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AMOR DE CARNAVAL

AMOR DE CARNAVAL

Autor:: Edina Fagnani
Gênero: Romance
Dizem que amor de carnaval não dura, mas Martina é a prova viva de que dura sim! Mais do que deveria! E que dói e deixa cicatrizes difíceis de sarar. Cada vez que ela olha para os olhos azuis de seu filho percebe que é um amor pra vida toda... Martina muda com a família para a Bahia, onde conhece Alex e se apaixona perdidamente, porém, seu pai muito antiquado, não permite o namoro. Mas por um deslize, Martina fica grávida aos dezesseis anos e acaba sendo expulsa de casa. Com o pouco dinheiro que tem, entra em um ônibus e vai até onde seu dinheiro alcança, para começar uma nova vida em uma cidade desconhecida. Mas não tem muito êxito procurando trabalho e acaba em um cabaré, comandado por uma senhora sem escrúpulos e perversa. E agora, o que será do futuro da nossa mocinha e de seu bebê?

Capítulo 1 OS OLHOS MAIS AZUIS

Amanhecia quando chegamos na casa do meu avô. Eu estava exausta mas vibrava com a ideia de morar na Bahia. Sonhei com isso a vida toda, talvez por saber que tinha um avô baiano, talvez por querer fugir do frio do Sul... Talvez as duas coisas... Mas o que importava agora é que meu sonho estava se realizando.

Andamos de ônibus por quatro dias. O calor era insuportável e as pessoas barulhentas e mal educadas, mas para mim tudo estava maravilhoso. Minha mãe reclamando da dor nas costas, meu pai sem dinheiro, nada me afetava.

Eu estava fugindo da vida miserável que levávamos no sul, meu pai Antônio havia ido em busca de uma vida melhor,mas o que encontrou foram portas fechadas por causa do pouco estudo. Foi ficando na esperança de melhorar, mas só trabalhou para sobreviver e acabou se acostumando com as dificuldades, para ele era normal passar frio, até mesmo fome.

Conheceu minha mãe Marta quando ela tinha dezessete anos e foi amor à primeira vista, casaram-se e no ano seguinte eu nasci. Trabalhavam como loucos para pagar as contas e dez anos depois meu irmão Erich veio ao mundo. O menino era doente, vivia gripado e minha mãe teve que parar de trabalhar.

Vivemos mais seis anos lá, lutando na esperança de que ia melhorar, mas para minha alegria eles decidiram vir pra Bahia, foi decidido que íamos morar com meu avô para cuidar dele na velhice e então juntamos nossa "trouxa" e pegamos a estrada.

Nem preciso dizer o tamanho da minha alegria! Eu com dezesseis anos via meu maior sonho ser realizado! Não que eu não fosse sentir saudades do Sul, mas não tinha muitos amigos por lá, e não levava lembranças muito boas do passado difícil que tivemos.

A cidade estava preparada para o início do carnaval na semana seguinte e mesmo com a pouca luz do amanhecer tudo era muito colorido e alegre. Tudo estaria perfeito se não fosse minha mãe chorando por ter deixado sua família no Rio Grande do Sul.

_Mãe, vai ter festa aqui? -Erich também estava deslumbrado.

_É o carnaval meu amor! Aqui a festa é muito grande, você vai adorar! -Recebi um olhar agradecido da minha mãe por responder, ela estava sem ânimo para conversar e meu irmãozinho falava pelos cotovelos.

A casa do meu avô Orestes era antiga e enorme, ficamos muito bem acomodados, eu e o Erich tínhamos um quarto para cada um, para nós era um luxo já que a nossa antiga casa era minúscula e eu dividia o quarto com ele desde que fez dois anos de idade.

Nosso avô era muito engraçado e nos queria muito bem, dizia o tempo todo que a gente era a única família que ele tinha e lamentava o tempo que tinha perdido sem nos conhecer. Eu estava em êxtase, nem sabia o que falar, só sorria. Tentei inúmeras vezes animar minha mãe que agora chorava copiosamente.

_Mãe, calma! Tudo vai ficar bem, eu tenho certeza, aqui a vida vai ser diferente, o pai até já tem um emprego!

_Eu sei minha filha, mas é muito triste estar longe das pessoas com quem convivi a vida toda! E seu pai, você sabe que não me dá muita atenção!

_Eu vou estar sempre com você pra te ajudar, mãe!

_Eu também mãe! -Erich entrou na sala e nos abraçamos, choramos juntos por alguns minutos até que meu pai entrou para acabar com o momento de tristeza.

