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ALICE - A DESCOBERTA

ALICE - A DESCOBERTA

Autor:: RENATA PANTOZO
Gênero: Romance
LIVRO 2 Nessa nova fase, Janaína descobrirá o amor, mas ao mesmo tempo sentirá todos os sentimentos que se unem ao viver um grande amor com segredos. Alice descobrirá finalmente quem é seu pai.

Capítulo 1 -1

NARRAÇÃO JANAÍNA

Renato abre a porta para sair e algo em mim se desespera. Não sei ao certo o que sinto, só sei que não quero que vá embora. Minha mão empurra a porta da mão dele, que se fecha com tudo. Agradeço por estar atrás de seu corpo agora para pedir isso.

- Fica!

Nunca pedi para um homem ficar comigo. Nunca quis que um homem ficasse ao meu lado como desejo que Renato fique. Isso me assusta. Isso mostra que ele está certo. Já criamos um vínculo, um sentimento, uma necessidade um do outro. Ele não se mexe ou responde.

- Fica comigo!

Escuto seu suspiro pesado.

- Você quer que o meu pau fique ou quer o homem que te deseja e quer ser seu?

Respiro fundo e ando até sua frente. Renato me olha como se quisesse entrar em meus pensamentos e decifrar minhas loucuras. É assim que me sinto em seu olhar. Uma louca cheia de paranóias e que vive em seu mundo de forma estranha.

- Quero que fique e converse comigo. Quero agora um amigo que me escute e tente me entender. Você tem uma visão de um mamute sem coração, mas não faz idéia de como me tornei assim. Não sabe nada sobre mim, meus medos e minhas inseguranças. Está disposto a entrar na minha vida a força, mas não está se importando de como isso pode me causar pavor, medo.

Viro e fecho a porta. Volto a encará-lo e sem dizer mais nada, pego sua mão e o arrasto para o meu quarto. Renato me segue sem dizer nada, o que é bem anormal. Ele hoje parecia cheio de razão e foco em me calar. Entramos em meu quarto e fecho a porta.

- Deita na cama!

Ele tenta não sorrir.

- Vou deitar de roupa.

Reviro meus olhos.

- Tire pelo menos os sapatos.

Enquanto ele retira os sapatos, pego uma camisola na gaveta e tiro meu roupão. Quero rir ao ouvi-lo resmungar que é sacanagem. Visto a camisola e deixo o roupão na cadeira.

- Podia ter me pedido pra virar.

- Podia ter virado sem eu pedir.

Nos encaramos querendo rir.

- Deita!

Ordeno e vou para a cama. Nos deitamos e ficamos frente a frente. Puxo a coberta e nos cubro.

- Assim vou dormir.

Resmunga se aconchegando mais.

- Ai não vai ouvir o mamute.

Respiro fundo e coloco minhas mãos embaixo do meu rosto.

- Meus pais sempre foram um casal seco. O típico casal que empurra o casamento com a barriga. Minha mãe era infeliz cuidando da casa e fazendo trabalhos informais de costura. Meu pai trabalhava fora até tarde todos os dias. Quando estava em casa era um posso de grosseria.

- Já sei de onde vem o seu lado mamute.

Olho pra ele brava.

- Desculpa! Pode continuar.

- Eu não sei o que é ser afetuosa ou receber afeto. Fui criada de forma seca, assim como minha irmã, mas Sophi tinha uma alma livre e corajosa. Ela queria viver, amar, curtir as coisas. Meu foco foi sempre trabalhar, estudar e ser alguém na vida para não depender nunca de ninguém.

- Conseguiu!

- Sim! Mas não foi fácil. Quando Sophi engravidou e contou aos meus pais, eles surtaram e a expulsaram de casa. Não pensei duas vezes a seguir com ela pra fora da casa dos meus pais. Ela precisava de ajuda e não podia lhe virar as costas.

- Isso é amor de irmã!

- Podia ser um pouco. Por outro lado também estava disposta a me livrar da vida infeliz com meus pais.

- Como foi com sua irmã?

- Difícil! Sophi tinha um emprego com renda pequena e o meu tinha que arcar com a minha faculdade e nas despesas com a gente.

- Tiveram problemas com dívidas?

