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A traição descarada: um casamento forjado

A traição descarada: um casamento forjado

Autor:: Lavinia
Gênero: Bilionários
"Quero o divórcio." Por cinco anos, eu, Harlow Love, tinha sido esposa de Kaden Barnes apenas no papel, fruto de uma transação para salvar a imagem de sua família depois que meu pai morreu ao salvar sua vida. Aguentei sua crueldade, suas humilhações, e vi ele amar outra mulher sem esconder. Quando finalmente juntei forças para pedir a minha liberdade, a própria mãe dele, a matriarca da família, me informou friamente que só poderia partir depois de aguentar as chamadas "medidas disciplinares" da casa - trinta chibatadas - para que ficasse claro que eu não estava sendo expulsa. Mas, antes mesmo que pudesse me preparar, uma revelação cruel desmoronou meu mundo. "Esse casamento nem é legal." Os cinco anos de dor, os ferimentos, a vergonha pública... tudo em nome de uma mentira. No entanto, o alívio não durou. Brittaney, a amante de Kaden, me acusou de atacar a cachorra dela, logo depois de dizer que eu havia tentado matá-la durante um passeio a cavalo. Cego pela devoção que sentia, Kaden acreditou em cada palavra. A punição foi brutal - ele quebrou minha perna, deslocou meu braço e me deixou à beira da morte. Aos seus olhos, eu valia menos do que um animal de estimação, e minha dor e minha dignidade não significavam nada. Por que, mesmo diante do meu corpo sangrando, ele preferia acreditar em cada lágrima dela? Quando já não havia saída, foi sua mãe quem me salvou. Horrorizada pela crueldade do filho, ela me enviou em segredo para Londres e me concedeu a liberdade que eu tanto desejava. Finalmente, estava livre - e jurei a mim mesma que jamais voltaria a ver Kaden Barnes.

Capítulo 1

Por cinco anos, eu, Harlow Love, tinha sido esposa de Kaden Barnes apenas no papel, fruto de uma transação para salvar a imagem de sua família depois que meu pai morreu ao salvar sua vida. Aguentei sua crueldade, suas humilhações, e vi ele amar outra mulher sem esconder.

Quando finalmente juntei forças para pedir a minha liberdade, a própria mãe dele, a matriarca da família, me informou friamente que só poderia partir depois de aguentar as chamadas "medidas disciplinares" da casa - trinta chibatadas - para que ficasse claro que eu não estava sendo expulsa.

Mas, antes mesmo que pudesse me preparar, uma revelação cruel desmoronou meu mundo.

"Esse casamento nem é legal."

Os cinco anos de dor, os ferimentos, a vergonha pública... tudo em nome de uma mentira.

No entanto, o alívio não durou.

Brittaney, a amante de Kaden, me acusou de atacar a cachorra dela, logo depois de dizer que eu havia tentado matá-la durante um passeio a cavalo.

Cego pela devoção que sentia, Kaden acreditou em cada palavra.

A punição foi brutal - ele quebrou minha perna, deslocou meu braço e me deixou à beira da morte.

Aos seus olhos, eu valia menos do que um animal de estimação, e minha dor e minha dignidade não significavam nada. Por que, mesmo diante do meu corpo sangrando, ele preferia acreditar em cada lágrima dela?

Quando já não havia saída, foi sua mãe quem me salvou. Horrorizada pela crueldade do filho, ela me enviou em segredo para Londres e me concedeu a liberdade que eu tanto desejava.

Finalmente, estava livre - e jurei a mim mesma que jamais voltaria a ver Kaden Barnes.

...

"Eu quero o divórcio." A declaração de Harlow Love ecoou pelo salão da mansão Barnes, firme apesar de ser dita em tom baixo, partindo em duas a atmosfera carregada de tensão.

Ajoelhada sobre o mármore frio, com as costas latejando por ferimentos ocultos sob o vestido simples, ela mantinha a cabeça inclinada, mas não deixava transparecer derrota.

À sua frente, a senhora Barnes, matriarca da poderosa família, permanecia rígida em uma cadeira de madeira entalhada com o rosto pétreo, desprovido de qualquer vestígio de calor. "Por que quer isso?"

