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Acordei casada?!

Acordei casada?!

Autor:: Judith C-Tagoe
Gênero: Moderno
O sonho de todos em relação ao casamento é encontrar aquela pessoa especial e construir uma vida feliz juntos. Mesmo os casamentos arranjados, que existem em algumas culturas, oferecem a oportunidade de conhecer o parceiro antes do casamento. Mas como você se sentiria ao acordar de manhã com alguém dormindo ao seu lado, que não é apenas qualquer pessoa, mas seu cônjuge legal, sem memória de como isso aconteceu? Esta é a história de Jason Haward e Julia Harrison, dois estranhos presos em um casamento inesperado. A busca para descobrir o porquê levou à revelação de um mistério que os fez perceber que ambos viviam uma ilusão. Para saber mais, leia esta incrível história de amor, traição e vingança, que vai prender seu coração do início ao fim!

Capítulo 1 Acordando de manhã

Um raio de luz que caiu no rosto de Jason Haward o impediu de continuar dormindo. Ainda com a visão turva, ele tentou rolar para o lado, mas encontrou uma barreira morna impedindo o movimento.

Intrigado, forçou-se a virar na direção oposta e o choque foi instantâneo - havia uma mulher seminua dormindo em sua cama.

Ele se levantou da cama num salto e percebeu que estava sem roupa.

"O que diabos aconteceu?", ele se perguntou.

Confuso, saiu do quarto, entrou no banheiro e parou diante do espelho, observando seu reflexo enquanto vasculhava a mente, tentando resgatar qualquer fragmento da noite anterior, mas encontrou apenas um vazio absoluto.

"Quem é ela? E por que está na minha cama?", ele se perguntou, passando a mão pelos cabelos negros.

Seus olhos pousaram no anel de ouro no seu dedo. Imediatamente, ele o tirou do dedo e o examinou atentamente, lendo as iniciais gravadas dentro do objeto.

"J.H."

"O que isso significa? Jason Haward?", ele se perguntou.

"Parecem minhas iniciais, mas por que estou usando uma aliança?"

Seu pensamento voou imediatamente para a mulher no quarto. Teria ela colocado isso no dedo dele?

Enquanto isso, no quarto, a mulher chamada Julia Harrison despertava com a cabeça latejando, como se um martelo golpeasse suas têmporas.

Ela tentou se sentar e se lembrar do que havia feito para estar com uma dor de cabeça tão forte, mas logo percebeu que estava nua e paralizou. Puxando o lençol para cobrir o corpo, sentiu um desconforto agudo entre as pernas.

"Onde estou e o que diabos aconteceu?", ela pensou, percebendo que estava em um lugar estranho.

Ao se levantar da cama, Julia olhou com horror para a mancha vermelha no lençol. "Ah, não... o que eu fiz dessa vez?"

A ficha caiu no mesmo instante - ela havia perdido a virgindade. Mas como? O pânico cresceu enquanto ela vasculhava a mente, tentando resgatar qualquer memória. Ela sempre queria que sua primeira vez fosse memorável, mas agora, não se lembrava de absolutamente nada.

Enquanto tentava processar o choque, a porta se abriu, e um homem alto e atraente, de olhos azuis e cabelos pretos, entrou no quarto com uma presença imponente.

"Quem é você?", perguntou Jason, a voz grave preenchendo o ambiente.

"Eu que deveria fazer essa pergunta! Quem é você e como vim parar aqui?", retrucou Julia, afastando-se na cama de casal.

O olhar de Jason, porém, desviou-se para a mão de Julia, que segurava o lençol enrolado ao corpo, e o brilho no dedo dela chamou sua atenção - ela também usava uma aliança. Quando ele avançou em sua direção, Julia se assustou e recuou instintivamente, mas ele não parou.

"Não se aproxime ou eu grito", ameaçou ela.

"Grite o quanto quiser. Ninguém vai te ouvir aqui", respondeu ele, frio.

De repente, as costas de Julia bateram na janela e ele agarrou a mão dela com força.

"Como conseguiu isso?", questionou ele, erguendo a mão dela para encarar o anel.

Julia olhou para ele confusa, sem conseguir responder. Ela não fazia ideia de como conseguiu o anel, mas adorou as pedras de diamante ao redor, pois eram muito bonitas.

