Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > A proposta do bilionário
A proposta do bilionário

A proposta do bilionário

Autor:: Dani vences
Gênero: Bilionários
✨ Um pedido inesperado ✨ Uma mocinha impossível de ignorar ✨ Um bilionário convencido de que o amor não é para ele "Você pode enganar o mundo inteiro... mas jamais conseguirá enganar o seu próprio coração." Jemes Carter nunca acreditou no amor. Mas quando seu avô impõe uma condição cruel para lhe entregar a cadeira de CEO - estar casado - ele percebe que não tem escolha. Desesperado, e ao descobrir que até o próprio irmão já está noivo, Jemes toma uma decisão impulsiva: pedir em casamento a primeira mulher que cruza seu caminho. Essa mulher é Emma, uma simples camareira de hotel que jamais imaginou se envolver com um bilionário. Em uma noite inesquecível durante um baile de máscaras, os dois vivem um encontro intenso e inesperado. O que Jemes não sabe é que Emma é justamente a mulher que o encantou naquela noite - um segredo que ela guarda em silêncio... até o dia em que ele surge com um pedido que muda tudo. Entre contratos, aparências e sentimentos que fogem ao controle, Emma se vê presa a um jogo perigoso: um casamento por conveniência com um homem que acredita ser incapaz de amar.

Capítulo 1 Prologo parte 1

Jemes

Olhei para o convite em minhas mãos. O hotel irá fazer um baile de máscaras na noite de natal, homens de preto e mulheres devermelho. Uma máscara preta foi deixada com meu convite. Eu poderia ir para outras festas mais interessantes, mas a vantagem desse baile é que não vou precisar lidar com o trânsito e, quando estiver entediado, posso voltar para o meu quarto. Meu celular toca e eu olho na tela; a palavra "Mãe" parece saltar para fora. Era a décima ligação do dia. Ela quer me convencer a ficar com meu avô, para que eu "puxe um pouco o saco do velho".

- Oi, mãe! - Atendi, decidindo que seria a última vez essa noite que deixaria ela me perturbar.

- Onde está? - Ela pergunta.

- No quarto de hotel, não pretendo sair hoje. - Mentir não tem por que, não devo satisfação a ela.

- Jemes, você está abrindo espaço para aquele bastardo se aproximar do seu avô. - Ela fala irritada.

- Meu avô me expulsou da mansão, mãe, o que quer que eu faça? - Minha mãe me fez morar com meu avô, me fez "puxar o saco" dele, mas nunca consegui ser o neto favorito.

- O bastardo vai conseguir a cadeira que, por direito, é sua, Jemes, não vê isso? - Puxei o ar. Nicholas sendo o CEO da empresa, isso é algo difícil de engolir, admito.

- Isso só vamos resolver depois que meu avô morrer, mamãe, e sabemos que o velho está longe disso. - A verdade é que não gosto de pensar nisso, então afastei meus pensamentos.

- O bastardo deve estar agora lá, lambendo as botas do seu avô. Eu falo que vai perder a sua herança se não ficar esperto. - Puxei o ar.

- Tchau, mãe, não me ligue mais. Amanhã dou uma passada na mansão para ver como o velho está, mas duvido muito que ele sinta minha falta. - Desliguei o telefone antes que ela dissesse algo.

Me vesti e desci para o baile. Até que está animado, a música toca ao fundo e as pessoas dançam. A máscara tira a inibição das pessoas e me traz o conforto de não ter olhares voltados para mim. Desde que fui expulso da mansão Carter, sou alvo de comentários, o que irrita cada vez mais meu avô conservador.

Caminhei até o bar. Algumas garotas conversam e percebo que estão tentando adivinhar quem são os homens de máscara. Elas me olham e sorriem. Peguei um copo de uísque e olhei pelo salão. Uma garota que parecia estar perdida chamou minha atenção. Seus cabelos negros e estão caindo feito cascata. O vestido vermelho parecia um pouco maior do que ela, mas, ao mesmo tempo, se tornava encantador.

- Boa noite! - Falei quando a alcancei. Ela me olhou assustada, com certeza não deveria estar aqui.

- Boa noite! - Ela falou, abrindo um sorriso que fez meu coração disparar.

- Se perdeu dos seus amigos? - Perguntei, ela obviamente estava sozinha.

- Estou sozinha essa noite. - Ela falou, um pouco triste.

