SINOPSE:
Preston Parker é o CEO mais bem-sucedido e cobiçado do ramo hoteleiro. Sua fama de impiedoso nos negócios e na cama lhe renderam uma aura que (quase) mulher nenhuma é capaz de resistir. Porém, ninguém consegue ficar muito tempo no cargo de assistente de Preston, seja pelas longas horas de trabalho, por seu padrão elevado de exigência ou pela paciência limitada dele. Isto é, até Preston contratar Tara Lauren.
Com uma formação em universidades de elite e um currículo invejável, Tara dá conta do recado de ser assistente de Preston e vai muito além, cumprindo os requisitos e deixando o implacável CEO boquiaberto. Apesar de sua competência e determinação, Tara tem certeza de que o desgaste com a personalidade egocêntrica, mandona, excessivamente exigente e, o pior de tudo, incontrolavelmente sedutora de Preston será sua ruína. Por isso, ela decide pedir demissão... só que ela não contava com uma pegadinha em seu contrato de trabalho, que a mantém presa a esse chefe sexy e cruel.
Será que essa combinação inflamável será capaz de deixá-los inteiros, mesmo depois de serem consumidos pelo fogo da paixão?
PRÓLOGO
Tara
– Quem vence nunca desiste, e quem desiste nunca vence...
Se eu ganhasse um dólar cada vez que minha mãe me dissesse essas palavras, estaria bebendo vinho em minha própria ilha particular na Costa Amalfitana neste exato momento.
Quando chorei por odiar o balé, ela esmagou meus pés naquelas sapatilhas rosa horrorosas e me fez ir às aulas mesmo assim. Quando falei que queria abandonar Administração para estudar "algo que envolvesse mais criatividade", ela ameaçou parar de pagar meu curso. E, quando eu disse que estava a segundos de mandar meu primeiro chefe de verdade tomar no cu, ela apenas suspirou e me deu seus conselhos supostamente infalíveis.
Minha mãe insistiu que todos os e-mails que eu mandava de madrugada eram "um mimimi inútil", que meus gritos de ódio eram "uma projeção de minha admiração" e que todas as vezes que ele me fazia trabalhar mais de cem horas em uma única semana eram "uma construção de caráter bastante necessária".
Depois de dois longos anos trabalhando para ele, enfim aceitei que nenhuma dessas coisas era verdade.
Preston Parker é um chefe babaca. Apenas isso. Fim de papo.
Minha mãe pode pegar no meu pé quanto quiser por "desistir", mas nunca vai saber como é trabalhar para um homem como ele. Um homem cujo ego é maior do que Nova York e Las Vegas juntas.
Tá, ele consegue deixar qualquer mulher molhada proferindo uma única sílaba de sua boca de formato perfeito. Sim, seus profundos olhos esmeralda-acinzentados são de tirar o fôlego, e a maneira como ele é capaz de fazer qualquer terno parecer ter sido feito sob medida para ele nunca deixa de me surpreender.
Mas eu já estava além do meu limite.
Não aguento mais trabalhar para ele e, enfim, estou redigindo o aviso-prévio de duas semanas, que eu deveria ter feito no primeiro mês em que trabalhamos juntos. (Não, na primeira semana em que trabalhamos juntos.)
Mas estou botando a carroça na frente dos bois. Não posso começar esta história do fim amargo ou do meio deprimente. Preciso começar de seu infelicíssimo início...
Preston
O " " ...
A melhor parte do meu dia era sempre às 4h45 da manhã. Era o momento raro em que a cidade de Nova York se encontrava calma e silenciosa, quando eu podia passear pelas ruas e admirar os prédios que tinham a sorte de levar meu sobrenome.
Havia o Parker & Rose Collection, que possuía lotes em cada quarteirão do centro; o Grand Alaskan, cujos hóspedes de primeira linha encontravam privacidade sem igual; e meu hotel favorito entre todos, o que desbancara o Waldorf Astoria de seu posto de melhor hotel de luxo pelo décimo ano seguido: o Grand Rose, na Quinta Avenida.
Era meu centésimo hotel, o vigésimo na cidade. Também era o motivo pelo qual eu sabia que Nova York era minha e sempre seria. Todo hotel de luxo em Manhattan queria minhas mãos sobre ele, e as novas filiais do Hilton e do Marriott eram imitações infelizes. Eu tinha criado uma abordagem moderna para as redes luxuosas de hotéis. Todo o resto estava apenas pegando minha ideia emprestada.