- Não! Acumulei trabalhos extras e conseguimos até fazer o enxoval da Alice.

Um sorriso bobo cresce em meus lábios.

- Estava tudo pronto para receber a pintinha, quando minha irmã...

Paro de falar quando as memórias querem dominar minha mente.

- Quando Alice nasceu, descobri o significado da palavra amor. Amei e amo aquela pequena mais que tudo, mais que a mim mesma. Quero dar um mundo a ela e ao mesmo tempo protegê-la dele. Tenho medo que se machuque com pessoas ruins. Tenho medo de deixar alguém entrar na nossa vida e lhe causar traumas impossíveis de curar.

Renato ergue a mão e toca meu rosto.

- Sei que me disse mil vezes que nunca a machucaria, que seria incapaz disso. Minha missão nesse mundo é proteger a única pessoa que eu amei na vida. Tente entender o que eu seria capaz de fazer por ela.

- Abrir mão de um amor.

Responde e acho que consegue entender.

- Se esse amor puder de alguma forma machucá-la, a resposta é sim.

- Você não acha que está na hora de dividir essa função com alguém? Não acha que pode confiar em mim e me deixar te ajudar a protegê-la, assim como te proteger também?

- Eu não faço ideia de como é ser cuidada, porque até hoje eu só cuidei. Sophi e Alice foram minhas prioridades e nunca eu.

Seu corpo aproxima do meu e seu rosto está muito perto. Seus lábios quase tocam os meus.

- Me deixa cuidar de você.

Pede com a voz rouca que faz meu corpo arrepiar.

- Para de se armar contra mim. Apenas baixe a guarda e deixa as coisas acontecerem. Você sabe que já sente algo por mim, como sinto por você.

- Estou tentando! Nunca pedi pra alguém ficar. Nunca!

Sorri e me beija de leve nos lábios.

- Prometo tentar não te julgar e ter paciência!

Suas mãos me puxam para o seu corpo e meu rosto se enfia em seu peito. Renato me abraça de forma protetora.

- Mas preciso que pare de me expulsar de dentro de você. Uma hora vai conseguir isso e vou embora.

O aperto forte e o medo de novo dele ir me atormenta.

- Prometo que vou deixar tudo acontecer sem segurar ou impedir sentimentos. Vou tentar.

Sei que está sorrindo e isso me faz sorrir também.

- Ainda assim não vai ter sexo comigo hoje. Vou me fazer de difícil.

Fala todo fofo e tenho certeza que se isso é um relacionamento, ele é a mulher e sou o homem.

- Hoje vou te deixar em paz. Mas amanhã vai me aliviar desse tesão que me causou.

Beija minha cabeça e fecho meus olhos.

- Boa noite, mamute!

- Boa noite!

**********

NARRAÇÃO ALICE

Abro meus olhos e não vejo o tio Renato. Quem me colocou na minha cama? Não lembro de vir dormir no meu quarto. Olho minhas meias e fico feliz que mais uma vez eu não sonhei com coisas ruins. O sol na janela está bem forte. Já é bem de dia e isso é estranho. A mãedinda sempre me acorda antes do sol estar queimando minha cabeça. Será que eles sumiram e fiquei sozinha em casa? Eles foram embora e me deixaram em casa? Pulo da cama e pego meu Batman pra me proteger. Abraço ele bem forte e saio do quarto. A porta do quarto da mãedinda está fechada. Giro a maçaneta e ela abre. Entro no quarto e vou pra perto da cama dela. Olha só!

Eles estão dormindo abraçadinhos. Meu plano de unir os dois está dando certo. Cubro minha boca para minha risada feliz não acordar eles. Saio do quarto com a minha barriga roncando. Será que já está na hora de ir pra escola? Seria tão legal perder a escola hoje. Ficar com a mãedinda e o tio Renato. Pego meu cereal na mesa e vejo o celular da mãedinda. Posso aproveitar que eles estão dormindo e falar com o Paola. Estou com saudade dele. Pode me ajudar a saber se perdi a escola. Não quero acordar a mãedinda pra saber isso. Ela pode querer sair correndo atrasada e me levar. Deixar os dois dormindo é o melhor plano. Sento na cadeira e pego o celular. Passo o dedo na tela e vejo o negocio que tenho que apertar pra achar o Paola. Aperto o negocio e vejo uma monte de gente que mandou mensagem pra mãedinda. Muito embaixo eu acho o Paola. Aperto e aparece o lugar pra gente conversar. Aperto o botão que deixa eu mandar mensagem falada.

