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Acasos do Destino...

Acasos do Destino...

Autor:: Arthur Souza
Gênero: LGBT+
Natan, um jovem sensível e talentoso, enfrenta uma terrível crise quando sua família descobre que ele é gay. Em vez de aceitação, ele é confrontado com a fúria de seu pai, que vê a homossexualidade de Natan como uma afronta à sua masculinidade. Em um ato de violência desesperada, seu pai o espanca, acreditando que isso o fará "virar homem de verdade" e abandonar sua "servengonhice". Agora, Natan se encontra em um momento de profunda dor e confusão. Será que ele conseguirá superar as cicatrizes do passado e encontrar a felicidade ao lado do amor da sua vida?

Capítulo 1 No hospital

Destino

Ok, que vocês já devem estar cansados de mim, contudo, eu tenho muitas histórias para lhes contar, e a que vou contar agora me afeta diretamente.

Essa é a história de Natan que vocês já começaram a ver na segunda história que lhes contei, não me lembro muito bem de onde parei, mas lembro-me de que lhes contei do espancamento... do hospital...

Chega de tanta enrolação e vamos para a hora de dar continuidade a vida desses seres que tanto me fascinam.

Em Bestemming

Com o corpo ainda dolorido, deitado na cama do hospital, olhava para a jane-la, já se passara dias desde o fatídico dia, não conseguia esquecer a raiva que exa-lava de Alec enquanto o mesmo espancava o filho (no caso Natan) que se encontra-va no hospital mais caro de Bestemming, não sabia como tinha ido parar ali, e muito menos quem era a pessoa sentada na poltrona, contudo ele, aquele homem, lhe passava uma segurança nunca antes sentida.

No momento, Natan observava Denis adormecido, não entendia como aquele homem aparecera em sua vida, é verdade que não era grande coisa, contudo não conseguia crer no que estava lhe acontecendo. Ao ouvir três batidas na porta do quarto em que estava o desespero toma conta dele, não saberia explicar como De-nis fora parar ali caso fosse seu irmão, e o mais importante como eles se conhece-ram, com a voz um tanto rouca pediu para a pessoa que batia na porta entrasse.

A porta se abriu lentamente, para o desespero da ansiedade de Natan, que morria de medo por dentro, não sabia o que tanto lhe aterrorizava, talvez o fato de ter sofrido um espancamento justificasse tal medo incondicional.

- Nossa, como estava morrendo de preocupação. - Jo Ann disse adentran-do no quarto assim que a mesma abriu a porta.

Ela o agarrou feito um urso, realmente estava com saudade daquele pirralho, sim, vocês devem estar se perguntando como os dois se conhecem?

Simples, Natan, em um passado não muito distante, quando Alan estava na faculdade com essa doida a sua frente, ele desobedecera a ordem de seus pais de nunca, em hipótese alguma, poderia visitar o irmão, ele mesmo assim foi a procura do irmão, assim que Jo Ann conheceu o irmão mais novo de seu amigo/irmão.

- Nossa... quem é o Deus grego? - Jo Ann perguntou deixando Natan com vergonha causando o enrubescer de suas bochechas. - Aí, tem coisa!

Ele fecha os olhos pedindo ao Destino que nada acordasse Denis, o que Na-tan não sabia era que Denis era o próprio Destino, fazendo com que Denis escutas-se o clamor de seu anjo.

- Que foi? - Jo pergunta dando-lhe um empurrão em seu braço direito, o que o fez gemer de dor.

Naquele exato momento Denis quis abrir os olhos e ver o que causou dor em Natan para que o mesmo gemesse, contudo se segurou, não queria deixar seu anjo mais constrangido do que já se encontrava.

A verdade era que conhecia bem a mulher que se encontrava naquele local, e queria evitar as perguntas constrangedoras que ela iria fazer.

Ali Jo Ann se arrependera de o ter empurrado.

- Você está machucado no braço?

Ao ouvir a pergunta "burra", se é que podia a considerar assim, não conse-guiu se controlar...

- Não só no braço - Os dois se assustaram com a voz um tanto rouca que ecoara pelo ambiente. - Todo o corpo dele fora ferido.

- Quem fala fora hoje em dia? - Ela perguntou assustada com o vocabulá-rio do ser a sua frente.

¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬- Eu falo querida Jo Ann - Denis disse se ajeitando na cadeira. - Por falar nisso... você já foi ver seu amigo... como é o nome dele mesmo? Ahhh! Me lembrei, o Alan, que por coincidência é irmão do meu anjo....

