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A vingança é doce quando o amor morre

A vingança é doce quando o amor morre

Autor:: Cinderella's Sister
Gênero: Moderno
Eu desisti da faculdade de artes dos meus sonhos em Londres por causa do meu namorado, Breno. Mas quando fui pisoteada por uma multidão em pânico, ele soltou a minha mão para salvar outra garota. Quando nosso carro mergulhou em um rio, ele me olhou nos olhos, depois se virou e nadou para salvá-la. Os jornais o chamaram de herói, enquanto ele me entregou para a polícia com base nas mentiras dela. Cinco anos depois, sou uma das artistas mais requisitadas do mundo, e minha primeira encomenda milionária veio justamente dele. Ele acha que seu dinheiro pode me comprar de volta.

Capítulo 1

Eu desisti da faculdade de artes dos meus sonhos em Londres por causa do meu namorado, Breno.

Mas quando fui pisoteada por uma multidão em pânico, ele soltou a minha mão para salvar outra garota.

Quando nosso carro mergulhou em um rio, ele me olhou nos olhos, depois se virou e nadou para salvá-la.

Os jornais o chamaram de herói, enquanto ele me entregou para a polícia com base nas mentiras dela.

Cinco anos depois, sou uma das artistas mais requisitadas do mundo, e minha primeira encomenda milionária veio justamente dele.

Ele acha que seu dinheiro pode me comprar de volta.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Elisa Ferraz

A primeira vez que Breno Tavares escolheu outra mulher em vez de mim, eu fui pisoteada por uma multidão em pânico.

Era o festival Lollapalooza, nossos corpos tão pressionados um contra o outro naquele mar de gente eufórico e balançante que eu não sabia onde eu terminava e ele começava.

O braço de Breno era um peso familiar e sólido ao redor da minha cintura, me ancorando no caos.

"Tá vendo?", ele sussurrou no meu ouvido, seu hálito quente contra a minha pele, com um leve cheiro de cerveja e da noite de verão.

"Uma noite perfeita."

E era.

Era o ritmo fácil e confortável do nosso amor, um amor tão certo e profundo que parecia a base de todo o meu mundo.

Um ano atrás, eu olhei para a carta de aceitação com bolsa integral para a faculdade de artes dos meus sonhos em Londres, a Slade School of Fine Art, e recusei.

Eu recusei por isso, por ele, por um futuro que eu nunca precisei questionar.

Então, uma briga começou perto do palco. Uma garrafa se quebrou.

A multidão recuou como um único organismo aterrorizado, uma onda humana, e meus pés se enroscaram. Eu perdi o equilíbrio.

"Breno, eu tô caindo!", gritei, minha mão, escorregadia de suor, deslizando da dele.

Seu aperto afrouxou. Por uma fração de segundo, ele segurou, mas seus olhos já varriam o caos, olhando para além de mim.

"Só um segundo, Lisa", ele disse, a voz tensa. "Acho que vi a Carla."

Carla Neves. A aluna transferida. A personificação viva do drama que faltava em nossa vida confortável e previsível.

Três meses atrás, ela jogou o carro numa vala para não bater na camionete dele e, naquele instante, se tornou o projeto pessoal dele, seu brinquedo quebrado e excitante que precisava de conserto.

O braço dele se foi.

Ele estava se afastando de mim, um movimento rápido e decisivo em direção a ela. Ele estava escolhendo ela.

Eu bati no chão com força.

A dor explodiu no meu tornozelo, um estalo doentio e triturante que senti até os dentes. O mundo se dissolveu em um pesadelo de pés pisoteando e escuridão sufocante.

Eu me encolhi em uma bola, com os braços sobre a cabeça, mas tudo que eu conseguia ver na minha mente era as costas de Breno enquanto ele desaparecia na multidão para salvar outra pessoa.

Mais tarde, no calor sufocante da tenda médica, com um paramédico enfaixando meu tornozelo inchado, eu liguei para ele.

A voz dele estava distante, distraída pelo choro baixo e teatral de Carla ao fundo. "Merda, Lisa, me desculpa. Não consigo ir aí agora. A Carla tá tendo um ataque de pânico gigantesco."

"Breno, meu tornozelo está quebrado", engasguei, as palavras grossas de dor e incredulidade. "O paramédico disse que foi uma fratura limpa."

"Eu sei", ele insistiu, a voz impaciente, "mas ela tá surtando de verdade."

Pelo telefone, ouvi o gemido patético e enjoativo dela: "Breno, por favor, não me deixa. Eu não consigo respirar sem você."

