A noite havia caído sobre Tóquio, e o ar frio fazia os postes parecerem ainda mais distantes. Marina segurava a chave diante da porta de seu pequeno kitnet, o metal gelado contra os dedos, o coração pulsando rápido demais.
- Eu acho melhor a gente não se ver mais - disse, e sua voz, embora firme, veio embargada, carregada de uma tristeza que ela tentou esconder.
Por um instante, o silêncio pareceu engolir o som das luzes e dos passos lá fora.
- O quê? - A voz de Kaito saiu surpresa, quase um sussurro. Ele deu um leve passo à frente, a confusão marcando o tom. - O que você está dizendo, Marina?
Ela não se virou. A sombra dele se projetava no chão estreito do corredor, próxima o bastante para que ela sentisse o calor de sua presença, distante o bastante para que parecesse inalcançável.
- Por quê? - repetiu, agora com a voz mais tensa, tentando entender. Havia incredulidade em suas palavras, mas também um medo silencioso, o tipo de medo que nasce quando algo importante começa a ruir.
Marina apertou os lábios, o peito subindo e descendo num ritmo descompassado. O silêncio se instalou entre eles, cortante. O som distante de um trem ecoou pela rua, como se o mundo inteiro seguisse adiante - menos os dois.
- Marina... - ele insistiu, um passo mais perto. - Eu mereço ao menos saber o motivo.
Ela fechou os olhos, respirou fundo e manteve as mãos apoiadas na maçaneta. Quando respondeu, a voz saiu trêmula, quase um fio:
- É melhor assim.
O vento frio passou por entre os dois, levando consigo o perfume do xampu dela e a palavra que ficou presa na garganta.
Kaito permaneceu imóvel, o olhar fixo nas costas dela, como se pudesse decifrar o que o silêncio escondia. Mas nada veio. Apenas o som do metal girando na fechadura e a porta se abrindo devagar.
Ele deu um passo à frente no mesmo instante em que a porta começou a se fechar.
- Marina, espera!
Antes que ela pudesse impedir, ele empurrou a porta com a palma da mão e entrou no pequeno kitnet. O ar ali dentro parecia ainda mais denso, impregnado do silêncio que ela tanto temia.
- Você vai simplesmente me deixar assim? - perguntou, a voz rouca, quase quebrada. - Sem nenhuma explicação?
Ela não respondeu. Caminhou até o meio da sala e parou, de costas para ele. Podia sentir o olhar de Kaito cravado em suas costas, quente, insistente, e a cada segundo seu corpo inteiro parecia vibrar entre o impulso de correr e o desejo de ficar.
- Marina, fala comigo - ele insistiu, a voz mais baixa agora, carregada de súplica.
Ela apertou as mãos, tentando conter o tremor que subia pelos dedos. As palavras se formavam, mas doíam antes mesmo de saírem. Por um momento, pensou em mentir - dizer algo neutro, algo que doesse menos - mas o nó em sua garganta não permitiu.
- Vai embora, Kaito. - A frase saiu num fio de voz, trêmula e frágil. - Por favor.
- Não. - A resposta dele foi firme, seca. - Não enquanto eu não entender.
Ela fechou os olhos, respirou fundo e se virou lentamente. Os olhos marejados refletiam a luz amarela do abajur, e sua expressão era uma mistura de cansaço e dor.
- Está cada vez mais difícil - disse, a voz embargada. - Ficar perto de você, fingindo que não sinto nada. Fingindo que consigo ser só sua amiga.
Kaito deu um passo à frente, mas ela ergueu uma das mãos, pedindo silêncio.
- Eu não aguento mais sorrir como se nada estivesse acontecendo, esconder tudo o que me sufoca por dentro. - A respiração dela era irregular, o peito subindo e descendo em descompasso.
- Então, pra não me machucar mais, é melhor que a gente não se veja.