- O que o Alan tem?

Ela pergunta histérica de preocupação.

Porque fiz tal coisa? Heis que vocês agora me perguntam. Simples, oras, fiz para tirar o foco de mim, o que Jo Ann percebera assim que sua ficha caiu, metra-lhando Denis de perguntas.

- Quem é seu anjo?

- O que Alan tem haver com isso?

- O que tudo tem haver com o que aconteceu com o Natan?

- Primeiro, respire.

- Quem você acha que é para querer mandar eu respirar? E como você sa-be o meu nome?

"Simples querida, eu sou a porra do Destino" Pensou Denis revirando os olhos.

- Está no seu crachá de visitante.

- Agora respire, tente se acalmar.

Denis volta sua atenção para seu anjo, com ele (Natan) estava realmente to-da sua preocupação, mesmo que seu irmão estivesse nesse exato momento em posse de Cauã, toda sua atenção estava voltada para seu anjo, sua alma gêmea.

Natan, um pouco assustado com tudo que acontecia a frente, não entendia o porquê de aquele homem, que muito bem poderia ser considerado o homem mais gato do mundo, o chamava de anjo, e seus olhos brilhavam em preocupação em sua direção.

Denis se levanta da poltrona em que se encontrava, andou em poucos pas-sos para alcançar a maca em que seu amado estava deitado, sem falar mais nem uma palavra ele ajeita o travesseiro em que Natan se escorava, não tirara os olhos dos de seu anjo, ele (Natan) tivera a impressão de que o homem a sua frente via sua alma.

Ali enfeitiçado pelas pedras preciosas que seu amado chamava de olhos, não conseguira desviar o olhar, não conseguia sequer ver sua alma, e como queria vê-la, saber o que acontecera com seu amado em suas vidas passadas.

- Oiiii, os pombinhos esqueceram que eu estou aqui?

Jo Ann disse sendo a inconveniente de sempre, realmente certas coisas nun-ca mudam.

Com um sorriso de canto, Denis se afasta de seu amado se virando para Jo Ann, naquele momento a queria matar, mas infelizmente ou felizmente não podia.

Capítulo 2 O dia da alta hospitalar parte 1

Em um lugar não determinado...

O amor, o irmão do destino, não conseguia crer na coragem de seu irmão em abdicar de sua imortalidade, no caso divindade, para se tornar um mero mortal.

Ele realmente não conseguia compreender o irmão, o que de tão especial aquele ser tinha? Realmente seu irmão, Destino, havia enlouquecido, e infelizmente nada poderia fazer.

O que o amor poderia fazer? Simples de responder oras...

Nada, felizmente ele não poderia fazer merda alguma, não podia, não mais, pois seu querido irmão já havia feito a merda toda.

Em Bestemming

Finalmente havia chegado o dia em que Natan sairia do hospital, é verdade que foram longas semanas, de exames e mais exames, não sabia ao certo como a conta hospitalar fora paga, mas suspeitava de alguém.

Sim... ele (Natan) sabia que quem pagou tudo que ele precisara foi Denis, o que o deixava com uma dívida enorme com ele.

Natan ainda sentia dores pelo corpo quando fazia movimentos mais bruscos, como estava prestes a fazer ao se levantar da maca em que se encontrava de uma vez, isso o fez dar um leve gemido, sua barriga ainda dolorida por conta dos malditos bicudos que Alec lhe dera.

Naquele exato momento teve a certeza de que nada que ele fizesse seu pai, se é que podemos chamá-lo assim, pois um pai nunca faria o que esse monstro que meu anjo insistiu em chamar de pai por tanto tempo.

A verdade era que a mente de Natan ainda estava confusa, por n motivos o que lhe causava muitas perguntas que no momento, só o homem que foi a lanchonete do hospital poderia lhe dar.

Uma das perguntas, que no momento estavam sem respostas, era como viera para ali? Isso ninguém o respondera.

Sentia como se todos estivessem escondendo algo muito importante, e Natan não deixaria isso barato.

"O que todos estão me escondendo?" Pensou tentando desvendar o que tanto lhe atormentava, uma hora ou outra ele descobriria, teria paciência, algo que nos últimos dias lhe era praticamente impossível, contudo, tentaria por ele, por sem irmão, por todos na verdade.