- Eu também, podemos fazer companhia um para o outro, o que acha? - Ela pareceu pensar sobre isso.

- Também não tem amigos? - Ela perguntou, de maneira tímida, o que me encantou. Não costumo sair com garotas tímidas, essas garotas na verdade não são meu tipo, mas há algo nela, algo diferente.

- Tenho muitos, mas meus amigos só me metem em problemas, e preciso ficar longe de problemas por um tempo. - Falei a verdade, ela sorriu.

- Bem, posso ser sua amiga hoje. - Balancei a cabeça.

- E como é o nome da minha nova amiga? - Ela sorriu. Seus olhos eram de um verde profundo e seus lábios, um batom vermelho que parecia não combinar com ela. Não sei explicar por que tenho essa certeza.

- Não direi, eu não deveria estar aqui. - Ela falou, olhando para os lados como se estivesse tendo certeza de que ninguém nos observava.

- Que misteriosa a minha nova amiga é. - Ela baixou o olhar e depois sorriu, como se lembrasse de algo.

- Hoje eu posso ser o quem eu quiser. - Ela colocou a mão na máscara prateada. - Só por hoje.

E isso me fez ter certeza de que ela não deveria estar aqui.

- Quer me deixar curioso, não é? - Ela piscou para mim.

- Um pouco de mistério, Sr. Carter, não te fará mal. - Então, sabe quem eu sou.

- Vejo que eu não consigo fazer o mesmo mistério. - Ela sorriu.

- Seus lindos olhos te entregam. - Dei de ombros.

- Está me intrigando, senhorita misteriosa, por acaso nos conhecemos? - Ela balançou a cabeça.

- Eu o conheço, mas o senhor não me conhece. - Percebi que estava muito próximo dela e olhei para meu copo de uísque.

- Me acompanha em um drink no terraço? - Ela balançou a cabeça.

- Gosta de levar as suas garotas para o terraço, não é? - Avaliei, não me lembro dela, mas a máscara impede que eu reconheça seu rosto de qualquer forma. Olhei para o colar de diamante que ela usava no pescoço. Ela deve ser filha de algum magnata.

- Não sabia que me pertencia. - A puxei para mim de maneira rápida.

- Sr. Carter, estão nos olhando. - Ela sussurrou.

- Como se chama? - Ela balançou a cabeça em negativa. Eu me afastei dela.

- Estarei no terraço com uma garrafa de champanhe. - A deixei ali e fui ao bar pedir uma garrafa e duas taças. Quando me virei, ela havia sumido. Decidi fazer o que prometi e seguir para o terraço. É um dos meus lugares favoritos daqui, onde o barulho do hotel não chega, mas não sabia que minhas idas lá estavam sendo observadas ou comentadas pelos hóspedes.

Assim que abri a porta, eu a vi, linda, banhada pela luz da lua. A minha dama misteriosa me esperava. Ela sorriu para mim.

- Decidi vir na frente. - Me aproximei, entregando a taça para ela.

- Gosto das atrevidas. - Percebi que ela revirou os olhos.

- Jemes Carter é o solteirão da década.

- Então leu a revista? - Quando completei 30 anos, me tornei "elegível" para o casamento. O jovem herdeiro Carter precisa se casar, e desde então tenho sido alvo das desesperadas.

- Um partidão. Tem linhagem aristocrática e gosta de garotas loiras. - Ela riu. - É o príncipe da era moderna, Jemes.

- Então veio aqui com a intenção de me seduzir e se tornar a senhora Carter? - Ela balançou a cabeça.

- Não me casaria com você. - E dessa vez, senti que ela estava sendo verdadeira.

- E por que não? Talvez eu queira me casar. - Ela balançou os ombros.

- Não comigo. - Talvez eu a conheça, deve ser uma das filhas de algum magnata rico hospedado no hotel, mas o vestido, ainda folgado em seu corpo, me faz pensar que ela não estava preparada para esse baile. Pode ter chegado em cima da hora.

- Como se chama? - Ela sorriu e mexeu sua taça.

- Não vai abrir? - Ela falou. Olhei para a garrafa ainda em minhas mãos. Essa garota me faz perder a noção do tempo.

Abri a garrafa e a servi.

- O que quer para tirar essa máscara? - Perguntei para ela, que agora tomava a champanhe e parecia mais relaxada.

