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Acidentalmente na cama com o tio do meu ex

Acidentalmente na cama com o tio do meu ex

Autor: Marie Jessette
Gênero: Lobisomem
Assassinar a noiva acidentalmente? Sim. Forçada a casar com o Alfa amaldiçoado que perdeu seis companheiras? Sim. Agora usando o vestido dela e sendo arrastada para a cama dele, enquanto a matilha esperava lá fora por provas de que ele me fodeu sem dó? Sim mais uma vez. Remi só estava tentando pegar seu namorado traidor no flagra, mas acabou tropeçando, rasgando a renda do vestido e quebrando um crânio. Agora, o Alfa Nero Blackwater era seu dono. "Noiva por noiva", ele rosnou. "Você me deve um casamento... e um útero." A maldição matava suas companheiras antes do amanhecer, a menos que ele gerasse um herdeiro rapidamente. No entanto, algo estava errado. E se nunca houvesse maldição alguma? Uma noite para sobreviver. Uma reivindicação para quebrar tudo. Um Alfa que a foderia até ela perder os sentidos... mesmo que fosse a última coisa que ela sentisse.
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Capítulo 1 Uma perseguidora desequilibrada

"Meus peitos estão de fora?"

Zaya deu uma conferida rápida. "Um pouco. Ajeita aí."

Então, puxei o decote do meu vestido para cima pela terceira vez. Esse vestido era muito apertado, decotado demais. Aparentemente, o havia roubado da minha irmã, que tinha o corpo de uma modelo da Victoria's Secret.

Eu não.

Jade sussurrou por trás da cerca viva: "Me diga por que estamos fazendo isso mesmo?"

"Porque Marcus disse que eu não poderia ir ao casamento do tio dele. Algo sobre ser exclusivo da Matilha Moonstone." Enquanto explicava, eu cambaleava nos saltos que definitivamente foram uma má escolha.

"Vamos invadir o casamento de outra matilha para provar o quê exatamente?"

"Que não sou uma namorada constrangedora que ele precisa esconder só porque sou da Matilha Riverside", respondi, espiando pela fresta dos arbustos.

A cerimônia já estava começando: havia cadeiras brancas, luzes penduradas nas árvores e pelo menos duzentos convidados com roupas caras.

Jade bufou em desdém. "Ou ele vai ficar puto e te largar na frente de todo mundo."

"Bom, pelo menos assim saberei onde estamos."

"Você é louca", Zaya murmurou, mas estava sorrindo. Ela vivia para esse tipo de caos.

Porém, se eu soubesse o que estava prestes a acontecer, teria dado meia-volta nesse momento.

Avistei Marcus na terceira fileira, seus cabelos escuros, ombros largos e usando um terno que provavelmente custava mais do que meu aluguel. Estávamos namorando há oito meses.

No entanto, o cara estava com o braço em volta de outra garota.

Quando vi a cena, meu coração parou.

Zaya perguntou, sua voz num tom mais alto: "Aquela é Sophie?"

"Não, não pode ser Sophie." Aproximei-me, estreitando os olhos para enxergar melhor. "Ele disse que só a Matilha Moonstone poderia comparecer. Ela é da Matilha Landravers, mas ele jurou que eles só eram..."

Marcus se inclinou e a beijou. Na boca. Por tempo demais.

"Aquela é Sophie, com certeza", Jade afirmou.

"Meu Deus..." Meu estômago foi parar nos pés. "Meu Deus, é Sophie. Ele está... eles estão..."

"Tudo bem, novo plano. Vamos embora agora mesmo. Vamos para casa, tomar sorvete e você bloqueia o número dele", disse Zaya rapidamente.

"Ele mentiu para mim!", exclamei, minha voz embargada.

"Remi, precisamos ir..."

"Não posso acreditar nisso. Peguei esses saltos que são uma tortura emprestados e estou me infiltrando como uma perseguidora desequilibrada..."

Recuei, gesticulando descontroladamente. De repente, meu salto prendeu em algo.

Uma raiz, ou uma pedra. Eu não sabia, e nem importava.

Eu estava caindo.

"REMI!"

Quando tentei me agarrar à cerca viva, o galho se quebrou na minha mão, então comecei a rolar ladeira abaixo, passando pelas flores decorativas, sobre o que poderia ser uma caixa de som e o que achava ser a mesa do bolo, porque algo cremoso atingiu meu rosto na descida.

Meu vestido estava rasgando, meu cabelo estava no meu rosto, e tudo o que eu conseguia pensar era que era assim que morreria: morta por um coração partido e por ter escolhido um calçado inadequado.