– Seus jornais do dia, senhor. – Meu motorista os entregou paramim ao abrir a porta de trás do carro. – Manchetes interessantes hoje.
– Duvido.
Desdobrei um dos jornais da pilha enquanto ele dava partida para sair, grunhindo ao olhar para as palavras em destaque.
SENHOR NOVA YORK – RELATÓRIO BURBURINHO
Preston Parker, da rede de Hotéis Parker (nosso Senhor Nova York pela oitava semana consecutiva), foi flagrado saindo de seu apartamento na cobertura com a modelo Yara Westinghouse. Isso foi apenas dias depois de ter sido visto com Marsha Avery e semanas após ter sido visto com Hannah Bergstrom.
Nosso repórter o abordou na saída do condomínio para perguntar se algum de seus casos era sério, e ele respondeu com um "Cai fora da minha propriedade, caralho".
Como sempre, duvidamos de que essa figura um dia tenha uma namorada de longo prazo, mas é inegável que ele deixa nossa capa de outubro ainda mais linda.
O CEO MARRENTO PRESTON PARKER COMPRA A REDE DE HOTÉIS SONOMA E DEMITE A GERÊNCIA
O arrogante e implacável magnata do ramo de hotéis Preston Parker fez sua jogada mais impiedosa até agora. Mais uma vez, ele cortejou uma rede de hotéis por meses – fingindo que haveria uma fusão genuína, mas (sem causar tanta surpresa assim) demitiu todos os funcionários atuais. A equipe de imprensa internacional do Hotel Parker revelou que os Hotéis Sonoma em breve serão hotéis de luxo.
PRESTON PARKER, O SENHOR NOVA YORK, É PAI: QUEM É A CRIANÇA?
Uma mulher misteriosa que alega ter ficado com Preston Parker insiste que ele é pai de sua filha, nascida há duas semanas. Ela quer uma pensão alimentícia de quinhentos mil dólares por mês e exige que ele pague as contas médicas.
Mas que merda.
Joguei o jornal ao meu lado no banco e me concentrei em outros dois, balançando a cabeça a cada palavra infundada. O trabalho preguiçoso refletido nas manchetes começava a me irritar profundamente.
Os jornalistas de hoje em dia estavam dispostos a escrever qualquer coisa para vender suas matérias, e eu ainda não tinha visto nem a cor do dinheiro que me deviam pelo tanto de lucro que já havia rendido a eles.
Antigamente, eu era muito mais do que cruel – destroçava redes de hotéis para que não pudessem competir com o meu e comprava propriedades só para que ninguém mais colocasse as mãos nelas, mas isso ficou para trás. Já estabelecido no topo da minha área havia mais de uma década, não precisava mais ser tão perverso assim, o que também significava não ter muito pelo que comemorar.
As intermináveis festas nos meus iates, as festas mais que badaladas na cobertura... tudo isso foi perdendo a graça para mim com o passar dos anos, e o único motivo de continuar a ser visto com supermodelos era distrair a atenção da mídia de qualquer que fosse o negócio que eu estivesse fechando nos bastidores.
Se os jornais se dessem o trabalho de me lançar um olhar mais minucioso, veriam que tudo na minha vida era um déjà-vu permanente, tanto que eu podia prever todas as conversas que teria com as pessoas e nada conseguia mais me surpreender. Era reservado, nunca fazia amizades e sempre sabia a quantas andavam meus inimigos.
Já que o relacionamento com minha família era inexistente, eu mergulhava no trabalho e esperava que todo mundo ao meu redor fizesse o mesmo. Se eu era capaz de trabalhar no mínimo cem horas por semana, os demais também eram. Se eu não precisava dormir, os outros também não precisavam.
Quando, por fim, cheguei à sede da empresa, tirei um segundo para admirar o "S" em prata e cinza gravado no centro do saguão de mármore. Esperei para ver se meu assistente executivo apareceria com os relatórios matinais necessários e meu café favorito, mas três minutos se passaram, e nada. Claro...
Irritado, peguei o elevador até meu escritório e, na mesma hora, fui recebido pela recepcionista principal do andar, Cynthia.
– Bom dia, senhor Parker! – Ela sempre era vibrante demais paraaquele horário da manhã. – Como está hoje?