_Ora vamos pessoal! Vocês deviam estar felizes! Ânimo minha gente! Prometo que tudo vai ser melhor! -Saímos da sala e quando passei por meu pai pedi para que ele desse um pouco de carinho para mamãe.

Ele abraçou ela e ficaram em silêncio enquanto ela chorava baixinho.

O tempo todo passavam carros e carroças e pessoas carregadas de fantasias e adereços coloridos, todos se apressando para deixar tudo pronto para o começo das comemorações carnavalescas.

Erich e eu ficamos na calçada olhando tudo boquiabertos, as pessoas passavam sorrindo e cantando, algumas nos cumprimentavam, outras apenas nos olhavam e quando viam nossos rostos encantados sorriam.

Um homem vinha carregando uma grande caixa com o que parecia ser uma fantasia, a poucos metros de nós deixou cair tudo no chão e uma máscara dourada veio parar nos meus pés, ainda não sei o por quê, mas juntei e coloquei em meu rosto, o rapaz ficou me olhando parado na calçada, e foi então que eu prestei atenção nele.

Era loiro, tinha a barba espessa por fazer e uns olhos azuis que me deixaram perdida. Nossa! Ele nem era assim tão lindo, mas tinha algo nele que me fez sentir vontade de tocá-lo, ver se sua barba era macia, sei lá.

Ficamos não sei por quanto tempo parados assim, até que meu irmãozinho nos tirou do transe.

_Martina você ficou bonita! Devia pedir pro moço dar essa máscara pra você!

Só então eu percebi que continuava com a máscara no rosto, devo ter ficado roxa de vergonha, tirei-a e fui entregar para o senhor "lindo de morrer".

_Desculpe, você deixou cair...eu nunca tinha visto uma fantasia de carnaval e...

_Não precisa se desculpar! Você ficou linda com ela, e o menino tem razão, você devia ficar com ela, o dourado combina com a sua pele morena.

Sorri e fiquei mais vermelha ainda, eu tinha esse problema, corava por qualquer coisa.

_Não dê ouvidos ao Erich, meu irmãozinho fala tudo o que lhe vem à cabeça.

_Esse sotaque...Você não é daqui, né?

_Não, acabamos de chegar do Rio Grande do Sul, viemos morar com meu avô. -Apontei para a grande casa toda descascada.

_Nossa! Que honra conhecer uma gaúcha linda como essa! -Ai meu Deus ele estava chegando perto._Sou Alex.

Apertei sua mão e larguei logo, morrendo de vergonha.

_Eu sou Martina e esse é meu irmão Erich.

_Lindo nome Martina, combina com seus lindos olhos.

De novo fiquei vermelha como um tomate, que droga isso tinha que parar!

_Obrigada, minha mãe se chama Marta e quis que meu nome fosse parecido com o dela.

Ele ficou me olhando em silêncio, aquilo era muito constrangedor, mas Erich quebrou o gelo.

_Moço a gente pode ir com você para ver os preparativos?

_Você ficou maluco? O pai nos mataria, nem pense nisso!

_Uma pena, porque eu os levaria com o maior prazer! Mas eu passo aqui todos os dias, se mudarem de idéia é só me acompanhar!

Piscou para mim e foi descendo a ladeira e eu fiquei lá de boca aberta, nunca tinha me sentido assim. Então percebi que tinha ficado com a máscara, assim que ele aparecesse de novo eu a devolveria.

Ajudamos meu pai pelo resto do dia e eu não vi mais aquele homem, mas não parei de pensar nele, eu sabia que era nova demais para essas coisas, mas não conseguia esquecer.

Acordei bem cedo no dia seguinte, era meu primeiro dia na escola nova, gostei muito e fiz uma amiga logo de cara. O nome dela era Ana e ela morava perto da casa do meu avô.

À tarde levei Erich muito amedrontado para seu primeiro dia de aula, fiquei por perto até ele se enturmar, não demorou muito e dois meninos chamaram ele para jogar bola. Ele me olhou com seus olhos enormes e eu dei um beijo no seu rosto e soltei sua mãozinha, meu coração estava apertado mas ele precisava daquilo.

_Vai meu anjo, vai dar tudo certo, prometo. E antes que você perceba já estará cheio de amigos!

E então ele foi, em alguns minutos me olhou sorrindo e me senti aliviada. Fui para casa encontrar com Ana, a gente tinha combinado que ela iria me passar a matéria que eu havia perdido.

Estudamos durante toda a tarde, Ana era um amor e eu me sentia muito bem com ela, soube que seu pai era alcoólatra e ela vivia com a avó por que sua mãe a havia abandonado quando era bebê.

