O "sim" que nunca veio
Elena Vasquez D'Amato
> "Dizem que o dia do seu casamento é o mais feliz da sua vida.
Bem, não foi o meu caso."
O vestido estava perfeito. O buquê, feito com as flores favoritas da minha avó, era uma homenagem silenciosa que só eu entendia. O salão parecia ter saído direto de um conto de fadas - desses que sempre terminam com o felizes para sempre.
Mas nenhum conto de fadas começa com o noivo hesitando no altar.
Arthur olhou para mim com aqueles olhos azuis que, um dia, me fizeram acreditar em promessas. Mas naquele momento... eles estavam vazios. E foi aí que eu soube.
A culpa tinha nome e sobrenome: Valentina Leclerc. Primeiro amor dele. Reapareceu na semana do casamento, sorrindo nas redes sociais com a legenda "de volta e solteira". É claro que ele viu. E é claro que hesitou.
- Eu... me desculpe, Elena. Mas eu não posso - ele disse, e o mundo parou.
Tudo ficou em silêncio. E no meio dos olhares, das bocas abertas, dos flashes dos celulares, tudo que eu consegui fazer foi respirar fundo, pegar meu celular e sair pela porta lateral do altar como quem foge de uma cena já escrita por outra pessoa.
Do lado de fora, o céu estava limpo. Liguei para o número que me disseram para usar caso um dia eu mudasse de ideia.
Atenderam no terceiro toque.
- Alô?
- Aqui é Elena Vasquez D'Amato. - Elena...? - a voz da mulher do outro lado soou entre surpresa e expectativa. - Pode avisar ao senhor Marco e à senhora Giuliana que aceito o acordo. - Tem certeza?
Olhei para o vestido impecável, agora manchado pelo chão sujo da calçada. Dei um pequeno sorriso.
- Tenho. Estou pronta para me casar com o filho dos seus amigos.
Desliguei o celular logo após escutar um "ok". Estava destruída, sabia disso, mas não iria derrubar lágrimas, gritar, xingar, não iria fazer nada, só iria juntar o pouco de dignidade que me restava e iria embora.
Certeza que em segundos todas aquelas fotos e vídeos estariam em todos os sites de fofocas de New York, e o melhor a fazer seria ir para Florença, ficar longe de todos os olhares e dedos que iriam me apontar, me julgar ou sentir pena de mim.
Cresci em New York, com meus pais adotivos e meu irmão, que me acharam pequena em um bordel, sim fui traficada, pouco antes de completar dezoito anos, meus pais biológicos me encontraram, mas eles não vieram com amor e carinho, vieram com obrigações e deveres, queriam me levar à força e me casar, e eu neguei e mandei eles embora, pouco mais de um ano depois, meus pais adotivos morreram, me deixando só com Diego, meu irmão mais velho.
E cá estou eu, após toda essa humilhação, indo correndo igual uma cachorrinha para a família que disse que não iria nem morta. As coisas mudam, não é mesmo?
O avião decolou poucas horas depois. Não voltei para casa. Não arrumei as malas. Apenas pedi para que me buscassem no aeroporto. Cheguei a Florença com um vestido de noiva sujo, salto quebrado e a alma despedaçada. Uma assistente do clã D'Amato esperava com uma limusine. Ela não disse uma palavra, e eu agradeci por isso.
O palácio da família D'Amato era exatamente como me lembrava: imponente, frio, cheio de quadros com ancestrais de expressão vazia. Giuliana veio me receber. Usava um robe de seda vinho, olhos firmes, sorriso contido.
- Elena. Você voltou. -
- Digamos que a vida tem um senso de humor cruel.
Ela assentiu, como se esperasse aquela resposta.
- Suba, descanse. Amanhã você conhecerá seu noivo. -
- Que romântico. - ironizei.
O quarto estava impecável. Camas com dossel, paredes de pedra, uma lareira acesa. Eu me joguei sobre os lençóis, tentando não pensar no rosto de Arthur, na forma como ele disse "eu não posso", como se fosse ele o ferido.