– Do mesmo jeito que ontem. Tem alguma ligação me aguardando? Ela não respondeu, apenas sorriu e me encarou, piscando os olhos castanhos a intervalos mais frequentes que o normal.
– Tem alguma ligação me aguardando? – repeti. – Algum documento novo para ser assinado ainda na parte da manhã?
Ainda assim, ela não respondeu.
– Tem algum motivo em especial para você ficar me encarandoassim em vez de responder às minhas perguntas?
– Vou responder às suas perguntas quando responder às minhas.– Ela abaixou o tom de voz. – Te mandei mensagem no celular pessoal ontem à noite. Por que não respondeu?
– Porque bloqueei seu número há três semanas.
– Eu só queria te mandar uma foto que tirei nas férias – disse ela.– Só estava usando a parte de baixo do biquíni.
– Estou esperando uma ligação do Rush Estate agora de manhã.– Recusei-me a continuar a conversa. – Pode repassá-la ao meu segundo ramal, para que eu possa gravá-la, por favor?
– A foto me fez parecer uma supermodelo – falou Cynthia. – Vocêcostumava sair com supermodelos, não costumava? Pelo menos é o que aqueles Relatórios Burburinhos diziam.
– Também estou esperando a entrega de um arquivo da equipenova de Berkley. Você tem minha autorização para aceitálo.
– Acho que já está na hora de você sair com uma mulher quecome de verdade as batatas fritas, em vez de sair com garotas que só posam com fritas para fotos de redes sociais, sabe? – Ela balançou os quadris e sorriu. – Também acho que deveria dar uma chance a alguém próximo de você, só para variar.
Eu a encarei sem expressão. Esse tipo de merda acontecia de dois em dois dias. Se ela não flertava descaradamente comigo, tentava (e falhava nisso) me causar ciúmes fingindo falar com diversos homens ao telefone.
– É bom a ligação do Rush chegar no meu ramal quando for ahora – falei. – E você tem sorte de o seu trabalho ser impecável,
Cynthia; do contrário, seria forçado a...
– Me punir? – Ela sorriu. – Pode me contar como faria isso?
Deus do céu. Deixei Cynthia falando sozinha e fechei a porta da minha sala. Ela era a recepcionista mais nova na empresa e também a melhor. Se fosse formada em Administração ou tivesse alguma experiência na área de Direito, até lhe daria uma chance como minha assistente executiva.
Em contrapartida, com as cantadas dela se tornando mais imprudentes e atrevidas dia após dia, talvez fosse melhor, no longo prazo, mantê-la a certa distância.
Sentei-me à mesa e percebi que meu café colombiano não estava esperando por mim. Nenhum recado sobre as reuniões do dia. Nenhum e-mail com uma justificativa. Em outras palavras, meu assistente estava, mais uma vez, querendo me tirar do sério.
Suspirando, abri o e-mail para perguntar quando meu café e meus recados chegariam, mas uma mensagem do meu procurador-chefe surgiu na tela.
Assunto: Seu assistente novo está na minha sala (mais uma vez)
Preston,
Por favor, venha até aqui. Agora.
George Tanner
Procurador-chefe, Parker International
Esse tipo de e-mail de George chegava religiosamente de duas em duas semanas, e a única coisa que mudava era a qual "assistente" ele se referia. Já tivera tantos que passei a chamar todos de Taylor, um nome adequado tanto para homens quanto para mulheres que me servia como curinga, já que nenhuma das pessoas contratadas durava tempo suficiente para que eu aprendesse o nome verdadeiro delas.
Fui até a sala dele e vi o Taylor da vez sentado no sofá. Vestido com um terno azul largo que estaria melhor na lixeira mais próxima, seus olhos estavam vermelhos e inchados, e ele parecia não ter tido uma boa noite de sono há dias.
– Diga ao senhor Parker o que acabou de me dizer – pediu George, entregando um lencinho de papel a meu assistente. – Vá em frente.
O Taylor da vez me olhou e soltou um longo suspiro.
– Senhor Parker, estou sobrecarregado com tudo o que precisofazer para o senhor. Não consigo comer nem dormir, e sinto que este trabalho está consumindo minha vida.
– Você começou a trabalhar aqui há apenas duas semanas.
– Deixe-o concluir, Preston – alertou George e depois murmuroubaixinho: – Não queremos arrumar encrenca com o RH, não é mesmo?