Estávamos no portão conversando quando Alex passou e parou para nos cumprimentar.

_Olá Ana! Oi Martina!

Então eles se conheciam! Ana ia ter que me dar muitas informações...

_Oi Alex, não vou apresentá-los por que vi que já se conheceram.

_Eu tive o prazer de conhecer a Martina ontem, mas não tive tempo de conversar com ela o quanto eu gostaria.

Pronto, eu já estava roxa de novo. Merda! Foi então que me lembrei da máscara e fui buscá-la.

_Desculpe por não ter entregue ontem, não sei o que deu em mim.

_Uma pena você não querer usá-la, fica ainda mais linda, eu gostaria de ver você com uma fantasia sambando um dia desses.

Ai, ele me deixava muito sem jeito, eu não sabia como agir, nunca tinha tido um namorado, nem mesmo tinha sido beijada e tinha vergonha de contar isso. Ele ficava falando essas coisas, eu corava o tempo todo.

Despediu-se e desceu a ladeira e eu fiquei como uma boba olhando.

_Nossa você já está caidinha por ele!

_Para com isso! É claro que não! Além do mais ele deve ser bem mais velho que eu.

_Nem é tão mais velho não, ele tem vinte e dois anos, mas já te aviso que é um galinha, já ficou com todas as meninas do bairro e elas vivem brigando por causa dele.

Ok, ele era lindo mas eu não pretendia me envolver com um galinha.

_Ele mora por aqui?

_Sim, lá no fim da ladeira, ele tem uma irmã chamada Janaína.

_Você e ele já...

_Sim, ficamos uma vez numa festa, mas foi só naquela noite, eu não quis ir pra cama com ele e ele não quis mais nada comigo.

Ah, então as coisas funcionavam assim? Para namorar precisava ir pra cama? Fiz essa pergunta pra Ana e ela surtou.

_Não Martina! Pelo amor! Você não deve se sujeitar a isso, homens que se impõe dessa forma não prestam! Nossa falando assim até parece que você nunca ficou com ninguém!

_Ana...eu nunca fiquei com ninguém mesmo...-Droga eu tinha falado!

_Você quer dizer que é virgem?

_Não... Sim... Bom, eu nem beijei ninguém até hoje.

Eu estava tão vermelha que sentia meu rosto quente.

_Ai. Meu. Deus! Martina nós temos que dar um jeito nisso! E procure não contar pra mais ninguém! -Ela estava chocada, será que era tão ruim assim?

_É que meu pai não me deixa sair muito e é muito rígido comigo. ele disse que só vou namorar depois dos dezessete anos...

_E quem está falando em namoro? -Ela me cortou. _E seu pai nem precisa saber!

Depois que a Ana foi para casa fiquei pensando no que devia fazer e cheguei a conclusão que tinha que dar um jeito na situação, e logo!

Ele era seis anos mais velho, não era tanta diferença mesmo, mas será que ele ia querer algo comigo? E se quisesse ia ser só uma vez como era com as outras? Minha falta de experiência não me ajudava nesse momento e eu não podia falar com meus pais sobre isso, minha mãe estava muito triste e eu não queria encher a cabeça dela com essas coisas meu pai me mataria sem pensar duas vezes!

Iria ter que me virar sozinha mesmo, e tinha que ser rápido!

Eu nunca mentia para elas

Alex

Acordei tarde e novamente não sabia onde estava, demorei para lembrar da pequena que havia dormido comigo essa noite. Não conseguia lembrar seu nome, mas a noite havia sido ótima, até mesmo guardaria o telefone dela para outra ocasião em que não aparecesse ninguém para dormir comigo.

O que era muito difícil, pois sempre tinham meninas praticamente brigando para ficar comigo. Não que eu seja convencido, até sei da minha fama de galinha, mas o fato é que é muito fácil para mim conseguir a mulher que eu quiser.

Rolei da cama em silêncio tentando não acordá-la. Seria mais fácil se ela estivesse dormindo e não ficasse me enchendo para saber se eu ia ligar ou não. Mas ela acordou toda dengosa. Merda!

_Já vai? -Falou com voz melosa.

_Tenho que ir para o galpão levar umas fantasias, estou atrasado.

_Hum... Que pena! Vai me ligar?

Eu sabia!

_Não sei, talvez num dia desses que esteja sem nada para fazer...

Achei que ela ia me expulsar como algumas faziam, mas ela apenas sorriu.

_Tá! Vou esperar. Você não vai me dar seu telefone?