**

Alan, a caminho do quarto de Natan, pensava em como contar que foi sequestrado por seu ex-marido, e como estava sua situação amorosa, tinha a plena consciência que não devia explicações ao seu irmão, contudo, se Alan quisesse que seu querido irmão fosse morar com eles precisaria ter essa conversa.

Benjamin que estava ao seu lado, andando pelo corredor de quartos do hospital, conseguia sentir a tensão que seu amor se encontrava.

Ao parar em frente ao quarto VIP do hospital, Alan estranhou que seu irmão estivesse alojado em um dos quartos mais caros do hospital, respirou fundo, colocou a mão direita na maçaneta esférica, abrindo a porta de madeira, e qual não foi sua surpresa ao constatar que Natan não estava sozinho.

Alan parou na porta do quarto que já se encontrava escancarada, um homem muito bem-vestido estava sentado na poltrona que se localizava ao lado da cama, esse homem tinha os olhos fixos em seu irmão que lhe devolvia o olhar.

Foi naquele exato momento que Alan percebera que estava acontecendo alguma coisa entre seu irmão e o misterioso homem, só não sabia o que exatamente significava essa coisa.

Alan já incomodado de não perceberem sua presença pigarreou com o intuito de chamar a atenção de ambos.

Natan girou a cabeça olhando em direção ao barulho que escutara, realmente tinha algo de errado com aquele homem. Nunca em toda a sua longa curta vida aconteceu algo tão esquisito, ninguém lhe chamara tanto a atenção ao ponto de perder a percepção de tudo o que estava a sua volta. Quando ele vê seu querido irmão parado como se fosse uma estatua na porta, Natan cai na gargalhada, junto as lágrimas descem por sua face, fazia anos que não via seu irmão mais velho, e o ver bem lhe traz um alívio tão grande que não conseguia pôr em palavras, entretanto as lágrimas escorriam com abundância por sua face.

Alan ao constatar que Natan chorava feito uma criança, logo se aproximou do leito em que seu irmão se encontrava.

- O que você tem maninho? - Alan pergunta com a preocupação transparente em seu tom de voz.

- Eu estou bem, é só felicidade em poder te ver Al! - Natan afirma na tentativa de tranquilizá-lo.

- Se me derem licença vou na cafeteria, Anjo você vai querer alguma coisa? - Denis perguntou já se levantando da poltrona em que estava sentado, com certeza os irmãos precisaram de privacidade para conversar.

- Não vou querer nada, Denis.

Ao escutar o que seu Anjo lhe responde, Denis se dirige a porta do quarto seguindo o caminho para a cafeteria.

- Agora desembucha quem era esse que estava aqui com você? - Alan perguntou demonstrando seu lado fofoqueiro fazendo com que Natan desse um pequeno sorriso.

- Eu não sei.

- Ah, conta outra, maninho. Eu vi o jeito que vocês se olham, e está na cara que tem caroço nesse angu.

Natan bufa, pois seu irmão estava mais que certo havia algo de estranho e ao mesmo tempo familiar em relação a Denis, entretanto ele não sabia o que era.

- Pode até ter caroço nesse angu, mas ainda não sei o que é.

- Hummm, sei! - Exclamou duvidando do que Natan tinha acabado de dizer.

- É a pura verdade. Eu acordei e ele estava aqui do meu lado. - Natan afirma tentando convencer seu irmão de que falava a verdade, mas Alan estava um tanto descrente.

- Essa história está muito mal contada, Natan.

Alan disse se sentando na beirada do leito, ele segurou a mão de seu irmão como quando eram menores e tinha algo de muito importante para contar. Natan se prepara para escutar um monologo de seu irmão mais velho, entretanto não acontece, Alan fica em silencio, olhando para as suas mãos unidas como se pensasse no que dizer.

- Tenho que lhe contar algumas coisas que você precisa saber.

Capítulo 3 A conversa de Alan com seu irmão

- Tenho que lhe contar algumas coisas que você precisa saber.

Aquelas palavras acenderam um alerta enorme na mente de Natan, com toda certeza se tratava de um assunto sério, ele se ajeita no leito para prestar a devida atenção ao que Alan tinha para lhe contar.

- Preciso que você preste bastante atenção no que vou te contar, sei que não preciso te contar, mas sinto que tenho que lhe contar - Alan começa, entretanto, permanece com a cabeça abaixada para que seu irmão não visse como estava abalado, mesmo tendo passado um tempo ainda era difícil para Alan reviver tudo que lhe passou nos últimos anos. - É difícil, mas tenho que te contar maninho.

