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A procura do AMOR

A procura do AMOR

Autor:: Thalia Masteguin22
Gênero: Romance
Victoria, uma jovem como tantas outras em sua cidade, desfruta da rotina de estudos, diversão com amigos, mas foge do estereótipo rebelde. Ela não busca holofotes e leva uma vida comum. No entanto, Vitoria enfrenta um dilema: nunca experimentou o sentimento de paixão. Apesar de ter um namorado, a ausência daquele frio na barriga e empolgação característicos do amor verdadeiro a fazem questionar. Determinada a encontrar esse sentimento arrebatador, Victoria decide explorar novas possibilidades. Seu primeiro passo é marcar um encontro às cegas com um misterioso rapaz que conheceu em um site de relacionamentos. Em paralelo, ela decide se aproximar do aluno recém-chegado à escola. Contudo, as coisas se complicam quando sentimentos similares começam a surgir pelos dois pretendentes, transformando a busca pelo amor em um desafio mais complexo do que ela imaginava. Entre encontros incertos e o surgimento de dilemas emocionais, Vitoria percebe que a abundância de opções pode se tornar um obstáculo. Agora, ela se vê dividida entre dois caminhos incertos, onde o verdadeiro amor pode ser mais difícil de encontrar do que ela jamais imaginou.

Capítulo 1 O INICIO DE TUDO

Será que a paixão é realmente algo palpável ou apenas uma teoria inventada para dar um toque mais agradável à vida? Às vezes, sinto-me como uma alienígena no meio de um mundo repleto de afeto, questionando se todos ao meu redor estão vivendo um conto de fadas da vida real.

Alguns defendem a ideia de amar uma única pessoa por toda a vida, enquanto outros afirmam que há espaço para vários amores ao longo da jornada. Quanto a mim, nunca fui uma garota romântica. Nunca me vi idealizando o par perfeito enquanto assistia a filmes românticos, pois sempre valorizei minha liberdade e a solidão focada nos estudos.

Contudo, a vida às vezes nos reserva surpresas. Em um grupo de amigas, de repente, todas estão apaixonadas e namorando, e eu me vejo como a exceção, deixada de lado. Não que eu tenha vinte amigas, na verdade, tenho apenas algumas, mas ainda assim, a pressão do ambiente ao meu redor é palpável.

Eu desejava que o amor surgisse de forma natural, sem a necessidade de busca. No entanto, senti-me pressionada por fatores externos, especialmente ao perceber que a maioria das minhas amigas está envolvida em relacionamentos. Sinto-me estranha por não experimentar as famosas borboletas no estômago, o que me levou a tomar uma decisão inusitada: me inscrever em um encontro a cegas por meio de um aplicativo de relacionamentos.

Antes desse episódio, tentei namorar meu melhor amigo, mas não havia faísca. Os beijos pareciam estranhos, e até mesmo o simples ato de beijar me causava desconforto. Talvez minha aversão se deva ao nojinho de pensar na quantidade de bactérias trocadas em uma saliva, o que me fez dar meu primeiro beijo aos quinze anos. Decidi, então, dar uma chance a mim mesma, à possibilidade de me apaixonar.

É irônico, pois poderia ter optado por terapia, mas, em vez disso, escolhi um encontro a cegas com um desconhecido. Esta história absurda está prestes a começar, e já prevejo que as coisas não vão correr como eu gostaria. Lembre-se, quem procura nem sempre encontra da forma que deseja. Estou reclamando de não me apaixonar, mas será que isso não tem um lado bom? Afinal, quem sabe o que o destino reserva?

AARON NARRANDO...

Acordei hoje sentindo-me renovado. Nunca fui um entusiasta de mudanças. Escolher apartamentos, mobiliá-los de acordo com nossos gostos sempre foi uma tarefa árdua, especialmente porque meu irmão, Leon, e eu tínhamos preferências bem distintas. Ele era o organizado, apreciador das coisas em seus devidos lugares, estudioso, sempre antenado nas tendências da moda. Tenho que admitir que ele se vestia muito melhor do que eu. Eu, por outro lado, sempre fui mais relaxado, priorizando o conforto. Meu quarto era uma bagunça, mas uma bagunça que só eu conseguia entender. Era incrível como eu sabia exatamente onde encontrar tudo naquele caos aparente.