"Estou falando com você, garota!", Jason gritou, apertando o pulso dela com mais força.

Julia se encolheu de dor, sentindo o rosto queimar, então respondeu, a voz falhando: "Não sei."

"Você não sabe como foi parar na minha cama?", Jason gritou com ela.

"Eu não sei!" As lágrimas finalmente transbordaram, rolando quentes pelo rosto de Julia.

"Quando eu voltar, não quero mais te ver aqui!" Irritado, Jason a jogou no chão antes de ouvir seu celular tocar.

Varrendo o quarto com os olhos, seguindo o som, ele, por fim, o encontrou sobre a mesa de cabeceira e o pegou.

Era uma ligação do seu irmão.

"Fala, James."

"Oi, Jason. Que horas você vem?"

"Para onde? Tenho coisas para fazer no escritório. Então, o que quer que tenha para dizer, desembucha logo", respondeu Jason, irritado.

"Irmão, hoje é sábado. O pai passou mal ontem à noite e o levamos para o hospital. A mãe te ligou, esqueceu?", lembrou James.

A menção ao hospital paralisou Jason, que forçou a memória, mas era como olhar para um buraco negro, não se lembrava de nada.

"Claro... Estou indo", disfarçou, tentando manter a calma.

Ao encerrar a chamada, ainda atordoado pela lacuna em sua memória, seu olhar cruzou com a mancha no lençol branco.

"Isso é sangue?", ele pensou, sabendo exatamente o que isso significava.

"Será que fui o primeiro dela?", ele se perguntou, se virando para olhar para a mulher que se cobria com o lençol, ainda parada em frente à janela.

"Droga!", Jason exclamou, percebendo que teria que assumir a responsabilidade por isso, mas ele não estava pronto.

"Qual é o seu nome?", ele perguntou, mas recebeu apenas silêncio. "Me responda, droga!"

O grito fez Julia pular de susto.

"Julia... Julia Harrison", respondeu ela, trêmula.

"Julia, saia da minha casa. Agora."

"Eu não sei onde estão minhas roupas...", murmurou ela, abraçando os próprios joelhos.

Jason passou a mão pelo rosto, frustrado. "Qual o seu tamanho?"

"O quê?"

"O tamanho das suas roupas, garota!"

"Trinta e oito."

Sem dizer mais nada, ele discou um número no celular. "Traga um vestido feminino, tamanho trinta e oito. Você tem quinze minutos."

Em seguida, ele entrou no banheiro, deixando Julia no quarto.

"Quem diabos é esse cara e por que ele é tão cruel?", Julia pensou.

Ela vasculhou o quarto com os olhos, buscando qualquer vestígio de suas roupas, mas não havia nada.

O tempo se arrastou até que uma batida na porta a fez pular, sem saber como reagir.

Nesse momento, Jason saiu do banheiro e disparou, irritado: "O que foi? Não ouviu baterem? Ou não sabe atender uma porta?"

Bufando, ele mesmo abriu a porta, pegou uma sacola das mãos de um funcionário e a fechou.

Depois, deu dois passos e arremessou o pacote para Julia antes de voltar para o banheiro.

"Vista-se e suma antes que eu saia"

Com as mãos trêmulas, Julia abriu a sacola - era um vestido azul, de corte reto e simples.

Sem calcinha e sem sapatos, ela o vestiu às pressas, correu para a porta, saiu e bateu com força atrás de si, o estrondo ecoando pelo corredor.

No andar de baixo, vários funcionários uniformizados pararam seus afazeres para encará-la. Sentindo o sangue sumir do rosto, Julia ficou branca como papel e baixou a cabeça.

"Me desculpem...", sussurrou, correndo em direção à escadaria.

Ela desceu as escadas, mas não sabia como sair da casa. De repente, viu uma mulher carregando uma bandeja em uma direção - o aroma indicava que era comida.

"Por favor, como eu saio daqui?", implorou Julia, parada no último degrau.

Assim que a mulher lhe mostrou a direção, Julia correu rapidamente e logo saiu da casa após descer uma escada longa e interminável. Ao olhar para trás, viu o prédio imponente e luxuoso de oito andares do qual acabara de fugir.

