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A proposta do falso amor

A proposta do falso amor

Autor:: Leidy Gomez
Gênero: Romance
- Pode ler com calma e atenção, se discordar de alguma coisa é só falar que mudaremos. Peguei o contrato e comecei a ler. Contrato Liz Hernandez concorda em ser noiva do Henry Miller durante um período de um (1) ano, a partir da data de início deste contrato. Exclusividade: Durante a vigência deste contrato, Liz Hernandez concorda em dedicar seu tempo e esforços exclusivamente aos interesses do Henry Miller. Ela não deve buscar ou aceitar oportunidades de relacionamentos com outros homens. Residência: Durante o período de vigência deste contrato, Liz Hernandez concorda em residir nas instalações fornecidas pelo Henry Miller, inclusive irá dormi na mesma cama com ele. Duração do Contrato: Este contrato terá duração de um (1) ano a partir da data de início, a menos que seja rescindido antecipadamente caso uma das partes quebre o regulamento, de acordo com as disposições previstas neste contrato. Remuneração: Henry Miller concorda em pagar a Liz Hernandez uma remuneração justa e adequada pelo trabalho prestado. Outras Disposições: Ambas as partes concordam em cumprir todas as leis e regulamentos aplicáveis durante a vigência deste contrato. Ass: Henry Miller: _________________________ Ass: Liz Hernandez: _________________________ Esse homem é um idiota mesmo.

Capítulo 1 1

Liz Hernandez

Fui chamada na sala do CEO, entrei percebi que o clima não era dos melhores, alguns meses atrás o CEO da empresa sempre me falava que eu iria ganhar uma promoção. Quando eu entrei na sala eu estava sorridente, com ilusões na minha mente de que eu ganharia a promoção.

- Você está dispensada.

Foram essas palavras em um tom forte que chegaram aos meus ouvidos.

- Dispensada? Depois de tudo o que eu fiz por essa empresa? Três anos jogados fora, eu esperava uma promoção e não ser demitida dessa forma.

Minha vontade era de gritar como uma louca.

- Senhora Liz, espero que entenda o meu lado, a gente precisa fazer um corte de gastos e infelizmente tivemos que te dispensar, nossa empresa agradece todo seu tempo investindo aqui, mas não vamos te dar a promoção.

Como eles querem que eu entenda o lado deles, eles precisam entender o meu, não era um simples agradecimento que eu esperava.

- Mas vocês prometeram que se eu ajudasse a fazer todo o marketing da empresa eu iria ganhar a promoção, vocês mentiram para mim - minha mão estava suada e tremulda.

Meus olhos começaram a lacrimejar, gotas queriam sair,mas eu fui mais forte do que o sentimento e não deixei com que as gotas saíssem.

- Não tenho mais nada a dizer para você, pode pegar as suas coisas e se retirar daqui.

Francamente, eu não posso acreditar no tempo que perdi nessa empresa, eles não dão a mínima para todo o meu trabalho e dedicação. Estudei marketing digital justamente para ajudar no crescimento da empresa, ainda não entendi esse corte de gastos, eles cresceram e expandiram a empresa para vários outros estados, eu fui tão burra.

Fui andando pelas ruas de Nova York e um vento frio que passava sobre mim enquanto eu me perguntava, o que eu irei fazer da minha vida?

- Chegou em casa cedo hoje, aconteceu alguma coisa? Está com uma cara de quem comeu e não gostou - disse Alicia.

- Eu fui demitida do meu emprego Alicia, não sei o que vou fazer agora, minha vida é um fiasco. - Liz se sentou no sofá, colocou as mãos na testa e bufou.

- Calma amiga, tenho certeza de que logo você arruma outro, mas não consigo entender como isso aconteceu com você, você não ia ganhar uma promoção?

- Eu ia, eles me prometeram que eu iria ganhar essa promoção, agora estou toda enrolada, temos que pagar o aluguel, como vou pagar a minha parte?

Ainda estou incrédula.

- Bom, você precisa realmente resolver isso logo, sabe que trabalho em uma boate o dinheiro que eu ganho dá apenas para pagar minha parte do aluguel.

- Eu sei Alicia, amanhã mesmo eu vou começar a colocar currículo em todos os lugares que eu conseguir.

Eu e Alicia moramos juntas desde que vim estudar marketing aqui em Nova York, ela veio para trabalhar nas boates, ela sempre gostou de dançar e encontrou um refúgio dentro das boates lotadas durante a noite. Agora eu me sinto ferrada, preciso beber, estou com vontade de dar a louca e ir me divertir nas boates noturnas.

- Já vai Alicia para boate?

- Vou sim.

- Estou morrendo de vontade de beber, acho que vou ir com você.

- Então vamos, é bom que amanhã você vai estar com a mente vazia para poder achar uma vaga de emprego, hoje vai ter uma festa a fantasia na boate, pega uma das minhas máscaras e coloca um vestido bonito.

Eu acho que amanhã eu vou estar com uma ressaca terrível, mesmo assim vou ir, preciso dançar um pouco. Coloquei um vestido justinho preto, uma máscara com orelhas de coelhinho e fui me divertir.

- A boate está lotada - disse Alicia.

- O que? Não consigo escutar nada, o som está muito alto.

- Eu vou subir no palco para dançar, não posso ficar com você, se divertir sem mim - disse Alicia gritando no ouvido da Liz.

Alicia estava no palco dançando plena, ela tem uma vibe sexy não se compara com nenhuma outra mulher, já eu sou tímida e não chamo a atenção de ninguém. Comecei a pedir vários drinks e beber como uma doida, eu nem sei beber, faz tempo que não bebo, fui para a pista de dança e comecei a dançar, eu já estava um pouco fora de mim nesse momento, minha vista estava embaçada, porém, eu consegui perceber que um homem com a máscara do batman estava vindo na minha direção, um homem e forte.

- Está sozinha? - Perguntou o homem.

- Quem é você? Cadê o Robin? - Perguntei gaguejando.

Mesmo bêbada ainda consigo fazer piada.

