Julia
Julia estava mordida por um motivo bastante relevante: estava correndo atrás do homem que a mais machucou. Mais do que seu pai, mais do que qualquer outro. Dominic a manipulou, usou como queria e prometeu o mundo, só para a ter na cama e descartar com um filho na barriga.
Nunca amou ninguém como amou Dom, e talvez ainda o ame, apesar de desejar muito exorcizá-lo da sua existência. Após o romance que viveram nos poucos meses em que ele prometeu mudar, ela passou por mais do que uma separação. Para Dominic, ela não foi mais que um corpo quente em sua cama. Bem, era o que ela pensava.
Após ele ter a abandonado sem uma justificativa, Julia teve que se virar para permanecer em pé e longe do seu pai, pois dentro dela uma filha estava sendo gerada e ele odiava os Stone.
Eles moravam em um enorme castelo moderno, com fachadas espelhadas, protegido por pessoas de alto escalão, que tinham o dedo podre, assim como o pai de Julia.
Ao saber da "traição" de sua filha Julia, ao se unir a Dominic, ele prometeu que a mataria junto com sua filha, de quem seu pai não tinha ideia da existência.
Tinha o desejo de mudar as coisas, mas a ver em seu colo todos os dias a garantia de que, por mais difícil que fosse amar alguém que não prestava, faria tudo novamente só para a ter comigo.
Além de fugir do monstro que se dizia ser seu pai, ainda tinha que se humilhar e se rastejar aos pés de um homem frio e egocêntrico. Nas duas vezes em que tentou entrar em contato com Dom, foi impedida pelos seus seguranças, que foram reforçados.
Ela não tinha ideia do motivo e nem queria perguntar a respeito. Seu objetivo era implorar por socorro, pois, sendo Marcos tão influente, continuar viva era um milagre. Se ela resolvesse pegar um avião, ele a impediria de embarcar antes do voo decolar. Saindo de carro era uma alternativa, mas, nas últimas vezes que ela pensou em fazer isso, quase topou com uma blitz da polícia, que estava ligada ao seu pai.
A máfia percorria a cidade, escondida em becos escuros ou em baladas e boates de luxo. De um lado, seu pai, um homem que só pensava em dinheiro, e, do outro, um rico que desejava ficar ainda mais rico.
Julia, agora, estava gastando o pouco que tinha para pagar uma das garotas de programa que trabalhavam ali, só para chegar perto de Dominic e pedir para que a ajudasse a sair daquela cidade com segurança.
Se fosse apenas a sua cabeça em questão, ela preferiria morrer, mas não podia ser tão egocêntrica e arriscar a vida da sua filha.
Ela respirou fundo antes de se olhar no espelho e ver as roupas vulgares e a maquiagem pesada.
Deus! O que eu já tinha feito para manter minha filha a salvo? Julia nunca havia ido tão longe, mas trabalhar sabendo que seu pai queria mata-la era difícil. A mulher já tinha perdido as contas de quantos trabalhos teve e de quantas vezes teve que se mudar. E, ainda assim, estava a poucos metros delas.
Sem Dominic, ela não poderia sair daquela cidade. Julia não procurava paternidade ou qualquer outra coisa, além de proteção e ajuda. Tirá-la do país era o seu objetivo, e ela tentaria não o olhar nos olhos para não esquecer o que ele já tinha feito e cair no seu charme.
- Ele chegou - Ava a avisou, ela administrava o lugar onde mulheres vendiam seus corpos e o comércio de drogas rolava solto. - Ele não vem aqui para procurar mulheres, geralmente só se senta e observa - explicou, olhando-a dos pés à cabeça. - Não sei se vai querer que você se aproxime.
- Vou até aquele cretino, falar o que vim dizer e ir embora. - Ela disse furiosa, tentando abaixar a minúscula saia. Por que aceitei vestir isso? - Só me diga onde ele está, e eu resolvo o resto.