Por fim, bati no tapete do corredor com um baque que tirou o ar dos meus pulmões.

Por um segundo lindo e horrível, tudo ficou em silêncio.

Estava de bruços sobre um tecido branco, e havia sapatos por perto. Quando levantei a cabeça, percebi que estava no altar.

A noiva estava a um metro de distância, no meio dos votos, me encarando com a boca aberta.

"O quê..."

Tentei me levantar, mas minha mão estava presa em algo. Era um tecido branco, rendado.

A cauda do vestido da noiva.

"Espere, me desculpe...", comecei, soltando minha mão com um puxão.

Foi então que a cauda se rasgou, e a noiva cambaleou para trás com força.

Seu salto prendeu no tecido rasgado, e ela caiu.

Tudo aconteceu em câmera lenta. Seus braços giravam no ar, e sua cabeça se inclinava para trás. O estalo nauseante ecoou quando seu crânio atingiu o chão de pedra.

Então, o silêncio se instalou, e ela não se mexeu mais.

"Meu Deus...", alguém sussurrou.

Um homem se aproximou rapidamente, se ajoelhando ao lado dela e pressionando os dedos no seu pescoço para verificar o pulso.

Com o rosto pálido, olhou para o noivo.

"Ela... ela não está respirando."

Meus ouvidos começaram a zumbir. Isso não poderia estar acontecendo! Não!

Alguém na multidão riu. "Bom, é um novo recorde."

"Ela não durou nem uma hora", acrescentou outra voz. "Nem sequer foi marcada."

"Pobre Nero. Seis vezes. Isso deve ser algum tipo de maldição."

Meu cérebro entrou em curto-circuito. Seis? O que isso significava?

"Remi?" Marcus se aproximou, ainda segurando a mão de Sophie como se ela fosse sua vadia de apoio emocional. "O que está fazendo aqui?"

Pisquei para ele, enquanto a cobertura do bolo escorria pelo meu rosto. "Eu deveria ter caído em cima de você."

Mãos fortes agarraram meus braços e me puxaram para cima.

Quando olhei para cima, o noivo estava parado na minha frente.

E ele era... Jesus... era lindo. Não, essa não era a palavra certa. Ele era devastador.

O tipo de rosto que te fazia esquecer até seu próprio nome.

Ele era alto, mais alto que Marcus e do que qualquer lobo que eu já havia conhecido. Seu maxilar era marcado, e seus cabelos escuros pareciam ter sido bagunçados por ele várias vezes. Seus olhos eram prateados, um prateado real que brilhava levemente - olhos de Alfa.

Minha loba se agitou, interessada. Muito interessada.

"Agora não", eu disse a ela. Afinal, acabamos de matar alguém.

Eu havia me esquecido de onde estava, e do que acabara de fazer.

Tudo o que conseguia pensar era: Caramba, ele é tão gostoso.

"Está me ouvindo?"

Pisquei, saindo do transe. "Desculpe. Você é muito... gostoso."

Seu olho tremeu. "Gostoso?"

"Sim. Agressivamente. É perturbador."

"Você acabou de matar minha noiva e está comentando sobre meu rosto?"

Ah, sim. A noiva. O assassinato.

A realidade voltou como um balde de água fria.

Em algum lugar nos arbustos, ouvi minhas amigas completamente enlouquecidas.

"MEU DEUS, ELA MATOU ALGUÉM!"

"PRECISAMOS DE UM ADVOGADO!"

"CORRA, REMI! CORRAAAA!"

"NÃO, FIQUE! CONFESSE! FOI HOMICÍDIO CULPOSO, NO MÁXIMO!"

"Aquilo foi a COLUNA dela?! Ouvi um estalo!"

"Foi um GALHO, sua idiota!"

O aperto do noivo no meu braço se intensificou. Sua presença de Alfa me pressionava, me sufocando. Minha loba queria se submeter imediatamente, mas a reprimi.

Sua voz caiu para um tom ameaçador: "De qual matilha você é?"

"Riverside", guinchei. "Não sou ninguém. Foi um acidente. Não tive a intenção. O galho se quebrou e eu caí e..."

"Você é de Riverside e invadiu o casamento da Matilha Moonstone?", ele perguntou com um sorriso de escárnio.

"Tecnicamente, invadi o casamento..."

"Você matou minha noiva."

"Foi um acidente..."

"Ela está morta."

"EU SEI!", exclamei, minha voz embargada. "Eu sei, tá bem? Eu sei. Sinto muito. Sinto muito mesmo. Farei qualquer coisa..."