– Eu só... – Taylor fungou. – Só estou me esforçando tanto parasatisfazer o senhor, e parece que nunca é o suficiente. Meu celular toca noite e dia, minha caixa de e-mails nunca tem menos de quinhentos não lidos, e acho que o senhor nem sabe meu nome.
Não fiz nenhuma menção para indicar que sabia.
Ele enxugou as lágrimas com a manga do paletó.
– Minha namorada tem que chegar em casa e me ouvir chorandopor causa desse emprego todas as noites.
– Você ainda tem uma namorada, mesmo chorando todas as noites?
George me lançou um olhar sério, e eu cruzei os braços.
– Agradeço a oportunidade que o senhor me deu, mas, mesmocom o salário mais alto que puder oferecer, não é mais o suficiente para mim. – Ele fungou. – Estou pedindo oficialmente demissão imediata.
– A maioria dos contratados costuma dar aviso-prévio de duas semanas – falei. – Não sei por que precisei vir até aqui ouvir suas lamentações.
– O que o senhor Parker quis dizer é que ele aceita sua demissão. – George balançou a cabeça para mim. – E, já que queremos começar com o pé direito com a próxima pessoa que vamos contratar, houve alguma coisa que o senhor Parker fez que o tenha deixado incomodado? Há alguma sugestão do que podemos melhorar?
– Sim – assentiu ele. – Semana passada, ele me fez atualizar ocelular pessoal dele.
– Nossa, que absurdo. – Olhei para o meu relógio.
– Foi um absurdo mesmo, senhor. As coisas ditas em algumasmensagens antigas, mensagens de tantas mulheres diferentes... Aquilo me traumatizou.
– O que essas mensagens diziam, exatamente? – perguntou George.
– Mensagens excessivamente visuais. – Taylor desviou o olhar. –"Minha bocetinha está com saudades. Por que você não veio mais aqui em casa me comer com esse pau gostoso? Você tem a maior rola que já engoli... Posso engolir de novo? Acho
que nunca me foderam como..."
– Ok, já chega. – Resisti ao impulso de revirar os olhos. – Obrigado pelo seu trabalho na Parker International, Taylor. Tenho certeza de que ninguém sentirá sua falta.
– Meu nome é Jim. É por isso mesmo que estou me demitindo.
– Está se demitindo porque é um incompetente. – Peguei meucelular e mandei outro e-mail de Mais uma demissão para a conta ao RH. – Pode pegar seu pacote de despedida e o último cheque no subsolo.
Ele se inclinou e deu um abraço em George, que durou muito mais segundos que o necessário, e, depois, encaminhou-se para a porta.
Assim que a porta se fechou, George soltou um suspiro.
– Bem, lá se vai minha ideia de que um rapaz de Harvard conseguiria fazer o que todas as suas decepções anteriores não conseguiram. Sabia que você é o único CEO no ramo de hotéis de luxo que não é capaz de dizer quem é seu assistente executivo de confiança?
– Só sei que sou o CEO mais bem-sucedido no ramo de hotéis deluxo – falei, aproximando-me das janelas. – É tudo o que importa a esta altura.
– Que seja – falou ele, pigarreando. – Antes de prosseguirmoscom esse assunto interminável, precisamos discutir sua última mudança de cortesias. – Ele andou pela sala. – Não entendo por que inventou de fornecer gratuitamente café da manhã gourmet em alguns dos seus hotéis. Você não é dono do Hampton Inn.
– O Hampton Inn não oferece café da manhã gourmet.
– Você entendeu o que eu quis dizer, Preston. Hotéis de luxo sãochamados assim porque os hóspedes pagam por tudo. Quanto mais estrelas e lucros para nós, menos coisas de graça para eles.
– É só um experimento – falei. – Parece estar funcionando. A receita subiu dez por cento.
– Bem, espero que isso dure mais do que a próxima pessoa queserá sua assistente. – Ele me jogou uma pasta azul.
– O que é isso?
– O currículo e a carta de intenção da sua nova assistente – respondeu George. – Tomei a liberdade de escolher a próxima e garanto que ela vai durar mais do que apenas alguns meses.
