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A stripper e o CEO Herdeiro

A stripper e o CEO Herdeiro

Autor:: Viih Felix
Gênero: Romance
Sinopse: Herdeiro de uma das maiores empresas do país, Heitor Martinez acaba de assumir os negócios da família. Mas há uma condição: ele precisa se casar em seis meses ou seu pai e o conselho decidirão por ele em um casamento arranjado. Despreocupado e confiante, Heitor aceita o desafio, até conhecer Amélia Prado. Amélia é jovem, batalhadora e dedicada à mãe, que ficou inválida após um grave acidente. Durante o dia, trabalha como garçonete; à noite, dança em uma boate para conseguir o dinheiro que mantém sua mãe viva. Apesar da vida dupla e do cansaço, ela guarda sua integridade e nunca aceita compromissos íntimos com clientes. Quando Heitor se vê diante de Amélia, descobre um desejo que vai muito além da atração física. Determinado a tê-la ao seu lado, ele propõe um acordo audacioso: um milhão de dólares para que ela seja sua esposa por um ano. O que começa como uma transação, aos poucos, revela segredos, paixões e um amor inesperado capaz de mudar suas vidas para sempre.

Capítulo 1 Amélia

Amélia Narrando

Me chamo Amélia. Tenho 21 anos, pele clara, olhos azuis e cabelo escuro e liso; meço 1,65. Trabalho de manhã numa cafeteria, das sete às quatorze, e à noite danço numa boate como stripper. Pode soar contraditório, rosto de menina de dia, corpo de mulherão, para o trabalho a noite, mas é a vida que eu escolhi pra manter a casa em pé.

Meu pai morreu quando eu era pequena. Minha mãe trabalhava como doméstica antes do acidente; voltando do serviço foi atropelada. Eu fazia faculdade aos dezenove, mas tive que abandonar. Já trabalhava na cafeteria desde os dezoito; depois do acidente precisei arrumar o segundo emprego pra pagar remédio, cuidadora e as contas que começaram a chegar. A cirurgia que pode devolver a minha mãe a andar tem 90% de chance de sucesso, mas custa 50 mil dólares. A hipoteca da nossa casa soma 20 mil. Eu trabalho feito louca pra segurar tudo.

Consigo conciliar as folgas: quando consigo juntar a folga da cafeteria com a da boate no mesmo dia, descanso o corpo; a mente não para. Não tenho fé no sentido religioso e também não crio falsas esperanças; sou realista e acredito no trabalho e na dignidade. Gosto de sonhar, mas prefiro planejar.

No palco da boate eu uso máscara e luz baixa. Danço de lingerie, técnica e reserva. Nunca aceitei "programas" deixei isso claro desde o primeiro dia. Sou virgem. Meu limite é inegociável. Se alguém invade o espaço, eu corro. A máscara me dá anonimato e controle; a escuridão dá distância. Eu sei o preço do meu corpo no mercado, e recuso qualquer negociação que envolva entrega além da dança.

- Não, eu não faço programa - eu digo direto se alguém tenta forçar conversa.

- Só um carinho, só um beijo - eles insistem, sempre.

- Aquele beijo você guarda - respondo curto, firme. - Aqui eu danço, não troco carinho por dinheiro.

Na cafeteria, o clima é outro. O cheiro do café me acalenta; as pessoas voltam toda manhã e, sem saber, me ajudam a respirar. Atendo, sorrio, monto bandejas, limpo mesas. O trabalho me dá ritmo. A dona do croissant das oito e meia já me chama pelo nome.

- Bom dia, Amélia.

- Bom dia, Dona Victoria. O de sempre - respondo, e é verdade. A rotina tem conforto.

A rotina também tem cansaço. São horas de sono roubadas, provas da faculdade largadas e planos adiados. Pago remédio, pago a cuidadora, nego qualquer luxo. Às vezes penso nas portas que eu não abri por pressa de colocar comida na mesa. Amigos dizem pra eu procurar bolsa, que existem possibilidades. Talvez. Mas quando tem hipoteca e conta médica, a pressa exige o dinheiro certo agora.