"Qualquer coisa?" Ele olhou para mim - olhou de verdade - reparando no meu vestido rasgado, na minha maquiagem borrada, no jeito que eu estava tremendo.

Uma senhora se aproximou da multidão, com um sorriso no rosto.

"Parabéns, Alfa Nero. Parece que a Deusa da Lua escolheu sua sétima noiva."

Engasguei. "Sétima?!"

"As outras seis estão mortas", ele disse sem rodeios.

Meu sangue gelou. "Seis? Você teve seis esposas e todas estão mortas?"

"Sim."

"E sou a sétima?"

"Isso mesmo."

"ISSO É UM CASAMENTO OU UM JOGO DE SOBREVIVÊNCIA?!"

Seu maxilar se contraiu.

"Os dois." Então, ordenou aos guardas por perto: "Limpem ela. Vamos terminar a cerimônia."

"NÃO VOU ME CASAR COM VOCÊ!"

"Você matou minha noiva. Você me deve um casamento", disse ele num tom frio e definitivo.

"Não é assim que um casamento funciona!"

"É quando você mata a noiva de um Alfa." Ele se inclinou para mais perto, tão próximo que pude sentir sua respiração no meu rosto.

Num tom baixo, continuou: "De todos os idiotas que poderiam tê-la matado, tinha que ser a garota com olhos ardentes."

Meu cérebro travou. "Olhos ardentes?"

"Vistam ela. Dez minutos", Nero ordenou aos guardas.

"Espere..."

Ele já estava se afastando, mas se virou por cima do ombro, seus olhos fixos no meu rosto.

"Tente não morrer esta noite. Estou curioso sobre você."

Então, ele saiu.

No instante seguinte, os guardas agarraram meus braços e começaram a me arrastar em direção a um prédio lateral.

"ESPEREM!" Contorci-me, tentando ver minhas amigas nos arbustos. "Jade! Zaya! NÃO ME DEIXEM SOZINHA!"

Mas elas já estavam correndo, e logo desapareceram entre as árvores.

Garotas espertas...

Fui puxada para dentro de um quarto com uma penteadeira e um vestido de noiva pendurado na parede. O vestido da noiva morta.

Uma mulher apareceu com maquiagem e grampos de cabelo. Ela também era uma loba, e eu podia sentir seu cheiro da Matilha Moonstone.

"Precisamos ser rápidas. Você é menor do que ela, então teremos que apertar a cintura", ela disse, me olhando criticamente.

"Não vou casar com ele. Isso é loucura. Vocês não podem forçar alguém a se casar", eu disse, minha voz soando como se eu estivesse num sonho.

"Você matou a noiva dele. Noiva por noiva", a mulher respondeu simplesmente, como se isso explicasse tudo.

"Foi um acidente..."

"Não importa. Você está aqui agora, e confie em mim, querida, você não vai querer recusar o Alfa Nero." Ele começou a desamarrar meu vestido rasgado.

"Por quê? O que acontece se eu recusar?"

Ela encontrou meus olhos no espelho e, pela primeira vez, vi uma genuína pena neles.

Enquanto pegava o vestido de noiva do cabide, respondeu: "Digamos que a última loba que o recusou não saiu viva daqui."

Meu sangue gelou. "Então, ele as matou?"

"Matar seria pouco." Erguendo o vestido, ela ordenou: "Agora vista. Seu noivo está esperando."

Olhei para o vestido.

Em algum lugar lá fora, a música começou a tocar.

Era a marcha nupcial.

Minha marcha nupcial.

Olhei para meu reflexo no espelho: o vestido rasgado, o rímel borrado e as folhas no meu cabelo.

Nessa manhã, acordei planejando fazer uma surpresa para meu namorado no casamento do tio dele.

Agora, estava prestes a me casar com um Alfa com seis esposas mortas, e se eu recusasse, ele provavelmente me mataria.

"Isso não pode estar acontecendo", sussurrei.

A mulher sorriu tristemente. "Querida, já aconteceu."

Após dizer isso, colocou o vestido sobre minha cabeça.

Foi aí que percebi que tinha acabou de entrar, por meio de um assassinato acidental, em um casamento amaldiçoado com o Alfa mais perigoso de todos.

Eu estava completamente ferrada.

Capítulo 2 A noite de núpcias

"Você aceita esta mulher -"

"Já fiz isso seis vezes. Pule para o final", Nero interrompeu.

Com o rosto pálido, o padre disse: "Mas, Alfa, os votos sagrados exigem..."

"Cinco minutos atrás, ela matou minha última noiva. Acho que podemos pular essa parte sagrada."