Enquanto caminhava descalça pelo pavimento molhado, que indicava que havia chovido na noite anterior, ela ergueu a mão para parar um táxi e percebeu que não tinha dinheiro e também não conhecia o local.

"Meu Deus, preciso parar de beber e ir a boates. Como vim parar aqui com aquele babaca lindo?", ela se lamentou, frustrada, olhando ao redor.

Julia não tinha celular para ligar para alguém, então continuou andando pela rua.

Ela não sabia há quanto tempo estava andando quando um Bugatti Chiron diminuiu a velocidade próximo a ela.

Ela tentou ignorar, apertando o passo, mas a buzina insistente a fez parar.

"Entre", ordenou a voz grave e familiar.

Era ele - o homem que gritara com ela no prédio.

Julia o ignorou e continuou andando, mas o carro parou e um homem de smoking preto e óculos escuros desceu do banco da frente, bloqueando seu caminho. Antes que ela pudesse reagir, ele a segurou pelo braço.

"Me solte, ou vou gritar", ameaçou Julia enquanto lutava para se libertar.

"Vá em frente. Como se alguém fosse aparecer...", respondeu o segurança, arrastando-a sem cerimônia para o veículo.

Após abrir a porta do banco de trás, ele jogou Julia no carro e ela caiu no assento, mas rapidamente se recompôs e se empurrou para trás até suas costas baterem na porta do carro, trêmula de medo.

"Ouça, garota. Quando eu digo algo, você ouve e obedece. Entendeu?", disse Jason com uma voz profunda e calma.

Ele nem sequer olhou para ela, os dedos digitando freneticamente no celular.

Julia se encolheu ainda mais, desejando atravessar a lataria do carro e desaparecer.

"Para onde?", perguntou ele, ainda focado na tela.

"Belle Glade", respondeu Julia, trêmula.

Jason desviou o olhar para ela brevemente e pôde ver o quanto ela estava assustada, mas não se importou. Ele voltou a olhar para o celular e deu as instruções ao motorista para deixar Julia no destino que ela havia mencionado.

Julia se sentou no canto do carro com as costas pressionadas contra a porta do banco de trás, sua cabeça baixa durante toda a viagem até chegarem ao seu destino.

Assim que o veículo parou e a trava estalou, ela saltou para fora como se o banco estivesse em chamas.

"Obrigada", conseguiu murmurar, afastando-se rapidamente.

Enquanto caminhava apressada em direção à sua casa, olhou por cima do ombro uma última vez e, ao ver o carro partir, abraçou o próprio corpo contra o vento.

"Que homem grosseiro", pensou ela.

Capítulo 2 Fizemos o possível

"Que homem grosseiro", pensou Julia enquanto continuava pela rua indo para casa.

Após caminhar pela calçada, ela chegou à varanda de uma casa de madeira pintada de branco. Ela olhou para dentro da casa pela janela, tentando espiar.

"Julia, entre", disse sua mãe. "Sei que você está aí."

Julia cerrou os olhos e os lábios. Após abrir a porta da frente, que não estava trancada, ela entrou na casa.

"Bom dia, senhora", disse Julia com as mãos atrás das costas.

Sua mãe estava sentada no sofá, compenetrada na leitura de um livro, os óculos na ponta do nariz, sem levantar a cabeça para olhar para ela.

"De onde você está vindo?", perguntou a mãe de Julia, mantendo os olhos fixos no livro que lia.

"Hã... eu... bem, eu...", gaguejou Julia, coçando a nuca num gesto de puro nervosismo.

Sua mãe fechou o livro que estava lendo e, tirando os óculos, virou-se parcialmente para olhar para Julia.

Com uma expressão carrancuda, ela se levantou para examinar o vestido que Julia usava, parando abruptamente nos pés descalços e sujos.

Ao verificar a etiqueta, ela arquejou, com uma expressão de desaprovação.

Julia ficou paralisada, sem entender o motivo dessa inspeção minuciosa.

"Onde você arrumou dinheiro para comprar isso?"

"Eu... eu... não comprei, foi um presente de uma amiga", Julia respondeu às pressas.

"Um presente de uma amiga? Qual das suas amigas ganha o suficiente para te dar isso? Por acaso é Tilly, sua amiga desempregada?", perguntou a mãe, com as mãos na cintura.