A minha mãe é o motor. Mesmo imobilizada, ela mantém o humor, lembra piadas do passado e, quando pode, me enche de cuidado. Eu cuido dela e, quando volto cansada, sinto o cheiro do sabonete barato dela e lembro porque luto. Às vezes a vejo dormir e me pego lista de contas na cabeça: quanto falta, quanto falta, quanto falta. Faço contas como quem monta um mapa de fuga.

- Filha, não se esquece de sonhar - ela sussurra num dia bom.

- Eu não esqueci - eu respondo. - Só guardei o sonho numa gaveta e peguei a vida no colo.

Na boate, cada show é uma negociação de limites. Tem cliente que respeita, tem cliente que insiste. Aprendi a medir a distância com o corpo e com a palavra. Não sou vítima; sou profissional. Uso a dança como trabalho e como barricada. Ninguém precisa saber mais de mim do que eu quero.

Quando o dinheiro entra, a contabilidade é rápida: remédio, comida, hipoteca, contas do mês, guardo uns trocados. Não é poupança bonita: é combustível. E mesmo assim, às vezes, bater no zero apertado é normal. Ainda assim, não deixo a humilhação entrar. A minha dignidade é comprar o remédio da minha mãe e dizer não na cara de quem acha que pode comprar tudo.

Tenho preguiça de fé, mas não de esperança medida. Planejo com a frieza de quem calcula cada passo. Vou juntando centavo por centavo. Tem dias que a exaustão fala mais alto; outros, a raiva vira força.

- Você merece mais - me diz a minha amiga Lu, quando a gente se encontra no vestiário da cafeteria depois do expediente.

- Talvez mereça mesmo - respondo, sorrindo. - Mas agora eu mereço pagar a conta e ver a minha mãe melhorar.

A gente tem também pequenas alegrias: um dia em que sobra troco e compro um sorvete, uma mensagem da minha mãe dizendo que sente orgulho, um cliente que agradece. Essas coisas são combustível. Eu guardo no meu coração.

- Quando tudo isso passar, tu vai fazer o quê? - perguntou a Lu, um dia desses, com olhar curioso.

- Volto pra faculdade, termino, e faço a tal vida que eu escrevi nas minhas listas - respondo. Sempre.

Quando consigo um dia livre, durmo de verdade. Deito no escuro e deixo meu corpo resetar. A mente insiste, mas o corpo agradece a folga. Escuto música, escrevo ideias soltas numa agenda barata, sonho pequeno: voltar à faculdade, terminar o curso, ter um emprego que me dê tempo. Coisas simples. Coisas que parecem luxo quando a conta do hospital pesa.

Não quero romantizar a vida. Não quero que me olhem com pena nem com fascínio pelo palco. Quero respeito pelo meu trabalho e pelos meus limites. Quero que a pessoa ao meu lado entenda que dançar à noite e servir café pela manhã é escolha forçada pela necessidade, e que eu não sou menos por isso.

A cada manhã, quando entro na cafeteria, ajeito o avental e respiro um segundo. A cada noite, quando coloco a máscara, respiro outro segundo. Entre esses dois segundos eu vivo tudo: cansaço, raiva, limite, cálculo e um cuidado enorme pela minha mãe. E é esse cuidado que me move. Trabalho, guardo, corro, digo não. Quando a cirurgia acontecer e, quem sabe, a minha mãe der os primeiros passos, eu posso finalmente tirar a máscara sem medo, não da plateia, mas da vida. Até lá, eu sigo, inteira do meu jeito: pequena, firme e determinada.

Capítulo 2 Heitor

Heitor Narrando

Meu nome é Heitor Martinez. Trinta anos bem vividos, alguns mais intensos do que eu devia, outros que renderam capa de revista de fofoca. Sou loiro, olhos claros, cabelo sempre no corte certo porque, afinal, imagem é tudo quando a gente carrega um sobrenome como o meu. Desde moleque, minha mãe insiste em me chamar de príncipe. Talvez pelo jeito, talvez por ser filho único, ou talvez porque, no fundo, ela sempre me protegeu dos ataques do "tubarão branco". Sim, meu pai. O país inteiro conhece Célio Martinez assim: frio, calculista, impiedoso nos negócios. Um predador. E eu? Bom, eu sou o oposto disso.

