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APRISIONADA AO MAFIOSO

APRISIONADA AO MAFIOSO

Autor:: Fire Books
Gênero: Romance
Maria Luiza Fernandez "Malu", sonhadora, extrovertida e sem papos na língua. Por ironia do destino é obrigada a pagar um dívida que não lhe pertencia, unicamente para não morrer, caindo nas mãos justamente do próprio demônio. Vincenzo Torricelli conhecido por todos como "Chefe". Um homem misterioso, frio, calculista, perverso, dominador e muito possessivo. Seu caminho se cruza com de Malu de uma maneira inesperada, mudando sua vida por completo. Duas vidas opostas ligadas à uma única palavra... Seduzione (Sedução). Quem será que vence essa battaglia (batalha)? Será que teremos algum vincitore (vencedor)? Ou quando se joga com sentimentos todos são meros perdenti (perdedores)? ***************** ⚠️OBRA DEVIDAMENTE REGISTRADA NA ISBN E AVCTORIS⚠️ ⚠️PROIBIDO QUALQUER TIPO DE ADAPTAÇÃO OU CÓPIA SEM AUTORIZAÇÃO⚠️

Capítulo 1 1° Capítulo

Me chamo Maria Luiza Torricelli, hoje aos vinte e três anos tenho uma vida de causar inveja a qualquer mulher. Sempre sonhei em ter uma vida como dessas pessoas que sempre admirei e amava ver nas capas de revistas. Sabe àquela família perfeita diante dos fotógrafos? Pois é, isso que eu sonhava. Hoje tenho, mas só Deus sabe o que tive que passar para ter essa vida de luxo e riqueza. Mas, vocês acreditam que eu trocaria tudo e voltaria no tempo se pudesse?

Sabe, por quê? Porque antes sim eu era feliz... E como diz o ditado: Eu era feliz sem saber.

Mas, hoje sempre digo e repito: É melhor chorar em lençóis de linho do que morrer dentro de um barraco de tábua.

Até os dezoito anos, morei na comunidade Lins de Vasconcelos no Rio de Janeiro. Se eu curtia viver lá? Te respondo no ato que já curti e muito aquele lugar, mas hoje eu odeio mais do que tudo nessa terra.

Sabe, por quê?

Simples bebê... Porque morar numa comunidade requer muito cuidado. Assim como tem pessoas muito boas e trabalhadoras, também existem as ruins e que fazem de tudo para se dar bem sem pensar duas vezes para foder com a nossa vida. E um deles são esses malditos traficantes por exemplo...

Esses metidos a valentões e todo poderosos não pensam em nada além de saciar a vontade deles mesmos. Certo que tem alguns casos raros em que um ou outro se preocupam com os moradores, mas isso bebê é um em um milhão. A realidade é tensa e muito diferente do que vemos nos jornais e nas revistas de fofocas que eu adorava ler. E por falar nisso, por conta dessa porra de revista de celebridade acabei confundindo muito as coisas e hoje parei aqui nessa prisão de luxo que meu digníssimo "marito" insiste em chamar de lar.

Sempre sonhei em ter uma vida boa, tipo artista de cinema sabe? Aquelas mulheres lindas que sempre apareciam ao lado dos astros mais cobiçados desse planeta. Foi numa dessas que me meti na maior enrascada de toda minha vida e estou nela até hoje. De início fui obrigada a fazer tudo o que eu fiz... ou fazia ou era vala aos dezoito anos e ainda por cima virgem. Logo pensei:

Porra! Morrer todos vamos um dia, mas virgem e sem conhecer os prazeres que um homem como Vincenzo Torricelli é capaz de oferecer era demais.

Foi nessa merda de pensamento, iludida por uma das maiores celebridades do momento na área gastronômica, que encobria sua verdadeira face, que eu me joguei de cabeça e vou te dizer bebê... eu me ferrei bonito. Ou como diz o meu lindo, gostoso e perfeito "marito" (esposo):

"Tu mia cara, sei incasinato e bloccato con me per sempre!"

(Tu minha cara, estás fodida e presa a mim para sempre!)

E não é que até nisso o gostosão tinha razão?

Agora bora começar logo a contar um pouco da minha trajetória?

Então sobe a página e vamos nessa bebê que tenho certeza que será inesquecível!

E já te aviso, tome cuidado com o que deseja porque nem tudo que seus olhos cobiçam significa que lhe trará felicidade.

***************

MALU

♤ Algum tempo atrás ♤

Morar em uma comunidade requer muito cuidado por diversos fatores... O porque? Quanto maior o local mais perigoso. Tudo se torna um foco, seja de fofoca, riqueza, saúde e principalmente problemas familiares.

As pessoas mesclam entre o trabalho, serem boas ou serem ruins... Algo bem típico das favelas...

Eu me considero uma pessoa boa, sem vícios...

Apenas sempre gostei de estar atenta à vida dos famosos, pessoas de sucesso e tenho um em especial que vocês logo saberão de quem se trata.

Nunca fui deslumbrada, ambiciosa ou algo do tipo, mais como todo ser humano estou em busca de algo melhor para minha vida.

Contudo infelizmente as coisas mudaram e tomaram proporções inesperadas...

Como comentei antes comunidades tem seus perigos, e neles diversas possibilidades, no meu caso foi a família, para ser mais exata o meu irmão mais velho.

Eu que sonhei com um futuro longe do morro, com um trabalho, uma casa, uma vida tranquila com apenas o que precisava para viver.

Meu pai morreu em um assalto e de quebra deixou um irmão mais velho, o Abraão que foi a minha desgraça.

O desgraçado foi vítima dos traficantes, ele era alcoólatra e vivia pegando dinheiro emprestado com agiotas para suprir seu vício. Eu tentava de tudo para que ele parasse com isso mais não conseguia, até que ele acabou morrendo e eu herdando suas dívidas com os agiotas. Alguns caras eu até conhecia, pois cresceram comigo na comunidade e talvez por conta disso eles não me mataram.

Mas com certeza algo muito ruim me esperava, já que não poderia pagar a dívida imensa que meu irmão fez com eles. Alguns dias se passaram e foi aí que descobri que alguns dos caras tinham ligação com a boca. Aí que tudo fodeu de vez e ao invés de eu dever aos agiotas, passei a ter que prestar contas com os traficantes do morro. Foi aí que o que já estava fedendo apodreceu de vez.

O sub veio até o barraco onde nós morávamos para dizer que a dívida trocou de mão e que eu teria que pagar de qualquer maneira dentro de 24h.

As horas passaram e eu com o cu apertado que nem passava sequer uma agulha de tanto medo que eu estava. Trovão era o pior chefe da comunidade que eu conhecia, o desgraçado não tinha piedade nem da família imagina de uma magrela sem graça como eu.