"A senhora sabe", respondeu Harlow, trêmula, mas decidida. "Esse casamento nunca passou de um acordo. Foi apenas a forma de limpar a imagem da sua família depois que meu pai morreu salvando a vida de Kaden."

Ela não precisava detalhar, porque essa história era pública. Seu pai, motorista leal da família, tombara com uma bala destinada ao herdeiro. Como compensação, e também para conter a repercussão, a senhora Barnes obrigou o filho a se casar contratualmente com a filha enlutada.

"Por cinco anos, fui esposa só de nome", prosseguiu Harlow, a voz embargada pelo peso do tempo. "Virei alvo para os acessos de raiva, aguentando crueldades e humilhações."

Ela baixou o tom, quase em um sussurro: "E precisei assistir a ele amando outra mulher."

Todos ali sabiam a quem se referia - Brittaney Cortez, a companheira de infância de Kaden, presença constante, dona de uma confiança que fazia da casa de Harlow quase sua própria morada.

"Isso não é motivo", retrucou a senhora Barnes com desdém. "Você carrega o título de esposa de Kaden Barnes. Isso deveria ser o bastante."

Harlow soltou um riso breve, amargo. "Esposa? Todos na cidade sabem a verdade e cochicham em cantos."

Dois primos distantes murmuraram ao fundo.

"Está falando da Brittaney, não está?"

"Claro. Kaden nunca escondeu. Ele leva Brittaney para todos os lugares. Deu até uma mansão para ela, bem ao lado do clube."

A mandíbula da matriarca se retesou. "Pura fofoca."

"Fofoca?", Harlow ergueu o olhar, os olhos faiscando. "Quando ele sai da minha cama para atender as ligações dela? Quando a leva às festas e me deixa de lado como uma empregada? Isso não é fofoca. É a verdade."

"Homens de poder têm seus caprichos. Cabe à esposa tolerar. Você tem um título, uma vida de riquezas. Não reclame, Harlow."

A dor nas costas de Harlow se intensificou, surgindo de forma aguda e pulsante. Era a lembrança dolorosa da punição da noite anterior: uma surra com um cinto de couro, simplesmente porque ela derramou vinho em um terno que Brittaney escolhera para Kaden. Mas sua vontade era mais forte do que qualquer sofrimento.

"Não quero o título. Não quero o dinheiro", ela disse, com as lágrimas começando a tomar conta de seus olhos, borrando o semblante impassível de sua sogra. "Eu só quero ser livre. Estou implorando, por favor. Me deixe ir."

O silêncio entre elas se estendeu por um tempo interminável.

A senhora Barnes a observava atentamente, com algo difícil de decifrar em seu olhar. Talvez fosse a firmeza no tom da jovem, ou o cansaço exaustivo que transbordava dela.

"Está bem", a matriarca finalmente disse, sua voz cortante, como se as palavras caíssem pesadas como pedras.

O coração de Harlow bateu mais rápido, uma esperança desesperada tomando conta de si.

"Mas você conhece as regras dessa família", continuou a senhora Barnes, sua voz agora fria como o gelo. "Sair não é uma tarefa simples. Kaden é o herdeiro do império Barnes. Um divórcio traz vergonha. Para conseguir sua liberdade, terá que enfrentar as medidas disciplinares da família. Precisará provar que está partindo por sua própria vontade, não porque foi expulsa."

Harlow sabia o que isso significava. A família Barnes tinha um código de justiça distorcido, feito para esmagar qualquer um que se atrevesse a desafiar suas regras.

"As regras dizem que quem quiser romper os laços familiares deve suportar trinta chibatadas", disse a senhora Barnes, sua voz seca e implacável. "Depois disso, poderá ir embora."

Trinta chibatadas... era como uma sentença de morte se considerasse as feridas que ela já carregava.

Mas, ao encarar a matriarca, Harlow não vacilou. As lembranças do dia do seu casamento passaram por sua mente como um filme. Naquele dia, Kaden nem sequer apareceu - ele estava com Brittaney, consolando-a por causa do "casamento falso".

Ela se recordou de todos os jantares em que Kaden a ignorava e colocava comida no prato de Brittaney, rindo e conversando com sua amada.

