não se sentia bem em mostrar muito seu corpo. Sem nem imaginar a aparência de Justin, encostou no balcão apreensiva

- Olá boa noite, pode me servir um chocolate quente? Com canela por favor.

Enquanto esperava se virou para a porta apreensiva olhando um moço que entrou falando no celular rindo, o acompanhando com o olhar não reparou que ao seu lado um homem a encarava fixamente, reparando em cada detalhe atento

- Moça, deixou cair a nota.

Ele se abaixou e pegou sorrindo

- Brasileira?

Ela olhou decepcionada o rapaz que acabará de entrar indo sentar com uma moça, foi pegando o celular para ligar ao Justin

- Sim sim. Obrigada!

Ele encostou ao seu lado olhando o copo que se aproximava

- Com canela e adoçante, imagino.

Ela foi se afastando com o copo

- Sim.

O celular dele começou tocar, em sincronia com as chamadas dela, ele sorriu apreensivo a olhando se virar de volta

- Acho que me encontrou!

Capítulo 2 Mentirosa...

Olí pareceu ter visto um fantasma, foi ficando pálida com os olhos marejados, o encarando fixamente, Justin se aproximou com aquele sorriso otimista

- Está surpresa, imagino? Minha flor, eu esperei muito por esse momento.

- Podemos nos sentar?

Ainda sem reação ela foi desfalecendo, tendo que ser amparada por ele

- Fique tranquila, querida.

Ela lhe deu o copo com a voz trêmula

- Obrigada! Eu não...

- Justin?

Ele a colocou sentada em uma mesa

- Sim, em carne e osso. Eiii oque foi?

- Por favor, se acalme!

Ela começou chorar sentida até perder o fôlego, o deixando desorientado

- Flor, desculpe, eu não sei como te chamar, podemos nos apresentar formalmente.

- Porque estava a chorar quando conversamos?

- Disse que não estava bem! Aconteceu alguma coisa? Por favor meu bem, se acalme.

Ela chorou mais de dez minutos, ganhou um copo d'água, começou tentar conter o choro enxugando as lágrimas em um lenço de bolso que ele lhe deu

- Ela foi atropelada. Eu não consigo!

Ele foi tentando adivinhar o que estava acontecendo, deduzindo tudo sozinho

- Ela quem?

- Sua amiga que mora com você?

Foi necessário apenas concordar afirmando com a cabeça, ele segurou suas mãos e lhe serviu o copo de bebida

- Sinto muito, não estão mais sozinhas.

- Meu bem, pode me contar tudo, irei ajudar no que for possível.

- Como devo te chamar? Flor não é seu nome, não é? Confesso que imaginei esse momento diferente, com fogos de artifício e música romântica ao fundo, sua aparência é melhor do que eu esperava, seus cabelos são diferentes das suas piadas sobre você.

Ela o olhou perdida, ganhando beijos e carinhos nas mãos, recuou segurando o copo, incapaz de o olhar nos olhos, o deixando muito desconcertado

- Desculpe, eu só quero te acalmar. Com certeza não sou do jeito que você esperava!

- Eu vim de muito longe, cheio de expectativas, criei todo um enredo de como agir ao te encontrar, eu gosto muito de você e não quero ser deselegante, com essa situação toda, sinto muito pela sua amiga.

- Só preciso dizer, estava louco para te ver, abraçar e sentir seu cheiro.

- Desculpe, novamente! Devo te dar um espaço, sou persistente às vezes.

A oportunidade surgiu naquele momento, reparando nos detalhes de Justin, a qualidade das roupas de grife, sapatos de luxo impecáveis, relógio clássico Rolex, ela permaneceu calada pensativa com aquele olhar apático, poderia dizer a verdade e pedir ajuda financeira, afinal porque aquele desconhecido não ajudaria sua namorada, que tanto trocou afeto por meses? Justin havia viajado muitas horas, só para ver Daisy sua flor, como iria negar ajuda?

Mas também, ele poderia não acreditar na história verdadeira e pensar que as duas, eram golpistas ou aquelas mulheres interesseiras.

