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AMANDO UM SHEIK

AMANDO UM SHEIK

Autor:: A.Fagundes
Gênero: Romance
O peito dele era musculoso, e sob a palma da mão ela sentia o coração dele bater, firme, seguro, e isso a acalmou mais do que qualquer outra coisa Quando o sheik Khalid Fehr resgata a inocente Olívia Morse das mãos dos inimigos de seu país, ele lhe garante a liberdade ...anunciando que estão noivos. Por Liv, Khalid pôs sua honra à prova. Agora, ele fará com que ela cumpra seus deveres ...como rainha e amante! Ela nunca estivera com um homem antes, não um homem assim. Saíra apenas com garotos e rapazes. Mas Khalid era forte, corajoso, cheio de convicção, e não tinha medo de fazer o que achava certo. Não temia arriscar tudo para salvar uma mulher. A língua dele deslizou pelo lábio dela, e ela se sentiu como ouro líquido nas mãos dele. Beijar Khalid era como beijar o sol. Ela podia sentir o deserto nas veias dele e o grande mundo silencioso de areias infinitas...

Capítulo 1 1

Amores meus, em primeiro lugar:

Muito obrigada pela sua presença aqui, saiba que você é mega importante para mim.

Agradeço de coração, por tudo. Deixo o meu agradecimento ao meu esposo pelo apoio, a você do outro lado da telinha e a minha capista Vic Designer.

Só um aviso Rapidão: Bom, esse livro, ele foi o meu primeiro Conto na época em que eu comecei a escrever, e foi um grande sucesso nas plataformas digitais.

A pedidos de alguns leitores, hoje eu trago uma Nova reescrita, não mudei nada, apenas acrescentei coisas que eu achei necessário, ao meu olhar com um pouco mais de experiência.

Espero que vocês gostem, comentem, nem que seja coisas negativas (hehehe)

Mas comentem e votem, porque você leitor(a) é mega importante pra mim!

Bjs da Angelinna:)

SINOPSE

O peito dele era musculoso, e sob a palma da mão ela sentia o coração dele bater, firme, seguro, e isso a acalmou mais do que qualquer outra coisa.

Quando o sheik Khalid Fehr resgata a inocente Olívia Morse das mãos dos inimigos de seu país, ele lhe garante a liberdade ...anunciando que estão noivos.

Por Liv, Khalid pôs sua honra à prova. Agora, ele fará com que ela cumpra seus deveres ...como rainha e amante!

Ela nunca estivera com um homem antes, não um homem assim. Saíra apenas com garotos e rapazes. Mas Khalid era forte, corajoso, cheio de convicção, e não tinha medo de fazer o que achava certo.

Não temia arriscar tudo para salvar uma mulher.

A língua dele deslizou pelo lábio dela, e ela se sentiu como ouro líquido nas mãos dele. Beijar Khalid era como beijar o sol. Ela podia sentir o deserto nas veias dele e o grande mundo silencioso de areias infinitas...

Capítulo 2 2

PRÓLOGO

O sheik Khalid Fehr leu a mensagem no quadro de avisos da Internet novamente.

Americana Perdida no Oriente Médio

Preciso de ajuda urgente. Minha irmã desapareceu há duas semanas sem deixar rastro.O nome dela é Olívia Morse. Tem 23 anos, 1,65m,48kg, é loura e tem olhos azuis. Ela tem sotaque sulista e é um pouco tímida. Se alguém a viu ou sabe onde está, por favor ligue ou mande um e-mail.

A família está desesperada.

Sentado em frente ao laptop em sua tenda, Khalid releu a última frase e sentiu o estômago embrulhar.

Sabia o que era ficar desesperado por causa de um familiar. Sabia como era ser o irmão mais velho em pânico pela irmã. Tivera duas irmãs mais novas, mas um dia elas se foram.

Ele olhou as mensagens na Internet e achou uma anterior postada pelo mesmo Jake Morse.

Americana desaparecida! Se você viu essa mulher, por favor, ligue ou mande um e-mail imediatamente.

Havia uma foto anexada. Khalid clicou no link e esperou que carregasse.