Desde que nossos pais se separaram, tudo ficou de cabeça para baixo. Nosso pai, um homem rico, traiu nossa mãe com uma mulher qualquer, deixando-a devastada. Decidimos mudar de estado. Minha mãe, por ser casada oficialmente, teve direito à metade do patrimônio do meu pai. Leon ainda era menor de idade, então ele teria que pagar uma pensão substancial por quase um ano. Eu também recebi uma boa quantia em dinheiro, mas agora era hora de arrumar um emprego. Morávamos em um estado tropical com praias incríveis, e como eu era surfista e sabia fazer pranchas, decidi que o Rio de Janeiro seria o lugar ideal para procurar meu primeiro emprego.

Não sabia se era uma maré de azar que pairava sobre nossa família, mas chifres pareciam estar se multiplicando por todos os lados. Infelizmente, não escapei dessa situação, pois terminei recentemente um relacionamento com a garota que achei que seria minha futura esposa. Ela me traiu com meu melhor amigo.

Essa experiência me deixou com uma aversão profunda à traição. Não aprovava a atitude do meu pai; minha mãe era uma pessoa incrível, e ele não soube ser o homem que ela merecia. O dinheiro subiu à cabeça dele. No entanto, quem está verdadeiramente magoado é Leon. Conhecendo meu irmão, sei que ele não vai perdoá-lo facilmente. O perdão pode ser um caminho difícil para quem está machucado, e Leon certamente está passando por isso.

Eu não estava desesperado nem nada, eu juro. Baixar aquele aplicativo no celular era apenas uma forma de me distrair, uma maneira de passar o tempo. Eu não estava interessado em um relacionamento; minha intenção era apenas flertar e nada mais.

O que mais me intrigou nesse aplicativo foi o fato de que, em vez de selecionarmos fotos pessoais, podíamos criar avatares que nos representassem. As escolhas eram baseadas apenas nas informações iniciais dos perfis e nos avatares, e, se houvesse compatibilidade, os usuários poderiam marcar encontros às cegas.

Enquanto explorava o aplicativo, deslizando os dedos por vários perfis, um chamou minha atenção de imediato. Talvez fosse porque a garota em questão não tinha absolutamente nada em comum comigo; éramos verdadeiramente opostos.

Seu avatar a retratava como uma garota imersa em livros, claramente uma amante da leitura e autointitulada nerd. A curiosidade me levou a verificar suas informações pessoais.

**Nome:** Vitória Santos.

**Idade:** 20 anos.

**Cidade:** Rio de Janeiro.

**O que gosta de fazer no seu tempo livre?** Estudar, me divertir com meus amigos, assistir séries de TV. - Uma vida empolgante, sem dúvida!

**Qual seu gênero musical favorito?** Pop, K-pop, rock (ex. Taylor Swift, Selena Gomez, Justin Bieber, BTS, Blackpink). - Embora eu não suporte pop.

**Qual gênero musical que não gosta?** Jazz, rap, rock, sertanejo, pagode. - Todos os gêneros que eu ouço. Ótimo, Vitória. Devo dizer que seus gostos musicais são únicos. K-pop? O que é isso?

**Cite três jogos de vídeo game que você gosta.** Eu não gosto de vídeo game. - Como assim? Que tipo de universo paralelo essa garota vive?

**Você gosta de frio ou calor?** Frio, eu não suporto o calor. - Está de brincadeira?! Calor é maravilhoso! Deveria morar no Polo Norte então.

**Qual o tipo de garoto você procura?** Bom, eu quero alguém que faça meu coração disparar, que seja atencioso, protetor, focado, um garoto que só tenha olhos para mim, que me dê carinho, que não seja mulherengo e que seja paciente.

Desculpa dizer isso, Vitória, mas esse garoto provavelmente não existe. Quero dizer, existe sim: meu irmão, Leon.

Falando nele.

__ Vou indo nessa, tenho que fazer minha matrícula. - Apareceu vestido com estilo, como sempre. Camisa branca, calça preta, corrente prata no pescoço, cabelos castanhos ondulados molhados penteado para trás, e seus anéis nos dedos.

__ Só você mesmo, tanta coisa para fazer no primeiro dia no Rio, e só consegue pensar em estudar? Deveria fazer como eu. Hoje pretendo encontrar uma gatinha. Aliás, acabo de achar o perfil perfeito para você. Quer que marque um encontro às cegas para vocês dois?

__ Não, muito obrigado. Não estou tão desesperado assim para namorar. - Arqueou as sobrancelhas, colocando as mãos nos bolsos.