- Não quer saber quem sou, Jemes. - Ela olhou para a lua, e tudo que eu queria naquele momento era beijá-la.

- É o que eu mais quero. - Falei, me sentando ao seu lado. - Por que manter esse mistério? Sabe que até o fim da noite eu irei beijá-la.

- Quem disse que quero beijá-lo? - Sorri e peguei o celular na mão para ver quantos minutos faltavam para meia-noite. Faltavam exatamente cinco minutos. Virei o celular para ela.

- Falta pouco, iremos ter que esperar para ver. - E antes que eu conseguisse guardar o celular, o nome "Allen" apareceu na tela e senti meu coração disparar. Por um momento, senti vontade de desligar, talvez não fosse nada, mas e se fosse?

- Alô, me diga que o velho sentiu minha falta e quer ouvir minha voz. - Houve um silêncio.

- Sr. Carter, seu avô está no hospital. Ele teve um infarto. - Senti como se alguém tivesse socado meu estômago. Aquele velho não pode morrer.

- Estou indo. Me mande o endereço. - Falei, desligando o celular. Olhei para a garota, que estava assustada.

- Meu avô está no hospital. Fico te devendo um beijo. - Não esperei por sua resposta. A verdade é que a única coisa que eu queria naquele momento era a certeza de que meu avô estava bem. Aquele velho não pode morrer, não enquanto está brigando comigo. Mas, do jeito que é ranzinza, ele fará isso só para me deixar culpado pelo resto da vida.

Capítulo 2 Prologo parte 2

Parei um táxi e pedi que fosse para o hospital. Aqueles minutos até a chegada pareceram uma eternidade. Finalmente, cheguei. Uma parte minha temia entrar. A verdade é que, apesar de meu avô ser a pessoa mais irritante do mundo, não estou pronto para perdê-lo. Fiquei ali, na porta do hospital, até que Edward, o CEO da empresa, se aproximou de mim.

- Tudo bem, Jemes? - Ele perguntou.

- Como o velho está? - Esperei pelo golpe, mas ele sorriu.

- Bem, ele está se recuperando. - E toda a tensão no meu corpo se desfez.

- Ele gosta de um drama, né?

- Vamos entrar, seu avô está sendo levado para o quarto. - Olhei para Allen, o mordomo e fiel amigo do meu avô.

- O que aconteceu? - Ele me olhou, balançando a cabeça.

- Ele tem se recusado a tomar os remédios. Está terrível, falando que os netos não se importam mais com ele. - Eu ri. Ele que me expulsou da mansão e eu sou o neto desnaturado.

- Quando vou poder vê-lo? - Ele deu de ombros.

- Estão levando para o quarto, pediram para aguardar. - Respirei fundo. Quero vê-lo, ter certeza de que ele está bem. Não demorou muito para Nicholas chegar. Seus olhos assustados, com medo. Apesar de não nos darmos bem, eu sei o quanto meu avô é importante para ele. Pensei em dizer algo para ele, mas não tinha o que dizer. Apenas balbuciei um "o velho".

Allen nos encarou. Ele acha que somos dois idiotas, e não posso negar tal fato. Esperamos impacientes a liberação para podermos ver o velho. E assim que liberaram, eu e Nicholas corremos para entrar no quarto.

- Vovô! - Nicholas se apressou a falar, sempre tentando ser o centro das atenções. - Como está se sentindo?

- O senhor me assustou. O que estava pensando quando decidiu parar com seus remédios? - Questionei, mal-humorado. Meu avô apenas levantou a mão para ignorar meus sermões.

- É tão bom ver meus dois netos juntos de novo! - Ele segurou nossas mãos, unindo-as. - Era assim que eu desejava vê-los antes de morrer, unidos como irmãos, tomando conta da empresa, continuando o meu legado.

- O senhor não vai morrer, vovô. Não diga uma coisa dessas. - Nicholas falou, apenas concordando com a cabeça. - Nunca conheci pessoas mais fortes que você. Não vai morrer nem tão cedo. E pare de se preocupar com a empresa, ela está em boas mãos.

Nosso avô bufou, irritado. O sonho dele é ver eu e Nicholas trabalhando juntos na empresa.