- Parece que a coelhinha está bêbada.

- Não estou não, bebi só uns goles, por que está usando essa máscara do Batman?

- Não é uma festa fantasia, disseram para usar máscaras.

- Eu sei, é que você é alto forte, bonito, parece que é realmente o Batman usando isso - disse Liz.

- Como sabe se sou bonito, nunca me viu. Você não acha que está tarde para uma garota como você está em uma boate, é perigoso aqui.

- Garota como eu? Eu sou super rebelde - falei mostrando minha rebeldia, não deu muito certo.

- Dá para ver que você não é uma garota de boate, seu jeito de dançar te denunciou, estava dançando feito uma doida, foi isso que me fez vir até aqui falar com você, seu jeito inocente me contagiou.

- Olha, eu não quero ter nada com ninguém agora, eu tive um dia difícil hoje - disse Liz enxugando os olhos.

Chorei nos braços desse homem que eu nunca vi na minha vida, olhos escuros dele estavam me olhando atentamente, seus braços fortes me puxaram para a mesa.

- Sente-se aqui, desabafa comigo, eu não sou um homem muito legal, mas hoje eu vou escutar o desabafo de uma mulher.

- Olha eu trabalhei por anos em uma empresa, eu fui jogada de lado igual a um lixo, eu fiz tudo por eles, agora eu preciso arranjar um emprego senão eu não pago o aluguel.

Ele limpou as lágrimas que estavam escorrendo por debaixo da minha máscara.

- Se acalme, logo você arranja outro emprego, qual o seu nome?

- Meu nome é Liz Hernandez e o seu? - Nossa conversa foi interrompida por uma mulher loira chamando pelo homem.

- Vamos amorzinho, deixe essa mulher aí, tenho muito para te mostrar na cama hoje ainda - disse uma mulher se apoiando no seu ombro.

- Liz, eu preciso ir agora, não chore desse jeito e vá para casa, esse lugar não é para você.

O homem foi embora com a mulher loira, ele nem me disse qual era o seu nome, acho que nunca mais eu o verei de novo. O restante da festa foi uma loucura, Alicia me levou arrasada para casa de tão bêbada que eu estava. Quando eu acordei pela manhã eu estava morrendo de dor de cabeça, mas mesmo estando tão bêbada noite passada eu não poderia esquecer do homem misterioso que escutou o meu desabafo.

- Alicia, quem era aquele homem forte mascarado de Batman lá na boate?

- Eu não vou saber te responder isso, estava tudo lotado ontem, existem muitos homens fortes que vão lá para atrair mulheres.

Atrair mulheres? será que ele é um tarado?

- Mas ele me tratou bem, acho que ele pode ser uma boa pessoa - disse Liz.

- Amiga confia em mim, nenhum homem que está lá é boa pessoa.

- É uma pena mesmo isso, esse homem daria um bom caldo.

- Você falando assim chega a ser engraçado, olha tem o Arthur ele vive indo atrás de você, você poderia dar uma chance ao pobre coitado - disse Alicia rindo.

- Ele precisa me conquistar primeiro, não é só ficar andando atrás de mim que ele vai conseguir alguma coisa. Eu vou começar a entregar currículo agora.

- Está bom Liz, faça uma boa maquiagem e coloque uma roupa mais elegante também, para de andar que nem uma roqueira doida, você é boa no que faz.

Talvez eu ande esquisita demais, eu vou andar do jeito que eu gosto, vou colocar a minha melhor jaqueta, minha bota preta, as pessoas têm que se interessar pelo meu trabalho e não pelo modo como me visto. Está frio em Nova York hoje, eu sempre amei esse lugar, não foi à toa que larguei tudo e vim viver aqui para estudar marketing, tem uma empresa grande por aqui vou tentar falar com o gerente.

- Olá, bom dia, eu posso falar com o gerente de vocês?

A mulher me olhou de cima para baixo.

- Bom dia, o que você quer com o gerente? - Ela perguntou.

- Eu trabalho com Marketing, estou procurando emprego gostaria de falar com o gerente.

- Eu vou chamar ele. - Alguns minutos se passaram e um homem veio falar comigo, sua olhada para a minha cintura me deixou desconfortável.

- Você trabalha com marketing? - Perguntou o homem.

- Trabalho sim, seria uma honra mostrar minhas habilidadespara vocês, eu poderia fazer uma entrevista - respondi empolgada.

- Claro, venha até a minha sala, será mais reservado. - Ele piscou depois de dizer isso, não entendi.

Cheguei na sala do gerente da loja, ele se sentou na minha frente e pediu para eu mostrar as minhas habilidades.

- Claro, eu trouxe o meu notebook, posso te mostrar meus trabalhos antigos, eu trabalhei em uma empresa grande e famosa aqui de Nova York, lá fiz vários trabalhos incríveis, tenho certeza de que você irá adorar - disse Liz empolgada.

- Não era esse tipo de habilidade que eu estava esperando, achei que você tinha entendido, mas se você mostrar para mim o que tem debaixo dessa sua roupinha eu posso pensar em te dar essa vaga de marketing que você deseja - disse o homem lambendo os beiços.

- Você é um nojento pervertido, eu estou aqui para mostrar meu trabalho no qual eu me dedico muito, meu corpo não está à venda seu nojento.

Eu me levantei daquela sala, sai batendo a porta com as lágrimas escorrendo no meu rosto, eu não posso acreditar que tenha escutado isso. Enquanto eu corria limpando as lágrimas que escorriam nos meus olhos acabei tombando com Arthur meu amigo da faculdade.

- Liz? Por que está chorando? - Perguntou Arthur.

- Oi Arthur, quanto tempo a gente não se vê, só estou um pouco frustrada com o que acabou de acontecer comigo, eu fui demitida da empresa que eu trabalhava e estou tentando arranjar outro, mas o gerente não quis ver meu trabalho, ele queria ver meu corpo.

- Esses idiotas dessas grandes empresas infelizmente são assim, eles acham que as mulheres vão se vender por tão pouco. Não chore mais, vem tomar um café comigo.