- Me conte então.

Natan pede já agoniado de ver como seu irmão estava.

"O que será de tão importante para que fique nesse estado?" Natan pensou se corroendo internamente de preocupação, ele observava Alan que ainda mantinha a cabeça abaixada, sua respiração era pesada denunciando que estava abalado com o que tinha para lhe contar.

- Está me deixando preocupado! - Natan afirma já incomodado com o silêncio de seu irmão mais velho. Alan enfim toma coragem começando a contar tudo que lhe havia acontecido nos últimos meses, mesmo tendo insegurança em seu interior, assim que começara a falar sentiu que estava fazendo a coisa certa. Natan permaneceu em silêncio durante toda a história, realmente não parecia real, a cada acontecimento que saía da boca de seu irmão, mais parecido com um filme.

"Como o Destino faz aquilo que ele quer..." Natan pensou com o olhar perdido na paisagem urbana que conseguia ver pela janela do quarto em que estava internado. Alan ao ver que seu irmão estava perdido em pensamentos e aproveitando que já tinha finalizado de lhe contar tudo que havia acontecido com ele nos últimos meses, decide deixá-lo descansar, afinal ele tinha passado por um trauma horas atrás.

Alan se despede de Natan que o olha indagador, mas antes que ele pudesse ter a chance de perguntar algo seu irmão mais velho sai do quarto fechando a porta atrás de si. Natan voltou sua atenção para a janela, não que fosse a coisa mais interessante que havia naquele exato momento, mas, era o que te chamava a atenção, pelo menos para pensar era o melhor que tinha.

Em um lugar não determinado...

Sem ainda acreditar no que seu irmão havia tido a coragem de fazer, o Amor não teve outra alternativa tendo que tomar o lugar do Destino. Ele ficaria sobrecarregado? Talvez, entretanto, não tinha outra saída, na verdade havia uma, mas, não teria coragem de dedurar seu irmão para seu Pai, isso ele nunca faria, até porque o destino já encobriu muitas das burradas que fazia em nome do Amor.

O Amor para muitos podia ser considerado ingênuo, o que de fato não era, mas como todo sentimento fazia muita burrada, uma coisa podemos dizer e concordar, o sentimento amor é cego e surdo e por consequência tudo que fazia era nublado pelo sentimento não enxergando direito as burradas que ele tinha que evitar que acontecessem.

E agora o Amor tinha de cuidar do seu serviço e do serviço de seu irmão, que sem pensar duas vezes abandonou o seu posto de divindade para ir atrás de um amor. Mas que ironia o Amor pensar dessa forma, entretanto, ele conseguia compreender seu irmão, com toda certeza desse e de outros mundos ele era o único que o compreendia. O Amor passaria esse pano para o Destino, tentando de toda forma possível encobrir a sua falta, só não fazia ideia de como faria para cuidar dos fios do destino.

Em breve ele descobrirá...

Em Bestemming

Denis em pé na fila da cafeteria do hospital, precisava com urgência daquele líquido, não tinha nem um mês direito que se encontrava nesse plano e já se rendera ao vício do café, realmente não conseguia compreender como diabos fez para se viciar com tanta facilidade.

"Os humanos estão fudidos com tantas drogas que os viciam." Denis pensou, como se agora ele próprio não fosse um humano nesse exato momento. "Quando Natan tiver alta..." Teve seus pensamentos interrompidos por seu irmão invadindo-os na tentativa de se comunicar.

"Destinoooooooooo, meu querido irmão." O Amor começou, Denis já sem um pingo de paciência logo retruca.

"Fala logo o que quer que estou ocupado!"

"Quando você vai voltar?" O Amor pergunta com curiosidade aparente.

"Em breve..." Denis respondeu bloqueando seus pensamentos, não ficaria ali de papinho com seu irmão quando seu Natan estava precisando dele.

- Um café americano duplo. - Denis pediu assim que sua vez chegara, poupando seu tempo e o da atendente que não precisou perguntá-lo o que desejava.

- Ficou 15,90. - A atendente o informou, sem questionar Denis a entregou seu cartão de débito, ele até podia considerar um absurdo o valor que havia ficado um simples café americano duplo, entretanto, estava com muita pressa, nao gostava de deixar seu amado sozinho, muito menos agora com o trauma que aquele desgraçado que chamava de pai o causara.

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