-Lisa! Lisa!- gritava o Rapaz no lado de fora da pequena casa no campo.
-Lisa!-
A porta da casa foi aberta relevando um homem de cabelos grisalhos com uma carranca.
-Garoto eu já disse para você parar de gritar em minha porta todas as manhãs como um galo.- disse o mais velho ranzinza e o rapaz apenas sorriu já acostumado com o mau humor dele.
-Me desculpe Senhor Francesco, mas eu queria ver a Lisa, vou sair para cidade com o meu pai para vender os animais e não queria sair sem me despedir dela, ela ainda está aí?-
-André!- Chamou a garota loira saindo da casa com um largo sorriso e se jogou nos braços do rapaz que a abraçou de volta com um sorriso igualmente largo e feliz, ele adorava aquele cheiro de flores do campo que só ela tinha, sua voz doce e seu sorriso sempre brilhante.
-por que está ficando mais alto e forte? Eu sou 1 ano mais velha, isso não é justo!- Lisa cruzou os braços fingindo estar chateada e André sorriu a achando linda e fofa.
-Bom isso é para que eu possa sempre te proteger- André sorriu daquela forma para Lisa que o abraçou de lado não sabendo o efeito daquele gesto no garoto.
-Eu levo você até ao campo antes de ir, vamos?-
-Vamos!- Respondeu Lisa animada e entrou na casa pegando seus materiais e logo se despediu de seus tios dando um beijo no rosto de cada um, e se afastou com o Rapaz.
-Ele é um bom Rapaz.- comentou a mulher idosa ao lado de seu marido.
-Ele é um rapaz, o que pode ter de bom? Todos eles são uns tarados que olham para nossa menina com olhos mal intencionados.- resmungou o homem.
-Não seja maldoso, o André não é assim, eles cresceram juntos, e a nossa Lisa já é uma adulta agora, uma hora ela vai ter de se casar e ele é um bom partido-
-Não diga besteiras mulher! Ela ainda é uma criança, ela ainda é a nossa menina.- disse o velho olhando para os dois jovens que se afastavam mantendo seu olhar na garota imaginando a pequena criança órfã de 5 anos que foi deixada em sua porta para eles a criarem, e a criaram e amaram como a filha que eles nunca tiveram e nunca poderiam ter.
Mas aquela era a verdade, Lisa tinha crescido e se tornado numa bela mulher, tão bela que chamava atenção de muitos olhares nada bem intencionados e aquilo o preocupava, já até tinha recebido propostas de casamento oferecendo muitas recompensas as quais ele recusou categoricamente e principalmente de um homem poderoso ali no vilarejo que continuava insistindo como se estivesse obcecado por ela e aquilo o preocupava mais.
Numa estrada não muito longe dali, estava parada uma camioneta e dentro dela estava um homem com cerca de 50 anos que observava a moça sair da casa com o rapaz entrando no campo.
O homem sorriu de canto com um pedaço de capim em sua boca.
-Hoje você não me escapará, pequena flor.- disse o homem e deu partida em seu carro seguindo a garota.
André se despediu de Lisa com muito custo, e deixou um beijo no rosto dela antes de sair correndo.
Lisa sorriu olhando o rapaz partir, e começou a trabalhar.
De longe, o homem observou o rapaz se afastar deixando a moça sozinha no campo e seu sorriso aumentou. Era sua oportunidade perfeita.
O homem desceu da camioneta e olhou para os lados verificando que ninguém vinha, ajeitou seu chapéu de Cowboy e caminhou em direção a moça que estava de costas distraída em sua tarefa.
Lisa ouviu sons de folhas secas sendo pisadas atrás dela mas antes que pudesse se virar para ver o que era, sentiu mãos a agarrando por trás.
-ME SOLTE!- Lisa tentou se soltar e se debateu mas sua força não era o bastante e as mãos do homem seguiram para seu seios onde os apertaram com força.
-ah você cheira tão bem minha pequena flor, é tão macia como um cordeiro-. Sussurrou o homem com sua voz rouca asquerosa contra a orelha dela.
Lisa reconheceu aquela voz e seu desespero aumentou.
-ME SOLTE SENHOR GIUSEPPE!- gritou se debatendo e sentiu seu corpo ser jogado no chão.
Guissepe olhou para garota no chão e sorriu começando a abriu sua calça.
Lisa se virou para fugir mas sua perna foi segurada a puxanda de volta.