- Um cafezinho vai ser ótimo, esqueci de comer antes de sair de casa.

Arthur me levou em uma cafeteria e comprou café e panquecas para a gente, Arthur é um homem gentil, ele sempre cuidou de mim mesmo depois da gente terminar a faculdade, embora fiquei um tempo sem vê-lo.

- Meu aniversário está chegando Liz, o que você vai me dar de presente.

- Eu ainda não sei, na verdade minha vida anda tão caótica, eu nem paguei minha parte do aluguel ainda, Alicia estásegurando as pontas para mim.

- É verdade, mas você poderia me dar outra coisa de presente, que tal um beijo?

- Arthur você é louco, desse jeito você não me conquista nunca, precisa de mais que isso para fazer meu coração bater forte - disse Liz rindo.

- Eu já te dei flores, chocolates, o que mais você quer, senhora Liz?

Durante a faculdade Arthur me surpreendia com flores e chocolates, minha vida estava tão caótica em ter que trabalhar e estudar que nunca pude retribui-lo.

- Eu não sei, essas coisas ainda não são o suficiente para eu me apaixonar, vamos mudar de assunto. Eu vou tentar ir atrás de outras empresas, preciso arranjar um emprego logo, queria ter a sorte que você tem Arthur, seu pai é dono de uma empresa e você logo arranjou um trabalho.

- Não pense que é bom trabalhar com o meu pai, ele é muito mandão, pode ter certeza de que às vezes eu tenho vontade de sair correndo. Eu fiquei sabendo que a empresa Cars Future está contratando, você poderia enviar currículo lá.

- Mas essa empresa é muito grande, você acha mesmo que eles iriam contratar alguém como eu?

"Cars Future" uma empresa multimilionária, eles vendem os carros mais modernos do mercado, as pessoas se matam para ter um carro dessa empresa, o negócio é o dono dela, dizem que o CEO é um patife, desprezível, parece que ele já enganou o coração inocente de várias mulheres.

- Para de se subestimar Liz, você é uma ótima profissional, eu vi já os seus trabalhos, aquela empresa que você trabalhou cresceu graças ao seu marketing, eles eram uma simples empresa de perfumes e agora vendem para o país inteiro, eu não sei como eles tiveram a coragem de te demitirem.

- Você está certo Arthur, vou tentar falar com essa empresa, eu não posso desistir sem ao menos ter tentado.

Me levantei com toda coragem que eu tinha no peito, sai da cafeteria me despedi do Arthur e fui para essa empresa enorme que só de chegar perto me dava medo, umas das maiores empresas de carro do mercado, eles vendem não só nacionalmente, mas internacionalmente. Fiquei de pé bem na frente da empresa, engoli uns três cuspes e entrei.

- Bom dia, eu soube que vocês estão contratando, eu sou uma profissional de marketing, gostaria de fazer uma entrevista - falou Liz sorrindo para a moça que estava olhando no fundo dos meus olhos.

Ela desvia o olhar e volta a digitar no computador.

- Estamos sim, precisa ter hora marcada, não é assim chegando que nem uma doida, aqui tem um formulário anote suas informações.

Assim que peguei o formulário escutei uma voz grossa, eu tenho certeza de que já escutei antes, olhei para trás e a presença de um homem forte, alto de cabelos escuros e olhos verdes penetrante tomou conta de todo o ambiente.

Ele olhou para mim, eu mordi meus lábios e olhei para baixo com vergonha.

- Bom dia senhora Carter, quem é a mocinha que está anotando ali?

- Ela veio se candidatar às vagas que estamos ofertando - respondeu a recepcionista.

- Mocinha? Você trabalha com o que? - Perguntou o homem.

- Eu sou uma profissional em marketing, quer ver meu currículo? - Falei praticamente sussurrando de tanta vergonha.

- Quero sim, mande a Mia trazer essa moça até minha sala.

Uma loira alta e peituda veio em minha direção.

- Venha comigo, te levarei até a sala do senhor Henry. - Ela não disse mais nada até a ida da sala, na verdade ela fez pouco caso de mim.

Espero que esse homem não queira ver o meu corpo, o pior é que ele é tão lindo que sou capaz de me entregar a ele com apenas uma palavra. Entrei na sala, ele estava me olhando atentamente.

- Eu sou Henry Miller, o dono da empresa, me dê seu currículo.

Entreguei a ele o currículo tentando desviar meus olhos do dele, então esse é o patife de quem todos falam, agora entendo o porquê de as mulheres inocentes ficarem com o coração enganado é fácil se apaixonar por esse homem.

- Você é bastante tímida, senhorita Liz Hernandes. - O homem sorriu de lado quando olhou meu currículo.

- É, eu sou um pouco - disse trêmula, meu cabelo na nuca arrepia com cada palavra que esse homem solta.

- Me fale um pouco da antiga empresa em que você trabalhou.

- Essa empresa que você está vendo no currículo a "Perfumaria Star" era uma empresa minúscula quando comecei a trabalhar nela, graças a todas as minhas estratégias de marketing ela cresceu nacionalmente, se tornando uma das maiores empresas de perfumes do mercado - respondi.

- Então, se você era tão importante assim para essa empresa, por que não está trabalhando nela? - Perguntou Henry.

- Eles me demitiram dizendo que precisavam cortar gastos.

- Como uma empresa que cresceu tanto precisa cortar gastos? Muito estranho isso, mas eu vou ser bom e te darei uma chance, mostra para mim se você é realmente boa no marketing, minha empresa já é bem famosa no mercadovamos lançar uma nova linha de carros e preciso de alguém boa no marketing.

- Pode deixar comigo senhor Henry, eu não vou te decepcionar - disse Liz empolgada.

- Eu realmente espero que você não me decepcione, senhorita Liz - Henry olhou atentamente para os olhos de Liz.

Seu olhar penetrante antes de me mandar sair da sala me disse tudo, aquele olhar dizia, estou te- dando uma chance não jogue ela fora. Quando saí da sala a loira peituda estava me esperando bem na porta.

