Carolina Borges
Oi me chamo Carolina, tenho 28 anos, mais meus amigos e família me chamam de Carol, hoje estou me despedindo dos meus colegas de trabalho que me aguentam há alguns anos, trabalho em um hospital pediátrico há oito anos, sou enfermeira do setor de UTI Pediátrica, levo minha profissão muito a sério, amo o que faço.
Estou indo embora por que passei em um processo seletivo no Rio de Janeiro e quero muito sair de Manaus e ir crescer profissionalmente em outro lugar e fugir de fantasmas do meu passado.
Estou de coração partido vendo toda minha equipe de olhos cheios de lágrimas me desejando boa sorte e boa viagem, dizendo que sou louca por estar indo me aventurar sozinha em uma cidade desconhecida e tão perigosa como vemos nos noticiários, claro que estou com medo, mais se eu não for como saberei se é tudo isso que falam, há e qual é?
"É o RIO DE JANEIRO", A CIDADE MARAVILHOSA, não que eu não ame, minha cidade Manaus é linda, tem muita coisa a se conhecer aqui, mas quero mais. Finalmente meu plantão acaba e me despeço de todos e atualizo minha conta do Instagram para que meus colegas possam ver como é a cidade e todas as minhas conquistas que sei que terei.
**2 DIAS DEPOIS**
Minha mãe Dona Clarice ta se desfazendo em lágrimas me implorando para não ir, dizendo que sou louca por estar indo para o outro lado do país, dizendo que eu não a amo, que quero ver ela morrer de tristeza, se eu pudesse estaria revirando os olhos por todo o drama de D. Clarice, começo a rir dela e digo para ela parar de drama que isso não combina com ela, a mulher forte que me criou sozinha depois que o homem que um dia chamei de pai nos abandonou quando eu tinha somente 11 anos e tivemos que nos virar para nos sustentar, mas enfim, minha mãe tenta mais uma vez:
- Carol deixa de teimosia, para que você quer ir se meter no meio de uma cidade, que você nunca foi e me deixa aqui sozinha, porque seu irmão só quer saber de gandaia e nunca ta nem aí para mim, ela solta um suspiro pesado, vejo que doe nela toda essa distância com meu irmão odeio ver isso, meu irmão é cabeça dura ele é 6 anos mais velho, mais sei que uma hora ou outra eles vão se acertar.
- Mãe pare de drama que isso não lhe combina, começo a rir dela e me sento ao seu lado a abraçando, senhora sabe que quando eu conseguir me estruturar lhe levo já espero outra discussão, fecho os olhos e aguardo.
- Você sabe muito bem que jamais saio daqui para ir me meter numa cidade tão violenta como aquela.
- Tá bom, dona Clarice, quer ir ao salão comigo, o que acha? - Perguntando tentando mudar de assunto.
- Tudo bem, filha ingrata, me mime antes de você me abandonar. - Ela se levanta do sofá, e sai procurando a sua bolsa.
- Tão dramática. - Rio dela e abraço lhe enchendo de beijos
- Tá bom, já chega, vamos?
No dia seguinte meu voo está marcado é depois do almoço, precisaria ir para o aeroporto com 2 horas de antecedência, mais minha mãe me segura em casa até o último momento e chorou parecendo que nunca mais ia me ver, dizendo ela que estava com pressentimento ruim, mais conheço minha mãe e sei que isso tudo é drama.
Finalmente chegamos no aeroporto, realizo meu check-in e despacho a mala e mais outra rodada de choro e abraços.
- Mãe eu te amo e não vou morrer e nem nada de ruim vai me acontecer, quando eu conseguir mobiliar uma casa confortável a senhora passará um tempo comigo para cozinhar para mim e limpar a casa, agora pare com esse choro todo, já viramos uma atração aqui no embarque. - Ela limpa as lagrimas, e dá de ombros.
- Que todos vejam o que minha única filha ta fazendo, ta me abandonando por um emprego em outro estado, ela me faz sofrer. - Começo a rolar os olhos para ela, levar vários tapinhas no meu braço e rio para ela a abraçando e dizendo que a amo.
- Mãe, eu te amo e nada vai acontecer, prometo, se algo não sair como os conformes ou como estou imaginando volto para casa ou vai me negar um quarto e um prato de comida?