Folheei a papelada e soube, na mesma hora, que ela não duraria mais que uma semana. Ela era como qualquer outra assistente que havia sido recomendada a mim antes. Formada em uma das universidades mais consagradas do país, com anos de experiência em gerência de hotéis, definitivamente destinada ao fracasso. Até mesmo sua declaração pessoal de por que queria trabalhar para mim soava como um alerta de desastre iminente.
Acredito veementemente que posso ajudar a tornar Preston Parker o melhor CEO que ele poderá ser, pois serei a melhor assistente executiva que ele já contratou.
Nunca mencionei a George, mas achava irônico o modo como havia ascendido nas classificações da hotelaria antes mesmo de adquirir meus títulos em Administração; como os primeiros hotéis que assumi haviam sido conquistados pela vontade e pelo desespero por sucesso, nada mais.
Por que nunca demos uma chance a alguém assim?
– Como pode ver, ela se formou em Yale como a melhor da turma.– George sorriu ao falar; eram as mesmas palavras que ele havia dito centenas de vezes antes. – Não só trabalha no ramo de hotéis há mais de dez anos como também dedicou uma quantidade de horas significativa ao departamento de marketing e ao posicionamento de marca do Hilton, do Marriott e do Starwood.
Acho que devia tentar tirar dela informações privilegiadas sobre a concorrência.
– Sou o número um há dez anos. Não tenho concorrência.
– Mas vai ter, se não começar a ter apoio. – Ele soltou um grunhido. – Em algum momento você vai ter que aceitar que precisa de um puta assistente executivo para te ajudar a manter esse negócio no topo. Alguém que possa não só dar apoio aqui, mas que também possa te substituir em reuniões quando enfim decidir se dar uma folga ou até, vamos bater na madeira, tirar umas férias, como qualquer pessoa normal.
– Tá. – Fechei a pasta e a entreguei a ele. – Me dá umas semanas para escolher a próxima assistente; se não der certo, fico com a sua escolha.
– Justo – disse George. – Mas quero estar presente em todas asentrevistas.
– Por quê? Não confia no meu processo de seleção?
– Agora que sei que estão chovendo mensagens sobre bocetasno seu celular e que você quer que sua próxima assistente seja uma mulher? Com certeza, não confio nem um pouco.
Preston
Algumas semanas depois
Por favor, não seja mais uma decepção...
– Pode me contar um pouco sobre sua experiência prévia na Toys'R' Us, senhorita Jackson? – perguntei para a ruiva sentada à minha frente. – No seu currículo, consta que trabalhou como vendedora sênior.
– Isso mesmo. – Ela sorriu. – Eu, hum, trabalhei bastante comfinanças e envios de mercadoria.
Tamborilei os dedos na mesa. Por enquanto, ela parecia ser impressionante, mas tinha algo errado ali. Ela corava toda vez que seus olhos encontravam os meus – já esperado, mas, sempre que fazíamos uma pergunta, ela olhava para as mãos como se tivesse escrito uma cola na palma.
Que tipo de pessoa precisa fazer uma cola para uma entrevista?
– Sinto muito que, no final, a empresa tenha precisado fechar asportas – disse George. – O que acha que pode trazer da sua experiência no mundo dos brinquedos para o mundo dos hotéis?
– Ah, muita coisa. Tenho bastante experiência com satisfação declientes, certificando-me de que as metas sejam alcançadas a cada mês e fornecendo serviço da maior qualidade.
George assentiu, parecendo consideravelmente satisfeito.
– Já trabalhou em algum projeto com Tim Lause, um amigo próximo meu?
– Quem?
– Tim Lause – repetiu ele. – O chefe do departamento de vendas.Se atuou nesse setor, deve ter trabalhado em pelo menos alguns projetos com ele, correto?
– Ah, sim. Certo. Com certeza. Muitos projetos com o senhor Lause.
– Pode nos dizer de que natureza? – perguntei. – Descrever emdetalhes em que esses projetos consistiam?
– Ah, é... – As bochechas dela ficaram vermelhas, e ela abaixou oolhar para a mão de novo. – Eu... minha...
– Estamos muito impressionados com seu conhecimento de vogais, senhorita Jackson – falei. – Mas estou mais interessado nos detalhes dos últimos projetos dos quais participou. Ela não abriu a boca.
– Precisa que eu repita a pergunta? – falei. – Você não sabe dequais projetos estou falando?