- Oh Paola! Preciso da sua ajuda. Quero saber se perdi a hora de ir pra escola. Não sei ainda ver relógio e lá fora está de dia. Mãedinda está dormindo com a Paulina e não quero que acordem. Não quero ir pra escola.

Solto o botão e espero ele responder. Ele demora demais.

- Paola, aqui é o Batman! Responde logo.

Mando mais uma mensagem e nada dele.

- Está dormindo com a moça sorridente e por isso não responde?

Espero e nada dele.

- ACOOOOOORRRRRDDDDDDAAAAAAA!

Capítulo 2 -2

NARRAÇÃO ALICE

Eita! Assim eu vou acordar a mãedinda e o tio Renato. Ando sem fazer barulho pra onde lava roupa. Acho que ninguém vai me ouvir de lá. Paola está demorando demais pra responder. A fotinho dele aparece no celular e tem uma mensagem de áudio como a minha. Aperto a setinha pra ouvir.

- Bom dia, Batman. Acredito que hoje você deva ficar em casa. Já está tarde para ir à escola, então assista algum documentário ou filme sobre animais, mas nada de desenho que deixam as crianças burras. A moça sorridente estava tão feliz que até acertou minha cabeça, acho estranha essa forma de demonstrar carinho, o que você acha? Se precisar de qualquer coisa pode me chamar. Beijo do Paola.

A moça sorridente é tão estranha quanto a mãedinda pra mostrar amor.

- Paola, eu acho que ela te ama. Porque na novela que eu assisto, a Elena Maria sempre bate no Marco Antonio quando faz besteirinha e ela ama ele. Muitão!

Éca! Documentário é horrível de assistir. Como ele pode gostar daquilo?

- Eu não vou assistir coisa chata. Hanna sempre grava a novela e vou assistir de novo o que ela gravou

Ele demora demais pra responder e mando mais mensagem.

- Você sabia que documentário dá sono? Eu durmo sempre que minha mãedinda quer assistir um. Ela gosta de ver pessoas morrendo.

Mãedinda gosta de coisas estranhas e isso me lembra uma coisa bem legal.

- Sabia que ela gosta de ver meu cocô quando estou doente.

Esse Paola é muito devagar pra responder. Ele nem precisa digitar é só apertar o botãozinho e falar. Vou falando até ele aparecer.

- Ai se ele fica mole ela fica toda fofa comigo e faz tudo que quero.

Minha mente de Batman brilha.

- Acabei de ter uma idéia! Vou falar pra ela que o Paulina ta com coco mole. Ai ela vai amar ele e cuidar dele e ser feliz para sempre. Quem diria que um cocô seria tão importante.

A fotinho do Paola finalmente aparece.

- Só um momento, Batman!

Tanta demora só pra falar isso? Outra fotinho dele aparece.

- Eu sinceramente não acredito que falar sobre os dejetos de outras pessoas seja uma boa idéia. Procure fazer algo que vá uni-los de uma forma boa

- Objeto? Cocô é objeto? Quando sai duro ele vira objeto? Achei que era só coco.

Cocô parece bem importante e por isso a mãedinda pede sempre pra ver o meu. Será que é objeto raro quando sai duro? Pode virar diamante? Será que ele viu em algum documentário? Isso me da uma ideia para fazer na escola. Aperto o botão pra mandar áudio.

- Quando a professora mandar desenhar um objeto eu vou desenhar um coco.

Tem a fotinho dele de novo.

- Dejeto, eu falei dejeto.

Ele grita e tenho que esconder o telefone na minha barriga, pra não acordar a mãedinda e o tio Renato. Olho pro celular e tem outra fotinho dele.

- Dejeto é um nome bonito para o... para as fezes.

Seria mais fácil dizer cocô.

- Você fala coisas estranhas. Agora já sei porque a moça sorridente te bate. Eu também te bateria. Tapão no seu testão. Tapa do Batman!