O celular de Olívia começou tocar interrompendo o silêncio absoluto entre os dois, era do hospital, falaram que era necessário a presença dela lá urgente, a única responsável por Daisy.

Com poucas palavras Olí disse que já estava a caminho, perguntou se tinha acontecido algo grave, não quiseram lhe adiantar nada.

Após desligar ela o olhou angustiada como quem pedirá socorro

- É do hospital.

Justin não pensou duas vezes

- Como sua amiga está?

- Precisa ir até lá, certo? Meu motorista está lá fora, aguardando.

- Posso te acompanhar? Eu devo na verdade! Vou com você.

Rapidamente foram saindo juntos, ele apenas perguntou o endereço, gentilmente a ajudou colocar o casaco, discretamente reparou no corpo e porte físico dela, notando que era gordinha, pegou sua bolsa e lhe amparou conduzindo até o carro de luxo pela cintura, com os pensamentos bagunçados ela permaneceu calada todo o trajeto, teve receio de encontrar sua amiga morta e isso a aterrorizava, tanto quanto o medo que passou sentir, notando que entrou em um carro com dois completos desconhecidos.

Ao chegarem no hospital, ele desceu primeiro, a segurou pela mão ajudando descer do carro

- Vai ficar tudo bem. Seu nome ainda não me disse!

Ela quase que sussurrou se distanciando dele em direção a entrada

- Olívia. Não precisa me acompanhar!

Gentilmente ele a segurou pela mão entrelaçando seus dedos

- Eu quero fazer isso, vou sempre segurar sua mão Olívia.

Era inevitável não aceitar um ombro amigo, ela estava sozinha e assustada, realmente Justin chegou no momento certo.

De mãos dadas receberam as notícias do médico, os exames haviam mudado e o quadro de Daisy era estável, até demais para ser mantida lá sem pagamento e ou convênio, deram um prazo para ela ser transferida e a dívida paga.

Justin ouviu tudo e mostrou ser fluente em inglês, questionando como queriam a transferir naquele estado de saúde, sem dar muita importância e insinuando que não era lá o lugar delas, por serem estrangeiras, o médico ainda ressaltou, que provavelmente ela nunca mais acordaria e era só questão de tempo, até ir a óbito ou ficar naquele mesmo estado, em coma, foi muito grosseiro.

Aos prantos Olívia começou a chorar, se sentou na sala de espera muito nervosa, pois sabia que não teria condições e estrutura para lidar com aquilo, sua vontade era correr pra casa e ir ficar no colo de sua mãe.

Justin se sentou próximo a abraçando

- Por favor Olívia, se acalme, nós vamos dar um jeito.

- Eu vou fazer algumas ligações e já volto, pode ficar sozinha alguns minutos?

- Tenho um amigo aqui perto, que poderá nos auxiliar. Eu volto logo! Tudo bem?

Ela só sabia concordar com tudo, foi chamada para ver Daisy, que estava respirando por aparelhos, irreconhecível e toda machucada. Segurando a mão de sua amiga, Olí pediu perdão, prometendo fazer de tudo para a ajudar, enquanto isso Justin fez duas ligações um pouco demoradas, se informou e providenciou o pagamento de tudo, não se sabia qual era a maior surpresa, ele com condições financeiras para aquilo ou a boa vontade em ajudar quem mal conhecia.

Logo ele foi guiado até o quarto pela enfermeira, entrou de mansinho reparando no estado da moça, sem nem desconfiar da verdade, só quis ajudar, quando Olí o viu se levantou dando espaço, ele caminhou até ela e a abraçou forte consolando

- Eu já resolvi, se quiser podemos voltar para o Brasil juntos, assim que outro médico autorizar, você não precisa se preocupar com nada e sua amiga, vai ficar com a família dela.

- Acredito que eles não puderam vir, lembro que comentou comigo sobre serem de origem humilde. Desculpe se estou sendo invasivo!