- Vocês é que estão me matando. Estão acabando comigo e nem percebem! - Ele falou irritado, fazendo os aparelhos enlouquecerem. - Por que não podem sossegar, formar uma família e seguir os negócios da família em paz? É isso o que eu preciso, ver que vocês estão encaminhados na vida, se tornando alguém e não que são apenas dois ricos mulherengos como o pai de vocês.

- Vovô, deveria se acalmar ou os médicos vão voltar aqui. - Falei, olhando para os aparelhos. - Podemos falar disso uma outra hora, quando estiver se sentindo melhor.

- Não vou me sentir melhor, não enquanto não colocá-los no caminho certo! - O caminho certo para o velho conservador é me levar para o altar.

- O senhor fez o bastante, agora nos deixe cuidar de você. Que tal começarmos a nos tornar os homens que quer, assim? - Nicholas falou. Revirei os olhos. Meu avô deu um tapa na mão dele.

A questão é que meu avô está com o drama pronto. Ele é um ótimo manipulador e, sabendo que eu e Nicholas queremos agradá-lo, ele irá usar isso.

- Isso vai acabar esse ano, não vou deixar que se tornem uma cópia do pai de vocês! - Nunca seria como meu pai, nunca desonraria a minha palavra como ele fez, nunca magoaria uma mulher como ele magoou minha mãe. - Eu o criei errado e deixei que agisse como queria toda a sua vida, mas não vou cometer o mesmo erro com vocês.

- O que quer dizer com isso, vovô? - Nicholas perguntou.

- Não queria ter de fazer isso, mas vejo que é a única solução. Vocês terão até o Natal do próximo ano para casar e me apresentar a noiva! - O velho enlouqueceu, provavelmente são os efeitos do medicamento.

- O quê? Vovô, não pode fazer isso, apenas por suas fantasias, enquanto nós não queremos nenhum casamento ou formar família. - Nicholas ainda tenta argumentar.

- Sim, não pode forçar as pessoas a se casarem e muito menos dar um ultimato com uma data final, vovô. - Tentei trazer a sanidade de volta ao velho.

- Queria que fossem assim sempre, como irmãos que se apoiam, mas o único momento em que conseguem fazer isso é para irem contra mim! - Ele falou irritado. - Não querem se casar e ter uma família? Ótimo, então não deixarei a empresa para nenhum de vocês. Querem a cadeira de CEO? Mostrem que merecem! O primeiro a se casar assume o posto!

Então o velho decidiu usar as armas que tem. A verdade é que, por direito, a cadeira é minha. Passei a vida me preparando para isso. Minha mãe não aceitaria nada menos do que seu filho no posto.

Dei de ombros. Provavelmente o velho irá esquecer dessa insanidade. Deve ser só os efeitos dos remédios.

Algumas semanas depois

Emma

Meu encontro com Jemes Carter não saía da minha cabeça. Não o vi mais desde do baile de natal. Apesar de não ter tido nem ao menos um beijo dele, tenho para mim que a noite passada foi especial para ele, assim como foi para mim.

- Emma, venha! - Maya me chama. Como trabalhamos na véspera do Natal, eu, Cairo e Maya organizamos uma pequena ceia para nós e os outros funcionários, na cozinha do hotel mesmo na noite do dia 25.

- Estou indo. - Falei, tirando o avental.

A ceia foi deliciosa, mas como não seria? O chefe sempre faz as melhores refeições. Cairo me entregou um pequeno embrulho no final do jantar.

- O que é isso? - Perguntei, olhando para ele. Ele sorriu.

- Abra. - E quando abri, vi um papel dobrado.

- Uma carta. - Cairo riu. Abri o papel e era um bilhete com as letras do meu pai.

"Cuide de Emma, não abandone, garanta o futuro dela. Mas não sei como protegê-la até que ela saiba lutar sozinha. Preciso que ajude, seja forte. Christine não é a mulher que pensei que é. Cuide do meu tesouro, Cairo."

- Meu pai... - Senti vontade de chorar.

- Não acredito que o testamento esteja certo, Emma. Seu pai garantiu que deixou seu futuro seguro. Agora que você é maior de idade, precisa de bons advogados. Com certeza o testamento foi alterado. - E senti um alívio que não sentia há muito tempo. Meu pai não havia me esquecido.

- Obrigada, Cairo. - Ele sorriu e se afastou, me deixando com o bilhete na mão. Maya chegou logo depois, com outro embrulho na mão.

- Não vai fazer isso. Prometemos que não trocaríamos presentes. - Falei para ela, que sorria.