Outra fotinho dele.

- E isso significa que você gosta de mim?

- Isso significa que você é chato as vezes. Acho que ela não te ama. Ela quer só que pare de falar coisas chatas.

Minha barriga está doendo de fome. Já deve ter passado muito da hora de ir pra escola e do meu café. Se a moça sorridente ama o Paola, deve fazer sons felizes.

- Ela te beija na boca e faz gemidos de felicidade? A mãedinda faz sempre com o Paulina. Ela também fica feliz no quarto sozinha. Fica gemendo de felicidade.

Outra fotinho dele depois da minha.

- Gemidos de felicidade? O que você viu?

- Eu escuto muitas coisas, sou o Batman. Ele sabe de tudo e escuta de tudo.

Agora ele parece empolgado em falar comigo. Não deixa nem eu terminar de contar da felicidade da mãedinda que manda áudio.

- Acredito que o Batman não deveria ouvir tanta alegria assim.

Outro áudio logo em seguida.

- Mas respondendo a sua pergunta, sim, ela fica muito feliz com os beijos.

Quero ser feliz também!

- Quero ser feliz como a mãedinda. Será que no quarto dela tem parquinho e ela me esconde? Porque ela é muito feliz no quarto com seus barulhos.

- NAAAAAAAO!

O gritão dele me assusta. Será que bateu o dedinho no pé em algum lugar? Preciso saber mais do quarto feliz da mãedinda.

- Vou procurar embaixo da cama dela se tem brinquedos legais. Ela não pode me esconder brinquedos

- Pergunte antes. Ou eu mesmo posso comprar um presente bem legal, mas você não deve procurar ou fazer nada escondido.

Escuto o barulho da porta da mãedinda abrindo bem forte.

- Nós vamos perder a hora. Acorda a Alice pra mim enquanto me troco.

É a mãedinda falando rápido demais e seus pés batem no chão igual as réguas, mulher do cavalo.

- Paola... eles acordaram! Vou me esconder.

A fotinho dele aparece bem na hora que procuro um lugar.

- Alice não está no quarto dela.

Tio Renato está gritando e meu coraçãozinho está doidinho dentro de mim. Corro pro armário e escuto o áudio do Paola.

- Por que vai se esconder?

Tem outro em seguida.

- Você já comeu?

Tem alguma coisa morrida aqui dentro.

- Eu não quero ir pra escola. O armário tem cheiro de coco mole.

Estou com vontade de vomitar, mas não posso sair do meu esconderijo.

- Acho que tem algo bem estragado aqui

- Por que está sussurrando dentro de um armário?

- Eles não podem me achar. Fala baixo comigo.

- Tudo bem!

Seguro o celular bem forte e melhor evitar ficar falando demais. Tem outra mensagem do Paola.

- Vou te ensinar uma coisa para ficar em casa, mas tem que prometer que não vai fazer mais vezes.

Só consigo pensar em comida.

- A moça sorridente fez seu café? O Paulina faz panquecas. Vai me ensinar coisas chatas? Você não é bom em ensinar coisas divertidas. Eu que te ensinei a fazer macarrão feliz.

- Uma coisa legal, mas não pode contar para ninguém.

- Pode contar. Eu sei guardar segredo. Fala rápido que eles vão me achar logo.

- A moça sorridente deve estar fazendo alguma coisa muito importante agora para lembrar de mim. Já deve até ter esquecido quem eu sou.

- Faz coco mole e leva pra ela ver. Vai ficar fofa e cuidar de você.

- Você vai dizer que está triste, pode caminhar de cabeça baixa e precisa recusar doce quando alguém oferecer.

Tem outro áudio dele.

- Faça isso por uns trinta minutos e depois pode ganhar tudo o que quiser.

Vou pensar na sugestão.

- Vou fazer cara de triste, mas não sei quanto é trinta minutos. Vou fazer até aguentar. E ai depois eu tento fazer coco mole. Tem gente rindo com você? É a moça bonita?

- É o tempo de um documentário.

Tenho que ficar triste um documentário todo?

- É muito tempo Paola. Eu vou morrer de tristeza.

