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AMOR OU PAIXAO INDOMAVEL

AMOR OU PAIXAO INDOMAVEL

Autor:: MaryLand
Gênero: Romance
Para salvar a vida da pessoa que mais ama, Manuella teve que dormir com um homem charmoso, mas dominante por quantas noites ele quisesse. Com a doença de sua mãe, Manuella se vê obrigada a trabalhar para ajudar em casa. Ela acaba trabalhando na empresa de Gilberto Camargo Ferreira, um poderoso italiano e rico que a deseja mais que qualquer outra mulher. Eles acabarão por descobrir os prazeres de uma paixão e as consequências de decisões precipitadas.

Capítulo 1 AMOR OU PAIXAO INDOMAVEL

Lá estava eu bem em frente aquele prédio imenso, as cores azuis dominavam, era quase todo de vidro espelhado e muito alto. Ficava nada mais, nada menos situado no centro da cidade, aonde apenas as maiores empresas estavam. Pessoas bonitas com roupas sociais entravam e saiam daquele local, me senti uma mendiga perto deles com a melhor roupa que tinha. Sem mais nenhuma briga mental entrei no prédio. Dentro me senti ainda mais inferior, era impecável, tudo limpo com um aroma bom.

Caminhei até uma mulher atrás de uma bancada, por sinal muito bonita e apresentável assim como todas as outras, eram padronizadas.

- Boa tarde senhorita, no que posso lhe ajudar hoje?

Ela perguntou com um sorriso nos lábios.

- Eu vim para tentar uma vaga de emprego.

Mostro o anunciado no jornal.

Estendo o currículo para ela, as folhas estavam todas amassadas. Senti vergonha ao ver a expressão que ela fez.

─ Certo, ligaremos para você.

─ Obrigada, moça.

Sai do prédio sentindo olhares encima de mim, sentia minhas bochechas queimarem. Eu não pertencia aquele lugar, era notório. Voltei para casa sem muitas expectativas, eu tinha quase certeza que eles não iriam me ligar, aquela empresa tinha aparência de ser um lugar sério e formal. Provavelmente, a pessoa que administrava tudo aquilo era extremamente poderosa. Encostei minhas coisas cansadas no sofá, eu queria afundar nele e sumir. Desde que meu pai desapareceu, eu passei a cuidar de todo o dinheiro que saia e entrava, tudo dependia de mim, e agora sem emprego eu nem poderia ajudar Maristella a ir para uma faculdade boa ou a minha mãe que ainda fazia tratamento. O preço do plano de saúde dela era tão caro que as vezes faltava para a nossa alimentação, mas já estávamos acostumadas a passar dificuldades.

Dois dias se passaram, meu celular não tocava nem para ligações de cobrança. Eu comecei a fazer faxina nas casas dos vizinhos, mas a diária dava apenas para comprar comida. Mesmo assim, Maristella permanecia confiante. Meu coração pesava só de pensar em ficar mais dias sem trabalho.

─ Para onde vai?

Perguntou Maristella quando me viu cesse com uma bolsa no ombro.

─ Entregar mais currículo, a situação está apertando cada vez mais.

Ela assente com uma expressão ameno a, as vezes ver Maristella com essa cara me dava uma leve raiva. Ela nunca perdia o controle de suas emoções, sempre acreditava que tudo ia ficar bem. De repente meu celular vibra no bolso de trás da calça. Atendo rapidamente.

─ Boa tarde, falo com a senhorita Manuella?

Uma mulher com a voz calma pergunta do outro lado da linha.

─ Sim, é ela mesma. Aconteceu algo?

─ Liguei para marcar a sua entrevista para a vaga de recepcionista aqui na Camargo Ferreira.

Segurei minha emoção para não gritar de felicidade.

─ Certo, que horas?

─ A tarde, não atrase.

Desligo com os olhos cheios de felicidade, mas era apenas uma entrevista, eu não podia alimentar falsas esperanças. Só de pensar na minha carteira sendo assinada eu sentia vontade de pular de alegria. Maristella saiu da cozinha secando as mãos, me olhando.

─ Aconteceu mais alguma coisa?

─ Sim, eu consegui uma entrevista na Camargo Correia.

Ela correu para os meus braços e me abraçou.

─ Estou tão feliz!