As últimas palavras saíram em um sussurro quase imperceptível, e quando ela terminou, o silêncio pareceu engolir o ar entre eles. Marina desvipassoou o olhar, o rosto úmido pelas lágrimas que não conseguiu segurar.
Kaito ficou em silêncio por um instante - um silêncio denso, carregado de tudo o que ele nunca tivera coragem de dizer. O som da respiração dela era o único que quebrava o ar tenso do pequeno kitnet. Lentamente, ele deu um passo à frente. Depois outro. Até que Marina sentiu a presença dele atrás de si, tão próxima que o calor de seu corpo pareceu envolver o dela.
Com delicadeza, ele pousou as mãos nos ombros dela e a fez se virar. Marina manteve o olhar baixo, como se não tivesse forças para encará-lo. Mas ele a olhava com uma intensidade que a fez estremecer - havia ali dor, desejo e um amor reprimido por tempo demais.
- Eu também estou apaixonado, Marina - disse ele, a voz rouca, sincera, trêmula de emoção. - E é por isso que não consigo aceitar que você vá embora assim como se nada tivesse acontecido entre nós. Como se eu não pensasse em você todos os dias.
Os olhos dela se ergueram, hesitantes, e encontraram os dele. Havia um brilho nos olhos de Kaito que parecia misturar confissão e alívio, como se finalmente pudesse respirar depois de tanto tempo preso a um segredo.
- Desde o primeiro dia em que te vi - continuou ele, com um sorriso triste -, eu soube que algo em mim mudaria. Você entrou na minha vida com aquele seu jeito calmo, seu sotaque doce, e eu tentei, eu juro que tentei não me aproximar demais. Mas quanto mais eu tentava, mais eu me perdia em você.
Marina sentiu o peito apertar, o coração batendo descompassado, como se as palavras dele ecoassem dentro dela. Ela queria dizer algo, qualquer coisa - mas as palavras simplesmente não vinham.
Kaito ergueu a mão e, por um instante, apenas repousou os dedos sob o queixo dela, como se tivesse medo de que o gesto pudesse quebrar o feitiço daquele momento.
- Então, por favor... - ele sussurrou. - Não me peça pra fingir que somos apenas amigos. Porque, pra mim, isso nunca foi verdade.
O coração de Marina disparou - cada batida parecia ecoar em seus ouvidos como um trovão suave, impossível de ignorar. As palavras de Kaito reverberavam dentro dela, preenchendo todos os espaços vazios que ela fingia não sentir. Por tanto tempo, ela havia sonhado com aquele momento - ouvir dele o que seu coração sempre soube.
Por um instante, ela apenas o olhou, os olhos marejados de emoção, o peito subindo e descendo em ritmo acelerado. Uma parte dela queria simplesmente se lançar em seus braços, deixar-se levar por aquele sentimento que a consumia há meses. Mas o medo, como uma sombra antiga, se impôs.
Marina deu um passo para trás, tentando recuperar o fôlego e a razão.
- Kaito... - murmurou, com a voz embargada. - Isso não vai dar certo.
Ele franziu o cenho, surpreso.
- O que você está dizendo?
Ela desviou o olhar, sentindo o peso das próprias palavras.
- Nós somos de mundos diferentes - disse, em um fio de voz. - Você é um seiyuu famoso, cercado de pessoas, compromissos... E eu... sou só uma estrangeira tentando se adaptar aqui. - Ela respirou fundo, lutando contra o nó que se formava na garganta. - Somos de culturas diferentes, de vidas diferentes. Um passo em falso e isso pode machucar os dois.
Kaito deu um passo à frente, determinado, os olhos fixos nos dela.
- Eu não ligo pra isso, Marina. - A voz dele era firme, quase suplicante. - O que eu sinto não depende de onde você veio ou de quem eu sou. Eu só quero te mostrar o quanto você merece ser amada.
Ela recuou um pouco mais, o corpo dividido entre a razão e o desejo, mas ele não a pressionou. Apenas levantou a mão e acariciou de leve o rosto dela, o polegar traçando um caminho terno pela pele quente de sua bochecha.