Ela se recordou das longas noites solitárias, ouvindo o carro dele estacionar e, em seguida, passar horas no celular, falando com Brittaney em um tom suave e carinhoso, algo que ele nunca dirigiu a ela.

Ela se recordou da frieza nos olhos dele depois dos raros momentos de intimidade, quando ele apenas empurrava um copo de água e uma pílula em suas mãos. "Pegue. Você é a senhora Barnes. Esse é o seu título. Mas você nunca terá o meu filho."

Cinco anos...

Ela havia acreditado, ingenuamente, que sua devoção silenciosa, a maneira como cuidava da casa e sua lealdade inabalável diante da humilhação pública poderiam, de alguma forma, conquistá-lo e fazê-lo enxergar um pedaço de afeto nela. Talvez uma forma de pagamento pela dívida que ele tinha com seu pai?

Mas ele nunca a amou, e nunca a amaria. Todos sabiam disso.

Qual seria o motivo de permanecer ali? Foi um erro ter acreditado que ele reconheceria qualquer tipo de honra em seu gesto.

Ela era apenas uma piada, um simples substituto para o vazio.

"Eu aceito", disse Harlow, com a voz firme.

Ela arrastou o corpo dolorido de volta para a mansão, que deveria chamar de lar. Cada passo era uma tortura. As feridas em suas costas queimavam, e suas pernas estavam quase sem forças.

Quando chegou à grande escada, ouviu vozes vindo da sala de estar - a voz de Brittaney, doce e enjoativa.

"Kaden, querido, quando você vai se livrar dela? Não aguento mais olhar para essa mulher."

"Logo, meu amor", a voz de Kaden soou suave, um murmúrio cheio do carinho que Harlow jamais experimentou. "Tenha paciência."

"Mas e se sua mãe gostar dela e não deixar você se divorciar?", insistiu Brittaney, fazendo um beicinho falso.

Kaden deu uma risada cruel, mas encantadora ao mesmo tempo: "Gostar dela? Minha mãe só se importa com as aparências. Além disso, esse casamento nem é legal."

Harlow parou, seus dedos se prendendo no corrimão.

Brittaney soou surpresa. "O quê? Mas... a certidão de casamento? Eu vi."

"Falsificação", Kaden disse com naturalidade, como se estivesse falando de qualquer coisa trivial. "É só um pedaço de papel para agradar a velha e a imprensa. Aos olhos da lei, ela não significa nada para mim."

O mundo ao redor de Harlow parecia girar. O ar sumiu dos seus pulmões e seu sangue gelou.

Era tudo uma mentira.

Cinco anos de sofrimento, de agressões, de humilhação pública, sustentando o que pensava ser real - seu título de esposa - e tudo não passava de um engano cruel. Uma peça encenada de maneira tão elaborada que nem ela era digna de uma verdadeira certidão de casamento...

Por um momento, ela se sentiu estranhamente aliviada. Se o casamento não era real, então sair dali seria mais simples, até mesmo mais limpo. Ela estava realmente livre.

Com os punhos cerrados, Harlow estava pronta para virar e sair pela porta nesse instante.

De repente, uma pequena bola branca de pelúcia disparou da sala de estar. Era Princess, a Pomeranian mimada de Brittaney. A cachorra rosnou e mordeu a panturrilha de Harlow.

A dor foi imediata e intensa, queimando como fogo em sua perna. O sangue rapidamente manchou a meia.

Ela gritou, tentando afastar a cachorra, que se agarrou a ela, rosnando.

Passos rápidos se aproximaram da sala. Brittaney apareceu, com um robe de seda, parecendo dona da casa.

Em vez de ajudar, empurrou Harlow com força, a fazendo tropeçar contra a parede.

"Princess! Ah, minha bebê!", Brittaney exclamou, pegando a cachorra nos braços, então se virou para Harlow, seus olhos brilhando de ódio. "O que você fez com minha cachorra? Está tentando machucá-la?"

"Ela me mordeu!", Harlow gritou, apontando para sua perna sangrando.

"Mentira!", Brittaney gritou de volta. "Princess jamais morderia alguém sem motivo! Aposto que você tentou chutá-la, sua miserável."