Diante da pergunta, Julia ficou em silêncio, sem conseguir falar sobre o que aconteceu pela manhã.

"Onde estão as roupas que você estava usando ontem? E por que está descalça?", questionou a mãe.

"Não sei", respondeu Julia honestamente.

"Você está dormindo com homens por dinheiro agora, Julia?" A acusação veio afiada como uma faca. "Esse vestido é da última coleção da Louis Vuitton."

"O quê? Não! Claro que não!" O rosto de Julia queimou. "A noite passada foi uma confusão terrível, só isso. Por favor, mãe, não vamos falar sobre isso agora."

Antes que a mãe pudesse disparar outra ofensa, Julia correu para o quarto e trancou a porta.

Sozinha na sala, a mãe estreitou os olhos, encarando o corredor vazio. "O que essa garota está escondendo?"

Após deixá-la em casa, Jason estava a caminho do hospital. O Bugatti deslizava suavemente pelo trânsito enquanto ele, no banco de trás, tentava organizar o caos em sua mente.

No dia passado, ele havia sido convidado para um evento musical como convidado de honra e havia ido com seu pai. Quando chegaram, a imprensa havia tirado fotos dele e do seu pai antes de serem levados por um corredor exclusivo até o local onde o festival de música estava acontecendo.

Era só isso que ele se lembrava.

"Senhor, chegamos", avisou o motorista, tirando-o de seu transe.

Jason abriu a janela e olhou para fora.

"HCA Florida Westside Hospital", ele leu na placa.

De fato, esse era o nome do hospital que seu irmão havia lhe passado.

Após sair do carro, ele caminhou em direção ao hospital, acompanhado por quatro homens imponentes.

"Aquele não é o Jason Haward?", cochichou uma mulher para a amiga na calçada.

"Sim, é ele! Meu Deus, será que veio fazer uma doação?" Os olhos da amiga brilharam. "Rápido, tira uma foto minha com ele no fundo!"

"Amiga, a menos que você consiga fazer com que ele pare de andar, não sei como isso será possível. Olha o tamanho daqueles seguranças. Se você tentar uma foto sem permissão, vai ficar sem celular", a amiga alertou antes de se afastar, continuando a admirá-lo à distância.

A presença de Jason atraiu uma pequena multidão instantânea, mas ele passou por eles como se fossem invisíveis, sua expressão fria e distante.

Com seu ar frio, ele entrou no hospital e encontrou seu irmão. A equipe médica, embora estivesse atarefada, conseguiu dar algumas olhadas de relance para ele.

"O que aconteceu com o pai?", perguntou James, a voz grave ecoando no corredor estéril.

"O que os médicos disseram?", perguntou Jason com uma voz grave e calma.

"Nada concreto ainda. A mãe está com ele", respondeu James, depois levou Jason até a enfermaria onde seu pai estava deitado na cama, usando uma roupa de hospital, com os olhos fechados e ligado a várias máquinas.

Jason queria perguntar ao pai o que havia acontecido, pois estivera com ele na noite anterior e não tinha nenhum de seus guardas por perto, apenas os guardas de seu pai. E eles não lhe diriam nada.

Assim que ouviu a porta se abrir, sua mãe se virou para olhá-lo com os olhos marejados.

Jason parou atrás da mãe, colocando a mão no ombro dela para confortá-la.

"Ele chegou em casa por volta da meia-noite e desmaiou antes mesmo de subir as escadas para o quarto. Ele está assim desde que o trouxemos para cá", disse a senhora Haward enquanto fungava.

Jason massageou os ombros dela suavemente e ela segurou a mão dele.

Nesse momento, o médico entrou e anunciou: "Preciso falar com um de vocês em particular."

Como era o mais velho, James foi com o médico, deixando Jason com a mãe, que chorava e segurava a mão do marido, deixando beijos nas costas da mão dele.

De repente, o celular de Jason vibrou, o que o fez sair do quarto. Assim que a senhora Haward ficou sozinha com o marido, soltou a mão dele na cama e se inclinou para perto dos ouvidos dele.

"Você se acha muito esperto, querendo me expulsar de casa com meu filho e nos deixar sem nada. Mas olha só para você agora. Vou gerenciar todas as suas propriedades. É incrível como você blindou tudo para que eu não recebesse um centavo. Mas agora... agora vou controlar cada propriedade, cada conta", disse a senhora Haward com um sorriso enquanto passava os dedos pelos cabelos do marido.