__ E quem disse namorar, Leon? Somente ficar, mas tudo bem. Você é muito careta para essas coisas. Aposto que espera que a garota por quem vai se apaixonar surja do nada, como em um conto de fadas. Mas, sabe maninho? A única coisa que nasce do nada são chifres, meu amigo.

__ Você fala isso por experiência própria, não é Aaron? - Contorci o rosto. - Esqueceu de como você conheceu sua ex? Foi em uma aposta com seus amigos e as amigas dela, de quem se apaixonaria primeiro porque os dois não prestavam. Não me admira ela ter te chifrado. Você só quer garotas do seu tipo, que gostam de seduzir e jogar charme para todo mundo, que gostam de joguinhos de ciúmes. Eu disse que ela dava em cima de geral, andava quase nua na nossa casa se insinuando, mas o que você fez? Não acreditou.

__ Está me dizendo que devo ir atrás de alguém totalmente diferente da minha personalidade incrível? Alguém tímido e recatado? Por favor, Leon! Essas meninas são cheias de frescuras, não tenho paciência.

___ Então continue tendo paciência para levar chifres. Passar bem, mano. - Bateu continência e se retirou.

Olhei para o perfil da garota que era totalmente o oposto de mim, mas se encaixava nas características que o Leon disse. Dei de ombros; não custa nada arriscar. Apertei o botão, aceitando um encontro às cegas. Não vou negar que o fato de sermos opostos me deixou interessado. Não dizem por aí que os opostos se atraem? Vamos ver então na prática!

Capítulo 2 VITORIA

Hoje, o dia começou de maneira comum, como tantos outros. A luz do sol invadiu o quarto de forma cintilante, induzindo-me a despertar. Espreguicei-me, esfreguei os olhos, ainda repletos de remela, e permaneci por alguns minutos contemplando o teto, aguardando a plena retomada da consciência. Somente após esse breve ritual, lancei as cobertas de lado e encaminhei-me para um revigorante banho matinal. Sempre apreciei a rotina de iniciar o dia assim, um hábito enraizado principalmente pelo horário matutino dos meus estudos.

Hoje, por sorte, era sábado, uma pausa na agenda rotineira. No entanto, as opções para preencher o dia ainda não estavam definidas. Com um macacão largo e florido escolhido como vestimenta, cogitei a possibilidade de ligar para minhas amigas. Contudo, a perspectiva de envolver-me em conversas centradas em garotos, beijos e paixões imediatamente dissipou meu entusiasmo. Atualmente, minhas três melhores amigas são Bia, Bruna e Estefani, enquanto na escola existem outros grupinhos de colegas com quem mantenho convívio. Apesar de ser rotulada como "a nerd", não me considero antissocial; sou simplesmente mais focada e racional do que muitos dos meus amigos.

Diante da ideia de evitar o tumulto e o clichê das conversas usuais, optei por descer até a sala, onde tomei um tranquilo café da manhã e decidi passar o dia imersa em séries. É inevitável questionar a razão pela qual clichês são tão cansativos. As tramas previsíveis, como o encontro acidental que resulta em olhares apaixonados, ou o amor proibido que ecoa em tragédias como em "Romeu e Julieta", não fazem parte da minha perspectiva romântica. Não arriscaria minha vida por amor e, honestamente, nem mesmo experimentei esse sentimento de maneira romântica. Amo profundamente meus amigos, disposta a fazer tudo para protegê-los. Entretanto, essa abordagem de colocar o outro sempre em primeiro lugar não me parece saudável. Contudo, confesso que, em algum momento, gostaria de experimentar a sensação de estar verdadeiramente apaixonada. Quem sabe assim minha visão sobre o romance mudasse de forma surpreendente.

Meu celular começou a tocar, esquecido debaixo da minha bunda no sofá. Era Eduardo, meu melhor amigo e namorado.

- Alô, Duda!

- Amor, te acordei?

- Não, estava acordada faz tempo. O que houve?

- Nada demais, apenas que hoje vai ter uma festa na casa dos meus amigos. Quer ir comigo, gatinha? - Fechei os olhos.

- Eu não sou muito fã de festas, mas por você eu vou. - Ouvi sua respiração do outro lado da linha.

- Valeu, amor! Você sabe que é a melhor! - Comemorou, e tive que rir.

- Sei, também te amo. Beijos!

Essa era a dinâmica do meu relacionamento com Eduardo. Éramos melhores amigos, ele era alto-astral e um cara incrível. No entanto, faltava algo. Eu sentia que nosso relacionamento não tinha uma faísca, era tudo muito confortável. Várias vezes pensei em terminar, mas quando chegava a hora, simplesmente travava. Eduardo parecia realmente gostar de mim, e eu não queria quebrar seu coração.

