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A Última Bala: O Adeus de Um Amor

A Última Bala: O Adeus de Um Amor

Autor:: Xiao Shi
Gênero: Romance
A decisão de me tornar um fantasma, de apagar Hugo Gordon para desmantelar o cartel que assassinou meu pai, selou meu destino. Para protegê-la, tive que sacrificar a única coisa que me mantinha vivo: meu amor por Raina Hayes. Mas três anos depois, o reencontro com Raina não foi o que esperei. Ela me trouxe para sua casa, submetendo-me a humilhações diárias, transformando-me no seu "cachorro" pessoal, enquanto eu secretamente a salvava, doando-lhe medula óssea e resgatando-a de um desabamento. Pior ainda, meu ex-melhor amigo, Conrad, roubou a glória de meus atos, alegando ser seu salvador, e me incriminando como um monstro em seus olhos. Raina, cega pela dor e pelo ódio, me forçou a forjar minha própria morte, um ato final de tortura que eu aceitei para a proteger. Mas o que eu não sabia, era que minha "morte" abriu os olhos dela para a verdade, libertando uma fúria selvagem que se voltaria contra Conrad de formas inimagináveis. Sua vingança foi meticulosa e cruel, transformando-o em uma grotesca cópia de mim. Quando, meses depois, ela me viu vivo novamente, ao lado de outra mulher, sua obsessão, já doentia, explodiu. Fui forçado a renegá-la publicamente, a quebrar seu coração mais uma vez para a manter segura da minha verdadeira missão. Mas Raina, impulsionada por um amor e um ódio impossíveis de controlar, descobriu a verdade e, no confronto final com o cartel assassino do meu pai, jogou-se na minha frente. Aquela bala não era para ela. Com o último suspiro, ela sorriu, finalmente ouvindo meu amor confessado. Agora, resta-me apenas a paz do cemitério, onde a neve cai sobre a sua lápide, esperando o dia em que poderei descansar ao seu lado. Mas a história ainda não terminou.

Introdução

A decisão de me tornar um fantasma, de apagar Hugo Gordon para desmantelar o cartel que assassinou meu pai, selou meu destino.

Para protegê-la, tive que sacrificar a única coisa que me mantinha vivo: meu amor por Raina Hayes.

Mas três anos depois, o reencontro com Raina não foi o que esperei.

Ela me trouxe para sua casa, submetendo-me a humilhações diárias, transformando-me no seu "cachorro" pessoal, enquanto eu secretamente a salvava, doando-lhe medula óssea e resgatando-a de um desabamento.

Pior ainda, meu ex-melhor amigo, Conrad, roubou a glória de meus atos, alegando ser seu salvador, e me incriminando como um monstro em seus olhos.

Raina, cega pela dor e pelo ódio, me forçou a forjar minha própria morte, um ato final de tortura que eu aceitei para a proteger.

Mas o que eu não sabia, era que minha "morte" abriu os olhos dela para a verdade, libertando uma fúria selvagem que se voltaria contra Conrad de formas inimagináveis.

Sua vingança foi meticulosa e cruel, transformando-o em uma grotesca cópia de mim.

Quando, meses depois, ela me viu vivo novamente, ao lado de outra mulher, sua obsessão, já doentia, explodiu.

Fui forçado a renegá-la publicamente, a quebrar seu coração mais uma vez para a manter segura da minha verdadeira missão.

Mas Raina, impulsionada por um amor e um ódio impossíveis de controlar, descobriu a verdade e, no confronto final com o cartel assassino do meu pai, jogou-se na minha frente.

Aquela bala não era para ela.

Com o último suspiro, ela sorriu, finalmente ouvindo meu amor confessado.

Agora, resta-me apenas a paz do cemitério, onde a neve cai sobre a sua lápide, esperando o dia em que poderei descansar ao seu lado.

Mas a história ainda não terminou.

Capítulo 1

A decisão foi tomada na sala fria e impessoal da Polícia Federal em Brasília. O ar condicionado zumbia, um som constante que parecia zombar do caos dentro de mim.

"Você entende, Hugo? A partir de hoje, Hugo Gordon está morto. Você será um fantasma, uma nova pessoa, com uma nova história."

O delegado colocou sobre a mesa uma carteira de identidade policial. O número era familiar, uma herança dolorosa. Era o número do meu pai.

"Sim, senhor. Eu entendo."

Minha voz saiu firme, mas minhas mãos, escondidas sob a mesa, tremiam. Para desmantelar o cartel que assassinou meu pai, eu precisava morrer. E para morrer, eu precisava primeiro matar a única coisa que me mantinha vivo: meu amor por Raina Hayes.

