Alissa
- Não podemos confiar em ninguém. - A voz firme do meu irmão mais velho ecoa pelo salão, e eu me levanto.
- Quem são vocês? - Um homem rechonchudo nos encara, desconfiado.
- Somos os Willem Van Der Hagen. - Minha voz sai firme e autoritária.
O homem arregala os olhos e se curva imediatamente.
- Altezas! - Ele se reverencia.
Somos os últimos de nossa linhagem. Carregamos um destino pesado: escolher os mais leais entre os mortais e reerguer nosso reino.
- Leve-nos ao palácio. - Ordeno, sem paciência para formalidades.
Os mortais nunca me interessaram. Só confio nos meus irmãos. Além disso, há algo em mim que me impede de criar laços - um segredo que só pode ser revelado ao meu verdadeiro companheiro, aquele que os guardiões escolheram para mim.
- A propósito, me chamo Antônio. Sou o zelador do palácio. Ele os esperou por milhões de anos, príncipes da realeza sobrenatural. - Sua voz é carregada de emoção.
Reviro os olhos. Odeio bajuladores.
Alec ergue o braço para me ajudar a subir no cavalo. Montamos e seguimos em direção ao palácio. Alguns mortais nos observam, uns com curiosidade, outros com temor.
- Não quero que saibam de nossa volta. Faremos um baile para isso. - Minha voz sai cortante. - E não quero ser desobedecida.
Meus olhos brilham vermelhos quando falo. Antônio engole em seco.
- Como desejar, alteza. - Sua voz trêmula entrega o medo que sente.
***
O palácio é imponente, mas cansativo. Aviso Alec que irei descansar, e ele pede para Antônio nos mostrar os quartos.
Diante de um corredor com três portas, pergunto:
- Qual deles é o meu?
- O do meio, alteza. O primeiro é o do príncipe Alec, e o terceiro, do príncipe Adam.
- Ótimo. - Me viro para entrar. - Não quero ser perturbada.
- S-sim, alteza.
Meus irmãos me beijam na testa, e entro.
O quarto é aconchegante. Vou ao banheiro preparar meu banho - prefiro fazer isso sozinha, pois só eu sei como gosto da água. Depois, visto uma camisola, deito na enorme cama e durmo.
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Adam
Com Alissa dormindo, eu e Alec reunimos os serventes no salão principal. Eles se enfileiram, atentos.
- Chamamos vocês aqui para... - Começo, mas Alec me interrompe.
- Para avisar que organizaremos um baile. - Ele sorri de lado. - E é melhor que estejam preparados, tanto fisicamente quanto psicologicamente.
Sei que está se referindo à nossa irmã. Alissa pode ser insuportável para quem não a conhece.
- Ela está encarregada dos preparativos. Sigam suas ordens e sairão daqui com a cabeça intacta.
Alguns serventes engolem em seco.
- Amanhã, ela explicará os detalhes. - Concluo. - Estão dispensados.
Quando todos saem, Alec suspira.
- Temos muito a resolver, mas estou exausto.
- Eu também. Vamos dormir. Amanhã continuamos.
Como irmão mais velho, sempre cuidei deles. Desde cedo, aprendi que não devemos confiar em ninguém. Muitos reinos querem nos exterminar por sermos híbridos. O que eles não sabem é que híbridos são imortais.
Nosso verdadeiro medo? Que descubram nosso maior segredo.
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Alissa
Acordo com um barulho estranho.
Abro os olhos e me arrependo imediatamente - a claridade me cega por um instante. Quando minha visão retorna, vejo três mulheres diante de mim.
- Bom dia, alteza. - Uma loira de olhos verdes sorri.
- Viemos ajudá-la a se preparar para o café. - A mais jovem, uma morena de olhos castanhos, retira um vestido vermelho do closet.
- E a senhorita está atrasada. - A ruiva de olhos negros entra no banheiro.
Cruzo os braços.
- Agradeço a ajuda, mas eu mesma preparo meu banho. Apenas me ajudem a vestir o vestido.
Elas trocam olhares estranhos, mas obedecem.
No banho, reflito sobre tudo o que está acontecendo. Meu retorno ao reino, os perigos ocultos, o baile... Há muito mais em jogo do que parece.