– Certo, olha – ela arregalou os olhos quando ficou de pé –, sócoloquei a Toys 'R' Us no currículo porque eles declararam falência e pensei que não teria como vocês ligarem para alguém atrás de referências. Costumo usar outras empresas falidas como meu emprego mais recente e acho que deveria ter continuado com elas desta vez. Que saco.
– Então nunca trabalhou na Toys 'R' Us? – perguntou George.
– Eu comprava lá o tempo todo.
– Você é mesmo formada em Direito em Yale?
– Não, mas participei de um dos programas de verão deles quando estava no último ano do ensino médio. – Ela olhou para um ponto entre nós dois. – Minhas notas eram perfeitas. E, antes que perguntem, não menti sobre ser boa em serviço ao cliente. Podem perguntar para a minha gerente no Starbucks. Não tem ninguém que faça um pumpkin spice latte como eu.
– Ok. – Fechei a pasta dela. – Pode ir agora.
– Posso esperar uma ligação de vocês para agendarmos a entrevista da próxima etapa?
Nós dois só a encaramos.
– E, então, isso é tipo um não?
– É um nem a pau. – Apontei para a porta. – Cai fora. Agora.
A mulher bufou e pegou a bolsa, batendo a porta da minha sala ao ir embora.
– Se você sequer cogitar chamá-la para outra entrevista... – disse George.
– Estou é pensando em cobrá-la pelo tempo que me fez perder.
Enquanto riscava o nome dela da lista, uma das executivas financeiras, Linda, entrou no escritório.
– Desculpe a intromissão fora de hora, senhor Parker – disse ela.– Mas acabei de recalcular os relatórios de lucros e prejuízos do Hotel Grand Rose.
– E?
– Parece que os prejuízos recentes não podem ser atribuídos anada em particular e são bem ínfimos. Cerca de cinco mil e quinhentos dólares por mês. – Ela veio até mim e me entregou um papel com suas anotações.
Cerrei o maxilar. Nenhum prejuízo era "bem ínfimo" na minha empresa, e eu sempre precisava saber onde cada centavo estava sendo colocado.
– Posso presumir que tem alguém me roubando? – perguntei.
– Pelo contrário, senhor. Os gerentes do Grand Rose estão certosde que o prejuízo é por causa de um hóspede. Na verdade, dizem que a causa foi alguém que não se hospedou.
George e eu nos entreolhamos, e eu soube sem sombra de dúvidas que algum funcionário meu estava mentindo para mim e me roubando. Pensei que, ao arruinar pessoalmente a carreira das últimas pessoas que ousaram me roubar, nunca mais precisaria esquentar a cabeça com isso, mas alguém estava prestes a receber um lembrete grosseiro de quanto posso ser um pé no saco.
– Diga que irei até lá semana que vem para que me deem a honrade explicar como é que alguém que não se hospedou conseguiu me roubar milhares de dólares – falei, o sangue fervendo. – Diga que quero ver tudo impresso, e, se não houver uma explicação para cada centavo, vou demitir todos eles e me certificar pessoalmente de que nunca mais arrumem um emprego nesta cidade. E você será a próxima se eu descobrir que os está encobrindo. Tem mais alguma coisa que precisa me contar?
– Não. – Ela engoliu em seco e foi para a porta. – Só isso, senhor.
Repassei os números mentalmente e tamborilei os dedos na mesa.
Cinco mil e quinhentos dólares por mês em uma propriedade durante os doze meses do ano dá um pouco mais de sessenta mil dólares. Se isso se repetir em mais quatro propriedades, vão acabar conseguindo mais de um quarto de milhão. Que tipo de pessoa tentaria fazer uma merda dessas achando que não seria descoberta?
– Tive uma ideia, Preston. – George interrompeu meus pensamentos. – Bem, fora o fato de você ter acabado de ameaçar demiti-la, por que nunca pediu a Linda para ser sua assistente executiva?
– Já pedi, sim. Ela recusou. Disse que eu já a faço beber, e omarido dela não quer que ela trabalhe tão próximo a mim.
– E Cynthia?
– Ela só tem vinte anos. – E quer transar comigo.
– Bem, talvez ela pudesse se ajustar ao cargo com o tempo. Vocêsó tinha vinte anos quando comprou seu primeiro hotel, e olha só como transformou aquela espelunca. Olha só o tanto que você conquistou nos últimos dezenove anos. Talvez Cynthia seja a próxima Preston Parker a sair do forno.
– Eu te garanto que não é.