- Isso nunca, meu ninho sempre terá seu lugar, assim como tem até hoje o de seu irmão, aquele outro ingrato. - Fico rindo do biquinho dela.
- Senhorita, seu embarque lhe aguarda, sua passagem por favor? - O atendente da companhia aérea me aborda percebendo que minha mãe não iria me largar sem ajuda.
- Viu só mãe, estamos atrasando o outro passageiros, tenho que ir. - Lhe dou mais um abraço apertado e sussurro em seu ouvido um eu te amo mamãe.
Jesus esto sentindo como se estivesse deixando metade de mim aqui, como doe deixar minha D. Clarice para trás, minha mãe é minha melhor amiga, quero muito levar ela o mais rápido possível. E o voo finalmente decola e la dê cima vejo minha cidade, uma ilha no meio do rio e me despeço. - Até um dia minha Manaus.
Finalmente chego no Rio e ligo para D. Clarice avisando que estou bem, que o voo foi cansativo, conto tudo enquanto estou tentando pedir um carro de aplicativo para me levar para meu novo endereço.
O motorista, um homem jovem e muito bonito, nem me deu bola, devo estar um trapo depois de 5 horas de viagem.
- Jesus, que frio é esse nessa cidade?
Sempre acreditei que o Rio fosse quente igual minha cidade!
- Moça estamos no inverno e subiu uma frente fria, por isso o clima ta assim, de onde você é? - Me pergunta olhando pelo retrovisor.
- Sou Manauara! Venho de Manaus, Amazonas, meu Deus sempre imaginei que aqui fosse quente, nunca me dei conta de estações climáticas. - Estou muito ferrada, não tenho nenhuma roupa de frio.
O motorista me olhou com pesar, chegamos ao meu novo endereço, encontrei esse apartamento já semi mobiliado, ele é pequeno, nada muito luxuoso, paguei três meses de aluguel para poder investir meu salário em um carro e comprar as coisas para minha casa.
Trouxe alguns lençóis e cobertores na mala gracas a Deus, me deitei e descansei por algumas horas, mais tarde pediria algo para comer pelo aplicativo, mandei mensagem para minha mãe dizendo que cheguei bem e que iria descansar.
Estava tão cansada que só acordei de madrugada, tinha centenas de mensagens no celular e ligações de D. Clarice e do meu irmão Cláudio preocupados, aposto que pensam que já fui sequestrada e estou em algum morro com o fuzil na cabeça.
Como já é tarde mando apenas mensagem para ambos e dizendo que estou viva e bem que acabei dormindo por estar cansada.
Aproveitei e fui arrumar minhas coisas nos armários, preciso abastecer geladeira e material de limpeza, farei isso logo que amanhecer, terminei de arrumar minhas roupas, resolvi ir tomar banho e tomei um chá que achei dentro da minha bolsa de enfermagem, gracas a Deus e olhei a vista que por sinal é linda, o apartamento tem uma sacada com espreguiçadeiras e uma mesinha e no centro tem uma pilha de lenhas.
Fiquei olhando a vista até perto do amanhecer e voltei para dentro e me deitei novamente.
Acordei já era 8 da manhã, resolvi ir conhecer o bairro e procurar um supermercado, coloquei um casaquinho e vamos lá.
Achei um supermercado com a ajuda do porteiro, um rapaz de uns vinte e tantos anos, simpático e atencioso.
Fiz minhas compras e voltei ao meu apartamento, resolvi fazer um almoço com o básico mesmo.
De tarde eu ia procurar um centro comercial ou um shopping, preciso me agasalhar desse frio e comprar edredons e mantas. Então sai outra vez e vamos la gastar um pouquinho mais, mandei mensagem avisando minha mãe que iria sair e colocar o celular no silencioso, cheguei em um centro comercial pequeno e me surpreendi, comprei tudo o que precisava e voltei para o apartamento. Precisava descansar por que amanhã iria me apresentar no meu novo emprego e queria ir descansada.
Acordo um pouco mais cedo, ponho um café para passar na cafeteira e começo a me arrumar.
Tomo meu café tranquilamente olhando a vista da minha sacada e vejo a movimentação das pessoas saindo para ir ao seu trabalho, está na hora de sair também, chamo um carro de aplicativo, dou bom dia para algumas pessoas que estavam saindo do elevador e ao porteiro e entro no carro que já me aguardava e sigo ao hospital.
