Contando apenas com 4 anos, Elisa foi morar com outras pessoas que não eram de sua família, chegou nervosa, tímida, e logo conheceu sua nova família, que também eram pessoas pobres, mas que estavam dispostos a criarem ela.
Então, foram se apresentando, Rosa, Ronaldo, Cleber, Romão, Renato, Carlos, Celina, os pais eram Antonio e Maria.
A princípio, todos trataram ela com carinho, afinal, ela tinha acabado de perder sua mãe.
Mas após alguns dias, eles começaram a mostrar como realmente eram. Elisa chorava sentindo a falta de sua família e não entendia o que estava fazendo ali. Elisa era uma criança agitada, e por mais que fosse muito pequena, sempre apanhava.
Certo dia quando estava no quintal brincando, o filho mais novo do casal, Ronaldo, chegou com alguns brinquedos, quando Elisa foi brincar com ele, sua mãe Maria, tomou os brinquedos de sua mão e levou Ronaldo para dentro de casa. Elisa só chorava.
Passaram -se alguns meses, Elisa já havia se acostumado com a nova família, ela se resignou, então mesmo sendo apenas uma criança que contava agora com 5 anos, já ajudava nos afazeres de casa. Mas o que ela realmente gostava, era de brincar na rua, ela jogava futebol, bete, pulava elástico, e como era marrenta, lutava com os moleques da rua.
Sua nova família, era grande, mas nunca faltava alimento, os mais velhos iam para o roça com o pai, os mais novos ficavam em casa, ou iam para escola.
Elisa contava com quase 6 anos, quando ingressou na pré escola, ela amava ir para o pré, como diziam na época, os colegas a tratavam com desdém, afinal, ela era pobre e órfã, naquela época reencontrou sua irmã biológica, Mara, então elas sempre estavam juntas, os professores as tratavam com carinho.
Nessa época, tinha uma senhora chamada dona Sônia, gentil, que era muito amiga da sua finada mãe, ela também era professora, Elisa lembra dela, com carinho e gratidão, pois só tem boas lembranças dessa senhora.
Certo dia dona Sônia percebeu que Elisa tinha dificuldades para aprender, e resolveu conversar com dona Maria, a mãe adotiva de Elisa.
Chegando na residência da família elas começam a conversar:
- Boa tarde dona Maria!
- Boa tarde dona Sônia!
- Desculpa vir aqui na sua casa assim, é que percebi que Elisa está com dificuldades de aprendizagem.
-Ah! Dona Sônia, nem sei o que dizer, Elisa é difícil de lidar, não tenho tempo para ficar prestando muita atenção nos estudos dela, mas o que a Sra sugere?
-Bem, justamente por isso que eu vim aqui hoje, gostaria de pedir a autorização para poder ensinar ela, pessoalmente a ler e a escrever.
- Claro! Pode sim, na verdade, seria ótimo!
- obrigada!
Dona Sônia, então chamou Elisa, e a informou das novidades.
-Elisa, a partir de amanhã, vc vai pra minha casa após as aulas, para eu te ajudar com as tarefas.
Elisa ficou muito feliz.
No outro dia Elisa foi feliz para a casa da dona Sônia, essa senhora sempre a tratavam com carinho, era muito bondosa.
Dona Sônia era casada, tinha 3 filhos, um menino e 2 meninas. Ela ajudava muitas pessoas na cidade, e sempre doava roupas, calçados e alimentos para as famílias carentes. A família adotiva de Elisa, também recebiam essas doações, mas dona Sônia tinha um carinho especial por Elisa e seus irmãos, nunca esquecia de seus aniversários, e datas comemorativas, Elisa lembra, que sempre ganhava chocolate na Páscoa, presente no dia das crianças, Natal.
Agora Elisa podia estar todos os dias com a dona Sônia, ela adorava, principalmente por que Dona Sônia a levava para a casa de sua sogra dona China, Elisa a chamava de vó.
- Bênção Vó!
-Deus te abençoe! Tudo bem Elisa?
-Tudo
- Você está com fome? Tem bolo.
Os olhos de Elisa brilhavam, e logo a vó China trazia bolo e chá, deliciosos. Depois de comer, ela começa as lições, depois de alguns meses, Elisa já estava lendo e escrevendo bem, dona Sônia pacientemente a ensinava, e dava livros para ler, quando Elisa lembra desses dias, fica saudosa...
A bondade e a paciência da dona Sônia a fez ver o quanto ela gostava de ler, coisa que até hoje ela adora.