– Não está disposto a dar uma chance a ela?
– Não quero nem pensar nessa hipótese.
– Bem, eu acho uma boa ideia.
– Vou te mostrar por que não é. – Liguei para o ramal dela. – Cynthia, pode vir ao escritório, por favor?
– Com todo prazer, senhor Parker.
Em segundos, ela apareceu na minha sala. Suas bochechas estavam coradas, e a saia, definitivamente alguns centímetros mais curta do que estava mais cedo.
– Ah. – Ela parou quando viu George. – Achei que tinha me chamado para ficarmos a sós. – Pigarreou. – Como posso ajudálo esta tarde, senhor Parker?
– Como você bem sabe, estou procurando uma nova pessoa paraa posição de assistente executiva. Queria saber se teria interesse em ser minha assistente executiva interina, caso as próximas entrevistas não corram bem.
– Ah, mas é claro. – Ela mordeu o lábio inferior, corando aindamais. – Se um dia eu me tornar sua assistente executiva oficial, vou ser eu quem você vai procurar para tudo? Tipo, vamos passar bastante tempo juntos?
– Sim.
– Tipo reuniões privadas e viagens de negócios que vão durar várias noites longe de Nova York? Sozinhos?
– Sim.
– E vamos ter que dividir um quarto de hotel quando viajarmos?
– De jeito nenhum. Comumente, a pessoa na posição de minhaassistente executiva fica com um quarto separado nessas viagens.
– Nossa, mas eu não te daria o trabalho de pegar um quarto extra. Adoraria te poupar dinheiro, e nada na nossa relação precisaria ser como o habitual. – Ela chegou mais perto, os olhos se abrindo ainda mais a cada passo. – Ao menos não no começo. Eu pegaria leve, deixaria você ir com calma, mas preciso ser sincera e admitir que gosto de quando vai com tudo, sem aliviar para o meu lado. Se nos dermos muito bem, depois de alguns meses sendo sua assistente executiva, deveríamos discutir...
– Ok, basta. – George não a deixou concluir sua fala. – Obrigado por ter vindo, Cynthia. Te avisaremos caso as últimas entrevistas não rendam o que esperamos.
– Espero mesmo que não deem em nada. – Ela passou a língua pelos lábios como um animal faminto e, depois, sorriu para mim antes de sair da sala.
Quando ela fechou a porta, George olhou para mim.
– Ela está fazendo investidas sexuais diretas, e você ainda não ademitiu? Por quê?
– Porque o trabalho dela é excelente. E ela é uma das poucaspessoas na minha equipe que não choram quando eu peço várias coisas ao mesmo tempo.
– Bom saber. – Ele abriu o notebook e o colocou na minha mesa.– Antes de começarmos as tarefas do dia, estava para te perguntar. Vai viajar para passar as festas de fim de ano com sua família? Sei que não costuma fazer isso, mas estou planejando o calendário executivo e queria saber.
– Não tenho família – falei com voz tensa. – Já discutimos issoantes.
Não importava quanto eu fosse próximo de George, discussões sobre minha família (ou a falta de uma, no caso) eram proibidas. Nunca falava dos meus parentes com ninguém e não tinha planos de mudar isso em um futuro próximo.
– Sei como se sente sobre o assunto, eu só... – Ele mudou deassunto quando viu minha cara. – Tudo bem. Então, vamos à minha última pesquisa. – George me mostrou suas descobertas mais recentes e se ateve aos temas que eu preferia discutir. Depois de quatro horas revisando as ramificações legais do último negócio que fechei, ele saiu do meu escritório.
Ainda inquieto e precisando preencher meu tempo com trabalho, pedi a Linda que me repassasse por e-mail os números do Grand Rose para que pudesse vê-los por conta própria. Assim que terminei de recalcular o prejuízo, soube que algo não estava batendo.
As perdas aconteciam nos mesmos três dias da semana e, independentemente do motivo, sempre se davam pela manhã. Peguei a planilha de quando o dinheiro era retirado no hotel e vi que todas correspondiam àquelas datas.
Espumando, solicitei ao RH que fizesse cartas de demissão para os oito gerentes e pedi a George que reunisse a equipe jurídica e se preparasse para um processo.
Peguei o celular e liguei para o hotel.
– Aqui é Preston Parker, seu chefe. Vou passar aí amanhã para demitir quem está me roubando.