Dei uma gargalhada.

_É claro que não, nunca dou meu telefone para estranhos.

_Mas nós dormimos juntos, não somos mais estranhos!

_Desculpe, mas eu sou assim, se vc quiser que eu ainda te procure, não me pressione.

Eu nunca mentia para elas, e parece que elas gostavam de ser tratadas assim.

Dei-lhe um último beijo e sai. Tinha que estar no galpão bem cedo e tinha perdido a hora, agora ia ter que aguentar Seu Clóvis, meu patrão, enchendo meu saco.

As fantasias tinham que estar prontas em uma semana, eu precisava me apressar, mas sempre aparecia uma mulher e eu acabava esquecendo das obrigações.

Estava descendo a ladeira quando a caixa caiu e espalhou tudo, eu ia praguejar mas foi aí que vi a coisinha mais linda do mundo bem na minha frente.

Ela era linda, morena, cabelos castanhos compridos e uns olhos pretos que me fizeram perder a linha. Devia ser nova, em torno de uns 17 anos, mas nunca me importei com a idade.

Fiquei lá parado como um idiota olhando enquanto ela juntava a máscara que foi parar nos seus pés. tinha uma criança com ela, pareciam ser irmãos.

Foi o menino que falou e me fez acordar, me apresentei e joguei um charme, ela ficou muito vermelha! Céus de onde vinha essa garota? Com certeza era nova aqui porque eu nunca tinha ficado com ela.

Depois de um pouco de conversa soube que era gaúcha, eu tinha ouvido falar que as gaúchas eram quentes na cama! Teria que provar uma para saber!

Mas isso logo aconteceria, antes que eu piscasse ela estaria na minha cama, disso eu tinha certeza.

No dia seguinte passei em frente à casa e ela estava falando com a Ana, não lembrava direito, mas provavelmente eu já tinha ido para a cama com ela também. Fui falar com elas e aproveitei para me aproximar mais da garota, Martina o nome dela, acho que pelo fato de ela ficar corando e ser tão tímida percebi que tinha que ir mais devagar com ela.

Ela devolveu a máscara que eu tinha deixado com ela no dia anterior, não me olhava quando falava comigo, caramba! Pelo jeito ela era bem inexperiente, ou estava fazendo tipo para chamar minha atenção.

Eu ia passar mais vezes em frente à casa, mas não hoje, pois tinha um encontro com a Laura, desta vez estava abrindo uma exceção, ia sair com ela pela segunda vez, mas só por que era uma das mulatas mais bonitas do bairro, só tinha que tomar cuidado para não dar falsas esperanças a ela.

Essas meninas tinham mania de achar que se eu saísse duas vezes com elas estava namorando, e isso era a última coisa que eu queria, minha vida estava boa demais assim!

As vezes eu sentia falta de me abrir com alguém, mas dai procurava minha irmã Janaína e tínhamos longas conversas sobre a maneira como levava minha vida.

Jana achava errado o que eu fazia com as mulheres, porque ela estava sofrendo muito por causa de um filho da mãe que a traiu. Mas elas aceitavam as coisas como eram, então a culpa não era só minha.

Jana era muito sentimental, era linda, uma loira de "parar o trânsito", mas tinha se envolvido com um canalha cheio da grana que só a usou e acabou deixando ela para ficar com uma empresária de São Paulo.

Nunca entendi bem a história, porque os dois pareciam muito apaixonados e de repente tudo acabou e minha irmã ficou na maior fossa.

Quando a noite chegou fui encontrar Laura, ela estava deslumbrante como sempre, passamos a noite juntos, na casa dela, mas eu não parava de pensar na gauchinha.

Na verdade não via a hora de amanhecer pra eu passar em frente à casa dela de novo.

Acordei bem cedo e me livrei da Laura, fui um pouco grosso, mas não pretendia mais sair com ela, duas vezes até podia acontecer, mas três, nem pensar!

Fui quase correndo, mas ela não estava lá, para minha surpresa fiquei desapontado, eu já estava me estranhando, nunca tinha agido assim.

À tarde passei mais uma vez na esperança de vê-la e para minha alegria lá estava ela com o irmão e com a Ana. Sem pensar duas vezes fui falar com ela, antes de eu chegar Ana se despediu e quando passou por mim apenas me cumprimentou, eu tinha a impressão que ela não gostava muito de mim.

Me aproximei e ela já estava corada olhando para o chão, ah! Que visão perfeita! Ficaria mais perfeita ainda nua na minha cama!