─ Não podemos comemorar antes do tempo.

Ela revira os olhos.

─ Vamos arrumar uma roupa social para você ir a essa entrevista.

Maristella pegou uma das roupas sociais de nossa mãe, ficou perfeito, na verdade, minha mãe tinha quase o mesmo corpo que eu na minha idade, arrumamos o meu cabelo em coque alto, mas não passei nada no rosto.

─ Sua pele já está perfeita, não temos nada disso aqui.

Resmungou enquanto ajeitava a gola da camisa.

Horas depois eu já estava novamente em frente aquela empresa. Minha confiança de foi mais uma vez, eu me sentia inferior a todas as pessoas por lá. Segurei firme em minha bolsa suspirando. Entrei no local de forma tímida e fui direto para a bancada de informações, algumas atendentes olharam para mim, mas só uma delas veio me atender.

─ Sou Manuella Ferraz, vim para a entrevista de emprego.

─ Certo.

Ela me fita do cabeça aos pés.

─ Siga-me.

Ela pede para que eu a siga e eu o faço. Olho para os lados e haviam apenas duas pessoas do lado de fora, pelo visto não tinha tantas pessoas assim atrás dessa vaga.

─ Você será a primeira a ser atendida, pode entrar.

Observo aquele corredor branco bem iluminado, era tudo tão luxuoso que eu ficava sem jeito. Arrumei meus cabelos e respirei fundo, meu coração estava acelerado. Abro a porta e dou de cara com um senhor que aparentava ter uns 45 anos falando ao telefone. Ele estava sentado em uma cadeira atrás de uma mesa, parecia agitado.

- Não... quero para hoje!

Ele dá uma pausa enquanto passa a mão sobre os cabelos brancos e continua.

- O senhor Gilberto vai ficar uma fera!

Me sento na cadeira de frente para o mais velho, ele parecia nem dar conta que estou ali. Pigarreio para chamar sua atenção, não funciona, faço outra vez e ele vira para mim bufando.

- Sim, querida?

Perguntou com desdém.

- Eu vim entregar meu currículo...

sou interrompida.

- É sua.

Diz ele ainda com o telefone ao ouvido.

- É-o que?

Questiono incrédula.

- A vaga de recepcionista, sua tonta! Por deus, estou tão bravo.

- Sério?!

Levanto acento ainda sem acreditar.

- Você está brincando comigo?

- Já estou de saco cheio com tantas pessoas vindo e saindo daqui desde a semana passada. É apenas uma vaga de recepcionista.

Por mais que a vaga fosse "simples", eu não questionei, era a chance da minha vida.

- Muito obrigada, muito mesmo, o senhor não sabe o quão gentil está sendo, prometo não decepciona-lo.

Por um breve momento ele pareceu ficar calmo, mas depois voltou ao modo de antes.

- Está bem, está bem! Amanhã apareça às seis horas. Procure por Isabela. Ela irá lhe ajudar com toda a parte burocrática, pegue esse papel e entrega a ela. Assim irá saber quem é você.

Ele me entrega o papel.

- Obrigada mais uma vez, amanhã compareço.

Consegui o emprego sem fazer entrevista, era inacreditável, no começo eu não tinha entendido nada mas depois apenas aceitei, talvez agora as coisas estivessem vindo ao meu favor.

Fui para casa sorridente, me belisquei diversas vezes para ter certeza que era tudo real e não apenas um sonho.

Cheguei em casa e fui para o quarto de minha mãe, a moça que cuidava dela estava lá.

- Ela não quis comer nada, Manuella. Parece criança birrenta.

Olho para minha mãe, ela não me encarava, olhava para lugar nenhum.

- Obrigada por ajudar. Assim que puder eu vou lhe dar um pagamento.

Coloco minha mão em seu ombro.

- Vai para casa que eu cuidarei dela.

- Está bem, Manuella. Até outro dia.

A mulher sai me deixando a sozinha com minha mãe.

- Por que não quer comer?

- Estou sem apetite.

Além do câncer, minha mãe tinha recaídas de depressão. Tinha dias que ela falava muito e ficava feliz, mas era corriqueiro suas crises. Nesses dias eu e Maristella tentamos ser mais compreensíveis e atenciosas, às vezes era mais complicado do que parecia.