Aliviada ela correspondeu ao abraço

- Muito obrigada, eu não sei mais o que fazer. Não temos condições, eu já gastei tudo o que tinha de economias.

Justin garantiu que iria resolver tudo o mais rápido possível, precisou se afastar para conversar com um advogado no celular, e aproveitou para investigar a vida de Daisy, mandou para um amigo da polícia o nome completo dela, e começou pensar no quanto aquilo mudava as coisas, teve pena por ela achando que deixaria os pais sofrendo caso morresse.

Olí passou a noite sentada vigiando a amiga, e ele junto dando toda assistência necessária, também reparando nela, nos trejeitos, a voz calma e tranquila, diferente das ligações que eram regadas a gargalhadas e piadas diariamente.

Ele simplesmente pensou que a namorada estava tímida, e muito preocupada, mas que depois iria tudo ficar normal entre eles.

Na manhã seguinte começaram preparar Daisy para viajar, já cedo ele avisou Olí de que precisavam da documentação delas, para a viagem, ela estava com medo de ser pega mentindo e arriscou pensando em um bem maior, apenas pediu desculpas por estar envolvendo ele naquilo, e prometeu pagar tudo, nem que levasse a vida toda, ele se aproximou afetuoso acariciando seu rosto

- Não pense nisso meu bem. Sua amiga é da família, você sempre disse isso!

-Agora ela está bem cuidada, porque não vamos para o hotel ou sua casa, você precisa comer, tentar descansar um pouco. Eu vou cuidar de você!

Sutilmente ela virou o rosto preocupada

- Não quero deixá-la. É seguro mesmo? Viajar?

Ele começou mexer no celular

- Sim, vamos ter um médico e uma enfermeira de confiança conosco. Preciso dos seus documentos, nome completo, número de...

Ela interrompeu apreensiva

- Preciso falar com algumas pessoas. Não pude avisar ninguém, com medo de deixá-los preocupados . E as malas, eu não fiz ainda, íamos viajar e tudo aconteceu.

- Eu vou pra casa e você pode ir descansar, depois nós nos falamos.

Era nítido o desconforto grande da parte dela o tempo todo, gentilmente ele concordou, ofereceu seu motorista para a levar em qualquer lugar, acabaram saindo juntos do hospital, ainda calada ela roeu as unhas imaginando em como esconder os pertences que poderiam lhe incriminar, ele precisava dos documentos, mais comentou sobre não ter a necessidade de entrar na casa, ela decidiu ser sincera

- Chegamos, é aqui. Estou muito tensa, mas vamos sentar e conversar melhor.

- Quer ir para o hotel e voltar depois, ou entrar agora?

Ele estava um tanto quanto curioso para ver a casa dela

- Acho melhor aproveitar, que estou aqui. Tudo bem se não quiser me receber sozinha, eu juro que as minhas intenções são as melhores possíveis.

- Respeito totalmente seu momento, não quero de modo algum, te deixar em uma situação chata. Não se sinta pressionada pela minha presença Olívia.

Ela o convidou para entrar, foi tirando os casacos, as botas

- Eu só vou tomar um banho quente, e já volto. Pode ficar à vontade!

Ele disse que tudo bem, sentou no sofá, reparando nas fotos em um painel, eram várias das duas com amigos, Daisy em várias festas sempre sorrindo e curtindo.

Olí se trancou no quarto e foi tomar banho mexendo no celular escondido, sua família sabia sobre o acidente e estava angustiada esperando notícias, ela garantiu que Daisy estava melhor e preferiu esconder o fato, de que iria voltar para o Brasil em tão pouco tempo.

Desistindo de revelar a verdade, leu todas as conversas que deu investigando o namoro deles a fundo, pegou o diário da amiga e olhou buscando informações sobre si, notou que era sério o lance da discrição no namoro a distância.

Quando saiu do quarto usando uma roupa mais casual, calça de moletom e camiseta folgada, foi surpreendida, Justin estava sentado com uma caixinha de veludo azul marinho nas mãos

- Acho que não tem nunca a hora certa mesmo. Olívia, quer namorar comigo, pessoalmente?