A noite finalmente chegou. Optei por vestir uma calça preta rasgada nos joelhos, uma blusinha branca e uma camisa xadrez preta e branca por cima. Deixei meus cabelos castanhos soltos e lisos, sem muitos adornos. Não sendo fã de maquiagem, apliquei apenas um delineador e um batom vermelho para completar o visual. Fiquei na sala, balançando o joelho freneticamente, aguardando a chegada de Eduardo.

- Claro, mãe. A senhora sabe que não sou fã de bebidas. Estou indo nessa festa unicamente para agradar ao Eduardo.

Dona Regina, minha mãe, já estava alerta: "Eu sei que o Eduardo cuida de você, mas nada de ficar bêbada e vir muito tarde, está bem, Vitória?"

- Falando de mim? - A porta abriu, e ele entrou sorridente, vestindo-se de maneira impecável. Eduardo foi direto cumprimentar minha mãe. Ele era assim, crescemos juntos desde pequenos; era como se fosse da família.

- Olha lá! Para onde vai levar minha princesa, garoto? Eu já perguntei para sua mãe que tipo de festa é essa.

- Fica tranquila, tia. Vitória está comigo; é o mesmo que estar com um anjo. - Tive vontade de rir. Só minha mãe para cair nessa cara lavada dele.

- Tudo bem, em você eu confio. - Alisou o rosto dele.

- Vamos, gatinha?

- Vamos! - Levantei, fingindo uma empolgação que não existia.

- A propósito, você está linda. - Sussurrou no meu ouvido, entrelaçando nossas mãos.

Seguimos para a festa de Uber. Eu não sabia o motivo, mas não estava com um pressentimento bom. Espero que seja apenas coisa da minha cabeça.

- Você parece tensa, relaxa. - Eduardo beijou meu pescoço, e forcei um sorriso. Olhei pela janela e observei as luzes brilhantes da cidade reflexiva. Eu queria entender por que era tão difícil me apaixonar. Será que o erro estava em mim? Senti os dedos de Eduardo aquecendo minha mão. Ele aparentemente era o namorado perfeito. Então, qual é o meu problema?

- Chegamos! - Ele informou, e descemos do carro. Normalmente, os amigos de Eduardo eram bem de vida, por isso não me surpreendia que a festa fosse em uma mansão, à beira da piscina, um lugar totalmente luxuoso, com paredes claras e portas de vidro. Eduardo falou nossos nomes e entramos. A sala era enorme, com sofás pretos e um carpete listrado no chão. Ilustres já tinham algumas pessoas bebendo e dançando. Para minha surpresa, a maioria era de maiores; não vi ninguém da nossa escola.

- E aí, Duda, pelo visto trouxe sua gata hoje. - Um rapaz loiro de olhos verdes chegou com uma taça de vinho na mão. Ele certamente tinha uns vinte e poucos anos. Eduardo era de maior, já tinha dezenove, pois ficou dois anos afastado. Eu ainda tinha dezessete.

- Sim, essa é a Vitória.

- Pode me chamar de Vick se preferir. - Estendi a mão cordialmente.

- Prazer em conhecê-la, Vick. Eu me chamo Lucas. - Ele levou minhas mãos aos lábios, beijando de maneira sedutora. Senti um certo desconforto e recuei rapidamente.

Eduardo e eu fomos um pouco para a pista de dança. As luzes roxas e brancas piscavam sem parar, e começamos a dançar colados um no outro, balançando nossos quadris no ritmo da canção. A bebida já estava fazendo efeito no meu corpo; eu me sentia mais leve do que antes. Toda a tensão do início tinha se dissipado como névoa.

- Vamos para um lugar mais privado. - Eduardo sussurrou no meu ouvido, e eu concordei. Nem acreditava que estava prestes a fazer isso. Subimos as escadas sem chamar a atenção e entramos no primeiro quarto que surgiu na nossa frente. Eduardo cobriu meus lábios com os seus em um beijo urgente e cheio de paixão. Eu procurei corresponder na mesma intensidade, mas confesso que era difícil acompanhar sua rapidez. Suas mãos começaram a percorrer meu corpo, mas quando desceram para minha bunda, apertando, um sinal de alerta foi transmitido para o meu cérebro, e cortei o beijo.

