Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A Íris Traiçoeira da Meia-Noite
A Íris Traiçoeira da Meia-Noite

A Íris Traiçoeira da Meia-Noite

Autor:: Ocean Blue
Gênero: Moderno
Depois de quinze anos de casada, meu marido finalmente notou a cor do meu esmalte. O tom era 'Íris da Meia-Noite'. Era também o tom favorito da sua nova assistente, Sheron. Quando o confrontei, Bruno me chamou de ridícula. "Talvez você devesse arranjar um emprego", ele debochou. "Parar de ficar obcecada com besteiras." Mas o golpe mais doloroso veio do meu filho, Biel. "Você nem faz nada o dia todo", ele disse, suas palavras eram um eco cruel das do pai. "E a Sheron vai me buscar hoje. Ela é muito mais legal que você." Mais tarde, ele me mandou uma mensagem, pedindo para eu comprar um presente de aniversário para a Sheron. Meu próprio aniversário tinha sido na semana anterior. Ele nem sequer mencionou. Ele não tinha esquecido. Ele simplesmente não se importava. Eu tinha sido substituída. Na minha própria casa. No coração do meu próprio filho. Antes que as lágrimas pudessem me cegar, enviei uma mensagem para minha advogada. "Quero abrir mão da guarda. Totalmente. Não posso ser mãe de uma criança que não me enxerga."

Capítulo 1

Depois de quinze anos de casada, meu marido finalmente notou a cor do meu esmalte. O tom era 'Íris da Meia-Noite'.

Era também o tom favorito da sua nova assistente, Sheron.

Quando o confrontei, Bruno me chamou de ridícula. "Talvez você devesse arranjar um emprego", ele debochou. "Parar de ficar obcecada com besteiras."

Mas o golpe mais doloroso veio do meu filho, Biel.

"Você nem faz nada o dia todo", ele disse, suas palavras eram um eco cruel das do pai. "E a Sheron vai me buscar hoje. Ela é muito mais legal que você."

Mais tarde, ele me mandou uma mensagem, pedindo para eu comprar um presente de aniversário para a Sheron. Meu próprio aniversário tinha sido na semana anterior. Ele nem sequer mencionou.

Ele não tinha esquecido. Ele simplesmente não se importava. Eu tinha sido substituída. Na minha própria casa. No coração do meu próprio filho.

Antes que as lágrimas pudessem me cegar, enviei uma mensagem para minha advogada.

"Quero abrir mão da guarda. Totalmente. Não posso ser mãe de uma criança que não me enxerga."

Capítulo 1

Eu olhava para minhas unhas recém-pintadas, a cor um 'Íris da Meia-Noite' profundo e cintilante, ouvindo a voz de Bruno vindo do banheiro. Ele estava elogiando o tom.

Minha mão congelou a meio caminho do queixo. Bruno nunca notava meu esmalte. Não em quinze anos.

As palavras ecoaram na minha cabeça, me mantendo acordada a noite toda. Íris da Meia-Noite. Íris da Meia-Noite. Era um looping de pavor.

Ao amanhecer, antes que o primeiro raio de sol tocasse as cortinas, eu sabia o que tinha que fazer. "Eu quero o divórcio, Bruno", eu disse, minha voz plana, desprovida do tremor que eu sentia por dentro.

Ele costumava chamar todos os meus esmaltes de 'rosa', 'vermelho' ou 'aquele escuro esquisito'. Uma vez, usei um coral vibrante, e ele perguntou se eu tinha mergulhado os dedos em suco de laranja. Ele mal notava meus vestidos de grife, muito menos um tom específico de esmalte.

Apenas uma pessoa em sua vida tinha um conhecimento tão íntimo da minha rotina de beleza: Sheron Moraes, sua nova assistente executiva. A mulher que, nos últimos seis meses, se infiltrou sutilmente em cada canto de nossas vidas. A mulher cujo esmalte favorito, eu tinha ouvido Bruno mencionar casualmente a um cliente, era 'Íris da Meia-Noite'.

Bruno nem parou de abotoar a camisa. Ele apenas olhou para mim, seus olhos desdenhosos. "Vamos começar com esse drama de novo, Alice? É muito cedo pra isso." Ele disse 'vamos', mas não estava olhando para mim, não de verdade.

Ele pegou sua pasta, de costas para mim. O silêncio se estendeu, denso e sufocante. Era o jeito dele de me calar.