- Mesmo assim, tem que comer. Os remédios lhe deixam extremamente fraca, vamos, faça esse esforço.

- Aliás, tenho uma novidade para a senhora.

- Me conte. - Disse seguido de tosse.

- Só vou falar se você comer tudo.

Ela revira os olhos, mas se rende, entrego o prato a ela e a mesma começa a comer.

- Bem, ontem fui demitida do café, mas hoje já consegui um novo emprego melhor.

- Não vou ganhar muito, mas já é mais do que eu ganhava quando trabalhava com faxinas.

- Você se mata de trabalhar para manter essa casa... não deveria se esforçar tanto.

- Mas não deveria. Me sinto tão culpada.

Ela leva a mão até o peito onde estava seu medalhão, o mesmo cujo tinha uma foto minha e de Maristella dentro.

Ficamos conversando e após ela terminar de comer, assistimos televisão até a mesma cair no sono. Ajeitei seu corpo na cama e me belisquei mais uma vez para ter certeza de que não era um sonho.

Cheguei na empresa exatamente às seis da manhã, mesmo com roupa social ainda me senti inferior aquelas mulheres com belas curvas. Respirei fundo e adentro o edifício, fui a recepção e senti que algumas meninas me fitando. Dentre elas, estava uma mulher linda com roupa diferenciada, ela era loira e formosa.

- Bom dia, alguma de vocês pode me dizer onde eu encontro a Isabela, por favor?

- Alguma de vocês conhece alguma Isabella?

Perguntou a mulher me olhando de cima a baixo.

- Então mostre a essa menina.

- Ela está no vestuário.

Disse mascando chiclete, os barulhos da saliva com as mordidas eram mais irritantes que o salto de seu sapato batendo no chão limpo.

- Isabella?

- Você sabe onde posso encontrar a Isabela?

- Está falando com ela. Pois não?

- Fui contratada para a vaga de recepcionista, o senhor que me contratou me pediu para entregar isso a você.

Entrego o papel a ela e a mesma o observa e seguida sorrir para mim.

- Ah sim, o nosso gerente mencionou para mim, teve muita sorte.

- Nem me diga, estou incrédula até agora.

- Bem, precisamos resolver a parte burocrática em outro departamento. Mas antes, vou te entregar sua farda.

- Está aqui! Experimenta. - Ela aponta para uma porta. - Ali tem uma cabine, vai lá.

Entrei no banheiro e tudo era lindo, era impressionante. O cheiro de eucalipto me embriagava junto com o espelho limpo a minha frente.

Tirei minha roupa, vesti aquela roupa com cheiro agradável, me olhei no espelho e mesmo com as olheiras e o cabelo castanho ressecado, me senti bonita.

Saí do banheiro e Isabela abriu um sorriso radiante.

- Caiu como uma luva!

Ela vem ao meu encontro e passa seu braço ao redor do meu.

- Venha, vou mostra onde você vai trabalhar.

Nós saímos do lugar e caminhamos até a recepção novamente, ela ia na minha frente.

- Sempre venha bem apresentável, cabelos bem penteados e maquiada.

Lembrei que não passei nada antes de vir-me me puni mentalmente.

- Temos duas horas almoço livre, e sempre troque de roupa antes de ir para casa, normas da empresa. Como se alguém fosse querer sair com essas roupas feias.

Ambos rimos de suas palavras.

- Está bem. - Observo o grande lustre que estava na recepção - uau, tudo aqui é tão lindo.

- É, os arquitetos da empresa são meio exagerados, até com os banheiros dos funcionários, como você percebeu.

A empresa era grande, mas eu nunca tinha ouvido falar dela antes, parecia uma miragem.

- Nunca ouvi falar nessa empresa.

- Foi herdada pelo Gilberto Camargo Ferreira, basicamente é uma empresa de vinhos internacionais da Itália ou qualquer coisa do tipo.

Ela gesticula e chega mais perto de mim quase sussurrando.

- a família dele é podre de rica.

- Nossa, é muita coisa mesmo. Mas eu também nunca ouvi falar nele.

Isabela solta um sorriso malicioso e vira-se para mim.