- Já fez seu pedido para o papai noel? - Eu ri. Há muito tempo que não acredito no bom velhinho.

- Ainda não, não sei o que pedir. E você? - Ela riu e me entregou o embrulho. Revirei os olhos, abri e vi a máscara que havia usado.

- Guardou isso? - Perguntei, confusa. A verdade é que Maya devia se livrar de todas as provas de que eu estive no baile.

- Não tem mais problema. Ninguém irá lembrar mais da moça de vermelho que chamou a atenção de Jemes Carter. - Talvez ela tenha razão. Eu realmente quero ter algo para lembrar daquela noite.

- Muito obrigada. - Ela bateu no meu ombro de leve.

- Sabe, senhorita Emma, no Natal passado eu pedi para o papai noel que me desse um emprego com pessoas maravilhosas, e eu estou aqui. - Ela sorriu. - Que tal fazer o seu pedido? Talvez, só talvez, ele se realize.

Maya se afastou e eu fiquei ali. Então decidi subir para o terraço. Se ela tem razão, melhor pedir em um lugar que seja mais próximo do bom velhinho.

E ali, no terraço, onde o beijo com Jemes Carter não aconteceu, eu pedi com todo o meu coração que, se o papai noel existisse, ele interferisse em meu destino e me desse Jemes Carter de presente.

" Eu não sabia, mas que maldito desejo"

Capítulo 3 Então me faça um grande favor e se case comigo

Emma

306 dias depois do pedido

- ACORDAR.

O grito me fez acordar atordoada. Christine não tem o hábito de ser gentil; ela puxou o meu cobertor.

- Vai perder a hora, garota preguiçosa! Eu disse ao seu pai que deveríamos ter deixado você com sua avó. - Ela fala com mal-humor. Me levantei ainda sonolenta e olhei para o relógio. Eu entro às 09h no trabalho, e ainda eram 6h da manhã. - Maya faltou de novo, precisamos que você a substitua.

- Claro, porque eu não tenho outros planos. - Falei, sem questionar ou reclamar do jeito dela. Aprendi a não me irritar com Christine, não quando ela perde o controle tão facilmente e joga o que tiver por perto em mim.

Puxei o ar com força. Ouvi Catharina reclamar de estar sendo acordada e Luana resmungar alguma coisa, mas Christine não se importava em acordar suas filhas. Na verdade, ela tem uma grande habilidade: não se importar com ninguém além dela mesma.

- Ande logo, estão precisando de você! - Ela gritou, e me arrastei até o banheiro.

- Me dá 20 minutos, preciso tomar um banho. - Ela gritou mais algumas ofensas, mas decidi não escutá-la; o barulho do chuveiro abafou seus gritos.

Quando Christine me fez a proposta de trabalhar no hotel dos meus pais, no primeiro momento eu recusei. Mas ela me lembrou que, ao contrário de suas filhas, eu não receberia mesada. Então, aceitei o trabalho de camareira. E assim, tenho sido jogada para fazer tudo no hotel. Christine não aceita o fato de que eu não recuo, não deixo ela me desanimar. Coloco um sorriso no rosto e o desentupidor de privada na mão, e sigo em frente.

E para ela, isso é um insulto. Como eu não caí aos seus pés e implorei por misericórdia. Christine é um ser desprezível, e eu tive o azar de meu pai se apaixonar por ela.

Sai do banho e vesti minha armadura de serviçal. Me lembro de quando era criança, perguntando à minha mãe por que eu não podia ter uma roupa como a das garotas do hotel. Eu achava lindo o tom azul escuro do uniforme. Era pequena demais para entender, mas a cor do uniforme era uma forma de distinguir quem era funcionário do hotel e quem não era.

Caminhei em passos firmes até a sala de jantar. O café estava servido. Não que eu pudesse me sentar com Christine, mas era bom que ela me visse indo trabalhar.

- Maya está bem? - Perguntei. Ela me avaliou com seus grandes olhos negros e deu de ombros.

- O filho está doente. Já falei para não contratar mulheres com filhos; elas usam eles como desculpas sempre que precisam. - Maya nunca falta, na verdade, é a melhor funcionária do hotel, mas não irei discutir isso com ela.

- Entendo, vou indo. - Falei, saindo da sala de jantar e indo para a escada de serviço. Christine diz que não devo sair pela porta da frente, não quando estou vestida de serviçal.