Eu repeti: "Eu quero o divórcio, Bruno. Desta vez, é sério."

Ele finalmente se virou, um deboche torcendo seus lábios. "Por causa de um esmalte, Alice? Você está sendo patética. Você realmente não tem nada melhor pra fazer, não é?" Suas palavras eram gelo, mas não me atingiram tão profundamente como antes.

Ele continuou: "Talvez você devesse arranjar um emprego. Encontrar um hobby. Parar de ficar obcecada com besteiras." Sua sugestão foi uma provocação deliberada, um lembrete da carreira que abandonei por sua ambição.

Ele saiu, sem esperar minha resposta. A porta da frente bateu, depois se abriu novamente quase que imediatamente. "Biel, vamos! Você vai se atrasar para a escola!"

Meu filho, Biel, apareceu na porta, o rostinho contorcido numa carranca. "Mãe, por que você está sempre deixando o papai bravo? Você nem faz nada o dia todo. Só fica por aí pintando as unhas."

Ele passou por mim pisando forte, pegando sua mochila. "E a Sheron vai me buscar hoje. Ela é muito mais legal que você. Ela até sabe fazer meu sanduíche favorito de pasta de amendoim com banana!"

Sheron. Sempre Sheron. Ela não estava apenas na vida de Bruno; ela estava vivendo na minha também. Um fantasma assombrando cada canto da nossa casa, cada conversa.

Ela tinha sido tão calculista, tão sutil. Um novo prato favorito para Bruno, uma sugestão perfeitamente cronometrada para passeios em família, um olhar de cumplicidade que apenas Bruno parecia entender. Agora, até Biel estava sob seu feitiço.

Bruno elogiava a eficiência de Sheron, sua 'perspectiva nova', sua 'compreensão' de sua agenda exigente. Ele nunca me elogiou assim, não em anos. Ou talvez, eu apenas tivesse parado de ouvir.

As palavras de Biel, um espelho do tom desdenhoso de seu pai, reviraram meu estômago. Ele era uma criança, ecoando o desprezo que ouvia diariamente.

A porta da frente bateu com força, o som ecoando pela casa subitamente silenciosa. Não era apenas uma porta se fechando; era o ponto final no meu casamento, na minha família como eu a conhecia.

Sentei-me no chão de mármore frio por horas, o silêncio amplificando o vazio dentro de mim. Então, peguei meu telefone. A primeira ligação foi para minha advogada de divórcio.

Minha advogada, uma mulher perspicaz chamada Evelyn, ouviu pacientemente. "Então, a referência ao esmalte... e o timing. Certamente se alinha com o padrão de infidelidade emocional que discutimos." Seu tom calmo e profissional confirmou o que meu instinto já gritava.

Então veio o golpe. "Considerando os bens de Bruno e a cláusula de infidelidade do seu acordo pré-nupcial, Alice, poderíamos realmente usar isso. Poderíamos enrolá-lo no tribunal por anos. Fazê-lo pagar por sua indiscrição, literalmente."

Agarrei o telefone com mais força. "Eu não quero o dinheiro dele, Evelyn. Eu quero sair. Você não se importa com a traição? A... a dor?" Minha voz falhou apesar dos meus esforços.

Meu irmão, Breno, que deveria ser meu advogado, pigarreou. "Olha, Alice, você sabe que nosso escritório cuida de uma parte significativa dos assuntos jurídicos da empresa do Bruno. Isso não é só sobre você. É sobre um contrato multimilionário. Precisamos ser estratégicos. Explorar a cláusula de infidelidade, sim, mas não agitar muito as coisas. Tire tudo o que puder dele primeiro. Não se apresse para o divórcio."

Eu ri, um som áspero e seco. "Então a minha dor é só uma moeda de troca, Breno? E a lealdade do meu irmão é mais barata que um contrato corporativo?" Não esperei por uma resposta. Desliguei, o telefone batendo com força na base.

Eu dirigi. Não para a casa de uma amiga, não para a casa dos meus pais. Dirigi para um escritório de advocacia que uma vez vi em um outdoor, longe dos escritórios polidos das conexões legais da minha família.

A nova advogada, uma mulher de rosto gentil chamada Evelyn, ouviu sem julgamento. Eu disse a ela que não me importava com o dinheiro além de garantir minha independência. "Eu só quero minha liberdade", expliquei, "e o tempo para descobrir quem eu sou novamente."