Três anos depois.

O som da porta do apartamento de luxo em São Paulo se abrindo me fez encolher. Eu estava na cozinha, lavando a louça do jantar que preparei para um.

Raina entrou, o cheiro do seu perfume caro misturado com o de outro homem. Ela não estava sozinha.

Ela me viu e um sorriso cruel curvou seus lábios perfeitos.

"Hugo, querido", ela disse, a voz pingando sarcasmo. "Seja um bom menino e prepare um café para o nosso convidado."

O homem ao seu lado, um estranho com traços vagamente parecidos com os meus, me olhou com uma mistura de pena e desprezo. Era sempre assim. Raina fazia questão de trazer para casa homens que se pareciam comigo, uma tortura silenciosa e constante.

Eu assenti, sem dizer uma palavra. Peguei o pó de café, minhas mãos se movendo no automático.

Raina se aproximou, sua presença preenchendo a cozinha. Ela abriu a carteira, tirou um maço de notas de cem reais e jogou sobre o balcão.

"Para você. Pelo seu bom comportamento."

A humilhação queimou meu rosto, mas eu mantive a expressão neutra. Peguei o dinheiro. Eu dependia dela para tudo. Essa era a minha realidade agora. O homem que um dia teve um futuro brilhante, agora vivia da caridade da mulher que ele amava e que o odiava.

Mas esta noite foi diferente. Quando me virei para servir o café, meu mundo parou.

O "convidado" que Raina trouxera para casa não era um estranho.

Era Conrad Perry. Meu melhor amigo da universidade. A única pessoa no mundo, além dos meus superiores, que sabia a verdade sobre a minha "morte".

O choque me paralisou. A bandeja de café tremeu em minhas mãos.

Conrad me olhou, e em seus olhos eu não vi surpresa. Vi um triunfo frio e calculado. Ele sabia. Ele planejou isso.

Minha mente voltou no tempo, para uma noite chuvosa, três anos atrás. Eu e Raina, encharcados, rindo debaixo do toldo de uma loja fechada. Éramos jovens, apaixonados e pobres.

"Um dia, Hugo," ela disse, me entregando um pequeno medalhão de prata barata, "vamos ter tudo. Mas isso," ela apontou para o medalhão, "será a prova de que já tínhamos tudo o que importava."

A lembrança foi interrompida pela voz dela, afiada como vidro quebrado.

"O que você está esperando, Hugo? O café vai esfriar."

Eu servi o café, minhas mãos como chumbo. A traição de Conrad era uma ferida muito mais profunda do que qualquer humilhação que Raina pudesse me infligir.

Mais tarde, quando o amante dela foi embora, a verdade sobre o passado de Raina veio à tona em minha mente. Depois que eu a deixei, com a desculpa cruel de que tinha encontrado uma herdeira mais rica, ela não apenas se reergueu. Ela desmoronou.

Uma crise de saúde devastadora, uma doença rara que exigia um transplante de medula óssea urgente. Eu fui o doador. Anônimo. Secreto. Um último ato de amor antes de desaparecer.

Mas foi essa crise que a transformou. Movida pela dor, pelo abandono e por uma sede de vingança insaciável, Raina Hayes se tornou uma magnata do mercado imobiliário. Uma das mulheres mais poderosas do Brasil. E seu principal alvo era eu.

Eu aceitei a missão para vingar meu pai, mas também para proteger Raina. O cartel era impiedoso. Se soubessem da nossa ligação, ela seria a primeira a morrer.

Minha família já havia sido destruída. Os homens do cartel não apenas mataram meu pai; eles fizeram parecer um acidente, e minha mãe e irmã, incapazes de lidar com a "verdade", morreram em um acidente de carro real meses depois, fugindo da dor. Eu estava sozinho.

Raina não sabia de nada disso. Para ela, eu era um alpinista social, um traidor. E eu precisava que ela continuasse acreditando nisso.

"Por que você fez isso, Conrad?" perguntei a ele em um sussurro, quando Raina foi ao quarto.

Ele sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos.

"Porque eu a amo, Hugo. E você a jogou fora."

A resignação tomou conta de mim. Eu não podia revelar a verdade. Minha missão, a memória do meu pai, a segurança de Raina... tudo dependia do meu silêncio. Eu era o vilão da história dela, e precisava continuar sendo.

Capítulo 2

A humilhação se tornou rotina. Todas as noites, Raina trazia um homem diferente para casa. E todas as manhãs, eu limpava os vestígios da noite anterior, o cheiro de outro homem no nosso quarto, as taças de vinho vazias na sala.