- Tudo bem? - Eduardo perguntou, e eu assenti sorrindo fraco. Ele voltou a me beijar, tirou a camisa xadrez e segurou a barra da minha blusa, passando-a pelo pescoço. Ele me trouxe até a cama e me deitou, distribuindo beijos molhados por todo meu corpo. Estranhamente, meu corpo não correspondia aos estímulos que ele estava se empenhando em alcançar. Novamente, suas mãos viajaram até o fecho do meu sutiã para desabotoar, e eu travei.

- Eduardo, para! - Falei bruscamente, o empurrando. Ele me olhou incrédulo.

- Vitória, qual é o seu problema?! - Esfregou o rosto frustrado, enquanto eu me levantava rapidamente e vestia minha blusa.

- Desculpe, eu não consigo. O problema não é você, sou eu.

- É claro que o problema sou eu. Você claramente não sente o mesmo por mim, é isso? - Ele me olhou chateado, e o nó parou na minha garganta.

- Eu sinto muito! - Murmurei com a voz embargada. - É melhor nós terminarmos.

- Tudo bem, faça isso, porque eu não iria conseguir fazer. Eu tinha esperança de que um dia fosse se apaixonar, mas estava totalmente equivocado. Vou te levar para sua casa. - Ele disse visivelmente abalado. Nesse momento, tive certeza de que não tinha apenas perdido um namorado, mas também meu melhor amigo. O que há de errado comigo? Por que não consigo me apaixonar por ninguém?

Entrei no quarto entre lágrimas, incapaz de segurá-las a tempo para que minha mãe não percebesse. Ela perguntou o que tinha acontecido, mas eu apenas disse que Eduardo e eu tínhamos terminado e não expliquei o motivo. Me joguei na cama e abracei meu travesseiro. Eu sabia que era errado, não era conveniente namorar meu melhor amigo se não sentia o mesmo. Isso só iria estragar nossa amizade.

Não conseguia entender por que para as outras pessoas era tão fácil se apaixonar, enquanto para mim era como ganhar na mega-sena, uma chance em um milhão. Estranhamente, estava começando a achar que não era desse planeta.

No dia seguinte, nem cogitei a possibilidade de me levantar da cama. Tudo o que eu menos queria era ir para o colégio e dar de cara com Eduardo. Mas, para meu azar, fui surpreendida pelas minhas amigas insistentes. Minha mãe, como sempre, sabia usar minhas amizades para me persuadir a seu favor. Eu estava coberta até a cabeça, mofando embaixo do cobertor, quando a porta se abriu.

- Ela está ali. Vejam se, para vocês, ela conta o que aconteceu, porque para mim, parece que estou falando com uma parede. - Bufou, saindo do quarto.

- Vitória! Pode desembuchar e contar agora por que não quer ir à escola. - A primeira a gritar e pular em cima de mim foi a Bia, seguida da Bruna e da Estefani.

- Me deixem, não quero dizer.

- Ah, mas você vai dizer sim. Foi o Eduardo, não é? O que aquele cretino te fez? - Bruna falou brava, e eu voltei a chorar compulsivamente, sendo tomada pela culpa.

- Não disse?! Eu vou agora quebrar os dentes dele!

- Não! - Joguei a coberta para longe. - Eduardo não fez nada. Fui eu.

- Você? - Estefani, que até então apenas observava, resolveu se pronunciar.

- Sim, nós terminamos porque eu não consigo sentir nada por ele. - Falei desolada.

- Oh, Vick! - As três me abraçaram juntas.

- Me diga, o que tem de errado comigo? Por que não consigo me apaixonar? Hum?

- Ai, amiga, talvez o erro não esteja em você, e sim, você não encontrou o cara certo. - Bia me consolou.

- Errado, o erro está nos homens. Todos iguais. - Bruna disse carrancuda, ela novamente tinha brigado com o namorado. - Às vezes, você apenas não tem opções suficientes, sabe? No nosso colégio, são sempre os mesmos alunos, não tem novidades. Você precisa encontrar pessoas novas.

- E como eu faria isso? Se nem saio de casa.

- Adivinha? Existe um novo aplicativo que foi lançado. Chama-se "Encontros às Cegas". Digo, não tão às cegas assim, porque você vê a foto do perfil da pessoa e seus gostos pessoais. Se tiver interesse, você aceita o convite e vão para um encontro romântico juntos. O que acha? - Bruna comenta empolgada.

- Deixa-me ver isso! - Bruna toma o celular da sua mão.

- Loucura! Da onde tirou que Vitória vai aceitar um absurdo desses?!

- Eu topo! - Comentei animada.