- Área VIP. - Não era novidade para Julia o olhar de desprezo. - A única forma de se aproximar dele é servindo as bebidas.
- Certo. Então, vamos logo. - A loira suspirou fundo, pegou o restante do vestido e saiu da sala onde as mulheres se arrumavam.
Aquele lugar era grande, moderno e com um ar de mistério. As cores predominantes eram vermelho e preto. No primeiro andar, havia um salão para beber e dançar. No térreo, ficavam as mesas de jogos. A área VIP era próxima de onde Dominic estava, onde aconteciam as reuniões e onde os negócios eram fechados. Ainda havia alguns quartos particulares para os quais as mulheres levavam os homens.
Ela sentiu-se exposta ao olhar para o lugar e ver alguns homens a acenando. Suas roupas eram tão minúsculas, que só dava para cobrir as partes vitais do corpo.
Julia foi até o bar e perguntou sobre os drinks para a área VIP. Segurou a bandeja, imaginando que os copos cairiam das suas mãos. Ela estava claramente apavorada; não somente por estar ali, mas também porque, em poucos minutos, estaria na sua presença.
À medida que ela andava, mais homens, de todas as idades, olhavam para ela de cima a baixo. O frio na barriga a incomodou assim que pisou no primeiro degrau. Respirou fundo mais uma vez e colocou na cabeça que ele era um idiota, que ela o odiava. Despejaria todo o meu ódio nele, e só.
A cada passo que Julia dava, parecia estar pisando em chamas. Evitou encarar as pessoas, entregou algumas bebidas e seguiu em frente.
Em um sofá escuro de couro, olhando alguns papéis, estava Dominic. Ele parecia concentrado, com raiva. Isso só me deixou ainda mais ansiosa. Dois homens estavam a poucos passos dele, fazendo a sua segurança. Ela já os conhecia. Eles a mandaram embora, praticamente enxotada, nas outras vezes que tentou se aproximar dele.
Ela esperava que o seu pequeno e exagerado disfarce a fizesse passar por esse primeiro nível.
- Pare onde está! - um deles ordenou e ela evitou encará-lo. Estava tão nervosa, que poderia perder aquela chance. - Ele não pediu bebida.
- É uma cortesia - Ela disse, tentando pôr na cabeça que gaguejar era o fim da linha para ela, novamente.
Não posso perder essa chance, nem que eu tenha que chutar esses dois.
- Então me dê, que entrego a ele. - O grandalhão se aproximou dela para pegar o copo, porém Julia deu dois passos para trás.
- Não. Esse trabalho é meu. - Finalmente fitou o homem alto, de cara fechada e com algumas cicatrizes. - É só uma bebida.
- Se afaste! - Seu olhar escureceu no rosto.
Julia sentiu um frio na espinha que se espalhou pelo seu corpo e ficou frustrada. Aquela era a sua oportunidade. E não poderia mais fugir, não tinha saída. Sua filha precisava de proteção.
- DOMINIC! - Berrei.
Nunca que ela faria algo assim, mas foi o jeito.
Ele levantou o olhar para a mulher loira que tanto procurava, com o cenho franzido, tão surpreso quanto ela.
- Preciso falar com você agora! - continuou.
Ela não estava esperando pela reação do brutamonte de a pegar pelo pulso com força, derrubando a bandeja e o copo, deixando molhar todo o chão. Sua reação foi tentar me soltar dele. O que o fez a apertar ainda mais, assim como o outro, que também a agarrou, tentando colocá-la para fora daquele lugar.
Julia não mediu a força quando pisou com o salto fino no pé do primeiro, que, com a dor, soltou-a, dando a oportunidade de passar um milímetro para que Dominic pudesse me enxergar.
- Por favor, preciso da sua ajuda!
O carinha furioso a puxou com tanta força, que ela imaginou que arrancaria os seus braços.
- SOLTEM ELA AGORA!