Capítulo 2 EU NUNCA MENTIA PARA ELAS

Alex

Acordei tarde e novamente não sabia onde estava, demorei para lembrar da pequena que havia dormido comigo essa noite. Não conseguia lembrar seu nome, mas a noite havia sido ótima, até mesmo guardaria o telefone dela para outra ocasião em que não aparecesse ninguém para dormir comigo.

O que era muito difícil, pois sempre tinham meninas praticamente brigando para ficar comigo. Não que eu seja convencido, até sei da minha fama de galinha, mas o fato é que é muito fácil para mim conseguir a mulher que eu quiser.

Rolei da cama em silêncio tentando não acordá-la. Seria mais fácil se ela estivesse dormindo e não ficasse me enchendo para saber se eu ia ligar ou não. Mas ela acordou toda dengosa. Merda!

_Já vai? -Falou com voz melosa.

_Tenho que ir para o galpão levar umas fantasias, estou atrasado.

_Hum... Que pena! Vai me ligar?

Eu sabia!

_Não sei, talvez num dia desses que esteja sem nada para fazer...

Achei que ela ia me expulsar como algumas faziam, mas ela apenas sorriu.

_Tá! Vou esperar. Você não vai me dar seu telefone?

Dei uma gargalhada.

_É claro que não, nunca dou meu telefone para estranhos.

_Mas nós dormimos juntos, não somos mais estranhos!

_Desculpe, mas eu sou assim, se vc quiser que eu ainda te procure, não me pressione.

Eu nunca mentia para elas, e parece que elas gostavam de ser tratadas assim.

Dei-lhe um último beijo e sai. Tinha que estar no galpão bem cedo e tinha perdido a hora, agora ia ter que aguentar Seu Clóvis, meu patrão, enchendo meu saco.

As fantasias tinham que estar prontas em uma semana, eu precisava me apressar, mas sempre aparecia uma mulher e eu acabava esquecendo das obrigações.

Estava descendo a ladeira quando a caixa caiu e espalhou tudo, eu ia praguejar mas foi aí que vi a coisinha mais linda do mundo bem na minha frente.

Ela era linda, morena, cabelos castanhos compridos e uns olhos pretos que me fizeram perder a linha. Devia ser nova, em torno de uns 17 anos, mas nunca me importei com a idade.

Fiquei lá parado como um idiota olhando enquanto ela juntava a máscara que foi parar nos seus pés. tinha uma criança com ela, pareciam ser irmãos.

Foi o menino que falou e me fez acordar, me apresentei e joguei um charme, ela ficou muito vermelha! Céus de onde vinha essa garota? Com certeza era nova aqui porque eu nunca tinha ficado com ela.

Depois de um pouco de conversa soube que era gaúcha, eu tinha ouvido falar que as gaúchas eram quentes na cama! Teria que provar uma para saber!

Mas isso logo aconteceria, antes que eu piscasse ela estaria na minha cama, disso eu tinha certeza.

No dia seguinte passei em frente à casa e ela estava falando com a Ana, não lembrava direito, mas provavelmente eu já tinha ido para a cama com ela também. Fui falar com elas e aproveitei para me aproximar mais da garota, Martina o nome dela, acho que pelo fato de ela ficar corando e ser tão tímida percebi que tinha que ir mais devagar com ela.

Ela devolveu a máscara que eu tinha deixado com ela no dia anterior, não me olhava quando falava comigo, caramba! Pelo jeito ela era bem inexperiente, ou estava fazendo tipo para chamar minha atenção.

Eu ia passar mais vezes em frente à casa, mas não hoje, pois tinha um encontro com a Laura, desta vez estava abrindo uma exceção, ia sair com ela pela segunda vez, mas só por que era uma das mulatas mais bonitas do bairro, só tinha que tomar cuidado para não dar falsas esperanças a ela.

Essas meninas tinham mania de achar que se eu saísse duas vezes com elas estava namorando, e isso era a última coisa que eu queria, minha vida estava boa demais assim!

As vezes eu sentia falta de me abrir com alguém, mas dai procurava minha irmã Janaína e tínhamos longas conversas sobre a maneira como levava minha vida.

Jana achava errado o que eu fazia com as mulheres, porque ela estava sofrendo muito por causa de um filho da mãe que a traiu. Mas elas aceitavam as coisas como eram, então a culpa não era só minha.

Jana era muito sentimental, era linda, uma loira de "parar o trânsito", mas tinha se envolvido com um canalha cheio da grana que só a usou e acabou deixando ela para ficar com uma empresária de São Paulo.