- E aí queridinha como foi a entrevista com o Henry?

Ela fala o nome dele com tanta intimidade

- Deixa a garota em paz Mia - disse a senhora Carter.

Mia me olhou com os olhos fervendo.

- Foi interessante, fui contratada - respondi desviando o olhar.

- Mia, arruma uma sala para a senhora Liz trabalhar, quero ela nessa empresa amanhã bem cedo.

- Sim senhor - Mia olhava para a Liz com um olhar de deboche.

Voltei para casa cantarolando, nas nuvens desacreditada no que acabou de me acontecer, a empresa "Cars Future" acabou de me contratar, eu não posso acreditar nisso.

- Parece que alguém chegou feliz hoje - disse Alicia.

- Alicia, eu não estou feliz estou realizada!

- O que aconteceu, amiga? - Perguntou Alicia.

- A empresa "Cars Future" me contratou, o salário lá é maravilhoso, vou conseguir pagar o aluguel e ainda vai sobrar.

- Amiga, isso é perfeito, estou muito feliz por você.

- Eles vão lançar uma nova linha de carros e eu vou fazer o marketing dela, o dono da empresa Henry, ele é muito gostoso - disse Liz mordendo o canto dos lábios.

- Amiga não pense nisso, o homem é rico deve ter todas do lado dele, você quer aproveitar essa felicidade e sair para beber comigo na boate?

O rosto lindo e quadrado do Henry, eu não posso mais pensar nisso, também não posso sair para beber, por mais que eu queira ir ao bar vai que eu encontro aquele homem mascarado da outra vez.

Não, não e não preciso me conter.

- Não Alicia, tenho muito trabalho, vou começar a pensar em alguma coisa para eles.

Alicia saiu para beber, eu peguei meu celular e liguei para o Arthur, afinal foi ele quem me falou dessa oferta, graças a sua motivação eu consegui a vaga.

- Arthur, estou tão feliz você nem imagina o que me acabou de acontecer, conseguir aquela vaga na "Cars Future".

- Eu sabia que você ia conseguir, como uma pessoa tão incrível como você não conseguiria essa vaga, você tem potencial Liz, eu sempre vou acreditar em você, espero um dia ter a oportunidade de escutar todas as suas vitórias estando do seu lado.

- Arthur não fala desse jeito, quando você fala assim me sinto até em dívida com você, você sempre fez coisas tão maravilhosas na minha vida.

- Me dê uma chance Liz, ao menos saia comigo.

- Eu vou sair com você então, amanhã você me fala o local e a data, vou te dar essa chance de ter um encontro comigo, eu não te prometo nada Arthur, eu não posso dizer que te amo senão mentirei.

- Sem problemas Liz, eu vou te conquistar - disse Arthur com entusiasmo na sua fala.

Será que fiz certo em dar uma chance para Arthur? Ele sempre foi tão bom comigo, quero devolver para ele todas as coisas boas que ele me fez, mas também não posso enganá-lo. Agora não posso ficar parada, peguei meu notebook e comecei a montar algumas estratégias de marketing para esse primeiro lançamento não posso fazer muita coisa, não tenho fotos nem vídeos dos carros ainda para montar uma boa estratégia.

Capítulo 2 2

Henry Miller

Sem mãe, sem pai, apenas cuidando do meu avô que, pelo que dá para perceber, está com os dias contados. Falar isso machuca o meu coração. Me sinto abandonado completamente depois que fui deixado pelos meus pais ainda adolescente, eles não pensaram em mim quando decidiram partir para outra vida.

Pego uma foto em que nós três estamos juntos, sorrindo abraçados.

Lembro-me bem do dia em que tiramos essa foto, foi em um verão bem caloroso, depois foi apenas tragédia em cima de tragédia.

Bufo.

Lembrar disso me causa arrepios, minha mãe estava com câncer, ela descobriu o câncer depois de sentir muitas dores nos seios, meu pai colocou os melhores médicos para cuidar da situação dela, que já estava bastante agravada. Infelizmente, nada funcionou, minha mãe, que cuidava de mim com tanto carinho e atenção, veio a falecer, meu pai, revoltado com tudo o que aconteceu, amarrou uma corda na madeira que ficava no teto de casa e suicidou-se, o que ele dizia era que estava fazendo aquilo por amor.

Passo a mão pelas mechas do meu cabelo.

Aquilo não era amor, depois disso eu nunca mais acreditei nesse tal amor, um amor que foi capaz de abandonar seu próprio filho, jamais irei amar alguém, jamais me entregarei a algo tão tolo chamado "amor".

Uma voz ecoa pelos corredores da nossa grande mansão chamando meu nome.

- Henry, vem aqui agora, filho.

Sim, é meu avô. Meu bem mais precioso nesse momento é ele, mesmo estando bem velhinho, ainda tenta cuidar de mim.

- Sim, vovô, por que está me chamando?

- Filho, já disse não para ficar trancado neste quarto o dia todo, você sai apenas à noite e volta bêbado para casa - disse o senhor Frederik, mostrando deveras preocupação.

Quando não estou no apartamento, venho à mansão para ver como meu avô está. Geralmente venho aqui quando não estou trabalhando e passo o dia trancado no quarto. Andar por esses corredores me traz lembranças de que eu não quero lembrar.

- Já disse para não se preocupar comigo, eu sei bem o que faço da minha vida, senhor Frederik.

Desci as escadas da mansão que levavam até a grande sala.

- Fica parado aí, menino, estou falando com você. Quando você irá trazer uma mulher decente para esta casa? Você precisa se casar logo.

Meu avô e essas manias dele em achar que eu irei me casar, parece que ele não me conhece.

Suspiro.

- Você sabe que não irei me casar nunca, eu não vou amar ninguém - disse com bastante ousadia.

- Lave essa boca, menino, você irá se casar sim. Trate de trazer uma mulher para esta casa logo.