Eu estava ali, usando o vestido de uma mulher morta, com folhas ainda presas no meu cabelo, me perguntando se tudo isso era real ou se tinha batido a cabeça com mais força do que imaginava quando caí.

O padre limpou a garganta nervosamente. "Você, Alfa Nero Blackwater, aceita esta mulher como sua noiva?"

"Claro."

"E você...", ele perguntou, estreitando os olhos para mim. "Desculpe, qual é o seu nome?"

"Remi", sussurrei. "Remi Olandria Cross."

"Você, Remi Olandria Cross, aceita o Alfa Nero Blackwater como seu marido também?"

Abri a boca, mas nada saiu.

Apertando minha mão, Nero disse: "Ela aceita."

"Na verdade, preciso responder..."

"Ela aceita", ele repetiu, em voz mais alta, enquanto olhava nos meus olhos.

O padre se apressou em continuar com o restante da cerimônia, falando algo sobre a Deusa da Lua, laços eternos e a lei da matilha, mas eu não estava prestando atenção. Só conseguia olhar para o lençol branco que cobria o corpo da noiva a seis metros de distância.

Eles a levaram para o canto, como se ela fosse um móvel.

Vi a mão dela antes de eles a cobrirem. Havia algo verde sob as unhas. Seria... resíduo de planta? Ou outra coisa?

"Agora você pode beijar a noiva."

Ergui a cabeça. "Espere, não precisamos..."

Nero se inclinou para perto, e pude sentir seu cheiro.

"Seus pais, seus irmãos, e aquelas duas amigas que fugiram... sei onde todos eles moram", ele sussurrou.

Meu sangue gelou.

"Então você vai me beijar, e de forma convincente. Entendeu?"

Eu o encarei.

"Entendeu?", ele repetiu.

Por fim, assenti.

Após minha confirmação, ergueu a mão e segurou meu queixo antes de me beijar.

Eu já havia beijado Marcus várias vezes. Beijos doces e suaves, que traziam uma sensação de acolhimento e segurança.

No entanto, esse beijo não era nada disso.

Um beijo intenso e possessivo, que fez minha loba despertar e ficar atenta.

Quando sua boca se moveu contra a minha, meu cérebro pareceu se desligar. Esqueci onde estava, a multidão observando, tudo, exceto a forma como seu polegar acariciava meu maxilar e como meu corpo inteiro se inclinava para ele involuntariamente.

Por fim, minha loba ronronou. "Mais!"

"Cale a boca, estamos sendo ameaçadas", a repreendi.

"Mas ele tem um gosto tão bom..."

E realmente tinha. Droga!

Nero se afastou, com um sorriso estampado no rosto.

"Tem certeza de que é a namorada do meu sobrinho?", perguntou em voz baixa.

Meu rosto se tornou vermelho. "Vá se foder."

"Bom, já começamos muito bem."

Os tambores começaram a tocar, e a multidão se moveu, formando filas de cada lado de nós.

A sacerdotisa deu um passo à frente, segurando uma tigela cerimonial. Ela usava vestes brancas e seu rosto estava pintado com símbolos.

"A consumação será realizada agora.

A matilha permanecerá aqui até a confirmação do herdeiro do Alfa."

O quê?

"Desculpe, mas você acabou de dizer...", comecei, minha voz embargada pelo nervosismo.

Meu Deus!

Eles estavam esperando que a gente...

"Não! Não, não, não...", neguei.

"NERO!"

A voz de uma mulher mais velha ecoou em meio à multidão. Seus olhos eram prateados, assim como os de Nero.

"Mãe", ele disse num tom seco.

"Pare com isso agora mesmo!"

"Não é o momento para..."

"Ela não é uma de nós." A mulher me olhou com puro desdém. "Ela nem é da Matilha Moonstone, é lixo da Riverside. Ela não vai sobreviver à noite..."

"Você escolheu as últimas seis noivas, e todas morreram em poucos dias. Então me perdoe se não confio mais no seu julgamento", Nero interrompeu, sua voz caindo para um tom ameaçador.

O rosto da sua mãe se contraiu. "Seu pai se reviraria no túmulo se soubesse..."

"Meu pai está morto, e você não vai mais escolher minhas noivas." Puxando-me para mais perto, ele declarou: "Esta é minha."

A mulher o encarou por um longo momento, então seus olhos se desviaram para mim.

"Anote minhas palavras: ela não sobreviverá até amanhã de manhã."

Após dizer isso, se virou e foi embora.

Olhando para Nero, comentei: "Sua família é ótima. Super acolhedora."

Nero começou a andar.

Eu o segui cambaleando, ainda descalça, o vestido de noiva arrastando no chão.