No dia seguinte, me vesti como uma verdadeira filha da aristocracia: vestido creme, cabelo preso em coque, maquiagem leve. Quando desci as escadas, Marco já esperava, ao lado de um homem alto, com presença quase ameaçadora. Cabelos pretos curtos, barba por fazer, olhos cinzentos e frios. Era Leonhart Moreau.
- Elena. Este é Leonhart. Ele será seu marido. -
Leonhart estendeu a mão. Apertei a dele. Firme. Direta.
- Sinto muito pelas circunstâncias. - ele disse, voz baixa, a entonação carregada de sotaque francês.
- Eu também. Mas já estive em altares piores.
Ele sorriu, de forma tímida, quase imperceptível. Marco e Giuliana se entreolharam. Eles não esperavam que eu fosse tão direta. Mal sabiam eles: não havia mais nada a perder.
Já fui rejeitada. Agora, era hora de ser desejada.
Leonhart me observava com uma expressão indecifrável, como se já estivesse me estudando, classificando e avaliando cada parte de mim. Era isso que eu havia me tornado? Um acordo estratégico entre famílias? Um peão numa jogada silenciosa de poder?
Talvez sempre tivesse sido.
- Temos uma semana para os preparativos. - Giuliana anunciou, tomando um gole de chá como se estivesse falando da previsão do tempo. - Nada muito grande, mas digno do sobrenome de vocês dois.
Deuses, mal havia me livrado de um altar e já estava sendo empurrada para outro. Só que dessa vez não havia escolha. Eu aceitei. Eu liguei. Eu assinei, mesmo que com meu silêncio.
- Vocês terão liberdade - disse Marco, como se estivesse oferecendo um presente. - Mas esperamos que sejam... respeitosos quanto ao nome da família. Um divórcio público, escândalos ou cenas dramáticas não serão bem-vindas.
Eu ri. Baixo, quase um sussurro amargo.
- Não se preocupem. Aprendi ontem o que é uma cena dramática. Não pretendo repetir.
Leonhart finalmente falou, com aquela voz grave que parecia embalsamar os pensamentos.
- Elena, você quer conversar em particular?
Assenti, por educação - ou exaustão. Seguimos até o jardim dos fundos, cercado de colunas de mármore cobertas por trepadeiras floridas. O ar ali era mais fresco. Mais... respirável.
- Você não é o que eu esperava - ele disse, de repente.
- Nem você. - retruquei, cruzando os braços. - Achei que seria mais velho, ou mais arrogante.
Ele deu um leve sorriso. Tão discreto quanto tudo nele.
- Também achei que você seria mimada.
- Eu fui. Mas a vida resolveu me educar à força.
O silêncio entre nós não era desconfortável. Era... tático. Ambos analisando o terreno antes de qualquer passo.
- Não precisamos fingir nada quando estivermos a sós - ele disse por fim. - Podemos manter nossas vidas separadas, se assim preferir. Mas em público, seremos o casal perfeito. Você terá sua liberdade, Elena. Só preciso da sua lealdade.
- Lealdade? - repeti.
- Discrição. Alinhamento. Lealdade.
Ele não pediu amor. Nem carinho. Nem sequer afeto. Pediu algo que se pode construir, negociar, medir.
Talvez... talvez isso fosse melhor. Pelo menos, eu saberia onde estava pisando.
- Fechado, então. - estendi a mão novamente.
Ele a apertou. Selamos nosso destino em um aperto firme, como sócios de um acordo.
A partir daquele momento, Elena Vasquez D'Amato não existia mais apenas como a garota abandonada no altar. Eu seria esposa de Leonhart Moreau. E com isso, vinha algo novo.
Controle.
Algo que a pequena menina do bordel jamais teve. Algo que a jovem humilhada diante de um altar também desconhecia. Mas agora, em um castelo de pedra na Toscana, com um estranho que falava em lealdade e não em paixão, eu teria um tipo diferente de poder.
Não seria mais a mulher que chorou em silêncio. Eu seria a mulher que riu por último.
Naquela noite, me despi do vestido sujo. Do passado recente. Do nome Vasquez. E quando me encarei no espelho, decidi que, se a vida queria fazer de mim um instrumento, eu aprenderia a tocar a melodia. Mas no meu tom. No meu tempo.