Nunca fui fã de relacionamento sério. Nunca. Gosto da adrenalina, de sair, de ser o centro das atenções. Festa é meu habitat natural, sempre foi. Desde os dezoito anos, quando comecei a frequentar as melhores boates de São Paulo, meu nome passou a figurar nas colunas sociais. Eu aparecia em blogs de celebridade, sites de fofoca, perfil de Instagram especializado em flagra de famoso. E isso, é claro, irritava profundamente o velho. Ele detesta exposição gratuita. Pra ele, reputação é construída com suor, contratos e poder. Pra mim, reputação é ser lembrado, é estar em evidência.

A gente discute muito por causa disso. Já perdi as contas de quantas vezes ouvi ele dizer que eu estrago a imagem da família. Mas a verdade é uma só: mesmo que a gente seja tão diferente, eu sou um excelente profissional. Não é ego, é fato. Me formei em Administração, mergulhei nos negócios e, quando estou dentro da empresa, viro outro cara. Ali não existe balada, não existe flash de paparazzi. Só existe a Martinez. Eu analiso números, identifico brechas no mercado, fecho contratos que até executivos experientes suariam pra conseguir. E, mesmo que não admita em voz alta, meu pai reconhece isso. Ele sabe que eu tenho potencial. Só que Célio Martinez nunca entrega nada de graça. Nunca.

Naquela noite, ele me chamou pro escritório da mansão. E quando ele chama, não é convite, é ordem. Eu já entrei achando que ia ouvir sermão por causa das fotos minhas saindo de uma boate às seis da manhã, rodeado de gente. Mas não. O clima era outro. Ele estava lá, atrás da mesa de mogno, postura impecável, terno alinhado, aquele olhar que atravessa a gente como faca. Quando faz aquele gesto com a mão, indicando a cadeira à frente, eu já sei: bomba à vista.

- Heitor, eu vou ser direto. - começou, sem rodeios. - Estou cansado dos seus escândalos.

- Escândalos? Pai, eu só estava...

- Não me interrompa. - cortou, gelado. - Estou cansado de limpar a sua imagem, cansado de brigar com a sua mãe por sua causa.

Suspirei fundo, tentando controlar a irritação.

- Tá, e o que você quer de mim agora? Que eu vire monge?

Ele ignorou.

- Eu decidi que está na hora de você assumir o controle total das empresas Martinez.

Na hora, senti o coração acelerar. Aquilo era praticamente a coroa que eu sempre quis. Meu pai nunca deixava nada cair no meu colo, me tratava como aprendiz mesmo depois de eu já ter provado minha competência. E ali estava ele, jogando a bomba. Mas, claro, tinha condição. Sempre tem.

- Mas, para isso, você vai ter que firmar um compromisso.

- Compromisso como?

- Você tem seis meses para noivar.

Eu ri, alto, debochado.

- Isso é sério?

- Muito sério. - respondeu sem piscar. - Se não noivar até lá, eu mesmo vou arrumar uma noiva pra você.

- Pai... pelo amor de Deus. Isso parece piada.

- Não é. Ou aceita, ou eu mesmo vou assumir que você não está pronto. Nesse caso, você será apenas mais um funcionário da empresa.

Engoli seco. A ficha batendo.

- E se eu não aceitar?

- Você está fora da Martinez.

Silêncio. Eu o encarei, esperando ver alguma rachadura, alguma brecha de ironia. Nada. Os olhos dele eram pedra.

- Pai, você tá disposto a jogar o seu próprio filho pra escanteio?

- Se for preciso, sim. O nome Martinez não é só seu. Eu não vou deixar que sua vida de festas jogue tudo na lama.

Passei a mão no cabelo, nervoso.

- Então é isso? Ou eu arranjo uma noiva, ou viro um Zé Ninguém?

- Exatamente.

Eu ri sem humor.

- Você é inacreditável.

- Eu sou realista. Está na hora de você crescer.

A vontade era discutir, mas eu sabia: ele sempre vence. O tubarão branco não recua.