O hospital é enorme vários andares, vou até a recepção e dou meu nome e explico que preciso ir ao setor de RH, ela me dá um crachá e me explica como chegar até o setor, estou no elevador quando vejo um rapaz correndo e seguro a porta para que ele entre e não se atrase mais do parece estar.
- Bom dia, obrigado por segurar. - O homem está até ofegante e com as mãos cheias de graxa. - Me chamo Alex prazer e me estende a mão suja.
- Bom dia. - Digo e olhando para sua mão suja e sorrio resignada, mas decido apertar a mão - me chamo Carolina, estou indo ao RH, mas estou meio perdida.
- Há lhe levo lá, meu setor é ao lado, esta iniciando hoje? - Percebo que ele presta mais atenção que deveria em mim
- Sim, estou começando hoje e estou meio ansiosa. - Comecei a falar com o desconhecido.
- Vai dar tudo certo, o pessoal aqui são legais, vai se adaptar rápido, percebi seu sotaque de onde você é? - Alex me perguntou!
Ele é um homem alto, eu devo bater na altura de seu ombro, ele tem os olhos em um azul tão lindo que fico hipnotizada com a beleza que existe ali, sua barba grande e bem cuidada dava um charme a mais nesse homem que está mais que na cara que não seja brasileiro.
- Há, sou de Manaus. - Sorrio para ele com satisfação, tenho muito orgulho de onde venho!
- Nossa, você veio de longe, o que te trouxe até aqui? - Claro que não iria contar para ele a verdade.
- Mudança de ambiente... - Não queria contar muito da minha história para esse desconhecido.
- Então Carolina, o setor do RH é aquela porta de vidro ali, eu fico aqui na administração do hospital, seja bem-vinda ao time, prazer em lhe conhecer e nos vemos por aí... - Ele se despede em entra na sala afoito.
Continuo andando e entro na sala onde o Alex me indicou.
Entrei no RH, e continuava olhando para onde aquele homem havia entrado, como ele é bonito não tem como não perceber isso, enquanto estou aqui pensando nas possibilidades a atendente chama a minha atenção, fico um pouco envergonhada por ficar aqui com pensamentos impuros pelo bonitão dos olhos azuis.
- Bom dia me chamo Carolina Borges, estou aqui pela convocação da vaga de Enfermeira de UTI Pediátrica. - Lhe dou um grande sorriso e aguardo a atendente procurar todas fichas de admissão, ela vai me pedindo algumas informações e vou explicando tudo, esqueci apenas de entregar um telefone atualizado, por que esqueci de comprar um chip novo, me comprometi e entregar um número até mais tarde, certeza que consigo dar, uma fugida até uma banca de jornal e comprar um chip.
- Então enfermeira, hoje você não deve iniciar o seu plantão, irá apenas fazer a integração, conhecer os setores e ouvir as palestras necessárias, confeccionarei o seu crachá e realizar seu cadastro digital no ponto eletrônico, te levo até o auditório, no final de tudo a sua coordenadora ira lhe mostrar seu setor e em qual dia será seu plantão. - Olhei para ela prestando bastante atenção e assenti.
- Sim, entendi. - Sorri para ela e fui caminhando ao lado dela até um aparelho que estava na parede e fiz o cadastro da minha digital.
- Venha vou lhe levar até o auditório, já começará as palestras, daqui a pouco volto e lhe entrego o seu crachá e suas fichas de admissão para que você possa assinar para finalizar sua admissão, pode ficar a vontade tem um coffee break ali no canto, é só aguardar agora. - Fui entrando e vi que tinha mais umas 3 pessoas e me apresentei.
- Bom dia me chamo Carolina prazer. - Sorri para cada um deles, que foram se apresentando
- Bom dia, sou Andreia. - Uma moça nova ruiva deve ser estagiária, aparenta ser uma adolescente.
- Sou o Carlos, estou entrando na TI. - Sorri para ele
- Sou a Teresa, sou técnica em enfermagem. - Ela me olhou com arrogância e de nariz empinado.
- Sou enfermeira, acabei nem dizendo meu setor, mas não conheço muito bem o lugar e nem a cidade, venho de outro estado e cheguei tem poucos dias. - Eles me olharam com admiração como quase todos, quando digo de onde venho.