A dívida cresceu tanto que já era de cem mil reais. E onde que eu ia conseguir levantar uma grana alta dessas em 24h? Nem rodando a madrugada toda na Avenida Atlântica conseguiria isso. Então já estava me acostumando com minha situação e eu iria morrer depois de ser estuprada da pior maneira possível por aqueles porcos da boca.

Já ouvi várias garotas contando altas barbaridades que acontecem naquele quartinho nojento que eles usam pra tudo, desde desovar corpos à comer outros.

Eu já estava me sentindo um lixo e o pior de tudo é que só pensava naquele bonitão da revista. Bem que podiam aliviar meu lado e dá um presente de misericórdia pra essa moribunda virgem né!? Seria nada mal morrer sendo fodida por aquele gostosão dos olhos azuis. - Tá maluca Malu? Essa parada de morte e execução mexeu demais contigo. Até ficou doida sonhando com um cara de revista. - Eu me batia quando levo um susto com a porta sempre colocada a baixo e eu sendo arrastada as 5h da madrugada colocada num carro sendo levada sei lá pra onde.

O carro parou e eles diziam que eu iria pagar a dívida de qualquer jeito.

Eu já estava desesperada, me arrastaram jogando num lugar escuro. Eu fui presa em um quarto sujo, onde eu esperava pra ver o que eles faria comigo.

Sempre fui muito corajosa, mais confesso que agora estou com um medo imenso, não sei o que vai acontecer comigo e com a minha vida. Andando de um lado pro outro no quarto escuro e cheios de coisas empilhadas que foram com certeza roubadas eu pensava em como terminaria a minha vida... Pois pra mim ela tinha acabado ali...

Chorando e com muito medo eu esperava ser perdoada, mas no fundo eu sabia que não haveria perdão. Me assustei quando abriram com força a porta de onde eu estava, era Vinícius um dos meninos que cresci junto agora ele era traficante e pra minha sorte foi ele quem conseguiu convencer os outros a não me matar.

- Vem Malu, se adianta e facilita a minha situação que o chefe quer que eu leve você... - Disse ele com uma voz de quem não queria fazer aquilo

Eu não disse nada, apenas sai daquele lugar horrível e fui com ele. Também o que eu poderia fazer? Meu destino já estava traçado sem que eu tivesse escolha. Meu coração estava a ponto de ter um ataque cardíaco, era agora que eu saberia o que eles iriam fazer comigo. Minhas lágrimas escorriam feito cachoeira, eu tremia, estava em pânico...

Chegando em uma sala cheia de homens armados com armas bem pesadas eu parei na frente do tal chefe que eu só conhecia de vista mesmo, o desgraçado do Trovão. O sujeito era um mulato em torno de 1,80m de altura, musculoso, cheio de correntes de ouro no pescoço, tatuagens por todo o corpo, anéis de ouro nas duas mãos, pulseiras, um Rolex no pulso esquerdo e eu fiquei toda excita só de ver aquele corpo delicioso sem camisa completamente exposto da melhor maneira possível. Mas, tudo passou quando tirei os olhos do seu corpo para olhar diretamente nos seus olhos cinzas e sombrios me fazendo sentir que estava no próprio inferno.

Todos naquele lugar que era chamado de escritório do tráficome olhavam como se quisessem me devorar, eu fiquei ainda mais apavorada com tudo isso, afinal eu era virgem e tudo o que conhecia sobre sexo era o que eu lia naqueles contos eróticos e nas revistas de fofoca onde vai o meu desejo de consumo, o do tal homem de olhos azuis gostosão.

- Você deu sorte gostosa, escapou de morrer... - Disse o tal Trovão me observando e tocando no meu cabelo

- O que vai fazer comigo? - Perguntei assustada me esquivando e ele se aproxima do meu ouvido falando num sussurro que me fez arrepiar todos os pelos do meu corpo

- Vamos te dá de presente pra um bacana aí. E tu gostosinha vai ficar junto com umas mulheres que querem ganhar a vida vendendo o corpo.

- Quê? Não, por favor! Me prostituir não! - Eu disse tentando levantar, mas ele me empurra com uma só mão me fazendo sentar novamente na cadeira

- Eu lamento delícia, até queria ficar contigo, mas nós temos uma dívida com ele e temos que pagar. E você vai ser o pagamento, assim sua dívida também será quitada com a gente. É isso ou a morte! Escolhe aí que ainda dá tempo! - ele fala destravado a pistola e ao ouvir o estalo eu começo a tremer

Eu só sabia chorar e chorar sem parar, realmente minha vida acabou ali, eu seria entregue a uma casa onde as mulheres se vendem e eu teria que fazer isso também, eu preferia morrer ao ter que vender o meu corpo. Que desgraça! Tudo isso por culpa do Abraão! Sorte que ele já está a sete palmos da terra ou caso contrário eu mesmo o mataria.

- Por favor, me matem! Eu prefiro morrer, mas não me levem pra esse lugar! Por tudo que é mais sagrado! Me ajuda Vinicius! Por favor! - Eu implorava olhando pra ele, mas o mesmo diz com uma voz triste

- Desculpa Malu, mas dessa vez não tenho como te ajudar! - ele fala e se afasta logo em seguida

- Lombriga nem é louco de contrariar minhas ordens filhinha! Palavra de trovão vira lei no mesmo instante. Sem chance gatinha, você é gostosa e eles te querem. As outras garotas que vão contigo, tão indo porque elas querem e você vai porque faz parte do meu pagamento.

Então o chefe do tráfico mandou um de seus homens trazer as outras mulheres que estavam em outro quarto a espera, elas se juntaram a mim e depois entrou um homem e uma mulher, muito bem vestidos por sinal, na sala onde estavam todos.

- Essas são as nossas encomendas? - Perguntou o tal homem.

- São todas essas aí, com elas eu pago a minha dívida e líquido tudo com vocês... - Disse o chefe.

- Beleza Trovão! Isso já foi resolvido! Traga as garotas Rebeca! - Disse o sujeito para a mulher que veio com ele.

- Vamos vadias! - Disse ela seca.

Todas as seguiram e eu fui a última ir. Estava desesperada e aos prantos, o que me esperava era a pior das coisas, ser obrigada a fazer sexo com homens que eu jamais vi na vida, perder minha virgindade da pior maneira possível e com muitos homens todos os dias, eu não suportaria, estava pensando que teria que dar um jeito de acabar com a minha própria vida.

Todas entramos em uma van preta que não dava pra ver absolutamente nada através dos vidros, o homem foi dirigindo e a mulher no banco do carona. As meninas que estavam comigo aparentava ter minha idade também,ambas estavam tranquilas, só eu que estava chorando e querendo morrer... Elas me olhavam com pena pois imaginavam que eu não queria estar ali.