- Por favor... - sussurrou ele. - Me deixa provar isso.
Marina fechou os olhos, sentindo o toque dele e o coração pulsando desgovernado. Tudo nela gritava para resistir, para manter distância, mas naquele instante, a vontade de sentir o gosto do amor que sempre negou foi mais forte.
Quando Kaito se inclinou e seus lábios finalmente se encontraram, o mundo pareceu silenciar. O beijo foi suave no início, como se ambos ainda tivessem medo de que fosse apenas um sonho. Mas, pouco a pouco, a emoção contida se transformou em entrega. Marina sentiu as mãos dele segurarem seu rosto com cuidado, e tudo o que era dúvida se dissolveu na intensidade daquele toque.
Era o início de algo que ela sempre temera - e sempre desejara.
O beijo, que começou tímido, ganhou profundidade como se tivesse vida própria. Marina sentiu o corpo inteiro reagir no exato momento em que a boca dele encontrou a sua com firmeza crescente - um arrepio subiu por sua coluna, quente, vertiginoso, como se cada nervo tivesse despertado ao mesmo tempo.
Quando as línguas deles se tocaram, delicadas no início, depois mais ousadas, um gemido suave escapou de ambos, abafado entre seus lábios. Era como se o ar tivesse ficado pesado, carregado de algo que eles vinham tentando negar por tempo demais. O peito de Marina apertou, não de angústia - mas de uma alegria desesperada, uma fome que misturava emoção e desejo numa intensidade que ela nunca havia conhecido.
O perfume de Kaito - limpo, quente, com um toque de algo amadeirado - envolveu seus sentidos. Ela sentiu o calor da respiração dele em seu rosto, sentiu o coração dele batendo acelerado quando seus peitos se tocaram. As mãos de Kaito apertaram sua cintura com cuidado, mas com um tremor contido que traía o quanto ele também estava perdido naquele instante.
Cada movimento do beijo parecia um pedido silencioso, uma confissão, uma entrega.
Marina segurou a camisa dele com força, sentindo os dedos trêmulos, como se temesse que o momento escapasse. Kaito inclinou o rosto, aprofundando ainda mais o beijo, e ela sentiu as pernas quase cederem - um calor doce se espalhava por seu estômago, subindo pelo peito, tomando seus pensamentos, sua respiração, tudo.
Depois de longos minutos, o beijo se rompeu apenas pelo inevitável: a necessidade de ar. Eles se separaram devagar, quase relutantes, respirando com dificuldade, os lábios ainda sensíveis, ainda procurando.
Mas suas testas permaneceram coladas.
As respirações aceleradas ainda se chocavam entre si quando Kaito abriu os olhos. Marina manteve os dela fechados por um segundo a mais, tentando segurar a sensação do beijo - o gosto dele ainda presente, o calor ainda percorrendo sua pele.
Quando finalmente ergueu o olhar, encontrou Kaito a observando como se estivesse vendo algo frágil, precioso e ao mesmo tempo impossível de resistir.
- Marina... - Ele sussurrou seu nome como se temesse que qualquer som mais alto quebrasse o encanto daquele momento.
Ela sentiu o estômago se apertar, uma mistura de nervosismo e desejo. Não sabia o que dizer. Não sabia o que acontecer a seguir. Sabia apenas que nada parecia igual.
Kaito levou uma das mãos ao rosto dela, o polegar roçando de leve seu lábio inferior - ainda quente, ainda tremendo. O toque suave fez seu coração tropeçar.
- Eu esperei tanto por isso... - ele confessou, com a voz rouca de emoção. - Muito mais do que deveria.
Marina engoliu em seco, sentindo o peso e a doçura daquela frase.
- Kaito...
Ele não a deixou continuar. Aproximou ainda mais a testa da dela, como se quisesse impedir que ela se afastasse do que sentia.