Nunca entendi bem a história, porque os dois pareciam muito apaixonados e de repente tudo acabou e minha irmã ficou na maior fossa.

Quando a noite chegou fui encontrar Laura, ela estava deslumbrante como sempre, passamos a noite juntos, na casa dela, mas eu não parava de pensar na gauchinha.

Na verdade não via a hora de amanhecer pra eu passar em frente à casa dela de novo.

Acordei bem cedo e me livrei da Laura, fui um pouco grosso, mas não pretendia mais sair com ela, duas vezes até podia acontecer, mas três, nem pensar!

Fui quase correndo, mas ela não estava lá, para minha surpresa fiquei desapontado, eu já estava me estranhando, nunca tinha agido assim.

À tarde passei mais uma vez na esperança de vê-la e para minha alegria lá estava ela com o irmão e com a Ana. Sem pensar duas vezes fui falar com ela, antes de eu chegar Ana se despediu e quando passou por mim apenas me cumprimentou, eu tinha a impressão que ela não gostava muito de mim.

Me aproximei e ela já estava corada olhando para o chão, ah! Que visão perfeita! Ficaria mais perfeita ainda nua na minha cama!

Capítulo 3 ATÉ QUANDO TEREI QUE ESPERAR

Martina

Eu e Erich estávamos na frente da casa quando Ana chegou, eu sempre cuidava do meu irmãozinho, e adorava, nós éramos muito apegados um ao outro e Erich era bem maduro para seus seis anos.

Estávamos falando da tristeza da minha mãe em deixar o sul quando ele apareceu. Nossa! Ele era lindo, e eu não conseguia disfarçar que estava babando.

Sempre com os cabelos loiros bagunçados, e aqueles olhos azuis que me deixavam hipnotizada.

Ana resolveu ir embora, ela implicava com ele, disse para eu me manter longe, mas por mais que eu soubesse que ele ia para a cama com todas, não acreditava que fosse resistir se ele me desse uma chance.

Quando se aproximou eu já senti meu rosto queimar e baixei minha cabeça. Merda! Eu não queria me comportar como uma criança!

_Oi Martina, olá Erich! Passei por aqui hoje e você não estava, fiquei pensando onde você poderia ter ido.

Mas que curioso!

_Ela estava na escola, a Tina só tira nota boa sabia? E eu também!

Ai, o Erich falando assim parecia que eu era uma menininha do jardim de infância!

_Erich, acho que ouvi o pai te chamando!

_Eu não ouvi!

_Ah mas eu também ouvi! -Alex me ajudou, eu amava o meu irmão mas ele podia ser bem teimoso e metido às vezes.

Quando Erich entrou ele virou para mim sorrindo, puta merda! Era o sorriso mais lindo que eu já tinha visto!

_Então você queria ficar sozinha comigo?

_Não! É que o Erich não deixa ninguém conversar! Ele fala demais e...

Eu estava com a boca seca e ele ria do meu embaraço. Eu queria que um buraco se abrisse sob meus pés!

_Eu estava brincando, vim te fazer um convite.

Ele ia me chamar pra sair com ele? Ai meu Deus!

_Depende do que é, meu pai não me deixa sair muito...

_ Eu só queria te mostrar as fantasias que estamos fazendo, lá no galpão, vamos?

_Se for rápido pode ser.-Eu não sabia se era a coisa certa, mas ele me convenceu com aqueles olhos.

Descemos a ladeira falando amenidades, eu ficava sem assunto por causa da vergonha, não sabia o que havia comigo, nunca beijei ninguém, mas não ficava assim perto dos homens!

Quando chegamos ao galpão a minha surpresa! Não havia ninguém lá! Minhas mãos começaram a suar. Ele me mostrou muita coisa bonita, mas eu mal conseguia prestar atenção ao que ele falava. De repente ele pegou na minha mão e eu dei um pulo!

_Hei! Não precisa ter medo! Não vou lhe fazer mal algum!

_Hã...É... Não estou com medo... Bom na verdade estou, é que...

E foi então que ele me beijou! Aquilo definitivamente era a melhor sensação do mundo! Ele segurava minha cintura com uma mão e com a outra segurava meus cabelos na nuca, um arrepio percorreu meu corpo e eu senti um "calor" entre as pernas.

Não sei quanto durou, mas quando ele me soltou eu estava com as pernas bambas.

_Você é uma delícia, sabia? Sempre quis beijar uma gaúcha!

Eu não conseguia falar, precisava respirar e não lembrava como, e antes que eu conseguisse ele me beijou de novo, dessa vez mais forte, mais urgente, me puxou contra ele e eu senti algo volumoso em seu bolso, suas mãos agora passeavam pelo meu corpo, eu queria dizer a ele para ir devagar mas não conseguia reagir.