Esse velho é muito persistente, ele acha que uma mulher irá curar a dor que meus pais me causaram, nenhuma mulher é capaz de me curar. Eu posso destruir a vida de uma mulher se ela tentar me amar de verdade.

Todos na cidade me conhecem como um sem-vergonha, eles dizem que faço as mulheres inocentes sofrerem por mim, talvez eu realmente seja um mequetrefe, contudo, a realidade é que as mulheres se entregam muito fácil para mim, elas se iludem mesmo eu dizendo que é apenas sexo.

Preciso ir para aquela empresa que foi deixada para mim depois que meus pais se foram. Normalmente é o senhor Benjamin, o meu motorista, que me leva para o trabalho, mas hoje eu irei dirigir.

Fui à garagem e peguei um dos modelos mais avançados dos meus carros. Esse carro é uma belezinha. Fui eu que planejei toda a parte do motor, o designer preto lhe caiu bem. O carro é muito rápido, cheguei na empresa cerca de poucos minutos, na verdade, eu não moro muito longe da empresa.

Mesmo assim, tenho um apartamento bem aqui no centro de Nova York, não posso levar todas as mulheres na mansão, lá eu levo apenas a Mia, meu avô já está acostumado com ela.

- Eu estava esperando pelo senhor chefinho - disse Mia.

Mia é uma grande gostosa, o corpo dela me atrai muito, por isso sempre estou em sua companhia, dificilmente fico com outra mulher que não seja ela, para isso acontecer precisa me cativar muito.

- Bom dia, Mia, gosto quando você me espera bem na porta.

Disfarçadamente, dei um tapa em uma das suas nádegas.

- Isso dói, querido, tente ser mais discreto.

Ela passou a língua nos lábios depois de sentir a minha mão pesada lhe apalpando.

Entramos na minha sala.

- Querido, eu tenho um convite para te fazer - disse Mia toda sorridente.

- Qual seria ele?

- Eu fiquei sabendo que vai ter uma festa à fantasia naquele bar que a gente sempre vai, você poderia ir de Batman e eu de mulher gato. O que acha?

As saídas para dançar com a Mia são sempre as melhores, ela dança de um jeito de tirar o fôlego, o corpo dela chama a atenção de qualquer um que passa.

- Claro, gostosa, como irei perder uma mulher sexy como você dançando para mim.

Puxei-a para mim e a sentei no meu colo.

- É assim que eu gosto do meu chefinho, vou pedir para que tragam as roupas que comprei para a gente usar.

Mia tinha um cartão black que eu emprestei para ela comprar tudo o que ela tem vontade. Eu não a amo, nem sou apaixonado pela Mia, mas o corpo dela ganhou de presente minha enorme ereção que lateja quando ela dança. Por isso, deixo ela com esse cartão, quero ver ela andando com as roupas mais sexy de todas.

Empurrei para que ela se levantasse.

- A festa é só de noite, vamos para a reunião, temos muito trabalho a fazer hoje.

Eu sou um cara safado mesmo, tenho que admitir, mas eu não sou um vagabundo, eu sempre coloco a minha empresa como prioridade. Quero fazer dessa empresa que foi herdada para mim em nome dos meus pais a maior empresa de carros de toda a América.

Depois da reunião, eu e Mia fomos até minha casa na mansão para se arrumar para essa festa à fantasia. Mia estava com um vestido bem justo, era possível ver o tamanho da sua bunda.

- Trouxe essa mulherzinha sem pudor para nossa casa de novo? - Disse o senhor Frederik com uma expressão raivosa.

Meu avô não gosta muito quando trago Mia aqui, ele sempre a trata com desprezo e rancor, na visão dele ela não é uma boa mulher para mim.

- Não foi assim que você me ensinou a tratar uma mulher, senhor Frederik.

Respondi a ele debochando da sua atitude, não gosto quando ele a trata assim, oras, ela é meu brinquedinho pessoal.

- Eu gosto muito do seu neto, senhor Frederik, não tenho culpa dele sempre me escolher como mulher - disse Mia, se fazendo de sonsa.

- Já disse que você não é mulher para ele.

- Não vamos ficar aqui discutindo isso, eu e Mia vamos sair essa noite, amanhã é final de semana, não me espera acordado, velho.

Olhei para ele, soltei um leve sorriso debochado e subi para me trocar junto com a Mia.

Mia tirou a roupa, deixando seus seios enormes mirando bem na minha direção. Estou doido para ver ela dançando para mim hoje. A roupa que ela colocou era toda em couro, estava apertando todo seu corpo, deixando-os ainda mais desenhados, ela colocou uma máscara de gatinho, eu estava usando uma fantasia do Batman.

- Estou pronta, gostou?

- Eu amei essa sua roupa apertadinha.

Estávamos prontos, peguei o meu carro que uso apenas para ir às boates, coloquei-a bem do meu lado, chegamos à boate. A boate estava cheia, muitas pessoas fantasiadas, algumas mulheres tentavam falar comigo, porém eu não dava bola.

- Vou dançar para você agora, querido.

Peguei uma cadeira e coloquei bem de frente para Mia, ele subiu até o palco e começou a dançar pole dance para mim. Mia sempre dança para mim, ganhando toda a minha atenção com sua sensualidade.

Abri minhas pernas na cadeira, mordi meus lábios, ele estava avantajado, ereto, vendo-a rebolar.

Uma cena me chamou atenção, uma simples menina usando uma máscara com orelhas de coelhinho.

Que mulher é aquela que está tirando toda a atenção da Mia e me fazendo apenas admirá-la? Mia começou a dançar ainda com mais sensualidade, porém ela não me prendia, meus olhos estavam sobre a mulher dançando igual uma doida com orelhas de coelhinho. Tive que ir em sua direção.

Enquanto eu andava devagar, empurrando as pessoas que estavam na minha frente para poder enxergá-las ainda melhor, pude perceber sua simplicidade e inocência. Vestido justo, apertado, mostrando toda a sua silhueta, sua inocência ao dançar como uma louca, não percebendo que todos os homens ao seu redor estavam olhando para ela com desejo.