- Eu já esperava. Ele é o homem mais gostoso que existe no mundo, com aqueles olhos verdes e aquele peitoral tão definido que dá para ver de seu terno... Fora a voz, meu deus, que voz! Um sotaque italiano. Sempre muito elegante e tem um ótimo bom gosto. - Ela morde os lábios - Aposto que o pinto dele deve ser maior que ele.

Minhas bochechas queimaram, aquela conversa estava tomando um rumo estranho.

- Você é maluca? - Pergunto cochichando - Acho que todos ouviram.

Isabela sorrir e nós chegamos a recepção, a moça bonita ainda estava lá.

- Vocês vão ficar de conversinha ou vão trabalhar?

Questionou ela, mais arrogante que nunca.

Sem mais delongas eu e a Isabela fomos para trás do balcão, estava me sentindo muito contente, mesmo com os olhares de reprovação das outras meninas. Pelo menos agora eu poderia pensar em outras coisas além das minhas dívidas.

- Todos aqui são sempre assim, grosseiros?

Pergunto próximo ao seu ouvido para que as outras não ouvissem.

- Elas todas trabalham para a mesma pessoa, mas se acham melhores que todos.

Isabela não cochichou, falou em voz alta e as outras bufaram.

- Não ligue para essas fofoqueiras, não é querendo me gabar, mas você se deu bem comigo. Pelo menos não me acho melhor que ninguém, por outro lado, essas são todas oportunistas.

- Eu já tenho experiência com esse tipo de colega de trabalho. - Digo. - E o que eu devo que fazer?

- É moleza, apenas recepcione as pessoas. Leve água, café, mostre os locais, você será quase uma guia turista.

- Mais tarde vamos terminar o tutorial pela empresa e após o almoço vamos resolver as partes burocráticas.

Der repente o nosso foco vai para a multidão que se formou na porta da empresa. As meninas na bancada ficaram eufóricas e eu apertava os olhos para enxergar o que estava acontecendo. Isabela me cutucou com o cotovelo e continuou olhando para frente.

- Se você nunca viu o senhor Gilberto vai ver agora.

Isabela diz em um tom malicioso, logo aparece o rosto mais perfeito que eu já vi em toda minha vida, olhos verdes, cabelo preto, corpo atlético que dava de ser visto até de seu terno, a boca que parecia ter sido esculpida por anjos. Eu estava fascinada com aquele ser que passava em minha frente, minha respiração ficou abafada apenas o observando. Parece que ele leu meus pensamentos pois o deus grego mirou seu olhar a mim, eu fiquei tão sem jeito que tentei disfarçar que não estava comendo-o com os olhos.

Vejo a mulher que estava atrás do balcão indo em sua direção, ela estava falando com ele, e o mesmo desvia o olhar colocando de volta seus óculos escuros.

Capítulo 2 AMOR OU PAIXÃO INDOMÁVEL

CAPITULO 02

Depois de um longo dia de trabalho exaustivo, fui para casa tarde da noite, eram 22 horas quando cheguei em casa. A noite parecia mais escura quando João estava em frente à minha casa, ele e os seus amigos costumavam ficar lá quando iam me cobrar. Dessa vez não foi diferente.

Procurei pelas minhas chaves na bolsa com as mãos trêmulas, assim que as peguei, elas caíram no chão. Abaixei para pegar, mas já era tarde, ele já estava a minha frente. Levantei, mas sem olhar para o rosto dele.

─ Meio tarde, não acha?

A voz rouca dele me dava náuseas.

─ Estava trabalhando.

─ Ótima notícia, assim você me paga o que deve.

João quebra a barreira entre nós, eu me afasto.

─ Manuella, eu gosto de você, mas já tem dois meses que você não paga.

Ele umedece os lábios e tira o cabelo que tinha no meu rosto com a ponta dos dedos.

─ Não esqueça que temos negócios a tratar.

Eu estremeci com o toque dele. Ele se aproxima mais vez, eu vou para trás, mas minhas costas já colidem com a porta de casa.

─ Maristela está andando tarde da noite ultimamente...

Ele fala com uma voz manhosa.

─ Eu vou pagar a droga do seu dinheiro!

Ele sorri.

─ Você tem até o final desse mês.

João some da minha varanda.

Eu abro a porta rapidamente e tranco com as mãos tremulas. Meu peito descia e subia com força, aquela fora a primeira vez que ele invadiu meu espaço pessoal e me ameaçou desta forma.