Quando volto ao quarto, descubro que a loira se chama Ana, a morena é Luzia e a ruiva, Juliana.
Após me vestir, escovo os cabelos e sigo para a sala de jantar. Apenas Alec está à mesa.
- Bom dia, irmã. Adam teve que resolver um problema.
Estranho.
- Bom dia, Alec.
Me sento ao seu lado e tomo o café em silêncio.
Assim que terminamos, ele me informa que estou encarregada do baile. Perfeito. Passo o dia organizando tudo: decoração, comida, bebidas, música... Horas exaustivas.
Quando finalmente termino, olho para os fundos do palácio. Há uma floresta. Meu coração acelera. Faz tempo que não faço isso.
Corro.
Assim que entro na mata, tiro o vestido e me transformo.
Minha forma lupina é magnífica: pelos acinzentados e olhos roxos, que se tornam vermelhos quando exerço autoridade. Sou um híbrido alfa.
A liberdade me preenche. Corro como nunca.
Paro diante de um riacho, admirando meu reflexo.
Então, sinto.
Alguém me observa.
Meus olhos varrem a floresta. E então o vejo.
Um lobo.
Congelo. Isso é impossível. Eu e meus irmãos somos os últimos de nossa espécie.
Mas ele está ali. Vivo. Real.
Seu cheiro me atinge: menta.
É viciante.
Sinto uma necessidade absurda de me aproximar. E ele também.
Damos um passo um em direção ao outro.
Quando estamos a um centímetro de distância, sua voz invade minha mente.
- Minha.
Meu peito se aperta, e a resposta vem instintivamente.
- Meu.
{...}
No capítulo anterior...
Alissa
- MINHA! - Ele falou por telepatia.
- MEU! - Eu o respondi.
O instinto gritava para que eu me transformasse em humana e corresse para seus braços. Mas isso seria loucura. Uma tremenda loucura. Meu coração pulsava forte, minha mente travava uma guerra contra meu desejo irracional de me entregar.
Em um ato de puro desespero, girei nos calcanhares e corri. Corri como nunca antes. Ele tentou me seguir. Tentou, eu juro. Mas sou uma híbrida, e híbridos têm dupla velocidade. Não havia como ele me alcançar.
Quando finalmente alcancei o ponto onde havia deixado minhas roupas, recuperei o fôlego e me transformei de volta. Minhas mãos tremiam levemente enquanto vestia o vestido. Eu precisava me recompor, ou meus irmãos perceberiam. Se eu não controlar minhas emoções, eles podem invadir minha mente e descobrir o que aconteceu. E isso... isso não pode acontecer.
Cheguei ao palácio e fui recebida por Antônio.
- Alteza, seus irmãos não estão.
Soltei um suspiro aliviado.
- Onde estão os criados? O baile precisa estar pronto ainda hoje. Não temos tempo a perder! - Cruzei os braços, impaciente. - Quero que esse salão esteja impecável antes do anoitecer.
Antônio se encolheu levemente.
- Alteza, os criados já estão trazendo as decorações. Vão começar agora mesmo.
- Adam entregou a maquete com as instruções exatas do que eu quero? - Perguntei, estreitando os olhos.
- Sim, alteza.
- Ótimo. - Respirei fundo.
Ana se aproximou, sorrindo.
- Alteza, seus irmãos encomendaram um vestido especial para a senhora. O estilista real trabalhou nele pessoalmente, e está pronto.
Levantei uma sobrancelha, interessada.
- Veremos.
Segui para meu quarto. Assim que entrei, meu olhar pousou no vestido e, por um breve momento, perdi a fala.
Era simplesmente magnífico.
Era raro algo me impressionar dessa maneira. Mas esse estilista... ele me ganhou.
- E então? - Ana perguntou, inquieta.
- Uma obra deslumbrante. - Toquei o tecido com reverência.
- Alteza, permita-me apresentar-me. Sou Jhosh Leord, ao seu dispor.
Meus olhos se arregalaram.
- Jhosh?!
Um sorriso surgiu em seu rosto.
- Faz tempo, não é?
As lembranças vieram à tona.
- Eu achei que você tivesse morrido no ataque...