- Não disse. O quê? Você topa? - Bruna me olhou incrédula.

- Sim, eu topo. Quem sabe aqui está o grande amor da minha vida? - Peguei o celular bisbilhotando.

- Não brinca?! Nossa, Vitória está se tornando adulta. - Bia zomba, me abraçando, e reviro os olhos.

- Eu só quero me apaixonar. Impossível, com tantas opções interessantes, eu não gostar de ninguém.

- Certo! Mas vamos começar com uma pequena mentira. Eu andei olhando esses aplicativos, e os caras mais bonitos têm vinte e cinco anos para cima.

- Universitários? Ficou louca, Estefani? Não saímos com universitários.

- Não saímos ainda, mas você vai sair. Eles são gatos, é o sonho de qualquer garota da nossa idade.

- Eles são mais velhos! - Rebato impertinente.

- E daí? Quanto mais velho, melhor, como um bom vinho. E você, Vitória, faz dezoito este ano, não está tão ruim assim.

- Tá bom que seja, mas por favor, não tão velho! E nem tão cafajeste. Quero alguém do meu tipo. - Falei determinada, e ela deu um sorrisinho. Terminei de fazer o meu perfil de forma exigente, recebendo algumas críticas das minhas amigas.

- Ah, você é tão careta. Dificilmente alguém vai concordar em sair com você. - Bia disse, e lancei um olhar fulminante na sua direção.

- Não ligue para ela, seja você. Quem tem que gostar, que goste como é. Não mude por homem nenhum. - Bruna disse, e concordei.

- Fica tranquila. Com a mudança que vou fazer nas fotos, vai parecer uns cinco anos mais velha. Qualquer homem vai babar, prontinho! Opa! Não falei? Temos um interessado.

- O quê!? Já? - Espiei surpresa.

- Esse daqui parece perfeito para você. Ele já a convidou para sair, rápido, não? - Mostrou a foto de um rapaz lindo de cabelos castanhos claros, corpo bronzeado, olhos azuis e sobrancelha marcante. Era realmente um Deus grego, mas tinha um sorriso cafajeste nos lábios. Olhei seus gostos pessoais, e eram totalmente o oposto do que eu procurava em um homem.

- Não, esse não. Tem cara de ser um garanhão, fajuto e galinha.

- Ops! Já aceitei o convite. Foi sem querer! - Estefani sorriu provocativa.

- Nãooo! Estefani, por que fez isso? - Pulei em cima dela, tirando o celular da sua mão.

- Não tem como desfazer, Vitória. Já que aceitou essa experiência, que seja algo totalmente inusitado. Você sempre conviveu com os garotos do nosso colégio. Talvez seu amor seja alguém maduro e mais velho. - Nego apavorada, tentando desfazer.

- Ou, de acordo com a Estefani, talvez ele não tenha nascido. Não precisa ir se não quiser. Essas duas são loucas.

- Para de ser chata. Por isso seu namorado não aguenta. Vai por mim, ele é gato. Pelo menos vai ter a chance de dar alguns beijos em alguém mais velho e gostoso. Se ele for muito cafajeste, não precisa se encontrar de novo. - Respiro fundo, desistindo.

- Tudo bem, eu vou. Mas tenho certeza de que esse cara definitivamente não é o amor da minha vida. Zero chance de ser. - Apontei para sua foto no celular com veemência.

Capítulo 3 AARON

Era o dia do encontro às cegas, mas andei pensando melhor sobre o assunto. Para que perderia meu tempo encontrando uma garota chata em um encontro às cegas, se poderia ter várias garotas divertidas em uma boate que descobri aqui perto? Adivinhem qual opção eu escolhi? Com certeza, a balada. Por isso, coloquei uma camisa preta e deixei alguns botões abertos, ajeitei meu cabelo em um topete organizado e deixei minha barba bem aparada. A noite é uma criança, e eu estou disposto a brincar muito.

Cheguei ao local, e obviamente estava lotado. O Rio de Janeiro era outro nível. O barulho da música eletrônica era totalmente agitado, e as luzes ofuscavam meus olhos. Fui na direção do balcão e pedi uma bebida bem caprichada. Avistei algumas garotas que estavam dançando e me olhando de forma insinuadora. Não perdi tempo e comecei a dançar com os drinks para o alto, indo em direção a elas. Dançamos colados de forma contagiante, e comecei a beijá-las ali mesmo, intercalando de uma para outra. Distração, era disso que eu necessitava.