"Preciso ir, Lisa", ele disse, a finalidade em seu tom como um tapa na cara.

A linha ficou muda.

No dia seguinte, ele apareceu na minha porta. Não estava segurando flores. Estava segurando uma pequena caixa de veludo da Tiffany's. Dentro havia uma pulseira de diamantes que custava mais que o meu primeiro carro.

Seus olhos estavam arregalados, não de culpa pela minha dor, mas de um pânico cru, animal. Era o olhar de um homem que vê seu futuro perfeitamente planejado prestes a virar fumaça.

"Me desculpa, Lisa", ele disse, a voz trêmula enquanto se atrapalhava com o fecho no meu pulso. Os diamantes pareciam frios contra a minha pele. "Isso nunca mais vai acontecer. É você. Sempre foi você. Você sabe disso, né?"

Eu olhei para os diamantes brilhando no meu pulso, um pedido de desculpas cintilante por seu abandono. Olhei para o puro terror em seus olhos.

E eu escolhi acreditar nele.

Eu confundi o medo dele de perder seu futuro perfeito com uma prova de seu amor por mim.

Capítulo 2

Ponto de Vista: Elisa Ferraz

"Você vai casar com ela, né?"

A pergunta veio de Marcos, o melhor amigo de Breno e atacante do time, uma semana depois.

Eles estavam no vestiário depois do treino, e eu esperava do lado de fora, no corredor, com o pé em um gesso pesado, encostada na parede fria de blocos de cimento. A porta estava entreaberta, e as vozes deles chegavam claramente.

"Claro que vou casar com ela", disse Breno, a voz carregada de uma arrogância fácil e impensada. "Com quem mais eu casaria? A Lisa é perfeita. É inteligente, é linda, nossas famílias se amam. Ela é o meu destino."

Meu coração deu um pequeno salto de esperança com a palavra. Destino.

"Então qual é a da novata?", pressionou Marcos, o tom cético.

Ouvi Breno soltar um longo suspiro, o som de um homem sobrecarregado por algo emocionante. "Cara, a Carla é... excitante. Ela é uma bagunça. Todo dia com ela é um drama novo. É tipo uma montanha-russa."

Ele fez uma pausa, e eu podia praticamente ouvir o sorrisinho em sua voz. "Mas você não casa com uma montanha-russa. Você casa com o porto seguro, lindo. Você casa com a Lisa. Essa coisa com a Carla é só... sei lá. Uma coisa. Não significa nada."

Meu sangue gelou, infiltrando-se em minhas veias como água gelada.

Eu não era o amor dele. Eu não era o destino dele. Eu era o seu "porto seguro".

Eu era sua escolha sensata e entediante para uma futura esposa, enquanto ele se divertia em montanhas-russas.

Naquela noite, Carla apareceu na minha porta. Ela segurava um Tupperware cheio de uma sopa perfumada e fumegante. Seus olhos estavam arregalados e cheios de uma falsa preocupação.

"Minha mãe fez a canja de galinha especial dela pra você", ela arrulhou, entregando para Breno, que havia aberto a porta. "Eu disse a ela como me senti péssima pelo que aconteceu."

Breno, desesperado para manter a paz, para impedir que seus dois mundos separados colidissem, a bajulou. "Carla, você é atenciosa demais. Que incrível."

"Não estou com fome", eu disse do sofá, a frieza em meu coração se infiltrando em minha voz.

A cabeça de Breno se virou bruscamente, o rosto tenso de frustração. Ele não estava me vendo, a garota que supostamente amava, com dor. Ele estava vendo um problema, um obstáculo que ameaçava sua vida dupla cuidadosamente construída.

"Lisa, não começa."

Os olhos de Carla imediatamente se encheram de lágrimas, uma performance praticada e perfeita. "Eu sempre faço a coisa errada", ela sussurrou, virando o rosto para o peito de Breno.

"Não, não faz", ele disse instantaneamente, envolvendo um braço reconfortante em seus ombros, puxando-a para perto. "Ela só está de mau humor."

Ele olhou para mim, sua expressão endurecendo em uma ordem. "Lisa, bebe a sopa. Não complica as coisas."

Suas palavras, não complica as coisas, ecoaram no silêncio súbito e ensurdecedor da sala.

Eu era a complicação. Minha dor era um inconveniente.

Presa, humilhada, peguei a tigela que ele me trouxe e forcei algumas colheradas. A sopa era rica e cheia de ervas finamente picadas.