"A menos, é claro, que aquele seu filho ogro, Jason, encontre uma esposa imediatamente, como mandam as regras ridículas da sua família." Ela soltou uma risada baixa e fria. "E convenhamos, quem se casaria com ele? Você perdeu."

"Mãe, você não pode ficar chorando assim, precisa se manter forte por ele", disse James assim que entrou.

"O que o médico disse?", perguntou a senhora Haward, seus olhos vermelhos de lágrimas.

James olhou para ela, sem saber se deveria contar tudo, mas acabou dizendo: "Ele vai ficar bem. Só precisamos cuidar bem dele."

No entanto, como se reagisse à mentira ou sentisse a presença da traição, o homem na cama murmurou algo inaudível. "Jason..."

Os dois se viraram, surpresos, mas antes que pudessem reagir, o corpo do senhor Haward começou a convulsionar violentamente.

James apertou o botão para chamar o médico e saiu correndo para encontrá-lo, mas se deparou com três profissionais de saúde na entrada, que correram e rapidamente tentaram atendê-lo, os mandando para fora do quarto.

Eles fizeram tudo o que podiam, mas, no final, acabaram o perdendo.

A enfermeira desligou as máquinas e começou a retirá-las dele, e os dois médicos saíram do quarto e encontraram Jason, James e sua mãe.

"Sinto muito", disse o médico. "Fizemos o possível."

A senhora Haward vacilou, como se fosse desmaiar, e James a amparou rapidamente.

" O que ele tinha?", perguntou Jason a James.

"Câncer de cólon em estágio terminal", revelou James, a voz falhando. "Já não havia mais o que fazer."

"Câncer?", Jason franziu a testa, a incredulidade tomando conta. "Como ninguém sabia disso?"

"Vou levar a mãe para casa e avisar o resto da família", disse James, ignorando a pergunta, focado apenas em tirar a mãe dali.

"Suponho que Mirenda já voltou?"

"Sim, chegou pela manhã. Ela não sabe de nada, vai ser um choque. Vou esperar para contar ao vovô pessoalmente."

"Deixe o vovô comigo", disse Jason.

Enquanto James saía do hospital com a mãe, ele ficou para resolver a papelada.

Capítulo 3 O funeral

"Deixe o vovô comigo", disse Jason, ficando para resolver a papelada enquanto James saía do hospital com a mãe.

No carro, a senhora Haward não parava de chorar pelo marido falecido, sentada no banco do carona.

Mantendo os olhos fixos na estrada e em silêncio, James sabia que ela precisava desse momento para desabafar - a dor dela parecia inconsolável.

Enquanto James levava a mãe para o condomínio da família, Jason terminava os trâmites burocráticos.

Dez minutos depois que James chegou, Jason também apareceu, pegou o elevador e subiu direto para o 12º andar.

O andar era enorme com seis quartos, duas salas de estar e uma varanda bem projetada com piscina.

A decoração era em tons de cinza e branco, e havia alguns quadros bonitos pendurados nas paredes.

De fato, eles eram uma família muito rica.

Ao entrar na sala de visitas, Jason foi recebido pelo avô e, juntos, seguiram para a sala de estar. Lá, eles se sentaram e conversaram um pouco.

"Oi, vovô", disse Jason assim que se sentou. Ele olhou em volta procurando por James ou pela mãe, mas eles não estavam em lugar algum.

O avô se sentou ao lado dele, abraçando seus ombros.

Jason sorriu e retribuiu o abraço, ajeitando uma almofada nas costas do velho para que ele ficasse mais confortável.

"Como está o trabalho?", perguntou o avô, acomodando-se no sofá.

"Tudo bem, só tenho alguns contratos de projetos para assinar na segunda-feira", disse Jason. "Vovô..."

"Sim?"

"Aconteceu uma coisa hoje", começou Jason, tentando encontrar as palavras certas para dar a notícia da morte do pai.

"Seu pai nos deixou", completou o avô com a voz pesada, olhando para cima. "Sim, eu sei, sua mãe chegou em casa chorando."