A manhã correu tranquila, a atendente entregou a todos nós os crachás e as folhas de admissão para assinar e finalizar a contratação, fiquei surpresa com os valores de salário e a carga horária, completamente diferente, eu teria 3 dias de folga entre um plantão e outro, isso me dava brecha para conseguir outro emprego, quem sabe ou fazer mais alguma pós e aumentar meus conhecimentos.
Planejo em seis meses já ter dado entrada num carro e trazer a D. Clarice ou ela vai me chamar de ingrata até sabe lá Deus quando. - Sorrio com a lembrança, eu e minha mãe sofremos muito depois que ela se separou do meu genitor, isso é uma parte tão triste da nossa vida.
"LEMBRANÇAS ON"
Eu tinha 12 anos, hoje faz 1 ano que meu pai saiu para viajar a trabalho como ele disse e nunca mais voltou, vejo minha mãe triste na cama dela chorando e meu irmão ta la brigando com ela como se ela tivesse culpa por meu pai ter ido embora.
- Vamos mãe, levanta dai, a Carol precisa da senhora, levante para cuide dela e da casa, precisa arrumar um emprego e sair dessa tristeza toda, ele não vai mais voltar mais para esta casa. - Comecei a chorar ouvindo tudo aquilo, subi na cama abraçando minha mãe e chorava junto dela, sentia o peso de cada palavra que meu irmão dizia.
- Mãe não fique assim, eu estou aqui e sempre estarei ao seu lado, nunca irei lhe abandonar, vamos levantar desse buraco onde estamos, vamos levanta-se e vamos comer algo e tomar banho que hoje ta muito quente e seu cabelo ta parecendo um ninho de passarinho. - Ouvi ela rindo, estava com saudade de ouvir seu riso.
Depois que minha mãe começou a melhorar da depressão em que ela entrou, eu já era uma jovem empenhada em estudar e dar uma estabilidade para ela, que sofreu durante anos após o abandono do meu pai.
"LEMBRANÇAS OFF"
Já é hora do almoço, vou à banca de revista comprar o chip e atualizar o número de telefone para entregar ao RH, faço o que precisava e volto ao hospital para continuar a integração, vejo que os outros integrantes estão conversando sobre uma festa que ocorrerá num morro e parece que estão combinando de ir.
- Então Carolina, estamos aqui conversando que hoje vai ter o baile lá no morro e estamos querendo ir, quer ir com a gente e conhecer um Bailão de favela aqui do Rio? - Teresa sorri para mim e parece bem empolgada, fico pensando um pouco e decido me juntar com eles para ir nesse tal baile mais com um medo interno enorme.
- Você quer carona Carol, posso lhe chamar de Carol né? - Carlos me pergunta, sorrio para ele e confirmo com a cabeça.
- E você Andréia não quer ir também? - Pergunto por que ela não aparenta estar empolgada em ir. - Só tenho 17 anos estou entrando aqui como estagiária no setor jurídico, meus pais com toda certeza jamais me permitiriam ir num baile sozinha.
- Carlos, podemos marcar em algum lugar para você me pegar ou posso ir direto e me encontrar com vocês, o que acham? - Pergunto, eles se olham e decidimos nos encontrar em um centro comercial próximo à entrada do morro, ficaria melhor para todos, já que moramos distantes uns dos outros, trocamos nossos contatos, para manter contato e nos acharmos nesse nosso pequeno encontro.
Finalmente acabam as palestras, eu e Teresa somos encaminhados a coordenação de enfermagem, chegamos lá e encontramos uma senhora negra alta e muito charmosa, me apresento e lhe estendo a mão, Teresa faz o mesmo.
- Prazer me chamo Viviane, sou coordenadora do setor de enfermagem, vou apenas entregar uns documentos a secretária do RH e conheceremos os setores de vocês, podem sentar, não devo demorar. - Ela sai da sala e nos sentamos nas poltronas.
- Teresa você sabe qual o setor que você irá ficar? - Olho para ela na expectativa de me falar, ela sorri para mim e fala.
- Vou fazer parte do bloco cirúrgico adoro ser instrumentista, fiz o curso e tenho algum tempo já de experiência abriu o processo seletivo e tentei a sorte e gracas a Deus entrei, precisava muito estava algum tempo desempregada e você? - Ela me pergunta, curiosa.