Evelyn assentiu, depois fez uma pausa. "E a guarda do seu filho, Biel?" Minha respiração ficou presa na garganta. Biel. Meu filho.

Mais tarde naquela noite, meu telefone vibrou. Era uma mensagem de Biel: 'Mãe, você pode comprar um presente de aniversário para a Sheron? Ela gosta muito daqueles lenços de seda francesa caros. O papai disse que ela merece o melhor.' Meu coração se partiu em mil pedaços. Meu aniversário tinha sido na semana passada. Ele nem sequer mencionou.

Ele costumava me fazer desenhos de giz de cera, esculturas de argila tortas. Ele se escondia atrás do sofá, depois pulava com um sonoro 'Feliz aniversário, mamãe!'. Agora, ele estava me pedindo para comprar um presente para Sheron, a mulher que me substituiu.

Ele não tinha esquecido meu aniversário. Ele simplesmente não se importava o suficiente para lembrar. Essa foi a constatação mais torturante.

Digitei uma resposta para Evelyn antes que as lágrimas pudessem me cegar: "Quero abrir mão da guarda. Totalmente. Não posso ser mãe de uma criança que não me enxerga."

Capítulo 2

Entrei no hall, minha determinação ainda uma ferida aberta, e vi um par de saltos agulha vermelho-rubi brilhantes, cuidadosamente colocados ao lado dos sapatos caros de Bruno. Não eram meus. Eram de Sheron. Meu estômago revirou.

A própria Sheron saiu da sala de estar, um sorriso falso e açucarado estampado no rosto. Seus olhos, no entanto, continham um brilho de triunfo ao encontrarem os meus.

"Alice! Você chegou cedo!" ela disse com uma voz cantada, como se estivesse surpresa. "Biel e o Caio estão brincando no quarto dele. O Caio estava tão animado para finalmente brincar aqui."

Caio. O filho de Sheron. Sua risada, clara e sem restrições, ecoava do quarto de Biel. Era outra invasão, outra parte da minha vida que ela havia absorvido perfeitamente.

Meu olhar se desviou para a mesa de centro. Lá, a caneca de porcelana favorita de Bruno, aquela que ele insistia que ninguém mais tocasse, estava pela metade. Havia uma marca de batom de Sheron na borda. "Sheron", eu disse, minha voz perigosamente calma, "você está usando a caneca do Bruno."

O ar ficou denso, subitamente pesado. O sorriso dela vacilou, apenas uma fração.

Ela fingiu surpresa, a mão esvoaçando até o peito. "Oh, céus! Era do Bruno? Me desculpe! O Caio deve ter me dado. Ele é sempre tão atencioso, me trazendo bebidas."

Ela continuou, um sorrisinho sutil brincando em seus lábios: "Mas não se preocupe, Alice. Bruno e eu temos conjuntos iguais no escritório. Às vezes é difícil distingui-los."

Uma risada fria me escapou. "Conjuntos iguais? Que charmoso." Inclinei-me, minha voz baixando para um sussurro conspiratório. "Sabe, o Bruno tem H. pylori. O médico insistiu em talheres e canecas separados para ele. Higiene rigorosa. Acho que ele esqueceu de te avisar? Ou talvez você simplesmente prefira compartilhar germes."

O rosto de Sheron perdeu a cor, suas falsas gentilezas se dissolvendo em uma máscara de pura mortificação. Ela murmurou algo sobre uma ligação urgente e praticamente arrastou Caio para fora, seus saltos rubi batendo freneticamente no chão de mármore.

A vitória tinha gosto de cinzas. O nojo se formou no meu estômago. Ela estava dormindo aqui, cozinhando aqui, criando o filho dela com o meu. Ela estava brincando de casinha na minha casa.

Estava claro. Ela não estava apenas tendo um caso com Bruno; ela estava construindo uma nova vida com ele, bem debaixo do meu nariz. Ou, mais precisamente, na minha antiga casa.

Biel saiu do quarto, os olhos cheios de lágrimas. "Mãe! Por que você foi tão má com a Sheron? Você fez ela chorar! Você sempre estraga tudo!" Ele me fuzilou com o olhar, seus pequenos punhos cerrados.

Ele fungou: "O papai diz que você é sempre tão... tão difícil. Ele diz que você reclama de tudo e nunca o valoriza. Ele diz que você nem gosta da comida que ele compra e sempre o faz se sentir pequeno."