- Você não faz ideia do quanto eu queria te beijar todas as vezes que você sorria... - disse ele, baixinho. - Ou do quanto eu precisava me controlar pra não te puxar pra perto quando você fugia do meu olhar.
O peito dela doeu. Um calor tomou sua garganta, e Marina sentiu os olhos marejarem outra vez - mas agora não era só tristeza. Era alívio, era medo, era intensidade.
- Eu... eu tinha tanto medo disso - confessou ela, a voz falhando. - Medo de sentir algo que eu não sabia se você sentia também. Medo de me machucar e de te machucar.
Kaito segurou o rosto dela com mais firmeza - não para prendê-la, mas para ancorá-la.
- Olha pra mim. - Sua voz era baixa, intensa.
Marina obedeceu, respirando fundo.
- Eu não quero que você tenha medo do que sente - continuou ele. - Porque eu vou estar aqui. Com você. No seu ritmo. Do seu jeito.
Ela piscou, e uma lágrima escorreu. Kaito a enxugou com o polegar.
- Eu não vou a lugar nenhum - prometeu ele - a menos que você me peça.
O silêncio que veio depois não era mais incômodo - era carregado, pulsante, cheio de algo novo que nascia entre eles.
Marina levantou a mão e tocou o peito dele. O coração de Kaito batia rápido, tão rápido quanto o seu. Aquilo a surpreendeu e acalmou.
- Eu não quero que você vá - ela admitiu, num sussurro quase tímido. - Só não sei como lidar com tudo isso.
Kaito sorriu. Um sorriso suave, vulnerável.
- A gente aprende junto.
Marina sentiu o ar escapar dos lábios - um suspiro leve, rendido.
E foi Kaito quem se inclinou primeiro, tocando de leve a ponta do nariz no dela antes de deixar um beijo curto, suave, nos lábios que ele ainda parecia saborear.
Dessa vez, o beijo não veio com urgência.
Veio com ternura.
Com promessa.
Quando se afastou apenas alguns centímetros, Kaito encostou a testa na dela novamente e sussurrou:
- Me deixa ficar com você essa noite.
Não como algo físico, mas como quem não quer sair do seu lado.
Marina sentiu o mundo inteiro ficar em silêncio.
- Ficar... como? - perguntou ela, num fio de voz.
Kaito sorriu pequeno.
- Do jeito que você se sentir segura. Ao seu lado. Só isso.
Marina respirou fundo. As borboletas no estômago se transformaram em algo quente, acolhedor.
Ela assentiu devagar.
Kaito sorriu como se tivesse acabado de receber o maior presente da vida dele.
- Então fico - disse ele, baixinho.
E ficou.
O silêncio entre eles permaneceu por alguns instantes, mas não era mais um silêncio tenso. Era suave, envolvente como se as batidas de seus corações falassem por eles.
Kaito afastou o rosto apenas o suficiente para olhar Marina com mais clareza. O sorriso dele era tranquilo, mas ainda havia um brilho apaixonado nos olhos, algo que denunciava a lembrança quente do beijo que acabara de acontecer.
- Está tudo bem? - ele perguntou baixinho.
Marina assentiu, respirando fundo.
- Sim... eu só... - ela riu de leve, um riso tímido, quase nervoso. - Eu não esperava nada disso hoje.
- Nem eu - Kaito admitiu, passando a mão nos cabelos de forma desajeitada. - Mas ainda bem que aconteceu.
O rubor subiu no rosto dela.
Ele percebeu - e sorriu.
Kaito então deu uma olhada rápida ao redor do pequeno kitnet.
Era simples, aconchegante, com alguns livros empilhados, um cobertor dobrado no sofá e o aroma suave de lavanda no ar. Ele respirou fundo e um leve som escapou da barriga dele.
Marina arregalou um pouco os olhos.
- Você está com fome?
Kaito riu, envergonhado.