E era bom demais! Sua mão desceu para meu bumbum e apertou gentilmente, para depois apertar com força e me puxar mais, como se eu fosse muito leve ele me ergueu com as pernas ao redor de sua cintura e me encostou em uma parede.

E então eu percebi o que ele pretendia fazer, ele tentou me colocar sobre um monte de tecidos que estavam no chão, mas o pânico tomou conta de mim e eu mordi seu lábio com força! Ele me largou surpreso e então eu sai correndo, mas enrolei os pés no tecido e cai, sempre fui desastrada e em pânico era ainda mais, ele me puxou do chão e tentou me beijar de novo, mas eu dei uma bofetada no seu rosto, me arrependendo no mesmo momento!

_Por que você fez isso? -Ele estava surpreso com a minha reação.

_Eu não sou uma vagabunda! Se quiser algo comigo vai ter que me respeitar!

_Mas eu achei que você queria! Por que veio até aqui então? -Seu lábio sangrava.

Ah! Então era isso! Ele achou que eu havia ido com ele para fazer sexo no galpão! Idiota!

_Eu vim ver as fantasias! Não me trate como essas meninas que você pega por aí! -Dizendo isso sai correndo, subi a ladeira chorando.

Droga! Que burra eu era! Se eu queria deixar de ser virgem essa era a oportunidade, mas por outro lado eu não queria que fosse no chão de um galpão com homem que eu mal conheço!

Me joguei em minha cama e chorei, não sei por quanto tempo fiquei assim, mas quando me virei minha mãe estava parada na porta do meu quarto me olhando.

Ela entrou e me abraçou e então eu caí no choro de novo.

_Martina meu anjo, o que houve? Foi o moço bonito que eu vi no portão ontem?

Eu não queria preocupá-la.

_Não houve nada mãe! Eu apenas estou com saudades da nossa casa!

_Filha eu não nasci ontem, você nunca gostou do Sul! Mas se não quiser me contar tudo bem!

Pensei bem e resolvi me abrir com ela.

_Mãe, eu sou muito nova para ir pra cama com alguém?

Ela ficou uns minutos calada, acho que chocada com minha pergunta, ou tentando encontrar a resposta certa.

_Filha... Você tem apenas 16 anos, tem a vida toda pela frente, com essa idade é difícil escolher a pessoa certa!

_Mas mãe, com 17 anos você já estava casada com o pai!

_Eu sei filha, não vou dizer que foi ruim, mas eu devia ter estudado e pedido ao seu pai que esperasse, quando o amor é verdadeiro a pessoa espera e torce pela felicidade da outra!

Quanto a isso ela tinha razão, mas apesar das dificuldades eu os via felizes e existia muito amor, mesmo meu pai sendo meio desligado.

_Obrigada mãe!

_Quando você tiver problemas me procura, ok? Mesmo que eu não vá resolvê-los, posso te aconselhar, e só tome essa decisão quando se sentir totalmente preparada.

_Mãe, por favor, não conta pro pai essa nossa conversa!

Ela bagunçou meu cabelo e sorriu.

_Minha princesa, esse é um assunto só nosso, e depois, eu conheço o seu pai, ele iria surtar!

A semana foi passando e Alex não apareceu mais, pensei que ele tinha ficado com ódio de mim, mas no sábado, quando as festividades do carnaval iam iniciar ele passou em frente à minha casa, estava maravilhoso com sempre, não parou para conversar, mas deu um lindo sorriso e me jogou um beijo.

Aquilo bastou para eu me derreter! Eu tinha conversado com a Ana também, mas ele só me dizia para ficar longe dele, e meu coração se negava a obedecer, afinal, ele não devia ser assim tão ruim quanto ela pensava!

O carnaval começou e eu fiquei encantada! Aquilo era a coisa mais linda que eu e Erich tínhamos visto! Até minha mãe deixou a tristeza de lado e foi para a rua ver.

Eu estava muito feliz por estar ali, sentia que esse era o meu lugar e jamais iria embora, apesar de eu estar nessa confusão desde o dia que cheguei. Tudo era novo, a casa, o lugar, os sentimentos, e eu estava meio perdida, mas me sentia completamente feliz.

Vi Alex três vezes durante o sábado, ele subia e descia, mas apenas me olhava de longe, eu comecei a me entristecer achando que tinha estragado tudo com a minha infantilidade. Se eu queria acabar logo com o meu problema, tinha que tomar coragem e não fugir!