- Pense pelo lado bom, você vai ganhar qualquer coisa e eles vão te encher de amor. Você ama abraços apertados e beijos babados.

- Você está dizendo que eu beijo babado? A moça sorridente beija babado?

- Igual um cachorro lambão.

Eu amo cachorro!

- Cachorros são tão fofinhos. Então meu beijo é o melhor do mundo.

- O beijo dela é o como o paraíso, não existe nada no mundo melhor.

Tem barulho de passos na cozinha.

- Paolaaaa eles estão perto. Muito perto! Se eu sumir é porque o Batman foi pego.

- Cara de tristeza e cabeça baixa, você consegue.

- Coco mole te ajuda a ganhar amor. Lembra disso Paola.

Quero dizer mais coisas, mas a porta do armário abre.

- Alice, o que faz no armário?

- Adeus Paola!

Solto o dedo do botão que grava. Fui pega! Tio Renato olha o celular na minha mão e tem mais uma mensagem do Paola. Aperto o botão.

- Adeus Batman!

- Com quem estava falando?

Não deixo ele pegar o celular.

- Com meu amigo!

- Sua mãedinda sabe que fala escondida no celular dela?

O que eu digo pra ele? Mãedinda não sabe nem que o Paola veio aqui.

- Imagino que saiba, já que as mensagens ficam salvas. Deve ouvir tudo isso depois.

- Ela escuta minhas conversas? Que coisa feia.

Isso é um problemão. Paola pode vir fazer mais macarrão e ela não pode saber.

- Tem como apagar as mensagens?

- Por que quer apagar?

Faz olhinhos apertados pra mim.

- Porque é algo meu e do Paola.

- Tem coisa ai, Dona Alice!

- Se me ensinar a apagar, te ensino a fazer a mãedinda ficar fofa e fazer o que você quiser.

- Antes de te ensinar, preciso ouvir o que diziam.

- Se ouvir, perde a chance de ter a mãedinda te amando e cuidando de você.

- Isso é chantagem!

- Isso é ser inteligente, tio Renato! E essa coisa de chalanchale não existe.

Ele está rindo de mim.

- Chantagem! Existe sim e você faz muito.

- Temos um acordo?

Solta um bafão na minha cara como dragão.

- Certo!

Pega o celular e me mostra como sumir com tudo que tinha foto do Paola. É como se não tivesse acontecido nada.

- Só me prometa que não vai fazer besteira com esse amigo.

- Ele é chato e me mandou assistir documentário. A única coisa que pode acontecer sendo amiga dele é perder a visão vendo coisa chata na televisão. Ele não assiste novela como a gente.

- Agora me diz o que devo fazer com a mãedinda.

Ela entra na cozinha brava.

- Ainda está de pijama? Perdemos o dia de aula.

Carinha de triste e cabeça baixa! Foi isso que o Paola disse.

Capítulo 3 -3

NARRAÇÃO JANAÍNA

Meu corpo está quente demais. Abro meus olhos e estou de cara com um rosto muito familiar, que vem tentando ganhar meu coração. Renato está dormindo feito um bebê. Me assusto com seu ronco alto e esse bebê tem um grave problema nas vias respiratórias. Será que ele sempre ronca assim? Isso pode ser um problema para nós. Tenho sono leve e qualquer coisa me incomodaria. Aposto que ainda é de madrugada e acordei por causa do calor do corpo dele e seu ronco alto. Tento me afastar de seus braços e pernas que estão em torno de mim, para olhar o despertador atrás de mim, mas não consigo. Cada tentativa minha de fugir de seu aperto, é um puxão dolorido que ele me dá.

- Não foge Mamute!

Resmunga ainda dormindo e acho engraçado me chamar assim. Subo minha mão entre o pequeno espaço entre nossos corpos e tento acordá-lo.

- Renato!

Toco seu rosto de leve e ele quase me engole em uma sugada de nariz, que segue com um ronco. Meu Deus! Ele não é nada sexy dormindo. Prefiro olhá-lo acordado que dormindo.

- Acorda meu donzelo!

Digo rindo e vejo um olho dele se abrir.

- Me chamou de donzelo?

Pergunta com cara de sono ao abrir o outro olho.