Julia
Um ano e cinco meses antes:
Ter um pai chefe do crime, um dos mais bem-sucedidos no mundo do tráfico, não era fácil. Julia era filha única. Bem, pelo menos era o que ela sabia. E como tal, não poderia sucedê-lo. O que ela achava bom, pois não queria me sentar naquela cadeira.
Tendo sangue Santini, foi prometida em casamento para Pablo Bell Monte, seu protegido. Ela o odiava desde então. Esse homem ansiava para tê-la na cama e Julia o achava um escroque que faria qualquer coisa para conquistar o pai dela. Não tinha a menor intenção de se casar com ele, mas, até então, não tinha um plano para fugir dessa responsabilidade.
Mesmo vivendo em NY ela não podia aproveitar a sua juventude. Tinha que ser uma garota educada e dócil, sendo escoltada por dois homens do seu pai.
Julia queria ser livre, cursar uma faculdade, mas não tinha o direito de escolher. Confinada em casa, podendo visitar somente uma amiga e ir ao shopping, ela passava horas comprando, pois detestava permanecer em casa se lamentando.
Sempre detestou esse mundo da máfia, sobretudo pelo comportamento do pai, que era um tirano e aproveitava tudo para si. E o outro motivo era bem óbvio: tudo isso era errado. Mas ela seria hipócrita se dissesse que não usufruía do dinheiro do crime.
Saiu do carro, balançando os seus cabelos loiros e longos para trás. Não podia negar que chamava a atenção de todos e era vaidosa. Desde que Julia era pequena, seu pai dizia que uma Santini deveria ser notada e, por isso, a dava tudo que fosse de luxo.
Hoje ela percebeu o quanto isso estava sendo cobrado dela.
Seu pai tinha um inimigo, ou melhor dizendo, um adversário nunca visto pelo Santini, em NY.
O babaca italiano não era novo no mercado, mas tinha um poder que foi crescendo com o passar do tempo. Eles viviam em território inimigo, mas agora, com várias boates de luxo, vendiam todas as merdas para os ricos que optavam por frequentar o lugar, deixando o Santini irritado e com um enorme prejuízo.
Mas era uma festa e o capo não perderia aquele encontro onde encontraria seu maior inimigo e o futuro herdeiro da maior empresa de cosméticos do país.
Claro, não há nada melhor do que uma fachada para esconder as mentiras que ele fazia.
Julia não era fã de eventos como esse, apesar de não ser nada demais.
Duas famílias criminosas que se odiavam e poderiam brigar por poder.
Todos ali se conheciam, mas não tinha ideia do que estava acontecendo sob os panos.
Nesse local estavam outros membros de grupos, sejam eles aliados ou não, que se relacionavam com políticos e pessoas de alta classe social.
As meninas estudavam na mesma escola católica, recebiam as mesmas regras, mas as semelhanças acabam por existir.
As mulheres recebiam o destino sem escolha própria. Elas eram prometidas e deveriam permanecer silenciosas, enquanto os homens eram treinados para serem assassinos, sem escrúpulos, com quem se casavam.
Apesar de todo o encanto e personalidade considerada forte, ela não gostava de eventos sociais como aquele ou de estar em um mesmo ambiente com tantas pessoas.
Era tudo uma grande manipulação para ver quem era o melhor em agradar os líderes políticos e ricos que ignoravam o que ocorria nas ruas ou incentivavam o crime.
Havia sempre uma rivalidade dissimulada e uma briga que poderia ser apaziguada com uma bebida e um charuto, ou com um casamento, que eles chamavam de pacto de sangue.
Enquanto seu pai conversava com alguns parceiros, ela pode andar e manter-se longe. Julia não ligava para nada disso e nem se importava.
Apesar de ter estrelas, a noite estava gelada. Não fez uma boa escolha ao optar por um vestido de corte preto e deixar de levar algo para cobrir os seus ombros.
Eu nem queria estar aqui.
- Julia! - A voz de Pablo a dava ânsia.