Demorou um pouco, afinal ele estava usando conexão por celular, e então Khalid viu uma foto em preto-e-branco que parecia de passaporte. Cabelos louros. Olhos claros. Pele branca, translúcida. Ela, com certeza, era bonita. Mas o que mais chamou sua atenção foi a expressão do rosto, um sorriso hesitante e um olhar tímido, curioso, esperançoso.

Esperançoso.

Sentiu um peso no peito e se reclinou na cadeira.

Sua irmã Aman olhava o mundo da mesma maneira. Ela era tão mais tímida que Jamila, a gêmea extrovertida. A delicadeza de Aman e seu discreto senso de humor sempre traziam à tona o melhor em Khalid e em qualquer um, e quando ela morreu, uma semana depois de Jamila, ele sentira o coração partir. Nunca mais fora o mesmo.

Ele franziu o cenho, passou a mão pelo maxilar e sentiu a barba por fazer arranhar a pele. Observou os olhos da desaparecida Olívia e tentou imaginar onde ela estava, em que circunstâncias. Será que estava doente, ferida, morta?

Teria sido seqüestrada? Assassinada? Violentada?

Ou teria desaparecido por vontade própria? Haveria alguém ou algo de que ela fugia?

Não era da sua conta, disse a si mesmo, levantando-se. Deixara a cidade e a civilização para trás para viver no deserto, longe da violência, do barulho e dos crimes. Escolhera a solidão porque odiava como a maioria das pessoas vivia. Mas e se fosse sua irmã?

E se Aman ou Jamila tivesse desaparecido?

Jamais aconteceria, ele lembrou bruscamente. Elas eram princesas, e seguranças as seguiam por toda parte.

Ele não conhecia esse Jake, não sabia nada sobre ele, mas ainda conseguia ver as palavras que ele escrevera, ainda conseguia ouvir o pedido de ajuda em sua cabeça.

Khalid olhou de novo para a foto. Olívia Morse, 23 anos, l,65m, 48kg.

Ele abriu a tenda subitamente e chamou um de seus homens.

Ele morava no meio do grande deserto de Sarq e era um sheik nômade, mas ainda era da realeza, um Fehr, abençoado com poder, riqueza e contatos infinitos. Se alguém podia localizar a americana, era ele.

Capítulo 3 3

CAPÍTULO UM

Ele a encontrara.

Fora preciso três semanas, uma pequena fortuna, dois detetives particulares, a ajuda do secretário de Estado de Sarq, apertos de mão secretos, negociações e promessas, assim como algumas ameaças, mas pelo menos ele a veria.

O sheik Khalid Fehr abaixou a cabeça para entrar pela porta da prisão de Ozr. Ele foi levado pela ala masculina até o lado feminino da prisão. O cheiro podre dos banheiros e das pessoas era tão forte que o estômago dele protestou.

Na entrada da ala feminina ele foi entregue aos cuidados de uma mulher, que examinou a papelada.

A guarda, coberta dos pés à cabeça por uma túnica preta, demorou lendo os papéis e Khalid reprimiu a impaciência. Ozr tinha reputação de ser uma das piores prisões do mundo, notória pelo desrespeito aos direitos humanos. Mas, finalmente, a guarda olhou para ele, assentiu e mandou que a seguisse.

Ele a acompanhou por corredores de teto baixo, cada vez mais escondidos na velha fortaleza que fora transformada na prisão de Ozr há meio século.

Enquanto andavam pelos corredores, mãos se esticavam, e vozes em árabe, egípcio, farsi e até em inglês imploravam por ajuda, misericórdia, médicos, advogados, qualquer um, qualquer coisa. Ozr era o último lugar do planeta em que alguém gostaria de estar. Só Deus sabia como seria para uma mulher, pois depois de passar pelos portões descobria-se que, após entrar, não se saía jamais.

Um amigo de escola de Khalid arrumara problemas em Jabal, e depois de preso em Ozr jamais ouviram falar dele novamente. O pai de Khalid, rei de Sarq, investigara e depois suplicara em nome do amigo do filho, mas nada acontecera.

Jabal, que fazia fronteira com quatro países incluindo o Egito e Sarq, ainda era um perigoso país ditatorial. Avisos para viajantes internacionais eram constantemente emitidos, mas obviamente Olívia Morse os ignorara.

