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Abandonada na Chuva

Abandonada na Chuva

Autor:: Gavin
Gênero: Moderno
Minha perna direita doía, esmagada nos destroços do carro, sob a chuva torrencial. Grávida de oito meses, liguei para Pedro, meu marido, que prometeu estar em cinco minutos. Mas a ligação que veio minutos depois não era para me salvar. Era para justificar o seu desvio. A prioridade de Pedro? A ex-namorada, Sofia, e o cão dela presos na cave inundada. "A Sofia não tem mais ninguém", disse ele, enquanto eu estava presa, a sangrar, carregando o nosso filho. Ele não só me abandonou, como desligou na minha cara. Os bombeiros demoraram, e no hospital, a notícia esmagou-me: o nosso bebé não resistiu ao stress do acidente. Meu filho, meu menino, que ele tanto queria, estava morto. E o Pedro ainda não sabia, pois estava demasiado ocupado a "fazer a coisa certa" por outra pessoa. Quando finalmente apareceu, com as calças sujas de lama da cave da Sofia, a dor na minha perna era nada comparada com o vazio que ele tinha deixado em mim. Olhei para ele, para o homem que escolheu um cão em vez da própria família, e disse: "O bebé morreu, Pedro. Por tua causa." Ele tentou negar, argumentar, mas a verdade era clara: ele tinha matado o nosso filho com a sua negligência. Não havia perdão possível. "Quero o divórcio, Pedro." E desta vez, não haveria volta.

Introdução

Minha perna direita doía, esmagada nos destroços do carro, sob a chuva torrencial.

Grávida de oito meses, liguei para Pedro, meu marido, que prometeu estar em cinco minutos.

Mas a ligação que veio minutos depois não era para me salvar.

Era para justificar o seu desvio.

A prioridade de Pedro? A ex-namorada, Sofia, e o cão dela presos na cave inundada.

"A Sofia não tem mais ninguém", disse ele, enquanto eu estava presa, a sangrar, carregando o nosso filho.

Ele não só me abandonou, como desligou na minha cara.

Os bombeiros demoraram, e no hospital, a notícia esmagou-me: o nosso bebé não resistiu ao stress do acidente.

Meu filho, meu menino, que ele tanto queria, estava morto.

E o Pedro ainda não sabia, pois estava demasiado ocupado a "fazer a coisa certa" por outra pessoa.

Quando finalmente apareceu, com as calças sujas de lama da cave da Sofia, a dor na minha perna era nada comparada com o vazio que ele tinha deixado em mim.

Olhei para ele, para o homem que escolheu um cão em vez da própria família, e disse: "O bebé morreu, Pedro. Por tua causa."

Ele tentou negar, argumentar, mas a verdade era clara: ele tinha matado o nosso filho com a sua negligência.

Não havia perdão possível.

"Quero o divórcio, Pedro."

E desta vez, não haveria volta.

Capítulo 1

A minha perna direita doía. Um som de osso partido.

O meu carro estava esmagado contra uma árvore na berma da estrada, o motor a fumegar sob a chuva torrencial.

Tentei alcançar o meu telemóvel, mas uma dor aguda atravessou-me a perna e eu gritei.

Estava presa.

O meu marido, Pedro, devia estar quase a chegar. Eu tinha-lhe ligado há vinte minutos.

"Estou a cinco minutos, meu amor. Não te mexas."

Foi o que ele disse.

Vinte minutos pareceram uma eternidade. A chuva batia no tejadilho amolgado, um som de tambor constante e assustador.

O meu telemóvel tocou. Era ele. Senti um alívio imenso.

"Pedro! Onde estás? A minha perna, acho que está partida."

A sua voz soou distante, abafada pelo barulho de pessoas a falar ao fundo.

"Clara, desculpa. Tive de fazer um desvio."

"Um desvio? Pedro, eu bati com o carro! Preciso de ajuda!"

"Eu sei, eu sei. Mas a Sofia... ela ligou-me em pânico. A casa dela está a inundar. O cão dela, o Max, ficou preso na cave. Ela estava a chorar tanto."

Sofia. A sua ex-namorada. A sua "melhor amiga".

Um frio percorreu-me, mais gelado que a chuva lá fora.