As coisas costumavam ser diferentes; por doze anos, eu fui a princesinha do meu pai, o hotel meu castelo, eu era mimada e amada, mas Christine apareceu em nossas vidas, acabara de perder o marido, assim como meu pai tinha perdido a minha mãe, rapidamente os dois criaram conexão, como não criar, ambos pais sozinhos aprendendo a lidar com o luto. No começo, eu achava bom, meu pai sorria, teria irmãs para brincar. Mas tudo mudou quando meu pai ficou doente e, com doze anos, me tornei órfã, e Christine, minha amada madrasta, se sentiu na obrigação de me criar. E aí o mundo desabou, e a princesinha se tornou um estorvo.

- Graças a Deus chegou. - Cairo falou, ajeitando a gravata. Ele é o gerente do hotel, sempre foi leal ao meu pai e, apesar de não suportar Christine, ele me prometeu que nunca me deixaria à própria sorte com ela.

- Estamos lotados, sabe como é perto do Natal e Maya não conseguiu vir. - Sorri para ele, pegando o avental.

- Eu já estou pronta, o que preciso fazer? - Ele sorriu para mim.

- Leve esse café para o quarto 203. - Ele apontou o carrinho com o café da manhã. Senti um frio na espinha, eu sei quem está hospedado no 203.

- Eu posso arrumar os quartos, pede que outra leve o café da manhã. - Cairo olhou para mim impaciente.

- Não temos tempo para isso, sabe como o Sr. Carter é irritante pela manhã. - Puxei o ar, a verdade é que não desejo ir naquele quarto, não desejo chegar perto do Sr. Carter.

- Estou indo. - Falei, sabendo que não posso passar o resto da vida o evitando, ele provavelmente não lembra de mim, estava de máscara e foi uma noite agitada para ele.

Peguei o carrinho e entrei no elevador de serviço, meu coração pulsava como se estivesse em uma corrida de cavalo, já pensei em diversas situações possíveis caso o Sr. Carter me reconhecesse e todas elas terminam com ele me rejeitando quando percebesse que sou só mais uma funcionária do hotel.

Já vi as garotas que Jemes andam, todas sempre bem vestidas e lindas, sei que se ele não tivesse entendido naquela noite, nunca teria se aproximado de mim.

Parei de frente ao quarto 203, meu coração batia em um ritmo acelerado, sei que ele não vai me reconhecer. Bati na porta e esperei ele abrir. Seus cabelos negros estavam molhados, ele estava apenas com uma toalha na cintura demonstrando seus músculos, seus olhos grandes e azuis caíram sobre mim.

- Pode entrar, docinho, me desculpa por atendê-la assim, vou colocar o roupão, pode colocar a mesa. - Ele fala, andando para o quarto. O apartamento 203 é espaçoso, tem sala de visitas, o quarto, a sala de jantar, mas sei que ele prefere tomar seu café na varanda. Empurrei o carrinho até o lado de fora.

Não sou tão boa em organizar a mesa quanto Maya, ela tem mais habilidade com isso, apenas coloquei o café sobre a mesa da varanda. Ele logo apareceu, vestindo um roupão. Seus olhos me avaliaram enquanto eu colocava os talheres. Ele se sentou, e seus olhos continuavam fixos em mim. Uma onda de desespero e medo me tomou. Se ele me reconhecesse, se soubesse que a dama misteriosa era eu? Provavelmente falaria com o gerente ou até mesmo com Christine, o que a faria saber que eu não cumpri o acordo e fui ao baile.

- Como se chama? - Ele enfim perguntou, seus cabelos negros estavam bagunçados e molhados, o que o tornava estranhamente mais atraente.

- Emma. - Falei, desviando de seu olhar, me preparando para sair o mais rápido dali. - Posso ajudar em algo mais?

Ele me avaliou como se estivesse pensando em algo, meu coração começou a bater mais depressa.

- Sabe de uma coisa? - Ele sorriu, um sorriso triunfante. - Pode sim, Emma.

- E no que seria, senhor? - Prontifiquei-me depressa, esperando o pedido.

Ele novamente me olhou de cima a baixo e sorriu.

- Por acaso tem namorado? - Neguei com a cabeça de imediato.

- Não, senhor. - Ele piscou para mim.

- Então me faça um grande favor e se case comigo?

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022