- Sim! Nessa relação estranha, você é o mocinho em perigo, o donzelo. Eu sou o mamute ou dragão que pode te ferir.

Dá um sorriso fofo e avança com os lábios roncadores para os meus, me roubando um beijo.

- Você é igual o dragão do filme Shrek.

Sussurra em minha boca e belisco sua barriga.

- Ai! Isso doeu.

Empurra meu corpo e deita em cima de mim, sem colocar muito pressão sobre mim. A verdade é que tem uma certa parte acordada dele, com uma bela pressão em uma certa parte minha que está adorando.

- Você disse que era meu mamute ou dragão. Por que me bateu?

- Eu falar é uma coisa. Você dizer é outra bem diferente.

- Seu donzelo em perigo exige que seja menos grosseira. Mereço beijos e um pouco de carinho.

Empurra o quadril para o meu sexo, fazendo ainda mais pressão com seu membro.

- Dragões são bravos e comem cabeças.

- Não me importo que engula uma certa cabeça minha.

Fala safado e sua boca logo está em meu pescoço, beijando e chupando minha pele que queima. Viro minha cabeça para o lado, lhe dando mais acesso e meus olhos focam no despertador.

- Merda!

O empurro de cima de mim e Renato vai para o chão.

- Estamos atrasadas!

************

NARRAÇÃO RENATO

Meu mamute/dragão passa por cima de mim, quase pisando em minhas bolas. Ela realmente não possui qualquer delicadeza ou sutileza e amo isso nela.

- Alice vai perder a escola. Temos cinco minutos para sair de casa.

Corre para todo lado e para lado nenhum ao mesmo tempo, enquanto me levanto do chão. Vai para a porta e a abre.

- Nós vamos perder a hora. Acorda a Alice pra mim enquanto me troco.

Fala quase gritando e entra no banheiro. Se Alice não acordou com essa correria e gritaria da Janaína, deve estar em coma. Vou para o quarto da minha pequena e não encontro Alice em lugar nenhum. Vou para a porta do banheiro.

- Alice não está no quarto dela.

- Embaixo da cama!

- Não está!

- Vê se está comendo na cozinha.

Ando em direção a cozinha e tudo está silencioso demais. A pintinha está aprontando. Entro na cozinha e escuto sussurros, mas não identifico de onde vem. Vou andando e fica mais perto a voz dela. Paro em frente a porta do armário.

- Paolaaaa eles estão perto. Muito perto! Se eu sumir é porque o Batman foi pego.

Quem é Paola? Por que está dentro do armário?

- Coco mole te ajuda a ganhar amor. Lembra disso Paola.

Coco mole? O que essa menina está inventando agora? Abro a porta do armário e vejo um pequeno serzinho descabelado, segurando o celular da Janaína.

- Alice, o que faz no armário?

- Adeus Paola!

Diz com voz de quem vai morrer e me seguro para não rir. Ela tem um olho em mim, outro no celular e aperta o botão.

- Adeus Batman!

É a voz de um homem. Parece muito com a voz do meu irmão Diego.

- Com quem estava falando?

Tento pegar o telefone, mas ela é rápida e o enfia embaixo do bracinho.

- Com meu amigo!

- Sua mãedinda sabe que fala escondida com ele no celular dela?

Seus olhinhos viram olhos enormes.

- Imagino que saiba, já que as mensagens ficam salvas. Deve ouvir tudo isso depois.

Digo para apavorá-la ainda mais. Não pode conversar com estranhos escondida assim.

- Ela escuta minhas conversas? Que coisa feia.

Não acredito que vai tentar mudar o problema todo pra cima da Janaína. Vai se sair de vitima. Essa garotinha tem que ser estudada.

- Tem como apagar as mensagens?

- Por que quer apagar?

Pergunto desconfiado. Alice talvez esteja em perigo falando com esse estranho ou até mesmo expondo o que não deve.

- Por que é algo meu e do Paola.

- Tem coisa ai, Dona Alice!

- Se me ensinar a apagar, te ensino a fazer a mãedinda ficar fofa e fazer o que você quiser.

Opa! Isso me interessa e muito. Amolecer mais o coração do meu lindo dragãozinho seria perfeito. Mas em primeiro lugar a segurança da pintinha.