Ouvi elas conversando sobre um tal homem que era dono de tudo e que ele escolhia a função de cada menina quando chegasse ao lugar onde elas iriam viver. Passei o caminho todo chorando pensando eu tudo que passei na vida, desde pequena sofrendo sem a minha mãe, com o meu pai morto e de quebra meu único irmão bebendo todos os dias. Eu tendo que cuidar da casa e me virar pra comer, sobrevivi graças a ajuda da família de uma amiga minha, a Júlia, éramos amigas desde pequenas e a mãe dela cuidou de mim... eles não puderam fazer nada quando me pegaram pois senão eles poderiam ser mortos e se isso acontecesse eu não me perdoaria. Mas, tenho a consciência de que eu nunca mais verei eles de novo.

Perdida em pensamentos nem percebi que havíamos chegado, era uma casa imensa, bem tipo uma mansão... confesso que eu pensei que seria um puteiro desses nojentos, mas não era, era uma casa de luxo.

Descemos da van e seguimos o homem e a mulher para dentro da casa. Entramos e eu olhava tudo em volta, era uma casa imensa e impecável. Estilo daqueles filmes italianos, poderoso chefão.

A sala era tipo uma boate dessas de stripper e em cima ficavam os diversos quartos. Muito luxo de deixar qualquer um de queixo caído.

A tal Rebeca era uma mulher muito bonita, loira, em torno de 1,70 de altura, pernas torneadas, barriga chapada, um par de silicones que chamavam atenção de qualquer homem, em outras palavras era um mulherão de parar o trânsito. Mas, tinha dois grandes defeitos, soberba e arrogante ao ponto de causar náuseas.

Sua voz me causa nojo, porém tenho que ouvir atentamente suas ordens. Afinal, aqui eu não passo de mais uma mercadoria, um escambo sem poder de decisão.

- Façam fila vadias, o chefe está chegando para dizer o que cada uma vai fazer... - Ela dizia nos olhando altiva de cima abaixo como se fossemos animais sarnentos.

Minha vontade era estrangular aquela maldita, porém não era o momento. Todas entraram na fila e eu é claro pra variar fiquei por último.

O homem que estava com a Rebeca nos olhava uma por uma e quando chegou em mim ele me olhou como se fosse me devorar.

- Essa daqui eu vou pedir ao chefe pra mim... - Disse ele dando um sorriso de lado e eu estremeci por dentro de medo.

- Peça mesmo Jairo, quem sabe ele te dá. Mas logo essa mosquinha morta? Ta na cara que essa daí tá aqui forçada, ela não para de chorar um minuto sequer desde que colocou os pés aqui.

Ouço a maldita me ofender e um ódio toma conta do meu corpo. Penso em retrucar, mas saio dos meus pensamentos quanto noto um barulho vindo da escada caracol e de repente vimos um homem descer os longos degraus de granito com um ar superior, como um verdadeiro Deus.

Ele estava de terno preto, óculos escuros, no pulso esquerdo um usava um relógio de grife, no direito uma pulseira de ouro trançada e no dedo mínino um solitário de Onix típico dos mafiosos italianos. Era um homem forte, musculoso, mas não exagerado, alto, com barba muito bem desenhada e de cabelos chocolate perfeitos sem nenhum fio fora do lugar. Definindo, eu estava vendo um Deus Grego bem diante dos meus olhos.

Capítulo 2 2° Capitulo

MALU

Rebeca caminhou até ele toda sorridente e oferecida, parou na sua frente e ele logo deu tapa na sua bunda. Depois a abraçou dando um selinho rápido sem tirar os olhos de nós. Aquilo me incomodou, mas ainda não sabia o motivo, até então perceber que tudo seria pior do que eu imaginava.

- Aí estão as garotas chefinho... - Disse ela nos olhando com desdém

- Hum... Magnífico! Vamos ver o que temos hoje... E espero que sejam mulheres que valham a pena e não como na última remessa. - Disse ele nos olhando

- Essas são ótimas chefinho! Eu garanto! - Rebeca fala acariciando o ombro dele

- Assim espero, ou caso contrário já sabe o que acontecerá com sua família. Não é mesmo Rebeca? - o tal homem fala e noto Rebeca mudar a feição no mesmo instante.

O que antes era soberba deu lugar a um olhar de medo que confesso ter me deixado feliz. Era bom saber que aquela maldita tinha o rabo preso e também sabia o que era sentir medo assim como nós. Saio dos meus pensamentos com a voz insuportável do tal Jairo gritando:

- Uma por uma venha aqui na frente... - disse o tal Jairo.

E assim foi feito. Uma a uma foi se apresentando. O tal chefe olhava as meninas, às vezes passava a mão no corpo delas de cima abaixo e dizia o que cada uma teria que fazer.

Eu já assustada demais com aquilo estava suando frio pensando que logo chegaria a minha vez... eu não queria ser entregue ao tal de Jairo. Algumas meninas iriam ser stripper, outras garçonetes e claro que se algum cliente as quisesse elas teriam que ir com eles... e logo chegou a minha vez.

A tal Rebeca me mandou chegar a frente, eu com as mãos trêmulas e segurando uma na outra e com o rosto vermelho de tanto chorar fiz o que ela disse.

- Chefe, eu queria essa pra mim, acho que mereço... - Disse Jairo.

- Calma, calma... Deixa eu vê-la... -Disse ele se aproximando de mim.

Ele pegou minhas mãos e soltou uma da outra com força, deslizou sua mão que era grande em meus braços tirando o meu casaco, minha pele se arrepiou de medo. Ele pegou em meus cabelos colocando pra trás e voltou com as mãos pelo decote da minha blusa e eu engoli seco, as lágrimas escorria em meu rosto.

Apesar do medo e o olhando assim de perto tinha a sensação que já o vi em algum lugar... Apenas não lembro onde.

Sou tirada dos meus delírios pela voz insuportável da Rebeca...

Mas, sim... Só pode ser delírios, ou de onde mais eu o conheceria?

Ele parece ser muito rico e importante, pessoas como eu só o conheceria em uma situação infeliz como essa que me encontro.

- Essa garota é uma mosca morta chefinho, dá ela logo pro Jairo que ele vai mostrar pra ela o que acontece com menininhas medrosas e assustadas aqui... - Disse Rebeca e meu coração disparou na mesma hora.