-SE AFASTE! NÃO ME TOQUE ME SOLTE!- Lisa chutava e esmurava com movimentos desesperados e descoordenados mas mais uma vez o homem usou sua força para a dominar e a imobilizar por baixo dele ficando entre as pernas dela.
-Hoje você vai ser minha garota, hoje você vai saber o que é um homem de verdade-
-SAIA DE CIMA DE MIM! SOCORRO! SOCOR...-
Lisa se calou ao sentir um tapa forte e pesado em seu rosto
-quieta mulher!- o homem gritou de volta e não perdeu tempo puxando a blusa dela para o lado rebentando os botões expondo seus peitos cobertos pelo sutiã.
O homem sorriu observando os dois seios brancos e belos, e não pode mais resistir, prendeu as duas mãos dela com uma mão sua, e começou a puxar a saia dela para cima acariciando sua coxa.
-SOCORRO! SOCORRO! ME SOLTE!-
-CALE ESSA MALDITA BOCA!- o homem ia dar mais um tapa no rosto dela quando sentiu uma pancada em sua cabeça o que o derrubou no chão mas ainda consciente.
Lisa olhou para seu tio com os olhos cheio de lágrimas e desesperados, e se levantou correndo para trás do homem que segurava sua bengala com a qual tinha golpeado o outro.
-Seu velho arrogante como se atreve!- Guissepe se levantou com fúria e partiu para cima de Francesco que se defendeu com sua bengala mas Guissepe a segurou e o derrubou o no chão.
-Seu velho imbecil, se acha todo orgulhoso sendo que não passa de um morto de fome, eu vou fazer o que eu quiser com a sua preciosa sobrinha aqui na sua frente e você vai apenas olhar e...-
Guissepe caiu no chão e atrás dele estava Lisa segurando uma pedra com as duas mãos.
Lisa olhou para o homem inconsciente no chão e soltou a pedra correndo para seu tio.
-Tio! O senhor está bem?- Lisa ajudou o mais velho a se levantar.
-e-eu estou bem querida, e você? Esse homem machucou você?-
Lisa negou rapidamente com a cabeça e fechou sua blusa como pode baixando o olhar envergonhada e não pode evitar algumas lágrimas que lhe caíram do rosto.
Francesco abraçou sua sobrinha tentando a confortar enquanto ela chorava.
Após voltarem para Casa, Lisa tomou um banho muito demorado para tirar a sujeira das mãos daquele homem de seu corpo. E assim que terminou, foi até a sala onde seus tios a esperavam e voltou a baixar o olhar envergonhada.
Os tios a confortaram mas tinham de encarar a realidade. Guissepe Leonardo era o homem mais poderoso de todo aquele vilarejo, ele tinha poder sobre todas as autoridades, e mesmo que eles contassem a verdade, Guissepe poderia dizer que ela tentou o matar e ela acabaria presa, isso se ele não lhe fizesse um acordo ilícito para a soltar.
Então, a única solução era Lisa ir embora, sair do vilarejo e ir para um lugar onde aquele homem, sua maldade e sua influência não a encontrariam. Lisa se recusou no começo pois não queria deixar seus tios ali com medo que aquele homem fizesse algum mal a eles mas eles insistiram dizendo que assim ela poderia seguir seu sonho de estudar mais cedo e após muito relutar, Lisa acabou aceitando pois ficar podia trazer apenas mais problemas para seus tios.
Então foi decidido, ela iria para Roma o mais rápido possível e lá ficaria com uma tia que trabalhava numa casa.
Na manhã seguinte, Lisa estava abraçando seus tios mais uma vez com lágrimas nos olhos e se despedindo.
Lisa subiu na carroça do homem que levava os vegetais e ficou ali sentada olhando seus tios que se despediam dela e via a vista que a viu crescer ficar cada vez mais distante.
A garota baixou a cabeça limpando uma lágrima que lhe fugiu e logo ouviu gritos de longe.
-LISA! LISA! LISA!- Lisa olhou na direção da voz e viu o rapaz que corria com todas suas forças afim de alcançar a carroça.
-André!- Gritou Lisa sorrindo ao ver o Rapaz e se virou para o carroceiro.
-por favor pare, Só um minuto-
O homem parou o burro que puxava a carroça.
-Se apresse ou vai perder o trem-
Lisa pulou da carroça e correu até André que a abraçou a tirando do Chão.
-Você está mesmo indo?- perguntou o rapaz.