Eu me tornei uma sombra, um fantasma em minha própria vida. Minha existência era um lembrete constante da sua dor e do seu poder sobre mim.

Uma noite, eu não consegui dormir. Os sons do quarto ao lado eram altos demais, os gemidos de Raina, fingidos ou reais, ecoavam em minha cabeça. Eu me levantei e fui para a varanda, o ar frio da noite de São Paulo um alívio para a minha pele febril.

Lá embaixo, a cidade brilhava, indiferente ao meu sofrimento. Eu era um prisioneiro em uma gaiola de ouro, e a chave estava nas mãos da mulher que eu amava e que se deliciava em me torturar.

Na manhã seguinte, acordei no sofá com o som de atividade na casa. Empregados corriam para lá e para cá, arrumando flores, preparando comida.

Raina desceu as escadas, deslumbrante em um vestido de seda. Ela me ignorou, como sempre.

"O que está acontecendo?" perguntei a uma das empregadas.

"A Sra. Hayes está dando uma festa esta noite," ela respondeu, sem me olhar nos olhos. "Em homenagem ao Sr. Perry."

Meu estômago se revirou. Uma festa. Para Conrad. A ironia era tão cruel que quase me fez rir.

A noite chegou, e o apartamento se encheu de gente rica e poderosa. Eu fui relegado a um canto, servindo bebidas, invisível.

Raina e Conrad eram o centro das atenções. Eles riam, se beijavam, uma exibição pública de afeto que era uma faca em meu peito. Ele a segurava pela cintura, sussurrava em seu ouvido, e ela olhava para ele com uma adoração que um dia fora minha.

Ouvi os sussurros ao meu redor.

"Coitado do Hugo. Olhe para ele."

"Ela o mantém por perto só para humilhá-lo."

"Eu ouvi dizer que ele não tem um centavo. Vive do dinheiro dela."

A vergonha era um manto pesado sobre meus ombros. Eu queria desaparecer, mas não havia para onde ir.

Mais tarde, encontrei Conrad sozinho na biblioteca. A porta se fechou atrás de mim, o som abafado da festa desaparecendo.

"Você está se divertindo?" perguntei, minha voz baixa e tensa.

"Mais do que você pode imaginar," ele respondeu, virando-se para mim. "Eu a amo, Hugo. Sempre amei. Desde a universidade."

A confissão me atingiu como um soco. Conrad, meu amigo, meu irmão.

"Você não tem ideia do que ela passou depois que você a deixou," ele continuou, a voz cheia de uma raiva contida. "Eu a vi definhar. Eu a vi quase morrer. Eu estava lá."

Ele se aproximou, seus olhos brilhando com uma intensidade febril.

"Ela guardava uma foto sua na carteira, mesmo no hospital. Ela chorava seu nome enquanto dormia. Você a quebrou, Hugo."

A culpa me sufocou. Eu sabia. Eu sabia de tudo. Eu acompanhei cada passo da sua recuperação de longe, através dos relatórios que meus contatos na polícia me forneciam.

"E eu a salvei," disse Conrad, e a peça final do quebra-cabeça se encaixou. "Eu disse a ela que fui eu. O doador anônimo. Eu salvei a vida dela."

O ar saiu dos meus pulmões. A mentira era monstruosa, uma profanação do meu sacrifício.

"Eu preciso que você desapareça, Hugo," ele disse, sua voz agora um sussurro perigoso. "Ela nunca vai me amar de verdade enquanto você estiver por perto. Você é uma sombra entre nós."

"E o que você espera que eu faça?" perguntei, a voz rouca.

"Eu preciso que você a machuque. Mais uma vez. Para que ela o odeie para sempre."

Antes que eu pudesse reagir, ele agarrou meu braço. Seus olhos estavam selvagens.

"Faça isso, ou eu conto a ela a verdade. Conto que você é um agente federal, que sua família está morta, e o cartel virá atrás dela. A escolha é sua."

Ele não me deu tempo para responder. Com um grito, Conrad se jogou para trás, batendo com força contra uma estante de vidro. O som de vidro quebrando ecoou pela sala, seguido pelo grito dele.

A porta se abriu com um estrondo. Raina estava lá, seus olhos arregalados de horror. Ela olhou para o corpo de Conrad no chão, sangrando, e depois para mim, parado no meio da sala, paralisado.

A cena foi perfeitamente montada. Eu era o agressor. Ele, a vítima. E nos olhos de Raina, vi o ódio final e absoluto que Conrad tanto desejava.

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