Capítulo 3 O resgate...

Perplexa consigo mesma, Olí recuou indo sentar distante dele

- Desculpe, eu não posso.

Achando que tudo de estranho era culpa do estresse, Justin gentilmente sorriu

- Tudo bem, eu estou me sentindo um jovem. Muito impaciente! Olívia você é linda, valeu toda a espera.

Desconcertada ela apenas sorriu, sem poder olhar, muito envergonhada em virar uma impostora, ele se levantou, foi indo até ela

- Preciso encontrar um amigo. Volto te buscar mais tarde meu bem!

Beijou seu rosto afetuoso

- Arrume as malas, vamos de voo particular, no mais tardar em dois dias.

- Tudo bem?

Foi muito conveniente apenas concordar, ao menos Daisy estaria em boas mãos, recebendo cuidados médicos dignos, Olí pensou, o que lhe importava ir presa, talvez ser processada, por usurpar o lugar de sua amiga e enganar o namorado rico dela... Era tudo por um bem maior!

Justin saiu pensativo, demorou quase dois dias para conseguir ver Olí e nem por ligações ela quis conversar, com receio de ser pega, trocou muitas mensagens sempre tentando copiar o jeitinho da amiga escrever.

Leu os diários de Daisy dia e noite decorando tudo sobre ele, sua memória boa virou um trunfo, e sua descrição, ajudou os amigos próximos a não perceberem o que estava acontecendo, rapidamente as malas estavam prontas, também vendeu algumas coisas da casa em um bazar de garagem e virou a noite segurando a mão de Daisy dizendo que era tudo por ela.

Quando se reencontraram, parecia uma cena de filme, Justin era um príncipe que lhe deu tudo, sem cobrar nada, a amparou afetivamente e financeiramente, ele quem cuidou de absolutamente tudo, chegou já falando sobre a internação de Daisy em uma clínica no Brasil, apenas questionou onde a família dela morava e se iriam querer ficarem hospedados na casa dele também.

Aquela corda bamba que segurava as mentiras, só estava começando a balançar, Olí pensou rápido

- Eles não podem ir, por enquanto. Acho que estavam passando por dificuldades, tipo brigas familiares, Daisy é incrível, mas... Bom, a família dela...

Ele interrompeu

- Acho que entendo, tudo bem, uma coisa de cada vez. Ainda bem que ela tem você!

Indo para o aeroporto, ele se manteve próximo a segurando pela cintura, a serviu durante a viagem toda, respeitou seu espaço e não tentou ficar conversando, educadamente ela o agradeceu todas as vezes, como trataria um estranho, permaneceu ao lado da amiga, sempre muito preocupada.

Quando chegaram no Brasil, ela se surpreendeu em estar na capital de São Paulo, não muito longe de onde moravam seus familiares no interior, primeiramente passaram no hospital internar Daisy, que estava estável em seu coma profundo, sem nem imaginar que poderia acordar em outro lugar, com tudo mudado.

Já era de noite quando ele se aproximou de Olívia no quarto de hospital

- Meu bem, precisamos ir para casa, você precisa descansar, comer algo, não pode ficar doente, se não, quem cuidará de Daisy?

- O motorista já levou suas malas. Por favor, vamos!

Ele estava acariciando as costas dela enquanto esperava uma resposta, causando desconforto, discretamente Olí se esquivou

- Tudo bem, vamos.

Ambos estavam exaustos, ele quem dirigiu o trajeto todo, um carro de luxo avaliado em mais de duzentos mil reais, a casa era afastada da cidade, em um condomínio de luxo, o olhar dela era de preocupação, o poder aquisitivo dele só ia agravar tudo.

Meio perdido fazendo de tudo para agradar, ele abriu a porta do carro, a pegou pela mão

- Não quero que se sinta como uma estranha, pode ficar a vontade, suas coisas estão no quarto ao lado do meu, caso queira, saberá onde me encontrar facilmente.