A matilha se afastou para nós, formando uma fila de procissão.

Chegamos a um conjunto de portas maciças com guardas de cada lado.

Eram os aposentos do Alfa.

Meu estômago se revirou.

"Espere..." Tentei parar, mas Nero continuou andando, me puxando com ele.

A matilha entrou atrás de nós, se enfileirando no corredor. Mais tambores e testemunhas.

Isso era como um filme de terror, ou um daqueles romances sombrios em que a protagonista morria no terceiro capítulo.

Por fim, chegamos a outra porta, e Nero a abriu.

Era um quarto enorme com uma cama de dossel, paredes escuras e velas por toda parte.

Ele me puxou para dentro.

Estávamos sozinhos, mas eu podia ouvir a matilha esperando do lado de fora, aguardando a prova de que iríamos...

"Tudo bem, então não precisamos fazer aquilo, certo?", eu disse, minha voz num tom agudo. "Você pode simplesmente voltar lá e dizer que já está feito e eles vão embora..."

Nero se virou para mim.

"Não."

"Não?"

"A prova deve ser apresentada à sacerdotisa."

"Prova? Que tipo de prova?", perguntei, minha voz falhando.

"Meu sêmen. A prova da consumação."

O quarto pareceu girar.

"Sou virgem", confessei.

"Sei."

"Como você..." Refleti por um momento. "Quer saber? Não quero nem saber. Isso é uma loucura. Você não pode esperar que eu..."

Ele deu um passo à frente. "Minha linhagem luta contra a maldição. Se eu gerar um herdeiro com você esta noite, você terá uma chance de lutar."

"Mas as outras seis não sobreviveram."

"Minhas noivas não costumam ter sorte." Dando mais um passo, ele continuou: "Vamos fazer amor esta noite."

"SIM! Finalmente! Sim, sim, sim!", minha loba exclamou dentro de mim.

"Por acaso você se esqueceu de que seis mulheres MORRERAM?", perguntei a ela.

"Mas ele é tão..."

"Nem termine essa frase."

Nero me encarava enquanto começava a desabotoar a camisa. "Tire a roupa."

"Como é?"

"Estamos ficando sem tempo. Quanto mais esperarmos, mais forte a maldição fica."

"Mas... não posso simplesmente..."

E assim, ele tirou a camisa.

Oh. Oh, não!

Ele era musculoso como se passasse todos os dias lutando contra ursos. Seus ombros eram largos, o peitoral definido, e seu abdômen era impecável.

"Viu?", disse minha loba com um sorriso presunçoso. "Mesmo que morra, vale totalmente a pena."

"Pare de me olhar", Nero ordenou.

"Não estou olhando."

"Está sim."

"Foi você quem tirou a camisa na minha frente. A culpa é sua."

Ele esboçou um sorriso de canto, depois se virou, me dando privacidade.

Olhei para suas costas, observando a forma como seus músculos se moviam sob a pele e as cicatrizes que cruzavam seus ombros.

Ele já havia participado de lutas, e das sérias.

Levei meus dedos até os laços do meu vestido, mas hesitei.

"Consigo ouvir seu coração batendo. Você está apavorada", ele disse, sem se virar.

"Seis esposas mortas. É só fazer as contas."

"Ponto justo."

Por fim, desamarrei o vestido, o deixei cair aos meus pés e fiquei apenas de lingerie, tremendo.

Havia planejado fazer uma surpresa para meu namorado, mas agora estava seminua no quarto de um estranho, prestes a fazer sexo para talvez, quem sabe, mas provavelmente não, sobreviver a uma maldição.

Nero desabotoou o cinto.

Eu deveria ter desviado o olhar para o outro lado, mas não o fiz.

Ele abaixou as calças e as tirou. Agora, estava apenas de cueca, e eu podia ver tudo: os músculos das suas coxas e seu traseiro incrivelmente perfeito.

"Que imaginação fértil para alguém prestes a morrer. E seu namorado não te traiu?", minha loba provocou.

"Ele é atraente. Um fato inegável", murmurei.

Nero subiu na cama e puxou o lençol sobre si, então se virou para me olhar.

Seus olhos se arregalaram.

Pela primeira vez desde que o conheci, vi seu controle se romper.

Suas pupilas se dilataram e sua respiração ficou ofegante. Observei seu corpo reagir sob os lençóis, sua excitação se tornando cada vez mais evidente.

Ele era tão lindo!

Oh, meu Deus!

Ele estava duro, muito duro, e havia... muito mais dele do que eu imaginava.

"Caralho", ele murmurou.

Congelei.

