Parte 1...
"Eu não sei explicar o que aconteceu comigo, só sei que algo mudou no exato momento em que eu o vi entrar no escritório.
Artur foi como uma brisa que soprou em meu rosto, mas não me refrescou. Ao contrário, me aqueceu de imediato e eu já não conseguia pensar em outro.
Não foi algo do tipo amor à primeira vista, sabe... Foi mais, tesão à primeira olhada. Isso sim.
Eu não fiquei pensando em me casar com ele, ter filhos, um cachorro, uma casa branca e essas coisas.
Eu pensei em estar em uma cama com ele, um sofá, até mesmo na mesa da cozinha. Foi esse tipo de coisa que me passou pela mente.
Foi luxúria pura. Aquele tesão que bate forte quando você leva um tapa para acordar e prestar atenção que a pessoa ao seu lado pode realizar suas fantasias.
Era meu corpo quem gritava para minha mente e não o contrário. Foi a atração mais forte e rápida que eu já senti em toda minha vida.
Estou perdida."
***************
Bem, antes eu vou explicar como é o Artur. Pelo menos como eu o percebo, como meu cérebro entende que ele é.
Artur tem trinta e nove anos. É arquiteto e proprietário do escritório Projetos & Arte. É onde eu sempre quis trabalhar desde que me formei, mas conseguir uma vaga com eles é muito difícil.
Ele é alto, tem um metro e noventa de altura, corpo sarado por anos de artes maciais, natação e basquete. Tudo o que eu gosto em atividade física.
O cabelo curtinho e a barba bem feita baixinha me deixam doidinha. Já imaginei várias vezes rolando com ele no tatame, ele suado e esfregando aquela barba em meu corpo.
Jesus! É tentação diária.
Os olhos são castanhos brilhantes e o sorriso é de matar. Ao menos eu sinto que vou morrer quando ele me olha e sorri pra mim.
Talvez seja loucura!
Às vezes eu fico imaginando ele fazendo os movimentos das artes marciais em cima de mim, estocando forte, me penetrando e me deixando mole.
Aquelas mão me tocando, me prendendo e ele me dominando, me deixando alucinada.
Já percebi que ele tem o caráter forte, é um pouco genioso, perfeccionista e ás vezes até um pouco chato quando quer algo.
Artur tem um modo meio rude de falar às vezes que parece que é arrogante, mas não é. Isso eu notei depois de horas o observando.
Ele tem um jeito forte, dominador e exigente, então deixa parecer que é metido, mas não é.
Infelizmente, ele é um safado.
Artur troca de mulher quase como troca de roupa e isso me deixa insegura. Não sei bem qual o tipo de mulher que realmente o atraí.
Já o vi com mulheres de vários tipos.
O que notei é que ele é fiel a elas quando estão em uma relação. Só que isso não é vantagem, já que ele não passa mais de três meses com elas.
De vez em quando ele me dá a impressão de que tem uma escrava sexual presa na cama dele, esperando para satisfazer suas vontades. É bem ousado e arrojado em suas atitudes.
Se bem que se eu fosse sua escrava sexual por um tempo, não iria reclamar.
Em resumo, Artur é um homem muito interessante, gente boa, só que é safado pra caramba. Não é perfeito, tem seus defeitos também.
E eu caí de amores por ele.
***************
Tudo começou quando eu estava desesperada, quase arrancando os cabelos de nervosismo, tentando não passar fome e nem importunar os conhecidos com meus problemas.
Me separei depois de sete anos. Meu ex-marido foi um inferno em minha vida e finalizou me roubando antes de nos separarmos.
Fiquei sem nada. Quase sem nada. Consegui manter minha casa depois de uma briga, mas fiquei zerada de grana.
Armando aos poucos foi desviando todo o dinheiro sem que eu soubesse. Tonta que eu era, pois me casei muito nova, aos dezenove anos, nem passou por minha cabeça que eu cairia no golpe dele.
Armando fez de minha vida um inferno com seu constante ciúme, grosserias e até abusos. Cheguei ao meu limite e decidi me separar.
Em uma tarde de crise, quando eu cheguei a pensar que seria maravilhoso se ele morresse, eu entendi que estava indo por um caminho sem volta e que deveria me afastar logo, antes que fosse de vez para o inferno.
Levei um ano até conseguir me separar. Tentava convencer Armando que isso era o melhor a fazer, mas ele não aceitava.