- Eu... talvez um pouco. - Ele levou a mão ao estômago. - Eu vim direto do trabalho e acho que esqueci de jantar.
Ela balançou a cabeça, meio divertida, meio tocada.
- Kaito... - Suspira, sorrindo. - Você sempre esquece de comer.
- Só quando o dia é muito cheio - disse ele, dando um passo mais próximo dela. - E hoje, principalmente, eu estava focado em outra coisa.
O olhar deles se prendeu por um segundo longo demais, e Marina sentiu o coração dar um pequeno salto dentro do peito. Ela desviou o olhar, respirando fundo.
- Eu tenho algumas coisas simples - disse ela. - Talvez, noodles, arroz, ovos... Não é nada muito elaborado.
- Se tiver água quente e dois hashis, eu sobrevivo - brincou ele.
Ela riu, finalmente relaxando um pouco.
Marina foi até a cozinha minúscula, e Kaito a acompanhou, parando ao lado da bancada.
O espaço era tão pequeno que, mesmo sem querer, os braços deles se roçaram quando ela abriu o armário. O toque foi leve, mas acendeu outro arrepio nela.
E nele também - ela viu o jeito como ele prendeu a respiração por um instante.
- Aqui - disse Marina, pegando um pacote de ramen. - Não é jantar de restaurante, mas...
- É perfeito - interrompeu ele, pegando o pacote das mãos dela com delicadeza, como se qualquer contato fosse uma desculpa para tocá-la novamente. - Se foi você que preparou já é o melhor ramen do mundo.
Marina revirou os olhos, mas não conteve um sorriso.
Enquanto a água esquentava, Kaito ficou observando cada pequeno gesto dela - o jeito como prendia o cabelo atrás da orelha, como mordia o lábio pensando nos temperos, como mexia a colher distraidamente. Era como se tudo nela fosse novo, precioso, irresistível.
- Posso ajudar? - ele perguntou.
- Pode - respondeu ela, tentando parecer natural. - Pega dois bowls pra mim.
- Sim, senhora - disse ele, brincando, abrindo o armário com facilidade.
Quando ele entregou os bowls, seus dedos encostaram nos dela - de propósito.
Marina sentiu o toque como um choque quente, e Kaito sorriu daquele jeito suave que dizia eu senti também.
A água ferveu. Marina serviu o ramen, colocou um pouco de ovo, cebolinha e um toque de gengibre. Entregou um bowl a ele.
- Vamos comer no sofá? - ela sugeriu.
- Eu topo qualquer coisa que envolva ficar perto de você - respondeu Kaito, sem vergonha nenhuma.
Ela desviou o olhar, sorrindo sozinha.
Os dois se sentaram no sofá estreito, tão perto que as pernas se tocavam.
A televisão estava desligada.
A luz fraca do abajur deixava o ambiente mais íntimo.
Kaito soprou o ramen, provou e fez uma expressão exageradamente satisfeita.
- Perfeito. - Ele levou outra colherada. - Você cozinha bem demais. Perigoso isso.
- Perigoso? - Marina riu.
- Perigoso pra mim - respondeu ele. - Porque cada coisa em você me faz querer ficar.
Marina segurou a colher no ar, o coração acelerando como se tivesse esquecido como bater.
Mas quando olhou para Kaito ele estava sério.
Sincero.
Ela abaixou os olhos, sentindo o rosto esquentar.
- Kaito... - Ela sorriu tímida. - Você... fala cada coisa.
- Só verdades - disse ele, aproximando o rosto devagar.
O ar entre eles pareceu ficar quente de novo.
A intimidade silenciosa.
O ramen fumegante nas mãos.
O toque das pernas.
Os olhos dele fixos nos dela.
- Depois que a gente comer... - ele murmurou, com um sorriso pequeno, quase cúmplice - posso te dar outro beijo?
O coração dela pareceu tropeçar.
- Pode - Marina respondeu, baixinho. - Se você ainda quiser.