Era um homem insuportável, que esperava dela algo que pudesse tirar proveito. Por sorte, Julia ainda estava perto de outras pessoas. Assim, poderia ter uma vantagem e, talvez, conseguir se livrar desse babaca.
- Está linda hoje.
- Obrigada, mas não preciso ouvir isso de você. - Revirou os olhos e virou o rosto, procurando uma maneira de se livrar dele.
- Sempre usando essa língua como uma faca - disse, parecendo não perceber o seu tom sarcástico. - Se casarmos, vou gostar de arrancá-la. Algo que está cada vez mais próximo de acontecer.
- Até lá, tenho o direito de te responder como quero. E se me der licença, vou ao banheiro - falou, irritada, saindo da sua frente.
Ela não sabia onde ficava o banheiro e nem queria ir, mas faria esse "sacrifício" para ficar longe dele. Mas foi impedida de ir para longe logo que quase tropeçou no chão instável, coberto por pequenas pedras. Por sorte, alguém a segurou.
- Deus! Me desculpe. Eu... - Ao olhar para cima e enxergar o seu salvador, quase engoliu a língua.
Dominic Stone era um homem temido e bem sombrio. Era bonito, inteligente e calculista. Dizem que, como diversão, assumia a tarefa de matar os traidores do pai, os que mereciam e os que os desafiavam.
Dom era um homem de quarenta anos, cabelos loiros, olhos azuis e barba bem feita. Julia engoliu em seco, sentindo que estava nervosa ao ter seu corpo perto dele.
Ele a encarou de cima, com seus olhos azuis e penetrantes, fazendo-a sentir todo o meu corpo tremer. Não sabia que o encontraria. Na verdade, poucos conseguiam falar com ele. Dom evitava sair do seu castelo moderno e ir em festas. Era o herdeiro da cadeia de presidente da empresa, e dos negócios sujos.
- Deve tomar cuidado, menina. - Após se certificar de que ela não cairia mais, largou-a. - O terreno é um pouco instável para saltos tão pontiagudos.
- Certo - foi o que conseguiu dizer, dando um sorriso tímido.
Ele era mais velho que ela e, além do perigo que representava, era sério demais para o gosto de Julia. Ainda a perturbava, deixando-afora de si mesma, e com o corpo aquecido quando a olhava com tamanha intensidade.
Deixando a para trás, ele seguiu o caminho em direção ao salão. Encarando-o, pensou no que faria. Sairia ou, simplesmente, voltaria de onde veio?
***
Ela passou o evento inteiro tentando se concentrar na realidade, nas pessoas ao seu redor e no seu pai, que conversava com outros homens da sua idade, mas falhou por conta de uma única pessoa.
Dominic a encarou por quase todo o tempo. Seus olhos buscavam por ele também, o que a deixava incomodada, mas não de uma forma ruim.
A partir de um determinado ponto, afastou-se de todos. Dessa vez, ela realmente queria ir ao banheiro e ficou um bom tempo se olhando no espelho. Parecia que algo havia a possuído. Suas mãos suavam e ela não conseguia parar de pensar naquele homem a segurando.
- Deus! Ele é pior que Pablo. Por que estou assim? - perguntou-se a si mesma.
Retocou o batom vermelho, deu uma última olhada no espelho e saiu, respirando fundo, com a certeza de que aquele encontro não era importante nem a afetaria.
Claro que qualquer mulher a ser encarada daquela forma por um homem como ele ficaria mexida. Nada tão exagerado como uma atração em si, porém tinha que confessar que sempre que seus olhares se encontravam, ela se sentia atraída por ele em algum sentido.
Esqueça, Julia. Isso não significa nada e você odeia esse tipo de homem. Deve focar no plano de se livrar do seu pai e de Pablo.
Julia
Dias depois
- Não sei o porquê de tanta reclamação. - Antônia passava os dedos sobre as peças de roupas chiques numa loja de marca. Era sua única amiga e adorava comprar roupas e joias caras. - Tem tudo que deseja. Seu pai não economiza na sua mesada e acredito que Pablo também vai te agradar dessa forma. Só basta você dar uma chance ao cara. Ele até que é gostosinho.