Bruno andava reclamando de mim? Para Sheron? Para o filho dele? A ideia de que ele nutria tanto ressentimento, corroendo silenciosamente nosso casamento, revirou meu estômago. A dor da traição se intensificou, uma dor surda e latejante.

Bruno voltou uma hora depois, seu rosto indecifrável.

Eu o observei colocar a pasta no chão. Então, peguei sua caneca, ainda manchada com o batom de Sheron, e a estendi para ele. "Aqui, Bruno. Sua caneca favorita. Quer um pouco de chá?" Minha voz era plana, sem emoção.

Ele olhou para ela, depois para mim. Seus olhos, geralmente tão rápidos em se esconder, mostraram um lampejo de algo, talvez culpa, talvez irritação. "Não", ele disse, a voz seca. Ele foi até a pia, pegou uma caneca limpa e a encheu de água. Ele nem tocou na que eu ofereci.

Naquela noite, ele virou as costas para mim na cama. Ele sempre fazia isso agora. Nenhum toque casual de mãos, nenhum toque demorado. Apenas costas frias e impassíveis.

Fiquei ali, lágrimas silenciosas traçando caminhos pelas minhas têmporas até meu cabelo. O sal ardia nos meus olhos, mas o vazio por dentro era muito mais doloroso.

Lembrei-me de uma época em que ele me puxava para perto, beijava minha testa, sussurrava que eu era a mulher mais bonita do mundo. Ele me trazia café na cama, do jeito que eu gostava. Aquele Bruno parecia um personagem de um romance esquecido.

Eu funguei, um som pequeno perdido no vasto silêncio do quarto. Ele não se mexeu. Ele não se importava. Não mais.

O homem que um dia jurou me amar para sempre tinha desaparecido. Substituído por um estranho que deitava ao meu lado, alheio à minha agonia silenciosa. A constatação foi uma pedra fria e dura no meu peito: ele havia parado de me amar há muito tempo.

Capítulo 3

Naquele fim de semana, finalizei os papéis do divórcio com Evelyn. A cláusula de infidelidade, surpreendentemente, era irrefutável. Evelyn tinha feito seu trabalho. Agora, era a minha vez.

Coloquei os documentos na mesa do escritório de Bruno. Quando ele entrou, olhou para eles, confuso. "O que é isso, Alice? Mais um dos seus dramas?"

Empurrei uma caneta pela madeira polida. "Assine, Bruno. Acabou."

Minha voz estava desprovida de emoção. "Você está livre. Livre para seguir qualquer fantasia distorcida que você e Sheron tenham inventado."

Ele franziu a testa, um lampejo de algo que não consegui decifrar em seus olhos. "Tão generosa, Alice. Qual é a pegadinha? Você geralmente não desiste tão fácil." Ele estendeu a mão, pairando sobre a minha, fingindo preocupação.

Eu recuei, puxando minha mão como se seu toque queimasse. O contato era repulsivo.

Nesse momento, a campainha tocou. Biel, cujo quarto era o mais próximo da entrada, gritou de alegria. "A Sheron chegou!"

Eu congelei. Sheron? Aqui? Minha fachada cuidadosamente construída ameaçou rachar.

Ela entrou, usando exatamente o mesmo lenço de seda de edição limitada que Bruno me deu no nosso aniversário no ano passado. Só que o dela era um fúcsia vibrante, enquanto o meu era um azul safira discreto. Era uma declaração direta e descarada.

"Oh, espero não estar interrompendo nada importante", Sheron disse com uma voz doce, seus olhos passando de Bruno para os papéis em sua mesa. Seu tom era inocente, mas seu olhar era tudo menos isso.

Eu observei, meu maxilar tenso. Bruno evitou meu olhar, mexendo-se desconfortavelmente.

Ele pigarreou. "A Sheron está aqui para levar o Biel para a aula de equitação. O Caio vai junto também. Ele precisa de um amigo, Alice. Você sabe como isso é importante para uma criança."

Um amigo? Bruno, o homem que uma vez insistiu que Biel só brincasse com crianças de famílias 'apropriadas', agora estava usando o filho de Sheron como desculpa para sua presença constante. Sua hipocrisia era espantosa.

Bruno casualmente empurrou os papéis do divórcio para o lado, uma pilha de contas atrasadas agora os cobrindo. Ele minimizou a importância deles, assim como minimizou meus sentimentos.

"Podemos conversar sobre isso mais tarde, Alice", ele disse, dispensando-me com um aceno de mão. "Agora, se nos der licença, o Biel está esperando."