Ele não disse nada, apenas continuou a sua análise por cada centímetro do meu corpo. Pela primeira vez na vida senti meu corpo estremecer, minhas mãos suarem, um arrepio que vinha do meu cóccix até a minha espinha me causando sensações indecifráveis. Ele me devorava e me despia somente com seu olhar. Eu estava hipnotizada por aquele homem e com a sensação de que o conhecia de algum lugar. Mas, de onde? Onde eu conheceria um homem desses morando numa favela? Nunca!

- Acorde e desperte para sua realidade Malu, esse homem é seu carrasco de agora em diante e você não tem escolhas. Aliás pensando bem tem sim, dormir com ele ou ser morta. - penso enquanto ele continua me cercando

Não sabia o que era pior, morrer ou perder minha virgindade com um bêbado velho porco qualquer. Até que se fosse com esse homem delicioso e misterioso como esse eu não poderia reclamar.

- Cale-se Malu! Parece que esse olhar devorador desse sujeito te hipnotizou e você já está dizendo desatinos.

Continuo no meu transe com ele caminhando em volta do meu corpo e saio no mesmo instante quando sinto que ele parou atrás de mim. Colocou meus cabelos pro lado e passou seus dedos pelo meu ombro direito, eu tremia de medo, sua outra mão subia pela minha coxa e parou no meu bumbum dando um leve aperto. Eu o olhei intensamente por cima dos ombros e respirei fundo já implorando que ele continuasse... Então ele voltou pra minha frente dizendo:

- Já vou dizer o que fazer com ela... - Ele disse... - Agora Rebeca, explique o básico para todas as "ragazze". (garotas)

- Ok chefe.. então vadias. - Rebeca tenta falar e ele logo a interrompe

- Eu disse ragazze (garotas) e não puttanas (putas). Cappicce (Entendeu) Rebeca? - ele fala friamente

- Sim chefinho! Mas, sempre as tratei assim. - Rebeca responde sem graça por ter sido chamada atenção bem na nossa frente

- Isso era antes dessas ragazze chegarem. De agora em diante cada uma será chamada pelo nome de guerra. Não é porque serão acompanhantes de luxo que vão ser tratadas como lixo. Entendeu? - ele falou duramente olhando para a maldita da Rebecca e percebo todas sorrirem desfarçadamente. Elas nos olha furiosa, porém continua falando.

- Então... Garotas... Vocês farão o que lhes foi designado, se algum cliente quiser algo a mais vocês devem obedecer e nunca esqueçam que eles sempre tem razão. No fim do mês receberão o esperado, aqui vocês terão disponibilidades em tudo com relação a integridade física de vocês, pois sempre terão que estar belíssimas... Precisam malhar para ajudar a manter a forma, precisam evoluir o corpo, a linguagem, vocabulário, aprender outros idiomas e a medida que forem evoluindo também vão subindo de cargo. Não toleramos brigas, ofensas entre vocês. Briguem e serão punidas na mesma hora. Descumpram as ordens e serão punidas exemplarmente. Não façam o que os clientes querem e serão punidas... Como já perceberam eu coordeno tudo por aqui na La Casa. Me obedeçam, façam o que eu disser e se não fizerem serão punidas também da pior maneira possível. - ela fala olhando em nossos olhos e principalmente nos meus depois do seu chefinho bonitão tem apalpado todo o meu corpo na frente de todos.

Ela continua caminhando a nossa frente dizendo:

- Haverá um médico que examinará vocês toda semana, ele passará os remédios anticoncepcionais e cuidará da saúde de todas vocês. E aprendam duas regras importantes nesse ramo que levarão vocês a ruína no mesmo instante. Regra número um: Não engravidem jamais e a mais importante de todas que leva qualquer uma de nós se igualar as outras mulheres. Regra número dois: Nunca se apaixonem.

Os homens querem seu amor, seu tempo, sua atenção e seu corpo? Então terão que pagar por isso.

- Muito bem Rebeca... - Disse o chefe sentado na sua poltrona fumando seu charuto e me analisando sem piscar os olhos, mas continua falando:

- Jairo é o encarregado de supervisionar o trabalho de vocês "ragazze", caso tenham algum problema com algum cliente procure ele e relatem tudo, pois ele vai resolver... Agora, Rebeca vai mostrar onde vocês vão ficar... - disse o chefe friamente, porém sua beleza era de enlouquecer qualquer mulher.

- E a mosca morta ali? O que faço com ela? - Disse ela apontando pra mim.

- Essa leva pro meu quarto... - Disse ele me fazendo gelar

- Quê? Como assim? Cê tá brincando né Vincenzo? - Gritou a tal Rebeca incrédula e me fez lembrar de onde eu o conhecia.

- Ouça bem nunca mais diga o meu nome no salão e muito menos dê ataques de ciúmes como se você tivesse direitos para isso. Entendeu? - ele segura firme no braço de Rebeca e rosna palavras num tom baixo, mas no fundo todas sabíamos do que se tratava

Rebeca continua paralisada sem dizer sequer uma palavra e ele continua a falar, mas dessa vez mais alto.

- O que você ouviu Rebeca. Leva a moça pro meu quarto. AGORAAAA!!! - ele grita e ela fica vermelha de raiva

- Porra chefe, pensei que o senhor daria ela pra mim... - Disse Jairo.

- Disse bem... pensou. Mas, pensou errado como sempre. Agora a leve pro meu quarto Rebeca, é uma ordem. - ele fala e sinto meu coração gelar

- Sim chefinho... O senhor quem manda! - disse ela morrendo de raiva me puxando pelo braço - Vem logo garota!

Subimos a escada, ela apertava o meu braço e me puxava para cima pelo corredor imenso que havia, chegando na última porta ela abriu e entrou me puxando, soltou meu braço com força e ficou me analisando de cima a baixo.

- Não sei o que o chefe viu em você sua mosca morta sem graça... - Dizia ela segurando meu queixo eu viro o rosto e ela continua - Só te aviso uma coisa, ele é meu! Se você der uma de espertinha e oferecida eu acabo com você vadia.

- Eu não queria estar aqui se quer saber... - Respondi com raiva tirando forças nem sei de onde

- Nossa! Criou coragem pra falar, foi vadia? - ele fala sarcástica

- Vai a merda ordinária! - grito e ela dá um tapa no meu rosto segurando meu braço com força falando

- Isso foi só um aviso vadia. Eu quero que se recuse à ele o máximo que você puder. Se ele tentar se aproximar dê um jeito dele desistir de você. Se ele me trocar por você eu te mato piranha... - Ela disse soltando meu braço me jogando no chão, saindo do quarto e me deixando sozinha.

Eu respirei fundo e chorei mais ainda pensando:

- O que esse cara quer comigo?

Preciso sair daqui, fugir, dar um jeito de sumir no mundo. Eu estou com muito medo, não sei o que ele vai fazer comigo agora...