Ele me encarava como se eu fosse a única coisa no mundo, como se tivesse esquecido como pensar.

"Você é..." Ele balançou a cabeça, como se estivesse tentando clarear a mente. "Porra."

"Isso não é uma frase completa", observei.

De repente, ele se moveu rapidamente, se ajoelhando na cama à minha frente e erguendo a mão para segurar meu rosto.

"Você é linda para caralho, Olhos Atrevidos."

Perdi o fôlego enquanto ele se inclinava, seu polegar traçando meu lábio inferior.

"Vou..."

Sua mão deslizou pela minha barriga, depois mais para baixo.

Eu estava sem ar, incrédula que isso estava acontecendo.

Mas então, ele parou, sua mão se afastou e todo o seu corpo ficou tenso como se ele tivesse se lembrado de algo.

"Vista-se", ordenou.

"O quê?"

Ele pegou minhas roupas e as jogou em cima de mim.

"Vista-se agora."

"Mas pensei que você disse que tínhamos que..."

"Mudei de ideia." Ele saiu da cama, enrolando uma toalha em volta de si.

"Mas e a prova? E a matilha lá fora..."

"Sou o Alfa. Eles me obedecem, não o contrário", ele disse, sua voz fria e distante novamente.

"Mas isso me daria uma chance de lutar contra a maldição..."

Ele se virou para mim, os olhos brilhando em prata.

"Talvez eu não queira que você lute contra a maldição. Talvez queira que você morra."

Suas palavras me fizeram encolher.

Após me encarar fixamente por mais um segundo, pegou a calça, a vestiu e foi até a porta.

"Espere..."

A porta se fechou atrás dele, e ouvi o barulho da tranca do lado de fora.

Ele me trancou aqui!

Apertei meu vestido, seminua, olhando para a porta.

Lá fora, a música ainda tocava, e a matilha continuava esperando, mas ele me deixou aqui, sozinha.

Com as mãos trêmulas, vesti o vestido novamente.

"Não vou morrer aqui. Não sou como aquelas heroínas estúpidas de romances que morrem por algum alfa amaldiçoado. Que se foda!"

Precisava sair e voltar para meus pais, para Jade e Zaya, para as pessoas que realmente se importavam comigo.

Pensando nisso, comecei a procurar uma saída no quarto, uma janela para escapar, uma chave... qualquer coisa!

Mas não encontrei nada!

Quando estava prestes a tentar arrombar a porta, avistei algo embaixo da cama.

Um livro.

Não, um caderno de esboços.

Peguei o caderno, encontrando páginas e páginas de desenhos.

Eram criaturas, lobos em meio à transformação, mas de uma forma distorcida. Seus ossos se quebravam de maneiras que não deveriam ser possíveis. Havia anotações escritas com uma caligrafia apressada e símbolos que eu não reconhecia, talvez runas.

Ele estava estudando a maldição?

Continuei folheando, encontrando mais esboços e anotações.

Até que, de repente, parei.

A página estava amassada, como se alguém tivesse tentado jogá-la fora, mas depois mudou de ideia.

Quando a alisei, vi que era o desenho do rosto de uma mulher.

Lindo, detalhado e desenhado com esmero.

Era o meu rosto.

Meu coração parou.

Folheei o livro em busca de uma data.

Ali, no canto da página, estava escrito a data.

Três meses atrás...

Três meses antes de eu invadir esse casamento, três meses antes de eu ouvir o nome de Nero Blackwater.

Minhas mãos começaram a tremer.

Lá fora, a música finalmente parou, e a matilha estava indo embora, desistindo da consumação.

Encarando meu rosto no desenho, murmurei: "Isso não foi um acidente..."

Capítulo 3 Calcinha de renda preta

Ponto de vista de Alfa NERO

"Merda." Fechei a porta do escritório do meu pai com tanta força que o vidro da janela tremeu.

Estava tentando ignorar o fato de que ainda estava excitado, pensando nela, na maneira como ela estava ali, só com pedaços de renda, todas as suas curvas e aqueles olhos de merda que faziam meu lobo querer...

"Noite difícil?"

Virei-me ao ouvir a voz.

Meu irmão Kade estava encostado no batente da porta, com os braços cruzados e um ar bem divertido para alguém que acabara de ver outro casamento se transformar num fiasco.

"Saia daqui."

"Não é assim que se fala com o segundo em comando." Ele se afastou do batente e entrou na sala. "Principalmente quando estou aqui para ajudar."

"Não preciso de ajuda."

"Você acabou de deixar uma mulher linda nua na sua cama." Ele se sentou na cadeira em frente à minha mesa e continuou: "Confie em mim, irmão, você precisa de toda a ajuda que puder."