Ana me viu olhando pra ele e já implicou.

_Martina eu não quero o seu mal, se você ficar com ele vai andar chorando pelos cantos!

_Ana eu não sei se vou ficar com ele! E se ficar não vou me apegar!

Eu tentava acreditar nisso, mas tinha lá minhas dúvidas.

_Ahã... Sei! Até já estou vendo a cena: você chorando e eu consolando!

Ri dela, apesar de estar sendo chata agora eu sabia que ela queria meu bem. Em poucos dias tínhamos desenvolvido uma grande amizade, parecia que já nos conhecíamos à anos.

Era noite quando ela resolveu ir pra casa, meu pai me deixou acompanhá-la, ele estava animado com o novo trabalho por que ganharia muito bem e estava sendo um pouco mais liberal comigo. Conversamos um tempo ainda em frente à casa dela, era tarde já, a música da rua estava alta e eu decidi ir para casa, pelo jeito a festa ia até amanhecer.

Tinha me afastado um pouco da casa dela e estava num trecho escuro, um pouco amedrontada, quando senti duas mãos fortes que me puxaram para trás de uma parede. Meu coração quase parou, tentei gritar mas uma mão tapou minha boca, o pânico tomou conta de mim, eu já ia começar a chorar quando ele me virou e dei de cara com Alex.

_Martina sou eu! Não se assuste, vou soltar você, mas não grite!

Ah! Que alívio!Ele me soltou devagar, e eu me apoiei na parede, estava com as pernas bambas.

_Você quase me matou do coração! Está louco?

_Eu queria falar com você, mas tinha receio que me expulsasse da sua casa, aí vi que você saiu e te segui, eu precisava aproveitar essa oportunidade!

Por mais que estivesse assustada, não pude deixar de vibrar de felicidade com o que ele falou.

_Eu não ia te expulsar! Fala o que você queria!

_Eu queria me desculpar pelo que fiz no galpão, não sei o que deu em mim!

Ah! Que fofo!

_Tudo bem Alex, eu também agi como uma criança! Mas vamos com calma, ok?

Por um momento tive a impressão de ver uma sombra passar nos seus maravilhosos olhos azuis.

_Claro, vamos com calma, posso te acompanhar até a sua casa?

_Pode, na verdade você me deixou apavorada, estou com as pernas bambas!

_Você está tremendo! -Me puxou contra seu peito._Desculpe eu não queria te assustar!

O perfume dele era maravilhoso, mesmo depois de um dia todo trabalhando no carnaval ele conseguia permanecer cheiroso, seu cabelo bagunçado estava lindo e eu ficaria ali para sempre. Olhei em seus olhos e percebi que cedo ou tarde eu cederia.

Ele ergueu meu queixo delicadamente e me beijou bem de leve, e devagar seu beijo foi ficando mais intenso, até que estávamos num beijo quente, ele tinha me encostado na parede e novamente eu sentia o volume em seu bolso, suas mãos passeavam no meu corpo, era delicioso, mas então ele colocou a mão embaixo do meu vestido, bem no meio das minhas pernas.

No mesmo instante eu fiquei tensa e o empurrei um pouco, tomando cuidado para não fazer outra cena.

_Alex a gente combinou que iria com calma!

_Eu sei! Mas você é linda! Eu fico louco perto de você, até quando terei que esperar?

Ai droga! Ele queria uma resposta que nem eu tinha!

_Não sei, Alex, mas vamos deixar as coisas acontecerem com calma!

Ele suspirou profundamente, me largou, virou de costas e eu achei que ele ia embora, mas ele apenas passou as mãos no cabelo ficando mais lindo ainda e virou para mim de novo.

_Ta bom, não vou te forçar a nada, te acompanho até em casa, depois tenho que voltar pra festa.

Fomos caminhando de vagar.

_Você ainda vai trabalhar hoje?

_Não, meu trabalho acabou por hoje, agora vou aproveitar a noite.

Aquilo doeu, mas eu não podia dizer nada, afinal, ele nem era meu namorado!

Chegamos em frente à minha casa.

_Boa noite princesa, amanhã passo aqui para ver você.

Me jogou um beijo e foi andando e eu fiquei parada no portão sem saber o que pensar. Eu não devia estar tão abalada por saber que ele ia aproveitar a noite, mesmo que ele fosse ficar com outra pessoa. Eu não podia me permitir ter nenhum sentimento por um homem que eu recém tinha conhecido!

Entrei em casa em silêncio, beijei minha família e fui para meu quarto chorar.

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