Cheguei mais perto dela, provoquei a chamando de coelhinha, ela me olhou com um sorrisinho de bêbada e perguntou.

- Cadê o Robin, Batman?

Parece que essa coelhinha tem bom humor. Pelo jeito que ela fala e dança, é nítido que ela não é daqui. Esse lugar não é para ela. O perigo que essa boate pode trazer para a inocência dessa coelhinha não está escrito. Ela caiu nos meus braços e começou a chorar, desabafando.

Respiro fundo. Minha mão quer deslizar e agarrar sua cintura.

Não, com essa mulher eu não posso brincar, é o que eu sinto nesse momento. Escutando-a desabafando, minha vontade era de pegar ela no colo, levar para minha cama e brincar com seu corpo a noite inteira, mas alguma coisa dentro de mim diz que ela não é meu brinquedinho.

- Qual seu nome? - Perguntei com muita curiosidade.

- Liz Hernandez.

Quando eu ia responder para ela, meu nome, fui pego de surpresa pela Mia, tive que me despedir da linda mulher de cabelos longos bagunçados com a silhueta mais linda que já vi.

- Não gostei do jeito que estava olhando aquela mulher - disse Mia com raiva.

Eu sempre fiquei com outras mulheres, Mia sempre fica com ciúmes, mas logo passa.

Abro a porta do carro e mando ela entrar.

- Vou te levar em casa.

- Nós não íamos passar a noite juntos? - Perguntou Mia.

- Eu decidi que quero ficar sozinho hoje.

- Sozinho? Entendi, olhou para aquela mulherzinha sem pudor com desejo, quer fazê-la de brinquedinho também?

- Não, aquela mulher não parece ser o tipo que aceitaria ser um brinquedinho meu.

Deixei Mia em casa, ela estava com muita raiva, bateu à porta do carro e entrou.

Voltei para casa imaginando aquela coelhinha nua na minha cama, amanhã eu vou pedir para Mia trazer todas as informações dessa Liz.

No dia seguinte, quando eu acordei, coloquei meu terno, pedi para Benjamin me levar para a empresa.

- Está contente hoje, senhor Henry.

- Acordei de bom humor.

Na verdade, meu bom humor se chama Liz, preciso saber o que tem por debaixo dessa máscara de coelhinha.

Desço do carro, ando até a enorme porta principal do meu prédio.

Quando eu entro, me deparo com uma linda mulher de cabelos longos, preto, anotando em uma ficha. Ela me olha com uma ingenuidade e vergonha. Suas bochechas ficaram rosadas, ela veio para uma entrevista.

- Manda Mia levar essa moça até a minha sala.

Ela chegou na minha sala, sentou-se toda tímida, entregou o currículo. Quando eu olhei o nome que estava no currículo, não me segurei. Um leve sorriso saltou na minha boca, Liz Hernandez. Não pode ser a mesma pessoa! Quando começou a falar sobre a empresa em que trabalhou, era a mesma história da coelhinha, a sua voz me fez lembrar dela, todas as peças se encaixavam perfeitamente.

É ela, é a minha coelhinha!

Capítulo 3 3

Liz Hernandez

Meu primeiro dia de trabalho na empresa "Cars Future", essa noite, eu pensei bastante em proposta de marketing para levar para o senhor Henry.

Coloquei uma roupa que faz total meu estilo, calça jeans, blusa preta e jaqueta. Não estou vestida como as outras meninas da empresa, elas se vestem com lindos vestidos refinados e a Mia com um vestido bem apertado.

Eu não tenho carro, então preciso ir andando. Comecei a dar passos largos para ir mais rápido.

Fiquei ofegante.

Cheguei sem ar, com o coração batendo mais forte que um pandeiro, mas cheguei no horário.

- Senhorita Liz, vejo que chegou no horário. Me siga, te mostrarei sua sala - disse Mia.

A sala não era muito grande, mas o suficiente para eu elaborar toda a minha estratégia de marketing, tinha computadores, notebook, tudo à minha disposição.

- Uma reunião se inicia daqui a 10 minutos, não se atrasa. Da próxima vez, coloque uma roupa a caráter da empresa - disse Mia.

- Mas é meu estilo - retruquei.

- Seu estilo é repugnante.

Ela saiu da sala fazendo uma expressão de nojo para mim, eu vou falar sobre isso com Henry, ele não disse nada sobre eu ter que mudar meu visual quando me contratou. Não vou me deixar levar por essas palavras referidas à minha pessoa, preciso ir para a reunião.

Cheguei na sala de reunião e tinham duas cadeiras disponíveis, uma do lado do senhor Henry e outra na ponta da mesa. Eu estava indo para a ponta da mesa quando Henry me chamou.

- Liz, sente aqui, não fique tão longe de mim, eu não mordo.

- Mas Henry, esse lugar é meu - disse Mia.

- Mas hoje quero a senhorita Liz sentada bem ao meu lado, afinal ela precisa ver mais de perto as fotos do nosso novo lançamento.

Eu não posso ficar mais perto desse homem, eu não sei se estremeço com a beleza dele ou se fico com medo da expressão raivosa que Mia está fazendo para mim agora.

- Sim, senhor Henry, eu irei me sentar aí.

Levantei da cadeira que estava na ponta da mesa e sentei ao lado do senhor Henry, olhando-o com a cabeça levantada já que ele estava em pé. Ele se aproximou, colocando uma de suas mãos sobre a mesa.

- Não precisa me chamar de senhor, senhorita Liz.

Suspirei com aquela presença forte perto de mim, meu corpo ficou todo arrepiado.

- E você não precisa me chamar de senhorita - respondi.

Ele sorriu, se virou para todos e começou a falar.

- Durante esse mês, todos poderão ver os nossos esforços perante a nova linha de lançamento do Cars Future. Agora, o que a gente precisa para poder vender esses carros no mercado hoje é uma boa estratégia de marketing. Pensando nisso, contratamos a Liz, sei que ela começou hoje, entretanto, queria saber se você Liz pensou em alguma coisa para esse lançamento? - disse Henry.