Engulo a seco.

Ele podia mexer comigo, mas com a minha irmã? João não era confiável, eu tinha que proteger minha irmã

.

─ Graças a Deus que Maristela já está dormindo.

Digo a minha mesma sussurrando.

Ainda bem que Maristela não viu essa cena, ela não merece isso

Vou até a cozinha beber água, pego um copo tiro água do filtro e bebo, me vem umas lembranças do quase orgasmo que tive hoje apenas de olhar para meu chefe, ainda estou tentando me recuperar.

─ Chegou tarde.

Maristela entra na cozinha me assustando.

─ Que susto! ─ digo com uma das mãos no peito.

Ela pula em minha direção com animação.

─ E como foi o primeiro dia?

─ Foi exaustivo, ficar de pé não é mais fácil. Meus pés estão me matando.

Digo tirando meus sapatos.

─ Você quer uma massagem ou jantar?

─ Não, estou bem. Você já deveria estar dormindo, Maristela.

─ Resolvi esperar por você. Estou contente!

─ Eu sei irmãzinha, agora vamos dormir.

Dou um beijo sua testa e subo para meu quarto. Tomo banho visto minha camisola e durmo.

No dia seguinte o despertador toca às 5:00, não sou do tipo que fica enrolando na cama para acordar. Me levanto de uma vez e vou direto para o banheiro, faço o básico e visto logo uma roupa social, arrumo os cabelos e faço a maquiagem cujo Isabela mencionou. Desço e vou para a cozinha, Maristela estava sentada tomando café pronta para ir à escola.

─ Bom dia, fiz panquecas e ovos fritos.

Sento a mesa enquanto ela me serve um prato com ovos.

─ Hum, está aprendendo a se virar. Estou orgulhosa.

Ela sorrir.

─ Você faz tanto, queria lhe ajudar em algo.

Dou um beijo em sua cabeça.

─ Você já me ajuda mais do que deveria.

Saio de casa e vou para a estação, eu não sabia que demoraria tanto para o metrô finalmente passar. Observei o relógio e eu me atrasaria minutos, mas já seria algo ruim de se fazer no segundo dia de trabalho. Eu corri até a empresa, entrei pelos fundos e fui direto para os vestiários, vesti meu uniforme e andei até a bancada, mas durante o percurso fui apanhada.

─ Você, está atrasada!

A mesma mulher que estava com o meu chefe me intervém.

─ Me desculpe, o metro atrasou......

─ Isso não é problema meu. ─ ela olha para mim com os olhos cerrados ─ Você não é a nova recepcionista?

─ Está demitida! ─ disse sem pestanejar.

─ Por favor, não faça isso, eu só me atrasei poucos minutinhos.

Ela me observa com um sorriso maldoso no rosto, com olhar de forma superior.

Eu seguro minhas lágrimas.

─ Esse empreguinho vale tanto assim para você¿

─ Por favor, não faça isso. Eu faço o que quiser!

─ Isso é muito interessante... ─ ela diz me olhando da cabeça aos pés. ─ Eu tenho um serviço especial para você, qual seu nome?

─ Me chamo Manuella, senhora,

Meu broche de funcionaria, segundo Isabela, ainda estava sendo feito. Hoje eu o pegaria, se não fosse demitida.

─ Gilberto me pediu para limpar a sala dele, esse serviço será seu, limpe tudo antes dele chegar.

─ Claro, senhora!

Peguei o espanador e comecei tirando a poeira, não estava tão sujo quando eu imaginava. No fim, falta apenas tirar uma mancha do chão, peguei o pano úmido e me coloquei de joelhos no chão. A manchas era insistente, mesmo com eu usando toda minha força, ela continuava lá.

─ Quem é você?

Eu me viro abruptamente, quando vejo Leonardo olhando para mim com o cenho franzido eu caio para trás. Ele vem me ajudar de imediato.

─ Perdoe-me se te assustei.

Ele estende a mão para mim, quando pego, sinto uma onde elétrica passando pelo meu corpo.

─ Essa não foi minha intenção.

─ Senhor... Desculpas, eu... limpar.

Fiquei tão nervosa que minha voz saiu trêmula, e tudo embaraçado.

Ele me olhou confuso.