Exausta demais para responder, Harlow tentou se levantar, só querendo sair dali. A dor nas costas e na perna a deixava tonta.

No entanto, Brittaney percebeu e um olhar cruel surgiu em seus olhos. Ela levantou a mão para esbofetear Harlow.

Instintivamente, Harlow levantou o braço para se proteger e empurrou Brittaney com a outra mão para afastá-la.

Foi nesse momento que Kaden apareceu na porta, vendo a cena congelada. Sem pensar, ele se moveu rápido e puxou Brittaney para os braços, protegendo-a como se fosse um tesouro.

Capítulo 2

Os olhos de Kaden, gélidos e cheios de desprezo, se fixaram em Harlow.

"O que pensa que está fazendo?", ele rosnou, a voz carregada de raiva.

Harlow olhou rapidamente para sua perna ensanguentada, antes de encarar Kaden, que segurava Brittaney nos braços como se fosse uma boneca frágil. Uma dor lancinante, pior do que qualquer ferimento físico, se espalhou pelo seu peito.

Ela lutou contra o nó na garganta e tentou manter a voz firme. "Ela tentou me agredir."

"Kaden!", Brittaney soluçou, enterrando o rosto no peito dele, seu corpo tremendo. "Ela tentou machucar a Princess! Chutou minha pobre filha sem razão alguma!"

Kaden franziu a testa, e seu olhar se congelou. "Por que agredir um animal indefeso, Harlow? Você sabe o quanto a Brittaney ama aquela cachorra."

Uma lágrima de frustração pura escorreu pela face de Harlow. "Você não viu! Foi a cachorra que me mordeu primeiro! Olhe minha perna!"

A perda de sangue e a dor excruciante nas costas a dominaram completamente. Ela perdeu o equilíbrio, as pernas cedendo, e deslizou até o chão, caindo de forma desordenada.

Por um breve instante, Kaden olhou para o corte na panturrilha de Harlow, um músculo na mandíbula se contraindo. Sua voz, quase imperceptível, se tornou ligeiramente mais suave.

"Vamos limpar isso."

Mas Brittaney, apertando ainda mais o abraço ao redor de Kaden, soltou um grito desesperado. "Não! Kaden, ela machucou a Princess! Minha filha está traumatizada!"

A preocupação que Kaden demonstrara por Harlow se dissipou rapidamente e ele acariciou os cabelos de Brittaney. Sua voz, agora doce e cheia de afeição, era tudo o que Harlow não ouvia dele durante todos esses anos. "Calma, minha querida. O que você quer que eu faça?"

Brittaney levantou o rosto, as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto seus olhos, carregados de ódio, se fixavam em Harlow. "Quero que ela se desculpe. Com a Princess."

Kaden olhou novamente para Harlow no chão, seu rosto voltando a se endurecer. "Ouviu? Peça desculpas à Princess, e podemos esquecer isso."

Harlow soltou uma risada amarga e fraca. Então, nos olhos dele, a dor que ela sentia, seu sangue, sua dignidade - nada disso valia mais do que uma cachorra mimada?

Ela estava pálida, mas sua voz não tremia. "Não."

"O que disse?" A voz de Kaden soou mais baixa, carregada de ameaça.

"Eu disse não", Harlow repetiu, tremendo, mas sem ceder. "Não fiz nada de errado."

Brittaney soltou um grito teatral, começando a tremer nos braços de Kaden, seu rosto distorcido por ódio.

A paciência de Kaden se quebrou e ele bradou: "Você ousa me desobedecer?"

Harlow o encarou, com o coração agora gelado. Ela se lembrou de todas as vezes que se submetera, de todas as vezes que engolira seu orgulho, esperando por um pingo de bondade que nunca apareceu. Isso não a levara a lugar nenhum.

"Eu ainda sou a senhora dessa casa, não sou?", ela disse, quase sussurrando. "Ou esse título é tão falso quanto nossa certidão de casamento?"

Kaden ficou imóvel, seus olhos estreitando. Logo, um sorriso cruel surgiu em seus lábios. "Não ouse tentar me desafiar, Harlow. Isso não vai funcionar."