Enquanto isso as coisas pioraram e eu me mudei para um dos quartos vazios de nossa casa e dormia com a porta fechada com chave.
Minha vida sexual acabou aí. Não transava mais com ele e depois que me separei fiquei tão deprimida por tudo o que passei, que me afastei de todo homem que dava em cima de mim.
Nesse tempo o canalha foi me roubando sem que eu percebesse e acabei com uma mão na frente e outra atrás.
Morrendo de medo e vergonha, só não queria virar prostituta para pagar minhas contas e nem ficar enchendo o saco dos outros pedindo dinheiro.
Comecei a viver de bicos, fazendo arte. Eu tinha muito material em casa e usei todos. Algumas pessoas me ajudavam comprando e vendendo o que eu fazia, mas não era suficiente.
Como eu era formada em desenho arquitetônico, mas tinha parado de trabalhar porque o safado do meu ex me fez passar tanta vergonha no meu último emprego, deixei meu currículo, ainda que fraco, em alguns lugares e contei com a sorte.
Um dia recebi um telefonema de uma prima, Ana Luiza. Ela me perguntou se eu teria interesse em trabalhar em um escritório de arquitetura, mas não sabia qual seria o trabalho.
Claro que eu aceitei. Ter um salário fixo todos os meses iria me ajudar a começar a sair do buraco.
Peguei as informações e liguei para o noivo dela, Robson, que me explicou que a vaga na verdade não seria para ser desenhista, mas sim para ser secretária do dono e que ele tinha urgência de achar alguém.
Eu disse que nunca fiz esse tipo de serviço, mas sabia fazer qualquer coisa que me ensinassem e tinha a vantagem de ser rápida com documentos por conta de meu emprego anterior e falar cinco idiomas.
Eu sempre gostei de aprender idiomas e quando era adolescente entrei em um curso. Comecei com espanhol e fui para outros depois.
Não me importei com isso, eu queria era trabalhar e logo, já não aguentava mais ficar apertada e depender da ajuda dos outros.
Refiz meu currículo, coloquei nele as informações sobre minha formação e também acrescentei outras coisas, como a fluência em idiomas, para deixar um pouco mais atraente.
A sorte estava lançada. De repente essa seria minha chance de me reerguer.
Me arrumei como pude, visto que tinha poucas roupas. Armando antes de sair de casa, me fez uma surpresa, rasgando e cortando muitas roupas minhas, até mesmo peças íntimas.
Eu deveria ter ido até a polícia, eu sei, mas estava entorpecida e confesso, assustada também. Só uma amiga sabe disso e só contei quase dois anos depois dele já ter se mudado.
Cheguei ao escritório com o coração batendo rápido. Encontrei Robson, falamos rapidinho e ele pegou meu currículo, deu uma olhada e mandou que eu esperasse enquanto levava para o colega e dono.
Parte 2...
Sentei me segurando para não roer as unhas e aguardei. Quase vinte minutos depois ele voltou e me disse que entrasse.
_ Vai fazer uma entrevista com ele agora.
_ Agora? - arregalei os olhos.
_ Isso. Está com medo? Artur não morde - riu.
Robson abriu a porta, me apresentou e depois saiu me deixando sozinha com o dono.
Engoli em seco e respirei fundo. Robson disse que ele não mordia, mas o que passou por minha cabeça foi exatamente isso.
Eu deitada em uma cama, nua, sendo lambida e mordida por essa boca sensual. Foi um choque.
Nem sei como consegui andar até a cadeira em frente a ele e me sentar. Comecei a sentir calor e tenho certeza não foi por nervosismo com a entrevista e sim por ter conhecido Artur.
A voz dele, meu Deus, o que era aquele som? Foi colocar os olhos em cima dele e meu pensamento fugir da realidade.
Já me imaginei gozando sentada no colo dele enquanto ele mordia meus seios. Não deu pra segurar.
Enquanto ele ali, todo sério e formal, me explicando o que precisaria e como eu deveria fazer o trabalho, eu só pensava em sacanagem.
Não sei se foi pelo tempo sem sexo ou se foi mesmo só por causa dele.
Mais um pouco e eu ficaria virgem de novo. Só não ficava porque de vez em quando eu me masturbo pensando em alguma sacanagem ou ator.
No meu caso eu penso muito no Gerard Butler desde que eu assisti ao filme 300. De lá pra cá quando me masturbo penso nele. Às vezes penso também no Rodrigo Santoro que está muito gato agora mais velho.