A guarda parou em frente a uma cela com uma mulher sentada em um catre, com as pernas puxadas contra o peito e mechas de cabelos louros visíveis sob o véu negro.

Olívia.

Khalid sentiu o peito apertar, uma reação visceral ao vê-la pela primeira vez.

Na foto do passaporte ela estava bonita, jovem e tinha uma luz de esperança nos olhos azuis. Mas a jovem na cela não se parecia mais com a foto. Ela parecia vazia, até mesmo um pouco morta.

- Olívia Morse - ele chamou, indo em direção à grade.

A cabeça se levantou um pouco, mas ela não o olhou.

- Você é a srta. Olívia Morse, não é? - ele insistiu, falando baixo.

Liv continuava no catre, abraçando as pernas, tentando parecer insignificante.

Talvez ela não estivesse realmente lá, e talvez não houvesse outro homem mau exigindo informações, ameaçando interrogá-la, o que sempre terminava com agressões.

Será que não entendiam que ela não tinha respostas? Não entendiam que estava tão confusa quanto eles? Ela fora enganada e destruída.

Liv fechou os olhos, abaixou a cabeça e pressionou a testa contra os joelhos. Talvez, se ficasse de olhos fechados, desapareceria. Sumiria. Acordaria no Alabama.

Sentia tanta falta de casa! Sentia falta de Jake e da mãe!

Jamais devia ter sonhado com pirâmides e dunas, não devia ter desejado andar de camelo nem explorar tumbas.

Devia ter ficado feliz em casa. Devia ter ficado feliz em ser agente de viagens, organizando férias exóticas para outras pessoas.

- Olívia.

O homem falou o nome dela baixinho, com insistência, e o medo cresceu nela, medo de que algo de ruim fosse acontecer novamente.

Ela virou a cabeça e falou, hesitante, em árabe, que aprendera para se proteger de golpes durante os interrogatórios sem fim.

- Não sei quem ela era...

- Falaremos das acusações depois - ele a interrompeu, num inglês perfeito, sem um traço de sotaque. ― Precisamos esclarecer algumas coisas antes.

Liv tremeu. O fato dele falar inglês só a fez ter mais medo. E medo e cansaço eram as únicas coisas que ela entendia.

- Se eu soubesse quem ela era, contaria. Quero ir para casa... - Ela parou e respirou rapidamente, exausta com os interrogatórios. Os guardas vinham buscá-la no meio de noite, ou a deixavam sem comer, tentando enfraquecê-la, tentando obter a informação que queriam. - Quero ajudar. Acredite.

― Acredito - ele disse gentilmente, e o tom dele, tão diferente dos outros, chamou-lhe a atenção.

Lágrimas encheram-lhe os olhos, tão quentes que ardiam como se estivessem cheias de sal e areia.

Ela levantou a mão e secou os olhos.

- Quero ir para casa - ela sussurrou com voz trêmula.

- Quero vê-la voltar para casa.

Ninguém dissera isso desde que chegara. Ninguém dera a ela a menor esperança de que sairia daquele lugar horrível.

Liv virou a cabeça lentamente e olhou para ele. O corredor era escuro e cheio de sombras, mas elas não ocultavam a altura nem o tamanho dele. Não era pequeno, nem gordo, e não se parecia com os que a interrogaram. Era bem mais jovem também.

Ele usava uma túnica preta bordada em dourado. A cobertura da cabeça era branca, impecável. O tecido escondia o cabelo dele, o que só acentuava os traços duros e fortes.

- Vim tirá-la daqui - ele prosseguiu -, mas não temos muito tempo.

Dividida entre esperança e medo, Liv pressionou as pernas contra o peito e sentiu a túnica arranhá-la. Suas roupas tinham sido confiscadas junto com o resto de suas coisas quando fora presa. Em vez de saia, jeans e camiseta, recebera a túnica e uma peça íntima de Unho áspero, pouco maior que uma tanga.

- Quem o enviou?

A expressão do homem não era simpática nem encorajadora.

- Seu irmão.

― Jake!

- Ele me pediu para ver se você estava bem. Ela levantou-se e se apoiou na parede.

- Jake sabe que estou aqui?

- Sabe que estou procurando por você.

Liv expirou rapidamente com os dedos pressionados contra a úmida parede de pedra.