"E eu, Pedro? E eu? Estou presa num carro destruído, com uma perna partida, e tu foste salvar o cão da tua ex?"

"Não fales assim, Clara. Não é justo. A Sofia não tem mais ninguém. Tu estás bem, os bombeiros já devem estar a caminho. Liguei-lhes por ti."

Ele não me ligou. Eu sabia que não. Se tivesse ligado, já estariam aqui.

"Tu prometeste", sussurrei, a voz a falhar. "Disseste que estavas a cinco minutos."

"As coisas mudam. A Sofia precisava de mim. Tenta entender. Ela estava desesperada. A água já lhe chegava aos joelhos."

A sua voz era calma. Razoável. Como se estivesse a explicar uma simples mudança de planos para o jantar, não a abandonar a sua mulher ferida numa estrada deserta.

"E o nosso filho?" perguntei, a mão a ir instintivamente para a minha barriga de oito meses. "Pensaste nele?"

Um silêncio pesado. Depois, um suspiro impaciente.

"Clara, não sejas dramática. É claro que pensei. É por isso que tens de ficar calma. O stress não faz bem ao bebé. Os paramédicos vão cuidar de vocês os dois."

Ele disse "vocês os dois" como se fosse uma obrigação, um item numa lista de tarefas.

"Pedro, vem buscar-me."

"Não posso. Estou a tirar a água da cave da Sofia. Vai demorar horas. Sê razoável."

A chamada terminou.

Ele desligou.

Olhei para a minha barriga. O nosso filho. O filho que ele queria tanto.

Lágrimas misturaram-se com a água da chuva que pingava do teto do carro.

Não era drama. Era a realidade. A realidade de que, para o meu marido, o cão da ex-namorada era mais importante do que a sua mulher grávida e o seu filho por nascer.

A dor na minha perna era nada comparada com a dor no meu peito.

Capítulo 2

Os bombeiros chegaram finalmente. Levaram uma eternidade para me tirar dos destroços.

Cada movimento era uma agonia. A minha perna direita estava num ângulo estranho.

"Senhora, tente manter a calma. Qual é o seu nome?"

"Clara. O meu bebé... por favor, salvem o meu bebé."

No hospital, tudo era uma confusão de luzes brancas, vozes apressadas e o cheiro a antissético.

A minha sogra, a mãe do Pedro, Helena, chegou a correr. O seu rosto estava pálido, os olhos arregalados de preocupação.

"Clara! Meu Deus! O que aconteceu? O Pedro ligou-me, disse que tinhas tido um acidente!"

Ela agarrou na minha mão. O seu toque era quente.

"Ele não veio?" perguntei, a voz fraca.

Helena hesitou. O seu olhar desviou-se por um segundo.

"Ele... ele está a caminho. Ficou preso num engarrafamento terrível por causa da chuva. E... teve de ajudar uma amiga. A Sofia. A casa dela inundou."

Ela repetiu a mentira dele. A desculpa dele.

Senti o meu coração afundar. Ela sabia. E estava a acobertá-lo.

"O bebé?" perguntei, ignorando a desculpa.

"Os médicos estão a fazer uma ecografia de emergência. Vão saber em breve."

O médico entrou. O seu rosto era sério, sem emoção.

"Senhora Matos, sou o Dr. Almeida. Tivemos de fazer uma cesariana de emergência. A sua perna tem uma fratura complexa e o stress do acidente induziu o parto."

A minha respiração ficou presa na garganta.

"O meu filho... ele está bem?"

O médico olhou para a minha sogra e depois para mim. A sua expressão era de pena.

"Lamento. O bebé sofreu demasiado stress. Não sobreviveu."

O mundo ficou em silêncio.

As palavras ecoaram na minha cabeça. Não sobreviveu. Não sobreviveu.

Olhei para a minha barriga, agora coberta por um lençol. Vazia.

O meu filho. O meu menino. Tinha desaparecido.

Virei-me para a minha sogra. As lágrimas escorriam pelo seu rosto.

"Oh, minha querida. Lamento tanto."

Ela tentou abraçar-me, mas eu afastei-me.

"Onde está ele?" A minha voz era um fio. "Onde está o Pedro?"

"Clara, por favor..."

"Liguem-lhe. Digam-lhe que o filho dele morreu."

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