Ele avançou um passo, se erguendo sobre ela, quase imponente. "Peça desculpas. Agora. Ou eu vou fazer você."

Harlow olhou para o rosto de Kaden, bonito, mas tão impiedoso, e uma onda de repulsa tomou conta dela. Ele estava disposto a humilhá-la por causa de uma cachorra, por causa de Brittaney.

Com esforço e o corpo dolorido, ela se levantou, se apoiou no corrimão e o olhou nos olhos. Em seu olhor, havia uma mistura de dor e piedade, não por si mesma, mas por ele - piedade por um homem poderoso, emocionalmente quebrado, escravizado pela própria crueldade.

"Jamais", ela disse, sem hesitar.

O rosto de Kaden se contorceu de raiva e ele gritou, sua voz cheia de autoridade: "Guardas! Levem-na para o pátio. Façam ela ajoelhar. Ela vai ficar lá até que se disponha a pedir desculpas."

Dois guardas, com rostos impassíveis, surgiram de imediato. Enquanto eles seguravam Harlow pelos braços, Brittaney, já sem lágrimas, lhe lançou um sorriso vitorioso e zombeteiro.

"Kaden", Harlow chamou, a voz rouca, enquanto os guardas a arrastavam.

Ele se virou, sua expressão fria e impaciente. "O que foi? Mudou de ideia?"

Ela queria gritar que estava indo embora, que sua mãe já havia aceitado, que em breve ele se veria livre dela para sempre. Mas as palavras se embargaram em sua garganta, sufocadas por anos de lágrimas retidas e dores silenciosas.

O que ela conseguiu dizer foi um suspiro desolado. "Você é um homem sem coração."

Kaden apenas zombou, um lampejo de desprezo atravessando seu rosto. "Saia da minha vista."

Ele virou as costas para ela, indo embora sem um segundo olhar.

Harlow o observou partir, sentindo o aperto dos guardas nos seus braços. Ela sentiu as pontadas da própria mão cravada nas palmas das mãos.

"Está quase acabando", ela pensou. "Só mais um pouco, e você será livre."

Capítulo 3

Harlow passou a noite inteira ajoelhada no pátio. O frio penetrava em seus ossos, tornando ainda mais intensas as dores das feridas já existentes, fazendo com que seu corpo se transformasse em um conjunto de tormentos. Quando a luz da manhã finalmente rompeu, um criado a ajudou a se erguer e a conduziu de volta ao seu quarto.

Ela ignorou as insistências dele para descansar, porque precisava chegar até a velha mansão Barnes, enfrentar sua punição e deixar esse lugar de uma vez por todas.

Quando ela estava mancando pela escadaria imponente, Kaden apareceu, franzindo a testa. "Para onde você pensa que está indo?"

"Minha senhora me convocou para a casa principal", Harlow respondeu, sem emoção, sua voz dura e sem qualquer traço de sentimento.

O semblante de Kaden escureceu. Ele ia abrir a boca, mas a voz alegre de Brittaney interrompeu, vindo do alto da escada.

"Vai para a casa principal? Vai contar tudo para a velha, Harlow?" Brittaney desceu as escadas, usando o primeiro nome de Harlow com um desdém familiar, como quem não tem pudor em demonstrar superioridade.

Harlow a ignorou completamente e continuou caminhando em direção à porta.

"Pare", Kaden disse, autoritário, enquanto agarrava seu braço com força. "Você não vai a lugar algum. Brittaney vai fazer compras. Você a acompanhará."

Ele a avaliou dos pés à cabeça, seu olhar cheio de desprezo pela simplicidade do vestido gasto que usava. "Vou te dar algum dinheiro. Compre algo decente. Você está parecendo uma miserável."

Harlow sentiu uma risada histérica se formar em sua garganta. Em cinco anos, ele nunca tinha se oferecido para lhe comprar nada. Agora, de repente, sua "generosidade" parecia mais uma tentativa de agradar Brittaney.

"Não, obrigada", ela disse com uma voz cortante, fria como o vento. "Preciso ir para a casa principal."

Antes que ela terminasse, Kaden fez um gesto para seus guardas. "Coloquem-na no carro."