Ele ia falando e eu me imaginando ajoelhada entre suas pernas, chupando seu pau até o fundo. Será que ele gemia? Eu adoro quando o homem geme.
Pensei se ele tinha o pau grande e grosso. Sendo alto, geralmente é isso que se espera. E também um homem lindo como ele não poderia ter o pau pequeno, seria um desperdício de material.
Nesse ponto eu já nem sabia se queria mesmo o emprego ou se apenas uma trepada com ele já iria me satisfazer e eu poderia voltar para minha vidinha.
Eu sou normal. Perdi minha virgindade com um namorado quando tinha dezoito anos. Não foi nada demais, foi bonzinho, mas eu esperava mais.
Quando o namoro acabou depois de dois meses, logo conheci Armando e sendo mais velho do que eu, ele conseguiu me dominar.
Eu achava que sexo com ele era muito melhor do que com meu ex-namorado e a gente transava o tempo todo, em todo lugar.
Eu só não curtia transar na rua porque morria de medo de ser vista por alguém. Só que depois de casada eu vi que o sexo não era tão maravilhoso assim.
De vez em quando a gente tinha uma foda bem gostosa, demorada e eu gozava até duas vezes, mas isso só rolava de vez em quando e geralmente depois que ele ficava fora de casa uns dias, por causa do trabalho.
Depois ficava repetitivo outra vez. E um tempo depois de me separar, analisando friamente, eu entendi que ele não era esse cara tão foda que eu pensava e a decepção meio que me jogou pra baixo.
Isso interferiu também com relação a transar com outros caras. Mesmo tendo a ideia de não me envolver emocionalmente com nenhum outro e apenas usar o cara como um boneco, não aconteceu.
Toda vez que eu recebia atenção de um homem eu podia até me animar um pouco, mas logo em seguida a animação caía por terra.
Eu sei, eu sou complicada. Mas eu logo puxava meu casamento fracassado e jogava isso em cima para me fazer desistir do cara em questão.
Sendo solteira eu não teria preocupação com o que a outra parte pensava ou fazia e nem corria o risco de cair de novo em uma relação em que eu seria humilhada e até mesmo roubada.
Bom, mas isso é uma história para outra hora.
O que interessa é que consegui o emprego, um salário muito bom que iria me ajudar muito e um chefe gostoso e exigente que avisou que ficaria em cima de mim, me cobrando serviço.
Não era bem como eu tinha pensado que ele ficaria em cima de mim, mas tudo bem. Pelo menos eu tinha como me manter e me organizar de novo.
E nos dias atuais, isso até é um luxo. Emprego está muito difícil e com bom salário ainda mais.
Eu só não ia ter a trepada dos meus sonhos com o chefe sexy que toda mulher merece. Mas nem sempre a vida é como a gente quer.
E nisso eu já trabalho para Artur como secretária há quase um ano. Ele é educado, bem exigente mesmo como disse que seria e eu continuo babando por ele sem deixar que saiba.
Eu tenho tempo de ir até a academia antes de ir trabalhar. Faço dança e exercícios para manter a forma, já que com a depressão eu estava muito acima do meu peso normal.
Depois eu me troco, passo na cafeteria ao lado do escritório e pego o café como o Artur gosta e levo para ele. Ás vezes ele me pede um suco ou uma vitamina e eu chego sempre antes dele, deixo em cima da mesa e saio para começar meu serviço.
Quando ele chega eu fico olhando quando passa, vestindo sua roupa de academia, o corpo sarado suado e emanando seu cheiro de macho.
Isso me faz apertar as coxas só de pensar em lamber aquele tanquinho, apertar aqueles braços, sentir suas mãos quentes.
Meu Deus! Eu ainda estou hipnotizada por ele.
Penso logo em me enroscar naquele corpo forte e alisar suas costas, puxar seu cabelo.
_ Oi, Melinda - ele estala os dedos e sorri me encarando _ Muito a fazer hoje?
Eu o olho ainda com a mente longe, pensando em beijar aquela boca que me sorri.
_ Os projetos do novo condomínio já chegaram? - se aproxima de mim.
Eu engulo seco ao ver pequenos grãos de areia que brilham em sua pele. Então ele deve ter ido correr na praia como gosta de fazer.