"Seu pai era um homem bom, quase um filho para mim. Às vezes, eu desejava que ele fosse meu filho de sangue. Trabalhador, inteligente e muito humilde. Você deveria seguir o exemplo dele", disse o velho, virando-se para encarar o neto.

Jason assentiu, mas manteve a expressão fria.

De fato, seu pai era humilde, mas aonde isso o levara? As pessoas se aproveitavam dele o tempo todo, tentando enganá-lo.

Jason, por outro lado, construíra uma reputação sólida e impiedosa - ninguém falava com ele sem tremer de medo. O pai era a misericórdia, e Jason, a sentença. A única coisa que herdara dele fora a inteligência e a ética de trabalho, mas jamais permitiria ser visto como fraco.

Eles conversaram por mais algum tempo até que o avô decidiu tirar seu cochilo da tarde. Com o velho recolhido no quarto, Jason subiu as escadas e encontrou os irmãos consolando a mãe, que ainda enxugava as lágrimas na cama.

Sentindo o celular vibrar no bolso, ele saiu do quarto para atender e voltou minutos depois, com o semblante sério.

"Está tudo pronto. O enterro será depois de amanhã", anunciou antes de ir para seu próprio quarto.

Ele se sentou no sofá, apoiando a cabeça no encosto, perdido em pensamentos profundos. "Como ninguém sabia que ele lutava contra um câncer de cólon? E o que realmente aconteceu na noite do festival de música?"

Jason tentou se lembrar de alguns acontecimentos da noite anterior. O evento correu bem e as apresentações foram ótimas. Ele havia pedido água a um segurança e o pai lhe havia entregado uma garrafa.

Depois de beber, ele não se lembrava de absolutamente nada, um apagão total.

Jason procurou a aliança no bolso e o tirou, a observando atentamente, depois, o colocou de volta no bolso. Ele não queria que ninguém da família soubesse disso até que ele descobrisse quem era a mulher e como ela foi parar no seu quarto.

Nesse momento, seu celular começou a tocar, o tirando dos seus pensamentos. Ele verificou o identificador de chamadas e atendeu.

"Sim, fale", ordenou Jason.

"Senhor, o nome dela é Julia Harrison. Mora com a mãe em Belle Glade, numa casa simples de dois quartos. Quanto ao pai, ela nunca o conheceu. Trabalha como motorista de ônibus escolar para se sustentar e a mãe é costureira. Apesar das condições de vida, Julia gosta de ir a festas com suas duas melhores amigas, Matilda Hayford, a quem ela chama de Tilly, e Michael Hogan, em boates e, embora não aguente a bebida, ela gosta de beber", informou o interlocutor.

"Isso é tudo?"

"Sim, senhor."

"Hum." Jason encerrou a chamada. "Essa garota não é ninguém..."

Infelizmente, o único que poderia explicar aquela confusão se fora.

Mais tarde, durante o jantar, Jason ficou surpreso ao ver a mãe comendo bem, apesar de ter passado o dia chorando - pelo menos ela não estava se deixando definhar.

Após a refeição, ele se despediu e voltou para seu apartamento, escoltado por dois seguranças.

Deixando os guardas no primeiro andar, subiu para seu quarto, sentou-se no sofá e assistiu ao noticiário para tentar desligar a mente.

Ao abrir a gaveta da cabeceira para pegar o carregador, seus dedos tocaram em papéis - eram duas certidões de casamento, assinadas pelo seu pai como testemunha.

"Espere, então meu pai sabia do casamento? Será que foi ele quem organizou?", pensou Jason, mas logo descartou a ideia.

Segundo seu irmão, o pai desmaiara assim que chegara em casa. Alguém atacou seu pai? Por que o obrigariam a casar com uma estranha?

Sentado na beira da cama, Jason analisava os documentos, mas nada fazia sentido, a menos que alguém estivesse usando essa garota para chegar até ele para obter informações.

"Alguém planejou algo e isso não parece bom."

Jason sorriu, pensando que pediria o divórcio após o funeral. Decidido, colocou o celular para carregar, tomou um banho e apagou, já planejando os próximos passos legais.

O dia do funeral amanheceu cinzento. O senhor Haward repousava no caixão, cercado por uma montanha de flores e por uma multidão de conhecidos que vieram prestar as últimas homenagens.