Olhei para ele.

Kade era dois anos mais novo que eu, mais descontraído em todos os sentidos - cabelo mais claro, olhos mais claros e uma atitude mais descontraída com a vida. Enquanto eu carregava o peso da matilha, ele usava roupas de grife e carregava um iPad cheio de aplicativos de design de interiores.

"Ela estava disposta, estava nua e você estava claramente interessado", ele continuou, enquanto olhava para as unhas. "Mas mesmo assim, você está aqui, andando de um lado para o outro no escritório do pai como um animal enjaulado, enquanto ela está trancada no seu quarto. O que aconteceu?"

"Não é da sua conta."

"Na verdade, é da minha conta. Sou seu Segundo, seu irmão e quem terá que lidar com a sacerdotisa enfurecida e com a matilha confusa amanhã de manhã quando descobrirem que você não completou o ritual de consumação... de novo."

Desviei o olhar para a janela, observando a floresta escura ao longe. "Tive meus motivos."

"Quais?"

"Kade..."

"Qual é, isso não é típico de você. Geralmente, você aproveita todas as oportunidades para dormir com suas noivas, principalmente uma tão gostosa como ela. Por que parou?"

Apoiei as mãos na mesa, na tentativa de encontrar palavras para algo que eu mesmo não entendia.

"Se lembra da mulher dos meus sonhos?"

Houve um momento de silêncio, então ele perguntou: "Aquela que você desenhou há meses? O rosto que você sempre vê?"

"Sim."

"O que tem ela?"

Virei-me para encará-lo. "É ela."

Kade piscou, confuso. "É... quem?"

"Remi. A garota lá embaixo. Ela é a mulher dos meus sonhos."

As sobrancelhas de Kade se arquearam. "Você só pode estar brincando."

"Não a reconheci de imediato. Os olhos dela são diferentes... mais calorosos nos sonhos, mais gentis. E o cabelo..." Passei a mão pelo meu cabelo, frustrado. "Mas quando ela tirou o vestido, vi a cicatriz nela, no mesmo lugar que nos meus sonhos."

Kade se inclinou para frente. "Nero..."

"Ela é a mulher que vejo toda vez que fecho os olhos. E esta noite ela simplesmente... apareceu. Acabou com um casamento, matou minha noiva e foi parar na minha cama." Soltei uma risada amarga. "Me diga se isso não é suspeito."

"Então você acha o quê? Que ela é uma espiã? Que alguém a enviou?" Kade ficou em silêncio por um momento, então pegou seu celular. "Fiz algumas pesquisas depois da cerimônia."

"E?"

"Ela não é ninguém, Nero. Tipo, ninguém de verdade. Trabalha como bartender num bar qualquer no território de Riverside. Vem de uma família grande. O pai bebe demais. A mãe faz... digamos que faz 'negócios obscuros' e vamos deixar por isso mesmo."

"Uma bartender", repeti, incrédulo.

"De Riverside, a matilha mais pobre da região." Ele ergueu os olhos para mim. "Então a questão é: o que diabos nosso sobrinho estava fazendo com ela?"

Essa era uma boa pergunta.

"Ou", Kade disse lentamente. "A Deusa da Lua tem um senso de humor peculiar."

Lancei um olhar para ele, pensando que ele tinha razão.

Ficamos em silêncio por um momento.

Por fim, Kade disse: "Você deveria ter dormido com ela. A consumação daria a ela uma chance de lutar contra a maldição. Você sabe."

"Não me faça lembrar do meu erro."

"Ah, então foi um erro? Então você quer dormir com ela?", Kade perguntou, arqueando as sobrancelhas.

"Você não tem ideia do quanto estou arrependido de não ter terminado o que havia começado."

"Nero..."

Após pensar por um momento, ordenei: "Prepare uma cesta de oferendas para os pais da noiva falecida. O de sempre: ouro, carta de desculpas, dinheiro de sangue."

"E para a família de Remi?"

"Dê a mesma coisa a eles. Eles precisarão para o funeral dela."

Kade congelou. "Você realmente acha que ela vai morrer esta noite?"

Num tom apático, eu disse: "Todas elas morrem. É melhor cavar os dois túmulos agora, no mesmo local das outras. Assim, economizamos tempo."

"Algo sombrio, mesmo para você."

Kade me observou por um momento, enquanto o relógio batia, indicando que já era quase meia-noite.

"Merda... Nero, precisamos...", ele começou a dizer, mas o interrompi.

"Eu sei, e já estava indo em direção à porta."

"Para o seu quarto. Agora."