Kaito riu suave, inclinando o corpo e aproximando os lábios da orelha dela.
- Marina... - ele murmurou, com a voz baixa e quente. - Eu nunca quis tanto uma coisa na minha vida.
O ramen estava quase frio quando terminaram, mas nenhum dos dois ligava para isso. Depois de recolherem os bowls, ficaram sentados lado a lado no sofá estreito, falando sobre coisas simples - lembranças da infância, pequenos segredos, sonhos que quase nunca diziam em voz alta.
A conversa fluía sem esforço, mas havia algo diferente agora. Um fio invisível de tensão... doce, magnética, impossível de ignorar.
Em um momento de silêncio, Marina virou o rosto para ele, pronta para dizer algo - mas não conseguiu.
O jeito como Kaito a olhava a fez perder o ar.
Sem dizer nada, ele levantou a mão e tocou de leve sua bochecha. O gesto foi suave no início, quase como quem pede permissão. O polegar deslizou devagar pela pele, traçando um caminho lento que fez o corpo dela arrepiar.
Marina fechou os olhos por um instante, sentindo o toque como se fosse luz quente percorrendo sua pele.
Quando abriu os olhos novamente, Kaito já estava mais perto.
- Posso? - ele perguntou, em voz baixa.
Ela não respondeu com palavras - apenas se inclinou, como se o corpo soubesse a resposta antes mesmo dela.
O primeiro toque dos lábios foi terno. Depois deixou de ser.
O beijo foi se aprofundando devagar, como um segredo sendo revelado. Os lábios se encaixaram com uma necessidade crescente, cada movimento mais urgente que o anterior.
As mãos de Marina subiram pelo peito dele, sentindo o contorno firme dos músculos sob a camisa, e depois deslizaram até a nuca, puxando-o ainda mais para si.
Kaito respondeu com um suspiro rouco - carregado de desejo - e então o beijo se tornou mais intenso, mais quente, mais cheio de tudo o que os dois tentaram conter por tempo demais.
As línguas se encontraram e um gemido baixo escapou deles, involuntário, inevitável. O corpo de Marina reagiu ao toque dele como se estivesse desperto pela primeira vez.
Kaito levou as mãos à cintura dela e a puxou para mais perto, enquanto seus dedos exploravam as curvas do corpo dela com delicadeza e firmeza na medida exata. Marina sentiu o calor dele, o cheiro da pele, o coração dele batendo tão rápido quanto o seu.
Quando seus lábios se separaram apenas o suficiente para respirar, ele não se afastou.
Em vez disso, deslizou a boca para o pescoço dela.
O primeiro beijo ali foi leve. O segundo mais lento. O terceiro já carregava fogo.
Cada beijo era uma centelha, uma carícia incandescente que parecia incendiar a pele de Marina. Era como se ele desenhasse com fogo a rota do desejo nela - lenta, deliciosa, torturante. O corpo dela reagia sem que tivesse controle. Os arrepios vinham em ondas, acompanhados de uma eletricidade que se espalhava pelo seu ventre, seios, entre as coxas.
Ela soltou um suspiro, rouco, arrastado. Não conseguiu evitar.
Kaito parou por um instante. Marina sentia o calor da respiração dele repousar contra sua pele, e o silêncio que se formou era quase tão palpável quanto seus beijos. Ele hesitava. Ela sentia isso. Como se o seu suspiro tivesse revelado o quanto eles estavam perigosamente próximos do ponto sem volta.
Ele ergueu o rosto, e olhos se encontraram. O olhar dele estava turvo, intenso, carregado de desejo. Mas havia mais - respeito, carinho, uma admiração silenciosa que a deixou vulnerável e inteira ao mesmo tempo.
- Marina... - ele murmurou, a voz rouca, falha. - É melhor pararmos por aqui...
Não. Ela não queria que ele parasse. Seu corpo gritava por ele.