Serei enfermeira da UTI Neo/Pediátrica, já tenho muitos anos de experiência no setor, mais veremos como vamos nos adaptar a uma equipe nova e rotinas novas aqui. - Dou um sorrisinho tímido para ela.
Conversamos sobre mais algumas coisas e percebo estar enganada sobre a impressão que tive dela quando nos apresentamos, finalmente a coordenadora Viviane volta e nos chama para acompanhar ela até os setores designados e conhecer nossas supervisoras.
Chegamos no Bloco cirúrgico e Teresa me dá um sorriso e nos despedimos ela conhecerá o setor que ela ira fazer parte com um homem lhe acompanhando.
Chego no setor da UTI neonatal e sou apresentada a um Enfermeiro baixinho que se chama.
Murilo.
- Prazer Murilo, me chamo Carolina ou simplesmente Carol como desejar, ele dá um sorrisinho simpático e vai me apresentando o setor, me mostra tudo com a coordenadora, percebi que ela é bastante observadora.
O meu setor tem 15 leitos divididos, 7 incubadora para Neo e 8 leitos para pediatria, a equipe é composta pelo enfermeiro e 6 técnico de enfermagem e tem sempre uma médica de plantão 24 horas.
Hoje não será o dia do meu plantão, entrarei na escala daqui a 2 dias, a enfermeira que está de plantão está de aviso, ela pediu para sair, quer se dedicar ao filho pequeno, entendo ela nossa vida é muito corrida e acabamos não vendo nossos filhos crescendo e eles acabam sendo educado por outras pessoas. Acho que quando eu casar e tiver minhas crianças também quero dar atenção aos meus filhos.
Viviane pergunta sobre minhas experiências anteriores e conto a ela, e se surpreendem quando digo que sou de outro estado.
Vejo como tudo acontece no setor, Murilo explica com bastante calma e paciência, então consigo absorver bastante informação e finalmente ele me diz que posso ir me despeço da equipe e digo que adorei conhecer a todos e que estou ali para ser mais um com eles, recolho todas as minhas coisas e me encaminho para fora do hospital, acabo ficando no estacionamento perto da entrada e mando mensagem para Carlos e Teresa avisando que estou indo para casa e me arrumar para nos encontrar mais tarde, tanto eu coma Teresa só iniciaremos nossos plantões em 2 dias e Carlos só começa na próxima segunda.
Chamo um carro por aplicativo e volto para meu apartamento, chegando lá preparo um lanche e escolho o que vestir, nunca fui numa festa assim já que em Manaus não tem morro e nem baile funk.
Escolho um crooped e uma calça jeans, completo com uma jaqueta para me esquentar desse frio, faço uma make e uma trança embutida nos meus cabelos que estão bem longos, me olho no espelho e gosto do que vejo. Carlos e Teresa já mandaram mensagem avisando que já estão indo para o ponto de encontro, decido chamar o carro de aplicativo, preciso comprar meu carro urgentemente.
Após vinte minutos chego no centro comercial que havíamos marcado e vejo o Carlos.
- Oi, Carlos. - Já vou logo sorrindo para ele, que está vestido muito bem, uma calça de lavagem clara e uma camisa social roxa. - Você está lindo, não me leve a mal. - Sorrio para ele.
- Acho que você está vestida demais. - Ele me diz e sorri para mim. - E começo a olhar para as mulheres andando ao nosso lado, todas de mini saia ou short curtíssimo.
- Ai eu estava com frio e nunca vim num ambiente desses. - Ele continua rindo, e olhando para todos os lados.
- Mais afinal cadê a Tereza que não apareceu ainda? - Aguardamos por mais vinte minutos e finalmente ela apareceu e riu de mim pela minha roupa.
- Carol por que veio de calça? - Respondi para ela toda sem jeito
- Não sabia o que vesti, nunca fui num baile. - Começamos a gargalhar e fomos caminhando para a entrada do baile, Carlos sempre nos acompanhando para que ninguém nos incomodassem.
Chegamos numa quadra que estava lotada, comecei a ver várias pessoas andando com armas sem pudor algum, pessoas oferecendo drogas, fomos até um lugar onde estavam vendendo bebidas, eu pedi uma caipirinha e eles cerveja.