-estou.- disse baixando o olhar. -eu fui me despedir de você mas me disseram que você ainda não tinha voltado-
-Eu não acredito que você está indo, Eu sei que você vai para estudar mas não seria no ano que vem? Por que está indo tão cedo?-
Lisa olhou para o Rapaz por um tempo e baixou o olhar novamente, não podia dizer o real motivo de estar indo embora, se soubesse, André poderia tentar cometer uma loucura contra Guissepe e acabar preso ou pior e aquilo ela não suportaria
Lisa tirou um sorriso fraco.
-Eu vou ficar na casa onde uma tia está trabalhando e lá vou me preparar melhor para poder entrar na universidade-
André suspirou abatido.
-eu prometo que vou juntar todo meu dinheiro para ir ver você lá-
Os dois sorriram um para o outro e deram um abraço. Lisa beijou a bochecha do Rapaz e olharam um para o outro segurando as mãos.
-Lisa! Vamos!- gritou o carroceiro e Lisa voltou a carruagem acenando para André.
André viu sua amada partir e não conteve uma lágrima que lhe fugiu enquanto a via ficar cada vez mais distante e os lindos fios dourados esvoaçavam com o vento.
Sua amiga de infância, sua companheira, confidente, seu primeiro amor, ela estava partindo.
André apertou o chapeu em suas mãos sentindo seu peito doer. Não queria a perder, ainda nem tinha confessado seus sentimentos por ela, não teve a oportunidade de dizer o quanto a amava.
....
Ao chegar a cidade de Roma, Lisa foi recebida por sua tia na estação de Trem e após se saudarem e abraçarem, Elisabeta levou sua sobrinha até o ônibus que as deixou no bairro cheio de casarões.
As duas caminharam mais um pouco até uma grande mansão que mais parecia um castelo O que deixou a garota do campo bastante impressionada.
-Pronto, tome um banho e vamos almoçar, estamos muito atarefados porque o patrão chega hoje de viagem então se apresse.- disse Elisabete assim que chegaram ao quarto no anexo dos criados.
-Sim.- Lisa deixou sua mala e começou a se prepare para o banho e a mulher a observava.
-Você é muito bonita, está tão crescida, era só uma menina quando a vi mas agora está uma bela mulher, aqui na capital você vai arranjar um bom marido logo-
-tia!- disse envergonhada.
-E-eu só vim para trabalhar e estudar-
-não seja boba, os homens aqui tem muito dinheiro e são bastante generosos com moças bonitas como você-
Lisa baixou o olhar se lembrando do ocorrido daquele dia. A última coisa que ela queria era ver um homem como Guissepe Leonardo outra vez, um homem que usava seu poder para dominar as pessoas.
Após tomar o banho, Elisabeta levou sua sobrinha até o mordomo para a apresentar, e encontrou o homem só salão de jantar atarefado dando ordens e orientando a organização do jantar de recepção de seu mestre.
-Senhor Gabriel.- Chamou a mulher e o homem mais velho se virou para a encarar mas seu olhar foi atraído em direção a garota que estava ao lado dela
-Pai Santíssimo...- disse o homem pálido como se tivesse visto um fantasma e se apoiou a mesa.
-Senhor Gabriel!- Elisabete se aproximou dele preocupada.
-o que se passa?- Perguntou Elisabeta dando um copo de água ao homem.
-S-Senhorita Luna...- disse o mordomo sem tirar os olhos de Lisa que olhou para tia confusa.
-Luna? Não, essa é a minha sobrinha, Lisa-
Lisa curvou a cabeça em saudação ao homem que ainda a encarava.
-Lisa?-
-Sim ela é do interior acabou de chegar, o senhor disse que deveria chamar mais moças para ajudar nos trabalhos de casa agora que o patrão vai voltar e eu pensei nela, não é uma moça bonita? Pode até trabalhar na casa grande não acha?-
-Não!- disse o homem num tom alto que assustou as duas.
-ela não pode trabalhar na casa grande, ou melhor, ela não pode trabalhar aqui-
-o que? Por que? Ela pode parecer fraca mas é muito forte e faz todos os trabalhos de casa direitinho, além disso é muito inteligente e...-
-eu disse não! Essa moça não pode ficar aqui, o patrão Não a pode ver, então a tire daqui imediatamente antes que ele chegue.- disse com a expressão séria e dura assustando ainda mais as duas que se entre olharam.
-para o bem de todos, é melhor que ela saia dessa casa-
–Tia eu não posso voltar para toscana, se eu não poder ficar aqui eu não terei para onde ir– Dizia Lisa nervosa.
–fique calma.–
Elisabeta falou para sua sobrinha ali no quarto.