- Tá bom. Eu aceito.

Ele relaxou no encosto da cadeira, como se já tivesse certeza da minha resposta desde o começo.

- Ótimo. Então prove que é capaz.

Saí dali com um turbilhão de pensamentos. Noivar em seis meses? Eu, que não consigo manter uma mulher por mais de duas semanas? Isso roça o impossível. Mas perder a Martinez não é opção.

No caminho pro quarto, refleti. Muita gente só enxerga o playboy festeiro, o cara das fofocas, das fotos saindo de boate com modelos diferentes. Mas tem uma parte de mim que leva os negócios a sério, muito a sério. Eu já fechei contratos milionários, já salvei filiais de fecharem, já propus ideias que renderam milhões. Só que ninguém olha pra isso. As pessoas preferem o escândalo. E agora, até meu pai jogou mais um peso nos meus ombros.

Compromisso nunca foi meu forte. Não é que eu não goste de mulheres, pelo contrário. Mas a ideia de rotina de casal sempre me deu coceira. Jantares em família, aliança no dedo, aquela cobrança. Eu corro. Sempre corri. Agora, parece que não tenho escolha.

Subi pro quarto e me joguei na cama, rindo sozinho da ironia. Como diabos vou arranjar uma noiva em seis meses? E pior: uma noiva que convença meu pai. Porque não adianta encher a mão de modelos e influencers. Ele conhece cada truque do mercado. Vai precisar ser alguém firme, alguém que segure a bronca.

As colunas sociais vão amar isso. Já até imagino a manchete: "O herdeiro rebelde finalmente vai casar."

Será?

Não sei. Mas uma coisa eu tenho certeza: essa guerra só está começando.

E se tem algo que aprendi com o tubarão branco, é que, quando ele sangra a água, os tubarões sempre aparecem.

Capítulo 3 Amélia

Amélia Narrando

Me olhei pela última vez no espelho do meu quarto e senti aquele friozinho de sempre na barriga. A noite ia ser longa e eu precisava estar impecável. Vesti primeiro a lingerie nova que comprei ontem: um conjunto vermelho rendado, fio-dental cavado, com sutiã de aro que levantava o peito na medida certa. Gosto de usar sempre algo que me faça sentir poderosa, porque sei que, no palco, cada detalhe conta. Passei a mão pela pele, alisei a renda, e já sorri sozinha pensando na reação dos olhares logo mais.

Por cima, coloquei uma saia de couro preta bem curta, que gruda no corpo, e um cropped de strass que brilha até no escuro. Nos pés, optei por um salto plataforma de tiras prateadas que alonga minhas pernas, e finalizei com uma jaqueta jeans oversized, só pra disfarçar na rua. O look de "ir" e o look de "dançar" são duas coisas diferentes, mas já deixo tudo no jeito.

Na penteadeira, comecei a maquiagem com calma. Base leve pra uniformizar a pele, corretivo nos cantinhos, pó solto pra segurar a oleosidade. Fiz um contorno marcado, iluminador no ossinho da bochecha e no nariz, e um blush rosado pra dar aquele ar saudável. Nos olhos, esfumei sombra preta com brilho prateado, bem carregada, finalizei com delineador gatinho e cílios postiços enormes. Nos lábios, passei batom vermelho sangue, do tipo que não sai fácil, porque sei que vai resistir até o fim da noite.

Soltei o cabelo, fiz umas ondas com o babyliss e joguei spray fixador. Ficou solto, volumoso, do jeito que gosto quando estou no palco. Peguei a bolsa pequena, coloquei dentro minha carteira, celular, perfume, batom extra e a máscara de renda preta que sempre uso nas apresentações. Essa máscara virou minha marca registrada, ninguém nunca viu meu rosto inteiro na boate, e eu pretendo manter assim.

Antes de sair, fui até o quarto da minha mãe. A porta estava entreaberta e vi ela deitada, assistindo televisão. Encostei na porta e falei baixinho:

- Mãe, tô indo trabalhar.

Ela virou o rosto pra mim, sorriu cansada e abriu os braços. Entrei no quarto, sentei na beira da cama e dei um beijo demorado na bochecha dela.