─ Me desculpe, não entendi.

─ Desculpa, a senhorita Celina me mandou limpar sua sala.

─ Eu já entendi isso.

Fala ele ainda com uma das sobrancelhas arqueadas.

─ Isso não era para ser serviço seu, mas tudo bem. Pode continuar o que estava fazendo.

Ele se aproxima de mim, o que vai fazer? Eu vou morrer.

─ Com licença, mas preciso da minha mesa para trabalhar.

Ele sorri mostrando todas suas covinhas.

─ Ó, sim, perdão.

Saio do seu caminho e tento continuar limpando com a presença dele na sala.

Não sei se estou ficando maluca pelo nervosismo, mas me pareceu que ele me olhava as vezes, seria estranho alguém como ele olhar para alguém como eu.

─ Senhor Gilberto, me chamou?

Celina entra na sala e me metralha com os olhos.

─ Sim, eu quero conversar com você sobre isso, mais tarde.

Ele falou tão sério que eu fiquei ainda mais desconcentrada.

─ Sim, senhor.

─ Ótimo. Agora você, senhorita?

Ele procura pelo meu broche, mas infelizmente eu ainda não estava com ele.

─ Manuella, senhor.

─ Pode nos deixar a sós? E seu salário será aumentado esse mês por conta disso. Sinto muito.

─ Não precisa.

Pego meus utensílios de limpeza, mas antes que eu saísse da sala, vi o olhar de reprovação vindo de Celina.

Ele apenas umedece os lábios e eu fecho a porta deixando os dois.

Capítulo 3 AMOR OU PAIXÃO INDOMÁVEL

CAPITULO 03

O dia foi tenso, Celina me olhava como se quisesse me matar. Eu não queria mexer com alguém como ela, que com certeza pisaria em mim como se eu fosse uma mísera barata.

Falei do ocorrido para Isabela durante o horário de almoço e ela gargalhou.

- Eu não posso acreditar, Manuella- ela indagou ainda rindo.

- Foi muito constrangedor.

- Mas como ele é de perto e a sala dele?

- Ah, eu não reparei muito.

Finjo dar de ombros.

Ela me lança um olhar cético.

- Está bem, está bem. Ele foi educado e só. Somente isso, Isabela.

- Está bem eu me rendo.

- A sala dele é muito bonita.

- Podre de rico, tinha que ser né.

Para mim era estranho a visível divisão de classes. Enquanto Gilberto tinha toda a riqueza do mundo, e eu me humilhei mais cedo para continuar em um emprego de recepcionista.

Já estava nos últimos minutos do meu expediente.

- Finalmente, trabalho concluído.

Isabela diz trocando de roupa.

- O dia foi duro hoje.

- Muito cansativo, e agora a minha noite vai ser fantástica.

- E por quê?

- Tenho um encontro com um homem maravilhoso, ele é perfeito.

- Uau, um homem perfeito?

- Quero dizer que aparentemente sabe fazer as coisas, entende? Não existe homem perfeito dona Manuella.

- Certamente.

Depois de uma conversa divertida, Isabela vai embora e eu caminho até a estação de metrô mais próxima que ficava a umas quadras da empresa.

Já estava tarde eu estava sozinha, mesmo sendo uma rua muito movimentada durante o dia, a noite tudo fica parado.

Um carro se aproxima de mim, eu me assusto e me afasto, poderia ser um sequestrador ou um psicopata qualquer, mas o automóvel era muito chique para ser de qualquer um. O motorista abaixa o vidro e vejo quem era, sr. Gilberto.

- Quer que eu a leve para casa? - Perguntou.

- Não, eu estou indo para a estação.

Minha voz sempre fica falhada quando se tratava do Gilberto.

- Tem certeza? Está bem tarde, não vai me custar nada te levar pelo menos na rua da sua casa. - Disse.

- Mesmo assim, acho que não seria adequado.

Ele olha para frente e bate repetitivamente seu dedo indicar no volante, parecia pensar.

- Te levo pelo que aconteceu hoje, para ficarmos quites. Está bem?

Fico relutante, mas no fim aceito a proposta.

- Tudo bem.

Entro em seu carro. O cheiro que exalava era tão bom, perfume masculino e carro novo.

- Você está desconfortável?