- Disseram que eu jamais sairia daqui. Disseram que eu nunca sairia até confessar e dar o nome dos outros.

- Não sabiam que você tinha contatos com gente poderosa - ele respondeu.

Liv piscou, confusa.

- Tenho?

― Agora, sim.

Ela foi até a frente da cela e segurou na grade.

- Como? Por quê?

- Sou o sheik Khalid Fehr, e represento a família real de Sarq.

- Sarq faz fronteira com Jabal - ela disse.

- E com o Egito. Será um feito diplomático tirá-la daqui, e o tempo é curto. Preciso concluir a papelada, mas voltarei...

- Não! - Liv não pretendia gritar, mas o pânico atacou-lhe os ossos, fazendo o sangue parecer gelo. - Por favor. Não me deixe aqui.

- É só por alguns minutos, meia hora talvez...

- Não - ela implorou, e passou a mão entre a grade para segurar a manga da túnica dele. - Não me deixe.

Por um longo momento ele não disse nada, apenas olhou para a mão dela. Os cílios longos contrastavam com as maçãs do rosto dele, e a pele tinha cor de ouro polido.

- Não vão libertá-la se eu não concluir a papelada necessária.

Os dedos dela apertaram ainda mais a túnica.

- Não vá.

- Voltarei, prometo.

- Tenho medo - ela sussurrou. - Dos guardas. Do escuro. Do que acontece quando prisioneiros desaparecem. - Ela olhou nos olhos dele, desesperada, suplicante. - Às vezes eles não voltam. E eu ouço gritos terríveis.

- Só vou até o fim do corredor. Volto logo.

- Não deixarão você voltar. Sei como são as coisas aqui. O embaixador americano veio uma vez e não voltou.

- Não há embaixador americano em Jabal - ele respondeu. - Foi um artifício para tentar fazê-la falar.

Ela apertou ainda mais a túnica.

- Você é um artifício também?

A boca dele se curvou. Ele ficou em silêncio por algum tempo, e quando falou, a voz saiu mais baixa e profunda.

- Depende de sua definição de artifício.

Ela sentiu um arrepio gelado. Liv levantou a cabeça e olhou para ele como se tentasse enxergar a verdade.

- Não sei mais em que acreditar.

- Saiba que eu voltarei. Assim que puder.

- Não me esqueça - ela sussurrou.

- Não esquecerei, e voltarei antes do que você pensa.

Ela não conseguia desviar o olhar, pois queria se assegurar de que ele não estava fazendo promessas que não pretendia cumprir. Já fora enganada antes. Começava a achar que jamais sairia de Ozr, jamais voltaria a ver a família.

- E se me levarem antes?

- Não levarão.

- Há outras entradas e vários aposentos. Podem me levar...

- Não levarão.

- Como sabe?

Ele olhou para a mão dela, que ainda segurava-lhe a manga.

- Seriam tolos se fizessem isso comigo aqui. Sabem que já vi você e que conversamos.

Ela assentiu, sentindo-se gelada. Ouviu o que ele disse, mas não se sentiu confortada. Estava lá há muito tempo, vira coisas demais. Os guardas faziam o que queriam, quando queriam, sem medo de represálias.

Ele se soltou e sumiu no corredor escuro, e tudo que ela pensava enquanto ele se afastava era Volte. Por favor.

Apesar de a espera parecer eterna, o sheik voltara, e, com ele, dois funcionários da prisão.

Ela não soube o que pensar quando um deles destrancou a porta e a chamou. Mas depois que a porta estava aberta não hesitou e foi rapidamente em direção ao sheik Fehr, confiando nele cegamente. Que escolha tinha? Não podia ficar ali. Qualquer coisa seria melhor que Ozr.

Liv seguiu o sheik Fehr de perto pelos túneis estreitos até a luz do sol. Estava muito quente e claro lá fora. A força da luz a fez cambalear, e as pernas perderam as forças.

O sheik Fehr percebeu e a segurou antes que caísse nos degraus de pedra.

Liv, instintivamente, esticara o braço para se apoiar e sua mão tocou o peito do sheik Fehr, uma parede densa de músculos.