–Eu vou resolver isso, o Gabriel é um velho ranzinza mas ele deve estar ocupado com o jantar, depois eu falo com ele. Agora venha almoçar antes que os trabalhos começem.
Elisabete levou sua sobrinha até a cozinha.
–Elisabeta, Onde esteve? Me deixou aqui sozinha, sabe que o patrão vem hoje e temos muito que fazer.– Reclamou a cozinheira que servia para os demais funcionários da casa que almoçavam ali na cozinha do Anexo dos criados.
–Eu disse a você que iria a estação pegar a minha sobrinha–
–ah e onde ela está?– perguntou a mulher e viu a garota entrar ali na cozinha.
–Boa tarde.– saudou Lisa com um sorriso educado.
Todos se viraram para ver a tal sobrinha.
–Madona Mia...– disse a cozinheira deixando cair a colher, e mais 6 pessoas ali se engasgaram, deixaram cair a colher o copo, e tossiam engasgados desde os criados até os seguranças, e todos aqueles ficaram pálidos com os olhares arregalados como se tivessem visto um fantasma.
Lisa olhou a volta se sentindo estranha pelos olhares por cima dela.
–Não pode ser...– disse a cozinheira e puxou a cadeira para se sentar, sem conseguir parar de olhar a moça.
–É um fantasma?– sussurou uma das criadas arrepiada e tremendo sem tirar o olhar da moça.
–você... quem... quem é essa moça?– perguntou a cozinheira olhando para Elisabeta.
–É a minha sobrinha, Lisa–
–São tão parecidas.– comentou um criado.
–parecidas? Eu convívio com ela e posso dizer que são iguais, é como olhar para mesma pessoa.– respondeu um segurança.
–do que vocês estão falando? Parecida com quem?– perguntou Elisabeta confusa.
–Se apressem, os organizadores já chegaram e preciso que tudo fique pronto antes do mestre...–
O mordomo que tinha acabado de entrar na cozinha se calou ao olhar para garota outra vez.
–Senhora Elisabeta, eu pedi para manter a sua sobrinha no quarto até o jantar dessa noite passar e amanhã bem cedo a lavar até a estação de volta pois ela não pode ficar aqui.– informou o homem com a cara nada boa.
–Mas a menina vai comer no quarto como uma prisioneira? Ela só vai almoçar e depois volta para o quarto, não se preocupe– Respondeu Elisabeta.
Gabriel suspirou estressado e olhou para os demais que ainda olhavam para garota com aquele olhar de espanto.
–Espero que todos tenham em mente que os peixes morrem por abrir suas bocas, então, mantenham as suas fechadas.– avisou o homem e todos desviaram o olhar dando atenção aos seus pratos.
Elisabeta olhou para cozinheira que desviou o olhar. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas iria descobrir logo.
Após o almoço, Elisabeta levou Lisa ao quarto e voltou para cozinha onde estava a cozinheira limpando a mesa.
–Precisa de ajuda.– perguntou Elisabeta.
–Claro, estão todos tão ocupados–
–ah Sim, mas você já tem uma certa idade e devia descansar, devia deixar isso para as moças, realmente precisamos arrumar mais moças, por isso a minha sobrinha deveria ficar aqui e ajudar nas tarefas não acha?–
A Cozinheira parou o que fazia e se virou para outra mulher.
–por que o senhor Gabriel é tão contra a ideia da minha sobrinha ficar aqui? O que ela tem de errado? É bonita, jovem, trabalhadora, inteligente, poderia até trabalhar dentro da casa grande. E porque todos olharam para ela daquela forma?–
A mulher se sentou e soltou um suspiro cansado.
–A sua sobrinha Não pode ficar aqui por causa do patrão–
–Como assim por causa do patrão?–
A cozinheira soltou outro suspiro.
–Você começou a trabalhar aqui há pouco tempo e não sabe. o patrão... Ele teve uma noiva, ele a amava muito, estavam juntos há anos, aquele namoro de adolescentes, mas o amor deles era verdadeiro, almas gêmeas e ficaram juntos até se tornarem adultos ainda muito apaixonados, noivaram e estavam com a data de casamento marcada, mas então aconteceu uma tragédia e a moça morreu. O patrão ficou completamente abatido com a morte dela, ele perdeu o sentido de viver, nós quase o perdemos por conta de sua tristeza, e após muito tempo fazendo tratamento psicológico, ele se recuperou e aos poucos voltou a ser o que era, bom não como antes porque ele se fechou completamente, mas todos os dias no dia em que ela morreu, ele desaparece por uma semana, ele ainda a tem no coração, e tenho certeza que ele jamais amara outra mulher porque aquela mulher morreu com o coração dele em suas mãos–
Elisabeta estava chocada com a história, via o patrão poucas vezes mas ao seu ver era um homem de elite normal, bonito, sempre trabalhando e calmo. Não imaginava que ele carregava aquela história e sendo tão jovem.