- Seu pai me enviou para cá enquanto você e seus irmãos estavam no colégio para a realeza. - Ele se sentou em uma poltrona, cruzando as pernas.
Pela primeira vez em anos, senti uma verdadeira felicidade aquecer meu peito.
- Finalmente, alguém com quem posso conversar além dos meus irmãos.
Jhosh sorriu.
- Achei que nunca ouviria você dizer isso, Alissa.
---
Adam
Alec e eu entramos no palácio e nos deparamos com os criados trabalhando freneticamente.
- Será que sobreviveram à fúria de nossa irmã? - Perguntei, rindo.
- Espero que sim.
Foi nesse momento que ouvimos a voz de Alissa.
- Qual a graça?
Alec e eu nos entreolhamos, disfarçando o riso.
- Nada, maninha. - Falei, contendo a diversão.
- Gostou da surpresa? - Alec perguntou.
Os olhos de Alissa brilharam.
- Amei!
A fera estava mansa. Milagre.
Jhosh surgiu atrás dela, e ela o abraçou. Eu e Alec trocamos um olhar cúmplice. Ele sempre foi um grande amigo para Alissa.
- Vamos, Alissa? Tenho que te produzir, meu bem. - Jhosh falou, piscando para nós.
- Vamos!
Ela se virou para os criados, sua expressão mudando para uma postura séria.
- QUERO ESSE SALÃO PRONTO ATÉ MINHA VOLTA, OU CABEÇAS VÃO ROLAR!
Os criados se encolheram, apressando-se ainda mais.
- Meus queridos, por favor, agilizem essa decoração se não quiserem ver Alissa ainda mais nervosa do que já está. - Alec disse, alarmado.
Ele tinha razão.
- Temos que falar com o rei Maison. Seu reino faz fronteira com o nosso, e precisamos convida-lo. - Falei.
- Então vamos.
Fomos até os estábulos, montamos em nossos cavalos e partimos para o reino vizinho.
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Maison
Caçava na floresta quando vi um vulto branco acinzentado passar diante de mim.
Segui-o.
Quando o encontrei, parei. Meu coração acelerou.
Ela estava ali.
Seus olhos roxos brilharam ao me ver.
- MINHA! - Sussurrei por telepatia.
- MEU! - Ela respondeu.
E então... ela fugiu.
Eu tentei segui-la. Tentei. Mas foi inútil.
Foi só quando parei que me lembrei das palavras da anciã:
"Quando sua companheira encontrar e o beijo do vampiro acontecer, sua parte vampira despertará. Sua companheira pertence à realeza dos híbridos. Os três últimos, com você quatro. Seja cuidadoso. Tenha calma. Tudo acontecerá no momento certo."
- Alteza? - Filiphe me chamou, tirando-me de meus devaneios.
- Sim?
- Os príncipes do reino vizinho estão aqui.
Respirei fundo.
- Mandem entrar.
Logo, dois homens adentraram o salão.
- Alteza, estes são Adam e Alec Willem Van Der Hagen.
Meus olhos brilharam.
- A que devo a visita ilustre das vossas altezas?
- Viemos convidá-lo para o baile que acontecerá em nosso palácio. - Adam falou. - Será a apresentação do futuro do reino sobrenatural ao povo de Arantel.
- E minha coroação. - Ele acrescentou.
Meu olhar endureceu.
- Vocês são os híbridos de Fods?
- Sim. - Alec assentiu. - Nós... e nossa irmã mais nova.
Minha respiração falhou por um instante.
Minha loba.
- Ficarei honrado em comparecer.
Meus olhos brilharam por um breve segundo, mudando de cor.
Adam e Alec perceberam.
O choque em seus olhares me confirmou o que já sabia.
Eu era o quarto híbrido.
E minha companheira... era a irmã deles.
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Alissa
- Seu banho já está pronto. - Jhosh anunciou com um sorriso.
Entrei na banheira e fechei os olhos.
- Muito bom. Você me conhece bem.
Ele riu.
- Sempre, meu amor.
Depois de um banho relaxante, vesti o deslumbrante vestido que Jhosh preparou.
- Está magnífica. - Ele elogiou.