Diz ele ainda com a atenção voltada para a rua.

- Sim, não é todo dia que alguém como você me oferece carona.

- Não leve isso a mal, eu só a vi sozinha e não quis ser rude. - Continuou

- Acredite ou não, tento ser um cavalheiro que não faz distinção.

- Está tudo bem.

Eu não olhava em seus olhos, sentia vergonha. Ele sendo oposto de mim, sempre me olhava nos olhos, sem vergonha e com intensidade, talvez porque seus olhos eram duas piscinas esmeralda.

- Eu confesso que nunca a vi na empresa, é funcionaria nova¿

- Sim, eu fui contratada há dois dias por um homem de sanidade duvidosa.

Ele deu uma gargalhada do que eu falei.

- Não seja tão malvada com meu querido gerente. Ele costuma ser bem seletivo.

Paramos no sinal, não haviam muitos carros má avenida. Senti seu olhar queimar sobre mim.

- Assim como eu sou.

- Manuella?

Ouvi sua voz bem no fundo, era como se eu tivesse apagada ainda de olhos abertos.

- Pode me dizer sua localização?

- Há sim, acabei me esquecendo de te passar o endereço.

O resto do percurso eu não abri a boca pra falar nem um "a", aparentemente ele percebeu que eu quase babei em seu carro após aquela troca de olhares de segundos.

- Chegamos.

Ele desliga o carro.

-- Obrigada, senhor Gilberto.

- Foi um prazer, Manuella.

A cada vez que ele falava meu nome eu sentia meu corpo dar pequenos espasmos, o sotaque dele falando meu nome me instigava.

Saio de seu carro e entro logo em casa, ainda estava ofegante e com muita vergonha. Subi e fui direto para o banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu corpo, me lembrava daquele homem meu coração acelerava e minha mente ficava confusa, um sorriso bobo escapou de meus lábios.

Minutos depois saí do banheiro e fui para meu quarto, me joguei na minha cama e fiquei fitando o teto branco.

Era bobagem ficar pensando nele, um homem como Gilberto Camargo Ferreira, não era qualquer um, ele tinha muitas outras melhores do que eu.

No dia seguinte, acordei mais cedo, não queria ser punida novamente. Levantei e fui direto para o banheiro, tomei banho e vesti minha roupa sem graça de sempre. Mas antes de sair fui no quarto da minha mãe, dei um beijo em sua testa e quando ia sair ela segurou meu pulso.

- Manuella? - Ela estava fraca.

- Descanse, mamãe. - Passo minha mão em sua cabeça sem um fiapo de cabelo. A quimioterapia já tinha feito seus cabelos loiros caírem há dois anos atrás.

- Estou sentindo muitas náuseas.

Lagrimas quiseram vacilar dos meus olhos, nem eu nem Maristela fazíamos ideia do que mamãe sentia. Ela mesmo com tudo isso se mantem forte, mas como todos, as vezes ela falhava. Me forcei a abrir um sorriso, entreguei o remédio designado para náuseas.

- Durma mamãe, vai ficar tudo bem.

Saio do quarto e suspiro. Desde que meu pai descobriu que minha mãe estava com câncer, após uma longa briga onde ele a culpou pela doença e alguns dias depois fugiu de casa, nunca mais o vimos em lugar algum, nem nós, nem os criminosos que ele devia. As únicas lembranças que tenho de meu pai foram as dívidas e as diversas brigas que teve com minha mãe. Maristela ainda era uma criança quando tudo começou a desmoronar, levaram tudo, até a nossa casa de bonecas que ficava no quintal ao lado da piscina de plástico. O que vemos hoje é apenas resquícios de uma vida que um dia fora feliz, o quintal estava cheio de mato que mal podíamos ver do outro lado do muro. Era triste olhar pela janela da cozinha e ver tudo isso, mas não ter forças para arrumar toda aquela bagunça, e a minha bagunça interna muito menos.

Vou para a estação e espero o metrô, quando finalmente chega eu entro e me sento em um banco vazio ao lado de uma moça. Encosto minha cabeça no vidro da janela e penso em tudo que aconteceu ultimamente, Maristela sempre dizia que eu era a pessoa mais forte e destemida que ela já conhecera, mas às vezes eu me sentia fraca e impotente, como agora.

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