- Antes de te ensinar, preciso ouvir o que diziam.

- Se ouvir, perde a chance de ter a mãedinda te amando e cuidando de você.

- Isso é chantagem!

- Isso é ser inteligente, tio Renato! E essa coisa de chalanchale não existe.

Deus! Como eu amo essa garota.

- Chantagem! Existe sim e você faz muito.

- Temos um acordo?

Respiro bem fundo e tenho um plano. Vou reenviar as mensagens pra mim, antes de apagar. Assim poderei saber o que conversava com o Paola que ela tanto fala.

- Certo!

Pego o celular e antes que perceba, seleciono tudo e mando pra mim. Mostro as mensagens ainda selecionadas e mostro o botão de apagar. Alice está atenta aprendendo. Depois que ouvir as mensagens e se achar algo estranho, vou avisar Janaína sobre essas conversas escondidas. Se esse Paola estiver fazendo algo de ruim a Alice, vou no inferno atrás dele se preciso for.

- Só me prometa que não vai fazer besteira com esse amigo.

Peço finalizando tudo no celular.

- Ele é chato e me mandou assistir documentário. A única coisa que pode acontecer sendo amiga dele é perder a visão vendo coisa chata na televisão. Ele não assiste novela como a gente.

- Agora me diz o que devo fazer com a mãedinda.

- Ainda está de pijama? Perdemos o dia de aula.

Janaína entra na cozinha brava e atrás de mim. Antes de me virar, vejo uma Alice arteira se transformar em uma Alice murcha e sofredora. Caramba! Ela aprendeu direitinho nas novelas.

- Mãedinda!

Fala manhosa e abaixa a cabeça. Praticamente se rasteja até Janaína e estou impressionado com sua atuação. Quero bater palmas e gritar bravo, mas espero para ver até onde vai esse show.

- Acho que não estou bem.

Leva a mão a testa, como a Soraia Azevedo faz, quando vai desmaiar.

- O que você sente meu amor?

Janaína abaixa e segura seu rostinho que parece despencar de novo.

- Eu não sei!

Isso foi voz de choro? Ando para ver se ela consegue fingir lágrimas também. Caramba! Ela consegue. Olho mais perto e seus olhos estão lacrimejando. Uma belíssima atuação.

- Vem comigo! Vamos para o seu quarto.

Janaína pega Alice no colo e segue para o quarto dela. Não posso perder nenhuma cena desse teatro que Alice montou. Será que é assim que ganho amor dela? Minha dragão coração mole coloca a artista mirim na cama e a cobre. Alisa seu rosto e parece muito preocupada. Alice suspira cansada e ando para o outro lado da cama com ela. Sento ao seu lado e tento fazer cara de doente junto.

- Que cara é essa, Renato?

- Não estou me sentindo bem, também.

Suspiro como Alice e puxo a coberta pra mim, ficando igual a pintinha doente de mentira.

- Não estava assim quando acordou!

- Estava estranho e agora piorou.

Tento forçar lágrimas nos olhos, mas não consigo. Como Alice consegue tão rápido?

- Será que foi a pizza de ontem?

- Pode ser...

Respondo junto com Alice.

- Vou pegar minhas coisas para examinar vocês.

Janaína sai da cama e do quarto.

- Tio Renato, não estraga meu momento.

Tenta me empurrar com sua bundinha da cama, mas não consegue.

- Você disse que me ensinaria a ganhar mais amor da sua mãedinda. Estou vendo se funciona, junto com você.

- Faz outro dia, hoje é minha vez de ganhar amor e não ir pra escola.

- Você já perdeu a hora. Vai ficar em casa e tenho que ficar também. Se estiver doente, Janaína não me manda embora.

- Não me atrapalha.

- E se não der certo essa cena de doença?

- Ai a gente vai para o dejeto.

- O que?

- Dejeto! Não acredito que não sabe o que é isso, tio Renato! Se fosse amigo do Paola aprenderia sobre dejetos.

Quero rir alto, mas me controlo, já que Janaína pode voltar a qualquer momento.

- Se não der certo a carinha, vamos para a operação dejeto. Vamos fazer coco pra mãedinda.

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