Chegamos ao meu quarto, não o que eu havia deixado Remi, mas o meu quarto de verdade, com paredes reforçadas e correntes embutidas na estrutura da cama.

Kade trancou a porta atrás de nós.

"Deite-se", ele disse e, rapidamente, prendeu as correntes nos meus pulsos.

Eram de ferro pesado, abençoadas pela sacerdotisa, a única coisa forte o bastante para conter um Alfa.

Após terminar de prender meus pulsos, ele passou para os tornozelos. As correntes eram longas o bastante para que eu pudesse me mover, mas não para me libertar, muito menos para machucar a mim ou a qualquer outra pessoa.

"Não deixe ela sair", pedi.

Kade ergueu a cabeça. "Remi?"

"E Kade?"

"Sim?"

"Verifique se as correntes estejam bem presas. Não quero... acidentes."

Para se certificar, ele testou cada cadeado novamente, puxando-os com força para garantir que aguentariam.

"Estão bem presas?"

Para testar, puxei com força, e as correntes aguentaram. "Sim."

Kade apertou meu ombro. "Tente dormir um pouco. Ou, sei lá, o que for considerado sono quando se está acorrentado a uma cama."

Após dizer isso, ele saiu, me deixando sozinho.

Fechei os olhos e pensei em Remi, na maneira como ela me olhou antes de eu ter dito que a queria morta.

Eu havia mentido.

Ponto de vista de REMI Nessa noite...

Ainda estava olhando para o desenho quando ouvi passos do lado de fora da porta.

Peguei a primeira coisa que encontrei, um castiçal pesado, e me encostei na parede ao lado da porta.

Se alguém estivesse vindo me matar, eu iria lutar até o fim.

A fechadura estalou e a porta se abriu, revelando um homem.

Não era Nero. Esse era mais magro, bonito e se movia com a graciosidade de um dançarino.

"Olá, cunhadinha", ele disse alegremente.

Ergui o castiçal e avisei: "Dê mais um passo e vou esmagar seu crânio."

Ele olhou para o castiçal, depois para mim, e abriu um sorriso.

"Ah, estou gostando de você. Nero vai se divertir muito com você."

"Quem diabos é você?"

"Kade, irmão de Nero." Ele ergueu uma sacola de compras. "Trouxe presentes."

"Não quero presentes. Quero respostas."

"Não posso te ajudar com isso, mas posso te ajudar a sair dessa situação trágica com esse vestido que está usando", disse ele, jogando a sacola para mim. "Você não pode dormir com o vestido de noiva de uma mulher morta. É deprimente."

Peguei a sacola por reflexo. "Nero te mandou?"

"Nero está... ocupado. Estou aqui por conta própria", ele respondeu, uma expressão estranha passando pelo seu rosto.

Abri a sacola lentamente e tirei o que havia dentro.

Uma calcinha de renda preta, um sutiã que combinava, e nada mais.

"Está de brincadeira comigo?" Segurei a calcinha, que era praticamente um fio. "Onde está o resto?"

Kade sorriu. "Esse é o resto."

"Isso é lingerie."

"É roupa. E uma roupa muito cara, por sinal. De nada."

Irritada, joguei a calcinha no rosto dele, que a pegou rindo.

"Não vou usar isso", afirmei.

"A escolha é sua, mas a alternativa é dormir naquele vestido." Ele apontou para o vestido de noiva manchado de sangue. "E acredite, aquele vestido não está te fazendo nenhum favor."

Olhei para ele, depois para o vestido. Ele tinha razão...

"Alguém já te disse que você é irritante?"

Ele riu. "Gosto de você. Você tem atitude."

"Tenho perguntas. Vai responder ou não?"

"Não", disse ele, se afastando do batente. "Mas vou te dizer uma coisa: meu irmão não é o monstro que todos pensam."

"Seis esposas mortas sugerem o contrário."

"Seis esposas amaldiçoadas", corrigiu ele. "Há uma diferença. Você ainda está viva, não é mesmo? É melhor você dormir um pouco. Amanhã será um dia importante, supondo que você sobreviva à noite."

Enquanto falava, ele recuou em direção à porta.

"Espere..."

"Boa noite, cunhadinha. Tente não acabar morrendo antes do café da manhã."

Então, fechou a porta.

Fiquei horas sem conseguir dormir. Deitada na cama, pensava em como havia me metido nessa confusão.

Do nada, um barulho veio de fora da porta, e depois outro.

Correntes chacoalhando...

O barulho vinha do corredor, na direção de Nero.

Qualquer que fosse o monstro que morava naquele quarto... agora eu estava casada com ele.

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