- Você pode se casar no meu lugar - debochou, sentindo raiva do que ela falou. - Pablo é um machista de merda; só quer transar comigo e vai me tratar como um lixo depois do casamento.
- Assim como todos, Julia. Não se esqueça de que não estamos em um conto de fadas. Se eu fosse você, aprenderia a seduzir o homem e fazer com que ele a ame.
- Se dependesse de mim, eu cortaria o pau dele só para não ter que me casar. - Bufou, cruzando os braços e se sentindo frustrada. - E não quero falar sobre isso.
Ela não via o tempo passar. Sua amiga falava sobre sua vida e como Julia deveria agradecer.
Saiu da loja sem nenhuma sacola, só com raiva e chateada por tudo. Pararam em uma cafeteria e ela resolveu tomar um café. Estavam ao lado de fora, aproveitando o ar livre e o pouco sol.
- Vamos sair hoje à noite? - ela sugeriu.
Pelo menos isso a interessava naquele dia chato.
- Meu pai está bem ranzinza nesta semana por conta do meu desgosto em não querer me casar com Pablo, mas sair pode me ajudar e, talvez, ele, querendo me agradar mais, possa concordar com isso.
Seu pai até que estava tolerante ultimamente. O que a deixava com a pulga atrás da orelha. Sempre que ele lhe dava algo, cobrava no futuro. Julia teria que ser mais esperta que ele se quisesse se livrar de todos os compromissos que poderia ter.
***
Ela teve que mentir para ir àquela boate. Se o pai soubesse aonde iriam, obviamente, não a deixaria sair. O seu problema seria quando ela voltasse para casa, pois sabia que ele colocava seus homens atrás dela e que ficava ciente de tudo o que ela fazia.
Era arriscado provocá-lo quando ele estava bem bonzinho, então ela sabia que sua libertinagem lhe renderia punições. Contudo, fazia um tempo que Julia não saía e ia a lugares assim.
Entrou no local, sentindo que deveria se comportar, porém, nem tanto. Se ela iria ficar de "castigo", que fosse por se divertir o bastante.
Antônia era a filha de um burocrata mau-caráter que roubava de todos os lados. Por isso era tão rico. Recentemente, ele era o centro das atenções e sendo acusado pelo óbvio, mas nem isso o deixava tranquilo, pois a sua filha aproveitava o dinheiro como se não houvesse amanhã.
- Fiquei surpresa por seu pai ter sido tão.... bom em deixar você vir comigo - ela falou perto do seu ouvido, pois a música as impedia de conversar normalmente.
- Eu não disse onde seria a festa. - Riu antes de tomar mais um gole da bebida cor-de-rosa, sabor morango, que pediu. - Minha noite não vai acabar bem.
- Vamos para a área VIP. Aqui está muito lotado. - Pegou- a pela mão e a conduziu às escadas da boate, que eram iluminadas com luzes fluorescentes neons.
Enquanto ela subia, observava todos os que estavam ali embaixo se esfregando uns nos outros e bebendo álcool como se fosse água. Na área VIP podíamos conversar normalmente. Havia sofás confortáveis de couro, mesas, cadeiras, pufes e um bar exclusivo.
Julia e sua amiga ficaram observando as pessoas no andar inferior enquanto ela contava mais sobre os escândalos do seu pai, como se não fossem nada demais.
Então, por cima dos seus ombros, ela o viu. Estava com dois outros homens. Achou que um deles era seu irmão Pietro. Mas ele, em particular, estava encarando-a com um sorriso de canto.
Entretanto, Julia tentou ignorá-lo resolvendo prestar atenção à sua amiga e tentou não parecer desconfortável, mesmo sabendo que ele ainda a observava.