Entretanto, minha animação foi estragada pelo toque insistente do meu celular no bolso. Pedi licença para as garotas e fui para um local apartado atender.

Era um número desconhecido, e pensei que talvez pudesse ser meu pai.

- Alô, quem é? - perguntei, tampando um ouvido, pois o som da balada estava atrapalhando minha audição.

- Já se esqueceu de mim, amor? - Ofeguei sem paciência alguma para seus joguinhos.

- Katy, como conseguiu meu número? Você ainda tem a cara de pau de me ligar depois de tudo que me fez?!

- Isso não importa, Aaron. Você sabe que aquilo foi um erro. Quem eu amo é você. Eu não sei o que deu em mim. Eu estava bêbada. - Apertei meus olhos com força.

- Não venha colocar a culpa na bebida. Você não estava bêbada quando se insinuava descaradamente para o Leon na minha casa. Não tente me fazer de idiota, porque eu sei o tipo de mulher que você é. Devo lembrar como nos conhecemos? Através de uma aposta?

- Você também apostou, Aaron. Não banque o santo. E quanto ao Leon, você acredita muito no seu irmãozinho, mas ele sempre foi afim de mim. - Tive que rir.

- Não, Katy. Meu irmão nunca olharia para uma mulher como você, e você sabe disso. Por isso, queria tanto ele, mas como não conseguiu, pegou meu melhor amigo. Tudo para você é um prêmio.

- Não diga isso. Nós nos apaixonamos. Eu te amo, e você sabe disso. - Meu peito apertou ao ouvir suas falsas palavras.

Eu não posso acreditar nisso. Katy conseguiu destruir minha noite, incrível como ela consegue azedar meu humor em dois segundos. Virei a garrafa tomando um gole grande e decidi: eu vou nesse encontro. Essa garota, apesar de chata, é bem bonita. Eu posso tentar sair com ela, e quem sabe me apaixonar? Seria tão impossível isso acontecer? Talvez seja, afinal não temos nada em comum, mas que se dane! Talvez ela seja uma boa distração hoje à noite. O encontro seria em uma praça aqui perto e depois eu a levaria para um restaurante, e quem sabe para um hotel. Minha intenção era aproveitar o máximo que pudesse.

Como era perto, fui a pé mesmo. Inspirei meu próprio aroma, esperando não estar fedendo a suor ou cachaça. Pelo jeito, a mulher era do tipo sem graça e exigente, apesar de na foto estar bem bonita e até sensual, o que me deixava totalmente intrigado. Eu a imaginava como uma nerd de óculos escuros e roupas compridas, mas pelo contrário, ela era muito gata.

Cheguei na bendita praça e olhei ao meu redor. Vi alguns casais se pegando e uma garota sozinha mexendo no celular, meio aflita. Ela era, no mínimo, uns sete anos mais nova que eu, parecia uma garota de colegial qualquer. Era uma gracinha, não vou negar, mas eu não era nenhum tarado ou algo do tipo. Eu não me metia com meninas novinhas, não fazia meu tipo. Era ridículo um homem feito se envolver com uma colegial. Dei uma risada! Pena que Katy não pensava assim, mesmo ela sendo cinco anos mais velha que o Leon, aquela descarada! Por que estou pensando nela mesmo?

Enquanto a mulher em questão não chegava, deitei no banco da praça e comecei a beber, olhando para o céu estrelado. O amor é uma coisa louca. Eu nunca achei que poderia me apaixonar, e escolhi justo a pior das mulheres. Parabéns, Aaron, você é um grande pateta!

Eu não sei quanto tempo fiquei deitado naquele lugar gelado bebendo, mas ao meu ver, minha acompanhante tinha desistido do encontro e eu tinha levado um belo toco. Era tudo que precisava para ter uma noite de merda! Me levantei, me sentando no exato momento em que vi a jovem vir na minha direção conversando no celular. Pela maneira que ela gesticulava nervosa, parecia que algo tinha acontecido.

- Ele me deu um toco, Estefani?! Acredita nisso? Que tipo de cafajeste marca um encontro e não vem? Eu disse que esse encontro às cegas era um erro! - berrou enfurecida, e eu crispei os olhos, atordoado.

- Você disse encontro às cegas? - indaguei, e ela levou um susto ao olhar para o lado.