–mas, o que a minha sobrinha tem haver com isso? Por que ela não pode ficar aqui por causa do patrão?–
–A sua sobrinha... é a sombra da falecida noiva do patrão, as duas são iguais, idênticas, eu me sustei quando olhei para sua sobrinha porque achei que era a falecida, achei que estava vendo um fantasma. Por isso ela não pode ficar aqui, se o patrão a ver ele pode... ah eu não sei o que ele pode fazer, mas com certeza não vai ser uma coisa boa esses dois se encontrarem, então pelo bem do patrão e pelo bem da sua sobrinha, é melhor ela ir embora–
–ah, eu entendo, eu vou falar com ela então, a última coisa que quero é causar algum tipo de problema–
–isso é o certo a se fazer, com o coração e a mente não se deve brincar–
.....
Lisa ouviu a porta do quarto ser aberta e se se levantou.
–Então tia, falou com ele? Eu posso ficar?–
–Claro que pode, quem diria não a uma garota tão bonita quanto a minha sobrinha?– Lisa sorriu feliz ao ouvir aquilo.
–mas para ficar você precisa fazer exatamente o que eu te disser entendeu?–
Lisa confirmou com a cabeça.
–Eu prometo obedecer a senhora tia, eu não vou causar confusão e nem ser um problema para senhora–
–Otimo, se fizer tudo que eu lhe disser, você vai ter um futuro muito brilhante nessa casa– Elisabeta sorriu Largo e abraçou a sobrinha que a abraçou de volta feliz com aquela oportunidade de poder ficar e trabalhar ali.
Elisabeta sorriu mais enquanto acariciava os cabelos da mais nova.
Não podia deixar aquela oportunidade passar, se aquela garota era a cópia da falecida noiva do patrão, tudo que tinha de fazer era colocar ela na frente dele.
A mulher sorriu feliz e soltou um suspiro interno imaginando em como sua vida mudaria dali há algum tempo graças a sua querida sobrinha e a semelhança com a tal falecida noiva do chefe.
Ela a tornaria na substituta perfeita.
A comitiva de carros pretos entrou pelos portões da mansão, e o carro onde estava o chefe parou de frente a entrada da mansão onde estavam os criados em fila aguardando para receber seu patrão.
A porta do carro foi aberta por um dos seguranças e de lá Desceu o homem de terno preto, cabelos pretos curtos num penteado simples mas elegante que combinava perfeitamente com seu rosto masculino, dono de um belo par de olhos azuis e um corpo com ombros largos e braços firmes assim como suas pernas.
–Seja bem vindo Senhor Giovanni!– saudaram os criados num tom ordenado assim como suas posturas.
O homem apenas fez um aceno de cabeça respondendo a saudação.
–Seja bem vindo mestre.– Saudou o mordomo se aproximando do homem.
–Gabriel!– Giovanni tirou um sorriso simples ao ver o homem mais velho, e abriu os braços indo até ele lhe dando um abraço e dois beijos no rosto.
–Você organizou tudo isso? Deve tirar umas férias para descansar um pouco.– disse caminhando para dentro da mansão com seu braço sobre o ombro do homem mais velho e entraram na mansão com seu assistente atrás deles.
Giovanni conversou com seu mordomo em seu escritório recebendo um relatório de como estavam todos os negócios da família ali na capital e logo lhe informou que havia organizado um jantar em homenagem a seu regresso.
–um jantar? Não é para tanto, só fiquei fora por 6 meses, mas se você insiste e se deu a todo esse trabalho, está bem.– disse fechando a pasta de documentos e se levantou.
–eu gostaria de dar uma volta na cidade antes, senti muita falta do meu país e principalmente desta cidade.– disse olhando pela janela do escritório de onde dava para ver apenas a extensão de sua propriedade.
–Com certeza senhor–
.....
Apos o jantar que tinha corrido bem, Giovanni entrou em seu quarto e tirou seu palitó e colete sentindo um alívio por finalmente estar sozinho e poder descansar.