Leonhart e eu dormiríamos em quartos separados, por enquanto. Ele me deixava espaço, e eu respeitava isso. Havia algo nele - uma sombra atrás dos olhos, talvez um passado tão manchado quanto o meu - que me impedia de julgá-lo.
Ele também parecia quebrado. Só que controlado. Enquanto eu era ainda fogo, ele era gelo.
Um dia, um de nós dois derreteria. Ou queimaria.
Não sei quando peguei no sono. Só lembro da última imagem no espelho. A noiva abandonada tinha sumido. Agora havia outra mulher ali.
E essa mulher, finalmente, tinha planos.
{...}
Leonhart Moreau
Aquela mulher realmente era diferente. Imaginava uma coisa e, como um golpe seco no escuro, ela me surpreendia em cada detalhe.
Não houve drama, nem perguntas, nem sequer ressentimento. Apenas dignidade. Silêncio. E um olhar que dizia: "Eu caí, mas não estou quebrada."
- Clóvis, preciso que pesquise tudo sobre Elena Vasquez D'Amato. Tudo o que aconteceu em Nova York e tudo o que ela passou. - Disse, girando o líquido âmbar na taça de cristal.
- Já estou fazendo essa pesquisa. Sabia que iria me pedir. - Ele respondeu, sem tirar os olhos do notebook, os dedos digitando com precisão.
- Por isso você trabalha para mim. - Sorri, levando o copo aos lábios.
Clóvis não era apenas meu assistente. Era meus olhos, meus ouvidos e, por vezes, minha consciência. Um homem meticuloso, leal e extremamente discreto. Seu talento era encontrar segredos onde nem se imaginava que existiam.
- Ela foi manchete em todos os tabloides ontem. - Clóvis continuou. - Abandono no altar, vestido assinado por uma estilista exclusiva de Manhattan, flores francesas, convidados da alta sociedade... e um vídeo que já passou dos dez milhões de acessos.
- Arthur Prescott. - Digo o nome como quem pronuncia um insulto. - Esse imbecil trocou Elena por uma ex-namorada superficial?
- Valentina Leclerc. Filha de um magnata francês decadente. Retornou a Nova York esta semana e publicou uma foto provocativa com a legenda "de volta e solteira" na véspera do casamento.
- E ele caiu como um adolescente apaixonado. - Completei com sarcasmo. - Fraco.
Clóvis permaneceu em silêncio, como de costume. Sabia quando eu precisava pensar.
- E o passado dela? Antes de Nova York?
- Mais complexo do que pensávamos. - Ele respondeu, com o cenho franzido. - Elena foi encontrada aos quatro anos em um bordel clandestino. Há indícios de que foi traficada. Foi resgatada pela família Vasquez, que a adotou legalmente e a criou ao lado do filho biológico, Diego.
Franzi a testa, o copo a meio caminho dos lábios. Aquilo explicava muito.
- E os D'Amato?
- A encontraram quando ela tinha dezessete anos. Houve uma reunião, ela chegou a visitar a casa da família biológica, mas fugiu dias depois e voltou para os Vasquez. Nunca mais quis contato.
- Por quê?
- Fontes indicam que ela foi tratada com frieza. Havia um acordo arranjado: casamento com o filho de aliados. Ela recusou e se sentiu usada. Depois disso, cortou relações.
Suspirei, sentindo o peso daquelas palavras. Elena era feita de camadas. Sobrevivente. Orgulhosa. Independente.
E agora ela estava vindo para Florença, para se casar comigo.
- E depois disso?
- Cresceu em Nova York com os Vasquez. Estudou, trabalhou, construiu uma reputação sólida como organizadora de eventos para a elite. Até que conheceu Arthur. O resto você sabe.
- Os pais adotivos?
- Morreram há cerca de um ano. Um acidente de carro. Restou apenas Diego. Ele é protetor com ela.
Assenti. Faria sentido ela ter ligado de volta para os D'Amato. Não por afeto, mas por estratégia. Por sobrevivência.
Meu celular vibrou. Uma nova mensagem de Elena:
"Se vamos fingir que somos perfeitos, é bom que você sorria pelo menos uma vez."
Sorri de lado. Aquela mulher...