Mais tarde, depois que ele a levou até o carro, o formigamento começou nos meus lábios. Depois na minha língua. Um calor familiar e aterrorizante começou a se formar na minha garganta, fechando-a, roubando meu ar.

Salsinha. Uma alergia mortal. Uma alergia que Breno conhecia muito bem, que me mandou para a emergência duas vezes no ensino médio.

Minha caneta de adrenalina. Estava no porta-luvas do carro dele.

Tropecei até a porta da frente, meus pulmões em chamas, minha visão começando a se fechar.

Eu saí correndo, ofegante, e os vi.

A camionete dele estava estacionada na calçada, a luz interna os lançando em um brilho suave e íntimo. Ele estava no banco do passageiro, e ela no do motorista, inclinada sobre ele.

A boca dela estava no pescoço dele, as mãos emaranhadas em seu cabelo. Ele estava completamente perdido na emoção, no drama, na "montanha-russa".

Eu estava morrendo no meu gramado pelo veneno que ele me ordenou beber, enquanto a quinze metros de distância, ele jogava um jogo que achava não ter consequências.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Elisa Ferraz

Acordei em uma cama de hospital, o cheiro estéril de antisséptico queimando minha garganta ferida.

Minha tia, que tinha passado para deixar algo, me encontrou desmaiada no gramado. Os paramédicos disseram que mais um minuto e eu estaria morta.

Breno estava lá, o rosto uma máscara de puro e absoluto terror.

Ele não estava apenas culpado; estava horrorizado. Ele quase quebrou sua posse favorita e mais valiosa: sua futura esposa perfeita. A pedra angular de seu futuro perfeito.

Ele se agarrou à minha mão, seu corpo sacudido por soluços que pareciam rasgá-lo por dentro. "Me desculpa, Lisa. Juro por Deus, eu não vi na sopa. Eu nunca te machucaria. Você é tudo pra mim."

Uma parte de mim, a parte fraca e estúpida que ainda o amava, quase acreditou nele.

Mas o "tudo" dele não o impediu de me negligenciar.

Na semana seguinte, ainda frágil e abalada, fui a uma festa do time com ele. Ele desapareceu em minutos, atraído para um círculo de atletas.

Eu estava na cozinha, tentando pegar uma garrafa de água, quando um jogador bêbado me encurralou. Ele era enorme e agressivo, suas mãos agarrando minha cintura, me puxando contra ele.

Eu lutei, minha voz presa na garganta.

"Breno!", gritei, minha voz engolida pela música alta.

Com as mãos tremendo, peguei meu celular e liguei para ele. Caiu direto na caixa postal.

Dei uma joelhada forte na virilha do cara, me dando o único segundo que precisei para me libertar. Corri para fora, ofegante, meu coração martelando contra minhas costelas.

Encontrei Breno em sua camionete na entrada da garagem. Ele não estava sozinho.

Ele segurava a mão de Carla, o polegar acariciando os nós dos dedos dela, enquanto ela chorava por causa de um filme triste que acabara de assistir.

Ele não ouviu meu grito. Ele não ouviu seu telefone tocar. Ele estava muito absorto em seu papel de salvador pessoal dela, seu animal de apoio emocional.

Quando o confrontei mais tarde, de volta à minha casa, seu rosto ficou branco. O pânico estava de volta. Ele viu a fundação de sua vida perfeita rachando novamente.

"Me desculpa", ele gaguejou, passando a mão pelo cabelo. "Eu não ouvi... Lisa, eu juro, se eu soubesse..."

"Mas você não sabia", eu disse, minha voz morta, toda a emoção esvaída de mim. "Porque você não estava lá. Você nunca mais está lá, Breno."

Para "consertar", ele fez o que sempre fazia. Jogou dinheiro no problema.

No dia seguinte, ele me mostrou um e-mail de confirmação. Uma viagem não reembolsável de uma semana para um resort privado cinco estrelas em Fernando de Noronha nas próximas férias.

"Só nós dois", ele prometeu, seus olhos suplicando com um desespero que estava se tornando familiar demais. "Sem distrações. Eu juro. Vamos consertar isso. Nós somos Breno e Lisa. Somos para sempre."

Ele estava tentando remendar uma ferida mortal com um Band-Aid.

Mas eu estava tão cansada, tão destruída pelo ciclo constante de traição e desculpas em pânico, que concordei.

Uma última chance.

Em Noronha, longe dela, talvez eu pudesse encontrar o garoto por quem desisti do meu futuro.

Era uma esperança estúpida e frágil que me levaria à minha destruição final.

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