Eu olhava em volta do quarto e ele era bem grande, com uma cama imensa, era como um quarto de hotel de luxo desses que mostram na televisão... Tudo muito luxuoso e requintado. Não era cafona como esses pulgueiros chamados de motel que existem por aí.

De repente a porta se abriu e entrou alguém, nem tive coragem de olhar pra trás. Meu medo misturado com assombro não permitiam que eu tivesse nenhuma reação. Passando a minha frente eu vi que era o tal chefe que eu tinha certeza que já conhecia de algum lugar e ao ouvir o nome Vincenzo tive a completa certeza de quem se tratava. Ele era o homem por quem eu estava fascinada desde que vi pela primeira vez naquela revista de famosos. Meu sonho de consumo, o homem que eu me entregaria sem exitar... mas, agora que sei quem existe por trás de Vincenzo Torricelli percebo o quanto fui tola e mais uma fã deslumbrada que imaginou que existia um príncipe encantado por trás desse ser perverso, mas que mesmo assim me excitava somente com seu olhar.

Ele caminhou até uma poltrona de couro preto, pegou um charuto dentro de uma caixa que havia na mesa ao lado, retirou um isqueiro dourado do bolso acendeu e se sentou. Olhou pra mim e disse:

- Sai come servire un uomo come me piccola?

- Como? Não entendo. - Falo mais nervosa do que nunca e ele se levanta vindo em minha direção sussurrando no meu ouvido me deixando completamente excitada.

- Sabe como servir um homem como eu, bebê?

Engulo em seco tremendo por çompleto ao ouvir sua voz rouca, gostosa e sensual tão próxima ao meu ouvido. Ele percebe minha situação morde o nódulo da minha orelha arrancando um gemido de me no mesmo momento... - Ahhhhhhhhh...

E me vira de uma só vez ficando diante dele a poucos milímetros dos seus lábios. O olho como se estivesse hipnotizada e ele somente diz:

- Me serve uma bebida bebê! Por enquanto é só isso que desejo de você criança!

Engulo em seco, sinto seu pau duro encostando no meu corpo. Ele aperta minha bunda e segura minha mão dizendo: - Toque! Sinta! Gosta do que sente?

Eu só salivava com àquela sensação única, minha boceta estava implorando por seu toque. Ele acaricia minha bunda e de repente sua mão rápida já estava na minha boceta, me fazendo estremecer completamente. Abro um pouco mais as pernas sentindo seu toque e gemendo baixinho:

- Ahhhhhh... delícia...

Eu nunca havia sentido aquilo ou nada parecido. Afinal, eu ainda era virgem. Nem mesmo me tocar eu nunca havia conseguido fazer. Porque? Primeiro por vergonha e segundo por não saber nem por onde começar.

Quando penso em apoiar minha mão no meu ombro ele para de imediato dizendo:

- Nada de toques! Capicce? - outra vez ele fala algo que não entendo, mas em seguida continua falando - Agora sirva a minha bebida!

Assinto ainda ofegante e me afasto servindo a bebida que ele pediu. Ele senta novamente na poltrona com seu olhar dominador e lhe entrego o copo me sentando na outra poltrona imediatamente.

Ele bebe rapidamente sua vodca e me olha chamando com as pontas dos dedos. Me levanto e me aproximo dele que fala fazendo eu arrepiar todo o corpo mesmo sem entender do que se tratava. Mas, no fundo eu sabia que estava perdida e completamente fodida nas mãos desse homem. Ele me olha com um sorrisinho e somente diz:

- Preparati piccola, perché il divertimento è appena iniziato.

(Se prepare bebê, porque a brincadeira está só começando.)

Capítulo 3 3° Capítulo

Malu

Continuo sentada na poltrona me sentindo uma peça no mostruário sendo constantemente observada. Eu estava aterrorizada e ao mesmo tempo decepcionada por saber que o cara que eu tanto desejava na verdade não passava de um mafioso. E pior ainda, comerciante... porém, de mulheres.

Ele me olha atentamente, retira seus óculos colocando na mesa ao lado, bebe sua vodca e logo em seguida dá outro trago no seu charuto apagando logo em seguida. Eu não sabia o que fazer... Não sabia se chorava, gritava ou tentava mata-lo. Mas, o que uma garota franzina como eu poderia fazer com um homem musculoso e indiscutivelmente delicioso como ele? Absolutamente nada!

- Para de pensar assim Malu! Não perca o foco! Esse sujeito não é o Vincenzo Torricelli que você sempre amou olhar e sonhar quando folheava aquelas revistas de celebridades. Esse sujeito é o chefe... ou capo como os ilatianos costumam chamar. Ele pisca e estão todos aos seus pés. Ordena e logo é feito. Manda... E logo é saciado... Ai como eu gostaria de ser saciada, devorada e totalmente usada por esse homem. Ahhhhhh!!! Maluuuuu... - Me repreendo mentalmente quando ouço sua voz rouca, firme e muito... mas muito sexy em minha direção me causando sensações inigualáveis e também um susto sem igual.

Olho em sua direção e ele me observa como uma fera que estava a ponto de abocanhar sua presa dizendo:

- Qual é o seu nome? - Perguntou ele me observando.

- Maria Luiza Fernandez, mas os íntimos me chamam de Malu. Mas, isso com certeza não será o seu caso. - respondo seria, mas tremendo por dentro

- Prefiro chama-la de Maria Luiza, mas quanto ao sermos íntimos ja é outra conversa. Fique ciente de que pra você eu sou e sempre serei chamado de Chefe. OK Maria Luíza? - ele fala firme

- Tenho opção? - ele me olha como se formasse uma interrogação na mente e antes que dissesse algo, eu continuo - Pelo seu semblante a resposta é não. E a minha à sua pergunta é Sim Senhor... eu já compreendi sua ordem... CHEFE!

Ele continua me encarando e aquilo me causava muito medo.

- Ai merda! Agora você morre mesmo Malu! Porque tem que falar mais do que a boca garota? Respira... respira e inspira Maria Luiza... tudo vai ficar bem... tudo vai passar e logo você vai despertar desse pesadelo. - fecho os olhos, respiro fundo e levo um susto com a sua voz próxima ao meu ouvido que me fez gritar na hora de susto.

- Ahhhhhh... O que vai fazer comigo? Vou morrer? - disparo sem pensar

- Fique tranquila Maria Luiza, eu não fiz nada demais. Até agora! - ele fala e me arrepio de medo

Ele gira a poltrona me colocando frente a ele e segura na minha nuca com sua mão grande, macia e muito quente falando bem próximo aos meus lábios...

- Sabe meu nome Maria Luiza?

- Não! - 'Ai merda! Que mentira Malu! É claro que você sabe. Porque não esfregou isso na cara dele agora mesmo?