- Responda por mim, Clóvis.
- O quê exatamente?
- Diga que aceito o desafio. E que o sorriso... vem no casamento.
Ele sorriu, digitando a resposta.
Levantei-me e caminhei até a janela do meu escritório. Florença se estendia abaixo, antiga e eterna. As torres, os telhados vermelhos, o perfume das flores que vinha das sacadas. Tudo parecia calmo... mas dentro de mim havia um furacão.
O casamento seria em breve. Um acordo entre as famílias D'Amato e Moreau, selando alianças antigas. Mas não era isso que me movia.
Era ela.
Eu queria entender quem era aquela mulher que caminhou sozinha até a calçada da igreja, sujou o vestido de noiva e, mesmo assim, manteve a cabeça erguida. A mulher que recusou um lar frio e preferiu o calor do improvável. Que agora, por escolha ou desespero, aceitava se casar comigo.
Não havia romance. Não ainda.
Mas havia curiosidade.
E isso, para mim, era o início de tudo.
- E o que achou dela? - Clóvis perguntou por fim, encarando-me por cima da tela.
Girei o copo de whisky entre os dedos, observando o âmbar dançar sob a luz do escritório.
- Ela não é o que eu esperava - disse com honestidade. - Achei que teria que lidar com uma herdeira mimada, chorando por ter sido rejeitada no altar. Mas encontrei alguém... firme. Ferida, sim. Mas com a cabeça erguida.
Clóvis arqueou uma sobrancelha. - Está dizendo que gostou dela?
Soltei um meio sorriso.
- Estou dizendo que ela tem potencial. E se tudo correr como planejado, será uma excelente Moreau.
Houve uma breve pausa, então ele completou com um olhar mais sério:
- Mas se ela estiver quebrada demais... eu não vou colar os cacos.
- Entendido.
Me levantei e caminhei até a estante de livros de couro. Precisaria de mais do que estratégia para lidar com aquela mulher. Precisaria de controle. E talvez... um pouco de sorte.
Na tela do notebook de Clóvis, a imagem congelada de Elena no altar - o momento exato em que virou as costas ao "felizes para sempre" - ainda estava aberta.
Mas para mim, essa história estava só começando.
{...}
Elena Vasquez D'Amato
Em breve eu deixaria de usar o sobrenome que eu mais amava e o que eu mais odiava, para usar o que eu mal conhecia.
Logo eu seria a senhora Moreau.
O quão tranquilo seria esse casamento? Eu e Leonhart tínhamos concordado em sermos leais, e nada mais. Mas será que eu conseguiria viver muitos anos sem um amor? Ou será que um dia nos apaixonaríamos? Ou será que um dia eu abriria meu coração? E esqueceria tudo que passei com Arthur?
Não parecia provável.
Em meio aos meus devaneios, recebi uma ligação histérica de meu irmão, Diego. A notificação mal piscou na tela antes de eu atender. Era sempre ele o primeiro a se preocupar comigo, a me defender do mundo - mesmo quando eu insistia em me jogar de cabeça nele.
- Elena?! Que porra é essa?! - ele berrou assim que atendi. - Você me doou toda a sua parte da herança? Vai se casar com um desconhecido?! Voltou pra aquela gente?!
Fechei os olhos, respirando fundo antes de responder. O carro preto que me conduzia pelas ruas de Florença parecia ainda mais silencioso diante do tom da voz dele.
- Eu precisava fazer isso, Diego. - falei baixinho.
- Isso é loucura. Você não precisava de nada! Você tinha um lar comigo, tinha opções. Elena, você estava destruída e agora vai se enterrar num casamento arranjado com um cara que você mal conhece?!
- Eu preciso seguir em frente. - minha voz falhou por um segundo, mas me recompus. - E você sempre disse que não queria essa herança. Só estou formalizando o que a gente já sabia.
- Formalizando? Elena, você acabou de ser abandonada no altar e está correndo para se casar de novo? E nem com alguém que ama! Isso é punição ou é fuga?!
Talvez fosse as duas coisas.