- Boa noite, filha. Se cuida. - ela disse, segurando minha mão com carinho.

- Pode deixar. - respondi com um sorrisinho, tentando esconder o nervosismo que sempre bate antes de sair.

Ela apertou minha mão de leve, como se quisesse me passar força, e voltou a olhar a TV. Eu me levantei, ajeitei a jaqueta e fiquei ali parada por alguns segundos, olhando ela. É sempre difícil sair de casa à noite sabendo que ela vai ficar sozinha, mas ao mesmo tempo, é o meu trabalho, é a forma que encontrei de sustentar a gente.

Saí do quarto, fechei a porta com cuidado e caminhei até a sala. Peguei a chave na estante, dei uma última checada no meu reflexo no espelho da entrada e respirei fundo.

Era hora de dançar.

Assim que cheguei na boate, o som da música já vibrava nas paredes e as luzes de neon cortavam o ambiente. Entrei pela porta dos funcionários, onde o público não tem acesso, e cumprimentei alguns colegas de trabalho que já estavam na correria da noite. Respirei fundo, ajeitei a jaqueta no corpo e fui direto falar com o Gerente, que sempre faz questão de me atualizar sobre onde vou me apresentar.

Ele estava no balcão do escritório, contando dinheiro e falando no celular ao mesmo tempo. Assim que me viu, desligou e me encarou com aquele olhar de quem já tem uma missão pra me passar.

- Amélia, hoje você não vai pro salão principal. - ele disse, cruzando os braços.

- Ué, por quê? - perguntei, sem entender.

- Temos uns CEOs aí. Gente grande, poderoso, que paga caro. Eles querem show particular, e você vai entrar.

Assenti sem discutir. No fim, trabalho é trabalho. Eu danço porque preciso, não porque gosto de me exibir. Faço meu papel, entrego sensualidade na medida, mas sem me despir de quem sou por dentro.

Coloquei minha máscara de renda preta, tirei a roupa, e caminhei apenas de lingerie e os saltos, respirei fundo e deixei a personagem entrar em cena. Fui até a sala reservada, onde a música é mais baixa e o clima mais exclusivo. As luzes eram vermelhas, o pole brilhava no centro do espaço, e as mesas estavam ocupadas por homens de terno, copos de whisky e charutos acesos.

A batida começou. Caminhei devagar até o pole, rebolando suave, deixando o salto bater no chão no ritmo da música. Subi no mastro com firmeza, segurei com uma das pernas e deixei o corpo deslizar de ponta-cabeça, o cabelo caindo como cascata. Fiz a transição pra um giro rápido, depois cruzei as pernas e encaixei no movimento de fireman, rodando em volta do pole com graça.

Meus braços se abriram no ar, o corpo arqueou para trás, e cada movimento era calculado, sensual sem ser vulgar. Ajoelhei no chão, deslizei a mão pela coxa até a cintura, ergui o quadril em movimentos lentos e voltei a subir no pole para encerrar com a coreografia que sempre arranca suspiros: o spin invertido, girando de cabeça pra baixo, segurando com a força dos braços e deixando o corpo balançar no ar antes de descer suavemente.

Durante todo o show, senti os olhares fixos em mim, mas um em especial queimava como fogo. Um dos homens, sentado mais ao fundo, não desviou os olhos em nenhum momento. Enquanto os outros riam, brindavam e cochichavam, ele só me observava, sério, quase hipnotizado. Fingindo que não percebia, continuei até o último movimento, finalizei com um sorriso contido e saí discretamente, como sempre faço.

No camarim, tirei os saltos, sentei em frente ao espelho iluminado e soltei um suspiro longo. Levei as mãos até a máscara, desamarrei devagar e a retirei, deixando meu rosto livre. Fiquei alguns segundos me encarando no espelho, quase aliviada por estar fora da personagem.

De repente, ouvi a porta ranger. Me virei e o mesmo homem que não tirou os olhos de mim entrou sem pedir permissão.

Meu coração disparou.

- O que você tá fazendo aqui? - soltei, assustada, apertando a máscara contra o peito.

E travei na cadeira.

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