Sem mais palavras, os guardas a empurraram para o banco de trás da limusine.

A ida às compras foi uma verdadeira tortura para Harlow. Enquanto Brittaney se movia de uma loja de grife para outra, cheia de energia, e sua risada ecoava pelo shopping, ela era forçada a acompanhá-la, carregando sacolas que pareciam nunca terminar.

Sua coluna estava em chamas. Sua perna latejava de dor. Seus joelhos, machucados de tanto ficar ajoelhada durante a noite, mal conseguiam sustentá-la a cada passo.

Finalmente, ela não conseguiu mais seguir adiante e as sacolas caíram de suas mãos frágeis, se espalhando pelo chão. Ela se apoiou em uma parede, tentando recuperar o fôlego, fraca demais para pronunciar sequer uma palavra.

Brittaney se aproximou, com um sorriso de desdém estampado no rosto. "Cansada já? Você é tão frágil, Harlow."

Harlow a encarou, a expressão impassível. Ela sabia que Brittaney fazia tudo isso de propósito, aproveitando cada momento de sua dor. No entanto, não havia saída, não até que a senhora Barnes finalmente lhe concedesse o divórcio.

Com os dentes cerrados, ela se afastou da parede e se abaixou para pegar as sacolas que caíram.

Quando retornaram à mansão, Brittaney, que ainda não estava disposta a deixá-la em paz, apontou para as novas pilhas de roupas. "Lave isso."

Kaden, que estava lendo um jornal, nem sequer olhou para Harlow. "Faça o que ela mandou."

Harlow ficou atônita, sem saber o que dizer. "Mas... existem empregadas para isso. E minha perna... minhas costas..."

Kaden finalmente levantou os olhos e viu o rosto pálido e suado de Harlow. Por um momento, algo - uma sombra de piedade, talvez - passou por seu semblante.

Brittaney percebeu também e imediatamente deu um suspiro, lágrimas se formando em seus olhos. "Ah, deixa para lá. Eu mesma faço. Não quero incomodar a grande senhora Barnes, é claro."

O sarcasmo estava claro em suas palavras.

A expressão de Kaden se fechou imediatamente. Ele voltou sua raiva para Harlow.

"Ela mesma se ofereceu para fazer, e você vai ficar aí parada? O que custa lavar algumas roupas? Não é como se você fizesse algo útil por aqui."

Essas palavras atingiram Harlow com mais força do que qualquer golpe físico.

Ela se calou, afinal, era filha de um motorista, uma simples serviçal. Mesmo depois de cinco anos como a senhora da casa, aos olhos dele, continuava sendo apenas uma serviçal.

Sem dizer mais nada, ela se virou e começou a carregar as roupas até a lavanderia.

Ao sair, viu Brittaney se jogar nos braços de Kaden. "Ah, Kaden, você é o melhor. Sempre cuida de mim."

A voz dele, suave e cheia de condescendência, a seguiu. "Qualquer coisa por você, meu amor."

Harlow olhou para a pilha de sedas e tecidos delicados na lavanderia e se sentiu a maior tola do mundo.

Já passava da meia-noite quando ela finalmente terminou. O movimento repetitivo de esfregar fez as feridas em suas costas se reabrirem. Sua perna estava inchada e ardente ao toque. Uma infecção tinha se instalado, e a febre já consumia seu corpo.

Com a visão embaçada, ela subiu as escadas e chegou ao seu quarto, mas antes que conseguisse se deitar, desabou no chão, desmaiada.

Quando acordou, estava em um quarto branco e estéril.

"Você acordou", disse a enfermeira, que ajustava uma infusão ligada ao seu braço. "Está com febre alta. O senhor Barnes a trouxe pessoalmente. Ele estava muito preocupado. Nos pediu para cuidar de você com todo o zelo."

O coração de Harlow deu um salto estranho e doloroso. Kaden? Preocupado com ela? Ela sabia melhor do que acreditar nisso.

A porta se abriu com força, e Kaden entrou, furioso, seu rosto vermelho de raiva. Ele segurava uma pistola, pressionando o cano frio diretamente contra a testa de Harlow.

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