- É claro que ela não pensou, ela entrou hoje, não pode simplesmente ter pensado em alguma coisa durante a noite - disse Mia, debochando.

Abri o meu notebook, virei para o senhor Henry.

- Bom, essa noite eu pensei em algumas coisas que podemos fazer para esse lançamento, primeiro eu preciso saber como será esse lançamento? - disse Liz com entusiasmo.

A expressão da Mia mudou quando eu abri o meu notebook e mostrei que sim, eu pensei em alguma coisa.

- Viu, Mia, eu não contratei uma mulher incompetentemente - disse Henry rindo.

Mia não gostou nada de ouvir o que Henry tinha dito, ela demonstrou isso quando franziu o cenho em sinal de desaprovação.

- Já que você perguntou à Liz o que a gente vai fazer para esse lançamento, eu estava pensando em fazer um evento mostrando todos os novos carros - falou Henry.

- Então, eu tinha pensado em duas ideias, neste caso podemos usar as duas, uma delas é fazer vídeos dos carros, eu irei editar e fazer um comercial. Tenho alguns vídeos aqui que criei no notebook, eu posso mostrar? - Perguntei.

- Vai em frente.

Henry me deu carta-branca, peguei um fio, conectei no notebook e na televisão e coloquei um dos comerciais que criei durante a noite usando imagens de outros carros. O vídeo não estava perfeito, mas era um bom rascunho.

- Para apenas uma noite, o vídeo ficou bom, claro que ele precisa de ajustes, porém não está ruim - disse Henry.

- Esse é só um rascunho, eu irei criar um muito melhor, agora tenho mais tempo. Eu gostaria de olhar os carros, precisamos de uma equipe para fazer as filmagens também.

- Fica tranquila, eu pessoalmente te mostrarei todos os carros da nossa nova coleção.

- Não precisa fazer isso, Henry, eu posso mostrar para ela os carros - disse Mia.

- Não se incomode, eu a levarei, você poderia por gentileza arranjar uma equipe de filmagem para ficar à disposição da Liz - disse Henry.

- Ok, eu farei isso.

Eu sinto que indiretamente eu estou comprando uma briga com a Mia, o pior é que eu não quero arranjar problemas com ninguém.

- Me siga, Liz.

Henry me chamou e seguiu andando, eu estava bem atrás dele, chegamos a uma entrada subterrânea, eu não fazia ideia de que existia isso aqui. Pegamos um elevador que tinha depois de descer alguns degraus.

Os números do elevador iam até 3, ele apertou no primeiro.

- Vamos ir bem fundo, pelo visto - disse Liz com o coração gelado.

- Não fique com medo, pode ficar tranquila que não irá ficar com falta de ar.

Henry tentou me confortar, funcionou, me senti mais calma assim que chegamos no local e eu vi os carros maravilhosos que tinham aqui.

- Eu te apresento a minha coleção - disse Henry com orgulho.

Enquanto ele falava dos carros, eu ficava com a boca aberta, o carro brilhava como as estrelas, eu podia ver minha imagem refletindo perfeitamente no capô do carro.

- Fecha a boca senão entra mosca Liz.

Minhas mãos estavam tão ansiosas, eu precisava tocar no carro preto com uma enorme listra vermelha do lado, o que deixava o carro ainda mais moderno.

- Não toque aí!

A voz dele falou em um tom forte assim que viu meus dedinhos tentando encostar no carro.

- Desculpa, eles são tão lindos que eu tive vontade de tocar.

- Eles não são mais lindos do que quem os criou.

Um sorriso debochado saltou da sua boca.

Fiquei vermelha com o que ele falou, mas ele está certo, sua beleza é radiante, ele tira toda a minha atenção com esse rosto quadrado e essa barba que combina perfeitamente com ele.

Eu fiquei parada olhando para ele, movendo sua boca enquanto falava palavras que eu não faço ideia do que são.

- Você está entendendo tudo direitinho, senhorita Liz?

Ele cruzou os braços enquanto me olhava atentamente, esperando por uma resposta.

- Oi? O que você falou?

- Não estava prestando atenção, Liz, o que é tão importante que está tirando toda sua atenção?

VOCÊ! Era isso que eu queria falar na hora que ele perguntou, mas eu consegui falar somente dentro da minha cabeça oca.

- Nada, desculpa. Pode continuar falando, irei prestar atenção.

Ele começou a explicar sobre as origens daqueles carros, o de listra vermelha que eu tanto amei foi desenhado pelo pai dele.

- Eu tenho vários projetos que foram criados pelo meu pai antes dele falecer.

- Eu sinto muito.

- Não sinta.

Ele retrucou num tom sério os meus pêsames, sabe lá Deus o que esse homem passou para ser tão frio, falando do pai que morreu. Ele está fazendo os projetos do pai, então talvez ele sinta nem que seja lá, no fundo, uma tristeza.

- Já disse para não ficar pensando na morte da bezerra Liz, olhe apenas para mim.

Fui pega por ele mais uma vez perdida nos meus pensamentos.

- Eu posso contar com você, Liz?

- Pode.

Ele veio andando na minha direção, olhou dentro dos meus olhos e disse.

- Eu realmente posso contar com você, Liz.

Sua mão pesada pegou uma mecha do meu cabelo e colocou atrás da minha orelha.

- Po-po-de, é claro que pode - respondi gaguejando.

Voltamos para o elevador e chegamos no térreo de novo. Mia estava esperando bem na porta da entrada subterrânea, o seu nervosismo era perceptível.

- Vocês demoram muito - ela disse com uma raiva que bem nítida de ser notada.

Esses dois não conseguem esconder que têm alguma coisa dentro da empresa, ela fica em cima dele o tempo todo. Claro que ele vai querer ficar com ela. Mia tem um corpo lindo, qualquer homem deve ser louco por ela.

- Mostrei tudo para Liz, não quero você me perturbando hoje, Mia.