Já sei que hoje vou me masturbar e não vai ser pensando em Gerard ou Rodrigo. Aliás, desde que comecei a trabalhar na Projetos & Arte que meu foco mudou. Agora é em Artur que eu penso quando gozo.
_ Já chegaram sim - sorri de leve _ Deixei tudo em cima de sua mesa de desenho para conferir e também seu café está ao lado do notebook.
Eu falo, mas minha cabeça está pensando em ficar de quatro para ele, baixar minha calcinha e rebolar a bunda em sua cara, esperando que me coma ali mesmo.
_ Ok, obrigado - pega a agenda _ Eu vou tomar um banho rápido.
"Se quiser eu vou com você e te dou um banho de língua antes" , é o que eu penso. Fico olhando enquanto se afasta e ele nem me percebe.
"Merda".
Autora Ninha Cardoso
* Livro completo.
Parte 3...
Eu ajeito minha blusa creme, puxo a saia azul marinho e ajeito meu cabelo, voltando á realidade. Pego o controle remoto do ar-condicionado e aumento mais um pouco para gelar a sala e me fazer sair desse pensamento que me deixa quente.
Eu sei o que vai acontecer. Ele vai entrar no banheiro de sua sala e depois ensaboar aquele corpo perfeito devagar.
Engulo em seco. Eu me lembro bem. Eu já o vi tomando banho e quase tive um troço.
Não foi por querer, apenas aconteceu, mas eu não me arrependo de ter ficado olhando.
Foi uma quarta-feira de manhã. Eu tinha descido para pegar uns documentos no RH e não o vi chegar. Entrei na sala para deixar os papéis em sua mesa e então ouvi o som da ducha.
Fui sem fazer barulho até o banheiro para ver quem era, já que ele ainda não tinha chegado, era o que eu pensava. Mas, lá estava ele.
Eu parei e travei de imediato.
A luz do sol entrava pela janelinha logo acima do box e refletia em seu corpo. A água descia por suas costas largas e corria por sua bunda e coxas.
Quase babei, literalmente. Tive que engolir a saliva ou ia descer por meu queixo. Fiquei lá, parada como um dois de paus e olhando enquanto ele tomava banho.
Artur esfregava o cabelo e o xampu descia formando uma espuma branca que contrastava com sua pele morena bronzeada.
Então ele se virou e eu prendi a respiração. Por sorte estava de olhos fechados e não me viu, mas eu vi muito bem e vi tudinho.
Minha boca quase caiu do queixo quando vi o tamanho de seu "brinquedo". Eu tinha razão. Era grande, generoso demais até, eu diria.
Respirando fundo eu dei alguns passos devagar para trás, sem fazer barulho, me virei e saí rápido antes que ele me visse ali.
Desci e passei rápido por uns colegas de trabalho e disse que tinha algo urgente para resolver.
Na verdade eu só queria acalmar o corpo e o coração longe dali. Eu não teria cara para olhar para ele logo depois do que eu vi.
Mordendo o dedo polegar, só retornei dez minutos depois tentando manter a cara cínica de que nada havia acontecido.
Imagina se eu ia deixar ele saber que eu tinha ficado excitada ao ponto de molhar a calcinha só de vê-lo tomando banho? De modo algum. Fiz cara de paisagem, sabe, tipo retardada que acha tudo bonito.
Pois é, fiquei assim e sem querer encará-lo mesmo e evitando falar muito pra que não percebesse o quanto eu estava afetada pela visão.
Estava com medo que percebesse que eu estava excitada e querendo muito trepar. Acho que bebi uns cinco litros de água nesse dia.
Na verdade eu sabia que estava ficando louca e fora de controle. E tudo por culpa dele.
Como eu não tinha casos com ninguém mais, acabei focando minha tara e desejo em cima de Artur, que nem me dava bola.
Meu desejo por ele só crescia e isso era uma tortura para mim. Nem sei quantas vezes eu tinha me masturbado pensando nele dentro de mim.
E para piorar, ele era super educado comigo, me tratava muito bem, mas eu era tipo uma amiga, daquelas que a gente se diverte e nada mais.
E olha meu desespero. Ele começou a me perguntar como eu estava, se minha vida tinha melhorado, se eu precisava de ajuda em algo. Essas coisas de amigo mesmo.
Talvez por ele ser amigo do Robson e eu entrei nessa onda também.