Ela levou as mãos até a nuca dele e a puxou, firme, sentindo os fios entre seus dedos. Os lábios se chocaram com força, e um gemido escapou da garganta de Marina quando as bocas se encontraram em um beijo profundo, carregado de tudo o que vinham tentando reprimir. Havia desejo ali, mas também entrega. Um tipo de urgência que fazia seu corpo se aquecer por inteiro.
Kaito correspondeu de imediato. Seus braços envolveram Marina pela cintura, e ela sentiu o corpo dele colar ao dela com firmeza. Sua língua invadia a de Marina com fome. A forma como ele a beijava, como se estivesse a devorando devagar, como se cada movimento da língua, cada mordida suave no seu lábio inferior fosse calculada para enlouquecer.
E estava funcionando. Marina sentia seu corpo queimar.
O toque dele não era mais contido. Suas mãos desceram pelas costas dela, explorando, acariciando cada curva. Quando os dedos dele deslizaram até a base da coluna de Marina, um arrepio mais intenso percorreu sua espinha, fazendo ela arquear o corpo. Mesmo ainda de roupa, Marina sentiu a ereção dele. E seu corpo respondeu de forma imediata, latejando, úmido, pronto.
A pele dela parecia febril. O calor entre suas pernas era denso, insistente. Marina sentia meu peito subir e descer rápido, os mamilos sensíveis sob a roupa, a boca entreaberta, ofegante entre um beijo e outro. Ele sussurrava seu nome entre beijos, e isso só a deixava mais entregue.
Quando os lábios se separaram por pura necessidade de ar, as respirações estavam descompassadas. O rosto dele estava tão próximo do dela que podia sentir o calor da pele, os olhos ainda fixos nos dela, como se procurasse uma resposta que ele já conhecia.
- A gente deveria parar... - ele disse, mas a voz dele não tinha convicção. Era como se dissesse aquilo apenas por obrigação. Seu corpo dizia outra coisa. Seu olhar implorava por outra coisa.
Então, como resposta, Marina o puxou pela gola da camisa e o beijou com tudo o que estava guardado dentro dela.
O beijo começou firme, decidido, e Kaito ficou imóvel por um segundo - surpreso - até corresponder como se estivesse esperando por aquilo desde o primeiro dia.
Sem quebrar o beijo, Marina o empurrou levemente contra o encosto do sofá e, com um movimento suave, subiu em seu colo, colocando uma perna de cada lado.
O beijo se aprofundou.
Os lábios se moldaram, abriram, buscaram mais. Havia urgência, mas também carinho - como se cada toque dissesse: finalmente.
As mãos de Marina deslizaram devagar pelos ombros dele, descendo pelo peito, sentindo a firmeza dos músculos através do tecido da camisa. Ela queria memorizar cada forma, cada reação. E cada vez que seus dedos exploravam, Kaito soltava um suspiro baixo contra sua boca - quase um gemido contido.
Ele levou uma das mãos até as costas dela, subindo devagar, a palma larga aquecendo cada centímetro que tocava. A outra mão subiu até sua nuca, prendendo os dedos entre seus cabelos. O toque era firme, mas reverente. Como se ela fosse algo raro.
O beijo foi ficando mais profundo, mais quente.
Mais necessário.
Quando seus lábios tornaram a se afastar, guiada por um impulso que vinha de muito antes daquela noite, ela levou as mãos à barra da própria blusa e a tirou devagar. Seus olhos não deixaram os dele nem por um segundo.
Seus olhos estavam fixos nela - famintos, escuros, reverentes. E então ele passou a língua pelos lábios, um gesto inconsciente, mas carregado de intenção. O ventre de Maria se contraiu com força. Um arrepio percorreu sua pele, e o centro do seu corpo pulsou, úmido, sensível. Sentiu o calor crescer entre as pernas, como se aquele simples olhar, aquele gesto, tivesse acendido algo ainda mais profundo dentro de dela.