Quando o caixão foi baixado à sepultura, Jason pegou um punhado de terra e o lançou sobre a madeira, num gesto final e silencioso, seguido por sua mãe e irmãos.

Do cemitério, todos retornaram ao condomínio da família para passar a noite juntos.

Jason foi para seu apartamento no dia seguinte, já que o funeral havia terminado e ele precisava resolver algumas coisas e também iniciar o processo de divórcio antes que alguém da família descobrisse.

Alguns dias depois, em um escritório de advocacia, o choque foi inevitável. Havia uma cláusula no contrato - o casamento só poderia ser dissolvido após um ano e meio.

"Que porra é essa?", gritou Jason, incrédulo.

Quando o advogado confirmou que não havia brechas, Jason saiu de lá furioso e foi direto para a empresa, dando ordens expressas para não ser incomodado.

Trancado no escritório, tentava montar o quebra-cabeça - o contrato, as alianças, a mulher na sua cama.

Ele decidiu que iria confrontar a mulher. Talvez ela soubesse de algo. Se ela não estava no festival de música, então como eles se conheceram?

Ele pegou seu celular e discou um número, ordenando: "Quero aquela garota, Julia, no meu apartamento às dezoito horas hoje."

Pelo resto do dia, ele se distraiu com muito trabalho, reuniões, documentos, decisões...

Logo o dia terminou e ele saiu da empresa para ir para seu apartamento.

O motorista entrou com o carro na enorme garagem subterrânea e estacionou. Jason saiu do carro com quatro seguranças e foi abordado por outro segurança.

"Onde ela está?", Jason perguntou.

"Senhor, ela está amarrada no porão", respondeu o segurança.

Jason foi até lá e, ao entrar, dispensou os homens com um gesto, pois queria ficar sozinho com ela.

Julia parecia um pouco machucada, com o cabelo desgrenhado e o canto do lábio sangrando.

Apesar da sua aparência desleixada, ela era uma mulher muito bonita, com olhos lindos e cabelos castanhos longos e volumosos.

Além dos hematomas que ela havia sofrido por terem a maltratado, era possível perceber que ela tinha uma pele muito sedosa.

Jason estava muito irritado na manhã em que acordou ao lado dela e, por isso, não teve tempo de olhá-la. Mesmo com sua carranca, ela parecia adorável, mas ele manteve um semblante frio e hostil.

Julia estava com as mãos e pernas amarradas à cadeira em que estava sentada e um pedaço de pano foi usado para amarrar sua boca.

Jason pegou uma cadeira e a colocou próxima a ela.

Assim que ele tirou o pedaço de pano da boca dela, Julia começou a gritar tão alto que Jason sentiu que seus tímpanos iriam explodir.

"Cale a boca", ordenou Jason, dando um tapa no rosto de Julia, que ficou vermelho e inchou instantaneamente.

A cabeça de Julia começou a girar, e ela pensou que poderia desmaiar a qualquer momento. Apavorada, ela começou a tremer na cadeira.

"Certo, me diga o que estava fazendo antes de acordar na minha cama", perguntou Jason.

Lágrimas escorriam pelo rosto de Julia enquanto ela falava, com a voz trêmula: "Por favor, não me machuque, não me lembro de nada."

"Então você não se lembra de nada mesmo?", Jason perguntou. "Me responda!"

"Saí com meus amigos, acredite em mim, isso é tudo o que me lembro", respondeu Julia, quase chorando, o corpo tremendo.

"Onde você foi?", perguntou Jason, se sentando.

"Para uma boate, perto da minha casa...", respondeu Julia, ainda tremendo.

"Tudo bem, me dê os nomes dos seus amigos e seus contatos. Agora!", gritou Jason, fazendo-a pular na cadeira.

"Matilda..."

"Matilda de quê?"

"Matilda Hayford e Michael Hogan", disse ela, passando as informações o mais rápido que conseguia.

Satisfeito com os nomes, Jason saiu do porão.

Minutos depois, enviou uma mulher para desamarrá-la e cuidar dos ferimentos, deixando-a livre, mas presa no andar subterrâneo.

Já no conforto de seu quarto, Jason repassou os dados para a equipe de segurança - eles buscariam os amigos dela no dia seguinte.

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