Uma hora depois, eu estava no haras, atraída por um impulso maternal desesperado. Biel insistiu que eu fosse, um pedido raro que eu não podia recusar, mesmo que significasse vê-los.

Mas o que eu vi destruiu qualquer esperança remanescente. Bruno, Sheron e seus dois filhos, rindo, cavalgando juntos. Pareciam uma família perfeita e feliz. Uma família da qual eu não fazia parte.

As palavras da minha advogada ecoaram em minha mente: 'Precisamos usar isso, Alice. Faça-o pagar.' Mas o que eu queria era dignidade, não vingança, não mais.

Eu ainda me lembrava do dia em que nos casamos. Os votos que ele fez, as promessas de para sempre. Pareciam uma piada cruel agora.

Eu estava escondida atrás de uma fileira de baias, observando a família falsa, quando ouvi. A voz baixa de Bruno, falando com o Sr. Dantas, o dono do haras.

O Sr. Dantas parecia desconfortável. "Mas Sr. William, o Caio não é exatamente... o calibre de criança que costumamos ter para o Biel. E suas habilidades de equitação são bem... agressivas."

Bruno riu, um som arrepiante. "Não se preocupe com isso, Dantas. O Caio fará parte da família em breve. Biel precisa de um irmão. E com a Alice fora de cena, Sheron será uma madrasta maravilhosa."

Uma risada engasgada e amarga escapou dos meus lábios. Era quase um soluço. 'Parte da família em breve?' Então esse era o plano dele. Não apenas um caso, mas uma substituição calculada.

A cabeça de Bruno se virou bruscamente, seus olhos se estreitando ao me ver. O ar instantaneamente crepitou com uma tensão não dita.

O Sr. Dantas, sentindo a mudança, murmurou uma desculpa sobre precisar verificar um cavalo e desapareceu rapidamente.

"Há quanto tempo você está espionando, Alice?" A voz de Bruno era afiada, acusadora.

Minha risada foi seca, sem humor. "Tempo suficiente para saber que você prefere conduzir seus casos à vista de todos, Bruno. Ou talvez, você apenas presuma que sou estúpida demais para notar."

Ele passou a mão pelo cabelo, um gesto nervoso. "Não é o que você pensa. O Caio é um bom garoto. Eu estava apenas... pensando em voz alta sobre como integrá-lo na vida do Biel. Como um afilhado, sabe."

Um afilhado. A palavra tinha gosto de veneno. Meu coração, já machucado e maltratado, finalmente se calcificou. "Eu quero o divórcio, Bruno. Agora. Sem mais atrasos. Sem mais jogos."

Ele se aproximou, seus olhos suplicantes, manipuladores. "Não, Alice. Podemos consertar isso. Você está chateada. Não jogue tudo fora."

Nesse momento, Biel gritou: "Caio, cuidado!"

Virei-me bem a tempo de uma flecha passar zunindo pelo meu rosto, errando meu olho por pouco, as penas roçando minha bochecha. Uma dor aguda e ardente explodiu.

Biel, alheio ao meu quase ferimento, correu para o filho de Sheron, envolvendo-o com os braços. "Caio, você está bem? Foi por pouco! Você quase acertou a mamãe!"

Caio, um sorriso presunçoso no rosto, calmamente pegou seu arco. Seus olhos encontraram os meus, um lampejo de maldade em suas profundezas. Ele tinha mirado em mim. Deliberadamente.

Minha mão voou para o meu telefone. "Vou chamar a polícia", eu disse, minha voz tremendo com uma raiva que eu não sabia que possuía.

Bruno arrancou o telefone da minha mão. "Não seja ridícula, Alice! Foi um acidente! Ele é só uma criança!"

Biel interveio: "É, mãe! Você é sempre tão dramática! Peça desculpas ao Caio por deixá-lo chateado!"

Ele olhou para mim, seus olhos arregalados e acusadores. "Se você machucar a Sheron ou o Caio, eu nunca vou te perdoar, mãe. Nunca!"

Olhei para meu filho, depois para Bruno, cujo rosto era uma máscara de fúria fria. Uma risada oca me escapou. "Tudo bem. Chame seus advogados, Bruno. Você não vai me parar."

Ele agarrou meu braço, seu aperto machucando. "Você realmente quer seguir por este caminho, Alice? Você sabe o que minha equipe jurídica pode fazer. Eles vão te enterrar." Era uma promessa e uma ameaça.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022