CAROLINA BORGES
Depois que pegamos nossas bebidas nos afastamos um pouco do bar e fomos, mas para perto da área vip, e a Tereza começou a rebolar até o chão enquanto Carlos tava de olho nas mulheres que estavam dando em cima dele, s tava longe de querer paquerar alguém, nunca tive tempo para namorar, sempre estudei muito e corri atrás de crescer profissionalmente, dona Clarice sempre me cobrou um namorado e até mesmo um filho, como ela diz, "não precisa casar para ter um filho e me fazer ser vovó", continuei olhando o ambiente e do nada esbarrei em um corpo atrás de mim, sentindo um líquido gelado escorrer desde a minha nuca até altura das coxas.
Virei brava pronta para dá um grito e xingar com o responsável por me dar um banho de nem sei o que é era, quando olhei para o homem que estava na minha frente senti que minhas pernas começaram a ficar moles de medo e minha raiva começou a sumir.
Na minha frente tinha um homem de quase dois metros de altura, todo musculoso e cheio de tatuagem, com lindos olhos verdes, uma boquinha carnuda chamativa, ele parecia confuso enquanto me olhava e tentava ver o estrago que ele havia feito, mas o que me chamou atenção foi um fuzil pendurado nas costas, sentia que minha coragem havia ido para outro lugar e nesse momento só considerava ir para casa e me esconder em baixo da cama.
- Oi, moça presta atenção por onde anda, ficou agora toda molhada. - Ouço ele falando com uma voz bastante sedutora e percebo que ele me olhou com desejo e eu gaguejei.
- Des... desculpa moço, estava me virando e não percebi que estava se aproximando de mim. - Os rapazes que estavam ao seu lado dão um pouco mais de espaço e percebo que formam um círculo ao nosso redor.
- Calma morena, não precisa se desfazer em medo não, estava também distraído aqui com os rapazes. - Ele gesticula para os outros homens que o acompanhavam.
Olhei para ele com espanto e respirei fundo para por as ideias no lugar, estava preocupada com a situação, e acabar sendo morta em pneus, queimada ou mutilada em alguma cova rasa, vamos lá conversar com ele que deve achar que sou louca, estendi a mão para ele.
- Oi, satisfação me chamo Carolina e estes são meus amigos me trouxeram para conhecer um baile. - Ele nem olhou para meus amigos, seus olhos estavam fincados nos meus e eu tava hipnotizada pelo aquele homem, Jesus o que estava acontecendo comigo?
- Você quer ir até ali, no reservado e se limpar, pode trazer seus amigos, acho que vocês vão gostar mais de lá. - Olhei para meus amigos e eles concordaram.
- Tudo bem, vamos lá! - Chegamos na área Vip e o bonitão finalmente se apresentou.
- Morena nem me apresentei, me chamo Bruno e de onde você é mesmo? - Estico a mão para ele, que a pega com carinho e sinto o seu toque com certa leveza como se ele me apertar fosse me quebrar.
- Prazer Bruno, sou de Manaus, vim a trabalho. - Percebi que ele me olhou diferente como se fosse com cobiça, mais eu não iria me envolver mesmo com esse cara, sorri para ele. - Bruno, muito obrigada pela ajuda e mais uma vez desculpa por fazer você desperdiçar sua bebida, não quero que você tire conclusões sobre mim. - Espirei fundo e lhe dei um olhar triste.
- Que isso, morena, pega esse abadá e tira esse crooped que está molhado, tem um banheiro logo ali. - Olho para onde ele aponta, pego a blusa e fico considerando em usar ela ou passar a noite inteira molhada.
Decido troca, vou indo até o banheiro e percebo que as mulheres estão de olho em mim, tento manter a minha postura para não demonstrar que seja fraca, mas ela continua cochichando sobre como estou vestida ou como sou gorda, me diminuem, sinto vontade de chorar e a única vontade que tenho é de ir para casa agora, retoco meu batom olhando para o pequeno espelho e um pouco antes de sair do banheiro ouço.
- Será que ele vai ficar com essa gorda aí Tati? - Pelo visto, ele é o homem mais concorrido nessa favela.
Fiquei incomodada vendo aquele monte de mulheres me olhando feio devido à atenção que o Bruno estava nós dando depois que voltei do banheiro para onde estavam meus amigos.