Sei lá o que tá acontecendo comigo, nunca fui medrosa assim e muito menos na frente de um homem. Mas, esse sujeito já me destruía só naquelas fotos imagina assim... cara a cara... Respira e inspira Malu... Não perca o foco... Foco!

Penso e ele continua com suas mentiras:

- Me chamo Lorenzo, mas aqui ninguém me chama pelo nome, somente de chefe. Entendeu Maria Luiza? - ele fala e sinto uma raiva tomando conta dos meus pensamentos

- Ai já é demais! Tá usando até o nome do irmão dele pra tentar me enganar? Ele vai ver só agora. Se tá achando que vou aceitar tudo isso quieta ele tá muito enganado. Aí meu paizinho... que decepção com esse homem. Como pude me enganar tanto com esse safado, gostoso e delicioso. Maluuuuu... Não perca o foco... respira e inspira... -penso e levo um susto com sua voz novamente no meu ouvido

- Entendeu tudo Maria Luiza?

- Sim CHEFE! Entendi tudinho e não precisa gritar porque não sou surda. Sou uma prisioneira, mas tenho todos os sentidos em perfeito estado. - falo sem pensar e me repreendo mentalmente

- Ai Maria Luiza... já éstou vendo que você vai dar trabalho. Mas, logo você vai aprender a lição e quem manda por aqui. - Ele fala e eu continuo pensando

'Pobre coitado e mentiroso... você ainda não viu nada Vincenzo safado! Foco Malu... Foco! - saio do seus pensamentos falando outra vez

- E outra, será que pode me chamar de Malu se não for pedir muito?

- Bom Malu... Aqui faço somente o que quero e com você não será diferente. Portanto para mim você sempre será Maria Luiza e ponto final. Se você gosta ou não isso pouco me importa. Você é gostosinha, mas não o suficiente para mudar um homem como eu. - ele fala tirando as mãos da poltrona, se afastando e ficando de costas pra mim e me fazendo morder os lábios aos ver aquela bunda perfeita caminhando bem na minha frente...

- Puta que pariu, será que meu carcereiro não poderia ser velho, barrigudo, banguela e feio? Mas não, o capeta tinha logo que me mandar esse homem gostoso que me enlouquece... Como meu chefinho é lindo. Foco Malu... Foco... Não esqueça que ele é o Vincenzo Safado! - saio dos meus pensamentos com a sua voz

- Maria Luíza eu sei que você não queria estar aqui e que foi enviada pelas mãos do Trovão como pagamento de uma dívida a La Casa. Então para resolver o seu problema e também o meu, eu ficarei com você... - Ele fala e eu logo o interrompo assustada

- O que disse? - Perguntei sem acreditar e em dúvida se isso era um presente ou uma punição

- Isso mesmo que ouviu Maria Luiza! Eu ficarei com você o tempo que desejar! - meu nome nunca soou tão sexy quanto na boca do Vincenzo Safado... Foco Malu... Foco... me repreendo e ele continua

- Vou ficar com você por um tempo até eu saciar todos os meus desejos mais devassos e depois vejo o que você pode fazer por aqui. - Ele fala como se isso fosse a coisa mais normal do mundo

- Eu não quero ter problemas com a Rebeca... - eu disse.

- Problemas? Porque teria? Sou eu quem mando aqui, sou o dono, o chefe e ela assim como todos faz o que eu mando, o que eu quero ou caso contrário é castigada como todos que trabalham nos meus estabelecimentos.

Eu não disse mais nada, apenas ouvi e fiquei de cabeça baixa. O que eu poderia fazer além de aceitar? Era melhor ser dele do que ficar nas mãos desses clientes velhos, bêbados e cheios de doença que numa ereção podem até sofrer um infarto. Mesmo ele não valendo nada continuava sendo um homem lindo, jovem e indiscutivelmente delicioso.

- Preste atenção, aqui não é a sua mansão dos sonhos e muito menos seu playground. O lema aqui é trabalho. Saiba que eu não sou o tipo de cara romântico e apaixonado que trata as mulheres com carinho. Se fizer algo errado eu te castigo, se me aborrecer ou ser abusada novamente como foi a pouco sofrerá as consequências. Então MARIA LUIZA, seja uma menina boazinha e não teremos problemas entre nós. Entendeu? - ele fala e somente respondo fraco

- Sim Chefe! - eu disse bufando sem olha-lo

- Agora vá para o banheiro, tome um banho, faça tudo o que tiver que fazer, pegue na gaveta uma camisola, vista e volte aqui... não demore.

Eu fiquei parada, assustada, não tenho pra onde correr e nem o que fazer pra me livrar disso.

- Está esperando o quê? Vá logo... -disse ele sem paciência

Me levantei e fui, fiz o que ele mandou entrando no banheiro. Tomei um banho, passei hidratante no corpo e me perfumei com uma das águas de colônia que haviam em cima da pia. Voltei vestida com a camisola branca e calcinha na mesma cor que encontrei na gaveta, que por sinal haviam várias camisolas e lingeries de todas as cores. Parando em sua frente, eu fiquei esperando que ele dissesse algo, estava incomodada pois aquela camisola quase mostrava a minha calcinha, era de seda e também marcava muito bem os meus seios.

Ele se levantou e veio até mim.

- Uma pergunta importante... Você é virgem Maria Luiza? - Perguntou ele e eu gelei.

Fiquei nervosa e a resposta não saía da minha boca.

- Responda a minha pergunta. É virgem?

Eu apenas disse que sim com a cabeça, engolindo seco.

- Mais que merda! - Disse ele... - Vem comigo...

Ele pegou em meu braço me puxando, saindo do quarto, descendo as escadas e indo até o salão, me soltou com tudo quase me fazendo cair.

- Jairo! - Gritou ele bravo.

- Sim Chefe... - disse ele vindo do lado de fora.

- Leve essa garota e faça o que você já sabe que tem que fazer... - disse o chefe.

- Quê? Jura? Ela é virgem? Que beleza! Vem com o papai gostosa! - Disse ele todo empolgado.

- Não, não, por favor, por favor... - eu dizia já chorando.

- Anda Jairo não tenho o dia todo... - O chefe fala e sinto meu coração gelar

- Sim chefe! É pra já! Vamos delícia... - disse ele me pegando pelos cabelos e me puxando.

- Não! Não por favor eu imploro, não não... - eu dizia chorando e tentando me soltar dele, mas ele segurava com força meu cabelo e doía.

Meus olhos buscavam por socorro, mas todos estavam parados com os braços cruzados somente observando tudo, enquanto ele me arrastava por todo salão.

- Vem logo gostosa, você vai gostar, vou fazer com toda força e vai acabar rápido... - dizia ele me puxando pra fora.