O homem tirou sua camisa social expondo seu corpo musculado cheio de arranhões, cortes, cicatrizes e alguns curativos, e suspirou ao sentir um dos curativos húmido de Sangue o que o fez se lembrar que durante a tarde Antônio o lembrou de os trocar quando chegou mas ele o ignorou.
Giovanni caminhou até o criado mudo e clicou num botão do telefone que estava ali.
–mande trazerem um quite de primeira socorros–
–Sim senhor.– respondeu a voz do outro lado.
Giovanni foi para o banheiro, terminou de se despir e entrou na banheira preparada com a água morna que fez seus músculos tensos relaxarem.
.....
Assim que o jantar terminou e todos os convidados foram embora e o Patrão foi para seu quarto, Elisabeta correu para o quarto onde estava sua sobrinha e a mandou tomar um banho e se arrumar. Lisa questionou o porquê dela se arrumar a aquela hora e Elisabete disse que ela atenderia o patrão.
A garota ficou nervosa mas após a encorajar falando que ele poderia a deixar ficar e até poderia a ajudar a estudar, Lisa ganhou coragem e fez o que a tia mandou.
Elisabete deu roupas novas a garota e lhe arrumou o cabelo, ela não precisava de muito para ficar linda, apenas tinha de parecer o mínimo decente pois o patrão jamais olharia para uma criada.
Assim que terminou de a arrumar, Elisabete levou a garota até a casa grande, deu o kit de primeiros socorros a ela e lhe deu instruções de como chegar ao quarto do patrão.
Elisabeta viu a moça subir as escadas e sorriu. Agora era só esperar o patrão ver nela seu antigo amor e se apaixonar por ela, e com sua orientação, Lisa se casaria com ele e se tornaria a dona daquela casa e a senhora Santori Di Marino, e ela seria como sua "mãe".
A mulher sorriu orgulhosa de seu "plano perfeito"
....
Lisa bateu a porta do quarto duas vezes, e como sua tia a orientou caso não ouvisse resposta, abriu a porta do quarto e entrou ficando impressionada com o tamanho do local, o quarto era maior que sua casa toda onde vivia com Seus tios.
Lisa tentou não se deslumbrar como em todo o caminho pela mansão até ali.
A moça olhou a volta Não vendo ninguém no cómodo mas como sua tia havia orientado, ela ficou ali parada esperando.
Não demorou muito e Lisa ouviu uma das portas ali dentro do quarto ser aberta e se assustou mas logo se recompôs tomando a postura reta de frente para porta que se abriu e dela saiu o belo homem vestindo apenas um roupão mal fechado com a fita deixando boa parte de seu peito a mostra.
Lisa corou ao ver o homem seminu e baixou a cabeça envergonhada.
–m-me desculpe senhor.– disse com a voz baixa quase inaudível.
Giovanni olhou previamente para criada estranhando o facto dela estar sem uniforme, mas não deu muita importância.
–Traga a caixa.– disse caminhando para o criado mudo ao lado da cama.
–Senhor?– perguntou Lisa uma vez que ele tinha falado baixo e levantou a cabeça olhando na direção do homem que estava de costas, mas logo se virou olhando para ela.
–Eu disse para trazer...–
Giovanni congelou por completo ao olhar o rosto da moça. Seu corpo petrificou, seu coração acelerou mais que nunca fazendo seu peito subir e descer com certa frequência, e seus olhos estavam vidrados na mulher a sua frente.
Estaria tendo mais uma de suas alucinações? Mas fazia anos que ele não tinha, por que a estava vendo agora...
–Senhor?– Chamou Lisa e se assustou com o som do jarro de vidro caindo no chão.
Ao ouvir a voz dela soando tão real, Giovanni deu um passo para trás e derrubou o jarro que estava no criado mudo.
–Eu Limpo.– disse Lisa se aproximando e se baixou para começar a pegar os cacos.
Giovanni viu a mulher se aproximar e seu coração acelerou mais ainda, quanto mais se aproximava, mais real parecia...
Os olhos do homem caíram sobre a mulher que se baixou ao seu lado e pode sentir claramente aquele aroma... Era o aroma dela.
Lisa ia pegar no primeiro caco de vidro quando sentiu uma mão segurar seu pulso com certa força e a levantar.
A moça fez uma cara de desconforto e tentou puxar seu braço de volta sem sucesso.
–S-Senhor, está me machucando.– disse e levantou a cabeça olhando para o homem que a encarava com a expressão séria e confusa.
"Não, eu não posso estar ficando louco a esse ponto. É ela, é realmente ela"
–Minha Luna...–