- Obrigada.
- As meninas fizeram um excelente trabalho.
Olhei para Ana, Luzia e Juliana.
- Concordo.
As três se entreolharam, surpresas.
- A senhorita... está nos elogiando? - Juliana perguntou.
Sorri de canto.
- Sou exigente, mas sei reconhecer um bom trabalho.
Elas riram.
Saí do quarto acompanhada de Jhosh. O corredor estava iluminado por uma trilha de velas que levava ao grande salão.
Quando entrei, meu olhar cruzou com o de um homem.
Maison.
E meu coração... soube.
{...}
Alissa
Fui até meus irmãos, e o homem ao lado deles me encarou. Um arrepio percorreu todo o meu corpo. Ele sorriu, e senti minhas bochechas corarem. Seus olhos cristalinos penetraram os meus, roubando meu fôlego.
- Alissa, conheça o rei Maison de Allentell.
- É um prazer conhecê-lo. - Estendi minha mão, e ele a segurou, levando-a aos lábios com delicadeza.
- O prazer é todo meu. - Sua voz era profunda, firme, e seus olhos nunca deixaram os meus. Que homem é esse?
Conversei com meus irmãos e com Maison por alguns minutos, mas logo precisei me afastar para resolver os últimos detalhes da coroação de Adam. Finalmente, meu irmão assumiria o trono de Arantel. Ele já deveria ter sido coroado há um ano, mas, devido ao ataque ao nosso reino, tudo foi adiado. Passamos anos nos escondendo. Quando ele completou dezoito anos, fomos descobertos novamente e tivemos que fugir mais uma vez. Agora, aos dezenove, Adam finalmente terá seu momento.
- Vá chamar Adam, Antônio. Ele precisa se preparar. - Ordenei, caminhando em direção a uma das serviçais que circulavam pelo salão, carregando bandejas.
Antes que pudesse alcançar a mulher, senti um puxão firme em meu braço.
- Preciso falar com você. Quando estiver desocupada, vá ao jardim do palácio. Estarei esperando. - A voz de Maison soou próxima, muito próxima. Pude sentir sua respiração contra minha pele, e isso me deixou inquieta.
Engoli em seco, tentando me afastar. Ele é intenso demais.
- Majestade, acho difícil termos essa conversa ainda hoje. Tenho muitos compromissos com a coroação do meu irmão. Precisamos deixar isso para outro dia. - Falei, mantendo um tom formal, ainda que sua presença me desequilibrasse.
Seu olhar se tornou sombrio por um instante.
- Você não sente nada?
Franzi o cenho, confusa.
- Eu... desculpe-me. - Ele desviou o olhar, claramente magoado e irritado. O que ele queria dizer com isso?
Suspirei, sem tempo para decifrar seus enigmas.
- Amanhã, ao nascer do sol, me encontre na cachoeira. Então, podemos conversar sobre o que quiser. - Ele me encarou intensamente. - Agora, preciso ir. Adam será coroado em breve.
Maison assentiu lentamente, permitindo minha saída.
Atravessei o salão quase correndo e fui direto para onde Adam estava. Ajudá-lo a se preparar era minha prioridade no momento. Uma serviçal aproximou-se.
- Alteza, tudo está pronto. Todos aguardam o futuro rei de Arantel.
~
Maison
Eu deixei transparecer minha mágoa, raiva e confusão ao perceber que Alissa não me reconheceu.
Ela não percebeu que sou o lobo que lhe chamou de "MINHA".
O lobo que é seu companheiro.
E, mais uma vez... ela fugiu.
Passei o resto da noite no palácio, assistindo à coroação de Adam. Não pude evitar lembrar da minha própria coroação. Eu tinha apenas dezesseis anos quando assumi o trono. Foi um período difícil, um teste brutal de maturidade. Ser rei tão jovem exigiu que eu deixasse a infância para trás mais rápido do que qualquer um deveria.
Depois da cerimônia, reuni-me com Adam em seu escritório e lhe entreguei um medalhão.
- Fico feliz que agora estejamos juntos nessa luta. - Ele sorriu.
Inclinei a cabeça levemente.
- Majestade. - Reverenciei-o.
Ele riu.