- Oh! - ela exclamou, mexendo os dedos, mas não conseguiu mover a mão, presa entre o largo peito dele e seu próprio corpo.

- Torceu o tornozelo? - ele perguntou, com uma voz tão profunda e rouca que a fez pensar nas pirâmides e seus tesouros escondidos.

Ela negou com a cabeça e tentou se libertar, pois precisava ficar em pé sozinha novamente e longe deste homem sombrio e silencioso que lhe transmitia respeito e medo.

- O sol está tão forte... - ela respondeu, insegura. Ele a colocou de pé, mas manteve uma das mãos

nas costas dela. Com a outra, ele tirou os óculos de sol e os colocou nela, cuidadoso.

- Você não sai ao ar livre há algum tempo.

Foi uma afirmação, não uma pergunta. Liv não sabia se era culpa da repentina e estranha proximidade com aquele homem intimidante ou a intensidade do sol, mas se sentiu fraca novamente, com as pernas bambas.

Ao inclinar a cabeça, os óculos, grandes demais para ela, escorregaram até a ponta do nariz.

- Melhor pegar de volta - ela disse, tirando-os. - São grandes demais para mim.

Mas o sheik Fehr não pegou os óculos. Ele os colocou de volta no rosto dela com firmeza.

- Podem ser grandes, mas ajudarão seus olhos a se adaptarem - ele disse friamente, e seu tom não aceitava discussão. Logo, uma fila de carros pretos se moveu na direção deles.

Um grupo de homens saiu de um dos carros e Liv se encolheu para perto do sheik Fehr, tão próxima dele que sentiu sua estrutura sólida e o calor emanando do seu corpo.

Ele estendeu um braço protetor, mantendo-a ao seu lado.

― Não tenha medo. São meus homens e vieram para garantir que chegaremos ao aeroporto em segurança.

Ela assentiu, mas o medo e a preocupação não sumiram, e não iriam desaparecer até que estivesse em casa com Jake e com a mãe. Muitas coisas aqui eram estranhas, nada familiares. Ela quisera conhecer coisas não familiares, e por isso viajara para o Oriente Médio, mas não esperara problemas, perigo, nada assim.

Ela escolhera Egito e Marrocos porque pareciam únicos e pitorescos nos folhetos de viagem. Olhara incansavelmente os folhetos, observando fotos das pirâmides no sol vespertino, dos camelos contra o sol poente do deserto e de tesouros e artefatos em exibição no Museu Egípcio, no Cairo.

Ela lera e relera os itinerários dos cruzeiros pelo Nilo, imaginando parar em cada porto e ver um templo diferente por dia. Compraria tapetes nas feiras, comeria espetos de carne e faria a maior aventura de sua vida.

Ela nunca considerara seriamente a possibilidade de se encrencar. Na verdade, jamais se encrencara na vida. Liv sempre fora uma boa menina, que obedecia as regras e fazia o que mandavam.

Um dos guardas do sheik Fehr abriu a porta de um carro de vidros escuros, e Liv se virou para o sheik, procurando os traços duros e sem expressão. Estava colocando a vida nas mãos dele e nem o conhecia.

- Posso confiar em você? - perguntou baixinho.

- Talvez eu devesse fazer esta pergunta. Coloquei meu nome e minha reputação em risco por você. Posso confiar em você, Olívia Morse?

Algo no olhar escuro e velado dele a fez se arrepiar. Teve a sensação distinta de que estava lidando com um tipo de homem completamente diferente dos que já conhecera. O problema era que sua experiência com homens era limitada, e aquele mais próximo dela, seu irmão Jake, era mais simples que a maioria.

O sheik Fehr, por outro lado, parecia ser bem mais complicado.

- Claro que pode confiar em mim - ela respondeu com voz rouca, tentando ignorar o embrulho no estômago.

- Então vamos. - Ele gesticulou para a porta aberta. - Você não está segura aqui, e não estará até chegar ao meu país.

Dentro do carro, Liv abaixou a cabeça e prendeu o cabelo louro sujo atrás das orelhas. Ela estava imunda, e tinha certeza de que cheirava muito mal. Desejava um banho mais do que em qualquer outra ocasião na vida.

- Desculpe - ela disse, percebendo que o sheik a observava enquanto o carro seguia pela paisagem desolada. - Sei que preciso urgentemente de um banho... -A voz dela soava lastimosa.