A verdade é que eu não sabia. Só sabia que ficar em Nova York era impossível. Ser a mulher rejeitada no altar, viralizada nos stories de centenas de convidados, eternamente lembrada como a noiva que ouviu um "não"... isso não era uma opção. E mais do que isso, eu não suportava mais viver entre as cinzas do que havia sido minha vida com Arthur.
- Só me promete que vai cuidar de você. - ele disse por fim, num tom mais calmo, cansado. - E que, se isso der errado, você me liga. Não importa a hora. Nem o lugar.
- Eu prometo. - murmurei, com um aperto no peito.
O carro parou diante de um portão imponente. Florença se abria à minha frente com sua arquitetura histórica e elegância atemporal. Era um lugar belo demais para uma alma ferida como a minha, mas eu estava ali.
A mansão dos Moreau parecia saída de um filme. A fachada de pedras claras, as janelas com molduras escuras, e um jardim perfeitamente cuidado. Era tudo luxuoso, sofisticado, e ao mesmo tempo... impessoal. Como se a beleza servisse apenas como máscara para segredos muito bem guardados.
Do lado de fora, uma mulher me aguardava. Vestia-se como alguém que administrava tudo - da casa aos escândalos da família.
- Senhorita D'Amato. - ela disse com um leve aceno de cabeça. - Sou Céline. Governanta da casa. O senhor Moreau está à sua espera.
Assenti e desci do carro com um pouco de hesitação. O salto afundou levemente no cascalho da entrada, como se o chão também testasse minha firmeza.
Leonhart me aguardava no saguão. Alto, impecável, frio como o mármore sob nossos pés. Seus olhos cinzentos me estudaram como se eu fosse uma peça de um jogo que ele precisava entender.
- Seja bem-vinda, Elena. - disse com um leve sorriso. Não havia calor, mas tampouco desprezo.
- Obrigada, senhor Moreau.
- Leonhart. - corrigiu com um movimento de cabeça. - A menos que prefira manter as formalidades.
- Não. Leonhart está ótimo. - respondi, tentando parecer firme.
Nos encaramos por alguns segundos. Ele era bonito de um jeito perigoso. Tinha aquele tipo de presença que dominava qualquer sala. Eu me sentia como alguém que estava prestes a assinar um contrato cujas cláusulas em letras pequenas eu ainda não tinha lido.
- Vai querer descansar antes de discutirmos os termos da convivência? - ele perguntou.
- Não. Prefiro resolver tudo agora. Assim já sei com o que estou lidando.
Um dos cantos da boca dele se ergueu em algo parecido com aprovação.
Caminhamos juntos até a biblioteca da mansão. Era um lugar silencioso, forrado por estantes de madeira escura e livros encadernados em couro. Uma lareira apagada e duas taças de vinho já nos aguardavam na mesa.
- Primeira regra - ele começou, servindo o vinho. - Respeito. Não nos casamos por amor, mas não aceitarei desrespeito ou escândalos. Você será uma Moreau em todos os sentidos - inclusive diante da mídia.
Assenti, pegando a taça. - Está bem. Segunda?
- Liberdade. - ele disse, me encarando com um olhar firme. - Não espero que finja algo que não sente. Mas quero honestidade. Se quiser partir, será livre para fazê-lo - desde que me avise com antecedência.
- Entendido.
- Terceira e última regra. - ele se aproximou levemente, e agora seu tom era mais lento. - Lealdade. Se você aceitar este casamento, terá minha proteção, meu nome, e minha aliança. Mas eu exijo fidelidade - não no sentido romântico, mas no sentido político. Você será minha esposa. E eu, seu aliado.
Aquilo não era um conto de fadas. Era um acordo. Um pacto entre duas almas feridas demais para amar, mas orgulhosas demais para se curvar.
- Eu aceito. - disse por fim, tocando minha taça na dele. - Desde que você prometa não me tratar como uma peça de xadrez. Eu já fui usada demais na vida.
Leonhart se inclinou ligeiramente.
- Nunca subestimo uma rainha, Elena.
O vinho desceu como fogo pela garganta. Era oficial. Eu estava prestes a me tornar alguém que nunca planejei ser: esposa de um estranho, filha de uma aristocracia que me abandonou, e protagonista de uma história que não escrevi - mas que, pela primeira vez, pretendia reescrever.
{...}