- Não poderia perder esse momento.
- Temos muito a tratar. Os três reinos estão interligados. Precisamos que a companheira de Alec apareça logo para que possamos unir as forças do terceiro reino.
- A magia ainda está forte? - Adam perguntou.
- Sim. O reino continua protegido. - A barreira mágica lançada por bruxas e fadas mantém a segurança do terceiro reino. Mas Alec precisa despertar para seu verdadeiro papel.
- Menos mal. - Adam assentiu. Ele hesitou por um instante antes de continuar. - Maison... ontem, em sua forma lupina, você encontrou minha irmã?
- Sim. Tivemos nosso primeiro contato. E sim, a profecia é real. Somos companheiros.
Adam arregalou os olhos. Seu choque era um misto de felicidade e preocupação.
- Mas... Alissa não me reconheceu. Ela fugiu antes que eu pudesse me transformar.
- Alissa é complicada. - Ele suspirou. - Ela entende a profecia e tudo o que precisa ser feito, mas aceitar isso... bom, essa é outra história.
- Imaginei que não seria fácil.
Adam mudou de assunto, perguntando sobre meu reino.
- Já transformou alguém?
- Ainda não. Meu povo deseja ardentemente entrar no mundo sobrenatural, mas muitos são movidos por ganância e soberba. Não posso conceder esse dom a qualquer um.
- Compreendo.
- Mas já escolhi alguns. Agora, com vocês aqui, finalmente posso transformá-los.
- Incrível.
- Amanhã realizarei um baile para essa ocasião. Os primeiros escolhidos passarão pela transformação.
- Se precisar de ajuda, Alissa é excelente em organizar eventos.
- Ouvi meu nome?
Ela surgiu ao nosso lado, cruzando os braços.
Adam sorriu.
- Sim! Você ajudará o rei Maison nos preparativos do baile de transformação.
- O quê?! - Ela arregalou os olhos. - Eu... bem, achei que...
- Alissa, você é ótima nisso. Ajude-o. - Adam insistiu.
Ela respirou fundo, primeiro olhando para o irmão, depois para mim.
- Ok. Irei ajudá-lo.
- Ótimo! Então você parte hoje mesmo para Allentell.
Ela me encarou, surpresa.
- Hoje?
- Ana será sua dama de companhia.
- Preferia o Jhosh... mas Ana está de bom tamanho. Melhor do que Juliana ou Luzia.
Todos riram.
- Também não fui muito com a cara delas. - Alec comentou.
Pouco depois, Ana se apresentou e confirmou que me acompanharia. A carruagem já estava pronta.
- Vamos logo. Já está escurecendo e hoje é lua cheia. - Alissa murmurou.
Lua cheia?
Algo no tom dela me deixou intrigado.
~
Alissa
Jhosh prometeu levar meu vestido antes da festa. Meus irmãos sempre me colocam em situações complicadas.
Alec me contou que Maison é o quarto híbrido. Isso explicava a estranha conexão que sentia ao seu redor. Eu estava na carruagem com Ana, enquanto Maison cavalgava ao lado. Por algum motivo, não conseguia tirar os olhos dele.
- Permite-me falar, alteza?
- Fale, Ana.
- Vocês formam um lindo casal.
- Não somos um casal. - Respondi, ríspida.
- Claro que são. - Ela corou. - Nunca ouviu as lendas antigas?
Balancei a cabeça.
- Maison é um híbrido, mas seu lado vampiro está aprisionado. Ele só será libertado quando encontrar sua verdadeira companheira híbrida. - Seu sorriso aumentou. - E essa pessoa... é você.
Engoli em seco.
- Que loucura.
Mas, de alguma forma... fazia sentido.
- Ana... eu te escolhi como minha confidente. Entre Juliana e Luzia, preferi você.
Ela sorriu.
- Agradeço sua confiança, alteza.
- Quantos anos você tem?
- Dezessete.
- A mesma idade que a minha.
A carruagem parou.
- Chegamos ao reino de Allentell.
Ao sair, fui direto até Maison.
- Se vou organizar essa festa, ela precisa ser impecável.
Ele sorriu.
- Claro.
De alguma forma, sentia que esse baile mudaria tudo.
{...}