Percebi que estava cansada e decidi que estava na hora de ir embora, ia avisar meus colegas e ia descer o morro para chamar um táxi ou um carro, cheguei perto deles para avisar.
- Gente estou indo, estou cansada e ainda to me adaptando ao fuso horário, fiquem aí e se divirtam, eu vou de Uber ou táxi. - Eles me abraçam enquanto me despeço deles e concordamos de nos encontrar durante o nosso plantão daqui a uns dias.
- Tá cedo ainda para você ir embora. - Vejo ele tentando me convencer em ficar mas tempo, mas nego com a cabeça dando um sorriso franco.
- Tudo bem, já que insiste, vou te deixar em casa em compensação da minha bebida que foi embora na sua roupa. - Olho para ele assustada, como assim me deixar em casa, tá louco nem o conheço.
- Não precisa, eu vou pedir um carro, não precisa se incomodar. - Ele apenas rir e chama um dos homens que o acompanham.
- Vamos pegarei o carro aqui embaixo. - Ele tirou aquela arma enorme da costa e pegou uma pequena e colocou na cintura, começou a me puxar pela mão, dei um olhar resignado aos meus colegas e disse que mandava mensagem quando chegasse em casa.
Já no carro ele colocou uma música bem baixinha e calma dei meu endereço e seguimos até lá, enquanto ele me enchia com perguntas, estava achando engraçado a curiosidade dele sobre minha terra.
Quando chegamos na frente ao meu apartamento ele desceu do carro e abriu minha porta, perguntou se podia subir e fiquei com medo de não deixar.
- Estou bem cansada, cheguei ontem de viagem, acordei cedo hoje e aqueles dois me convenceram a ir ao baile, mais se quiser um café passo um rapidinho. - Ele aceitou e subimos para meu apartamento.
Abri a porta e deixei ele entrar, ele olhou tudo analisando as coisas, deixei a chaves no aparador e fui à cozinha preparar o café, voltei para sala e ele estava sentado.
- Bruno, você se incomoda se eu for jogar uma água no corpo e tirar essa roupa, estou agoniada com esse cheiro. - Ele riu e só fez tirar a arma da cintura e colocou sobre a mesinha.
- Pode ir la, eu fico de olho no café. - Olhei para ele e sorri, prestativo, gostei disso, corri até meu quarto, tirando a roupa, desfiz minha trança e fiz um coque todo bagunçado, tomei um banho rápido, vesti um moletom de patinho bem confortável e voltei para sala, o coitado tava la atrás de xícara.
- Estão aqui pode pegar, tem açúcar aqui e adoçante nesse outro potinho, e sentamos no sofá em silêncio. - Olho para ele entre um gole e outro enquanto ele faz o mesmo, o clima estava tão gostoso com o vento que entrava pela varanda.
- Sua cidade realmente é maravilhosa, adorei esse clima frio que tem aqui, na minha cidade é quente o ano todo, às vezes até quando ta chovendo é quente. - Via ele me olhando com admiração.
Não sabia o que estava acontecendo ali, estava me sentindo atraída por um traficante, meu Deus, dona Clarice vai me matar quando souber disso, mas não tenho nem coragem de me entregar de primeira para ele, mesmo ele sendo lindo, e que boca chamativa essa, já estava mordendo meus lábios desejando o dele sobre os meus foi quando percebi, ele deixando a xícara na mesa e se aproximando de mim, colocou as mãos na minha nuca e grudou nossos lábios num beijo calmo, mais desejoso sinto a sua mão desceu para minha cintura e num movimento rápido eu estava sentada no colo dele com uma perna de cada lado, o que estou fazendo?
- Bruno, não posso fazer isso, me desculpa. - Fui saindo do seu colo e me afastando, depois do que sofri, eu nunca consegui me envolver com alguém e nem sei se quero ter uma pessoa na minha vida, ainda mais com toda essa mudança, senti uma lágrima descer e limpei rapidamente.
Ele levanta meu rosto me fazendo olhar para ele, e com seus dedos ele tenta secar a trilha que a lagrimas estava se formando mais ainda nos meus olhos, sinto apenas seu carinho e ele me abraça apertado, o conforto que sempre quis, ou melhor, que sempre precisei.