Vincenzo observava tudo, mas não se movia, nem sequer tinha alguma expressão. Isso me causava dor, sofrimento, decepção por ter sido apaixonada por uma imagem durante todos esses anos e agora ele me tratava como se fosse um lixo... um nada. Lágrimas desciam dos meus olhos sem controle...

Jairo me puxou para fora me levando até um canto do jardim, eu chorava e tentava me soltar dele, ele me prendeu na parede, eu me debatia e gritava.

- Me solta, me solta! - Eu me debatia e o estapiava sem sucesso

- É das que resistem e das selvagens que eu gosto mais, sabia? - dizia ele beijando e mordendo meu pescoço.

Eu sentia nojo, tentava me soltar mas ele era mais forte que eu e me prendia.

- Não! Me solta seu nojento, me solta! - Eu gritei e numa tentativa de fugir mordi o braço dele correndo para o salão e a desgraçada da Rebeca parou bem na minha frente ajudando Jairo me segurar outra vez.

- Sua vadia... Olha só o que você fez? - Disse ele bravo me pegando novamente pelos cabelos.

Eu chorava muito, pois estava mesmo doendo e o pior era ver Vincenzo parado sem me ajudar. E logo ele que sempre gostou de dizer em seus slogans que as mulheres são os bens mais preciosos dessa terra. Agora percebo porque dizia isso... Porque para ele não passamos de mercadorias de luxo que se pode negociar sem barganhar.

- Você vai me pagar por isso safada... - Jairo me disse virando um tapa em meu rosto me fazendo cair no chão.

Eu caí com as mãos no rosto e um pouco tonta, estava tudo meio embaçado, pois doeu demais esse tapa. Jairo era um homem forte, alto e com uma força descomunal. Continuo caída no chão quando ouço um grito.

- Chega Jairo! - disse Vincenzo vindo até nós com as mãos no bolso, com um ar de tranqüilidade... - Não bata na cara das garotas, não quero elas marcadas... - ele disse friamente

- Desculpe chefe, mas essa vagabunda me mordeu sem que eu deixasse e estava resistindo. - Jairo fala segurando o rosto

- Desaprendeu a dominar uma mulher? - Vincenzo dizia sarcástico fumando

- Não chefe! Mas, ela não é uma mulher, mas sim um capeta! - Jairo fala furioso

- Levanta Maria Luiza... - Vincenzo ordena me olhando

- Não consigo... Minhas oernas doem muito e estou tonta. - eu disse ofegante e no canto da minha boca saía sangue.

Ele não disse nada, apenas me pegou pelo braço levantando e me puxando novamente para subir as escadas. Passamos pelo imenso corredor até chegar no seu quarto denovo.

- Vá ao banheiro e limpe seu rosto, depois volte aqui... - disse ele friamente

Eu fui chorando, lavei meu rosto e limpei o sangue com um algodão, passei um remédio na ferida que havia ficado e voltei para o quarto dele.

- Já viu que aqui se você não faz o que mandam você paga, não viu? - Disse ele e eu não respondi.

- Agora você vai ficar aqui, mais tarde você vai colocar um dos vestidos que há no guarda roupas, se maquiar e esconder esse hematoma, ficar bem bonita, pois vai descer e ver como deve agir no salão.

Depois disso ele saiu do quarto, eu me joguei no chão e chorei, chorei horrores, não tinha nem forças pra me levantar. A minha vida virou um pesadelo, eu não tinha nem como escapar daquilo, ou fazia o que tinha que fazer ou morreria de tanto ser castigada.

Eu sei que fiquei ali no chão até a hora de me arrumar e descer. Escolhi uma roupa, um vestido preto curto de mangas longas.

Fiz uma make pesada escondendo a marca em meu rosto, deixei os cabelos soltos e com um pouco de volume. Coloquei um salto e estava pronta.

Alguém entrou no quarto em seguida, olho e vejo que era Rebeca. Ela me mandou descer dizendo que a casa já estava cheia.

- Sorria e mude essa cara de mosca morta entendeu? - Ela disse.

Apenas concordei com a cabeça e logo descemos.

De mulheres só tinha mesmo as que trabalhavam na casa, o resto era tudo homem... bebendo, dançando com as meninas, jogando dinheiro para as dançarinas no pole dance e alguns na área vip.

Desci as escadas e fui até o bar junto com Rebeca. Ela logo tratou de ir recepcionar uns americanos que chegaram. Assim que ela se afastou uma menina parou do meu lado puxando conversa.

- Oi... você é nova aqui né? - Perguntou ela.

- Sim, sou... - respondi sem ânimo

- Sou a Angel... prazer. - ela fala esticando a mão

- Me chamo Maria Luiza, mas pode me chamar de Malu. - respondo aceitando o cumprimento

- Você é uma garota sortuda. Sabia Malu? - Disse ela.

- Porque diz isso Angel? - pergunto desacreditada

- Malu, você acha que é qualquer uma que fica no quarto do chefe e usa as coisas que ele tem lá? - Ela disse.

- Não sei nem porque ele me escolheu, tem mulheres melhores, como você por exemplo. E eu nem queria estar aqui. - falo triste

- Ah gata, se ele te escolheu aproveite, ele não faz isso a muito tempo, a única foi a naja da Rabeca. - Angel fala e não consigo acreditar em que eu conseguia perceber como poderia tirar proveito por ter sido a escolhida

- Eu não quero ficar aqui Angel, vou fugir assim que puder. - falo pensativa

- Se conseguir né querida? Porque aqui eles vigiam a gente 24hrs. - Angel fala

- Vou dar um jeito... - eu disse.

- Preste atenção no que eu vou dizer Malu... seja ousada, o chefe te escolheu, seduza ele, aproveite o máximo que puder, faça ele ficar caidinho e aí quando ele menos esperar você foge. Pois ele vai te dá carta branca gata... - Angel fala

- Como assim carta branca? - pergunto confusa

- Ele vai te dar liberdade quando ele conquistar tudo que ele quer com você, aí você vai poder fugir. Seja sincera ele é lindo, só é frio, mas uma mulher pode deixar um homem louco se ela quiser, qualquer homem gata... Seduz ele, faça ele comer na sua mão e aí você vai ter liberdade... Rebeca só não foi embora porque ela gosta dele e tem o rabo preso. E tá aí mais uma vantagem de ser escolhida, você será somente dele, não vai atender clientes. - Angel fala e fico pensativa

- Parem de conversar e vão logo trabalhar... - disse Jairo passando por nós.