Parece que Henry já está cansado da importunação dela o tempo inteiro.

- Vamos sair hoje - disse Mia, se jogando nos braços dele.

Ele revirou os olhos e a empurrou.

- Eu vou dar licença para vocês dois poderem conversar.

- Obrigada por ser tão atenciosa, Liz.

Sai daquele ninho maluco, não quero ficar entre esses dois.

O trabalho terminou, finalmente. Irei para casa descansar, quando eu saí pela enorme porta do prédio Cars Future, bem na minha frente estava Arthur me esperando. Arthur é um homem muito bonito, forte, alto, cabelo loiro e olhos verdes.

Ele sempre esteve comigo, às vezes meu coração fala para eu dar uma chance para ele.

- Esse é seu namorado, Liz? Parece que você tem bom gosto - falou Mia, saindo de dentro da empresa grudada nos braços do Henry.

- Ele é meu amigo - respondi.

Henry não disse nada, apenas olhou para o Arthur com um olhar nada agradável. Henry e Mia entraram no carro juntos, antes dela entrar, ele me deu tchau, balançando sua mão. Eu a respondi da mesma maneira, mas aquele sorriso me parecia um pouco debochado.

- O que você está fazendo aqui, Arthur?

- Como hoje foi o seu primeiro dia de trabalho, eu gostaria de te levar para comer alguma coisa, para poder comemorar.

- Eu estou muito cansada, mas a gente pode comer lá em casa, o que acha?

- Vamos então.

Entramos no carro, Arthur colocou uma música e até chegarmos na minha casa ficamos calados, observando os enormes prédios que preenchem toda a cidade.

- Sua casa não é longe, mas também não é tão perto, como você vai trabalhar todos os dias?

- Eu vou andando, não tenho carro.

- Você vai andando! Você é realmente louca - Arthur diz sorrindo sem acreditar no que escuta.

- Andar é bom, eu não ficarei sedentária.

Chegamos no prédio em que eu moro, meu prédio não tem nada a ver com todos aqueles prédios que acabamos de observar enquanto estávamos vindo para cá, infelizmente não tenho dinheiro no momento para pagar um apartamento melhor que esse, eu recebo bem na empresa Cars Future, só que o tempo que passei na outra empresa ganhando uma merreca de salário me fez juntar uma enorme dívida.

Entramos na minha casa, eu e Arthur preferimos pedir algo no Ifood, eu não estou com energia para cozinhar agora.

- Olha os pombinhos aí, sentados.

Alicia saiu de dentro do banheiro usando seu vestido justo, provavelmente está indo para a boate.

- Pedimos uma pizza, você vai ficar para jantar?

- Não, vou para a boate agora, como foi no seu primeiro dia de trabalho?

- Depois eu te conto.

Tenho umas coisas para dizer para ela sobre o Henry, não posso falar com o Arthur aqui, parece que ela entendeu o recado porque piscou para mim.

- Falando em trabalho, aquele lá que estava com aquele olhar raivoso é o seu chefe? - Perguntou Arthur com curiosidade.

- É sim, ele é o famoso CEO da empresa.

- Os boatos sobre ele não são tão bons, mas não vamos falar sobre isso agora.

Alicia saiu para a boate, ficamos apenas eu e Arthur naquela sala sozinhos, um tempo depois a pizza chegou. Abri a porta, dei o dinheiro e mais uma gorjeta para o homem e entrei, coloquei a pizza na mesa de centro da sala e sentei ao lado de Arthur.

Um silêncio estava tomando conta de tudo, eu sentia que Arthur estava querendo falar alguma coisa para mim, alguns minutos depois ele resolveu falar o que queria dizer.

- Eu queria saber se você está pensando bem naquele assunto.

Aquele assunto? Lembrei! Sobre a gente namorar, eu ainda não tenho uma resposta exata sobre isso, mas como vou dizer isso para ele?

Ele estava parado bem na minha frente me olhando com uma pressão enorme, eu peguei uma enorme fatia de pizza com recheio de pepperone e enfiei toda na boca. Ele espera euterminar de mastigar, semicerrando os olhos.

Por fim, terminei de mastigar, não tenho outra saída, preciso responder à sua pergunta.

- Olha... eu não tenho uma resposta para a sua pergunta agora, eu reconheço todo o seu carinho por mim, mas eu estou com a vida turbulenta nesse momento.

Eu espero que ele me entenda.

- Ok, eu acho que já estou ficando persistente demais com esse assunto, mas eu quero que você saiba que eu não vou desistir de ser seu namorado.

- Eu juro que quando tudo estiver melhor, eu te darei uma resposta decisiva - respondi.

Ficamos conversando por mais algum tempo, falamos do passado de quando estudamos na mesma universidade, falamos sobre os professores que amávamos e a gente odiou.

Arthur tem um bom papo, sinto que nossa amizade pode ir longe e talvez, quem saiba, não vire um relacionamento.

Acordei com uma disposição enorme de ir para a empresa, minha ansiedade para fazer todo esse marketing com aqueles carros maravilhosos me deixa louca.

- Não vai tomar café? Eu fiz panquecas.

Alicia estava na mesa com um pedaço enorme de panqueca na boca.

- Fala de boca fechada Alicia.

- E como foi ontem?

- Sinceramente, ele mais uma vez pediu para namorar comigo.

- Por que não dá uma chance para ele logo? - perguntou Alicia.

- Eu ainda não sei o que sinto, e outra, a beleza do CEO da Cars Future me cativou.

Alicia olhou para mim, rindo.

- Não é possível, se apaixonou pelo bilionário? Você acha que ele te daria uma chance?

Peguei um pedaço de panqueca e enfiei na boca.

- É claro que não, e ele provavelmente tem um caso com a secretária peituda.

- Mas não desista, se ele não assumir a secretaria, talvez você tenha chance.

- Eu não quero ficar no caminho deles.

Peguei minha bolsa barata que comprei no brechó, coloquei minha jaqueta preta e fui para a empresa.

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