Aí ele acabava comigo quando começava a falar sobre os casos que tinha. Eu ficava respirando fundo e disfarçando com um sorriso idiota enquanto o ouvia contar sobre suas transas.
Claro que ele não dava nome aos bois, apenas fazia um apanhado, por assim dizer, de suas conquistas e eram muitas.
O cara comia todo mundo, menos eu.
Isso me levou a fazer uma merda. Acabei transando com um cara da academia, pensando nele. Foi para o carinha, mas pra mim foi até pior.
Eu sabia que não era o Artur e isso só aumentou meu tesão por ele.
Tentei de novo e foi outro fracasso. Até que a foda serviu para diminuir um pouco minha libido, mas era só o Artur entrar na sala para eu ficar louca.
Isso não era normal e eu precisava muito colocar minha cabeça de volta ao lugar.
Artur foi ficando tão presente em minha vida que quando eu vi, eu era sua amiga quase irmã e claro que nenhum homem normal vai ter tesão na irmã.
Por causa do Robson ele passou a confiar em mim e eu correspondi a essa confiança.
Quando ele viajava ou precisava de algo, sempre deixava as chaves da casa comigo para que eu tivesse acesso direto.
Não é sempre que você vê um chefe fazer isso e eu estava nesse nível de amizade com ele.
Eu dava comida para os animais dele. Um gato lindo e gordo, chamado Thanos, porque ele dizia que era tão metido quanto um deus e dois cachorros enormes da raça pitbull, Thor e Loki.
O homem tinha mania de grandeza. Até seus animais tinham nomes reais. Pode isso?
Eu sabia quem era a namorada da época, os presentes que tinha que comprar para ela, as mulheres que não deveria passar a chamada e até o aniversário de seus pais. Era esse o nível.
Só que isso estava acabando comigo. Eu não queria ser a secretária eficiente ou a amiga gente boa. Queria ser a dona de seu tesão e dominar seu corpo.
Tudo bem, eu sei que o emprego era ótimo para mim e tinha me ajudado a voltar ao eixo.
Eu tinha palno de saúde e odontológico, as férias eram remuneradas, eu podia sair antes porque ele sabia que meu serviço estava pronto e organizado.
Nunca o deixei na mão, então quando tive que me ausentar por dois dias para ajudar minha mãe ele não descontou meu pagamento e ainda quis me ajudar se precisasse de algo.
Quer dizer, eu estava entre a cruz e a espada, como se diz.
Como patrão ele era ótimo e eu não queria perder meu emprego porque sabia que não se envolvia com funcionárias.
Por outro lado eu era doida por ele e cada dia isso só piorava, deixando meu trabalho difícil. Eu realmente não estava sabendo lidar com essa vontade guardada dentro de mim, mas não sabia como me livrar dela tão pouco.
O problema é que eu começava a pensar em duas opções. Me conformar e viver só de imaginação ou então pedir demissão e aí sim dar em cima dele.
Mas cadê coragem?
Ontem ele passou por mim duas vezes e notei que ficou me olhando, mas evitei fazer o mesmo.
_ Tem algo de errado, Melinda?
Ergui o rosto. Ele estava parado em minha frente me encarando.
_ Não... Por que? - franzi a testa.
_ Bem, você me parece tensa há alguns dias. Sua mãe está bem?
_ Está sim - sorri de lado.
_ E você? Tudo normal?
_ Hum, hum...
_ Não parece - se inclinou sobre a mesa _ Eu notei que anda de cara fechada, calada...
_ É que...- eu nem notei que minha frustração estava tão na cara _ Nada demais, só um pouco de estresse - abanei a mão.
_ Bem, sabe que se precisar de mim, é só falar - dá um sorriso.
"Quero trepar com você".
Sorri forçado com o pensamento. Mas é a verdade. Ele é meu estresse. A falta dele, no caso.
"Se você me comer eu relaxo na hora".
Limpei a garganta. Estava começando a ficar vermelha, tenho certeza.
_ Obrigada, eu sei disso - sorri meio sem graça _ Não se preocupe.
"O que eu quero você não quer me dar".
Ele sorri, belisca minha bochecha e sai, me deixando com cara de tonta. Deito minha cabeça na mesa e penso o quanto estou fodida, sem ter fodido.
Eu tenho que fazer algo logo ou vou acabar me metendo em uma confusão e isso é tudo o que eu não quero e não preciso.
Só não sei como fazer para apagar meu fogo quando vejo o Artur.