- Estava pensando que seu irmão ficará muito feliz quando você ligar para ele mais tarde.

- É - Liv concordou, sentindo os olhos arderem pela emoção intensa que a acometeu. - Estava começando a perder as esperanças de sair de lá.

- Você tem sorte. A maioria não tem.

- Por que não?

- Não têm poder.

- Eu não tinha poder - ela disse com voz suave.

- Não. Mas eu sim.

- Já fez isso antes? Ajudou pessoas como eu? - Já.

Ela abriu a boca para perguntar mais, para descobrir quem ele era e por que arriscaria a própria segurança para ajudar outras pessoas, mas ele virou a cabeça para olhar pela janela e a expressão dele desencorajava mais conversa.

Quase tudo nele desestimulava conversa. Era moreno, grande e forte, e ela o achava incrivelmente intimidante.

O sheik Fehr parecera uma torre a seu lado quando esperavam o carro, e ela achava que ele tinha pelo menos l,80m. Tinha ombros largos e corpo atlético. A pele era bronzeada e sua expressão forte e rude lembravam sol, vento e areias escaldantes.

- Estamos chegando em Hafel, capital de Jabal - o sheik Fehr falou. - Viu a cidade antes de ser presa?

Liv negou com a cabeça e abaixou o olhar para os pulsos que ainda apresentavam marcas dos hematomas. Tinha mais marcas nos braços, mas a túnica os cobria.

- Não cheguei a Hafel.

- Onde foi presa?

- Na estrada principal, entre a fronteira e Hafel. Em um momento eu estava no ônibus, no outro, a caminho de Ozr.

O sheik não respondeu e Liv olhou para ele.

- Vamos parar em Hafel?

- Não - Khalid respondeu. ― A cidade ostentava edifícios modernos de escritórios que se erguiam entre ruínas romanas. Apesar de ser uma cidade fascinante, da qual o mundo ocidental nada sabe.

- Já passou muito tempo aqui?

- Há muito tempo.

- O que mudou?

- Tudo. - Ele hesitou. - Quando eu era garoto, meu pai era amigo do rei de Jabal. Mas ele foi deposto há vinte anos e o país é governado por alguém bem diferente agora. É a primeira vez que venho em quatro anos, e até ontem à noite não tinha certeza se me deixariam entrar.

- Por que não?

- Tiro pessoas da prisão e as levo a lugares mais seguros. O governo não gosta disso. - Ele deu de ombros. - Não gostam de mim.

O estômago de Liv se revirou.

- Por que deixaram você entrar?

Ele olhou pela janela e depois para ela.

- Paguei vários funcionários importantes do governo.

Ela respirou rapidamente e sentiu o estômago se contrair, imaginando se voltaria a se sentir segura.

- Você os subornou?

- Não tive escolha. - Ele a olhou com amargura. - Era isso ou permitir que você fosse levada ao juiz de Ozr daqui a dois dias. Acredite, você não teria sobrevivido à sentença.

Liv mordeu o lábio e olhou pela janela. Estavam se aproximando do centro, que era mais apertado que os bairros modernos. Saía fumaça das barracas de comida nas esquinas.

- Teria sido cruel - ela disse.

- Teria sido mortal - ele concordou.

- Eu só queria viver uma aventura - ela disse baixinho. - Nunca imaginei esse pesadelo.

O motorista foi freando até parar. O celular do sheik tocou e ele atendeu, de olho na fila de carros de polícia em frente.

- O pesadelo - ele disse, repetindo as palavras dela enquanto desligava o telefone - ainda não acabou.

Liv se inclinou para olhar. .

- O que está acontecendo?

- Seremos interrogados - ele respondeu brevemente, crispando o rosto. Virou a cabeça e olhou para ela, inspecionando-a cuidadosamente e de forma crítica.

- Puxe o lenço para a frente - ele instruiu. - Esconda todo o seu cabelo e enrole o tecido sobre a boca e o nariz de forma a esconder o máximo do seu rosto. - Ele deu os óculos de sol para ela. - Use-os. Não os tire a não ser que eu mande. - Ele abriu a porta e saiu, batendo-a em seguida.

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