- Preciso de algo mais forte. - Afastou- se dela e foi em direção ao bar.
Ela sentiu frio na barriga só de pensar que ele estava ali e a encarava. Não fazia ideia do porquê estava desse jeito. Dominic nada queria com a garota, nem ela com ele. Além disso, ele era pior que Pablo. Julia deveria manter distância de mafiosos, um abismo de distância.
- É uma surpresa vê-la aqui - a voz grossa e intimidadora soou ao seu ouvido como um vento gelado que a paralisou.
Aja naturalmente, apesar de sentir como se seu coração estivesse na boca.
- Pelo que conheço de Marcos, ele não permitiria que sua única filha viesse a um lugar como esse.
Ela deu um leve sorriso, sentindo-se motivada a respondê-lo à altura.
- Meu pai é um homem inteligente, senhor Stone: me dá algo e pede outra coisa em troca. - Ficou feliz por seu drink ter chegado rápido. - Além disso, não estou em um bordel. É só uma festa com minha amiga.
- Uma festa regada a muito álcool e drogas. - Levantou uma das sobrancelhas.
Ela não deveria o olhar tão de perto, como no outro dia. Ele possuía traços fortes e um charme que poucos tinham, que chamava a atenção. Todos sempre falavam que Dominic era o mais parecido com o pai. Ela reconhecia que esse homem, apesar de ser mais velho que ela, a atraía e a deixava sem chão.
- Não preciso que cuide de mim. Ele já faz esse trabalho - falou antes de sair sem olhar para trás, ou perderia a mínima coragem que criou para o responder.
Por dentro confessava que estava orgulhosa de si mesma. Poucas mulheres responderiam ele desse jeito.
***
Sua melhor amiga desapareceu com algum carinha e a deixou a ver navios na área VIP. Quando saiu do banheiro feminino, ela já não estava mais ali. Como era hora de Julia ir, sabendo que não deveria provocar seu pai mais do que já havia provocado, decidiu ir embora.
Desceu as escadas, com esperança de encontrá-la em meio à multidão. Todavia, conhecendo Antônia, Julia sabia que ela já deveria estar agarrando alguém em algum lugar daquela balada barulhenta. Seguiu em frente, pronta para sair, quando uma pessoa a pegou pelo braço.
Então olhou para trás e encontrou Dominic, que, sem dizer uma palavra, a conduziu para o lado oposto da saída. Nunca tinha se sentido tão indefesa e amedrontada. Não que ele pudesse fazer algo de ruim com a garota, mas alguma coisa nele a despertava um instinto de fuga. Talvez fosse o seu cérebro tentando a alertar, só que, por ora, seu corpo foi simplesmente manipulado pelas boas vibrações que vinham daquele simples toque na mão.
Ela não sabia o porquê de tudo isso, só o seguiu. Então, em um determinado canto quase sem ninguém e iluminado por algumas luzes neons, ele não disse nada, somente a colocou contra a parede e a beijou. Julia achou estranho no início, entretanto foi inundada por uma sensação boa de calor e prazer. Suas mãos no corpo dela, tocavam nas partes certas para acender de vez.
Ela passou os braços em volta do seu pescoço enquanto uma de suas mãos em sua coxa subia pela saia fina e brilhante que ela escolheu usar. Nada além de "mais e mais" se passava na sua cabeça. Julia tinha até esquecido de onde e com quem estava.
E, de repente, foi um estalo de consciência que a acordou.
- Tenho que ir antes que meu pai venha e me carregue à força - falou, ofegante e bêbada com aquele beijo.
- Um minuto a mais ou a menos não vai fazer diferença. - Abriu em seus belos lábios um meio-sorriso.
- Acredite: a cada segundo, ele fica mais irritado - explicou, não conseguindo parar de fitar a sua boca.
Sem dar espaço, ele a beijou novamente, agora com mais rapidez e urgência, tirando dela o resto de ar que tinha em seus pulmões.
- Você agora é minha, Julia Santini.