- Pensa no que eu disse gata... Você tem a oportunidade de se livrar disso tudo se quiser Malu. Basta ser esperta.- Angel fala baixinho e logo sai

E realmente eu fiquei pensando... Se eu conseguir agrada-lo, será que ele vai mesmo fazer isso que Angel disse? Tenho que tentar, pela minha liberdade e realmente ele é lindo. O problema é ser frio e não esboçar nada, nenhum sentimento, só frieza.

Vou tentar... não custa nada. Se ele me escolheu é porque me quer.

Tenho que perder o medo, tenho que ser forte, ousada, não vou deixar ninguém me pisar aqui, vou ser superior a todas, até mesmo a Rebeca. Preciso fazer isso se quero ir embora.

Na mesma hora eu mudei a minha postura, levantei os ombros e o rosto, fiz cara de superior, com a auto estima lá em cima, pedi uma taça de champanhe no bar e bebi um pouco.

- Eca! - era horrível.

Nunca havia bebido, mas precisava fazer uma pose. Depois comecei a caminhar entre as pessoas, os homens me olhavam dos pés à cabeça e eu sorria para eles levantando discretamente a taça como se estivesse cumprimentando.

Caminhei até as escadas e fiquei parada ao lado dos degraus, observando tudo... Jairo veio até mim dizendo:

- Você está deliciosa sabia? - Disse ele.

- Como sabe se não provou? - Respondi olhando desconfiada

- Que isso? De uma hora para outra ficou abusada? - Jairo fala me olhando

- Mudei de personalidade. Pelo visto é assim que as coisas funcionam por aqui. Parei de lutar contra o meu destino e simplesmente decidi aceita-lo. Só isso. - respondo trêmula, mas permanece de cabeça erguida procurando por ele... Vincenzo

- Que bom que decidiu aceitar as coisas. Isso facilita muito a minha vida e príncipalmente a sua. Sabe porque? Porque mais tarde eu vou terminar o serviço que o chefe me mandou hoje mais cedo e não deu por conta da sua esteria... - ele disse dando um sorriso de lado.

Eu engoli seco, havia me esquecido disso, quando eu disse que era virgem Vincenzo não quis ter relação comigo, eu teria que convencê-lo a isso e teria que ser essa noite ainda. Mas, como vou fazer isso? Não tenho idéia, preciso pensar, usar meu charme, me fazer de inocente, sei lá... Mas, esse homem não tem sentimentos, ele não é o Vincenzo Torricelli das capas de revistas por quem sempre fui apaixonada. Ele é um verdadeiro iceberg naqueles 1.88m de pura perfeição.

Como vou convence-lo a ficar comigo essa noite?

Perdida em pensamentos nem notei que ele vinha até mim seguido de Rebeca pendurada em seu pescoço. Seu perfume toma conta do ambiente e sou surpreendida pelas suas mãos envolvendo a minha cintura me fazendo arrepiar. Ele encosta sua boca no meu ouvido me fazendo ter sensações inexplicáveis por todo corpo e diz num tom sexy que me fez pulsar de desejo no mesmo instante.

- Está perfeita Maria Luiza... - Disse ele me olhando de cima a baixo mordendo o lábio inferior

- Obrigada, chefe... - sorri de lado.

- Suba! Não quero te ver mais no meio desses lobos. Irei em seguida... - ele disse.

Eu apenas concordei com a cabeça e subi ouvindo aquela vadia falar.

- Mas chefinho... -disse Rebeca

- Vá fazer o seu trabalho e recepcionar os americanos Rebeca... Depois conversamos. - disse ele batendo na bunda dela que fez cara de safada pra ele e foi.

Caminhei até o quarto e entrei, estava nervosa, teria que dá um jeito de fazer com que ele me tomasse agora, eu não queria que fosse com o Jairo, ele me dá nojo, teria que ser com ele. Mas eu não sei nada sobre ele além das mentiras que os jornalistas colocam nas revistas de fofocas. Não sei como ele trata uma mulher, se maltrata, se bate, se machuca, mas teria que ser com ele. Meu coração parecia saltar do peito de tanto nervosismo. Finalmente ele abriu a porta do quarto e entrou.

É agora Malu... é tudo ou nada, preciso usar o que tenho... não é muita coisa, mais preciso tentar...

Seu olhar está sob meu corpo, apesar de frio vejo chamas também.

Não sou tão inocente assim, sei que ele está me despindo com o olhar e isso significa quer ele me quer...

Angel pode estar certa e vou usar isso ao meu favor.

Ele vem caminhando na minha direção e depois diz:

- No final do corredor Jairo lhe aguarda.

O medo toma conta de mim no mesmo instante e num ato de desespero de conseguir sua atenção, clemência ou qualquer coisa me jogo aos seus pés...

- Por favor, por favor chefe não me entrega pra ele. Não quero ter minha primeira vez com alguém que não me sinta a vontade, que me machuque ou que não confie...

'Não que confie em você mais não tenho como escapar, que minha primeira vez seja com o gostosão dos meus sonhos...

Sou tirada dos meus pensamentos com ele dizendo:

- Como sabe que não vou te machucar Maria Luiza? Não sou um anjo de luz como você imagina. Não me diga que se sente a vontade comigo Maria Luiza? Tem certeza que confia em mim? No homem que te comprou como uma mercadoria das mãos daquele traficante? - ele pergunta com um semblante um tanto de curiosidade

Com minha vida nas mãos dele, o que posso falar?

Confio totalmente em você?

Claro que não, você é uma decepção total...

Mais para o meu bem é melhor responder algo que ele goste.

Enfim... Engulo em seco a verdadeira resposta e falo a que convém no momento.

- Sim! Eu me sinto confortável e confio em você chefe... Sei que você quer fazer isso para que tenha alguma experiência para quando quiser me usar. E entendo isso, pois um homem como você pode ter musas e beldades a hora que desejar... Eu sou apenas uma pobre coitada... Mais também nesse momento quero ser apenas suficiente para te satisfazer. Então te peço que... Me ensine... Me dê a experiência que deseja que eu tenha pra te satisfazer. Seja o meu primeiro... Por favor, não quero ter que lembrar disso de uma forma ruim...

Ele me olhava, mas ao mesmo tempo não dava pra fazer uma leitura do que passava na cabeça dele...

Parecia estar mais excitado com tudo o que eu dizia do que furioso com minha audácia de expor meus pensamentos.

Algo diferente estava acontecendo naquele quarto... Algo que nenhum de nós nunca havia sentido antes. Seu olhar era de mistério, mas também de fogo e desejo como o meu.

Ele se levanta segurando no meu braço e me colocando de pé diante dele. Me olha no fundo dos olhos e só consigo tremer por dentro me perguntando:

- O que esse demônio em forma de homem vai fazer comigo agora? Vai me matar de prazer ou vai me destruir como um inseto? (...)

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