Dois funcionários os receberam na sala de estar, um senhor que estava de roupa casual, uma senhora que estava uniformizada com roupa escura, simpática foi pegando a bolsa de Olí, que se recusou a entregar, Justin os apresentou

- Essa é a Olívia minha flor que tem alegrado meus dias a algum tempo. Olí qualquer coisa que precisar, pode chamar a Pilar, ela quem cuida da casa e de mim, a maior parte do tempo.

- E o Mosley te levará para qualquer lugar. Vamos subir, já está tarde, gostaria de poder jantar com você.

Parecendo uma mulher muito introvertida tímida, Olí concordou, subiu olhando a decoração e o tamanho da mansão, ao entrar no quarto se assustou, todas as coisas de Daisy estavam espalhadas juntas das suas, até o cheiro dela pairava pelo ar, Pilar quem deu um jeitinho de deixar tudo mais natural, Justin ficou parado na porta

- Espero que esteja tudo do seu agrado, vou tomar banho e te espero lá embaixo, não vou tomar muito do seu tempo.

- Prometo te deixar descansar!

Olí sorriu, quando a porta se fechou, deitou olhando o teto, imaginando que era a última chance de revelar tudo, covarde ou não, foi se deliciar em uma banheira de hidromassagem cheia de espuma com sais de banho de marca importada.

Exausta acabou pegando no sono, deixando a água transbordar molhando tudo, foi a primeira de muitas gafes que estavam por vir. Quando acordou no susto, Justin batia na porta do quarto

- Olívia, está tudo bem?

- Olívia, eu vou entrar!

Ela levantou as pressas

- Sim, eu estou bem, não entre, já vou.

Escorregou e caiu no banheiro, batendo a cabeça, ele ouviu o grito, entrou no quarto assustado com a água que estava inundando tudo

- O que aconteceu? Está bem?

Nua e atordoada, ela gritou correndo se enrolar na toalha

- Não entre, eu caí, mas estou bem.

Abriu a porta com a mão na cabeça onde doía

- Mil desculpas, peguei no sono e a água transbordou. Eu vou limpar tudo!

- Desculpa!

Justin segurou a risada, notando que ela estava quase chorando, esticou a mão

- Não se preocupe, machucou? Venha comigo! Fique tranquila.

Ela foi indo o acompanhando, engolindo o choro, ele a levou pro seu quarto, a colocou sentada na cama

- Deixe-me ver querida, acho que não está mais sozinha, podemos dar um nome a ele, o galo que vai te acompanhar por alguns dias.

- Já terminou o banho ou não? Pode usar meu banheiro!

Muito envergonhada ela enxugou as lágrimas que insistiam rolar pelo seu rosto corado

- Aiii. Não precisa, eu vou limpar tudo.

Ele a abraçou não muito forte, acariciando seu cabelo

- Não se preocupe, vou chamar a Pilar, pegar gelo e um analgésico para você.

- Só um minuto e eu trago suas coisas para se trocar.

Rapidamente ele saiu e voltou com os pés encharcados, com uma camiseta de banda dela, ela estava chorando com as mãos cobrindo o rosto, ele se abaixou em sua frente

- Podemos relaxar um pouco, você vai comer sua comida preferida e descansar, amanhã eu vou precisar sair cedo, tenho que participar de uma reunião importante.

- Posso te contar tudo, no jantar! Seus olhos me distraem e seu sorriso, que eu quase não pude ver, me instiga a querer te beijar, queria que as coisas fossem diferentes. Todos os meus planos estão indo por água abaixo!

Ela sorriu ficando com o rosto corado

- Literalmente, muita água. Eu sou um desastre! Mil desculpas.

Justin se sentou ao lado dela, acariciou seu rosto a olhando nos olhos

- Não fale assim, acho que o destino nos prega peças.

- Eu quero beijar você, te fazer se sentir bem, não sei como fazer isso.

- Queria poder te amar, do jeito que imaginamos, durante esse tempo todo.

Foi se aproximando quase a beijando, sentindo sua respiração ofegante de pertinho

- Meu bem! Quero te foder devagar e com as luzes acesas .

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022