- Ai meu Deus, um mendigo!! Por favor, moço, não me roube nada. Eu não tenho dinheiro. Se quiser meu celular, toma, mas não me machuque. É tudo que eu tenho! - disse com a mão no coração, estendendo o celular na minha direção. Ocultei um sorriso. Encarei seu rosto pálido e inocente por alguns segundos. Ela era bem mais bonita do que pensava. Estiquei minha mão e puxei seu pulso de uma vez, a trazendo para cima de mim. Seu corpo se inclinou para frente e ela caiu sentada no meu colo, espantada. Apoiei minha mão nas suas costas, apreciando seu perfume doce e floral. Nossos olhos se fitaram intensamente, e eu desviei para seus lábios delicados.

__Eu pareço um mendigo para você? Como uma menina tão linda como você pode marcar um encontro às cegas com um desconhecido? E ainda mentindo sua idade, está tão desesperada assim? - franzi o cenho, e ela crispou os olhos, se dando conta de quem eu era, e se levantou rapidamente do meu colo.

___Não te interessa! Foi um erro, eu não devia ter vindo aqui, senhor! - juntou as mãos e olhou para o chão, envergonhada.

___Não me chama de senhor, não sou tão velho assim, quero dizer, para uma garota como você que mal saiu das fraldas eu devo ser. Eu sabia que garotas novas tinham fetiche com caras mais velhos, mas você realmente não parece esse tipo.

___É porque eu não sou, com licença! - Ela olhou para a garrafa de bebida ao meu lado e estava prestes a fugir, porém eu fui mais rápido e entrei na sua frente, fazendo seu corpo se chocar com o meu. A essa altura do campeonato, eu não estava raciocinando direito. Seu aroma tinha me deixado entorpecido, e sua timidez era uma graça, uma mistura perfeita para me transformar em um crápula nessa noite.

___Tem certeza que não é? - falei rouco, próximo do seu ouvido, e seu corpo estremeceu. Deslizei meus dedos sobre suas delicadas mãos, que estavam caídas ao lado do corpo. ___Você me enganou, colocou uma foto mexida, trocou a idade, apenas para vir me encontrar. Tem certeza que não era isso que queria?

___Não... não foi minha amiga que fez isso. - gaguejou, enquanto meus dedos subiam em seus braços, roçando a pele, fazendo-a se arrepiar.

___Então eu posso chamar isso de destino? - Segurei seu queixo buscando seus lindos olhos castanhos, ela parecia nervosa e engoliu seco. ___Voce quer me beijar?

___O que? Não! - negou e encarou meus lábios alguns segundos.

___E por que teus olhos e teu corpo diz o contrário? - Ela iria abrir a boca para falar algo, porém rodeei o braço ao redor da sua cintura e a puxei para mim tomando seus lábios em um beijo ardente e cheio de desejo, apertei seu corpo magro contra o meu, seu corpo era tão delicado que tive medo de se quebrar em meus braços, seu gosto era doce e puro, podia sentir seu corpo tremulo, e eu não sabia o que raios tinha naquela bebida para estar fazendo isso, ela parecia de menor, e se alguém me visse aqui com ela teríamos problemas, mas eu estava totalmente perdido na maneira com que seu corpo respondia aos meus toques, e no gosto do seu sabor que sabia que precisava de mais... Eu a queria.

___Vamos para um hotel- disse entre seus lábios e foi o suficiente para afasta-la, ela me empurrou bruscamente em seguida me acertou um tapa no rosto.

____Seu canalha! Quem você pensa que eu sou?!! - falou entre dentes.

___Mas o que é isso? Além de linda é marrenta? foi você que veio aqui ou se esqueceu? - passei a mão no rosto que estava ardendo, sua mão era delicada, mas era forte.

___Tem razão, eu cometi o pior erro da minha vida, é claro que não iria sair nada bom disso, encontrar um qualquer na rua, eu quero um amor verdadeiro, mas não assim, não com um safado como você, por isso esqueça isso, e finja que esse encontro nunca aconteceu por favor! - as lagrimas pingaram do seu rosto e ela saiu correndo chorando, e fiquei paralisado perplexo, seria difícil fingir que essa loucura não aconteceu, mas eu posso tentar, Droga de noite! Droga de bebida! Praguejei e passei o polegar nos lábios, por que o seu gosto tinha que ser tão bom? Ela é só uma garota Aaron, uma jovem adolescente que você nunca mais vai ver na vida, por isso trata de esquece-la, como a menina mesmo disse foi um erro, um maldito e gostoso erro, curvei os lábios e voltei a deitar no banco olhando para o céu, porém pelo menos para isso essa garota serviu, me fez parar de pensar na Katy, porque agora era ela que dominava meus pensamentos proibidos.

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