Ele se inclinou, e o calor do seu corpo invadiu o espaço entre eles. Sua boca se aproximou do seio com uma lentidão torturante. Marina sentia sua respiração roçar a pele antes mesmo do toque - e aquilo a arrepiou inteira. Seus mamilos estavam enrijecidos, implorando por contato, e quando finalmente os lábios dele os alcançaram, ela soltou um gemido arrastado que não conseguiu conter.
A língua dele começou a explorar. Primeiro lenta, traçando um círculo preguiçoso ao redor do mamilo, como se quisesse memorizar cada textura, cada suspiro que arrancava dela. Depois, sua boca envolveu o seio por completo, sugando com uma combinação perfeita de doçura e fome.
A sensação foi tão intensa que Marina perdeu o fôlego por um instante. Uma onda de calor subiu por seu corpo e se concentrou no ventre, entre as coxas, onde o desejo pulsava. Seus quadris se moveram sobre ele, instintivos, buscando qualquer forma de atrito, qualquer forma de aliviar aquela ânsia que se acumulava nela com violência.
Ele alternava entre lamber e sugar, seus dentes roçando de leve, e isso a fazia arquear o corpo, gemer maisbaixo. Ela sentia tudo - cada toque, cada lambida, cada respiração. Era como se a pele tivesse se tornado uma extensão do desejo. Como se cada parte dela implorasse por ele.
E então ele passou para o outro seio, sem pressa, com um prazer silencioso que a deixava ainda exposta, mais entregue. Sua língua brincava com o mamilo, enquanto a mão livre acariciava o corpo de Marina - subia por suas costelas, deslizava pela curva da cintura, traçava um caminho quente e provocante pela lateral do seu quadril.
Kaito só parou quando percebeu a respiração de Marina se desfazer em um soluço baixo, quase um pedido mudo. Ele ergueu o rosto, ainda ofegante, os olhos escuros brilhando como se estivessem em chamas.
De repente, as mãos dele deslizaram para a cintura de Marina e, num movimento seguro, firme e completamente natural, ele a envolveu pelos braços e a ergueu do sofá como se ela fosse leve demais para o mundo.
Marina arfou, surpreendida - mas se agarrou a ele no mesmo instante, como se seu corpo reconhecesse o caminho antes mesmo da mente compreender.
O kitnet era pequeno - poucos passos separavam o sofá da cama - mas o trajeto pareceu longo o bastante para que cada batida do coração dela ecoasse dentro do corpo dele.
Quando chegaram ao quarto, Kaito a colocou na cama com um cuidado que contrastava com os olhos carregados de desejo. Ele manteve uma das mãos em sua cintura por um instante, como se precisasse confirmar que ela realmente estava ali, que aquilo realmente estava acontecendo.
Sem esperar muito, ele começou a distribuir beijos pelo corpo de Marina. A respiração dele estava pesada, roçando contra a barriga dela enquanto descia devagar, deixando beijos quentes que marcavam cada centímetro do caminho para a perdição. O coração de Marina acelerou quando percebeu a intenção em seus movimentos, e o som quase inaudível do elástico cedendo fez seu corpo inteiro estremecer.
Quando a calcinha finalmente deslizou pelas pernas dela, sentiu uma mistura vertiginosa de vulnerabilidade e desejo. Estava completamente entregue, e cada segundo daquele gesto parecia um convite silencioso para algo que ela sabia que jamais conseguiria resistir.
Quando Kaito afastou suas pernas e segurou as coxas com firmeza, um arrepio percorreu cada fibra do corpo dela. O calor das mãos dele era quase incandescente.
Ele já tinha a enlouquecido quando chupava seus seios com aquela fome controlada, transformando cada toque em um convite para perder a razão. Mas aquilo era diferente. Sentir sua boca tão próxima da sua intimidade fez Marina estremecer de antecipação. Era arrebatador. Um desejo cru que queimava, selvagem, a atravessando como fogo líquido.